segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Vamos aprender Brasileiro


Começo me apresentando. Sou José Andando de Costas. José porque nasci laçado. Não foi em Bom Conselho mas vou me esmerar para conquistar o tão sonhado título de Cidadão Honorário. Pelo menos foi o que prometi ao Diretor Presidente da CIT, em minha entrevista para este honroso cargo de revisor das bobagens escritas em seu Blog. Isto quando forem escritas em Português, em Inglês a tarefa pertence a Lucinha Peixoto.
Andando pela minha mãe, de ascendência espanhola, mas especificamente de Cuba, onde a família Andando, no período recente, orientou Fidel Castro a deixar o poder, com o lema, vá andando na frente que atrás vem gente. De Costas pelo meu pai. Família importantíssima em Portugal, da região de Monsanto, onde há tanta pedra que não foi preciso muito esforço para ele se adaptar ao agreste pernambucano, onde vivi grande parte da minha vida.
Estudei línguas neolatinas, com especialização em português, língua com a qual lido, algumas vezes como professor e outras como revisor. Esta última, minha tarefa atual na CIT. No entanto, tenho uma teoria e prática da língua portuguesa, sobre sua importância e seu uso, as quais não considero tradicionais. Talvez tenha sido por isso que hoje sou um contratado desta empresa inovadora e de nobres objetivos pela qual comecei a trabalhar recentemente.
Desculpem-me se for óbvio demais. Mas, para algumas pessoas, se não falarmos o óbvio ululante, eles pedem para desenhar senão não entendem. Usamos a linguagem para nos comunicar uns com os outros. Os monólogos são formas de expressão onde tentamos, e muitas vezes não conseguimos, nos comunicar com nós mesmos, vamos deixá-los de lado. A comunicação através da linguagem, foneticamente, envolve o falar e o ouvir, o escrever e o ler. Quando o que falamos ou escrevemos não é entendido por quem ouve ou lê a comunicação é inexistente. Se esta situação se repete, se repete e se repete, a língua morre. Um exemplo simples. Quando o Brasil foi descoberto a língua mais falada nele não era o português. Não imagino, na história, Pedro Álvares Cabral ter dito para uma índia: Tu és uma rapariga mui fremosa! Nem tampouco a índia responder: Rapariga é a tua mãe. Não sei como este diálogo poderia ter acontecido em Tupi, nem tem importância aqui. Para o Tupi, língua falada na época do descobrimento, existiram muitos estudos e até gramáticas foram escritas pelos jesuítas. Mas, hoje é uma língua morta (com algumas exceções na Amazônia). Por que? Falta de comunicação em Tupi dando vez á língua usurpadora que era o Português. Mas como isto pôde acontecer, se cada um falava uma língua diferente. Por que não ficaram cada um com a sua?
Isto ocorreu por um período de tempo. Entretanto, não pôde perdurar. Em alguns setores, a própria sobrevivência dependia do aprendizado da outra língua. Aquele que sobrevivia melhor vencia até na língua ou, vice-versa. Quando a índia do exemplo acima, compreendeu o que Cabral queria dizer, já respondeu em português: Castrar! Castrar! Se ela tivesse dito castrar em Tupi, mesmo falando errado para Cabral ir entendendo aos poucos, talvez castrar hoje fosse: Apiaocar, que é parecido com castrar em Tupi. Mas, deve ter surgido um índio professor de Tupi, já tendo decorado as regras gramaticais, prosódia, fonética, ortoépia e outras coisas que aprendemos para ser professor, e disse, você está falando erradamente, fale corretamente, diga apiaók. Nem é preciso dizer que a índia preferiu dizer castrar, porque era mais difícil o gringo entender o que ela falava corretamente. Talvez, se tivesse dito apiacar, apiacar, a língua estaria morta de qualquer jeito, mas a influência do Tupi seria muito maior, e assim ela sobreviveria noutra, como sói acontecer.
Nossa teoria é que o a língua inglesa, contemporaneamente, saiu na frente porque a civilização que a fala e escreve teve e tem um peso enorme sobre nossa economia, sociedade e cultura e o inverso ainda não é verdadeiro.
Voltemos a meados do século XX período em que vim ao mundo. O que tínhamos em nosso país? Uma população quase rural, onde imperava o coronelismo, mulher não votava, o homem mandava, não havia luz elétrica, a taxa de analfabetismo chegava a 50% da população adulta, uma carta demorava um mês ou mais entre o Oiapoque e o Chuí, e era privilegiado quem tinha um rádio ou um relógio de pulso de corda. Estamos no século XXI. Não preciso citar muitos fatos e dados para ver como são tantas as diferenças. Fomos redescobertos, agora pelo mundo digital. Vivemos num mundo globalizado onde da rapidez da informação depende a sobrevivência. A língua inglesa começou e domina neste mundo novo. Queremos manter nossa língua portuguesa mas, nossos filhos aprendem primeiro inglês para teclarem no computador com os colegas coisas que não entendemos. Isto quando são de classe média e tem acesso ao computador. Nas classes menos favorecidas, onde o computador próprio ainda é um bem de luxo, usa-se as Lan Rauses para aprender inglês e não português. O que fazem? Jogam video geimes. Que só acabam quando aparece na tela Game Over (geime ôver). Em breve cessa a comunicação entre nós, pais e filhos, igual ao que aconteceu aos índios no passado. Novos professores, novas gramáticas, novas regras para que o português seja preservado, preservado para quê? Para fazer o vestibular, ofícios para repartições públicas e concursos públicos. Então alguns proclamam: “A língua é, depois do território, o maior patrimônio de um povo. Como é dever inalienável defender a integridade territorial, não é menor obrigação preservar o idioma do país. (Waldênio Porto – DP – 12/12/2008). Se posicionando contra a reforma ortográfica. Ora, ele frisou bem, depois do nosso território, e perguntamos, qual território? O do sul do país invadido por empresas estrangeiras ou o do norte invadido por ONG,s internacionais? Qual a língua falada pelos habitantes da amazônia atualmente? Inglês ou Português?
Vamos supor que se consiga não fazer nenhuma reforma ortográfica, não se aceite nenhum neologismo ou estrangeirismo, e tudo continue como antes. O que ocorrerá? A língua portuguesa, que ai está, com tremas, acentos, cedilhas, hífens, que tanto se chocam com os computadores, será desprezada pelas novas gerações, sendo estudada, sem nenhum entusiasmo, somente para fazer vestibular, ofícios e concursos públicos. E, assim sendo, tenho convicção, em breve só se falará inglês nesta terra, abençoada por Deus e bonita por natureza. Se usarmos termos como saite, internetes, blogues, mauses (em Portugal é rato, parece piada de português), imeio, deletar (já consta de alguns dicionários de autores mais realistas), baites, gigabaites, pendraive, agadê, cepeú ou similares, serão portugueses, pelo menos foneticamente, e poderemos sobreviver mais tempo com nossa língua. Hoje já existe o Português Brasileiro e outros Portugueses, no futuro nossa língua poderá ser o Brasileiro. Todavia se continuarmos com nossa tradicional rejeição ao novo, brevemente falaremos inglês nas ruas e estudaremos português nas escolas, para os fins citados anteriormente. Quem sabe, se acordarmos para o óbvio, o Brasileiro, um dia não será uma língua falada em todo mundo? Para isto temos que avançar econômica, tecnológica e culturalmente com todas as influências sem xenofobia lingüísticas baratas. O Latim morreu há muito tempo mas, vive em outras línguas, inclusive no Português. Se o Português morrer, viva o Brasileiro.
Disse acima que minhas teorias sobre a língua portuguesa, pelo menos ao usá-la não eram muito tradicionais. Retificamos em parte, porque nossa atitude já estava prevista pelos lingüistas (o trema foi o processador de texto que colocou por conta própria, se a função de professor de português fosse esta, eu estaria desempregado há muito tempo) que orientaram a inclusão de estrangeirismos e neologismos de uso corrente no Brasil ao Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp) de 1942, aprovado por unanimidade pela Academia Brasileira de Letras. Apenas o que estamos propondo é a inclusão deles pela absoluta necessidade de comunicação entre as pessoas. Deve-se se ter uma maior agilidade na atualização deste vocabulário oficial, antes que esta comunicação seja feita somente em Inglês, enquanto nas escolas se estuda o Português.
Portanto, nossa filosofia de trabalho resume-se em deixar as pessoas se expressarem com o potencial que têm. Ajudemos àquelas que querem usar o português de uma forma mais tradicional. Mas, não ajamos feitos cães raivosos contra aqueles que cometem erros gramaticais, prosódicos, fonéticos, ortoépicos e outros triviais, e, no entanto, se comunicam bem, e mantém nossa língua viva. Ao invés de nos preocuparmos em pesquisar se o indivíduo é doutor ou não, mestre ou não, analfabeto ou não, para corrigi-lo, antes disto, tentemos entender o que ele diz. Se entendermos não o sacrifiquemos com cultura inútil.
Vamos encarar a realidade. Um pessoa que não terminou o curso primário é considerada como analfabeto funcional pelo IBGE (menos de quatro anos de estudos completos). No Brasil em 1992 a taxa de analfabetismo funcional era de 36,9%, melhorando em 2002 para 26%. No Nordeste estas taxas eram de 55,2% e 40,8%, respectivamente, entre a população acima de 15 anos (http://www.ibge.gov.br/ibgeteen/pesquisas/educacao.html). Vamos ouvir o que eles falam, vamos ler o que eles escrevem. Se quiserem nossa ajuda para se enquadrar dentro da gramática, prosódia, ortoépia e outros nomes feios, devemos estar à disposição.. Senão, critiquemos o que disserem ou deixarem de dizer de forma clara mais não vamos criticá-los quando disserem ou escreverem que “os companheiro precisam trabalharem para o Brasil comer melhor, o povo tão com fome”. Sabemos que estes jamais passarão no vestibular, nem escreverão um ofício, nem farão concurso público. Mas, com inteligência e argúcia, poderão até contribuir com a Reforma Ortográfica e falar à Academia Brasileira de Letras começando a vislumbrar nossa língua num futuro bem próximo: O Brasileiro. Um deles conseguiu e lançou recentemente um neologismo: Sifu, que brevemente estará no Volp ou Volb (Vocabulário Ortográfico da Língua Brasileira - Ver foto ao lado).
Poucos dias atrás Luis Fernando Veríssimo escrevia se sentindo culpado por nunca ter usado o trema. Diz ele, quando começou a escrever para o público, continuou o ignorando, deixava os trabalhos para os revisores, se eles quisessem botassem o trema. Eu juro para todos neste momento, no meu trabalho como revisor da CIT, jamais colocarei um trema em artigo de ninguém. E se alguém usá-lo eu não o tiro, pois tenho certeza de que foi o processador de texto que colocou, e que ele desaparecerá com a Reforma Ortográfica.
Conto uma estória ilustrativa do assunto. Num desfile de Sete de Setembro, em Bom Conselho, o locutor que narrava a parada estudantil, vendo o povo invadir o local por onde passariam as escolas, gritava: Polícia, polícia... o povo estão invadindo, o povo estão invadindo! Eu estava perto de um colega, professor de português dos mais conceituados da cidade. Então disse para ele: Por que você não corrige este locutor? Ele com a calma que é peculiar aos bons professores de português, disse: Se ele falar correto o povo não entende. Como eu aprendi naquele dia!
Resumindo e finalizando. O papel do revisor é melhorar a comunicação dentro dos padrões lingüísticos de mais altos níveis. Mas, não os dele e sim dos de quem escreve ou fala. Afinal de contas, se todos sempre seguissem os gramáticos, ainda estaríamos falando Latim. Deixa o Brasil falar e escrever. Português nós já sabe. Queremos aprender é Brasileiro.



José Andando de Costas (jad67@citltda.com)

Revisor

Bodas de Ouro e Festas Natalinas - Complemento 2

Mais duas contribuições ao tópico, dos conterrâneos Gildo Povoas e Carlos Sena.
-----------------------

Ilustre Diretor Presidente
Muito engrandecedor este tipo de "diálogo", criado entre estes dois escritores da nossa terrinha. Parabéns ao Carlos Sena pela bela 'desconstrução" do ego do deus da salvação criado pela maioria das religiões.
Espero que mais e mais opiniões sejam projetadas.
E a todos vcs da CIT parabéns pela coragem. Imprensa livre é isso , não só elogios, mas clareza e amplidão de visão.
Abraços fraternos
Gildo
--------------------
Citeiros:
Passeei no Blog e adorei o que li: minhas repostas ali, literalmente transcritas como eu gosto. Parabéns pela ousadia do ousado escri(dor) que não acha graça em textos que, embora dizendo o que sabemos, não acrescentam nada. Sei que tudo tem que ser responsável, respeitando pessoas e instituições, mas neste viés, lembro de um jóvem que, dentro de um ônibus lotado, deu a seguinte resposta a um ancião:
após sentir-se ofendido pelo "velho", o jovem respondeu a altura e na ponta lingua. Um outro passageiro tomou as dores do "velho" e disse: "deveria pelos menos respeitar os mais velhos." "Os canalhas também envelhecem, respondeu o jovem"... E tudo ficou quieto por alí, pois a atitude do senhor fora totalmente desrespeitosa para com o jovem.
Portanto, respeito é fundamental. Coerência é regra, decência, nem sempre se observa! Mas comigo não, violão.
csena
---------------------------

domingo, 28 de dezembro de 2008

Bodas de Ouro e Festas Natalinas - Complemento

Alguns dias atrás enviei para os clientes da CIT o primeiro e-mail abaixo. Recebemos várias respostas. Como é nossa política no momento, tentamos publicá-las, quando houver relevância para o tema, em forma de complemento ao artigo. Óbvio que surgem mensagens polêmicas, as quais discutimos internamente a oportunidade de publicá-las. Depois de feito isto decidimos pela publicação, recebidas as devidas permissões. Neste caso particular não houve mensagens só de um lado mas, uma espécie de diálogo entre eu e o CARLOS SENA e eu e JOÃO NELSON, nos quais minha participação foi mais de forma do que de conteúdo. Publicamos deste modo para tornar mais claras as mensagens além de manter suas formas originais (sem edição nenhuma), resguardando a responsabilidade de cada um. Agradeço a ambos conterrâneos a permissão para publicação, e estamos a disposição deles e de todos para outras participações.
Diretor Presidente
----------------------------
Caros Bom Conselhenses,
Estive por estes dias em Bom Conselho e cometi algumas frases. Estão no link:
http://www.citltda.com/2008/12/bodas-de-ouro-e-festas-natalinas.html
Lucinha Peixoto pede para avisar sobre a enquete. Placar de hoje: Pedro de Lara 22, Waldemar Gomes 14, são os mais votados. Restam 5 dias para o término da votação, e temos 53 computadores votantes, o que superou todas as nossas expectativas. Votem e Bom Conselho agradecerá o interesse.
Saudações Natalinas
Diretor Presidente (diretorpresidente@citltda.com)
--------------------------
(DIÁLOGO COM CARLOS SENA)

Meu presidente Citeiro:
Adorei suas considerações sobre sua ida a terrinha. Lembrei de uma passagem que a gente saiu daqui, do Recife, para a festa de São Sbastião exatamente por conta do "baile", tipo "encontro de brotos", sei lá que nome tinha. Pra nossa surpresa, Pe. Carício suspendeu a festa e a gente ficou lambendo o dedo. Coisas dessa igreja cujo dirigente maior vive preocupado se homem trepa com homem e mulher com mulher, esquecendo que grande maioria de padres estão jogados à mingua, com AIDS nos hospitais.
Como vês, macaco não olha pro rabo. Claro que há excessões que justificam a regra, mas é demais esse tipo de preocupação quando o mundo vive em plena barbárie, que ainda chamam de violência. Em janeiro estarei na terrinha. Espero encontrar muitos, mas já me vejo como vc: não me conhece? E quem é você? Mas a gente repagina a vida e os amigos.
abraços
csena
------------
Caro Carlos Sena,
Obrigado pelo comentário, como sempre preciso e oportuno. Eu, nunca na história desta empresa tinha visto tanta polêmica, quanto a decisão de publicar uma mensagem, que foi a sua. Como você sabe, temos pessoas de todos os tipos aqui, católicos, evangélicos, ateus e até budistas, ficando na religião. De qualquer maneira, temos um passo anterior a nossas brigas internas que é perguntar a você se podemos publicar a mensagem, como o fazemos sempre como um complemento do tópico. Sabemos que ela já foi publicada no seu Blog, de uma forma mais extensa e clara, que gostamos muito. Mas sempre perguntamos se o permite fazê-lo em nosso Blog. Como sempre diga permito, se permitir, e não diga nada se for ao contrário e fique certos que, independente de nossa decisão interna, admiramos seus comentarios. Um abraço
Diretor Presidente
--------------
Caros Citeiros:
Eu não quero estar vivo um só dia se o que eu penso não puder ser publicado. Evidentemente que considero sempre as excessões que, neste caso, são muitas. Até porque não se trata de fé, mas de igreja. Aliás, esta expressão "igreja" anda tão carregada de outros significados que, quando a gente quer se referir a um grupo sectário ou similalr, fala "alí, só entra quem for da "igrejinha". Mera coincidência? Talvez.
Se interessar a alguém eu sou denominadamente, católico. Mas adoro a expressão "Cristão", pois ela me congrega. Nesse mister, Dom Helder foi perfeirto:conta-se que uma porstituta, em Fortaleza, teria lhe procurado com a seguinte indagação: "Dom Helder, sou prostituta e todos os anos, por não ter dinheiro pra dar um presente de natal, "deito" com um detento da cadeia pública de graça, como forma de presente de natal. O que o senhor acha"? Ele respondeu: "é a tua consciência que tem que te responder"! Se a prostituta foi ou não deitar com o detento, não sei. Mas sei que houve sabedoria na resposta, pois tudo depende de como a gente se constrói por dentro. Se nos construirmos com base no respeito, na noção de que todos têm o direito de fazer tudo, desde que não ponha em risco a integridade do outro, que mal ha nisto?
Às vezes me pergunto: se Deus, grandioso como é, nos deu um corpo harmônico e cheio de funções definidas, como podemos bloquear o "tesão", ou a "Pulsão" na linguagem psicanalítica? Passa alguém por você e você sente que mexeu contigo por dentro e até chegou a excitação. A pessoa é solteira (só pra falicitar a construção), independente financeiramente, cidadã honesta, pratica o bem e faz caridade, enfim, vive uma vida digna. Se for uma "pulsão envolvendo HOMEM X MULHER, dez! Se for "HOMEMXHOMEMXMULHERXMULHER, safadeza! Por que Deus, oniciente, onipresente e outros "ente" não "cortou" esse sentimento pecaminoso na fonte? Não seria mais fácil e ajudaria enormemente a vida das igrejas "donas da verdade"?
Não! Deus de fato é grande. Ele deixou as pessoas livres para saber quais seriam aqueles, mesmos os que se dizem defensores das sua palavras, que teriam a grandeza de conviver com os diferentes. Que mérito existe nas pessoas que não querem construir um processo político novo de igreja? Repetir antigas lições do passado na lógica dos "sepúlcros caiados"?
A igreja católica está precisando de pastores legítimos, que botem a mão na "massa"; que saiam dos palácios e vivenciem o evangelho no cotidianos dos mais necessitados, sem aquela história ultrapassada de "teologia da libertação", mas uma teologia da razão, tipo: quem tá passando fome quer comida e depois a salvação da alma. Agora, entender que quem passa fome seja conformado porque na "outra vida" terá a bênção de Deus, me poupe, pois contra fatos não existem argumentos. Aqui eu coloco também o papel do Estado, pois não podemos entender essas instituições tão importantes se digladiando, nem uma se metendo na outra. Mas pdem muito bem se darem as mãos em função dos mais necessitados, ou não?
Pra finalizar esta resposta que virou uma enciCLICAR ( de clicar no mouse ), adianto aos meus amigos que adoro a igreja católica e o seu ritual me omociona, mas uma coisa não justifica a outra, principalmente essa postura entediante de alguns membros ( será que posso falar em membros? ) se metendo onde não devem. Outro dia vi numa padaria lá em Maranguape onde mamãe mora: "se banco não vende pão, padaria não empresta dinheiro". Fazer o que?Obrigado pela oportunidade e podem cortar o que quiserem e publicar o que não aceitarem. Ninguém poderá deixar de saber que esta é uma opinião particular e "priu"!
csena
-------------
(DIÁLOGO COM JOÃO NELSON)

Presidente, academia de quê? De letras? Jogo de azar, luta livre, luta de classes? Voto na última.
----------
Votaria, tâ(o)mbém, no diretor presidente cit@citltda.com pelo ótimo comentário BODAS DE OURO FESTAS NATALINAS. Que seria excelente caso tivesse acrescentado a desordem no trânsito (veículos), a falta de sinalização a buraqueira que, decerto, afastariam os turistas ou os fariam morrer antes do tempo: o complexo do avestruz, se cabe aqui. Se houver tempo nomei a ACADEMIA. Se possível acrescetem ACADEMIA LUTA DE CLASSES, ACADEMIA DE ESTUDOS POLÍTICOS, ACADEMIA DA INÉRCIA, DA CORRUPÇÃO. Se, antecipo meu voto: LUTA DE CLASSES. Vão em frente. Um abraço grande. JN
----------------
Caro JN,
Penso ser JN as iniciais de João Nelson. Peguei seu e-mail no saite de Bom Conselho. A CIT queria colocá-la em sua lista desde um seu comentário no mural: "Saulo, Sinais da existência de Deus - ótimo. Agora te pergunto: o que Deus fazia antes de criar o mundo? Um abraço grande, João Nelson", e que tanto chamou a atenção do nosso companheiro Cleómenes Oliveira. Ele me disse, será que temos mais uma ateu? O Oliveira andou discutindo com outros no saite, sobre suas descrenças e encontrou outra ateu: Milton Cavalcanti. Ai ele disse que tinha pelo menos um leitor entre os nascidos nesta cidade católica, apostólica e romana que é a nossa. Será que terá dois leitores agora? Ele estava escrevendo, mesmo atrasado "O Natal do Bom Ateu", não sei se publicará ainda este ano ou no próximo. Ele gosta destes temas, Deus existe não existe, Luta de Classes que classes, etc. E adorou o seu Chico de Juvita, que passa bem perto do Macunaíma, com um pouco mais de caráter.
Quanto a enquete quem está á frente é Lucinha Peixoto, ela diz que já lhe viu, mas conhece bem Balinho. Torcedora fanática do Pedro de Lara para amainar um pouco o elitismo do emprendimento, o qual ela defende, também eu, não só de letras mas de muitas coisas. Pela religiosidade dela certamente não concordará com os nomes sugeridos por você, mas os incluirá numa próxima enquete se a atual for levada em conta por nossa elite pensante. Vamos ver o que é que dar.
Desculpe, se usei o seu e-mail em vão. Mas, não nos processe. Se não estiver gostando de recebê-los, basta um clique, apague-os.Outra coisa, nossa empresa mantém um política de publicação de comentários no seu Blog que não é a tradicional (com aqueles quadradinhos horrorosos), mas ela gostaria de publicar comentarios recebidos por e-mail que tem importancia para nossos temas, como é o caso deste seu agora recebido, com o qual concordamos quanto a buraqueira e o trânsito. Se você permitir sua publicação basta responder este e-mail, dizendo: Permito. Se não permite, não diga nada, e tenha certeza de que agradecemos da mesma forma os seus comentários. Abraços.
Diretor Presidente.
----------
CARÍSSIMO PRESIDENTE.
Boa madrugada para BONS DIAS séculos à frente amem.
Quanto ao companheiro Cleómenes Oliveira, ele permitindo tratá-lo-ei (kakaka) como camarada. Ora, sobre os nascidos nesta cidade católica, apostólica romana faço uma obseração: a maioria não são católicos apostólicos romanos; são católicos, apostólicos do IBGE, pra rimar. isto é, somente por ocasião do censo. Quanto ao Balinho, a Lucinha Peixoto conhece a figura mais impoluta, sem jaça, incorrobuvel e esquipática do mundo. Vou dizer pra ele da lembrança dela. Até encontrá-la vai passar anos sem dormir (kakaka). Pelo uso em vão do e-mail foi apropriado e no lugar certo. Usem e abusem. Processo é com os tempos de chumbo. Já era. Volto a questão: DEUS. SAULO (PAULO), o apóstolo de Jesus Cristo, em sua Epístola aos Colossenses diz: (CRISTO, DEUS) "Vigiai para que ninguém vos apanhe no laço da filosofia, esse vão embuste fundado na tradição dos homens, nos elementos do mundo e não mais em Cristo. Pois neste habita corporalmente toda a plenitude da divindade, e vós vos achais plenamente cumulados naquele que é o chefe de toda Autoridade e de seu poder". O que Deus fazia antes de fazer o mundo encontramos a resposta em JOÃO, "Eu te glorifiquei sobre a terra, conclui a obra que me deste para fazer. E agora, Pai, glorifica-me junto a ti, com a glória que eu tinha junto a ti antes que o mundo existisse. João, 17 4-5. Einstein elucida: "A ciência sem a religião é imperfeita, a religião se a ciência é sega". Ora, presidente, nossa visão holística do mundo faz-nos duvidar de tudo, menos da existência de Deus. E continuemos duvidando, perguntando, questionando e descobrindo novos mundos, novos horizontes. Neste modo de pesquisar/questionar e agir até uma criança faz ciência e encontra Deus que está conosco. "Estarei contigo até o final dos tempos". A categoria ou denominação ateu está para nós como uma abstração. É parte do nossos fundamentalismos, farisaismos. "Creu ou não crer eis a questão". As idiossincrasias ideológicas ficam por conta de ZEBEDEU. Chico de Juvita num dorme pensando/sonhando com vcs fazendo mundo. Ele manda abraços e um cheiro pras PEIXOTAS. JN
----------------

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Bodas de Ouro e Festas Natalinas


Estive em Bom Conselho para cumprir uma obrigação social. Atender a um convite de um amigo para assistir a suas Bodas de Ouro de casamento. Na frase anterior escrevemos duas coisas estranhas. Primeiro, nunca é obrigação atender a um amigo, é sempre um prazer, segundo uma festa de Bodas de Ouro de casamento. Antigamente, completar 50 anos de casamento era difícil pela limitação na idade dos cônjuges. Morria-se cedo. Hoje morre-se mais tarde, mas há muitos descasamentos. De qualquer modo é difícil chegar lá, e por isso é estranho. O bom destas festas é ver quanto pode se contruir em 50 anos. E como se “constrói” gente. Filhos, noras, genros, cunhados, cunhadas, netos e de outros tipos. Eu ainda sou solteiro e portanto não posso pensar em Bodas de Ouro de casamento, mas com minha idade ainda posso chegar lá aos 106 anos. Embora, algum dia já me passou pela cabeça adotar o pseudônimo de Brás Cubas em vez do que uso. Desisti pelas últimas palavras deste personagem magistral de Machade de Assis, no romance homônimo: "...não conheci o casamento...Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria." Eu sou mais positivo.
Vou várias vezes a esta cidade, onde tenho muitos amigos. Todavia, numa festa assim eles estão todos concentrados num pequeno espaço. Foram tantos com quem falei que fatalmente, cometeria alguma injustiça ao citar alguns sem citar todos. Uns lembram de nós outros não, e somos reapresentados. Não se lembra de mim? Eu me lembro de você. Aquele carnaval onde dançamos o “pata-pata” com duas dose de rum no quengo! Ou, lembra das estórias do papa-figo? Fulano ainda é vivo!? São tantas perguntas e respostas que ficamos roucos. Como tocam alto estas orquestras. Temos que gritar todo o tempo para nos fazer ouvir e cansar nossos tímpanos para ouvirmos os outros. Lembram daquelas festas de vitrola onde todos conversavam sem gritos? Ah, que saudade.
É óbvio que uma estada em Bom Conselho nunca se resume a uma festa, por melhor que ela tenha sido, e esta foi das melhores. Mas, vejamos seu entorno. Ao chegar de automóvel, vindo de Garanhuns, segui o curso que faço todas as vezes. Ao chegar ao lado da prefeitura avistei algo assustador. Ao pé da ponte do Colégio um conjunto de ferro retorcido jazia. Muitas idéias me vieram ao cérebro sobre aquilo. Um meteorito. Um míssil. Um vulcão. Batidas de vários automóveis envolvendo 31 veículos. Cheia no Papacacinha trouxe estes dejetos para cima da ponte. Alguém que vinha comigo disse: É um Parque de Diversões. Ali? Naquele local? Não pode ser. Esperava encontrar parques de diversão, é quase Natal. Mas, ali? Não podia ser. Era.
Depois de me certificar da veracidade da informação de que aquilo era na verdade um Parque de Diversões, e ter saudades dos trivolis e das barcas, comecei a procurar uma forma de como chegaria ao centro da cidade. Aquele era o meu caminho natural. Ponte do Colégio, Siqueira Campos, Sete de Setembro e centro. Não havia placas sinalizadoras nem nenhuma indicação de como pudesse fazer isto. Eu era de casa. E se fosse um turista? Será que nossa Prefeitura ainda pensa que Bom Conselho não pode atrair turistas? Mesmo com problemas sérios de infra-estrutura nesta área, eles, os turistas, existem, e, tenho certeza, serão cada vez em maior número no futuro. Não deu tempo verificar se aquele estranho parque também atrapalhava a entrada para o Colégio N. S. do Bom Conselho, uma das nossas grandes atrações turísticas (quem viver verá). Se atrapalhar, é melhor colocar uma placa lá naquele deslocado portal da entrada: Não aceitamos turistas. Se quiserem entrar, façam-no por sua conta e risco.
Não podemos desprezar mais esta atividade. O turismo pode ser uma boa fonte de renda, além das outras que crescerão com aumento do parque industrial, preservada a sustentabilidade ambiental (física e cultural). No entanto, qualquer turista que passasse pelo portal, em direção ao centro, como eu fiz, voltaria da prefeitura.
Isto me fez, depois de escolher vias diferentes, a inquirir as pessoas da cidade sobre a causa daquela interdição de uma das vias mais movimentadas da cidade. Primeiro disseram que a culpa era da Prefeitura. Claro. Se ela é o órgão público responsável pela utilização do espaço urbano, ela será a principal culpada. Quando comecei a me aprofundar sobre a culpa da prefeitura surgiu uma nova versão. Teria sido a Igreja ou o padre que havia proibido o funcionamento do parque no centro, nas cercanias da Igreja Matriz. Não indaguei sobre os motivos do pároco. Qualquer que tenham sido eles não seriam justificativas para a prefeitura ter escolhido um local tão inadequado.
Dentro destas lucubrações, fui levado a uma estória antiga contada em Bom Conselho que, mesmo diferente daquela citada anteriormente, tem como mesmo tema os atritos entre autoridades públicas. Avisamos, no que vem a seguir qualquer semelhança com as autoridades atuais será mera coincidência.
Certa feita chegou à cidade um delegado novo. Homem brabo e resolvedor de problemas da lei e dos foras da lei. No Natal, como todos de minha idade sabem, havia a “festa” cujas atividades eram exercidas no entorno da Igreja Matriz. Ao comércio já existente, Sebastião Siqueira, passando por Zé Gordo, padaria de seu Vitinho, mercearia de seu Marçal, bar de João Jararaca, indo ainda para venda de D. Etelvina, - não me lembro se Ivan abria a Farmácia nas festas, mas sem os alto-falantes de João Prezideu não passávamos, nem sem o picolés da sorveteria de Juarez, - repito, a este comércio juntavam-se as barraquinhas onde se vendia de tudo, além daquelas fixas de Neco e seu Belon, para quem não quisesse entrar na casa de D. Lila para ver o seu presépio maravilhoso.
Mas, o que é importante para nós aqui são as atividades de jogos de azar que também invadiam a festa. Roletas, jogo de dados (bozó), jogo do jacaré (quase inocente mas de azar, perdia quase todo meu dinheiro tentando levar um perfume horrível para casa, se o jacaré parasse com a boca onde joguei), caipira (jogo com dados de seis números), e outros mais inocentes como derruba latas, pescaria, etc. Corria um bom dinheiro nestas atividades. Elas animavam a festa, pelo menos para quem ganhava, que em 100% (cem por cento) das vezes eram os donos dos artefatos da jogatina.
Num destes natais maravilhosos, o pároco da cidade decidiu proibir o jogo de azar na festa. Os argumentos dele eram os normais para um bom católico aceitar e até para os não católicos, porque o jogo de azar é proibido no Brasil desde 1946.
Os que não aceitavam isto eram os donos das roletas e aproximados. Procuraram o delegado. Os argumentos também normais. Jogo quase inocente, animação para a festa, anos anteriores na mais perfeita paz, pressão dos quase viciados para jogar, etc. O delegado, resolveu procurar o padre para um diálogo franco e sério do poder de polícia com o poder religioso. Ficou surpreso e cabisbaixo quando veio o sacristão (não me lembro se era o Paulo), veio ao seu encontro e disse: O padre manda lhe dizer que, se for a respeito da liberação do jogo, não há conversa possível. Ele espera que o senhor o entenda por agir como protetor das festas religiosas e dos bons costumes da família de Bom Conselho.
O delegado voltou e contou para os interessados na liberação do jogo seu quase diálogo com o padre. Todos ficaram consternados e chateados. Um deles, mais esperto do que os outros, disse: Mas logo agora que havíamos decidido dar uma boa contribuição para a Igreja! Sem mais delongas, tendo entendido o sentido da frase o delegado partiu outra vez para a casa paroquial.
Na porta, lá vem o sacristão outra vez. Antes que ele repita tudo o delegado diz: Quero falar com o padre sobre a Igreja Matriz. O sacristão voltou, depois de alguns minutos mandou o delegado entrar. Lá dentro conta-se que ouve o seguinte diálogo:


- Bom dia, padre, sua bênção.
- Deus te abençoe meu filho, o que o traz aqui fardado desta forma?
- A farda é do meu dia a dia padre, não a leve em conta. O motivo da minha presença é trazer uma proposta das pessoas responsáveis pelo jogo de azar sobre as festas da Sagrada Família.
- Caro delegado, eu o atendi porque o senhor mandou dizer que queria falar sobre a Igreja e não sobre jogo de azar.
- Mas é sobre a Igreja mesmo padre. Eles estão dispostos a dar uma boa contribuição a ela, depois das festas e estão contando com sua permissão para que o jogo possa anima-los como tem feito, dentro da ordem, por muitos anos.
- Uma boa contribuição?
- É, padre.
- Assim a coisa muda de figura. Pois veja bem. Se não houvesse Igreja não haveria os Santos, se não houvesse os Santos não havia festa e se não houvesse a festa não haveria jogo. Então, é justíssimo que a Igreja receba alguma coisa deles. Comecem o jogo só depois da novena, por favor.



Aquele parque de diversão, naquele local, sei não. Precisamos de um bom delegado. Mas, o padre não é o mesmo.


Saudações Natalinas
Diretor Presidente (diretorpresidente@citltda.com)

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

É de fazer chorar??? Complemento 2.

Como nem todos comentários ou permissões chegam ao mesmo tempo, resolvemos publicá-los na medida em que chegam como complementos ou apartes ao nosso fazer (http://br.youtube.com/watch?v=Li4P5PkAfNI). Vejam, o complemento do nosso conterrâneo Carlos Sena.
------------------ ---------

Adorei o vídeo sobre "Carderão dos Guede" - era como as pessoas mais simples falavam quando era criança. Hoje eu só gosto assim, porque adoro o falar do povo, mas admito e gosto do nome certo e do bom idioma falado e escrito.
Quanto ao "é de fazer chorar" é mesmo. Tive a sensação de que o progresso bateu a porta de lá, mas as portas não foram abertas. Como ninguém abriu as portas, o progresso se instalou em cima das casas, mesmo simpre, mas com sua PARABÓLICA. Isso é "mara"!
Contudo, vi coisas lindas que precisava rever: o carro de boi com um cachorro mago em cima, o bucolismo, o verde, a "casa rosada", contrastando com a buraqueira das ruas a chão batido.
É de fazer chorar. Mas "toda araruta tem seu dia de mingau", enquanto isto, a CIT vai Citando, CITando, CITando.

carlos sena

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

É de fazer chorar??? Um complemento.

No período de tempo em que CIT trabalha, procurando, na medida do possível, levar emoções as pessoas, tem recebido mensagens de vários tipos. Com elogios, com incentivo, com desdém, com críticas, com reclamações, etc. Depois que criou este Blog, elas continuaram a chegar. Antes dele não cogitávamos de sua publicação, não tínhamos espaço na mídia. Agora temos.
O seu prazer maior era publicar todas elas. Entretanto, a empresa mantém a política de só publicar aquilo que nos autorizam publicar. Nem sempre os autores das mensagens autorizam, por isso, quando isto acontece, ela não pode ser publicada.
Recebemos, esta semana, duas mensagens, que além de serem de elogio e de agradecimento, são também um complemento ao filme, sobre Caldeirões dos Guedes, apresentado sob o título: É de fazer chorar??? (http://br.youtube.com/watch?v=Li4P5PkAfNI). Os autores lembram de Caldeirões, citando nomes que merecem ser lembrados por Bom Conselho, porque participaram de sua vida, eles ou descendentes, de forma substanciosa. Pedimos permissão para publicá-las aqui, e esta permissão nos foi dada, mostrando o espírito público elevado dos dois autores em foco: Marlos Urquiza e o Diácono Edjasme Tavares, a quem agradecemos a deferência já contando com suas participações em outras ocasiões.

Diretor Presidente

---------------------------------------------------------
Fiquei muito feliz quando recordei a minha infância quando vi Caldeirões que não via faz uns 60 anos. Recordo que estive na casa do Sr. Paulo Tenório e do Sr. Tide Tenório, pai da Dra. Joscelene, medica de uma grande capacidade profissional... Meu pai era amigo e parente dos citados senhores.
Todas as crises passam, o que não podemos perder é a vontade de vencê-las...

Um afetuoso abraço...

Marlos Urquiza

----------------------------------------------------------
Respeitável Diretor Presidente da Cit Ltda
Caldeirões dos Guedes - Bom Conselho - PE

Sensibilizou-me bastante essa mensagem que, depois de uma longa esplanação, levou-me, como se estivesse num sonho real dos meus tempos de jovem/adulto, voando sobre meu admirável Caldeirões dos Guedes.
Distante, mais ou menos, 18 kms. da minha casa (cidade de Bom Conselho) estava sempre ligado àquele segundo Distrito de nossa Comarca, devido a minha inesquecível colega e amiga NICÉIAS TENORIO DE OLIVEIRA(nome de casada. Era casada com meu velho amigo Amaury) e em solteira, quando logo lhe conheci, era NICÉIAS TENORIO DE ALBUQUERQUE, titular do Cartório do Registro Civil daquela comunidade. Eu, era cartorário na sede (Oficial do Registro Civil do primeiro Distrito (sede) da Comarca de Bom Conselho, Pernambuco). Era uma criatura tão amiga de minha família que era considerada membro da família. Por isso, andei muito por lá. Muitas vezes era para instruí-la sobre a atividade profissional (notícias novas do Tribunal de Justiça) outras vezes era passeio (canjicada, pamonhada, peru gordo, etc).
Minha presença por várias vezes, também, foi registrada na qualidade de acólito do Pe. Alfredo (Pároco) que mensalmente celebrava lá (vi a capela no seu filme).
Certo dia, fui com meu amigo de infância, concunhado, compadre e confidente MARCOS QUIRINO VILELA, a quem chamava, familiarmente de Marcolino. Saimos da cidade de bicleta. Imagine Presidente, sair da cidade de Bom Conselho até Caldeirões de bicleta (o montão de ladeiras altas na estrada)! Só a força da juventude tem poderes para essas imprudências. Contudo, foi muito divertido. Também, como você sabe, naquela época (outro montão) as cancelas que existiam. Na penúltima delas indo para lá, era na fazenda/sítio do sr. Ursulino Pacheco, bom amigo, seus filhos eram nossos colegas de Ginásio (o querido Ginásio São Geraldo). Ao transpormos a mesma, pela manhãzinha, ele nos avistou do alpendre de seu casarão. Paramos, cumprimentamos. Ele, conforme a tradição naquela época, não nos deixou passar sem um cafèzinho. (nós com uma fome de lascar). Aceitamos o desafio porque estávamos cansados da viagem. E o cafèzinho? E o diálogo na hora do cafèzinho? Foi o máximo! Um mesa bem recheada de alimentos: cuscus, macacheira, tapioca, inhame, carnes, leite, café, frutas, manteiga, queijos. É o que me lembro agora. Quando "partimos para avançar", foi outra coisa interessante que nos chamou a atenção: de tudo, o sr. Ursulino Pacheco tinha uma explicação. Quando pegávamos no prato do cuscus, por exemplo, ele dizia: este cuscus é da nossa roça, milho plantado por nós lá na várzea (vage); o leite, ao deslizar no nosso bom pedaço de cusca, ele dizia: este leite é da nossa vaca chamada... boa de leite e dá ...tantos litros por dia; a macacheira e a batata doce, ele afirmava: essas raizes arrancamos já hoje, bem cedinho, podem comer que merece confiança; lá vamos nós partindo para a manteiga e os queijos (de coalho e manteiga), ele "em cima da bucha", mostrava o armazém onde ele fabricava o queixo e a manteiga e dizia: fiz com muito gosto e sei que é bem feito meu trabalho e as vacas são de qualidade. E assim por diante. Depois, despedidas e seguimos para Caldeirões, casa de Nicéias a quem devemos todo nosso carinho.
Chegado aqui em Garanhuns, deu-se uma coincidência formidável. Como Diácono da Igreja Católica, tive a obrigação de me apresentar ao sr. Bispo e em seguida ao Pároco da Paróquia onde resido a fim de prestar minha devida colaboração e o dever de servir, e logo depois, o Bispo e o Pároco, pediram que escolhesse a comunidade que deveria participar (assim como o Padre tem sua Paróquia o Diácono tem a sua comunidade) e depois de visitar quase sua totalidade, optei por uma cujo coordenador e administrador do centro de treinamento era o sr. Joaldi Tenório, filho legitimo de Caldeirões dos Guedes, filho do sr. Paulo Tenório (Paulo Vigário), conheceu? E ele não se esquece desse torrão. Pediu-me quando fosse por lá, ele desejaria ir para matar as saudades. Vou levá-lo, sim.
Nas suas fotos, veja se descobre e aponte a casa de Tide Tenório, Paulo Vigário, Nicéias, Jornes e outras lideranças! Lá pelos idos de 1963, Jornes Tenório foi vereador comigo, representando essa comunidade.
Valeu sua reportagem. Parabéns.
Com a graça de Deus.

Diác. Edjasme

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Lendas Urbanas: O Marcador Nato*


Lá pelo início da década de 50, o futebol era talvez o único esporte praticado em Bom Conselho. Nesta época surgiram grandes jogadores em nossa cidade. Tivemos, Jorge Torres, Naduca, Ananias, Natalício, Adnizio e Audizio Padilha, Manoel Luna e outros. Queremos falar aqui de Natalício, esposo de dona Lourdes Cardoso. Pai de Zé Dário, Pedro, Maria, Fátima, João Batista, Francisco. Sapateiro dos bons. Lembro-me dele morando na Rua Joaquim Nabuco, na casa ao lado da de Vigário. Jogador de futebol de primeira. Considerado um dos melhores do Estado na época.
Conta-se que no ano da graça de 1951 (ou por aí) esteve em Bom Conselho um time de Maceió, cuja principal estrela era, nada mais nada menos do que Dida. Não confundam com aquele goleiro do Milan, atualmente, ao qual não ensinaram a sair do gol. Dizem, quando alguém quis ensiná-lo, gritou, sai Dida, sai Dida, e ele terminou nas cabines de rádio.
Este, de quem falamos, chamava-se Edivaldo Alves de Santa Rosa (1934-2002), conhecido como Dida, ex-jogador do Flamengo e da Seleção Brasileira. Foi o maior artilheiro do Flamengo até chegar o Zico, marcando 244 gols entre 1953 e 1966. Zico o tinha como um dos seus maiores ídolos. Na seleção brasileira, até a Copa de 58, ele era titular absoluto. Uma contusão deixou o caminho livre para sua substituição pelo jovem Edson Arantes do Nascimento, nosso querido, Pelé.
Pois bem, no jogo mencionado entre o time de nossa cidade e o de Maceió, presenciado por um bom público, para época, no nosso ex-estádio de futebol, que ficava em frente
da Boate Tio Patinhas (embora na época do jogo ainda não existisse) e onde hoje é o Centro Social Urbano, um fato aconteceu. Dida não pôde jogar. Não por contusão ou por outros fatores fora do campo, e sim pela marcação exercida por Natalício ou Nato sobre ele. Foi completamente anulado pelo Nato. Ao ponto de quase pedir para sair no segundo tempo, não o fazendo porque não tinha muito o que alegar. Não faltou a verdade ao declarar depois, que não havia, até aquele jogo, encontrado um marcador tão bom quanto ele. O jogo terminou 0 x 0.
Dizem ainda, nos tempos do Flamengo e da Seleção, quando encontrava um bom marcador dizia: Este foi quase igual a Nato. Será que Bom Conselho ainda tem um marcador como este?
Quando já concluida a exposição desta estória, ao folhear números atrasados de A Gazeta, encontrei a foto ao lado. É o time da ABA em 1967. Entre o risco de ser processado pelo Luiz Clério por não ter pedido permissão para publicá-la e o risco de privar aqueles que nos leem de apreciar um dos melhores times de Bom Conselho que vi jogar, escolhi correr o primeiro risco. Defendam-me aqueles que jogaram com muitos deles. Pela ordem em pé e agachados: Petrúcio, Adonis, Gena, Zezinho Macaxeira, Zezinho Durinho, Everaldo, Géo, Neco, Zé Dileu, Tonho de Raul, Edmundo(ou seria Eduardo mesmo?), Esdras(ou seria Deda ou Dede?) e Elizênio. Timaço.

*A partir de uma informação inicial do nosso conterrâneo Alberto Guerra.
Jameson Pinheiro (jamesonpinheiro@citltda.com)

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

É de fazer chorar???

Pouco tempo atrás a CIT era criada. De Companhia Inimiga do Trabalho, passando por Coçando Intensamente os Testículos, Correta Informática e Tecnologia até, simplesmente, CIT como é chamada hoje, ela se mantém. No pequeno povoado de Caldeirões dos Guedes uma reunião de poucas pessoas a criou. Seu objetivo fundamental, provocar emoções nas pessoas através de imagem e som, foi perseguido até hoje, com pequenas variações. Desde um processo de distribuição anacrônico e pouco eficiente de seus produtos por um período, há quase um ano, com a entrada no YouTube, esta empresa deu um salto em quantidade e qualidade na sua produção. No endereço http://br.youtube.com/citltda , quando lançamos nosso primeiro vídeo, C. na Chuva (http://br.youtube.com/watch?v=nvWYvM3KlAY), lembramos bem, comemoramos efusivamente os seus primeiros 50 acessos. (Concurso Público: Quem descobrir o significado do C., no título deste filme, ganhará um curso de português grátis com o nosso professor José Andando de Costas, no Recife).
Hoje, depois de mais de 30000 (trinta mil) acessos aos vídeos deste endereço, mais de 7000 (sete mil) acessos á subsidiária voltada para Bom Conselho(http://br.youtube.com/citlimitada), com escritórios fixos em Recife e no exterior, podemos dizer que tivemos sucesso na empreitada. Ainda, dentro deste tempo, melhoramos nossa infra-estrutura, comprando equipamentos e construindo sedes maravilhosas e condizentes com o nosso bom êxito, muitos deles apresentados aos nossos clientes em filmes, fotos e mensagens. Nos tempos mais recentes criamos seu Blog, por exigências das circunstâncias que exigem, no processo de comunicação, além da imagem e do som, a velha e boa palavra. Não é nosso objetivo fazer aqui uma história da CIT, deixemos isto aos historiadores. Nosso assunto é outro, e muito ao contrário desse, um tanto desagradável.
Para fazer isto, como todo empresário numa economia capitalista, recorremos ao crédito. Fizemos o nosso PAC (Programa de Acelereção da CIT), mas sem recursos públicos. Isto não quer dizer que não temos clientes no setor público. Temos e muitos. Nosso vídeo campeão de acessos até o momento (http://br.youtube.com/watch?v=u_z1Cb1k0Qg) , onde mostramos nosso nosso balão sobrevoando a Região Nordeste, (quase 4000 exibições) é visto em vários Estados e, junto com outros mostrando as demais regiões são quase obrigatórios nas escolas públicas. No entanto, neste afã de crescer, procuramos mais os bancos privados nacionais e, mais ainda, bancos estrangeiros. E como todos fizeram, apelamos para as transações exdrúxulas do mercado financeiro, que são ao mesmo tempo o benfeitor e o algoz do sistema capitalista. Éramos subprime, os bancos sabiam. Mas a continuação da farra americana parecia não ter fim. Corremos riscos e perdemos. Mas, com esta crise, quem não perdeu?
Uma pequena e incompleta informação. A moeda usada pela CIT chama-se Risos e Emoções ($RE), já conhecida, por quem transaciona com a empresa por RECIT. Obviamente, a empresa, para se relacionar com o mundo exterior, tem que usar outras moedas como Real, Dólar, Euros, etc. Temos uma taxa de câmbio que é normalmente referida ao Dólar Americano. Hoje ela é de 2,50 Recit por Dólar. E quase sempre de 1 Recit para 1 Real. Tomamos empréstimos em Reais e em Dólares. Aqueles que estão em Reais, puderam ser honrados até agora. Mas aqueles em Dólar, não. Pois os empréstimos foram adquiridos quando a taxa de câmbio era 1,50 Recit por Dólar.
Alguns perguntarão porque não apelamos para o Mercado de Opções e outros, para diminuir o risco. Respondemos, com outra pergunta: Quem apelou na medida certa? Estamos esperando agora que o governo nos ajude. Este negócio de capitalismo liberal é história para boi dormir. Por enquanto continuamos trabalhando, mas tivemos que tomar decisões que afetaram nossa empresa no exterior (ver artigo do John Black - http://www.citltda.com/2008/11/caminhos-de-f.html) e em Caldeirões. O que está acontecendo neste povoado é o motivo principal deste escrito.
A chegada da CIT a Caldeirões só não pode ser comparada melhor com a chegada da Perdigão a Bom Conselho porque a CIT chegou e a Perdigão ainda não. Mas tem e terão muitos pontos em comum. Por isso o primeiro caso merece uma análise.
O nosso povoado era uma comunidade quase rural. Seus habitantes gozavam de todas as delícias e agruras deste tipo de vida. Paz, silêncio, tranquilidade, trabalho duro, maior taxa de analfabetismo, rios ainda quase limpos, ar puro, etc. Com a chegada da CIT, ela começou a ser uma comunidade quase urbana, e a curtir também todas as agruras e delícias deste modo de vida. Barulho, poluição, computadores, internet, mais empregos, mais escolas, mais orgulho, mais crimes, menor comunicação pessoal e mais via equipamentos de comunicação. Pelo que sentimos, ao trabalhar na nossa sede, tudo gerava uma aparente sensação de orgulho e medo. Orgulho por ter tudo aquilo e medo de suas consequências.
Um dia vimos um carro, dos muitos que chegaram ao lugarejo, buzinar para que um habitante, que andava no meio da rua, desse passagem àquela máquina de ferro. Foi grande o susto do homem, mas não o suficiente para evitar que ele puxasse sua peixeira de 12 polegadas e partisse para a janela do veículo. O motorista fechou o vidro, já os pneus, estavam sem nenhuma proteção. No posto policial o homem explica, diante da reclamação do delegado pelo ocorrido. Se fosse um jegue que urrasse eu não faria a mesma coisa por pena do animal. Com esta gerigonça, furei o que achei de mole. Entretanto, vimos este mesmo homem, dias depois, vendo o filme da Ana Luna - Bom Conselho: Ontem e Hoje - lá de um cantinho, evitando os carros, acompanhando a música com o pé e sorrindo.
Hoje, depois da crise, o que vemos? Uma volta, forçada aos tempos rurais. O prédio da empresa foi retirado (era de pré-moldados), o projeto de Cinema na Praça também. O entusiasmo pelo novo deu lugar ao saudosismo por ele. E a pergunta é: É de fazer chorar??? Será que quando chega a quarta-feira de crise, devemos chorar? Sabemos que a comunidade de Caldeirões nunca mais será a mesma. Não sabemos se será mais feliz ou menos feliz. O filme a seguir foi feito logo após decidirmos enxugar os quadros da CIT em Caldeirões. O nosso prédio voltou para os bancos. Esperamos que não tenham a quem vender. Alugamos uma pequena casa para o nosso escritório, que aparece no filme, e possui só um funcionário e um computador. O povoado não ficou feio por causa da crise. Tire um minutinho do seu tempo quando vier a Bom Conselho (quem sabe nos Encontros de Papacaceiros) e visite-nos. Não podemos sair de lá. Nossa sede ainda é lá. Continuamos da filial em Recife trabalhando dentro dos nossos objetivos. Seus risos e emoções são a nossa realização e lucro. Quem sabe um dia a crise acaba.





Diretor Presidente - (diretorpresidente@citltda.com)

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS Adotada e proclamada pela resolução 217 A (III)da Assembléia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948

Preâmbulo

Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo,
Considerando que o desprezo e o desrespeito pelos direitos humanos resultaram em atos bárbaros que ultrajaram a consciência da Humanidade e que o advento de um mundo em que os homens gozem de liberdade de palavra, de crença e da liberdade de viverem a salvo do temor e da necessidade foi proclamado como a mais alta aspiração do homem comum,
Considerando essencial que os direitos humanos sejam protegidos pelo Estado de Direito, para que o homem não seja compelido, como último recurso, à rebelião contra tirania e a opressão,
Considerando essencial promover o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações,
Considerando que os povos das Nações Unidas reafirmaram, na Carta, sua fé nos direitos humanos fundamentais, na dignidade e no valor da pessoa humana e na igualdade de direitos dos homens e das mulheres, e que decidiram promover o progresso social e melhores condições de vida em uma liberdade mais ampla,
Considerando que os Estados-Membros se comprometeram a desenvolver, em cooperação com as Nações Unidas, o respeito universal aos direitos humanos e liberdades fundamentais e a observância desses direitos e liberdades,
Considerando que uma compreensão comum desses direitos e liberdades é da mis alta importância para o pleno cumprimento desse compromisso,

A Assembléia Geral proclama

A presente Declaração Universal dos Diretos Humanos como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce, através do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universais e efetivos, tanto entre os povos dos próprios Estados-Membros, quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição.

Artigo I
Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade.
Artigo II
Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.
Artigo III
Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.
Artigo IV
Ninguém será mantido em escravidão ou servidão, a escravidão e o tráfico de escravos serão proibidos em todas as suas formas.
Artigo V
Ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante.
Artigo VI
Toda pessoa tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecida como pessoa perante a lei.
Artigo VII
Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei. Todos têm direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.
Artigo VIII
Toda pessoa tem direito a receber dos tributos nacionais competentes remédio efetivo para os atos que violem os direitos fundamentais que lhe sejam reconhecidos pela constituição ou pela lei.
Artigo IX
Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado.
Artigo X
Toda pessoa tem direito, em plena igualdade, a uma audiência justa e pública por parte de um tribunal independente e imparcial, para decidir de seus direitos e deveres ou do fundamento de qualquer acusação criminal contra ele.
Artigo XI
1. Toda pessoa acusada de um ato delituoso tem o direito de ser presumida inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias à sua defesa.
2. Ninguém poderá ser culpado por qualquer ação ou omissão que, no momento, não constituíam delito perante o direito nacional ou internacional. Tampouco será imposta pena mais forte do que aquela que, no momento da prática, era aplicável ao ato delituoso.
Artigo XII
Ninguém será sujeito a interferências na sua vida privada, na sua família, no seu lar ou na sua correspondência, nem a ataques à sua honra e reputação. Toda pessoa tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques.
Artigo XIII
1. Toda pessoa tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro das fronteiras de cada Estado.
2. Toda pessoa tem o direito de deixar qualquer país, inclusive o próprio, e a este regressar.
Artigo XIV
1.Toda pessoa, vítima de perseguição, tem o direito de procurar e de gozar asilo em outros países.
2. Este direito não pode ser invocado em caso de perseguição legitimamente motivada por crimes de direito comum ou por atos contrários aos propósitos e princípios das Nações Unidas.
Artigo XV
1. Toda pessoa tem direito a uma nacionalidade.
2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade, nem do direito de mudar de nacionalidade.
Artigo XVI
1. Os homens e mulheres de maior idade, sem qualquer retrição de raça, nacionalidade ou religião, têm o direito de contrair matrimônio e fundar uma família. Gozam de iguais direitos em relação ao casamento, sua duração e sua dissolução.
2. O casamento não será válido senão com o livre e pleno consentimento dos nubentes.
Artigo XVII
1. Toda pessoa tem direito à propriedade, só ou em sociedade com outros.
2.Ninguém será arbitrariamente privado de sua propriedade.
Artigo XVIII
Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular.
Artigo XIX
Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.
Artigo XX
1. Toda pessoa tem direito à liberdade de reunião e associação pacíficas.
2. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação.
Artigo XXI
1. Toda pessoa tem o direito de tomar parte no governo de sue país, diretamente ou por intermédio de representantes livremente escolhidos.
2. Toda pessoa tem igual direito de acesso ao serviço público do seu país.
3. A vontade do povo será a base da autoridade do governo; esta vontade será expressa em eleições periódicas e legítimas, por sufrágio universal, por voto secreto ou processo equivalente que assegure a liberdade de voto.
Artigo XXII
Toda pessoa, como membro da sociedade, tem direito à segurança social e à realização, pelo esforço nacional, pela cooperação internacional e de acordo com a organização e recursos de cada Estado, dos direitos econômicos, sociais e culturais indispensáveis à sua dignidade e ao livre desenvolvimento da sua personalidade.
Artigo XXIII
1.Toda pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego.
2. Toda pessoa, sem qualquer distinção, tem direito a igual remuneração por igual trabalho.
3. Toda pessoa que trabalhe tem direito a uma remuneração justa e satisfatória, que lhe assegure, assim como à sua família, uma existência compatível com a dignidade humana, e a que se acrescentarão, se necessário, outros meios de proteção social.
4. Toda pessoa tem direito a organizar sindicatos e neles ingressar para proteção de seus interesses.
Artigo XXIV
Toda pessoa tem direito a repouso e lazer, inclusive a limitação razoável das horas de trabalho e férias periódicas remuneradas.
Artigo XXV
1. Toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência fora de seu controle.
2. A maternidade e a infância têm direito a cuidados e assistência especiais. Todas as crianças nascidas dentro ou fora do matrimônio, gozarão da mesma proteção social.
Artigo XXVI
1. Toda pessoa tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos graus elementares e fundamentais. A instrução elementar será obrigatória. A instrução técnico-profissional será acessível a todos, bem como a instrução superior, esta baseada no mérito.
2. A instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais. A instrução promoverá a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e grupos raciais ou religiosos, e coadjuvará as atividades das Nações Unidas em prol da manutenção da paz.
3. Os pais têm prioridade de direito n escolha do gênero de instrução que será ministrada a seus filhos.
Artigo XXVII
1. Toda pessoa tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar do processo científico e de seus benefícios.
2. Toda pessoa tem direito à proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produção científica, literária ou artística da qual seja autor.
Artigo XVIII
Toda pessoa tem direito a uma ordem social e internacional em que os direitos e liberdades estabelecidos na presente Declaração possam ser plenamente realizados.
Artigo XXIV
1. Toda pessoa tem deveres para com a comunidade, em que o livre e pleno desenvolvimento de sua personalidade é possível.
2. No exercício de seus direitos e liberdades, toda pessoa estará sujeita apenas às limitações determinadas pela lei, exclusivamente com o fim de assegurar o devido reconhecimento e respeito dos direitos e liberdades de outrem e de satisfazer às justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar de uma sociedade democrática.
3. Esses direitos e liberdades não podem, em hipótese alguma, ser exercidos contrariamente aos propósitos e princípios das Nações Unidas.
Artigo XXX
Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada como o reconhecimento a qualquer Estado, grupo ou pessoa, do direito de exercer qualquer atividade ou praticar qualquer ato destinado à destruição de quaisquer dos direitos e liberdades aqui estabelecidos.

---------------------------
Neste ano em que comemoramos tantos 60 anos, aqui vai mais um sessentão. Esperamos que todos leiam e reflitam, sobre a situação do mundo e do nosso país, e, principalmente, sobre a paróquia em que habitamos, e sobre cada um de nós em particular. Àqueles um pouco mais velhos ou um pouco mais novos do que esta Declaração, levem seus filhos e netos a lerem. Ela é um conjunto de palavras que influiu no mundo moderno para sua melhoria, serão nossos filhos e netos que a farão influir muito mais.

CIT Ltda - Uma homenagem aos 60 anos da Declaração Universal de Direitos Humanos.
(cit@citltda.com)

sábado, 6 de dezembro de 2008

A Favorita


Dias atrás, depois de um dia de trabalho, estava vendo TV com meu marido e minha filha mais nova, a única que os homens nos deixaram. Temos quatro filhos, só dois do meu gênero. Os sogros dos nossos dois homens deverão estar dizendo e sentindo o mesmo que nós. Hoje eu acordei família. Outros dias acordo Flora. Quem vê novela sabe que estou falando do personagem de Patrícia Pilar na novela A Favorita. Quem não vê esteja avisado. Não continue a ler, seria pura perda de tempo. Ou passe logo para parte final.
A Favorita era o que estávamos vendo. Quando o Halley ia ser informado pela Donatela que ele não era irmão da Lara, o telefone tocou.
É óbvio que, nestes momentos, a diferença entre os sexos fala mais alto. Para nós mulheres, pelo menos nesta época dita moderna, em algumas ocasiões, não atendemos telefone, nem que chova canivete ou as esquerdas se unam. Sabemos de antemão que nenhuma amiga terá o desplante de ligar numa hora crucial destas, e se tiver, será só para antecipar o que vai acontecer na novela. Não queremos saber. Isto é uma função de homem. Querem o que? Não fazer nada? E lá vai meu marido atender o telefone.
E com aquele ar de contrariado pelo risco de perder a revelação da novela, atende (os ...... indicam o que não estava ouvindo, era o outro).

- Alô!

......

- Oi, Oliveira, estava acabando de ler o teu artigo no Blog, sobre Ecologia e Pinicos, mas ainda não terminei.

......

- Foi mesmo, rapaz?

......

- Tás brincando, não tás?

.....

- Não acredito que tu ficas perdendo tempo com estas bobagens. Sinceramente.

.....

- Eu, nunca. Eu sou espada, cara!

.....

Tá, vai te catar. Vai fazer alguma coisa de útil. Tchau!!!

Eu pergunto, quem era, filho? (Quando estou Flora só o trato de criatura prá baixo). Ele responde. Era o Oliveira para dizer que no capítulo de ontem de Pantanal, o Tenório pega a Maria Bruaca com o Alcides. Hoje, eu não posso perder.Vejam que disparate. Papagaio come milho periquito leva a fama. Homem vê novela e mulher leva a culpa sozinha. Foi sempre assim. Quantos feitos grandiosos foram devidos as mães e as esposas. Mas elas não apareceram. No máximo eram homenageadas por cumprirem as suas obrigações.
Lembro, quando menina, em Bom Conselho de uma festa na Igreja Matriz no dia das Mães. Não sei se só houve um ano. Foi organizada por, entre outros, um homem chamado Zé Coletor (não o conhecia bem, mas, pelo nome, deveria ser coletor). Seu Gabriel na serafina, Dona Lourdes no coro e a igreja cheia. Eram homenageadas as mães que participaram de feitos memoráveis em suas funções. A mãe mais nova, a mãe mais velha, a com mais tempo de casada, a que teve mais filhos (me lembro até de quem ganhou neste ítem, a mãe de Gervásio Matos, de quem conheci mais de perto os irmãos, Zé Matos Grande e Zé Matos Pequeno, que era Zé Milton). Mas, não me lembro de nenhuma homenagem, por ter elas terem feito alguma coisa fora das funções de mãe. Foi sempre assim.
Hoje está mudando, mas não tanto. Quando recebi um bando de mensagens indicando pessoas para patrono da nossa Academia, ficava torcendo para surgir um nome de mulher. Torci, torci, torci e cansei de torcer. Não apareceu. Como organizadora do processo, fiz minha campanha por fora destas escolhas, e todos sabem que meu candidato é também um homem. Acabou a época de campanha, agora é eleição.
No entanto, nada me impede de fazer justiça a algumas mulheres que são de nossa terra e poderiam muito bem terem sido indicadas como favoritas ao título de patronesse (estamos querendo dizer o feminino de patrono, mas nem isto existe de forma clara, patrona é algo muito diferente. A CIT está contratando um professor de português para estes e outros casos, José Andando de Costas, dizem que ele é cobra.) da nossa Academia. Jamais me lembrarei de todas. E nem as conheci todas. Outros lembrarão e reportarão aos historiadores. Tentarei seguir uma ordem cronológica, mas para não querendo ser tão explicíta quanto a idade, me desculpem se falhar, em alguns anos. - Penso que este negócio de querer ser ou parecer jovem é um pouco de doença hereditária. Uma hipótese, a ser verificada, é que isto se devia ao abandono a que eram levadas as mulheres mais velhas, em priscas eras. Isto explicaria a lenda de que nós mulheres éramos clientes da Avon desde a época das cavernas. - Calma, amigas, é só uma hipótese, e depois da cirurgia plástica, ela é de somenos importância.
A que lembro primeiro, sem colocar mãe no meio, é D. Lourdes Cardoso. Foi minha professora. Morava na Rua Joaquim Nabuco e a escola era lá. Dos meus colegas, nesta época, me lembro sómente dos seus filhos, Zé Dário, Pedro, Maria, João Batista, uns mais velhos outros mais novos do que eu.
O marido sapateiro, meu Deus, como posso esquecer seu nome? Isto não é velhice, são lapsos de memória. As aulas eram dadas na sala da casa, dentro da maior simplicidade.
Qual a corrente pedagógica seguida? Racional-Tecnológica? Neocognitivista? Sociocrítica? Ou Holística com pitadas de Pós-Modernismo? Disto eu me lembro muito bem, era o Palmatorismo. Esta linha pedagógica me acompanhou durante quase toda a etapa de alfabetização e primário, e teve o seu expoente máximo em Dona Lourdes, com alguns repiques no Ginásio São Geraldo, com o professor Waldemar. Muitas vezes havia variantes como o Puxarcabelismo e o Tapismo mesmo. Como era eficiente aquela corrente pedagógica. No primeiro ano primário já sabia ler e escrever. Ler correto e escrever correto. Fazia conta e sabia a tabuada. Lucinha, 5 vezes 8? Ahn! Ahn! ... Maria? 40. Um bolo na Lucinha e se der devagar, eu vou dar. Até hoje sei a tabuada. Mas não sei mais fazer raiz quadrada que já aprendi com outros métodos, mas temos hoje as maquininhas "Made in China". No final do ano havia exame oral, e num deles, lembro bem, até o prefeito (João Felino) foi. As perguntas eram feitas na frente dele e as respostas também. Isto já aconteceu quando a escola mudou para o Posto de Saúde, um pouco mais acima na rua. Era uma forma do prefeito avaliar o emprego do dinheiro público. Simples mas eficiente.
Lembro, em sua casa não havia banheiro, quando tínhamos necessidades, havia a Pedra. Não, gente moderna, não era para fazer na Pedra. A pedra ficava em cima da mesa da professora. Como o mato era o único local para atuar, não havia as divisões de hoje entre feminino e masculino, nem se admitiam conversas nas horas de necessidade. Professora, eu preciso ir fora. Lucinha você não está vendo que a pedra não estar aqui? Espere. Isto indicava que outro estava fazendo suas necessidades. Se o caso fosse de emergência, ela mesma iria ver porque a pessoa que estava fora demorava tanto. Se estivesse flanando, o Palmatorismo era utilizado.
Entretanto, não seria sómente por ter sido minha professora, que indicaria D. Lourdes para patronesse da academia (para patronesse de uma das cadeiras indicarei, quando e se a Academia for criada). Ela foi de muita gente, uma grande educadora religiosa. Só que nem enxerga a importância da religião para formação individual e social das pessoas são estes ateus (como o Oliveira), que pensam, por serem eles homens de bem, isto ocorreria com qualquer um, mesmo sem religião. Um fato me vem à mente. Quando chego hoje nas igrejas vejo o comportamento, muitas vezes, relaxado e mesmo desrespeitoso de certas pessoas dentros dos templos, sejam eles de que religião forem. Até hoje, quando me sento num banco de igreja, não cruzo as minhas pernas. Porque? Pelo beliscão que ela me deu certa feita numa igreja, por ter feito isto. (Esta é outra variante do Palmatorismo, o Beliscaocionismo).
Além disto, era muito boa cantora sacra, e duvido que alguém no nosso tempo, não conhecesse sua voz na igreja cantando: A nós descei divina luz.... (Caro Gildo Povoas, nobre imortal, poderia ser o hino que você lembrou, Achei Jesus..., mas todos conheciam a voz dela. Será que alguém teria estes hinos gravados? A CIT não tem só ateus mandem prá cá e divulgaremos de alguma forma).
E eu queria falar de outras mulheres, falei de uma e olha onde já estou. Continuaremos depois. Se escrever mais, ninguém ler, mesmo que veja a novela A Favorita.



Lucinha Peixoto - ( lucinhapeixoto@citltda.com )

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Ecologia: Bom Conselho, Mesas e Pinicos


Por quase todo tempo de existência do homem sobre a face da terra, usando todos os recursos que, alguns dizem, Deus nos deu, nunca se pensou que chegaríamos o dia em que pudéssemos dizer: Se não soubermos usá-los eles vão faltar. Recentemente, para o tempo da ciência, surgiu o que se chama Ecologia. Ela tenta dar explicações sobre o relacionamento dos seres vivos entre si, e destes com o meio ambiente, que nada mais é do que o conjunto de coisas que cerca estes seres vivos. Hoje ela já é um ramo de estudo avançado, prenhe de termos complicados para nós, quase leigos. Não precisaremos deles aqui, com algumas exceções. Um deles é ecossistema. Esse palavrão indica tudo que existe na terra (e talvez fora dela quando formos lá). Animais (inclusive nós humanos), plantas, bactérias, (tudo que é vivo ou é considerado vivo), água, solo, gelo, vento, (considerados não vivos).
Desta forma definido podemos observar que toda atividade humana e sua relação com o meio ambiente pode ser visto como uma forma de sobrevivência do homem, e outros seres vivos, sobre a terra. Grande parte dos recursos necessários para que fossem satisfeitas as necessidades humanas proveio da natureza, ou recursos naturais, desde sempre. Para sermos enfáticos, durante toda sua história o homem usou a natureza como sua mesa e seu pinico. Se o que ele comesse em sua farta mesa e quando, o que, em consequência, fosse devolvido ao seu pinico não causasse a degeneração de nossos recursos naturais, teríamos um equilíbrio que garantiria sua vida na terra para sempre. Como se diz modernamente, teríamos um desenvolvimento auto-sustentável. Ou seja "comer" e "descomer" deveriam ser ações que, em conjunto, mantivessem um equilíbrio entre seres vivos e natureza, preservando nossa vida de forma perene, salvo acidentes de percurso, principalmente a partir de causas externas a este relacionamento.
Alguns economistas que estudam esta relação dizem que o uso da mesa e do pinico não podem ser do tipo que "causem estresse", em sua relação com a natureza. Não se pode exceder no que retiramos da natureza para satisfazer nossas necessidades, nem, devido a isto sujá-la em excesso com os dejetos da nossa ação. Um filósofo inglês, A. N. Whitehead (A Função da Razão - UNB, 1988), desde de 1929, onde preocupações ecológicas eram, praticamente inexistentes, já nos dizia que, nesta luta ou relação do homem com a natureza, temos três etapas, ou três formas de ação: Viver, viver bem e viver melhor. Viver, para todos os seres vivos, é uma "imposição". Talvez esta etapa seja a mais fácil de conciliar com a natureza, e com a não geração de estresse, porque é quase institivo. Os animais, fora o homem a usam para encontrar sua comida, se reproduzir, e viver sem desequilíbrio por muito tempo. Viver bem, já é uma noção que foge do simples instinto, nela entram decisões que devem ser tomadas para redução do estresse, que pertencem, em grande parte ao gênero humano. Mas é na etapa onde se pretende viver melhor, que a razão é um recurso supremo, e que só o homem tem.
São as opções modernas para viver melhor que nos causam aqui preocupação. "Lamentavelmente, o reducionismo de nossa visão de mundo tem feito com que essa busca haja se convertido na idéia exclusiva do crescimento econômico: aumento do PIB a qualquer custo."(Clóvis Cavalcanti - DP - 09/11/2008). O PIB é o que se produz de bens e serviços numa sociedade durante certo período. Esta hoje é quase a única medida de felicidade. O Brasil cresceu 4%, quer dizer hoje temos mais 4% de bens e serviços do que no ano passado, o PIB cresceu 4%. Quem os comeu ou os usou? Isto, quase sempre não tem muita importância. Quanto disto tiramos da natureza ou de nós mesmo, e que não podemos devolver no futuro? Menos importância ainda. E nossos filhos, nossos netos, poderão ter o mesmo que nós? Nenhuma importância.
Com esta mentalidade, onde podemos chegar? Ao lugar que estamos chegando hoje. Alguns cientistas estão apavorados, em pânico mesmo. Nosso estilo de vida, nossa forma de comermos e jogarmos o pinico fora, tem um custo de tal ordem, em termos de depredação do mundo físico, que qualquer tentativa de generalizá-lo levará inexoravelmente ao fim da raça humana como a conhecemos até hoje. Chegamos a um estágio, do ponto de vista do meio ambiente, que a crise pela qual passa o mundo atualmente, se torna benquista pela suas consequências de diminuir o nível de algumas atividades, e, desta forma, diminuir o tamanho da depredação. A pergunta importante é: O que está errado em nossa tentativa de viver melhor? A resposta completa é muito complicada, não a temos, e se tivéssemos o espaço aqui não seria suficiente para destrinchá-la.
Usaremos um exemplo do acontece e aconteceu na cidade de Bom Conselho, para triscar a resposta. Bom Conselho como forma físico-geográfica existe a milhões de anos. Na linguagem ecológica, seu ecossistema ou ecossistemas existem desde ai, e sofreram e sofrem transformações ao longo do tempo. Chegou o homem. Onde existiam florestas, matas, arbustos, rios e córregos foram criadas fazendas de gado. "O gado era criado solto no pasto. Contava apenas com a marca de uma flor-de-lis, que identificava a propriedade da família. Os escravos trabalhavam na lavoura nas proximidades da mata e da lagoa do Bulandin, que derramava suas águas entre as serras até desembocar no riacho Lavapés, que recebeu este nome porque os trabalhadores tinham como hábito lavar os pés quando voltavam do trabalho diário. O curioso era que estas águas serviam também para atividades domésticas, para beber e cozinhar." (De Capacaça a Bom Conselho - Celina C. Ferro) . Fora os escravos, isto é uma descrição de uma bela paisagem. Além disto, a fauna e a flora eram tão previsíveis que os habitantes castravam os veados e caititus, certos de que um dia voltariam menos felizes e mais gordos para a mesa. Isto deu até nome ao povoado, Capacaça, depois Papacaça e..... O importante aqui é que aumentou a mesa e aumentou o pinico. Com a abundância existente os desequilíbrios gerados no ecocossitema era mínimos, e despreocupantes, inicialmente.
O tempo foi passando, a população aumentando, e, consequentemente, mudando a forma de se relacionar com a natureza. Uma próxima etapa neste aspecto foi a construção do Colégio N. S. do Bom Conselho, liderada por Frei Caetano de Messina. "Povo de Papacaça, faz penitência! Quem não carregar pedra e tijolo para fazer a casa de Deus está nas profundas do inferno! Faz penitência povo! Deita na rua e te cobre para a procissão passar por cima!" (ibidem). O frei foi atendido ao ponto de Bom Conselho ser um dia chamado Cidades das Escolas. Já barrando rios, canalizando água, novos métodos de caça, fauna escasseando, o nível de estresse ecológico aumentava a cada dia. Talvez se passasse da etapa de viver para a de viver bem. Água ainda em abundância, secas um fenômeno não localizado, clima ameno e agradável dentro de uma comunidade feliz, apesar da cólera.
Com o desenvolvimento das comunicações a cidade descobriu o "progresso" dos outros e passou à tentativa de viver melhor. Bom Conselho se transformaria na Cidade do Leite. O café, as matas, os rios, quase tudo, eram eliminados para sustentar a fama da cidade com a maior bacia leiteira do estado. O nível de estresse ecológico chegou ao máximo. Chove pouco, a água é escassa, caça sumiu, a temperatura aumentou. Mas havia o leite. O ouro branco. Foi a fase onde um colega meu aqui na empresa me contou a história de um fazendeiro que destruia todas as árvores de suas terras para plantar capim. Uma árvore morta dava para criar mais um boi. Perguntado se não poderia estar comprometendo suas terras no futuro, com a desertificação, altas temperatura, e compromentendo a vidas dos filhos, ele respondeu: Eles que cuidem dos filhos deles como eu cuidei dos meus. Será que conseguirão?
Atualmente, está mudando alguma coisa? Parece que sim. Bom Conselho, deverá passar a se chamar de Cidade do Chester, ou outro nome qualquer que o identifique com uma grande empresa que lá se instala, a Perdigão. Esta empresa promoveu um evento na cidade cujo tema é: Preservar o meio ambiente: Responsabilidade de todos nós. Que, seguindo nosso argumento, poderíamos chamá-lo de Vamos ter cuidado com o pinico. Nada contra. Além disso promete em seu saite todo cuidado com a sustentabilidade e ecologia da região. Que bonito. Que responsabilidade social. Pode-se comparar a vinda da Perdigão para a cidade à construção do Colégio por Frei Caetano. A partir dela tudo será diferente. Pode-se dizer, Bom Conselho decidiu viver melhor e decidiu isto de uma forma racional? Será que foi feito um estudo ou pelo menos perguntaram qual a maneira com que esta empresa vai se relacionar com o meio ambiente além das promessas do saite? Sua atuação vai melhorar ou piorar o desequilíbrio com os ecossistemas? Teremos água amanhã? Teremos rios limpos e bonitos? Teremos ar puro para respirar, ou deveremos comprar oxigênio caro?
Alguns, talvez a maioria, dirão. Se não tivermos, temos emprego e renda suficiente para comprar ar puro em Garanhuns. Esquecem que outras perdigões invadiram Garanhuns e seus habitantes querem comprar também. Vamos para Caruaru. Lá é que tem perdigões a mancheias. E assim por diante.
Os mais práticos, aqueles que seguiram as regras para viver melhor dirão: Se não pudermos viver melhor, é melhor não viver. Como passarei sem uma TV de plasma de 42 polegadas? E sem um carro novo na garagem? Sem uma viagem ao exterior? Mais modestamente, sem a geladeira, sem fogão a gás, sem o celular GSM com banda larga, sem computador (ai até eu morrerei)? Será que esta é a única saída? Morrer, sucumbir, escafeder-se se não pudermos viver melhor. Para mim, existe uma, embora não perfeita e imcompleta. Uma sociedade mais igualitária. Isto só pode ser conseguido de forma coletiva, através de órgãos públicos que se conscientizem do problema, e passem a tentar resolvê-lo. Para que isto ocorra, uma mobilização social é fundamental, mas não só a partir das empresas.
Todos não podem viver melhor. Mas todos podem viver. Se todos os que vivem melhor hoje, pensarem que sua forma de vida é inadequada para todos, talvez haja uma chance. Para isto Educação é fundamental. Se pudéssemos, com o desenvolvimento de formas de conhecimento novas e convincentes fazer como Frei Caetano de Messina fez com sua forma de conhecimento não mais muito aceita, dizendo: "Povo de Papacaça, chega de tanta paciência! Quem não fiscalizar as empresas e órgãos público que não tratem bem o meio ambiente está nas profundas do inferno! Chega de paciência povo! Levanta-te e vai às ruas. Cobra dos seus governantes uma posição firme diante daqueles que, em nome de viver melhor, esquecem do teus filhos e netos." Quem sabe se assim, com o medo do inferno, um dia todos possam viver bem, diminuindo a diferença entre o tamanho das mesas e pinicos dos pobres e dos ricos. Ora, dirão os de pinico grande, isto só é possível se diminuirmos o pinico de todos. Ora, dirão os cidadãos conscientes e responsáveis pelo nosso futuro, que sejam diminuidos, para garantirmos que nossos filhos e netos tenha força para sentar numa mesa e usar um pinico.


Cleómenes Oliveira - ( cleomenesoliveira@citltda.com )
Diretor de Operações.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Fragmentos de lucidez


"Ele procura mel no traseiro da vespa."

"O chacal engoliu a foice; ouçam seus uivos depois para expeli-la."

"Bastou elogiarmos a limpeza do gato, e ele foi e defecou no depósito de farinha."


"Não aconselhes o tolo: em qualquer caso ele te culpará depois."

"Não dá trela ao desocupado: ele fará de ti a sua ocupação."

"Com a mentira se consegue o almoço, mas não o jantar."


"Só se atiram pedras em árvores carregadas de frutos."


"Os cães ladram e a caravana passa."
(Provérbios Árabes)


"Gente ruim é como dor de dente; quanto mais se presta atenção a ela, mais incomoda." (Provérbio Brasileiro)


"Quem quer colher rosas deve suportar os espinhos."

"Se parares cada vez que ouvires o latir de um cão, nunca chegarás ao fim do caminho." (Provérbios Chinêses)

"O sapo do poço, não conhece o oceano." (Provérbio Japonês)

"Se você quer que as pessoas pensem que você é muito inteligente, simplesmente concorde com elas." (Provérbio Judaico)

--------------------------
P.S.

- a) Junto com estes fragmentos de lucidez, Lucinha nos pede para apresentar nossa enquete sobre o nome de preferência para ser Patrono da Academia de Bom Conselho. As opções se encontram no início do nosso Blog, à esquerda. Estes foram os nomes indicados por e-mail, ou retirados do saite de Bom Conselho, e outras fontes. Tem todos os seus méritos e deméritos. Cada um deve julgá-los e votar. Esta é uma enquete aberta para todo Brasil. Esperamos que o seu resultado sirva como uma boa indicação para a escolha definitiva, quando a Academia se reunir. Fizemos a nossa parte, desde a sugestão do nosso conterrâneo Carlos Sena, alguns dias atrás.

- b) Ainda aproveitando os fragmentos, vi que alguns não suportam meu pseudônimo: Diretor Presidente. Quando fiz opção preferencial pelo anonimato, quis adotar outro: Sílvio Santos. Descobri que ele já era um pseudônimo do grande empresário brasileiro Senor Abravanel. Confesso que nem o conhecia. Isto não o impediu, sendo chamado de Sílvio Santos, produzir muito mais do que alguns que amam a claridade só para aparecerem. Minha segunda opção foi O Andarilho. Mas, quanta pouca sorte, já havia um militando no saite, saudando as pessoas e pedindo passagem. Então fiquei mesmo como Diretor Presidente, mas podem me chamar de Barão de Itararé, pseudônimo de Apparicio Torelly, outro empresário de sucesso, e não ficarei zangado. Tanto que o cito aqui em mais uns fragmentos de lucidez:

"De onde menos se espera, daí é que não sai nada. "

"Dize-me com quem andas e eu te direi se vou contigo. "

"Tudo seria fácil se não fossem as dificuldades. "

"Sábio é o homem que chega a ter consciência da sua ignorância."

Saudações Cordiais
Diretor Presidente ( diretorpresidente@citltda.com )

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Quem Foram Meus Pais


Me foi perguntado, através de e-mail que a direção da CIT nos repassou, os nomes dos meus pais e profissão do meu genitor. Já agradecendo ao nosso interlocutor por ter gostado do meu artigo, digo-lhe, meu pai não era do SNP (Serviço Nacional da Peste). Posso dizer, pela suas condições sócio-econômicas, estava mais para usuário do serviço. Graças a Deus nunca precisou.
Meu pai se chamava Júlio, minha mãe se chamava Maria. Morreu de parto. Meu parto. Nestes casos de assassinato onde o assassino não tem intenção de matar. Homicídio culposo. Não fui condenado por nenhum juri, e a nossa sociedade, neste tipo de ocorrência, também nos perdoa. O difícil de ser perdoada era a pobreza do meu pai. Era padeiro. Também fazia artesanato de couro, que vendia nas feiras livres para sobreviver melhor com a segunda mulher. Não me lembro muito de sua vida. Fui criado em Bom Conselho, mas em outra casa. O contacto com ele era mínimo. Lembrei um pouco de mim quando li recentemente o artigo do senhor José Tenório de Medeiros, sobre o contacto com os seus pais, "mutatis mutandis".

Poderia ficar por aqui. Não sei se satisfiz o seu desejo, mas tentei. Prolongo minha descrição de mim mesmo falando da nossa terra, e de outros assuntos que possam interessar a todos, já que estamos ansiosos para participar deste seu redescobrimento. Nasci na Rua da Cadeia, hoje Rua José do Amaral, que ficou famosa por hospedar por alguns tempos nossa imortal e conterrânea Ana Luna. Eu não a conheci na época. Vendo o seu retrato, se a visse seria paixão a primeira vista. A casa onde nasci, se não me engano, era a última da rua. Como se dizia, e talvez se diga até hoje, na ponta da rua. Se dissesse sómente isto, seria o bastante para dizer, que nasci pobre. Hoje quem mora na ponta da rua, que é a entrada de Bom Conselho, com suas casas maravilhosas são os ricos. Naquela época não. Aqueles que nasciam no "meio" da rua eram mais ricos, ou classe média, e os mais aquinhoados nasciam na cabeça da rua.
Cheguei a completar o curso primário, já orientado por uma tia que morava no "meio" da rua, que tinha um filho besta, que só dizia que morava na cabeça da rua. Nem sempre as meninas levavam isto em conta. Eu era mais eu. Depois do primário, já existia o Ginásio São Geraldo, meu primo foi, eu não. Só restava o óbvio, trabalhar no comércio, o que fiz até quando saí de lá já rapaz.
Fui para São Paulo (o motivo porque fui é uma longa história, conto depois). Quem tinha o curso primário, em São Paulo, naquela época, podia até ser metalúrgico. Não gostava muito, mas já casado, tinha que sobreviver. Eu era esforçado. Cheguei até ao trabalho de escritório na fábrica. Neste tempo apareceram por lá umas coisas estranhas enormes, que tomavam uma sala inteira. Eram computadores. Ninguém entendia daquilo. "Curiosando", pensei, é uma chance. Fiquei junto de quem sabia e fui aprendendo, aprendendo e aprendendo. E aquela coisa crescia de importância. E eu junto. Fiz um exame que me deu o curso médio e curso (não superior) que dizia Analista de Sistema. Adotei isto até hoje e evolui com os computadores. Hoje ninguém me cobra o diploma de "bacharé" porque, quem me conhece sabe que manjo da coisa. Mas já sofri muita discriminação. O Brasil, com sua grande tradição bacharelesca, que está mudando, graças a Deus, leva os pais a, em vez de mandarem os filhos aprenderem, mandarem obter um diploma.
Chega de falar de mim. E a Rua da Cadeia? Como tive amigos lá. Na melhor fase da vida. Zé de Olga, Jurandir, Miguelzinho, Rubens de Miguel Gordo, Rui, Geraldo de Alves (ou Alvares), Zézinho de Anália, Carlinhos Mouco. Quase todos da ponta para o "meio" da rua. Do "meio" para cabeça, só conhecidos com jeito de amigos ou vice-versa. João de Vitinho, Zé Carlos, Damuriez, Damário, Zé Piulinha, Tanzinho, João Antônio Amaral e alguns que não me lembro. Veja bem. Isto é antes da década de 70. Portanto, não perguntem se eu só gostava de homem. Naquela época ter amizade com mulheres era mais difícil, devido aos preconceitos. Se alguém com menos de 60 ler isto, por favor, peçam ajuda aos pais para entenderem direito.
Já que estou tentando satisfazer o desejo de alguém, deixem eu satisfazer o meu contando um causo. Quem viveu na Rua da Cadeia, neste período, ouviu falar em Melquizedeque (não sei se é assim que se escreve). Ele era filho de militar reformado, sargento Moisés. Sua mãe, que não me recordo o nome, usava sempre óculos escuros, diziam que ela tinha uma doença nos olhos que as pálpebras caiam sempre e ela usava uns esparadrapos para segurar,( não sei se é verdade, nas nada desabonava sua conduta). Tinha uma irmã, muito bonita chamada Inês e um irmão, que também era militar chamado Benone. Melquizedeque (Melqui daqui por diante), foi uma das pessoa mais briguentas que eu conheci. Eles moravam em Garanhuns, e quando Melqui vinha a Bom Conselho, era para brigar. Os meninos e rapazes da cidade se reuniam, para escolher quem era que ia brigar com ele quando chegasse. Era difícil encontrar uma vítima. Certa feita, Geraldo de Alves, também metido a valentão e que contava, quando em Recife, enfrentou até a Rádio Patrulha, com detalhes de locais e tudo (só quando uns amigos vieram ao Recife procurar estes lugares, viram que tudo era invencionice), decidiu enfrentar Melqui na próxima visita. Veio menino até da Praça da Bandeira para saber os detalhes. Quando Melqui chegou, mandaram avisar Geraldo. Os dois compareceram ao local da luta. Parecia luta de profissionais de boxe, "comparando má". Alguns concordavam com a luta outros não. Mas começou. Os contendores se estudavam a turba se agitava. Geraldo de Alves aproveitou um descuido de Melqui e tacou-lhe um murro nos dentes que ele caiu. Nisto apareceram alguns adultos moradores das proximidades. Quase de frente da casa de D. Noca e de seu Domingos Guarda. Apartaram a briga. Melqui se levantou e saiu andando normalmente. Fomos brincar juntos de "lonha" (o termo usado era este, outros diziam brincar de bicho) no Correio. Melqui, ao pular o muro, caiu, e disse que tinha quebrado um dente na queda. Ele morreu anos depois assassinado num bar de Bom Conselho. Dizem que ainda possuia o dente quebrado. Zezinho de Anália, jurava que quem quebrou o dente dele foi Geraldo. Entrou por uma perna de pinto saiu por um perna de pato, senhor rei mandou dizer que você contasse quatro.

Jameson Pinheiro (jamesonpinheiro@citltda.com)