terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Eu Tenho um Sonho

Quando os constituintes de nossa mais recente república escreveram as magníficas palavras da Constituição Cidadã de 1988, estavam assinando uma nota promissória de que também todos os bom-conselhenses seriam herdeiros. Esta nota foi a promessa de que todos os seres humanos teriam garantidos os inalienáveis direitos à vida, liberdade e busca de felicidade.
Mas existe algo que preciso dizer à minha gente, que se encontra no cálido limiar que leva ao templo da nossa Academia de Letras. No processo de consecução de nosso legítimo lugar, precisamos não ser culpados de atos errados. Não procuremos satisfazer a nossa sede de felicidade bebendo na taça da amargura e do ódio. Precisamos conduzir nossa luta, para sempre, no alto plano da dignidade e da disciplina. Precisamos não permitir que nosso desejo gere violência. Muitas vezes, precisamos elevar-nos às majestosas alturas do encontro da força física com a força da alma; e a maravilhosa e nova combatividade que engolfou a comunidade a favor de sua criação não deve levar-nos à desconfiança de todas as pessoas que dela discordam. Isto porque muitos de nossos irmãos discordantes, como ficou evidenciado em sua presença no site de Bom Conselho e nos Encontro de Papacaceiros, vieram a compreender que seu destino está ligado a nosso destino. E vieram a compreender que suas metas estão inextricavelmente unidas à nossa. Não podemos caminhar sozinhos. E quando caminhamos, precisamos assumir o compromisso de que sempre iremos adiante. Não podemos voltar.

Digo-lhes hoje, meus amigos, embora nos defrontemos com as dificuldades de hoje e de amanhã, que eu ainda tenho um sonho. E um sonho profundamente enraizado no sonho bom-conselhense.
Eu tenho um sonho de que um dia, este município se erguerá e viverá o verdadeiro significado de seus princípios: "Achamos que estas verdades são evidentes por elas mesmas, que todos os bom-conselhenses são criados iguais e com direito a almejar um lugar na Academia".
Eu tenho um sonho de que, um dia, nas verdes colinas de nossa terra , os filhos de fazendeiros e os filhos de seus empregados poderão sentar-se juntos à mesa da Academia.
Eu tenho um sonho de que, um dia, até mesmo empresas como a CIT, e seu blog, até agora um antro de maus escritores, será transformada num paraíso de bons artistas, que possam escrever com pretensões acadêmicas.
Eu tenho um sonho de que meus quatro filhos, um dia, poderão viver num município onde não serão julgados pelos cargos que ocupam e sim pelo conteúdo de seu caráter, com chances de serem acadêmicos.

Quando deixarmos soar as trombetas da educação, quando a deixarmos soar em cada povoação e em cada lugarejo, em cada sítio e em cada casa, poderemos acelerar o advento daquele dia em que todos os filhos de Bom Conselho, homens ricos e homens pobres, religiosos e não religiosos, aqueles que veem o programa da Ana Luna e os que não veem, os que leem o Blog da CIT e os que não leem, os que votaram em Judith e os que não votaram, poderão dar-se as mãos e gritar com as palavras do Andarilho: "Academia quae sera tamem".
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Esta é uma paráfrase do grande discurso de Martin Luther King, Jr., de 28/08/63, em Washington, na luta pela igualdade racial nos Estados Unidos. A tradução que usamos para fazê-la está no endereço:

http://www.english-zone.com/holidays/mlk-dreamp.html

Fiz isto porque o debate sobre a Academia parece que parou. Onde estás Andarilho, que não falas mais nisso?

(Este artigo foi enviado para publicação no mural de site de Bom Conselho desde a indicação de Barack Obama como candidato do Partido Democrata nos EEUU. Por alguns motivos, não foi possível a sua publicação. Ao relê-lo agora, dia de sua posse, com algumas pequenas modificações, vi que ele era ainda atual. Resolvi pedir ao José Andando que fizesse a revisão e o publicasse. Ainda estou de férias mas, louca para voltar. Soube de babados fortíssimos do encontro de papacaceiros. )

Saudações Papacaceiras
Lucinha Peixoto
Coordenadora Administrativa

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