quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Quem Foram Meus Pais


Me foi perguntado, através de e-mail que a direção da CIT nos repassou, os nomes dos meus pais e profissão do meu genitor. Já agradecendo ao nosso interlocutor por ter gostado do meu artigo, digo-lhe, meu pai não era do SNP (Serviço Nacional da Peste). Posso dizer, pela suas condições sócio-econômicas, estava mais para usuário do serviço. Graças a Deus nunca precisou.
Meu pai se chamava Júlio, minha mãe se chamava Maria. Morreu de parto. Meu parto. Nestes casos de assassinato onde o assassino não tem intenção de matar. Homicídio culposo. Não fui condenado por nenhum juri, e a nossa sociedade, neste tipo de ocorrência, também nos perdoa. O difícil de ser perdoada era a pobreza do meu pai. Era padeiro. Também fazia artesanato de couro, que vendia nas feiras livres para sobreviver melhor com a segunda mulher. Não me lembro muito de sua vida. Fui criado em Bom Conselho, mas em outra casa. O contacto com ele era mínimo. Lembrei um pouco de mim quando li recentemente o artigo do senhor José Tenório de Medeiros, sobre o contacto com os seus pais, "mutatis mutandis".

Poderia ficar por aqui. Não sei se satisfiz o seu desejo, mas tentei. Prolongo minha descrição de mim mesmo falando da nossa terra, e de outros assuntos que possam interessar a todos, já que estamos ansiosos para participar deste seu redescobrimento. Nasci na Rua da Cadeia, hoje Rua José do Amaral, que ficou famosa por hospedar por alguns tempos nossa imortal e conterrânea Ana Luna. Eu não a conheci na época. Vendo o seu retrato, se a visse seria paixão a primeira vista. A casa onde nasci, se não me engano, era a última da rua. Como se dizia, e talvez se diga até hoje, na ponta da rua. Se dissesse sómente isto, seria o bastante para dizer, que nasci pobre. Hoje quem mora na ponta da rua, que é a entrada de Bom Conselho, com suas casas maravilhosas são os ricos. Naquela época não. Aqueles que nasciam no "meio" da rua eram mais ricos, ou classe média, e os mais aquinhoados nasciam na cabeça da rua.
Cheguei a completar o curso primário, já orientado por uma tia que morava no "meio" da rua, que tinha um filho besta, que só dizia que morava na cabeça da rua. Nem sempre as meninas levavam isto em conta. Eu era mais eu. Depois do primário, já existia o Ginásio São Geraldo, meu primo foi, eu não. Só restava o óbvio, trabalhar no comércio, o que fiz até quando saí de lá já rapaz.
Fui para São Paulo (o motivo porque fui é uma longa história, conto depois). Quem tinha o curso primário, em São Paulo, naquela época, podia até ser metalúrgico. Não gostava muito, mas já casado, tinha que sobreviver. Eu era esforçado. Cheguei até ao trabalho de escritório na fábrica. Neste tempo apareceram por lá umas coisas estranhas enormes, que tomavam uma sala inteira. Eram computadores. Ninguém entendia daquilo. "Curiosando", pensei, é uma chance. Fiquei junto de quem sabia e fui aprendendo, aprendendo e aprendendo. E aquela coisa crescia de importância. E eu junto. Fiz um exame que me deu o curso médio e curso (não superior) que dizia Analista de Sistema. Adotei isto até hoje e evolui com os computadores. Hoje ninguém me cobra o diploma de "bacharé" porque, quem me conhece sabe que manjo da coisa. Mas já sofri muita discriminação. O Brasil, com sua grande tradição bacharelesca, que está mudando, graças a Deus, leva os pais a, em vez de mandarem os filhos aprenderem, mandarem obter um diploma.
Chega de falar de mim. E a Rua da Cadeia? Como tive amigos lá. Na melhor fase da vida. Zé de Olga, Jurandir, Miguelzinho, Rubens de Miguel Gordo, Rui, Geraldo de Alves (ou Alvares), Zézinho de Anália, Carlinhos Mouco. Quase todos da ponta para o "meio" da rua. Do "meio" para cabeça, só conhecidos com jeito de amigos ou vice-versa. João de Vitinho, Zé Carlos, Damuriez, Damário, Zé Piulinha, Tanzinho, João Antônio Amaral e alguns que não me lembro. Veja bem. Isto é antes da década de 70. Portanto, não perguntem se eu só gostava de homem. Naquela época ter amizade com mulheres era mais difícil, devido aos preconceitos. Se alguém com menos de 60 ler isto, por favor, peçam ajuda aos pais para entenderem direito.
Já que estou tentando satisfazer o desejo de alguém, deixem eu satisfazer o meu contando um causo. Quem viveu na Rua da Cadeia, neste período, ouviu falar em Melquizedeque (não sei se é assim que se escreve). Ele era filho de militar reformado, sargento Moisés. Sua mãe, que não me recordo o nome, usava sempre óculos escuros, diziam que ela tinha uma doença nos olhos que as pálpebras caiam sempre e ela usava uns esparadrapos para segurar,( não sei se é verdade, nas nada desabonava sua conduta). Tinha uma irmã, muito bonita chamada Inês e um irmão, que também era militar chamado Benone. Melquizedeque (Melqui daqui por diante), foi uma das pessoa mais briguentas que eu conheci. Eles moravam em Garanhuns, e quando Melqui vinha a Bom Conselho, era para brigar. Os meninos e rapazes da cidade se reuniam, para escolher quem era que ia brigar com ele quando chegasse. Era difícil encontrar uma vítima. Certa feita, Geraldo de Alves, também metido a valentão e que contava, quando em Recife, enfrentou até a Rádio Patrulha, com detalhes de locais e tudo (só quando uns amigos vieram ao Recife procurar estes lugares, viram que tudo era invencionice), decidiu enfrentar Melqui na próxima visita. Veio menino até da Praça da Bandeira para saber os detalhes. Quando Melqui chegou, mandaram avisar Geraldo. Os dois compareceram ao local da luta. Parecia luta de profissionais de boxe, "comparando má". Alguns concordavam com a luta outros não. Mas começou. Os contendores se estudavam a turba se agitava. Geraldo de Alves aproveitou um descuido de Melqui e tacou-lhe um murro nos dentes que ele caiu. Nisto apareceram alguns adultos moradores das proximidades. Quase de frente da casa de D. Noca e de seu Domingos Guarda. Apartaram a briga. Melqui se levantou e saiu andando normalmente. Fomos brincar juntos de "lonha" (o termo usado era este, outros diziam brincar de bicho) no Correio. Melqui, ao pular o muro, caiu, e disse que tinha quebrado um dente na queda. Ele morreu anos depois assassinado num bar de Bom Conselho. Dizem que ainda possuia o dente quebrado. Zezinho de Anália, jurava que quem quebrou o dente dele foi Geraldo. Entrou por uma perna de pinto saiu por um perna de pato, senhor rei mandou dizer que você contasse quatro.

Jameson Pinheiro (jamesonpinheiro@citltda.com)

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Eu já sabia


Aquilo que nosso Diretor Presidente falou, sobre a Hora do Mural, é verdade. Aqui em Recife todo dia abrimos o saite de Bom Conselho e o discutimos. Eu estava viajando a trabalho nos últimos dias e acumulei matéria. Duas me chamaram atenção. Não sei se começo pela ruim ou pela boa. Bem, vamos terminar bem.
Nunca mais havia falado do Andarilho. Mas ele não me tira da cabeça. Traduzi um simples texto do John Black, jovem educado, fino, inteligente e lá estou eu na boca do andante sem causa, a não ser a sua, de se tornar um imortal. Defendi antes que ele pudesse participar na Academia Virtual, quase estou mudando de idéia. No início seus artigos tinham conteúdo, hoje parece que o fôlego acabou, ou só existe para elogiar todas as pessoas que entram no mural, como se tivesse medo de discordâncias ou críticas. Será que o artigo sobre os espiões é um texto humorístico? Porque se é, atingiu seu objetivo, ri muito ao ler. Só faltou o nosso andante dizer que o John Black é um ignorante por que não sabe escrever em português. Só estou aqui respondendo a este senhor, pelo John. Ele não merece. Passei o texto para o inglês e mandei para ele. Outra vez, ele riu a beça. Ele e todos os espiões da realeza inglesa, o 007, 008, 171, 172, até onde nosso andante saiba contar. Ele mesmo lhe dará a resposta devida se achar que vale a pena. Me poupe.

Corramos para a notícia boa. O Di é um imortal. Isto justifica o título deste escrito e também meu prazer de ler todos os seus artigos tanto na Gazeta, no saite, e, (seria sonhar demais?) no nosso Blog, no futuro. Não é necessário repetir tudo que todos já disseram no Mural sobre a pessoa de Di. Ele poderia se tornar uma unanimidade. Já escreveram e eu concordo, isto pode se se tranformar em burrice. No entanto, como posso fugir dela? Lembrei, o Di não tecla mais no computador com a rapidez que fazia nas máquinas de datilografia. Ufa. Consegui uma falha dele e ao mesmo tempo me penitencio de haver dito, alguns escritos abaixo, que este seria um sério ponto para ele atingir a imortalidade. Pelo amor amor de Deus não me desminta quanto a velocidade de teclar.
Pareço muito íntima do Edjasme Tavares mas não sou. Tenho certeza nunca falei com ele. Só o vi, no cartório quando passava vindo da Escola Pratt. Chamá-lo de Di vem de alguns e-mail trocados e, principalmente, daquela relação professor aluno que marca um pouco as pessoas, que tiveram a sorte de estudar, pois o considero meu mestre de datilografia. Portanto, Di, me perdoe.
Parabéns, pela imortalidade. Pela sua crença, que também é a minha, e pela sua fé, isto não tem muita importância, você já sabia, independente de murais, academias virtuais ou não. Para qualquer tipo de coisa você é imortal. Eu já sabia.

Lucinha Peixoto - ( lucinhapeixoto@citltda.com )
Coordenadora Administrativa

sábado, 22 de novembro de 2008

O Homem sem Nome



Aqui, na sede da CIT em Recife temos quase a Hora do Mural. Talvez por isso Ana Luna nos disse que sentíamos saudades do saite de Bom Conselho. Sendo isto ou não, como tudo gira em torno de Bom Conselho, pelo menos em nosso Blog, podemos dizer que ele nos inspira. Numa dessas horas vi uma nota do José Fernandes Costa, que muito nos honrou, e, espero nos honrará com sua colaboração em nosso Blog, onde ele dizia: "Foi-me encaminhado pelo diretor-presidente (o homem não tem nome) da CIT, um pedido seu.", dirigindo-se a um interlocutor, que admiramos, e agora não vem ao caso citá-lo.
Vejam bem nossa sorte. Por um longo período, desde que assumimos a diretoria da CIT, explicamos e reexplicamos porque não assinamos nosso nome nas comunicações da empresa. Logo agora, quem nos dar a deixa, para mais um esclarecimento, é o poeta e estudioso de nossa língua o conterrâneo Jose Fernandes Costa. Para começar citamos um colega dele, o Fernando Pessoa, poeta português:

"A obra pseudónima é do autor em sua pessoa, salvo no nome que assina; a heterónima é do autor fora da sua pessoa; é duma individualidade completa fabricada por ele, como seriam os dizeres de qualquer personagem de qualquer drama seu".


Mantivemos o texto em português de Portugal. Os que gostam de literatura, prosa e poesia, já leram autores maravilhosos e se emocionaram com pseudônimos e heterônimos. Quem já leu Policarpo Quaresma Neto, Julinho de Adelaide, Alvaro de Campos, Lara, Piolho Viajante, Susana Flag, Cora Coralina, talvez nunca tenha pensado que estaria lendo Carlos Drummond de Andrade, Chico Buarque, Fernando Pessoa, Machado de Assis, D. Pedro II, Nelson Rodrigues e Ana Lins dos Guimarães Peixoto, respectivamente. E vejam isto:

"Temos, inclusive, histórias curiosas a respeito de pseudônimos, como é o caso do lançamento de O Quinze, onde muitos acreditaram que Rachel de Queiroz era o pseudônimo de algum escritor. Inclusive Graciliano Ramos teimou, diante da linguagem do romance, e quase não aceitou a idéia de que o drama sobre a tão devastadora seca de 1915, no Ceará, tivesse sido escrito por uma mulher." (Eugenio Brauner - PPG-LET-UFRGS – Porto Alegre – Vol. 01 N. 01 – jul/dez 2005).

Algum tempo atrás, depois de convidado, sómente aceitamos a direção da empresa se mantivéssemos nossa identidade reservada. Em nosso saite, não fomos o primeiro. Temos um nome, como todos os acima citados tem, escrevemos e assinamos com outro nome por muitos e variados motivos como eles. Chico Buarque para fugir da censura. D. Pedro II para defender a abolição da escravatura. Fernando Pessoa, usando o heterônimo Alvaro de Campos, para escrever uma obra que não era do mesmo estilo da que escrevera, e que, pela sua genialidade estava dentro dele. Nossos objetivos eram mais modestos. Levar a empresa a cumprir os objetivos, que eram, produzir risos e emoções nas pessoas, de Bom Conselho, e de outros lugares, sem aparecer, sem querer imortalidade, sem ofender (pelo menos para aqueles que entendem que discordância não é ofensa pessoal), mas discordando de opiniões que só prejudicam nossa cidade, debaixo de um manto de puxa-saquismo e falso moralismo.
A forma de fazer isto vem mudando. Tivemos que construir o nosso próprio espaço de divulgação, pois o que tínhamos estava se tornando pequeno para o número de pessoas que estavam querendo se manifestar. Todos aqui tem liberdade de expressão no mesmo veículo e não queríamos entrar em querelas internas em consequências de discriminações externas.
O Blog da CIT é aberto para todos que não firam a ética e bons costumes de nossa sociedade (ás vezes ferimos o bom português e pedimos perdão ao José Fernandes por isto, mas ninguém é perfeito), e não nos consta que pseudônimos ou heterônimos em si estejam fora destes padrões. Temos que observar mais o conteúdo do que está escrito ou feito, e não quem fez ou escreveu. Temos certeza que o interlocutor citado acima, pelo que conhecemos dele, pelo que fez e pelo que escreve, jamais usaria um pedido de filiação para bisbilhotar a vida dos outros, mas nem todos assim procedem.
Sempre reconhecemos que o Saulo, diretor do nossa saite tinha o direito, e as vezes o dever de censurar quem quer que fosse. Mas, tínhamos também o direito, e o usamos de procurar um veículo alternativo. Alguns, muito poucos, pensam que agimos errados, e muitos menos ainda, torcem contra, mas cada um pensa como quiser..
Continuaremos nosso trabalho. Aqueles que quiserem saber quem somos perguntem a cada um individualmente. Eles são livres para dizer quem são. Mas não serão demitidos se não o quiserem dizer. Nosso pseudônimo ou heterônimo é Diretor Presidente. Talvez a CIT seja única no mundo que tem um Diretor Presidente que se chama Diretor Presidente.
Sabemos que o José Fernandes Costa, agora sabendo nosso nome, continuará escrevendo suas maravilhosas poesias, as quais, sem fazer nenhum favor a ele porque tem qualidade, publicaremos em nosso Blog, quando ele quiser. Oxalá todos tivessem a mesma idéia inteligente dele ao descobrir que a boa arte mostrada em dois lugares diferentes, produz mais de duas vezes mais emoções. Estamos aberto para todos
Como o Enéias dizemos: Nosso nome é Diretor Presidente! Mas pode nos chamar de Tristão de Ataíde. Não iremos nos zangar.

Saudações Cordiais
Diretor Presidente. ( diretorpresidente@citltda.com )

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Caminhos de Fé *

Continuamos nosso trabalho no Velho Mundo. Confessamos, um trabalho cada vez mais difícil. A vantagem de sempre crescer explorando o mundo foram claras, pelo menos para alguns países europeus, como a Inglaterra onde está nossa sede. O processo começou a se reverter quando, decadentes, começamos a ser explorado pela nossa mais pujante colônia: O Estados Unidos da América (EUA). Conseguimos nos últimos anos minorar um pouco esta exploração, unindo nossas forças. Agora somos a Europa. Deixamos de sofrer um pouco com a exploração americana, no entanto, não porque ficamos mais fortes e sim por eles ficaram mais fracos.

Nos últimos anos todos nós esperávamos o estouro, no mau sentido, da economia americana. Nos iludimos tanto com a sua criatividade (não há como negar) que pensamos que ela funcionasse mais uma vez. Descobrimos, a duras penas, ser seu estoque de criatividade um recurso não renovável. Como foi para nós um belo dia, depois da segunda guerra.

Os EUA deram um flato e estamos caindo com o mau cheiro. Com a globalização, estamos num quarto fechado, onde a melhor solução é todos cheirarmos juntos para acabar depressa. Estamos cheirando, todavia, muitas vezes, o cheiro é insuportável.

Nosso escritório em Canterbury - Inglaterra quase fechou. Tivemos que diminuir nossa equipe e dar férias coletivas ao que sobrou. A crise pegou a CIT aqui. Quando sabemos que no Brasil, isto ainda não está ocorrendo, ficamos alegres no momento, mas preocupados, se nossos governantes pensarem que ela não chega lá. Mas estamos vivos e enviando parabéns pela criação do Blog.

O trabalho abaixo mostra Fátima, em Portugal. Podemos dizer que é uma cidade que nasceu por milagre. E ainda hoje se mantém pelo milagre. Somos Anglicanos, temos divergência da Igreja Católica, porém, jamais duvidamos da força da fé. Mesmo em períodos não festivos, nos quais foram feitas nossas filmagens, aquele local passa uma energia positiva difícil de não sentir. A fé está nos rostos das pessoas que pagam suas promessas com a devoção dos gratos.

Veremos no futuro outros trabalhos em outros países mas com tamanha emoção pensamos que é impossível.

Quando nosso cinegrafista filmou a igreja do santuário, nem notou a luz belíssima que foi produzida pela câmara. Na edição alguém disse, isto é obra divina, obra de Nossa Senhora de Fátima. Será? Vejam, homens de pouca fé.






John Black

Chefe de Equipe - Canterbury - Inglaterra

(*) Tradução: Lucinha Peixoto.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Fragmentos de português

Certa vez, eu disse a um colega que discordava de alguns pontos de vista da professora Maria Tereza Piacentini. Alguém pode perguntar-me: "Quem és tu para discordar dela?”.

Reporto-me aos verbos adequar e explodir, tratados na lição 218, da nossa mestra. Diz ela que o verbo adequar comporta a conjugação na 1ª pessoa do singular do presente do indicativo. Estudiosos do nosso idioma, a quem tenho acesso e com alguns me comunico, afirmam que o verbo adequar, no presente do indicativo , só é conjugado nas 1ª e 2ª pessoas do plural: adequamos, adequais.

Como não tem a 1a. pessoa do singular do presente do indicativo, por conseqüência, não tem o presente do subjuntivo. Assim, não existem adequo, adéqüe, adéqües etc., como a professora Maria Tereza defendeu. O mesmo vale para explodir. Não existe "eu explodo", tampouco "que eu exploda". Explodir não tem a 1a. pessoa do presente do indicativo. Por isso, não tem, também, o presente do subjuntivo, porque este deriva daquela. A mesma regra vale para abolir, implodir.

Desse modo está no Aurélio Século XXI. E é isso que afirmam Maria Aparecida Ryan, Evanildo Bechara, Pasquale Cipro Neto* e outros .

Diz ainda Maria Tereza que o trema é pouco usado em jornais e revistas. Desconheço essa prática. Mas, se jornalistas não usam trema, é grande equívoco, porque o trema existe e é de uso obrigatório onde lhe cabe: freqüência, eloqüência, agüentar, argüir etc. Até que o novo Acordo Ortográfico passe a vigorar. E há até quem se exceda em bobagens ao escrever e pronunciar inqÜérito, qüestão etc. (?).

* Pasquale até admite que, na linguagem linguagem informal, certas formas defeituosas são usadas. E dá como exemplo o " eu expludo, explodo". A seguir, ressalva ele que, "o que conta é o registro culto , formal ."

Tereza Piacentini invoca Antônio Houaiss como defensor do "eu explodo, que eu exploda". Mas se o Houaiss registra essas formas hoje, poderá mudar numa próxima edição .

Isso já ocorreu com o Aurélio, que em determinada edição, também ensinou, de modo tortuoso, essa conjugação de adequar. Mas corrigiu na edição seguinte.

E ela mesma, Piacentini, recomenda que se evitem essas conjugações em concursos, vestibulares etc. - Por quê? Naturalmente porque o candidato perderia os pontinhos tão almejados. - Então, amigos (as), quando se depararem com a possibilidade de empregar adéqüe / adéqüem, não tenham dúvidas e substituam essas formas esdrúxulas. Lancem mão de um sinônimo ou recorram aos verbos auxiliares: - Em vez de eu adequo ou eu me adéquo, digam eu me adapto, amoldo-me, vou adequar, ajusto-me, quero me adequar.

A regra é simples: - O verbo adequar só é conjugado nas formas arrizotônicas, isto é, aquelas em que a sílaba tônica recai fora do radical . Ex. Adequarei, adequarias, adequamos, adequasse, adeqüei etc.

NOTAS – 1. Os criadores de modismos estão lançando o falso adjetivo massivo. “Desenvolvimento massivo; presença massiva” etc. Não existe massivo em nenhum dicionário. O adjetivo é maciço. Assistência maciça; comparecimento maciço, investimento maciço, desenvolvimento maciço; presença maciça etc.

2. Vossa Excelência , Vossa Senhoria , Vossa Reverendíssima etc. são pronomes de tratamento da 3ª pessoa do singular . Portanto, erra quem diz: “V. Exª foi injusta na vossa decisão!” O certo é: “V. Exª foi injusto na sua decisão”. Só caberia injusta se fosse uma juíza. Mas, vosso ou vossa, jamais.

3. No Sudeste do Brasil impera a moda desta pronúncia : contróle (quando substantivo), éxtra, féchar, subzídio, gratuíto. Também: "eu falei pra ele..." (em vez de: eu disse a ele...) - Não é por aí! A pronúncia é : controle (trô), extra (ê), fechar ( fê ), subsídio (ssí) – {o S está entre consoante e vogal } –, gratuito , fortuito (tui), eu disse a ele, e assim por diante .

Quem fala, fala de, fala sobre, fala para, fala em, etc. Falar exige sempre preposição. - Dizer é dar recado certeiro. Falar, muitas vezes, é blablablá. Daí o adágio: “falou, falou e nada disse”.

Mais: constitui vício bobo a pronúncia naicer, creicer, naicimento etc. Escreve-se e pronuncia-se deste modo: nascer (nacer), crescer (crecer), nascimento (nacimento). O S é mudinho da silva .

José Fernandes Costa – jfc1937@yahoo.com.br

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Reminiscências em torno do Entregador de Doces

Faz algum tempo estou tentando escrever alguma coisa para ser publicado pela CIT. Desde a época do site, desculpem, saite (que saco este negócio de seguir manual), eu tentava. O Diretor presidente dizia, depois de lê meus escritos, nem que a vaca tussa, será censurado, não adianta. Agora, sem censura - sómente do saite, porque a censura da direção continua - resolvi tentar de novo. Apresentei um rascunho do que vem abaixo colocado e, graças a Deus foi aprovado.
Pensei em não dizer quem sou. Neste nosso mundo de fantasmas, seria mais prudente, pois poderia até ir a Bom Conselho, e na primeira reunião da Academia, me apresentar como O Andarilho. Provas? Começaria meu discurso assim: Comunidade de Bom Conselho, representada pelos cidadãos e cidadãs de boa estirpe. Na Dignidade. Ética e Postura Honrada. Ficarei aqui na porta, recebendo os que aqui adentram e dizendo-lhe da felicidade de ler algum coisa sua, mesmo que não tenham escrito, e já sei que são boas. Bom Conselho é uma cidade sem problemas. Boas vindas, benvenute, welcome. Bom Conselho conta com praças limpas e aconchegantes, bancos higienizados. Bom Conselho conta com Parque agradável e arborizado. Bom Conselho conta com hoteis familiares e agradáveis. Bom Conselho conta com Igrejas atuantes, limpas e bem cuidadas. Bom Conselho conta com Escolas bem estruturadas. ..... (fico pensando porque a oposição ganhou as eleições para prefeito, que povo louco). Tenho certeza nem precisaria terminar, assumiria minha cadeira. Desconfiem também se aparecer por lá alguém dizendo que é o nosso Diretor Presidente. Pode mandar prender que é falso.
Sucintamente, meu nome é Jameson Pinheiro. Sou natural de Bom Conselho de onde saí com, não sei ao certo, mas acho que tinha uns 20 anos. O lugar onde a gente nasce nunca esquecemos. E quando nos tocam na mente como o saite de Bom Conselho nos faz, a saudade se aguça, o peito aperta e vamos lá dar uns bordejos. Hoje, não conhecemos quase mais ninguém, salvo Zezinho Ponta Baixa sentado na porta de Jordalino, ninguém mesmo. Só nos resta falar do passado. E aqui começa meu rascunho.
Li o excelente escrito do nosso, agora imortal, Gildo Póvoas: O Entregador de Doces. Meu Deus, apareceram tantas pessoas que comeram das cocadas sujas do Gildo que fiquei com uma bruta inveja. Não me lembro de ter comido delas. Mas vejam senhores o nosso destino, uma pequena peripécia de criança contribui de maneira decisiva para imortalidade de uma homem. O Gildo merece a imortalidade pela peripécia e pelo que escreveu dela. É pena que não comi. Sou mais velho. Na época já deveria comer mariola. Que pena.
Todavia, tive uma coisa que também fiz. Já fui na barraca de seu Belon. Comprava balas com figurinhas. Todo dinheirinho que ganhava era para isto. Álbuns e mais álbuns imcompletos. Também joguei "bafo" para trocar figurinhas. Quem não souber o que é "bafo" não continue a lê. Não vale a pena. O problema de reminiscências é que é um produto datado. Tem prazo de validade por idade.
Mas o que me fez escrever não foi só isso. É a outra barraca. A barraco do Neco. Era um pouco maior do que a de seu Belon e o estoque era mais variado. Mas, não é isto. Gostaria de escrever sobre o Neco. Onde estará o Neco. Eu era um adolescente. E o via numa cadeira de rodas. Rosto bonito, de óculos, branco-vermelho, dando ordens aos que trabalhavam na barraca e falando com os clientes em potencial. Um comerciante de nossa terra. Inteligente e conversador. Senso de humor à flor da pele. Vejam um exemplo. Na passagem de ano de 1959 para 1960, começo de uma nova década, surgiam sempre boatos de que o mundo ia acabar, etc. etc. Neste ano surgiu um boato a mais. Na virada do ano todos os negros -não me forcem dizer afro-decedentes, é melhor respeitar todas as raças, se existirem, do que ser políticamente corretos - iam virar macacos. Foram raras as vezes que ouvi a voz de Neco. Ia passando em frente sua barraca, ainda menino, ele me chamou e disse: Menino! Sabe que hoje, meia noite, todos os negros vão virar macacos. Com o meu espanto de sabedor o mesmo completou: Mas, tome cuidado que todos os brancos vão virar bananas. E começou a rir. Naquela época, não entendi muito o motivo do riso. Será que ele estava pensando no Barack Obama? Onde estará o Neco? Sua família. Um filho dele que ainda vi bebê. Um grande empreendedor.
Eu trabalhava no comércio. Acordava cedo. Não o cedo da capital, mas o cedo da roça do interior. Três da matina. Era eu que abria a mercearia ou venda, como dizíamos. Encontrava com outro bom-conselhense (será que ele nasceu em Bom Conselho?) famoso, Zé Bebinho. Quando chegava nas vendas, já tinha ido levar as malas de alguns passageiros no ônibus das cinco horas, para Recife. Ganhava alguns trocados. No balcão dizia: Bota uma ai prá mim. A resposta quase sempre era: Não, Zé eu não vou contribuir pra te matar. Ele, com as mãos trêmulas e ar de apavorado dizia: Pelo amor de Deus. Só hoje. E isto se repetiu e repetiu por muito tempo. Dizem que um dia parou de beber. Era um alcoólatra e trabalhador.
Na hora do almoço encontrava com outro famoso. Zé Bias. Trabalhando na Sapataria Confiança de Dona Teté. Deste, também deficiente físico, temos histórias maravilhosas, algumas contadas por Alexandre Tenório no saite de Bom Conselho.
E aqui eu devo abrir um parêntese, espero que breve, para dizer algo que me estar entalado a muito tempo. Sempre lia os artigos do Alexandre. De repente, por motivos que não vem ao caso aqui, ele deixa o saite. Procurei estes artigos já escritos e lidos por mim. Simplesmente eles sumiram de lá. Eles foram publicados. Depois sumiram. Quem tem a culpa? Podem perguntar, culpa de que? Meu Deus, este lugar onde hoje fluem informações de Bom Conselho para lá e para cá é uma fonte para os historiadores do futuro. Não se pode simplesmente, pela vontade de um ou de outro, desaparecerem. Vejam o mal que nosso Rui Barbosa fez à historiografia deste país queimando papéis relativos à escravidão. Quando escritos se tornam públicos não pertencem mais ao editor e sim à comunidade (me ajudem os historiadores de Bom Conselho, Celina Ferro, Jordalino Neto, Manuel Galdino, entre outros). Eu adoraria reler as históris do Zé Bias contadas pelo Alexandre como gostaria de ler sobre a Cristiania do Zé Arnaldo. Onde posso conseguí-los? No Arquivo ou Biblioteca Municipal? Fecha parêntese.
Outra figura que conheci foi Seu Carlos. Era cego. Hoje, diríamos, deficiente visual. Passava por ele e as vezes ia com ele. Cedíssimo. Seu Carlos, como o senhor consegue vir sozinho de casa até aqui? Deus dá o jeito, respondia ele. E lá ia ele com uma bengalinha, paletó, chapéu e alegria. Conheci também alguns dos seus filhos (se disser que um deles já trabalhou aqui comigo, vão dizer que eu estou querendo puxar saco, mas é verdade), que o vinham buscar do trabalho para casa. Nesta época não se falava em melhorar a acessibilidade para o deficiente. Quando não eram empreendedores ou mesmo tinha um pouquinho de chance ia pedir esmolas.
Quantos passavam em minha casa na sexta-feira: Uma esmolinha pelo amor de Deus! Perdoe, meu bom homem, hoje não tem. Alguns aceitavam a resposta de bom grado, outros resmungavam. Nisto o Brasil melhorou e Bom Conselho também. Ainda temos a Casa da Caridade, mas hoje, tenho certeza, ela é financiada pelos internos. E viva a aposentadoria para deficientes e idosos. O Bolsa Família não tanto, mas isto, já é outra estória.
Quem leu até aqui está cansado, e perguntando, o que este cara quer dizer? Eu só queria falar dos doces de Gildo e terminei entrando em suas Reminiscências. Desculpem.
Jameson Pinheiro
Analista de Sistema

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

A Mulher e a Serpente


Em entrevista a uma revista da Perdigão (Nº 74 - Novembro/Dezembro 2008) a futura prefeita do município Judith Alapenha declara, depois de ver com entusiasmo a chegada da empresa ao município que:

“No entanto, Bom Conselho ainda não está inteiramente preparada para receber um projeto desse porte. Vai ser preciso trabalhar muito e criar um plano diretor para dar condições para isso.”

Como todos já sabem, quase todos da CIT são originárias deste grande município, que me acolheu muitas vezes durante meu trabalho, mesmo não sendo de lá. Não sou um bom-conselhense da gema, como se diz, e talvez por isto, vendo um pouco de longe, ou pelo menos numa distância segura para não perder o foco, fiquei sem entender direito a frase. Alguém já disse que política é a arte do possível. Os prefeitos são pessoas políticas, ou deveriam ser. Será que nossa Prefeita usou sómente sua arte na frase?
Com a primeira parte é difícil deixar de concordar. Pelo que vejo lá atualmente, a cidade não está preparada nem para receber um carro a mais, uma escola a mais, um hospital a mais. Até mesmo alguém de fora, turista ou não, não cabe no município, sem muito sofrimento. E a Prefeita está falando de um uma empresa de razoável porte, para qualquer cidade média no Brasil.
Na segunda parte da citação temos duas questões diferentes. Uma provocada pela afirmação de ser preciso trabalhar muito, que ninguém pode contestar. A outra que determina criar um plano diretor para dar condições para isso (Bom Conselho preparada, imagino).
Eu pertenço a uma época, embora não seja tão velho, a qual, no serviço público, não se dava um suspiro sem que houvesse uma plano para isto, e normalmente tinha uma sigla, por exemplo, nesta caso poderia ser PPIEE (Plano Para Inspirar e Expirar Eficientemente). Depois esqueciam até o significado e, quando alguém perguntava, o que é PPIEE, era logo tachado de ignorante. Será que algum jovem hoje sabe o que é DNOCS?
Hoje estamos na época dos planos diretores. Depois da Lei 10257/2001 que regulamenta os artigos 182 e 183 da Constituição, e determina obrigatoriedade de planos diretores para cidades com mais de 20000 habitantes, todos, no município querem planejar tudo. Primeiro contrata-se uma equipe de técnicos que trazem debaixo do braço um modelo padrão no qual mudam-se apenas os nomes e os números das planilhas. Alguns técnicos locais reunem-se com a população, em encontros onde, fora os técnicos, quando vão, aparecem duas ou três pessoas. Fazem-se um breve histórico, colhem-se alguns dados e mapas (quando há), elabora-se um documento bem encadernado e envia-se a Câmara de Vereadores.
Este documento contém, ou deveria conter, idéias sobre o que será o município nos próximos 10 anos quanto ao seu desenvolvimento. Onde deverão ser instaladas as escolas, hospitais, fábricas, comércio, atividades rurais e outras, além de quando isto poderia ser feito e como. Não cairia uma folha de mato se não fosse pela vontade do Estatuto da Cidade e seu plano diretor. Iria atuar sobre cada pessoa ou coisa dentro do município com orientações e regras sobre projetos e obras públicas e privadas. Normalmente vai ser aprovado e haja solenidades. São tantas que não se percebe o Plano Diretor ir para o arquivo e sómente ser olhado na hora de criar argumentos para impedir a construção de um empreendimento de algum adversário político.
Eu não sei em que pé estar o Plano Diretor para Bom Conselho. Não sei se já existe ou não. Pela declaração da Prefeita, acho que não. Mas noto sua legítima preocupação, levantando a idéia de um Plano. Isto pode mostrar que, se hoje a Perdigão é um sonho em via de realização, pode-se tornar um pesadelo. Devemos deixar de sonhar por medo de pesadelos? Penso que não. No entanto, deve ser uma preocupação permanente do homem público (a Lucinha Peixoto já avisou, e eu concordo, que não devemos mudar os hábitos de escrever quando estamos falando especificamente sobre um mulher e colocamos o genérico como homem, neste caso pega até mal) tratar dos pesadelos que podem surgir, no final dos sonhos.
Fazendo um rápido e caricatural histórico, até 1824 Bom Conselho era uma fazenda de criação, passando a distrito em 1837 e chegando a vila em 1848. Em 1898 tornou-se cidade. Em 2008 elegeu para prefeito a primeira mulher. E aí chegou a Perdigão. Bom Conselho não era um paraíso antes da Perdigão, não o é agora. A não ser no encontro de papacaceiros, no qual este ano estarei presente, onde a cidade se transforma no paraíso pela força dos odores etílicos. Todavia, não permitamos que a primeira mulher submerja à tentação da serpente pela segunda vez. Prefeita Judith, mesmo que não a esmague, controle a cabeça da serpente (salcicha?). Um plano diretor sério é uma ajuda, mas tenho certeza a senhora precisará de muito mais.

Cleómenes Oliveira
Diretor de Operações

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Falando para a Lua

Um grande poeta da nossa língua cantava (poetas não dizem, cantam música para os nossos olhos e ouvidos):


O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.


Bem que gostaríamos de ter um poeta na CIT, um, que tivésse um coração para entreter a razão. Ainda fingiríamos mas, não tão completamente. Chegamos a fingir que somos nós, e, não sendo poeta sabemos que a dor é nossa sem fingir. Felizmente, para aqueles que nos lêem, tentamos não passar a dor para ninguém.
Ana Luna escreveu um artigo em sua coluna do saite de Bom Conselho, e pergunta: Cadê a CIT????? Só a citação da nossa empresa por esta - pensamos, pensamos, pensamos e os bons adjetivos são tantos que resolvemos arredondar - linda mulher, nos enche de orgulho, mesmo se mal de nós falasse. Apenas nos procura.
Estamos aqui, noutro endereço, com os mesmos objetivos de antes. Vender, em nossa própria moeda, risos e emoções. Não somos uma pessoa só. Não sabemos fingir que somos, não podemos, como o poeta, fingir uma solidão que deveras não sentimos. Temos muitas cabeças pensantes, que não cabem numa só, e todas elas querem se expressar, gritar, discordar, ... em muitos temas. Não somos uma "singularidade" do Carlos Sena, mas, uma "pluralidade" de coisas. O chefe, administrador, diretor, animador, ou que seja, de uma "pluralidade" como a CIT, reescreveria assim o poema acima:


O Diretor é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a dizer que é
Aquilo que ele não sente

E os que ouvem o que ele fala,
Na fala se sentem bem,
Não a fala que ele ouve,
Mas aquela que faz bem

E, assim nas altas rodas
De nossa sociedade
É díficil de engolir
Esta tal "pluralidade".


Que fazer? Ficar sem as cabeças ou reduzí-las, ficticiamente, a uma? A decisão tomada foi, dentro dos padrões éticos que permeiam nosso coletivo, dar o direito de expressão para todos. Ocorreram algumas desavenças dentro do nosso querido saite devido a multiplicidade de opiniões. Previmos outras, quando aumentassem nossos participantes (temos muita gente querendo participar ainda, aguardem) e resolvemos escolher um lugarzinho nosso para fazer a mesma coisa. Não temos, nem nunca tivemos intenção de concorrer com ele, e sim gerar um espaço a mais para expressão de idéias e que é de todos. Sabemos que brevemente teremos a Gazeta "On-line". Não falamos com o nosso conterrâneo Luis Clério sobre isto, mas é a tendência natural dos órgãos de informação. E, como acontece com o site(sic), estamos aqui para colaborar com ele. Afinal de contas para os três, como deveria ser para todos: Bom Conselho é a causa.
Continuamos com a mesma idéia sobre a Ana, desde que ela nos autorizou o uso do seu filme para exibição no nosso Projeto na Praça. Seu único defeito é não ter nascido em Bom Conselho, porém, isto é um mero acidente geográfico que pode ser sanado facilmente por uma boa Câmara de Vereadores.

P.S. :
a) Em tudo que escrevemos fizemos a suposição de que o que está na coluna de Ana Luna, CTI, tenha sido um erro de digitação para CIT. Esta suposição é justificável, pois a procura de uma CTI seria para Alexandre e Zé Arnaldo. Pelo que sabemos estão vendendo saúde. Mas, mesmo se fosse assim, tudo que escrevemos é válido. O poeta está certo, fingir é fundamental.
b) A paráfrase do poema acima foi feito por Lucinha Peixoto a partir de nossa idéia. Entre a distribuição de um santinho e outro de Pedro de Lara em sua campanha para patrono da Academia, ela cometeu estas rimas.

Saudações Cordiais
Diretor Presidente

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Matriz de Bom Conselho - Fé e Arte

Saimos do saite de Bom Conselho mas continuamos seu frequentador. O seu mural, o útero da Academia Virtual Pedro de Lara, dita a tendência dos bom-conselhenses em termos de movimentos artísticos e culturais. Alguma meses atrás foi a nostalgia que tomou conta das pessoas, provocada pela passagem do sexagésimo aniversário do Ginásio São Geraldo e por fotos antigas da cidade e de ex-alunos, as quais a CIT, vendo o filão mercadológico, transformou em produto gerando alguns vídeos, pelos quais fizemos grandes lucros para enfrentar este mundo em crise.
O Mural e a Academia Virtual vivem um novo momento. A palavra correta para defini-lo foi escrita pelo Sr. Gildo Póvoas: Reminiscência. Termo tão bonito quanto nostalgia mas, sem muita dor. O grande iniciador do movimento foi o sonho do Sr. José Taveira. Passando pela união de Freud e Pedro de Lara feita pelo Carlos Sena, levando à emoção do Gildo Póvoas e Pedro Ramos, terminando, por enquanto, com o choro do "amarelinho magrelo", o conterrâneo Beto Guerra.
Alguns da CIT se emocionaram, outros riram e ainda choraram. No entanto, como enfrentar este momento novo? O que fazer? Reunimos todos.
Quando falamos em reunião, significa cada um sentado à frente de um computador, ouvindo, falando, perguntando, respondendo, gritando, provocando. Uma profusão de bites difícil de imaginar pouco tempo atrás. Um teclou: alguém pode me dizer aqui o que é "reminiscência"? Teclamos todos: Usa um dicionário, idiota. Numa reunião presencial poderia até haver alguns sopapos, mas o que houve foi uma abundância de palavrões nas telas e alto-falantes. Reminiscência é uma imagem do passado que fica na memória e de vez em quando sai com as devidas emoções. Então vamos provocar mais as reminiscências. Se isto acontecer teremos muito fácil uma história sentimental de Bom Conselho.
Será que existe algum lugar em Bom Conselho que provoque imagens em nossa memória mais do que qualquer outro? Nove entre dez dos presentes responderam: Tem sim, a Igreja Matriz.
Não sabemos muito sobre ela. Mas estamos instando aqui os bom-conselhenses mais sabidos, para que, vendo o filme abaixo, lembrem e escrevam suas reminiscência da nossa Igreja de Jesus, Maria e José.



Se quiser, veja no YouTube:
Matriz de Bom Conselho - Fé e Arte

Diretor Presidente
CIT Ltda

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Resposta a uma pessoa decente

Tenho recebido várias sugestões de nomes para serem candidatos a patrono da nossa tão sonhada (agora literalmente depois do sonho do senhor José Taveira) Academia, e, dentre as pessoas que me escreveram houve uma a que não pude deixar de responder. Como se dizia no nosso tempo, uma pessoa de caráter sem jaça. Ou, enfantizando aquilo que diz nosso poeta Carlos Sena, uma singularidade, singular. Era minha intenção publicar neste Blog o diálogo completo, entretanto, não recebi sua autorização para tal, então publico somente minha resposta. Não sei os motivos, mas, se o veículo de comunicação (nosso Blog) não for interessante, ela poderia autorizar ao Site de Bom Conselho sua publicação. (O Diretor Presidente da CIT proibe terminantemente a publicação de qualquer mensagem sem autorização das pessoas que a escrevem, o que acho a política correta, um e-mail é como nós usávamos antigamente: Uma carta). Na mensagem abaixo foram retirados todos termos e sentenças que identificassem meu interlocutor. Ilações podem surgir, mas, elas são livres.

"Caro Interlocutor,

Em primeiro lugar devo manifestar a satisfação que me envolve por receber uma mensagem sua. Esperei tanto e toquei tanto no seu nome (com todo o respeito que você merece) naquilo que escrevi anteriormente que você deve pensar que eu estaria doida para receber um mensagem sua. Se você pensou isto, está absolutamente certo. As vezes converso com os meus familiares e conto algumas das estórias que vivi em Bom Conselho e, quase sempre, fatos que o envolvem estão presentes. Perdoe-me este intróito tão longo, mas sou prolixa mesmo.
Concordo inteiramente com você que devemos levar a sério as indicações para patrono da Academia de Bom Conselho. Como você diz, a história nos julgará. Foi por isso que, escritos atrás, atrevi-me a lançar para este posto o nome do nosso conterrâneo Pedro de Lara, que é o nosso canditado ainda.
Neste ínterim surgiram indicações de outros candidatos além daqueles que eu conhecia na época, que eram o Marechal Dantas Barreto e o Coronel José Abílio. Como Pedro, eles tem seus méritos e seus deméritos. Mas ainda prefiro Pedro. Depois que o conterrâneo Carlos Sena lançou a idéia de uma consulta, a qual estamos tentando colocar em prática, surgiram muitos outros e outros surgirão. Entre eles já estavam o professor Waldemar Gomes de Santana mas não o do Dr. Joaquim Cirilo de Araújo Pereira (confesso que não sabia o nome dele completo, obrigada pela informação).
Devo dizer que o nome destes dois grandes homens de Bom Conselho, além do de Florisbello que você menciona, de quem não tive a honra de ser amiga, mas apenas admiradora, mostram que nossa eleição, plebiscito, enquete, pesquisa ou que nome tenha, se pecar, será por excesso de candidatos e não por falta.
De forma alguma aproveitarei esta resposta para fazer campanha para Pedro de Lara (Meu Deus, nunca pensei que a esta altura da vida, me tornaria uma política em campanha, mas quem sabe estarei treinando para cabalar voto dos imortais para galgar a uma cadeira na nossa academia) todavia, li os motivos que você deu para suas indicações. Sei quanto tem de verdade nisto, pois como já declarei muitas vezes, sou ex-aluna do Ginásio São Geraldo, e ouvia as reclamações feitas pelo prof. Waldemar. Não alcancei o auge desta luta (sou um pouquinho, só um pouquinho mais nova do que você) mas sei muito bem da história. Na minha época, nossa luta já era para fazer o curso científico ou clássico. Devo ao São Geraldo e a D. Lourdes Cardoso (a quem proporei como patronesse de uma cadeira em nossa Academia) o primário e o ginasial. Talvez este mínimo lapso de tempo tenha nos feito indicar diferentes candidatos. Menina pobre fui. Dificuldades para estudar fora, tive mais do que os meninos, você sabe bem porque. E não pertencia à chamada sociedade de Bom Conselho. Elite da época. Nunca cheguei a ter vergonha de ser pobre, mas mesmo no ginásio, a farda única vestida a semana inteira quase sempre não era um motivo de satisfação. A "sociedade" muitas vezes sabe ser cruel. Paixões juvenis esbarravam na falta de um curso de pintura ou de corte e costura. Fico pensando se hoje estaria aqui escrevendo se tivesse feito um curso destes. Mas, foi muito duro.



Muito tempo depois ouvi falar em Pedro de Lara. Gaita de padaria. Homem do povo. Emigrante. Lutador. Artista. Vencedor. Pensei. Num empreendimento de caráter tão elitista, só um homem do povo, para torná-lo mais humano. Machado de Assis era um negro pobre do Rio de Janeiro. Melhor escritor do que Pedro de Lara? É claro que sim. Como seria na época de hoje, o nosso Machado de Assis? Melhor jurado de calouros do que Pedro? Não sei. O que sei, é que não podemos perder a oportunidade de tornar nossa Academia uma organização cultural que, pela primeira vez pensa em povo na sua criação. Indicando alguém que escreva sem tristeza nem remorso:
"O filho quando não presta é espermatozóide estragado."
"Corrigir o incorrigível é buscar o impossível."
"É melhor doer na carne do que arder na consciência."
"A mulher quando é direita nem canhota perde a linha."
"O cinema ensina matar, a tevê ensina depravar, a droga ensina viciar e a JUSTIÇA ensina deixar pra lá." "Casar só pra casar é prato feito pra outro usar."
"No mercado da vida o homem é sempre um produto de oferta."
"Quanto mais dízimos, mais igrejas. Quanto mais igrejas, menos fé."
"O forte enfrenta a morte, o fraco vive correndo dela."
"Tapar a velhice com plástica é esquecer que a natureza é drástica."
Estes entre outras frases são do Livro da Sabedoria de Pedro de Lara. Faria Machado de Assis enrubecer, como deveria ficar enrubecido por ser negro e nunca ter dito palavra contra a escravidão. Na certa era um "preto de alma branca" como se dizia em Bom Conselho sobre negros que foram grandes homens de bem em nossa cidade. Meu caro Interlocutor, já fiz campanha demais por hoje. Mas devo dizer. Suas indicações são de pessoas que todo Bom Conselho deveria referenciar e lembrar. E serão sérios concorrentes em nosso plebiscito.
Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade.
Lucinha Peixoto

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

O Gaspunzão Ladra e a Caravana Passa

Em meu artigo anterior, concordei com a idéia do Sr. Carlos Sena de fazer uma eleição que nos desse uma indicação para o patrono da Academia de Bom Conselho. Enviei uma mensagem a ele sobre isto. Recebi uma resposta. Uma resposta nos dando apoio para ir em frente com o projeto de eleição, dentro do modelo apresentado. Tentando ser justa, como sempre, tudo foi elaborado pelo Jefferson da Silva, um dos nossos técnicos em informática. Passo a palavra a ele publicando sua resposta ao meu memorando pedindo ajuda:


"Dona Lucinha, eh sempre um prazer coloborar c/ seus projeto. pra este caso q a senhora diz, o melhor eh fazer pelo orkut. Naum intendo bem o q eh plebiscit, mais penso ser um eleção. A senhora deve pidir permição ao diretor, e criar uma comunidade no orkut e fazer uma enquete. Tudo muito simples mais eh bom testar antes. Depois falo pessoalment com a senhora. Tchau."

Pensei em colocar o nome deste artigo de PlebisCIT em homenagem ao Jefferson, mas fatos novos aconteram. Todavia, falar do Jefferson é essencial. Ele é de Bom Conselho, mais precisamente de Caldeirões dos Guedes. Começou no nosso escritório de lá agora está no de Recife. De estudo formal, foi até o terceiro primário. De estudo para vida é Doutor. Grande técnico grande pessoa. Com ambições que só os grandes homens (pelo amor de Deus mulheres, não precisamos modificar frases consagradas para provar que somos iguais a eles) tem.
Desculpem, mas esta eu tenho que contar. Alguém pediu a ele uma orientação sobre um assunto de informática. Ele escreveu como sempre escreve, muita coisa errada dentro dos padrões ou chavões linguísticos tradicionais. A pessoa ficou surpresa quando ele resolveu o problema, mas não com o seu nível de educação formal. Logo o aconselhou a fazer 1° e 2º graus, Supletivo, Faculdade, etc. O Jefferson disse para ela mais ou menos isso: Quando vim do interior vinha pensando nisto. Fui no sindicato porque gosto daqueles movimentos e de lutar pela minha classe. Falei aos companheiros de meus planos para estudar. Então o Tonho perguntou: mas tu não tavas dizendo que tinhas sonhos políticos, e querias ser até Presidente da República? Então para com este troço de estudo e te concentra no essencial. Agora eu já sou primeiro secretário do meu sindicato.
Voltemos ao que nos interessa aqui. Resolvemos criar um modelo de votação, eu e o Jefferson sempre, quase não entendo nada disso. Primeiro vamos testá-lo com uma pergunta menos polêmica - Qual o nome da Academia de Bom Conselho? - e depois passaremos para a que causou mais celeumas até agora - Quem deve ser o patrono da Academia?
Criamos, no Orkut, uma comunidade chamada Academia de Bom Conselho. Quem for cadastrado no Orkut pode acessá-la digitando no lugar onde se pesquisa: Academia de Bom Conselho. Abre-se a página da comunidade e nela está a enquete como três alternativas:

- Academia Bom-conselhense de Letras

- ABCL- Academia de Letras, Artes, Ciências e Tecnologia

- Academia de Bom Conselho - ABC.

    Perguntei ao Jefferson porque não pode ser colocado o nome completo da segunda alternativa. Ele explicou que o modelo adotado só permite um certo números de caracteres. Pedi para ele colocar uma observação sobre isto e ele o fez. O prazo que escolhemos para o término da enquete é o mesmo que demos para que sugestões sobre nomes de patronos sejam apresentados e ai, se der certo, faremos uma nova eleição.
    O Jefferson me garante que cada conta do Orkut só pode votar uma vez. Não pode haver influência do dono nos resultados, a não ser apagar toda a enquete. Todos podem acompanhar dia a dia o resultado. Penso que o modelo é sólido do ponto de vista da segurança. No entanto, observem e fiscalizem. Se alguém da CIT correr com a urna. Prenda-o.
    Este é apenas um teste para outras perguntas, mas, não é uma brincadeira. Observem que por trás de cada nome está um objetivo declarado do que será a Academia de Bom Conselho, que, talvez influenciará na escolha do patrono. Tenho certo que os bom-conselhenses que estão em Bom Conselho, e bom-conselhenses que estão fora de lá nos indicarão um caminho.
    Mudando só um pouquinho de assunto, artigos atrás tive a ousadia, que digo ser de ex-aluna do Ginásio São Geraldo, de escolher, um conjunto de imortais, seguindo um critério específico e indicando o critério da idade para assumir a presidência desta academia. Até me precipitei, correndo o risco de ofendê-lo dizendo que o José Tenório seria o presidente, cargo que ele, com sua gentileza que só os poetas possuem, recusou. Alguém chegou a escrever que idade não era um bom critério. Eu repito, é o único no momento para fazer as coisas andarem. Quando os imortais se reunirem podem escolher outro, levando em conta outros critérios. Lá vai eu correr o risco outra vez de usar o critério sem conhecer os dados completos dos imortais. Penso que o próximo da lista de idade é o José Taveira Belo (não estou levando em conta alguns que entraram como colunistas depois de 15/10/2008). Caso assim seja, pela recusa de José Tenório, ele é o presidente. Com o seu empenho, que tenho visto, para que as coisas caminhem, o senhor tem todas as condições para fazer acontecer. Desculpem mais uma vez a ousadia.Peço a todos que, se houver algum problema, contate-me (Lucinha - Assunto tal) ou contate o Jefferson (Jefferson - Assunto tal), que estaremos dispostos a esclarecer dúvidas sobre o PlebisCIT, se pudermos, é claro.

    Saudações Cordiais
    Lucinha Peixoto

    terça-feira, 4 de novembro de 2008

    Por que não eleição?

    Recebi alguns e-mails sobre o artigo no Cit Blog (http://citltda.blogspot.com/2008/11/por-que-no-pedro-de-lara.html) no qual defendi o Pedro de Lara como patrono da Academia de Bom Conselho (ABC). Alguns acertaram meu endereço colocando no assunto Lucinha e depois o assunto. Estes, somente eu li. Outros mandaram para CIT em geral e quase todas da empresa leram. Como sempre, alguns merecem resposta e outros não. Meu critério de escolha é quase sempre o de relevância para assunto tratado. Alguns podem ser classificados como escritos por Analfabetos Funcionais neste mundo de internet. Eles quando vêem escrito "naum", em vez de entenderem "não", fazem um discurso para se escrever correto. Mas sempre tem um lugar para eles neste mundo, menos para eu responder seus e-mails.

    Alguns outros, como a mensagem do Carlos Sena, me comoveram deste o início. Primeiro um jovem, pela foto, pois não o conheço pessoalmente e não me lembro dele enquanto vivi em Bom Conselho. Mas, Carlos (como gosto deste nome, posso chamá-lo assim?), ainda não sou um velha coroca, e entendi muito bem a inversão do título do nosso escrito anterior. Por que Pedro de Lara? Tentei explicar as razões e fiquei tão feliz que você tenha gostado que por uns momentos esqueci até o Andarilho. Fugimos do site mas ele continua nos assediando. Ainda se fosse assédio sexual, eu o repeliria veementemente, mas, como qualquer mulher ficaria um pouco vaidosa. Todavia, o deixemos de lado por enquanto.

    Confesso, fazendo já um pouco de campanha política, que lancei o nome de Pedro de Lara porque, além de ser para mim o melhor nome, achava-o também melhor do que os outros lançados anteriormente: Coronel José Abílio e o Marechal Dantas Barreto. Agora você lança o nome de Waldemar Gomes de Santana. E deu a idéia genial de uma eleição. (O Andarilho - aqui está ele de novo, oh karma - deu uma idéia de votar para escolher os primeiros imortais, fiquei um pouco em dúvida pela dificuldade de escolher os votantes). Mas numa eleição para patrono todos os Bom-conselhenses podem votar. E porque não todo o Brasil? Se alguém, porque não o saite de Bom Conselho, promover uma eleição pela internet (orkut, e-mails,etc.) isto pode ser feito. E aí, a idéia de Democracia, e a idéia por trás dela de "deselitizar" um pouco mais nossa sociedade, que você defende, e eu também, seja sobejamente contemplada (o que será meu carro chefe de campanha da candidatura Pedro de Lara).

    Você diz que o saite está bombando e eu espero que nossos blogs também, para promovermos e operacionalizarmos (este cargo na CIT me deixa usando termos como estes, desculpem) esta votação. Inicialmente temos quatro candidatos, em ordem alfabética: Dantas Barreto, José Abílio (quando José Arnaldo lançou a idéia da Academia, lançou-o como patrono, já que faz um tempo, não sei se ele ainda mantém a indicação, decidi que é melhor deixar por enquanto), Pedro de Lara e Waldemar Gomes. Espero que outras pessoas se manifestem e lancem seus candidatos. Até o fim de novembro eles serão aceitos. Enquanto proponho a Carlos Sena que pensemos como fazer a eleição.

    Por hoje é só, aguardo respostas. (Meu e-mail é cit.limitada@gmail.com , e não esqueçam, no assunto coloquem Lucinha antes dele).


    Cordiais Saudações
    Lucinha Peixoto
    Coordenadora Administrativa

    segunda-feira, 3 de novembro de 2008

    Por que não PEDRO DE LARA?


    Sempre é bom ver alguém com amor filial assim. Teresa Tavares, penso ser filha de Paulo Tavares (ou neta? vi você nas fotos do saite de Bom Conselho e não deve ter mais de 30 anos. Acertei? Desculpe se errei para cima) e vem concordar com o seu pai. É menos específica do que ele. Ainda não sabe qual a homenagem digna para Pedro de Lara. Desde que não seja a Academia, que é lugar de homens de letras, então tudo bem. E isto acontece em qualquer lugar do mundo. Vamos por partes. Qual a homenagem digna para Pedro de Lara? Se não temos sugestões, ainda, passemos adiante.

    Academia é um lugar de homens de letras. Será? Você sabia que a Academia original foi uma escola fundada em 387 a.C., próxima a Atenas, pelo filósofo Platão. Nessa escola, dedicada às musas, onde se professava um ensino informal através de lições e diálogos entre os mestres e os discípulos, o filósofo pretendia reunir contribuições de diversos campos do saber como a filosofia, a matemática, a música, a astronomia e a legislação. Platão, que homem inteligente, que sentimento nobre. Já naquela época sentia que outros conhecimentos além das letras puras eram essenciais ao ser humano.

    A Academia Francesa - que serviu de modelo à Academia Brasileira - foi fundada, em 1635, por iniciativa do Cardeal Richelieu que obteve a autorização para seu funcionamento do rei Luís XIII, com a principal finalidade de tornar a língua francesa "pura, eloqüente, e capaz de tratar das artes e ciências. Tudo isto está escrito no saite: http://www.casadobruxo.com.br/ com pouquíssimas modificações. Vejam que as artes outras e ciências eram para ser contempladas.

    Veio então a Academia Brasileira de Letras macaqueando a Francesa, no seu estatuto diz:

    Art. 1º - A Academia Brasileira de Letras, com sede no Rio de Janeiro, tem por fim a cultura da língua e da literatura nacional, e funcionará de acordo com as normas estabelecidas em seu Regimento Interno.

    Por que isto? Porque quando de sua fundação, no final do século XIX, as outras artes além da literatura, e a ciência eram incipientes. Hoje mudamos. Existe Teatro, existe Televisão, também existe Ciência e até e Enganação (Esta última palavra foi usada só porque estou treinando para ser poeta rimista, quem sabe se só teremos letras na nossa Academia).

    Então, porque privilegiar só as letras, como o faz o senhor José Taveira Belo no seu projeto? Eis um trecho do Estatuto proposto por ele em caráter embrionário:

    OBJETIVO – Parágrafo § 1.1 – ACADEMIA BOMCONSELHENSE DE LETRAS – ABCL, tem como objetivo congregar toda classe literária de Município de Bom Conselho a fim de divulgar estudos literários, como romance, poesias, artigos, conscientizando e motivando o desenvolvimento o potencial literário.

    Peço mil desculpas ao senhor José Taveira, porque pesquisei o seu empenho na criação desta Academia e leio sua coluna com interesse e emoção porque sou de Bom Conselho e moro, atualmente, em Recife, mas, isto só me lembra os Grêmios Literários que curtíamos muito nas aulas de D. Diva Albuquerque no Ginásio São Geraldo (por favor não fiquem fazendo contas sobre minha idade, eu fui a mais nova da turma, precoce mesmo).

    Com a ousadia que é peculiar aos ex-alunos daquele educandário sugiro que o parágrafo fosse assim reescrito:

    OBJETIVO – Parágrafo § 1.1 – ACADEMIA DE BOM CONSELHO - ABC, , tem como objetivo congregar toda classe intelectual do Município de Bom Conselho a fim de divulgar e incentivar a produção de estudos e obras que foram ou sejam de importância para o desenvolvimento humano, feitos por pessoas de nossa cidade.

    O restante do Estatuto seria adaptado a este parágrafo. Quanto a isto só mais uma coisa. A idéia da Academia ser completamente desvinculada do poder público parece-me ser "um tiro no pé, ainda sem sapato". Talvez tenha sido influência do nosso conterrâneo José Arnaldo Amaral, quando era anarquista. Penso que não é mais. Sendo ou não, lia muito ele no saite. Volte ou venha para o nosso Blog, Bom Conselho é uma boa causa.


    Todo este gasto de bites para dizer o seguinte: Uma academia como esta pode e deve ter como patrono uma pessoa que foi um grande intelectual, sério, trabalhador, amante da terra, artista em várias frentes (tem até livros escritos, embora não fosse sua atividade principal), ator (esta sim sua atividade principal), homem de televisão, e, principalmente, o maior divulgador de Bom Conselho.

    Quem reuniria todas estas condições? PEDRO DE LARA. Os mais velhos lembram muito bem, Teresa não, porque é jovem. Quando nos perguntavam de onde éramos e respondíamos: De Bom Conselho. O ignorante perguntador sempre dizia: Ah! Bom Conselho de Papacaça, a terra de Pedro de Lara? Não há excesso em dizer que ele lançou o nome de Bom Conselho no mapa do Brasil como nenhum outro.


    Chegaram alguns e-mails na CIT, depois que o lançamos para patrono, dizendo que ele trabalhou em filmes pornográficos, etc, etc. A estes eu pergunto: Vocês já leram "A Casa dos Budas Ditosos", do nosso mais recente imortal da Academia Brasileira de Letras, João Ubaldo Ribeiro? Eu recomendo que todos leiam, é um livro excelente, e João já deveria esta a mais tempo na Academia. Tenho certeza que aqueles que leram não me disseram mais nada. Se o Pedro de Lara o leu, ficou corado junto aos seus lírios brancos de pureza.

    No saite eu era censurada por prolixismo, me descupem, mas tem um assunto a mais. Você fala do seu tio Di. Como admiro este amor familiar! Li os escritos de Di no saite, são bem escritos e ele deve ser um canditado forte à ABC por isto. No entanto, como ex-aluna da Escola Pratt de datilografia, se fosse votar, o Di seria imortal pela exímia habilidade na tecnologia da máquina de escrever. Lembro, passávamos, eu e algumas colegas (naquela época moça não andava com rapaz pela rua, ficava falada) e no cartório ficávamos observando suas habilidades com a Remington (ou era outra marca?). Se ele hoje domina o teclado de um computador como o fazia com as velhas máquinas, é imortalidade certa.


    Saudações Cordiais

    Lucinha Peixoto.