sábado, 10 de janeiro de 2009

Sonhei - Complemento 2

Eis um diálogo que é um verdadeiro complemento para o tópico: Sonhei, apresentado abaixo. O João Nelson me dá oportunidade, através dele, de divulgar o Lima Barreto, muitas vezes só lembrado nos vestibulares para marcar a questão c) Representante do pré-modernismo brasileiro. Agora todos tem a indicação das fontes do TRISTE FIM DO POLICARPO QUARESMA. Leiam-no e se sintam em alguma cidade do agreste na metado do século XX. Ele parece descrever as relações sociais de minha cidade. Obrigado João Nelson, só você phode.
José Andando de Costas

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Meu caro José, de Costa Andando rodopio e vou de banda como carangueijo. E fuçando na lama. Li, debruçei os queixos nas maõs, acordei, sorvi com o Barreto lima com pitú. Saimos pras bandas do Caboje cantarolando a POLÍTICA DE CURUZU.

Quaresma, meu bem, Quaresma!
Quaresma do coração!
Deixa as batatas em paz.
Deixa em paz o feijão.

Jeito não tens para isso
Quaresma; meu coçumbi!
Volta a mania antiga
De redigir em tupi.

Caríssimo de Costa andando, brilhante o texto. Um abraço grande. João Nelson

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Caro João Nelson,

Já havia lido alguns escritos seus nos saites e blogues da vida. Por isso sinto um prazer enorme em receber estes seus comentários, mesmo com os trocadilhos com meu nome, o que já aguento desde criança dizendo que estando de costas olho para trás, mas quando ando vou em frente, vejo dos dois lados, mas não convenço.
O importante de sua mensagem foi ter me levado a tentar reler o Policarpo do Lima Barreto. Com os anos, muda prá lá, muda prá cá, não encontrei o livro. No entanto, nestes tempos de internete tudo é mais fácil para nós privilegiados alfabitizados. Encontrei a obra no seguinte endereço:

http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bn000013.pdf

Não sei se é um boa edição, mas dar para sentir o Lima (e melhor com pitú). Confesso que não me lembrava das quadrinhas que você citou e as revi. Me senti na pele do próprio Quaresma, quando nos próximos dias olhar o principal jornal do nosso Curuzu, digo Bom Conselho, O Municipio, digo, A Gazeta e encontrar o seguinte:

De Costas, meu bem, De Costas!
De Costas do coração!
Deixa as batatas em paz.
Deixa em paz o feijão.

Jeito não tens para isso
De Costas, seu encrenqueiro!
Esquece esta mania
De escrever em Brasileiro.

Assinado por algum Olho Vivo de nossa terrinha católica do IBGE (gostei desta). Não sei qual será o meu fim, se será triste como o do Policarpo. Penso que não, ele andava de frente e eu ando de costas. Não sou também de Curuzu, digo Bom Conselho, e me esforço para não me meter em política, igual a Policarpo.
Tudo isto para lhe pedir permissão para publicar em nosso blogue esta nossa conversa e o que você puder e quiser acrescentar a ela.
Abraços ou choro à moda Tupinambá

José Andando de Costas.

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José de Viés Andando,

Phodendo, publique até o impublicável pros de CURUZU (BC). Dado o descambalho, necessitam e merecem a partir dos VELHO TOMÉ DE SOUZA e PÉ DE MESA, Jorge Amado; FABIANO, Velho Graça; ao JUIZ DE IGARASSU, Gregório de Matos. O Quaresma encontrado no endereço: http://www.dominiopublico.gov.br, a edição é ótima. Na Livraria Cultura, Cais da Alfândega, Reciflis Antigo, tem TRISTE FIM DE POLICARPO QUARESMA. Texto integral, edição Martin Claret. Sobre a entrada escrita pelo filólogo e historiador francês Ernest Renan:

"Le grand inconvénient de la vie réelle et ce qui la rend insupportable à l'homme supérieur, c'est que, si l'on y transporte les principes de l'idéal, les qualités deviennent des défauts, si bien que for souvent l'homme accompli y réussit moins bien que celui a pour mobiles l'egoisme ou la routine vulgaire";

ou seja

"O grande inconveniente da vida real e o que a torna insuportável ao homem superior é que, se para ela transportamos os princípios do ideal, as qualidades se tornam defeitos, de tal modo que frequentemente o homem íntegro aí se sai menos bem que aquele que tem por causa o egoísmo e a rotina vulgar".

Uma referência brilhante a vida do Lima Barreto, a nossa aqui dos quebras(angulos), à sociedade do Rio de Janeiro do Lima Barreto e para nossa imaculada de CURUZU. Manuscrite cabo a rabo. Um abraço grande. JN

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