quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

É de fazer chorar???

Pouco tempo atrás a CIT era criada. De Companhia Inimiga do Trabalho, passando por Coçando Intensamente os Testículos, Correta Informática e Tecnologia até, simplesmente, CIT como é chamada hoje, ela se mantém. No pequeno povoado de Caldeirões dos Guedes uma reunião de poucas pessoas a criou. Seu objetivo fundamental, provocar emoções nas pessoas através de imagem e som, foi perseguido até hoje, com pequenas variações. Desde um processo de distribuição anacrônico e pouco eficiente de seus produtos por um período, há quase um ano, com a entrada no YouTube, esta empresa deu um salto em quantidade e qualidade na sua produção. No endereço http://br.youtube.com/citltda , quando lançamos nosso primeiro vídeo, C. na Chuva (http://br.youtube.com/watch?v=nvWYvM3KlAY), lembramos bem, comemoramos efusivamente os seus primeiros 50 acessos. (Concurso Público: Quem descobrir o significado do C., no título deste filme, ganhará um curso de português grátis com o nosso professor José Andando de Costas, no Recife).
Hoje, depois de mais de 30000 (trinta mil) acessos aos vídeos deste endereço, mais de 7000 (sete mil) acessos á subsidiária voltada para Bom Conselho(http://br.youtube.com/citlimitada), com escritórios fixos em Recife e no exterior, podemos dizer que tivemos sucesso na empreitada. Ainda, dentro deste tempo, melhoramos nossa infra-estrutura, comprando equipamentos e construindo sedes maravilhosas e condizentes com o nosso bom êxito, muitos deles apresentados aos nossos clientes em filmes, fotos e mensagens. Nos tempos mais recentes criamos seu Blog, por exigências das circunstâncias que exigem, no processo de comunicação, além da imagem e do som, a velha e boa palavra. Não é nosso objetivo fazer aqui uma história da CIT, deixemos isto aos historiadores. Nosso assunto é outro, e muito ao contrário desse, um tanto desagradável.
Para fazer isto, como todo empresário numa economia capitalista, recorremos ao crédito. Fizemos o nosso PAC (Programa de Acelereção da CIT), mas sem recursos públicos. Isto não quer dizer que não temos clientes no setor público. Temos e muitos. Nosso vídeo campeão de acessos até o momento (http://br.youtube.com/watch?v=u_z1Cb1k0Qg) , onde mostramos nosso nosso balão sobrevoando a Região Nordeste, (quase 4000 exibições) é visto em vários Estados e, junto com outros mostrando as demais regiões são quase obrigatórios nas escolas públicas. No entanto, neste afã de crescer, procuramos mais os bancos privados nacionais e, mais ainda, bancos estrangeiros. E como todos fizeram, apelamos para as transações exdrúxulas do mercado financeiro, que são ao mesmo tempo o benfeitor e o algoz do sistema capitalista. Éramos subprime, os bancos sabiam. Mas a continuação da farra americana parecia não ter fim. Corremos riscos e perdemos. Mas, com esta crise, quem não perdeu?
Uma pequena e incompleta informação. A moeda usada pela CIT chama-se Risos e Emoções ($RE), já conhecida, por quem transaciona com a empresa por RECIT. Obviamente, a empresa, para se relacionar com o mundo exterior, tem que usar outras moedas como Real, Dólar, Euros, etc. Temos uma taxa de câmbio que é normalmente referida ao Dólar Americano. Hoje ela é de 2,50 Recit por Dólar. E quase sempre de 1 Recit para 1 Real. Tomamos empréstimos em Reais e em Dólares. Aqueles que estão em Reais, puderam ser honrados até agora. Mas aqueles em Dólar, não. Pois os empréstimos foram adquiridos quando a taxa de câmbio era 1,50 Recit por Dólar.
Alguns perguntarão porque não apelamos para o Mercado de Opções e outros, para diminuir o risco. Respondemos, com outra pergunta: Quem apelou na medida certa? Estamos esperando agora que o governo nos ajude. Este negócio de capitalismo liberal é história para boi dormir. Por enquanto continuamos trabalhando, mas tivemos que tomar decisões que afetaram nossa empresa no exterior (ver artigo do John Black - http://www.citltda.com/2008/11/caminhos-de-f.html) e em Caldeirões. O que está acontecendo neste povoado é o motivo principal deste escrito.
A chegada da CIT a Caldeirões só não pode ser comparada melhor com a chegada da Perdigão a Bom Conselho porque a CIT chegou e a Perdigão ainda não. Mas tem e terão muitos pontos em comum. Por isso o primeiro caso merece uma análise.
O nosso povoado era uma comunidade quase rural. Seus habitantes gozavam de todas as delícias e agruras deste tipo de vida. Paz, silêncio, tranquilidade, trabalho duro, maior taxa de analfabetismo, rios ainda quase limpos, ar puro, etc. Com a chegada da CIT, ela começou a ser uma comunidade quase urbana, e a curtir também todas as agruras e delícias deste modo de vida. Barulho, poluição, computadores, internet, mais empregos, mais escolas, mais orgulho, mais crimes, menor comunicação pessoal e mais via equipamentos de comunicação. Pelo que sentimos, ao trabalhar na nossa sede, tudo gerava uma aparente sensação de orgulho e medo. Orgulho por ter tudo aquilo e medo de suas consequências.
Um dia vimos um carro, dos muitos que chegaram ao lugarejo, buzinar para que um habitante, que andava no meio da rua, desse passagem àquela máquina de ferro. Foi grande o susto do homem, mas não o suficiente para evitar que ele puxasse sua peixeira de 12 polegadas e partisse para a janela do veículo. O motorista fechou o vidro, já os pneus, estavam sem nenhuma proteção. No posto policial o homem explica, diante da reclamação do delegado pelo ocorrido. Se fosse um jegue que urrasse eu não faria a mesma coisa por pena do animal. Com esta gerigonça, furei o que achei de mole. Entretanto, vimos este mesmo homem, dias depois, vendo o filme da Ana Luna - Bom Conselho: Ontem e Hoje - lá de um cantinho, evitando os carros, acompanhando a música com o pé e sorrindo.
Hoje, depois da crise, o que vemos? Uma volta, forçada aos tempos rurais. O prédio da empresa foi retirado (era de pré-moldados), o projeto de Cinema na Praça também. O entusiasmo pelo novo deu lugar ao saudosismo por ele. E a pergunta é: É de fazer chorar??? Será que quando chega a quarta-feira de crise, devemos chorar? Sabemos que a comunidade de Caldeirões nunca mais será a mesma. Não sabemos se será mais feliz ou menos feliz. O filme a seguir foi feito logo após decidirmos enxugar os quadros da CIT em Caldeirões. O nosso prédio voltou para os bancos. Esperamos que não tenham a quem vender. Alugamos uma pequena casa para o nosso escritório, que aparece no filme, e possui só um funcionário e um computador. O povoado não ficou feio por causa da crise. Tire um minutinho do seu tempo quando vier a Bom Conselho (quem sabe nos Encontros de Papacaceiros) e visite-nos. Não podemos sair de lá. Nossa sede ainda é lá. Continuamos da filial em Recife trabalhando dentro dos nossos objetivos. Seus risos e emoções são a nossa realização e lucro. Quem sabe um dia a crise acaba.





Diretor Presidente - (diretorpresidente@citltda.com)

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