sábado, 22 de novembro de 2008

O Homem sem Nome



Aqui, na sede da CIT em Recife temos quase a Hora do Mural. Talvez por isso Ana Luna nos disse que sentíamos saudades do saite de Bom Conselho. Sendo isto ou não, como tudo gira em torno de Bom Conselho, pelo menos em nosso Blog, podemos dizer que ele nos inspira. Numa dessas horas vi uma nota do José Fernandes Costa, que muito nos honrou, e, espero nos honrará com sua colaboração em nosso Blog, onde ele dizia: "Foi-me encaminhado pelo diretor-presidente (o homem não tem nome) da CIT, um pedido seu.", dirigindo-se a um interlocutor, que admiramos, e agora não vem ao caso citá-lo.
Vejam bem nossa sorte. Por um longo período, desde que assumimos a diretoria da CIT, explicamos e reexplicamos porque não assinamos nosso nome nas comunicações da empresa. Logo agora, quem nos dar a deixa, para mais um esclarecimento, é o poeta e estudioso de nossa língua o conterrâneo Jose Fernandes Costa. Para começar citamos um colega dele, o Fernando Pessoa, poeta português:

"A obra pseudónima é do autor em sua pessoa, salvo no nome que assina; a heterónima é do autor fora da sua pessoa; é duma individualidade completa fabricada por ele, como seriam os dizeres de qualquer personagem de qualquer drama seu".


Mantivemos o texto em português de Portugal. Os que gostam de literatura, prosa e poesia, já leram autores maravilhosos e se emocionaram com pseudônimos e heterônimos. Quem já leu Policarpo Quaresma Neto, Julinho de Adelaide, Alvaro de Campos, Lara, Piolho Viajante, Susana Flag, Cora Coralina, talvez nunca tenha pensado que estaria lendo Carlos Drummond de Andrade, Chico Buarque, Fernando Pessoa, Machado de Assis, D. Pedro II, Nelson Rodrigues e Ana Lins dos Guimarães Peixoto, respectivamente. E vejam isto:

"Temos, inclusive, histórias curiosas a respeito de pseudônimos, como é o caso do lançamento de O Quinze, onde muitos acreditaram que Rachel de Queiroz era o pseudônimo de algum escritor. Inclusive Graciliano Ramos teimou, diante da linguagem do romance, e quase não aceitou a idéia de que o drama sobre a tão devastadora seca de 1915, no Ceará, tivesse sido escrito por uma mulher." (Eugenio Brauner - PPG-LET-UFRGS – Porto Alegre – Vol. 01 N. 01 – jul/dez 2005).

Algum tempo atrás, depois de convidado, sómente aceitamos a direção da empresa se mantivéssemos nossa identidade reservada. Em nosso saite, não fomos o primeiro. Temos um nome, como todos os acima citados tem, escrevemos e assinamos com outro nome por muitos e variados motivos como eles. Chico Buarque para fugir da censura. D. Pedro II para defender a abolição da escravatura. Fernando Pessoa, usando o heterônimo Alvaro de Campos, para escrever uma obra que não era do mesmo estilo da que escrevera, e que, pela sua genialidade estava dentro dele. Nossos objetivos eram mais modestos. Levar a empresa a cumprir os objetivos, que eram, produzir risos e emoções nas pessoas, de Bom Conselho, e de outros lugares, sem aparecer, sem querer imortalidade, sem ofender (pelo menos para aqueles que entendem que discordância não é ofensa pessoal), mas discordando de opiniões que só prejudicam nossa cidade, debaixo de um manto de puxa-saquismo e falso moralismo.
A forma de fazer isto vem mudando. Tivemos que construir o nosso próprio espaço de divulgação, pois o que tínhamos estava se tornando pequeno para o número de pessoas que estavam querendo se manifestar. Todos aqui tem liberdade de expressão no mesmo veículo e não queríamos entrar em querelas internas em consequências de discriminações externas.
O Blog da CIT é aberto para todos que não firam a ética e bons costumes de nossa sociedade (ás vezes ferimos o bom português e pedimos perdão ao José Fernandes por isto, mas ninguém é perfeito), e não nos consta que pseudônimos ou heterônimos em si estejam fora destes padrões. Temos que observar mais o conteúdo do que está escrito ou feito, e não quem fez ou escreveu. Temos certeza que o interlocutor citado acima, pelo que conhecemos dele, pelo que fez e pelo que escreve, jamais usaria um pedido de filiação para bisbilhotar a vida dos outros, mas nem todos assim procedem.
Sempre reconhecemos que o Saulo, diretor do nossa saite tinha o direito, e as vezes o dever de censurar quem quer que fosse. Mas, tínhamos também o direito, e o usamos de procurar um veículo alternativo. Alguns, muito poucos, pensam que agimos errados, e muitos menos ainda, torcem contra, mas cada um pensa como quiser..
Continuaremos nosso trabalho. Aqueles que quiserem saber quem somos perguntem a cada um individualmente. Eles são livres para dizer quem são. Mas não serão demitidos se não o quiserem dizer. Nosso pseudônimo ou heterônimo é Diretor Presidente. Talvez a CIT seja única no mundo que tem um Diretor Presidente que se chama Diretor Presidente.
Sabemos que o José Fernandes Costa, agora sabendo nosso nome, continuará escrevendo suas maravilhosas poesias, as quais, sem fazer nenhum favor a ele porque tem qualidade, publicaremos em nosso Blog, quando ele quiser. Oxalá todos tivessem a mesma idéia inteligente dele ao descobrir que a boa arte mostrada em dois lugares diferentes, produz mais de duas vezes mais emoções. Estamos aberto para todos
Como o Enéias dizemos: Nosso nome é Diretor Presidente! Mas pode nos chamar de Tristão de Ataíde. Não iremos nos zangar.

Saudações Cordiais
Diretor Presidente. ( diretorpresidente@citltda.com )

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