sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Lendas Urbanas: O Marcador Nato*


Lá pelo início da década de 50, o futebol era talvez o único esporte praticado em Bom Conselho. Nesta época surgiram grandes jogadores em nossa cidade. Tivemos, Jorge Torres, Naduca, Ananias, Natalício, Adnizio e Audizio Padilha, Manoel Luna e outros. Queremos falar aqui de Natalício, esposo de dona Lourdes Cardoso. Pai de Zé Dário, Pedro, Maria, Fátima, João Batista, Francisco. Sapateiro dos bons. Lembro-me dele morando na Rua Joaquim Nabuco, na casa ao lado da de Vigário. Jogador de futebol de primeira. Considerado um dos melhores do Estado na época.
Conta-se que no ano da graça de 1951 (ou por aí) esteve em Bom Conselho um time de Maceió, cuja principal estrela era, nada mais nada menos do que Dida. Não confundam com aquele goleiro do Milan, atualmente, ao qual não ensinaram a sair do gol. Dizem, quando alguém quis ensiná-lo, gritou, sai Dida, sai Dida, e ele terminou nas cabines de rádio.
Este, de quem falamos, chamava-se Edivaldo Alves de Santa Rosa (1934-2002), conhecido como Dida, ex-jogador do Flamengo e da Seleção Brasileira. Foi o maior artilheiro do Flamengo até chegar o Zico, marcando 244 gols entre 1953 e 1966. Zico o tinha como um dos seus maiores ídolos. Na seleção brasileira, até a Copa de 58, ele era titular absoluto. Uma contusão deixou o caminho livre para sua substituição pelo jovem Edson Arantes do Nascimento, nosso querido, Pelé.
Pois bem, no jogo mencionado entre o time de nossa cidade e o de Maceió, presenciado por um bom público, para época, no nosso ex-estádio de futebol, que ficava em frente
da Boate Tio Patinhas (embora na época do jogo ainda não existisse) e onde hoje é o Centro Social Urbano, um fato aconteceu. Dida não pôde jogar. Não por contusão ou por outros fatores fora do campo, e sim pela marcação exercida por Natalício ou Nato sobre ele. Foi completamente anulado pelo Nato. Ao ponto de quase pedir para sair no segundo tempo, não o fazendo porque não tinha muito o que alegar. Não faltou a verdade ao declarar depois, que não havia, até aquele jogo, encontrado um marcador tão bom quanto ele. O jogo terminou 0 x 0.
Dizem ainda, nos tempos do Flamengo e da Seleção, quando encontrava um bom marcador dizia: Este foi quase igual a Nato. Será que Bom Conselho ainda tem um marcador como este?
Quando já concluida a exposição desta estória, ao folhear números atrasados de A Gazeta, encontrei a foto ao lado. É o time da ABA em 1967. Entre o risco de ser processado pelo Luiz Clério por não ter pedido permissão para publicá-la e o risco de privar aqueles que nos leem de apreciar um dos melhores times de Bom Conselho que vi jogar, escolhi correr o primeiro risco. Defendam-me aqueles que jogaram com muitos deles. Pela ordem em pé e agachados: Petrúcio, Adonis, Gena, Zezinho Macaxeira, Zezinho Durinho, Everaldo, Géo, Neco, Zé Dileu, Tonho de Raul, Edmundo(ou seria Eduardo mesmo?), Esdras(ou seria Deda ou Dede?) e Elizênio. Timaço.

*A partir de uma informação inicial do nosso conterrâneo Alberto Guerra.
Jameson Pinheiro (jamesonpinheiro@citltda.com)

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