sábado, 31 de janeiro de 2009

PESSOAS

" Para Ana Luna,
pelo encontro e pelo
encanto desta festa ! " 18/01/2009

Assim, Carlos Sena entra em cena para um encontro inesquecível de amizade, sorrisos, risos, alma! Assim ele lançou seu livro que roubo o nome nesse artigo ,não me importando se existe um CPF em nossas vidas e sim vidas em nossos CPFs..........assim também, outros entraram em minha vida da forma mais bonita que existe, com sinceridade.....sem esquecer , e como? Dos que já moram aqui dentro do peito. Foram chegando , na praça, devagar e os abraços apertados, as efusões de carinhos gritando bem alto!
A festa foi boa sim. Também , como não ser? No rosto de cada um estampava a beleza do momento. Em cada olhar , aperto de mão , abraço ou simplesmente um cumprimento gentil, o sucesso do encontro. Comovente , porque envolve muita emoção. Ver Pedro e Póvoas tocando seus instrumentos como a tocar a festa....é gratificante! Assim como rever parentes e amigos......chegar a Bom Conselho é sempre reconfortante, já disse em outras ocasiões....rever a terra adorada por meus pais , é torná-la minha também. É minha. Sem dúvida ! Subir a serra e olhar lá de ciiima com olhos que já fizeram anos alí.....quantas emoções vividas , que paisagem tão familiar, que saudade de tudo! Do abrigo do lar.
Li as notas , e-mails , falas , sobre o encontro. Todos têm razão. A festa melhorou muito desde a primeira que fui. São quatro anos! Mas.....há muito a melhorar ainda , indiscutível! Li algumas notas agressivas e creio que não precisamos agir assim. Sem ataques nem intenções de Madre Paulina ou Calcutá.....foi boa sim MAS precisa melhorar. É fato. E isso se faz com calma. A cidade precisa também dar condições para essa melhoria: bom clube, banheiros químicos na praça ....chega de correr pra casa da tia.........boas lanchonetes....aos poucos, a organização acrescentando algo aqui , algo acolá e a Festa dos Papacaceiros Ausentes , não é assim o título? Ficará tão presente que será presente no calendário oficial. Seja ou não, o que importa são as PESSOAS.
Pessoas tem sentimento , emoção. Vamos cuidar sempre para sermos melhores. Como diz Carlos Sena,

" A palavra dita
Não basta apenas,
Além é o gesto,
o jeito,
o olhar ! "

Meu gesto.... agradecimento
Meu jeito...... franco
Meu olhar......diz tudo.
A festa foi um encanto !
Saio de cena.
boa semana
bjusssssssssssssss

Ana Luna

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(*)As fotos foram retiradas do saite de Bom Conselho, que fez uma cobertura fotográfica excelente do 9º Encontro. Aos autores (Alfredo Camboim, Niedja Camboim, Saulo Bezerra, Priscilla Bezerra, Ana Luna, Gloria Fernandes, Camila Póvoas, José Povoas e Rafaela Ramos) a CIT agradece e está pronta para pagar pelos seus direitos autorais em sua moeda: $RE (Risos e Emoções). Contacte-nos: diretorpresidente@citltda.com



Diretor Presidente

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

10º Encontro - Complemento

Os comentários dos conterrâneos Edjasme Tavares, Carlos Sena e Ana Luna (de coração), numa forma de diálogo comigo, onde eu falo mais do que eles (desculpem, todos já conhecem minha prolixia) são publicados como contribuição valiosa ao meu artigo.

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Ana Luna

Lindo....lindo......é tão maravilhoso o que acontece na festa , que as mazelas não são esquecidas mas amenizadas......bjussssssss
Ana Luna ...chegando de Pe e....lendo tudo .....observando....analizando....ah! amei o texto da Lucinha, bem escrito, atenta e delicada.

Ana,

Recebi seu e-mail encaminhado pelo Zé Andando e mais uma vez lhe agradeço a gentileza dos seus comentários. O encontro foi uma festa supimpa. Infelizmente não pude ir. Só as notícias chegam, e as más chegam mais rápido. Mas enfim somos humanos. Peço-lho perdão se, ao aproveitar uma má redação de uma boa intenção não resisti em comentar sobre o seu noivo, numa forma carinhosa de humorismo. Peço perdão a seu noivo também, embora sabendo que um "pão" daqueles (com todo o respeito, o vi nas fotos) jamais deixaria de perdoar a esta pobre escriba. No próximo encontro o exploraremos (no bom sentido) sim.Tudo isto é para pedir autorização (são normas da empresa) para publicar o seu comentário e mais qualquer coisa que você tenha a dizer. Basta dizer, permito. Se não permitir, não precisa responder, pois fique certa que já nos proporcionou as devidas emoções. Obrigada e Abraços.

Lucinha Peixoto.

Querida sim, Lucinha!

Jamais pensei em você fazendo algo que me aborrecesse....ao contrário , adoro a forma como se expressa. Comentei no site sobre a "exploração" do meu Portuga, como carinhosamente o chamo, para explicar o porque da nota. Sempre que quiser publicar o que escrevo, fique a vontade, não precisa pedir , eu sim, agradeço todas as vezes que gentilmente vocês me citam. E.....olha, quem "explora" o noivo sou eu.....de carinho , atenção, afagos....hahahaha
beijos sinceros

Ana Luna

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Diácono Edjasme Tavares

Lucinha
Até que sua mensagem valeu, pois, botou o nosso juizo para funcionar, despertando várias ideias, dando "regulagem" em uns e aplaudindo outros. Lamentei demais não termos terminado o circuito rural. Tinha muito interesse em passar em Calodeirões, pois, na minha juventude fui dezenas e dezenas de vezes por lá. Agora, ao tomar conhecimento que o seu PRESIDENTE estava com a "barraca armada" para receber os amigos, fiquei triste porque além de não ter ido com meu irmão Paulo Tavares visitar a sua tenda em Caldeirões, não completei meu prazer e nem do meu estimado irmão. Tem o velho costume, tradicional de nossa terra que diz "o coração pediu, o coração opinou, o coração bem que me disse". Pois, aconteceu comigo, quando meu coração apitou: - vá de carro, chame seu irmão e seus amigos; você não tem carro? - mas, aconteceu a acomodação.
Querida (com todo respeito) Nicinha, nada a reclamar, já estamos mais próximos de 2010 para um novo encontro. Vamos juntos!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Com a graça de Deus

Diác. Edjasme

Caro Edjasme,

Sempre é um prazer e uma honra receber um comentário seu às nossas mal traçadas linhas. Entendi o porque de sua não passagem por Caldeirões, mas não faltará oportunidade. O único problema foi, segundo o Diretor Presidente, controlar o pessoal com a quantidade de álcool sobrante. Ele teve que levar o povo da localidade a cometer o pecado, venial eu penso, de tomar umas pequenas doses. Às crianças, só refrigerantes. Fizeram o seu encontro particular, e ficou conhecido como o Encontro de Caldeireiros. Espero que no próximo ano possa realizar o 2º, agora com a sua presença e a minha.Tudo isto é para lhe pedir permissão para publicar seus comentários como complemento do meu artigo. Como sempre, basta dizer permito, ou pode escrever o que quiser a mais. Se não permitir, fique certo que agradecemos do mesmo jeito. As emoções já foram sentidas, agora só queremos que os outros as sintam.
Que Deus nos proteja, abraços

Lucinha Peixoto

Está permitido

Com a graça de Deus

Diác. Edjasme

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Carlos Sena

Pois é, Lucinha. Estive lá e gostei. Só que gosto é meio como "C" cada um tem o seu. Agora bom gosto é outra história que a gente pode filosofar. Considero-me de bom gosto e, como gosto do bom senso, asseguro que gostei, pois é muito bom "fazer cortesia com o chapéu dos outros". Quirino, bom ou ruim, fez a festa acontecer. Quem, por acaso tenha algo a acrescentar, pois o faça. Claro que houve senões, mas tudo na vida é processo, pois enquanto a festa não integrar o calendário turístico da cidade, via prefeitura, será sempre assim. Pessoa ´física tem limites e fazer eventos requer norrau (falo assim mesmo) e este é próprio dos profissionais de eventos o que não é o caso do meu amigo Quirino, posto que seu labor é engenharia.
Juntemos todos e façamos melhor, se for assim.

csena

Caro Carlos,

O nosso colega Zé Andando adorou "norrau". A proposta dele de implantar o Brasileiro, em vez do Português, no país passa por aí. Estou aqui para agradecer os seus comentários. Cometerei a grosseria de discordar um pouquinho de você quando diz que o labor de Quirino é engenharia. Eu penso que ele já é turismólogo pela experiência adquirida no Encontro, embora isto seja só uma hipótese, não o conheço pessoalmente. E, repito, os políticos estão despertando para festa, não se apoquente, ela breve estará no Calendário. O nosso Diretor Presidente, ao ficar em Caldeirões esperando o "tour rural", e deparar-se com a quantitade de bebida que sobrou, resolveu, junto com o povo, criar o 1º Encontro de Caldeireiros. Sendo a CIT uma pessoa jurídica espero o 2º no próximo ano. Espero que você esteja lá e eu também.
Carlos, mesmo dentro das discordâncias, não desisti ainda de formar a nossa dupla sertaneja. Como sempre ocorre, esta xaropada toda é para lhe pedir permissão para publicar seus comentários (norma da empresa). Basta dizer permito, ou escrever o que você quiser a mais. Se não permitir fique certo que adorei os comentários. Abraços

Lucinha Peixoto.

pOIS É, LUCINHA. NÃO GOSTO MUITO DESSE EXAGERO DE INGLÊS QUE INVADE NOSSA LINGUA. ADORO NORRAU E OUTROS QUE SEMPRE FALO. AUTORIZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZO PUBLICAR O MEU E-MAIL SOBRE A FESTA DOS PAPACACEIROS.
A DE CALDEIRÕES DOS GUEDES VAI FERVER, POIS CALDERÃO BOM NÃO NEGA FOGO.

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Depois de pronto este tópico recebemos um e-mail do nosso grande músico José Póvoas que publicamos com os nossos sinceros agradecimentos. Devido a pressa em publicar este tópico não pedimos autorização para publicá-la. Caro Póvoas se houver qualquer problema, desculpe-nos, avise-nos e a retiraremos do ar. Muito obrigada.

José Póvoas

LUCINHA PEIXOTO, ME PERMITA TRATA-LA COMO AMIGA: GOSTEI MUITO DO CONTEÚDO DESSA MENS, PRIMEIRO: MOSTRASSE UM Q.I. ALTO, RELATANDO TODO EVENTO, SEM FERIR A OU B. PARABENS A VOCÊ, E A TODOS DA CIT..MUITA GARRA;;;;

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Lucinha Peixoto
Coordenadora Administrativa

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

O 10º Encontro



Dias atrás, os colegas que participaram do 9º Encontro de Papaceiros, me deram um endereço de uma página do Orkut onde havia uma carta de duas jovens, filhas do José Quirino Filho. Li o que estava lá escrito com atenção e no final fiquei possessa. Aquela missiva de extrema importância para Bom Conselho jazia lá num endereço difícil sem a devida divulgação. Sou muito apegada aos filhos que defendem os pais. Certa feita discordei de uma jovem, Tereza Tavares, que defendeu as ideias do seu pai, agora só posso concordar com as filhas do Quirino, se o que elas dizem for verdade. Com este “se”, falando com o nosso Diretor Presidente, este ofereceu nosso Blog para, se elas quisessem, publicar qualquer coisa que esclaresse o episódio.
Hoje, ao entrar no saite de Bom Conselho, estava lá o que as meninas (desculpem pelo tratamento carinhoso, é coisa de mãe) pediam na carta: Uma relação dos participantes e um resumo de ata, e, além, disto fotos e mais fotos. Foi um momento de prazer no meu contínuo espanto com os fatos. Revi Ivan, Walfrido (que cabelo lindo, rapaz!), Ismênia, e, meu Deus, Maria de Dona Lourdes Cardoso. Não sei se eles lembram de mim, mas me lembro de todos eles, dos mais velhos é claro, e não cito outros porque sei que as conjecturas sobre idade, são fatais. Voltando ao assunto, o que eu gostaria de saber é muito simples, e já sei a resposta se as meninas contaram tudo direitinho na carta: O Quirino foi convidado para esta reunião? Pelo menos na lista de presença e fotos não consta seu comparecimento. Não o conheço pessoalmente mas pelas outras fotos onde aparece, daria para identificar. Talvez tenha mandado um representante. Não sei.
Estes encontros de papacaceiros já pertencem ao calendário turístico e sentimental da cidade e está se tornando uma festa, cada dia, mais popular. Não se incomodem aqueles que a propõem incluir em algum calendário oficial. Os políticos sabem quando isto deve acontecer. Eles tem um olfato bastante apurado.
Dizem que Deus escreve certo por linhas tortas. O Andarilho, que na maioria das vezes escreve torto por linhas certas, desta vez escreveu certo por linhas certas sugerindo uma reunião deste tipo. Mas, ainda admitindo que as filhas de Quirino estejam corretas, ninguém, de bom senso, proporia deixar o Quirino de fora. Eu não sou uma fiel frequentadora de todos os encontros, fui a alguns, mas como boa bom-conselhense, os acompanhei por notícias, amigos e saites. Penso que desde seus primeiros anos, ouvi falar do Quirino. Poderia até ser chamado o encontro do Quirino. Como não ouvi-lo nas horas em que deve ser ouvido? Se a reunião foi uma tentativa de ajudá-lo nos próximos encontros, como diz o saite, porque suas filhas escreveriam uma carta, falando em processo, calúnia, difamação e golpes? Será que o Quirino não queria ser ouvido? O fato é que, sem ele, esta reunião, independentemente do que foi discutido e sugerido, foi um caso de paralasia infantil. Os seus pais não tiveram os cuidados de vaciná-la no seu nascedouro. Porque isto é a volta de um vírus que ataca Bom Conselho desde que eu era menina. O Cinema deu certo, pau no cinema. O Ginásio deu certo, pau no ginásio. A praça deu certo, pau na praça. O encontro deu certo, pau no encontro.
De todos os relatos que li sobre o encontro (o do Andarilho não vale, porque, para ele, mesmo não tendo participado, foi ótimo), todos fizeram ressalvas a alguns aspectos de organização, mas sempre acentuaram momentos de alegria e contentamento da população. O senhor Etiene Miranda, novo imortal do saite, chega até a ser mais explícito quando escreve: “Mas, apesar de tudo de negativo que narrei aqui, o POVO de Bom Conselho não desanima nunca. É um povo alegre que gosta de festas, a alegria contagia a todos chega a lembrar os velhos tempos da "Turma do Funil" e, acima de tudo, é hospitaleiro, haja visto, que os reclamantes da desorganização, na sua maioria, foram os Papacaceiros visitantes.” Aí eu pergunto, este não será o segredo da persistência, durante anos, deste encontro? Há alguma coisa mais chata do que uma festa muito organizada? Vocês viram o Barack Obama dançando com sua bela mulher Michelle (é duro admitir mas é verdade)? O presidente desorganizou a festa ao falar no ouvido da mulher. Foi lindo. Turma do Funil com organização? Caro Ivan, já pensou se o criticassem por querer levar um menino dentro do Funil? Eu vi.
Quanto aos visitantes, que eu considero aqueles que não moram lá, como o nosso Diretor Presidente, que chegou reclamando horrores porque o “tour rural” não passou em Caldeirões e ele, Oliveira e Jameson ficaram a ver navios com sua mesa de bebidas na frente da CIT, adorou outras partes da festa. O Oliveira ainda perguntou se os encontros eram uma festa exclusivamente católica. Se há uma missa na programação, porque não um culto evangélico ou mais ecumênico? Os ateus divertem-se de qualquer jeito, segundo ele, mas sem exageros, ele é um bom ateu, toma cachaça como qualquer católico. Mas, criticou a organização do evento por isto também. O caso que li de mais insólito de denúncias das falhas organizaticias foi o caso do senhor Gildo Povoas. Foi realmente lastimável que tenha havido um desencontro do público procurando as consultas que ele daria (e se o Gildo é um pediatra, pelo número de crianças precisando de consultas, isto é mais grave) e não houve comunicação adequada de qual o local, nem o local apropriado (o denunciante o senhor Pedro Ramos não nos dar detalhes), para estas consultas. Isto foi sério, mesmo assim ele declara ter curtido muito a seresta e outros momentos da festa. O mais importante do seu depoimento foi ele declarar que é vegetariano e abstêmio, mesmo assim fruiu a festa até altas horas. Para um encontro que tempos atrás foi chamado de Encontro dos Pacachaceiros, isto foi um elogio e tanto.
Em suma, o que quero dizer é que entre mortos e feridos, todos se divertiram no 9º Encontro. Todos devemos ao Quirino. O elefante está enorme mas andou, cantou, serestou (o pessoal da CIT voltou encantado com José Povoas. Oliveira disse: Este está com o fôlego em dia e sabe das notas). O problema é que o Encontro está tão grande que cada um (como a estória dos cegos que definem um elefante) viu só uma parte. Espero que alguns não tenham ido para sua traseira de propósito para fazer críticas infundadas e gratuitas.
Diante de tudo isto, longe de superação ainda, estamos lançando uma nova enquete no Blog, onde os participantes do encontro podem avalia-lo. O saite de Bom Conselho poderia também fazer o mesmo. Vamos ver o resultado. Intuitivamente, como qualquer mulher que se preza, digo: O 10º Encontro vai ser melhor do que o 9°, ajudem o Quirino a fazer isto.
Em tempo, como não conheço o noivo de Ana Luna fiquei sem saber o sentido preciso da sugestão da Reunião no resumo de ata publicado: “Faltou explorar o noivo de Ana Luna”. Dependendo... Ana, cuidado!!!

Lucinha Peixoto
Coordenadora Administrativa

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Belezas de Madrid*



Madri, a capital da Espanha, assim como Paris, é uma festa. Festa para os olhos, pelas suas belezas e para a mente pela sua história. Por muito tempo cresceu pelos negócios da corte, daí seus lindos monumentos típicos da época de reis por direito divino. Depois de sofrer muito com a Guerra Civil Espanhola, por ser reduto dos republicanos, a cidade consolidou a sua posição no que diz respeito à economia, indústria, cultura, educação e tecnologia na Península Ibérica.
O nosso filme mostra os monumentos e locais mais charmosos da cidade, em termos turísticos, seguindo nossa filosofia de proporcionar a nossos clientes, risos e emoções.
O Palácio Real e seus jardins, a Catedral de Almudena, A Plaza Maior, não esgotam a beleza de Madrid, mas nos dão uma oportunidade de ver ou rever coisas que o homem consegue criar dentro de um período de paz e prosperidade.
Hoje continuamos em crise financeira e econômica em todo o continente europeu. A Espanha e Madrid não são ilhas de prosperidade, nem a crise chegou aqui como uma “marolinha” (little wave). Num quadro destes, coisas bonitas tornam-se feias e os brilhos se esvaem.
Estes filmes foram feitos por nossa equipe ainda no ano passado, antes da crise. Esqueçamo-la por enquanto e curtamos esta cidade maravilhosa ao som da Suite Andalucia do compositor cubano Ernesto Lecuana, tão difundida por terras de Espanha.




John Black
Chefe de Equipe - Canterbury - Inglaterra

(*) Tradução: Lucinha Peixoto.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Eu Tenho um Sonho

Quando os constituintes de nossa mais recente república escreveram as magníficas palavras da Constituição Cidadã de 1988, estavam assinando uma nota promissória de que também todos os bom-conselhenses seriam herdeiros. Esta nota foi a promessa de que todos os seres humanos teriam garantidos os inalienáveis direitos à vida, liberdade e busca de felicidade.
Mas existe algo que preciso dizer à minha gente, que se encontra no cálido limiar que leva ao templo da nossa Academia de Letras. No processo de consecução de nosso legítimo lugar, precisamos não ser culpados de atos errados. Não procuremos satisfazer a nossa sede de felicidade bebendo na taça da amargura e do ódio. Precisamos conduzir nossa luta, para sempre, no alto plano da dignidade e da disciplina. Precisamos não permitir que nosso desejo gere violência. Muitas vezes, precisamos elevar-nos às majestosas alturas do encontro da força física com a força da alma; e a maravilhosa e nova combatividade que engolfou a comunidade a favor de sua criação não deve levar-nos à desconfiança de todas as pessoas que dela discordam. Isto porque muitos de nossos irmãos discordantes, como ficou evidenciado em sua presença no site de Bom Conselho e nos Encontro de Papacaceiros, vieram a compreender que seu destino está ligado a nosso destino. E vieram a compreender que suas metas estão inextricavelmente unidas à nossa. Não podemos caminhar sozinhos. E quando caminhamos, precisamos assumir o compromisso de que sempre iremos adiante. Não podemos voltar.

Digo-lhes hoje, meus amigos, embora nos defrontemos com as dificuldades de hoje e de amanhã, que eu ainda tenho um sonho. E um sonho profundamente enraizado no sonho bom-conselhense.
Eu tenho um sonho de que um dia, este município se erguerá e viverá o verdadeiro significado de seus princípios: "Achamos que estas verdades são evidentes por elas mesmas, que todos os bom-conselhenses são criados iguais e com direito a almejar um lugar na Academia".
Eu tenho um sonho de que, um dia, nas verdes colinas de nossa terra , os filhos de fazendeiros e os filhos de seus empregados poderão sentar-se juntos à mesa da Academia.
Eu tenho um sonho de que, um dia, até mesmo empresas como a CIT, e seu blog, até agora um antro de maus escritores, será transformada num paraíso de bons artistas, que possam escrever com pretensões acadêmicas.
Eu tenho um sonho de que meus quatro filhos, um dia, poderão viver num município onde não serão julgados pelos cargos que ocupam e sim pelo conteúdo de seu caráter, com chances de serem acadêmicos.

Quando deixarmos soar as trombetas da educação, quando a deixarmos soar em cada povoação e em cada lugarejo, em cada sítio e em cada casa, poderemos acelerar o advento daquele dia em que todos os filhos de Bom Conselho, homens ricos e homens pobres, religiosos e não religiosos, aqueles que veem o programa da Ana Luna e os que não veem, os que leem o Blog da CIT e os que não leem, os que votaram em Judith e os que não votaram, poderão dar-se as mãos e gritar com as palavras do Andarilho: "Academia quae sera tamem".
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Esta é uma paráfrase do grande discurso de Martin Luther King, Jr., de 28/08/63, em Washington, na luta pela igualdade racial nos Estados Unidos. A tradução que usamos para fazê-la está no endereço:

http://www.english-zone.com/holidays/mlk-dreamp.html

Fiz isto porque o debate sobre a Academia parece que parou. Onde estás Andarilho, que não falas mais nisso?

(Este artigo foi enviado para publicação no mural de site de Bom Conselho desde a indicação de Barack Obama como candidato do Partido Democrata nos EEUU. Por alguns motivos, não foi possível a sua publicação. Ao relê-lo agora, dia de sua posse, com algumas pequenas modificações, vi que ele era ainda atual. Resolvi pedir ao José Andando que fizesse a revisão e o publicasse. Ainda estou de férias mas, louca para voltar. Soube de babados fortíssimos do encontro de papacaceiros. )

Saudações Papacaceiras
Lucinha Peixoto
Coordenadora Administrativa

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

O NONO ENCONTRO



Eis aí o 9º encontro papacaça
É riso, é graça
São abraços amigos
Sem perigos.
Agora, os avisos:
Somente sorrisos
Alegrias, enfim
Tim-tim por tim-tim
Nada de cara amarrada
Qual é, moçada?
Pra que viemos?
Aqui veremos.
Em Bom Conselho
Nosso espelho
Nosso chão
Nossa educação,
Começou aqui
E saiu por aí
Por outras terras
Por mares e por serras.
O que fizemos?
Aqui estamos.
Viemos
Pra rever e nos rever.
Conhecer mais recantos
Homens, mulheres e santos
Tudo é possível
O ser humano deve ser flexível
É a nossa missão
De coração a coração.
Nossos pais, irmãos
Quantas bênçãos
Parentes e mais parentes
Todas as gentes.
Viemos, chegamos
E aqui nos encontramos
Mais uma vez
Neste mês de janeiro
Poderia ser o ano inteiro.
Rever nossas terras
Ladeiras e serras
Padroeiro, padroeira
Coisa séria e também brincadeira
São Sebastião
A todos, a nossa gratidão.
E voltaremos noutros anos
Em festa, sem enganos
Tudo pela saudade
Que nos invade
Os corações, com amor
À vida, demos louvor.
Porque estamos bem vivos
Pra que mais motivos?
Temos o ar e as estradas
Os irmãos, camaradas
Temos o céu bem ali
E o sol por aqui.
Ao longe, temos o mar
É só querer e mirar
O firmamento
A cada momento.
A vida, pra ser vivida
Seja volta ou seja ida
Tanto faz
Estejamos em paz
É noite, é dia
É poesia.
Venha se divertir
Cantar, rir
Brinque, dance
Converse, alcance
Seja companheiro
Verdadeiro
Boa praça
Seja papacaça.

16.1.2009 - José Fernandes Costa

sábado, 10 de janeiro de 2009

Sonhei - Complemento 2

Eis um diálogo que é um verdadeiro complemento para o tópico: Sonhei, apresentado abaixo. O João Nelson me dá oportunidade, através dele, de divulgar o Lima Barreto, muitas vezes só lembrado nos vestibulares para marcar a questão c) Representante do pré-modernismo brasileiro. Agora todos tem a indicação das fontes do TRISTE FIM DO POLICARPO QUARESMA. Leiam-no e se sintam em alguma cidade do agreste na metado do século XX. Ele parece descrever as relações sociais de minha cidade. Obrigado João Nelson, só você phode.
José Andando de Costas

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Meu caro José, de Costa Andando rodopio e vou de banda como carangueijo. E fuçando na lama. Li, debruçei os queixos nas maõs, acordei, sorvi com o Barreto lima com pitú. Saimos pras bandas do Caboje cantarolando a POLÍTICA DE CURUZU.

Quaresma, meu bem, Quaresma!
Quaresma do coração!
Deixa as batatas em paz.
Deixa em paz o feijão.

Jeito não tens para isso
Quaresma; meu coçumbi!
Volta a mania antiga
De redigir em tupi.

Caríssimo de Costa andando, brilhante o texto. Um abraço grande. João Nelson

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Caro João Nelson,

Já havia lido alguns escritos seus nos saites e blogues da vida. Por isso sinto um prazer enorme em receber estes seus comentários, mesmo com os trocadilhos com meu nome, o que já aguento desde criança dizendo que estando de costas olho para trás, mas quando ando vou em frente, vejo dos dois lados, mas não convenço.
O importante de sua mensagem foi ter me levado a tentar reler o Policarpo do Lima Barreto. Com os anos, muda prá lá, muda prá cá, não encontrei o livro. No entanto, nestes tempos de internete tudo é mais fácil para nós privilegiados alfabitizados. Encontrei a obra no seguinte endereço:

http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bn000013.pdf

Não sei se é um boa edição, mas dar para sentir o Lima (e melhor com pitú). Confesso que não me lembrava das quadrinhas que você citou e as revi. Me senti na pele do próprio Quaresma, quando nos próximos dias olhar o principal jornal do nosso Curuzu, digo Bom Conselho, O Municipio, digo, A Gazeta e encontrar o seguinte:

De Costas, meu bem, De Costas!
De Costas do coração!
Deixa as batatas em paz.
Deixa em paz o feijão.

Jeito não tens para isso
De Costas, seu encrenqueiro!
Esquece esta mania
De escrever em Brasileiro.

Assinado por algum Olho Vivo de nossa terrinha católica do IBGE (gostei desta). Não sei qual será o meu fim, se será triste como o do Policarpo. Penso que não, ele andava de frente e eu ando de costas. Não sou também de Curuzu, digo Bom Conselho, e me esforço para não me meter em política, igual a Policarpo.
Tudo isto para lhe pedir permissão para publicar em nosso blogue esta nossa conversa e o que você puder e quiser acrescentar a ela.
Abraços ou choro à moda Tupinambá

José Andando de Costas.

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José de Viés Andando,

Phodendo, publique até o impublicável pros de CURUZU (BC). Dado o descambalho, necessitam e merecem a partir dos VELHO TOMÉ DE SOUZA e PÉ DE MESA, Jorge Amado; FABIANO, Velho Graça; ao JUIZ DE IGARASSU, Gregório de Matos. O Quaresma encontrado no endereço: http://www.dominiopublico.gov.br, a edição é ótima. Na Livraria Cultura, Cais da Alfândega, Reciflis Antigo, tem TRISTE FIM DE POLICARPO QUARESMA. Texto integral, edição Martin Claret. Sobre a entrada escrita pelo filólogo e historiador francês Ernest Renan:

"Le grand inconvénient de la vie réelle et ce qui la rend insupportable à l'homme supérieur, c'est que, si l'on y transporte les principes de l'idéal, les qualités deviennent des défauts, si bien que for souvent l'homme accompli y réussit moins bien que celui a pour mobiles l'egoisme ou la routine vulgaire";

ou seja

"O grande inconveniente da vida real e o que a torna insuportável ao homem superior é que, se para ela transportamos os princípios do ideal, as qualidades se tornam defeitos, de tal modo que frequentemente o homem íntegro aí se sai menos bem que aquele que tem por causa o egoísmo e a rotina vulgar".

Uma referência brilhante a vida do Lima Barreto, a nossa aqui dos quebras(angulos), à sociedade do Rio de Janeiro do Lima Barreto e para nossa imaculada de CURUZU. Manuscrite cabo a rabo. Um abraço grande. JN

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Sonhei - Complemento



O bom filho à casa torna, já dizia o brocardo popular. O senhor José Fernandes Costa, homem das leis e das letras, nos envia um tópico para publicação. Todos estão de férias, aqui na CIT. Sendo eu a mais recente aquisição desta empresa, fiquei responsável pelos recebimentos de imeios, ou mensagens eletrônicas se preferirem, em nossa caixa comum, e se possível, providenciar o que foi pedido. No tópico abaixo ele, José Fernandes, nos permite, caso queiramos, publicar o seu tópico. De minha parte, caro colega das artes linguístiscas, você será sempre bem-vindo ao nosso blogue. Não o conhecia nem aos seus escritos, por isso ganhei um tempo muito bom ao ler o que você publicou no saite de Bom Conselho e uma parte, pequeníssima, de sua biografia, o que foi o bastante para ver sua intimidade com as palavras e frases no uso do português, digo, língua portuguesa.
Confesso, sem intenção nenhuma de fazer crítica literária, que gostei mais de sua linha poética do que a prosística. Para ser sucinto, diria que você é um proeta. Um simples neologismo que mostra uma pessoa com as mesmas habilidades na prosa e na poesia e que odeia qualquer “libertinagem escrotora e poetera.” (Adorei os neologismos na prosa Passos do Português, que comecei a ler pensando ser uma receita de como se dançava uma música do Roberto Leal, mas não era. Era um libelo bem organizado contra os maus escritores da língua portuguesa. Bravo).
Além disso, nesta leitura descobri suas amizades e inimizades na empresa, o que não me dizem respeito. Numa delas sou acusado de ser um apelido pela similaridade dos sons e grafias dos nossos nomes. Confesso-lhe que acho o seu de sonoridade mais agradável. Mas o meu não é apelido.
Depois deste intróito, um pouco longo por necessidade, passemos ao ponto chave. Minha função aqui é de revisor dos textos publicados no Blog da CIT – o diretor presidente ainda não está convencido de minhas propostas quanto à grafia de palavras estrangeiras muito usadas – e , seria o que deveria fazer com o texto do José Fernandes Costa. Claro que para entender melhor o que proporei deve-se ler meu artigo: Vamos Aprender Brasileiro no linke: http://www.citltda.com/2008/12/vamos-aprender-brasileiro.html e, claro, o de José Fernandes no linke: http://www.citltda.com/2009/01/sonhei.html . Isto ajudaria muito na compreensão deste texto.
Antes de entrar no artigo propriamente dito vale um comentário sobre uso que ele faz da palavra blogue. Perfeito. Maravilhoso. Só falta constar do Volb (Vocabulário Ortográfico da Língua Brasileira). Duvido que alguém não entenda sua frase nos dias de hoje, com exceção dos analfabites (veja bem, “i” tem som de “i” e não de “ai”. Em inglês “bite” pronuncia-se “baites”, em brasileiro “bites”), que infelizmente ainda são muitos em nosso país. Imaginem, ainda temos um alto grau de analfabetismo, e qual o grau de analfabitismo (Analfabite é aquele que não tem acesso às modernas tecnologias da informação digital, por não poder, não querer ou mesmo por pensar que dar câncer).
Quanto ao título, Sonhei, eu sugeriria, pelo teor do sonho, um novo título: O Pesadelo de Policarpo Quaresma. O Policarpo é um personagem criado por Lima Barreto (se alguém daqueles que nos lêem, lerem pelo menos um pouco de Lima Barreto, já valeu a pena o que escrevemos neste blogue) continuando, Policarpo, era o burocrata exemplar, pragmático, vivendo uma rotina rigidamente determinada. Funcionário público, patriota nacionalista extremado. O interesse primordial de sua vida era o Brasil. Por isso, seu desejo ufanista de aprender tudo sobre a sua terra. Monta uma biblioteca tipicamente brasiliana. Começa estudar violão, modinha, folclore, e deseja fazer com que o o tupi-guarani seja a língua oficial do Brasil. Eu fico imaginando se ele tivesse o mesmo sonho, ou pesadelo, que teve o José Fernandes. Certamente, ele teria um fim mais triste do que aquele que teve. (Que fim? Leiam o livro, vale a pena).
Pensei muito no Policarpo quando propus, não voltar, mas, avançar para o Brasileiro como língua oficial do Brasil. Talvez tenha um triste fim como ele teve, mas alguém tem que acabar com o nosso Complexo de Vira-Lata. Porque ter medo de palavras estrangeiras e de outras culturas pensando que ao usá-las estamos nos subestimando? Muito ao contrário. É o não uso das boas influências que nos fazem patinar, em termos de desenvolvimento, na rabeira de outras nações, este é o verdadeiro Complexo de Vira-Lata. O Japão descobriu isto a duras penas. A China, A Índia, os países asiáticos, e nós? Com medo de anglicismos, francesismos, e ficando no latinismo dentro da nossa tradição bacharelista retrógrada, quando os europeus aprendem Japonês e Chinês. Um dia, se diminuirmos nossa xenofobia lingüística e tradição bacharelesca, eles é que irão querer aprender o Brasileiro.
Continuando nossa análise do sonho, tarefa que seria mais bem executada por Pedro de Lara ou por Freud, diríamos ao José Fernandes que, os nomes próprios de pessoas e lugares não devem sofrer modificações. Eles devem continuar sendo escritos como o são no idioma de origem: Bush, Thatcher, etc. Da mesma forma que o trema, que Deus o tenha, deve ser usada em nomes de origem estrangeira, e.g., Gisele Bündchen, Müller, etc. O pesadelo se tornaria mais palatável grafológicamente. No entanto, como ele é terminantemente contra a recente reforma ortográfica, os efeitos do pesadelo podem ser muito diminuído com a participação, durante o carnaval, no bloco criado recentemente, parece-me que em Boa Viagem: Os Órfãos do Trema. Li o excelente tópico do blogue do Carlos Sena sobre o trema, (ver linke: http://ca.sena.zip.net/arch2009-01-01_2009-01-31.html#2009_01-05_10_29_45-128348707-27 ) não sei se foi ele quem criou o Bloco mas deverá ser um dos componentes.
Quanto aos outros aspectos do artigo, digo, quem sou eu para criticar o colega ao escrever usando a língua portuguesa. Seriam apenas humildes comentários dentro da nossa visão de como ela deve se comportar em novas reformas que fatalmente virão. E virão, porque um país não é só formado por linguistas ou professores de português. Existem fatos políticos, econômicos, sociais e culturais que nos levam a sermos práticos, sem os exageros do Policarpo Quaresma, mas tentando preservar a unidade do país aceitando o fato de que não estamos sós, e os outros, inclusive na língua, também contam. Não é à-toa que Portugal foi quase unanimemente contra à reforma. O status quo (não quero voltar para o Latim) lhe favorecia. Como diz o angolano, favorável à reforma, José Eduardo Agualusa: “Portugal acha que a língua é dos portugueses, isso quando eles foram colonizados pelos árabes, esquecendo ainda que o centro, hoje, é o Brasil, com 95% dos falantes.” Mesmo admitindo que esta é uma defesa política da reforma, isto não deixa de ser um fato importante para acreditar que sonhar com o Brasileiro ou Língua Brasileira, pode ser um sonho bom e não um pesadelo.
Outros acordos virão e nossos netos – ou bisnetos? – nos agradecerão. Isto é um trabalho de muitas gerações. O angustiante, e ao mesmo tempo importante, aspecto do sonho mau do José Fernandes é o fato de tudo acontecer de repente. Na pena (que saudade), na tecla dele, pela sua capacidade de escrever corretamente, ele leva imediatamente Pontes de Miranda para Quebrangulo e Waldênio Porto para Caldeirões dos Guedes. Não sou o diretor presidente da CIT, mas posso assegurar que os dois seriam bem-vindos ao nosso humilde escritório em Caldeirões, pois nesta época já estaremos falando a Língua Brasileira, e os dois, mesmos já velhinhos ou em espírito, terão a capacidade de aprendê-la. Outros aprenderam a escrever farmácia ao invés de pharmacia, e terão muitas ideias com a mesma força das idéias que tiveram antigamente com menor gasto de tinta, e o mais importante, atingindo de uma forma mais eficiente um número maior de leitores.
Quando chegarmos a esta época, também já teremos capacidade tecnológica para exportar os nossos teclados com os nossos acentos, se necessários, e nossos processadores de textos, sem trema, aos quais outros países terão que se adaptar. Todos estarão aprendendo brasileiro. Quem não aprender não toma banho e pode até morrer de sede. Para fazer os pedidos de compra de petróleo, vindos do pré-sal, só aceitamos escritos em brasileiro. Os turistas devem saber a língua para pedir um sorvete de pitanga, e este será muito caro. Quando exportado, a forma de usar será em brasileiro. Quem não aprenderá a língua brasileira para tomar um sorvete de pitanga?
Isto leva tempo. Mas quanto mais cedo despertarmos para o mundo em que vivemos, melhor. Não é evitando o contágio de outras línguas e culturas que salvaremos a nossa. É o contágio, a interação com elas, com confiança e alta-estima que criaremos uma língua e cultura fortes. Basta olhar para história.
Meus Deus, pensei no Triste Fim do Policarpo Quaresma, e me lembrei da epígrafe que o autor usou, originalmente, em francês, e cito uma tradução dela, para terminar:

O grande inconveniente da vida real e que a torna insuportável para o homem superior é que, se para ela são transportados os princípios do ideal, as qualidades se tornam defeitos, tanto que muito freqüentemente aquele homem superior realiza e consegue bem menos do que aqueles movidos pelo egoísmo e pela rotina vulgar.”


José Andando de Costas

Sonhei

Prezados (as) senhores (as): caso queiram, podem publicar no seu blogue. Isso, se os rabiscos abaixo servirem para alguma coisa. A seu critério. - Agradeço, José Fernandes Costa.

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Sonhei



Tive um sonho estapafúrdio. Pra mim. Para outros, seria legal paca. Sonhei que o jurista Pontes de Miranda ainda era vivo. E havia botado fogo em tudo quanto havia na sua biblioteca. Isto é, tudo que fora escrito em língua portuguesa. Obras e mais obras do professor Pontes iriam de ponte abaixo. Sem contar as inúmeras coleções de autores outros, que compunham a sua vasta biblioteca.

Por quê? - O professor Pontes de Miranda decidira morar em Quebrangulo, cidadezinha das mais atrasadas(*) do Estado de Alagoas. E lá ele se dedicaria a ensinar inglês a todos os habitantes daquela cidade.

(*) Com todo respeito e carinho por aquela gente injustiçada e vítima dos maus políticos. Morei em Quebrangulo e ali tenho centenas de parentes.

Prosseguindo no meu sonho: sonhei que Waldênio Porto havia abandonado Recife. Nem mais queria saber da Academia Pernambucana de Letras. E se mudara para Caldeirão dos Guedes, onde iria ensinar inglês a toda aquela gente pacata.

Sonhei que o George Buche passara a presidência dos Estados Unidos da América do Norte para Barack Obama e viera fixar residência em Nova Iguaçu, na baixada fluminense. E a Margarete Tátixa havia vindo com o Buche. Mas a Tátixa iria morar no Morro do Alemão, no Rio. Porque ela não encontrou o Morro do Inglês. Ambos, o Buche e a táctica, iriam dar aulas de língua inglesa. Buche ensinaria a todos os habitantes da baixada, até que não sobrasse um só sem dominar a língua inglesa. E a Tátixa ficaria com toda a cidade do Rio de Janeiro.

Essa foi a parte mais chata do sonho. Logo o Buche e a Tátixa? Por que não a Britney Spears e Buchetinha, a filha do Buche? Nesse ponto G (de gata), com a minha teimosia em não aceitar o Buche e a Tátixa no Brasil, eu fazia inflamada argumentação oral para trocar o Buche pela Britney e a Tátixa pela Buchetinha. Em vão. Vencia o mal. E ficavam o Buche e a Tátixa, para minha tristeza.

O Buche e a Tátixa haviam trazido 69 aviões cargueiros, entupidos de teclados para computadores - sem nenhum sinal gráfico -, para que os brasileiros se esquecessem logo dos tremas, hifens e outros sinais da língua portuguesa, por demais inconvenientes.

Continuando o mesmo sonho: sonhei que o Evanildo Bechara, abandonara a Academia Brasileira de Letras, a tudo renegando. E se mudara para Cornélio Procópio, no interior do Paraná, a 440km de Curitiba, porque queria tão-somente ensinar inglês aos cornélios.

Além de ter de suportar mais uma das intromissões do Buche e da Tátixa - a de teimarem em viver no Brasil -, a minha maior angústia era imaginar como todo esse imenso contingente de brasileiros iria submeter-se a concursos vestibulares, sabendo-se que centenas de faculdades estão com datas marcadas para seus exames, visto que estamos no mês de janeiro.

E os que vão concluir defesas de teses, terminar dissertações ou elaborar seus relatórios? Ter de refazer tudo isso, passando para o inglês! Com tempo tão curto para se modificar tanta coisa, como iria ser isso possível?

Sem contar os milhares de inquéritos policiais já em andamento e com prazos exíguos para a sua conclusão. Delegados de polícia, juízes togados e promotores de justiça entraram em polvorosa. Porque, esses agentes, que devem fazer cumprir as leis, estavam com seus inquéritos, sentenças e pareceres quase prontos. Todos haviam sido escritos em língua portuguesa. E teriam de ser passados e repassados para a língua inglesa. Não haveria tempo, porquanto muitas dessas peças continham cerca de 400 ou mais páginas.

A menor das peças era uma sentença de 112 páginas, do juiz Fausto de Sanctis, que condenava o banqueiro coroinha, Daniel Dantas, a 108 anos de reclusão, por haver este tentado subornar um delegado da polícia federal. No meu confuso sonho (e que sonho!), aquela sentença, mesmo em português, já havia sido publicada. O processo transitara em julgado, porque a defesa do sacristão Daniel Dantas havia cochilado e perdido o prazo para ingressar com recurso.

Com a decisão de refazer tudo, aquele julgamento ficaria sem efeito. Os advogados de Dantas estavam rindo à-toa. E Dantas, então, nem se fala. Era só alegria. Defecando e andando. Pois Dantas sabia que, com essa reviravolta, o recurso impetrado por seus advogados iria cair justo no colo do Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal. E aí seriam favas contadas.

Nessa confusão toda eu tentava lembrar-me de uma grande comunidade que dominava a língua inglesa de cabo a rabo. Sem tirar nem pôr. Se eu me lembrasse onde habitava essa grande família, tudo estaria resolvido. Porque, em 72 horas (no máximo, estourando, em oito dias), o português já era! Não o português dono do bar ali da rua ao lado. Mas, a língua portuguesa. Essa coisa ultrapassada. E tudo que necessário fosse, doravante, seria processado na língua inglesa, sem nenhuma dificuldade. Graças a sapiência daquela grande comunidade, cujo nome e endereço ora me escapavam.

Foi quando lembrei-me do meu tempo na Associação Brasil Estados Unidos, crente de que eu mesmo seria gente para tamanha tarefa. Qual o quê? De pronto, entendi que sou um analfabeto de carteirinha. A única palavra que decorei, em todo o aprendizado, foi yes! Mas o sotaque e a pronúncia são horríveis!

E quem disse que eu me lembrei da briosa comunidade, que fala, escreve e traduz o inglês, como quem toma sorvete lá na esquina? Na minha cabeça, só vinha a lembrança do novo acordo ortográfico da língua portuguesa, que entrara em vigor, mesmo insipiente, no dia 1º de janeiro de 2009. Outra ingrisia para os meus miolos. O que fazer com tanta coisa que se discutiu e se escreveu em torno desse acordo ortográfico? Acordo esse que é uma grande besteira. Acordo que não tem acordo. Porque não unifica nada nos oito países que falam e escrevem em língua portuguesa. E que passaram 22 anos debatendo o pretenso acordo. Para, ao final, ele só trazer mais confusão do que solução. Ou melhor, trazer muita confusão e nenhuma solução.

Nisso fui acordando. Olhei em volta e vi os meus livros velhos, com as mesmas frases em português. Alguns já rotos, mas com a mesma serventia. Avistei um com o nome de Eça de Queirós na capa. Fui ver de perto. Tratava-se de O primo Basílio. Aí cismei: essa de Queirós!!!

Mais adiante, um punhado de papel que havia imprimido antes de me deitar. Eram alguns sonetos de Raul de Leôni. Todos em português. Sãos e salvos.

Aqui, chegamos ao ponto G (de Giménez), isto é, da Lucianta Gimenez. Entendi que havia sonhado. E o quanto aquele sonho fora nebuloso. Dei de ombros, guardei os sonetos de Raul de Leôni e voltei a dormir, tranqüilo que nem um anjo. Não quero mais sonhar com essas baboseiras, NÃO. - a) José Fernandes Costa.