sábado, 28 de fevereiro de 2009

O Aniversário de Ana Luna e o Licor de Jenipapo


O nosso Diretor Presidente sempre nos avisa para não personalizar nosso Blog de forma extrema evitando, pelo menos, títulos com nomes de pessoas, fotos que possam comprometer ou ferir alguém, citações maliciosas sobre pessoas, etc. Eu concordo em parte, mas, como convém, não em tudo. Se Ana Luna, minha amiga, embora não nos conheçamos pessoalmente, e, só não confidente pela distância que nos separa – confidência tem que ser ao pé do ouvido, por e-mail perde a graça – nos manda uma mensagem dizendo que seu aniversário é hoje (28/02), não posso repetir aquele artigo dele: Falando para a Lua (http://www.citltda.com/2008/11/falando-para-lua.html), desculpe-me.
Este, que agora escrevo, foi motivado pelo o aniversário de Ana. Tratarei de outras coisas para não perder o ensejo.
Ana nos brindou, poucos dias atrás, com uma receita culinária. Confesso que tentei fazer o seu Alho em conserva. Deve ficar divino. Mas, esbarrei na falta de alguns ingredientes aqui nestas terras de Recife, mais chegadas a Galinha de Cabidela. Começou com o alho espanhol e empacou mesmo na pimenta jamaicana, que nem no Mercado de São José tinha. Cara amiga, cozinho direitinho, no entanto, não tenho o mínimo de criatividade na substituição de ingredientes. Deixei para fazer depois.
Meu contacto com a cozinha vem do interior, como acontecia com todas as moças casadoiras da minha época. Minha mãe vivia repetindo: Como queres te casar se não sabes nem fritar um ovo? Hoje quando tenho a petulância de dizer às minhas filhas uma coisa como esta, elas dizem: Mamãe, hoje as mulheres não fritam mais ovos de ninguém, às vezes, chutam neles. Penso em ralhar com elas, mas me lembro de que já está na hora de pedir um Frango Xadrez num restaurante chinês qualquer. Oh vida!
Voltando ao assunto, aprendi a cozinhar o básico: feijão, arroz, um bife, e até um macarrão no domingo. Saladas e verduras não, ninguém comia naquela época. Meu pai dizia que não era boi prá comer capim. Quando conto isto hoje, a uma amiga de minha filha, que é nutricionista, ela fica perguntando como cheguei a esta idade. Mas, vê logo, gorda. O meu nível de renda familiar não ajudava na diversidade culinária. Demorei mais a aprender a fazer o bife do que o feijão com arroz. Atualmente, não estaríamos engajados num Bolsa Família, mas só fui para o Ginásio com uma Bolsa de Estudo. Era estadual mas foi o prefeito, Dr. Raul, que falou com seu Waldemar. Muitas vezes criticam o Programa Bolsa Família, eu, nem sempre. Só os desvirtuamentos. Meus pais não votaram no canditato A ou B porque me deram a bolsa, e se eles pedissem isto seria inútil. Ambos eram analfabetos e ainda não votavam.
Dentro desta realidade o que me propus, neste artigo, foi tratar de uma receita de um licor que meu pai fazia. Antes, porém, uma explicação.
Na minha época de criança e adolescente, em Bom Conselho, havia uma tradição de oferecer uma bebida aos visitantes das mulheres paridas recentemente. A mais conhecida era o “cachimbo”. Tenho dúvidas se o “cachimbo” se referia ao acontecimento de tomar a bebida, qualquer bebida (hoje vou a casa de fulano tomar o “cachimbo”, a mulher dele deu à luz, foi “corno”, é mulher), ou, se era referente à mistura de cachaça com açúcar ou mel de abelha que se oferecia.
Lá em casa, meu pai ia além. Ele gostava de servir um Licor de Jenipapapo. Pesquisando, com as facilidades de hoje, descobri que o jenipapo é o fruto do jenipapeiro, árvore nativa das Américas do Sul e Central, chega a medir 14m de altura e 60 cm de diâmetro. A fruta de polpa aromática, ácida, de cor marrom clara que chega a ter 10 cm de comprimento e 7 cm de diâmetro. Pode ser usada em compotas, doces, xaropes, bebida, refrigerante, licor. O jenipapo é utilizado como fortificante, estimulante do apetite, indicado contra a anemia e doenças do baço e do fígado. É rico em ferro, contém cálcio, hidratos de carbono, calorias, gorduras, água, vitaminas B1, B2, B5 e C. Nunca pensei que tivesse tantas utilidades.
Assumo que não sei onde meu pai encontrava os jenipapos que usava na sua produção doméstica e de parturição. Será que em Bom Conselho mesmo? De qualquer forma, procurei e encontrei também uma receita de Licor de Jenipapo. Aqui vai:

Ingredientes:

4 jenipapos grandes --
1 litro de água;
1 kg de açúcar;
1/2 litro de aguardente (cachaça),de boa qualidade
.

Preparo:

Lavar bem os jenipapos, cortá-los ao meio e deixá-los durante 10 dias, num vidro fechado, juntamente com a aguardente.
Passado esse período, fazer uma calda grossa, misturando o açúcar e a água — em fogo alto, gastam-se aproximadamente 45 minutos. Deixar ferver bastante.
Retirar do fogo, esperar esfriar, e despejar a cachaça (aguardente) na calda,
apertando os frutos com as mãos.
Retirar os pedaços do jenipapo e passar a bebida num coador de flanela e depois num coador de papel.
Se o processo estiver muito lento, trocar o filtro. Depois de pronto, guardar em garrafas, bem fechadas.

Não sei também se o processo de preparo era bem este, mas é muito parecido. A única coisa diferente é que vi meu pai usar mel de uruçu, e dizia ser o seu segredo. Se era o seu segredo, morreu com ele. E aquele ficou sendo o nosso Licor de Jenipapo. Parabéns Ana e tintim com o nosso licor.

P.S. – Antes da publicação mostrei este artigo ao Diretor Presidente, ele ficou um pouco reticente com medo de transformar o Blog da CIT num blog de receitas. Só quando o ameacei de mudar seu pseudônimo para Louro José ele concordou.



Lucinha Peixoto ( lucinhapeixoto@citltda.com )

Coordenadora Administrativa

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

CADERNO DE RECEITAS


Uma amiga me presenteou certo dia, algo que me trouxe muitas lembranças. Um caderno de receitas!! Achei de muito bom gosto , porque ali ela colocou as melhores receitas que ao longo de sua vida foram provadas e apreciadas. Não poupou segredos , nem mesmo aqueles famosos , de família. Foi generosa. Durante nosso convívio, sempre admirava aqueles vidros de conservas que ela tinha em casa. E claro , os saboreava também.....mas sempre existiu um certo mistério a envolver aqueles quitudes. As receitas.....uma conserva em especial me atraia. Eram dentes de alho enormes, e que derretiam na boca , com um sabor diferenciado e sem aquele ardor ou gosto típico ......Alho sim, mas suave, saboroso, podia até beijar depois!
Agora a receita estava alí , em minhas maõs!!
Devorei com os olhos.........
Um caderno de receitas.
Lembrei como eu adorava passar as tardes vendo a anotando tudo ,nos programas de culinária na TV. Essa memória afetiva me levou , é claro, as receitas da minha mãe, que estão fora de qualquer julgamento para nós, óbvio....comidinha de mãe??
Não tem preço.
Aprendi a cozinhar com ela.....
Primeira memória.
Depois, com a então sogra e como toda boa mamma italiana, pratos saborosos...e aprendi também com a vida! Gosto de cozinhar.
De inovar , ousar. Bebericando um vinho então.....coisa de louco !!! Fui buscar e não procurar meu caderno de receitas. Sempre soube exatamente onde ele se encontrava , apenas não mais o utilizava. Meu Deus!! O tempo teima em passar ...até manchas de ovo? Óleo? Manteiga? Não importa. Houve um breve momento de passado. Retorno. Era muito mais que um simples caderno de receitas. Era a minha vida! Percebi alí as várias fases que passei. Tem receitas do tempo que casei , depois com os filhos crescidos , conhecidas que o tempo levou , amigas que o tempo fortificou, receitas dos típicas dos lugares onde morei, que não foram poucos....meu lado cigana é forte! A maioria tem data. E como hábito meu, muitas vezes observações do momento.....cada momento ! Jamais poderia imaginar que encontrando o caderno de receitas da minha amiga, iria pegar o meu caderno e mais que isso, resgatar momentos lindos! Afinal, comida é celebração ! De vida!!! Feita com o tempero do carinho , do amor, transfórma-se em energia.
Se você tem um caderno de receitas ....daqueles , antigos , prepáre-se para grandes emoções. Se voce não tem um , pegue o da sua mãe, irmã , tia , amiga e descubra um pouco sobre os gostos, momentos e vida dessa mulher e sem qualquer tipo de discriminação , homem também vale, viu????
Ah!!!! tenho a certeza que voces gostarão de saber a receita , aquela , do alho que pode até beijar depois, lembram???? Pois bem , eis aqui .

RECEITA DA VALÉRIA

Atibaia, 1990
Querida comadre

Aí vai a receita. É uma receita austríaca. Quem me ensinou disse que era para colocar os ingredientes na dosagem exata, pois se tratava de uma espécie de "alquimia". Pelo sim, pelo não, sempre fiz a receita exatamente como me foi dito.
E sempre ficou muito bom.

CONSERVA DE ALHO

Ingredientes:

- 1/2 k de alho espanhol descascado
- 1/2 litro de vinagre de3 maçã
- 1/2 copo de vinho branco seco
- 1 copo de água
- 4 folhas de louro
- 2 cravos
- 3 colheres de sopa de orégano
- 20 grãos de pimenta jamaicana
- 20 grãos de pimenta branca
- 2 colheres de sopa de azeite de oliva
- 4 colheres de sopa de açúcar
- 1 colher de chá de sal

PREPARO:Colocar todos os ingredientes, menos o alho, em uma panela e levar para ferver. Após a fervura, colocar o alho e desligar após 2 minutos. São 2 minutos mesmo!
Escaldar o vidro bem lavado com tampa. Colocar o alho com o caldo. Deixar de cabeça para baixo até esfriar.
* Para fazer a conserva de cebola ( aquelas bem pequenas) , acrescentar ao caldo 1 colher de sopa de molho inglês e proceder da mesma maneira.

É isto!
Espero que fique bom e que todos comam com muita saúde.
Com carinho

Valéria

Nota de Ana Luna
Não se esqueçam dos cuidados especiais para os vidros que armazenam conservas.
Vejam quanto afeto pode existir em uma simples receita.....ela colocou nesse caderno um tributo a
VIDA e a AMIZADE !

Boa Semana
bjussssssssssssssss
Ana Luna - São Paulo

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Fascínio


Ao fitar os teus olhos lindos e miúdos

Num arremate que me vem e me arremete

Belos olhos nesse tom tal qual veludos

Cristalinos como água que no calor derrete.


Os teus braços roliços sempre abertos

E eu chegando, vinha vindo a te encontrar

Meu corpo vibra e com os olhos bem espertos

Vejo a noite e a lua clara pra te amar.


Que fascínio teu olhar tem sobre mim

Na jornada que por ora se inicia

Sinto-me preso ao teu corpo até o fim

E numa prece me dirijo à Mãe Maria.


Peço ajuda dos poderes da Mãe Santa

Pra esse amor que não mede conseqüências

Sinto a força de um poder que se alevanta

Salve amor sereno e supremo em eloqüências.


Que tem a marca dos eternos namorados

Que se apegam e se amam sem rodeios

Que se querem e bem assim são afagados

Que descobrem essas coisas sem receios.


Por mais tempo que sejamos bons amantes

Não cansamos desse amor que arrebata

Que reflete como espelho esses semblantes

Nessas noites de cantiga e serenata.


Por que tu me trouxeste esse feitiço?

Nem pensei que pudesses fazer tanto

Com teu corpo carregando tanto viço

Tive sorte e recebi teu amor santo.


José Fernandes Costa

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Sobre Bom Conselho, as Origens das Espécies e o Bolsa Família.


Recentemente se comemorou o 200º aniversário de nascimento do cientista inglês Charles Darwin (1809-1882), conhecido, principalmente, pelo seu livro Sobre a Origem das Espécies*. Nele, depois de viajar pelo mundo colhendo evidências e fazendo hipóteses, Darwin levantou a mais polêmica de todas: os ancestrais do homem são mais parecidos com os macacos do que com Adão. Aqueles que achavam que Deus fez o homem à sua imagem e semelhança começaram a dar algum valor aos chimpanzés, mesmo que todas as afirmações a este respeito, até agora, tenham seus prós e seus contras, sem conclusões fatais para um lado ou para o outro.
O que todos sabem de fato, sobre esta viagem, é de sua passagem, entre outros lugares, pelo Brasil, pelas cidades de Salvador (Bahia) e Rio de Janeiro. Em Salvador o SMS Beagle, navio em que viajava, aportou em 29 de fevereiro de 1832, local onde ele ficou maravilhado com a floresta tropical, e mostrou sua sensibilidade ao classificar a escravidão como uma atitude humana ofensiva e, por isso, quase foi banido da expedição.
O que muitos não sabem é que durante esta parada na Bahia, ele fez uma esticada pelo interior do Brasil, - ver roteiro no Mapa - atingindo Sergipe, Alagoas, e depois, indo até uma área com as seguintes confrontações: “as terras ao Sul de Alagoas (Palmeira do Índios, Tanque d’Arca, Campo de Anadias); em Pernambuco ao Norte faziam divisas com o município de Garanhuns, próximo ao povoado de Brejão de Santa Cruz, a Leste com o Poço do Veado e a Oeste com o município de Águas Belas.” Esta região foi a ele indicada por pessoas que, ao saber dos seus objetivos como estudioso, havendo passado por ela, souberam de algumas espécies, parecidas com veados e caititus (porco-montês), que já nasciam gordos e castrados. Na época a localidade em lide já se chamava de Papacaça.
Ao chegar lá, com sua curiosidade à flor da pele, como convém aos cientistas, ele perguntou a origem daquele nome. Foi lhe contado por um morador local (poderia ser um ancestral de Zé Bias, fala-me alguém no ouvido) ser um costume antigo pegar os animais que serviam de alimentação, castrá-lo e soltá-lo para que depois, pela sua abundância, fossem pegos mais gordos. Daí, começaram a chamar aquela localidade de Capacaça. Já mais tarde, continua o respondente, por volta de 1774 o povoado, que tinha à frente Matias da Costa Villela, que construiu uma igreja sob a invocação de Jesus, Maria e José, se tornara um homem influente entre os colonos e os comerciantes. Não era só o chefe da família patriarcal. Era também chefe político da região e muito conhecido pelo nome de Comandante. Possuidor de grande autoridade e por não gostar do nome Capacaça, mudou o nome do povoado para Papacaça.***
A mente brilhante de Darwin logo deduziu, de sua ideia fundamental sobre a origem e evolução das espécies, a seleção natural, uma explicação para os acontecimentos. Os pais dos animais castrados, ao verem a judiação que se fazia com os menos afortunados de sua espécie, sofreram mutações casuais, e algumas modificações dos seus genes (isto só se descobriu modernamente) fazendo com que seus filhos já nascessem castrados e gordinhos, evitando o sofrimento posterior. Isto foi corroborado pelo fato de, cada vez mais, aumentar a escassez destas espécies na região. Os castrados não podiam se reproduzir.
Não se sabe o que as hipóteses feitas pelas observações nesta região, onde hoje fica o município de Bom Conselho, influenciaram nas conclusões de seu brilhante livro. O fato comprovado é que não temos mais veados ou caititus nesta área. Aqui o mecanismo da seleção natural funcionou às avessas, pelo menos para os bichos.
Num salto no tempo, como convém a quem escreve sobre a Teoria da Evolução das Espécies, lá pelos anos de 2000, nesta mesma região, de Bom Conselho, o que preocupava era a existência de muitas pessoas com rendimento tão baixo, a ponto de não se atingir um nível de reprodução adequado da sua força de trabalho (Karl Marx mexeu com estes conceitos e foi contemporâneo de Charles Darwin, mas nada indica que tenha estado em Bom Conselho). Isto poderia ter sido provocado pela escassez da flora e fauna, provocada pela castração dos animais e seu consequente desaparecimento? Eram hipóteses a serem levantadas pelo agora forte setor público com todas suas pesquisas, planos e programas, mais conhecidos nesta época como políticas públicas.
Depois de alguns estudos, com o apoio da CODEAM, uma associação de prefeitos da região, descobriu-se então que se estes trabalhadores tivessem escolas dignas, remuneração decente, alimentação farta e de qualidade, seria melhor para o futuro de todos. Os governos, os empresários e os homens que pareciam ser de boa vontade, começaram a fazer esforços no sentido de prover tudo isto a partir de políticas públicas voltadas para os pobres. Todos ficaram maravilhados com o sucesso das medidas adotadas. O analfabetismo quase acabou. Os indicadores de mortalidade infantil quase foram a zero. O número de pobres quase contraria as Sagradas Escrituras quando Jesus diz que “pobres sempre existirão na face da terra”. Parecia que todos seriam felizes para sempre, ou pelo menos por um bom tempo, ao ponto de se desmentir o dito popular de que “alegria de pobre dura pouco”.
Com outro salto no tempo, agora no ano de 2056, um cientista inglês, por nome de Joseph Darwin, bisneto do Charles Darwin, visitou Bom Conselho. O motivo de sua visita inusitada a este município fora uma estória, ouvida por ele ou lida em The Economist, que, nesta região, todos nasciam magros e continuavam magros pelo resto da vida. Isto era importante para ele, pois não sendo mais um cientista interessado apenas nos estudos, como seu bisavô, uma fórmula da magreza geral deveria render um bom dinheiro, já que ainda persistiam os padrões estéticos do século anterior que privilegiavam os magros. E vinda da terra que um dia teve Gisele Bündchen, era tudo de bom.
Chegando lá, encontrou uma população vivendo ao nível de subsistência, isto significando que o que eles comiam era apenas o suficiente para permanecerem vivos. No entanto, ele também constatou que todos comiam três vezes ao dia. Todos trabalhavam numa empresa chamada Perdigão, que era produtora de alimentos, e por motivos óbvios, era inteiramente voltada para exportação, já que todos consumiam o mínimo dentro do Município.
Curioso como seu ancestral, procurou então alguém para esclarecê-lo sobre este fenômeno. Dirigiu-se então à Academia de Letras da cidade. Nem é necessário dizer que diante das pessoas que encontrava, mesmo se considerando magro, ele se sentia um Jô Soares. Quando entrou na casa, sede da Academia, de arquitetura quase colonial, com varandas e alpendres, tendo pertencido a um Coronel de muita importância no passado político da cidade, se viu diante de uma cadeira grande de estilo Luis XV. Nela, sentado, de óculos e com seu fardão inconfundível, o seu presidente, A. Tenório Vieira Neto. Deu para o visitante observar, acima da cadeira, na parede, um retrato grande, quase como se fosse uma pintura, de um senhor com bigodes e cabelos longos segurando um ramo de lírios brancos que dava paz e serenidade àquele ambiente de sapiência e cultura. Soube depois ser o Patrono da Academia.
Ao ver entrar o visitante, o presidente levantou-se para cumprimentar aquele representante de Sua Majestade o Rei Charles II, bisneto da Rainha Elizabeth II, que reinara no Reino Unido no início do segundo milênio, tendo abdicado em favor do seu filho Charles. O Joseph Darwin foi logo ao que interessava, indagando-lhe se havia uma explicação plausível para aquele fenômeno peculiar a algumas regiões do Brasil.
Tudo começou, disse o Presidente da Academia, lá pelos anos de 2003, quando um governante criou um mecanismo chamado de Bolsa Família. Era um auxílio financeiro às famílias de baixa renda. Na sua língua poderíamos chamar, numa tradução livre, de Family Benefit. Como promessa de campanha ele tinha a meta de fazer com que todas as pessoas tivessem pelo menos três refeições por dia. E este auxílio foi a solução encontrada por ele.


Pelo menos para esta região do Brasil, esta promessa foi cumprida. Dentro de 10 anos todos já comiam três vezes ao dia. A comida não era muita. Seria impossível engordar com ela. Entretanto, as horas de trabalho, exigidas de quem participava do programa, eram as mínimas possíveis. Conta-se que pessoas antes trabalhadoras tenazes ganhavam um pouco mais, no entanto, achavam que seu trabalho era demasiado para aquilo que ganhavam, então se tornaram cada vez mais invejosas daqueles que ganhavam o Bolsa Família, e trabalhavam muito menos. Estes, participantes do programa, diziam: o pouco com Deus é muito, e o muito sem Deus é nada. E cada dia faziam mais inveja aos poucos remanescentes de fora do programa. Todos que trabalhavam, certo dia, deixaram de faze-lo, e reivindicaram o auxílio. Até que todos aderiram a ele. Ganhavam pouco, comiam pouco e portanto todos eram magros. Dizem que até aumentou a expectativa de vida na área e o número de "modelos", desta região, trabalhando nas passarelas no exterior aumentou muito.
Isto passou de geração para geração. Antes que o nosso cientista visitante apelasse para suas hipóteses biológicas sobre a permanência da magreza pela a transmissão de genes, mutações, etc. nosso respondente, que havia aderido também recentemente ao programa, disse: os genes, mutações, adaptação ao meio, e outras causas biológicas não tem nada a ver com isso. O fato principal foi que, ao longo do tempo, os políticos descobriram que, sem o programa do Bolsa Família jamais seriam eleitos. E todos o apoiaram, da situação ou da oposição. Agora todos defendem com unhas e dentes o auxílio. Quando chega algum político propondo que se deve voltar ao trabalho ou com promessas mirabolantes como, vamos engordar de novo, ou vamos comer mais, tem seus 3 ou 4 votinhos e logo que podem, deixam para lá estas idéias, e aderem ao programa. Eis ai, caro cientista, a explicação é simples assim. É um processo de seleção natural da classe política ou poderia dizer espécie política. Os políticos dizem que as crianças já nascem com um cartãozinho de filiação ao programa, embora não ouve até agora comprovação empírica desta hipótese. Na última pesquisa feita descobriu-se que sempre que isto ocorria, havia entrado um político na maternidade. Temos muitos estudos pela frente ainda.
Até agora, não houve desmentido do governo britânico à notícia de que, ao chegar em Londres, o cientista, ia lançar o livro: Sobre o Destino das Espécies.** Com isto, ele estaria tentando influenciar os pilares da ciência moderna na área de beleza e emagrecimento propondo, à moda inglesa, o Bolsa Família.
Já se foi a nossa biodiversidade agora se vai também nossa magreza.

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* "On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or The Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life" - Sobre a origem das espécies através da selecção natural ou a preservação de raças favorecidas na luta pela vida

**"On the Destiny of Species by Means of Family Benefit or The Preservation of Favoured Political Classes in the Struggle for Life" – Sobre o destino das espécies através do Bolsa Família ou a preservação da classe política favorecida na luta pela vida.

***Alguns trechos que soem como algum fato histórico real deve-se a várias fontes, e aqueles relacionadas com Bom Conselho, deve-se a Celina Ferro no livro: De Capacaça a Bom Conselho. As fotos são da CIT, Internet (vários sites) e do Saite de Bom Conselho (Agradecemos a Saulo Neto, administrador do saite em 2056 pela autorização).

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Cleómenes Oliveira (cleomenesoliveira@citltda.com)

Diretor de Operações.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

9º Encontro - Comentando um Resultado.


Em artigo anterior ( http://www.citltda.com/2009/01/o-10-encontro.html ) eu propus à CIT, e foi aceito, o lançamento de uma enquete para as pessoas que quisessem avaliar o 9º Encontro de Papacaceiros. Hoje temos o resultado exposto na imagem ao lado. Ele não requer uma análise detalhada pois os resultados obtidos não são nada diferentes das análises mais qualitativas feitas, aqui por nossos colegas, e em outros lugares. Aproximadamente 66% acham que a festa foi boa e ótima, sem ninguém chegar a votar no nível de excelência. Dos restantes, 23% gostaram menos e apenas 9% consideraram-na um péssima festa.
Achei baixo o número de votantes. Talvez não achassem este fato importante ou, simplesmente, hipótese mais provável, não sabiam como avaliar a festa com um conceito único. Já citei o caso do elefante ao ser avaliado por três homens cegos. Dependendo do que cada um responda, é muito difícil se compor o elefante inteiro com fidedignidade. Mas, valeu a tentativa e o resultado. Se, mesmo com estas restrições queira-se usá-lo para alguma ação posterior, não há como fugir, da idéia defendida por mim e por alguns outros de entregar o próximo encontro ao José Quirino Filho.
Não sabemos se houve ou não consequências práticas da reunião feita logo após o encontro, e comentada por mim. Espero que não, a não ser o de ter despertado o José Quirino para o aumento de sua responsabilidade no próximo encontro. A idéia do nosso colega, Cleómenes Oliveira, de fazer eleições no próximo ano, para o 11º Encontro, me parece importante e viável.
Só uma coisa ainda me intriga nisto tudo e penso que deveria ser esclarecida. O poder público participou ou não da reunião acima? Primeiro O Andarilho nos diz: Não sei quem fez a pauta da reunião. Mas, como se trata de algo sério, além de envolver o poder público, sugira que vai retirar o item que se refere ao noivo da Ana Luna ou peça para que fique melhor esclarecido e complemente. Depois vem Bia Ferro (não a conheci Bia, mas penso que você é a moça que está, talvez, no centro da reunião e assim posso lhe chamar de Bia, pois minha idade permite esta ousadia) e diz: Acho que está havendo um mal entendido, em relação a reunião que houve, primeiro o poder Público não tem nada com isso, e a reunião poderia ter sido até na Praça, com a intenção de um bate papo, ninguém foi avisado pessoalmente, foi um convide feito pelo carro de som, para que pudesse ter a participação de todos, e também a do organizador do evento. E mais recentemente, o Sr. Pedro Ramos, depois de uma romaria ao Juazeiro onde já fui uma vez há muito tempo, e ainda recomendo, diz, referindo-se a artigo escrito por Etiene Miranda, no saite de Bom Conselho: Acabei de visitar a ACADEMIA e lá vi sua excelente matéria sobre o 9ºENCONTRO DOS PAPACACEIROS. Achei muito importante porque foi um testemunho de tudo que comentamos na reunião promovida pela secretária de Cultura da prefeitura de Bom Conselho BIA FERRO, onde fiz comentário de alguma falha que você descreveu com muita clareza e com isso prova o que eu disse e que não foi só eu que percebi a desorganização, a ponto de receber recados que eu teria que provar o que todos perceberam.
Pergunto outra vez: o poder público participou ou não participou da reunião? Alguns poderão pensar que isto não tem nenhuma importância, que só uma velha coroca como eu poderia se importar com isto. A estes eu diria, se tivesse em dias bons e tranquilos, que é de grande importância. Ora, se o poder público participou, já reconheceu o evento oficialmente, como muitos querem, e melhor, já participa de sua organização. Cobraremos o próximo encontro da prefeita Judith Alapenha, que é responsável pelos atos de sua secretária de Cultura. Se não participou, ela, a prefeita, tem a ver com o encontro de outra forma. Cuidando para que, mesmo sendo um evento de natureza privada, ela possa colocar o poder público para ajudar no evento naquilo que é sua obrigação pela Lei Orgânica do Município. Poderá ser cobrada ainda, mas de uma forma totalmente diferente.
Eu, pessoalmente, torço para que não tenha havido nenhuma participação do poder público, e se houve, já se tenha reconhecido o engano disto. Primeiro, porque a principal pessoa que deveria estar presente (o José Quirino), não estava, segundo, tenho certeza, o poder público de Bom Conselho, e aqui eu incluo outros poderes, tem muito mais o que fazer do que organizar encontros de papacaceiros, por melhores que eles sejam. No entanto, só quem pode esclarecer isto tudo são as pessoas que compõem o poder público.
Bem, o resultado da enquete está aí. Espero ter colaborado com a nossa terra e com o próximo encontro, que farei tudo para estar presente.

Saudações Cordiais
Lucinha Peixoto (lucinhapeixoto@citltda.com)

domingo, 15 de fevereiro de 2009

AMOR etc. - Complemento

Transcrevemos a comunicação entre pessoas interessadas em Amor etc.
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Caríssimo José Fernandes Costa.

Teu amor excitado leva-me a refletir sobre o seguinte: "o amor é um fogo que arde sem se ver/ é ferida que dói e não se sente" (CAMÕES). "O amor é a forma mais radical de "ir ao outro", de se reconhecer intimamente num ser humano diferente" (GOETHE). "O amor é aquilo que une, que reduz a cisão, que reduz, também, o medo e a insegurança" ( HEGEL). "O amor, a despeito de suas manifestações mais requintadas e sublimes, possui sempre um substrato físico, corporal, libidinial" (FREUDE). "O amor essencial é aquele que une duas almas perpetuamente", disse Simone de Beavoir a respeito de seu amor por Sartre. "Amar é negar a própria individualidade a fim de viver intensamente e (...) inserir-se ativamente na comunidade humana" (CARLINHOS (MARX). "Amai, jóvens, as mulheres bonitas" (MACHADO DE ASSIS). "Eu amo as mulatas dos freges/ de São Sebastião do Rio de Janeiro./ A mulata cor de canela/ que tem tradição, que tem vaidade/ que tem bondade./ Essa bondade que faz com que ela abra/ as suas coxas morenas/ fortes serenas/ para a satisfação dos instintos insatisfeitos/ dos poetas pobres e dos estudantes vagabundos. Nestas noites mornas do Brasil/ quando ha muitas estrelas no céu/ e muitos desejos na terra. (JORGE AMADO). E haja amor, José.
JN

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Caro José Fernandes Costa,

O e-mail abaixo chegou para nós quando deveria ir para você. Não sei se ele mandou para você também. É do nosso conterrâneo João Nelson. Estamos lhe repassando. Caso queira que nós a publiquemos como Complemento ao tópico Amor etc. avise-nos e o faremos com todo o prazer pois gostamos também do estilo João Nelson. Isto depois de pedir-lhe a devida autorização.

Saudações etc.
Diretor Presidente.

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Meu Caro Presidente,

O João Nelson não me mandou esse imeio. Mas você mandou e eu gostei muito. Também, das citações que ele fez. PODE PUBLICAR, SIM. E MUITO OBRIGADO.

Caso queira, pode publicar este trecho, também:

NOTA: - Agradeço ao João Nelson, pela referência ao meu nome e ao meu amor excitado e verdadeiro. Inteiro. É o amor imune, que une. Amor que dá e recebe segurança. É o amor na sua pujança. - Agradeço-lhe também pelas citações, aos montões, sobre o amor, com louvor e destemor.

Abraço,

José Fernandes Costa

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Caro João Nelson,

Estou sendo só a ponte entre você e o José Fernandes Costa. Enviei a ele seu e-mail, e estou pedindo permissão para publicá-la em forma de complemento ao tópico como sempre. Agradeço, desde já sua resposta.

Diretor Presidente.

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Diretor Presidente,
publique. Até porque tornarmo-nos público é cidadania que não rima com maçonaria.

JN

Carnaval


Foi na Grécia que ali pelos anos de 600 a 520 a.C., que tudo começou...pois é....... o carnaval tem veia grega.Através dessa festa os gregos realizavam seus cultos em agradecimento aos deuses pela fertilidade do solo e pela produção.
Então , entraram eles, os romanos e a coisa começou a esquentar.Ai...ai...ai.. Gregos e romanos juntos inseriram bebidas e práticas sexuais na festa, tornándo-a intolerável para a igreja.Com o passar do tempo, o carnaval passou a ser uma comemoração adotada pela Igreja Católica, o que ocorreu de fato em 590 d.C. Até então, o carnaval era uma festa condenada pela Igreja por suas realizações em canto e dança que aos olhos cristãos eram atos pecaminosos. Hummmmmm, não é que eles sabiam das coisas?
A partir da adoção do carnaval por parte da Igreja, a festa passou a ser comemorada através de cultos oficiais, o que bania os “atos pecaminosos”. Tal modificação foi fortemente espantosa aos olhos do povo já que fugia das reais origens da festa como o festejo pela alegria e pelas conquistas.
Em 1545, durante o Concílio de Trento, o carnaval voltou a ser uma festa popular. Foi assim nesse vai e volta, nessa coisa de festa da igreja ou pagã , que o carnaval se fortalecia , tomava forma, se chegava... Em aproximadamente 1723, o carnaval chegou ao Brasil sob influência européia. OBAAAAAAAA! Ocorria através de desfiles de pessoas fantasiadas e mascaradas. Somente no século XIX que os blocos carnavalescos surgiram com carros decorados e pessoas fantasiadas da forma semelhante à de hoje. Hoje?? Bem , fantasias sim em algumas partes do Brasil. Nudez em outras... Recife se destaca com um carnaval tradicional, com blocos, fantasias e muito folclore.....eu sei, eu sei, Olinda exagera um pouco mas....nada que não possamos reverter....a voz do povo.....
Bem , voltando,pesquisei sobre a origem da palavra CARNAVAL e achei bem interessante......."A palavra carnaval significa adeus à carne e sua origem remota os tempos antigos nos quais por falta de métodos de refrigeração adequados, os cristãos tinham a necessidade de acabar, antes do inicio da Quaresma, com todos os produtos que não podiam consumir durante esse período (não somente carne, mais também leite, ovos, etc.)
Com este pretexto,em muitas localidades se organizavam na terça-feira anterior à quarta-feira de cinzas, festas populares chamadas de carnavais nos quais se consumiam os produtos que podiam estragar durante a Quaresma." Pronto. Foi o suficiente. De pretexto em pretexto..............Exagere quem quiser , prerrogativa do ser humano, mas hoje , o carnaval continua bom...........para quem pula ,brinca,dança, desfila , assiste na TV ou simplesmente aproveita e descansa. O bom é que reina uma alegria no ar, a energia contagia , algo de bom acontece , sorrisos aparecem.........mesmo que você , assim como eu , não vá brincar no salão, nas ruas , brinque no seu colchão.....opa...opa...opa.......como você pensou ...ou não. Uma boa soneca , um cochilão pode ser boa desculpa para começar o ano de verdade. Bommmmm.
Ou alguém duvida que no Brasil o ano começa só após o Carnaval??
boa semana
bjussssssssssssss

Ana maria miranda Luna - São Paulo

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Jovem atingido por bala perdida chora de tanto rir

A CIT existe há alguns anos. Assumimos sua direção há quase um. Além do seu trabalho com sons e imagens, há pouco tempo, resolvemos atender o pleito de nossos funcionários para se expressarem de outra forma: com palavras. Começamos no valoroso saite de Bom Conselho, no seu mural, do qual sentimos saudade, e voltamos lá de vez em quando. Resolvemos criar nosso próprio espaço: O Blog da CIT. Todos na empresa gostaram e nem todos fora dela tiveram o mesmo sentimento. Dizer que uma imagem vale mais do que mil palavras é subestimar o poder da palavra. Para o bem e para o mal.
Durante o período em que estamos no ar (José Andando diria "onlaine"), recebemos muitas mensagens, com elogios e críticas. Faz parte. No entanto, poucos dias atrás, recebemos uma que nos chamou atenção pela importância que deu ao nosso trabalho. Mas isto, outras mensagens já tinham feito. O que havia de novidade nesta? Simplesmente, ela nos foi enviada por um jovem , pela idade. Já recebemos mensagens de jovens de 80, 70, 60, 50, 40, 30 anos, mas achamos que este tenha menos anos de idade do que todos os anteriores. Aqui na empresa foi uma alegria.
Não tinha outra coisa a fazer a não ser pedir permissão para publicar o nosso diálogo. Aproveitamos para mostrar o que é a CIT, da forma como mostramos a outros de uma maneira isolada. Todavia, o mais importante é que agora nossa responsabilidade aumentou, pois o nosso interlocutor quer divulgar o nosso trabalho, principalmente, com os jovens de sua idade. Não tenho a menor dúvida que ele conseguirá. Abaixo o nosso diálogo, sem nenhum revisão, propositalmente, como se todos estivessem dele participando como quando escrevemos as mensagens eletrônicas: apressados.

Diretor Presidente.

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Fenomenal!



Fantásticas são as postagens no blog do CIT! É pena que só fui descobrir essa semana que ele existia (perdoem-me a minha ignorância), mas agora me sirvo das postagens antigas pra satisfazer a minha vontade de ler os textos, até que apareça algo novo, todos os dias. Vocês estão de parabéns.
Perdoem-me a ignorância mais uma vez, mas por que o blog não é tão divulgado? Descobri ao acaso em uma pesquisa no Google. Esse trabalho tem que ser conhecido por todos os Bom Conselhenses!!! E o que é a CIT na verdade? Ainda não entendi essa parte também!

Um cordial abraço
e parabéns mais uma vez pelo trabalho

Felipe Alapenha

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Caro Felipe,

Não o conheço, mas pelo o e-mail e pelo sobrenome deve ser de Bom Conselho. Em primeiro lugar, agradeço os parabéns. A CIT vive disto. O "Fenomenal" causou comoção de risos e emoções aqui na nossa modesta empresa. Abaixo transcrevemos um e-mail enviada a alguém que tinha a mesma pergunta que você. O que é a CIT?. De vez em quando alguém nos pergunta isto e é com prazer que o atualizamos. Espero que ele seja esclarecedor para sua pergunta.
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O que é CIT?

Algum tempo atrás eu tinha um e-mail pronto para explicar o que é CIT. Em termos de sigla, hoje CIT é CIT, porque ninguém, ha muito tempo havia me perguntado isto. Um dos primeiros a perguntar isto, mandou também um possível significado: Companhia Inimiga do Trabalho. Fiquei chateado até ele me explicar porque havia chegado a ele. É que via tanto os filmes da CIT que estava faltando ao trabalho. Por isso a CIT lançou a campanha: Veja com Moderação. Outro, mais ousado, interpretou como: Coçando Intensamente os Testículos. Enfim, eram tantos os significados que a Diretoria, resolveu mudar os estatutos, e agora CIT é só CIT. Mais precisamente CIT Ltda. Muitas pensam que as letras finais significam a figura jurídica de Companhia Limitada. Não é isto. Elas são a abreviatura de Limitada porque, no início, nossa empresa era muito limitadinha mesmo. Hoje, com sede em Caldeirões, e filiais no Recife e na Inglaterra (Canterbury), não é mais tão limitada, mas o nome pegou.
Fora da sigla a CIT é uma empresa com fins lucrativos como qualquer outra dentro do nosso capitalismo selvagem e socialismo besta. A única diferença é não receber em moeda do país. Ela usa uma moeda própria: Risos e Emoções ($RE). Sua receita é proveniente dos clientes que, ao consumirem ser produtos, se emocionem de alguma forma (o riso vale mais, mas não tanto quanto chorar de tanto rir). Temos despesas também e muitas. Hoje temos mais de 100 pessoas trabalhando para a empresa e recebem nesta moeda. Muitas vezes usamos filmes dos outros e pagamos royalties na mesma moeda. Não temos do que nos queixar neste ano de 2008. O nosso risômetro contabilizou um lucro extraordinário nos mais de 20000 acessos a nossos produtos no YouTube. Claro que houve indiferença, pela qual não recebemos nada, e até críticas ácidas que são receitas negativas, mas não foram o suficiente para nos abalar. Basta um sorriso bonito e nossos lucros voltam a crescer.
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Escrevi o texto acima meses atrás, para responder a um pergunta similar a que você faz . Tudo continua verdade exceto alguns números, por exemplo já temos quase 50.000 acessos aos nossos filmes no YouTube (http://www.youtube.com/citltda e http://www.youtube.com/citlimitada) e já não temos mais de 100 pessoas trabalhando para nós. A crise nos pegou em cheio no velho mundo e tivemos que restringir nossa sede em Caldeirões dos Guedes a um simples escritório. Mas estamos trabalhando.
O Blog da CIT ( http://www.citltda.com/ ) nasceu de uma necessidade de expressão. O ser humano tem isto. Quer falar, quer ser ouvido, quer participar e, nem sempre isto pode ser feito com a linguagem que usávamos, e ainda usamos, de imagens e sons. A palavra tinha que ser usada. Com a mudança de Diretor (eu assumi há um ano atrás, mais ou menos) resolvi deixar que nossos funcionários e técnicos escrevessem para o site de Bom Conselho. Por motivos que agora não vem ao caso, porque foram expostas em postagens antigas do Blog, resolvemos ter um espaço nosso, dando ênfase a coisas relativas a Bom Conselho (motivos: somos de lá, os nossos funcionários quase todos são de lá, a empresa nasceu lá e tem sede lá).
Veio o problema da divulgação. Temos uma lista de e-mails que não é grande. Quando lançamos uma postagem, avisamos por esta lista. Mas nem todos abrem. Não sabem o que é CIT, nem me conhecem, Diretor Presidente, que é um pseudônimo de uma pessoa de Bom Conselho, e que por um capricho (alguns dizem que é covardia, medo, etc,) quero ter incógnito o meu nome. Então muitos pensam que é vírus neste tempo de maldades. No entanto, o Blog está andando, já temos uns 20 acessos diários, já lançamos enquetes bem sucedidas, etc. E contamos com pessoas como você, que gostaram do Blog, para divulga-lo.
Não podemos satisfazer a todos. Deus tentou, mas Eva queria a maçã. Todavia o nosso objetivo essencial ainda é provocar risos e emoções nas pessoas. Se há choro ou emoções ruins por nossos escritos, é porque achamos que alguns, às vezes tem que chorar. Podemos estar errados, e quando descobrimos choramos também. Mas, fique certo, a CIT quer é que todos chorem de rir.
Meu Deus, olha o tamanho deste e-mail. Fui escrevendo e nem vi que você deve ser uma pessoa ocupada. Mas, leia por etapas. Qualquer dúvida mais sobre a CIT, pergunte...
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A partir de hoje você estará incluido na nossa lista. Espero que continue gostando do nosso trabalho.

Saudações Cordiais
Diretor Presidente.

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Só de ler sua resposta, já gastei toda a minha cota de $RE diária! Principalmente na parte do "Veja com moderação" kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Mais uma vez, FENOMENAL! O mais fenomenal de tudo isso é a capacidade de vocês escreverem um humor inteligente, diferenciado, misturando com coisas da nossa terra, nossa Bom Conselho! Sou de lá sim, você acertou. Reparando bem no meu endereço de correio eletrônico, o "F", como você já deve imaginar, é de Felipe. Já o "ALIRA" corresponde à Alapenha de Lira. Sou o filho mais novo de Judith Alapenha e Dr. José Alípio. Nascido e criado em Bom Conselho, papacaceiro com orgulho, que veio morar no Recife pela necessidade de buscar um futuro melhor. Mas só por causa disso mesmo, porque sempre que posso eu volto pra terrinha! E quando não, eu mato as saudades pelas postagens de vocês e pelo excelente site do Saulo Bezerra.
E não se preocupe com meu tempo! Li todo o e-mail, porque pra mim é uma grande diversão acompanhar o trabalho da CIT. Pode contar com esse cliente assíduo, porque que gasta $RE com o blog e os vídeos da CIT tem muito a ganhar! É a única empresa, mesmo entre tantas do capitalismo selvagem, que dá lucros prazerosos para o consumidor.
Continuem esse trabalho, porque além do entretenimento, sem se dar conta vocês estão resgatando e preservando a memória de nossa terrinha, e isso é muito importante!
Ah sim, gostaria de, se possível, visitar as instalações da empresa quando for à Caldeirões, conhecer a equipe...

Um grande abraço a todos que fazem a empresa!
Do mais novo cliente da CIT

Felipe Alapenha

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Só um detalhe: Vou começar a divulgar o blog no meu profile do orkut e no msn. Também já estou indicando pros amigos. Não pode uma raridade dessas ficar restrita a tão poucas pessoas!

Felipe Alapenha

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Caro Felipe,

Mais uma vez a CIT agradece suas palavras gentis e até carinhosas com seu trabalho e agradece também seu esforço de divulgação. O nosso risômetro disparou quando você se identificou. Conheci seus pais de vista, nunca com eles falei pessoalmente. Sua mãe, hoje, na posição que ocupa, temos que conhecer, afinal de contas devemos ter a quem reclamar quando pagarmos nossos impostos. O IPTU em Caldeirões está escorchante. Mas, não foi pelo seus pais em si que o risômetro disparou e sim, porque sendo seus filhos, só pode ser um jovem.
Se um jovem gosta do que fazemos temos certeza de um futuro promissor. Não divulgo a idade média dos que escrevem no Blog da CIT, porque a Lucinha Peixoto me mata. Mas tentamos atingir os jovens. Quem sabe se os seus amigos, da mesma idade ou similar também não se interesse pelo nosso trabalho?
O seu primeiro e-mail nos deixou um pouco tristes, porque você dizia ter encontrado a CIT no Google e por acaso. Dai pensamos, queremos atingir os jovens e, em vez deles serem atingidos por uma divulgação pertinente os atingimos pelo mecanismos de busca. Ou seja, caro Felipe, lançamos balas de risos e emoções e você foi atingido por uma "bala perdida".
Para que outros não sejam atingidos somente desta forma, peço a você que divulgue nosso trabalho, se gostar, e peço sua permissão para publicar este nosso diálogo em nosso Blog. Já tenho uma sugestão para o título: "Jovem atingido por bala perdida chora de tanto rir" (sugira a vontade). Se você não nos permite publicar não diga nada, porque o que você nos disse já aumentou nossos lucros.

Saudações Cordiais
Diretor Presidente

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Sobre o diálogo, já está autorizado a divulgar! Gostei do título! kkkkkkkkkkkkk
E sobre o público jovem, tenho certeza que se realmente eles conhecessem o trabalho da CIT, com certeza acompanhariam as postagens. Uma boa leitura não tem idade, porque se fosse assim os clássicos nunca seriam clássicos. Basta a vocês que fazem a CIT, e a nós leitores, calibrar a mira e dar um tiro de cheio nesse público, pra que essa história aconteça diferente, e que eles não fiquem esperando por uma bala perdida! Mas agora chega de metáforas!!!

um grande abraço

Felipe Alapenha

AMOR etc.




Procuro os lábios. Imito os sábios. No amor. Sem nenhum favor.

A mão desce. Tudo estremece.

Os olhos se fecham. Corpos: que se mexam!

E nesse embalar. Sem nada mais importar

Nesses momentos, esquecem-se outros eventos

Acaso existam. Que o bem-bom e o doce tom, persistam.

Passando pelo lindo colo. De pólo a pólo

A mão esbarra na concha cheiínha. De amor. E calor.

Há bem pouco, tão calminha.

Porém, viva, impulsiva. À espera, que tal?

Do que é real. Não da quimera.

Do tudo que têm. Assim, vêm. E chegam mais carinhos

Nesses ninhos alucinantes. Circunstâncias e circunstantes

Entrâncias sem atenuantes. Reentrâncias abundantes.

Corpos que se dão, de coração. Amor carnal, que não admite rival

Como disse o poetinha, sem sair da linha: Vinícius - de Moraes

Com ou sem vícios, poeta mais e mais.

Suspiros, gemidos, beijos não contidos.

Enfim, extasiados, corpos suados.

Felizes, calam por instantes.

Os amantes, ficam abraçados, colados.

Pronunciam palavras puras, doçuras

E se afagam. Mas não se apagam.

E dormem. Agarradinhos, num só cantinho

Até que outras ondas se formem.

Acordam na madrugada, nova chamada

Do amor puro, bem maduro. E recomeçam-se as carícias

Delícias, intensas, densas, vibrantes

Estonteantes, até que enfim

Assim, assim, alcançam o previsto

Naquele doce e misto. Amor vivo, altivo, gostoso, carinhoso

Bulindo, explodindo. Descargas, na excitação. Coroam essa relação.


José Fernandes Costa - jfc1937@yahoo.com.br

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Encontros e Desencontros


Chega de avaliação dos encontros. Tal qual a Procissão do Encontro, que eu presenciei algumas vezes na Matriz de Bom Conselho, onde havia um misto de tristeza pela perda próxima e alegria pelo momento, o 9º Encontro, para mim foi feito de bons momentos. Mesmo tendo ficado chateado pela espera em Caldeirões, transformei o limão em limonada, e haja festa e alegria. Muitos descreveram e continuam descrevendo o evento, penso que chegou a minha vez. Serei atemporal, pois a narração linear não condiz com a própria festa.
Encontrei Zé Piulinha, quando o cumprimentei, pelo seu olhar, não me reconheceu, talvez pelo fato de eu ser um pouco mais novo. Como em todas outras situações
destas, eu não disse quem eu era. Guardei minha felicidade em ver as pessoas só pra mim num ato de egoismo, algumas vezes, e noutras num gesto de altruísmo ao ver que tanto eu quanto elas sofreram com o passar do tempo, pelo menos fisicamente. Vi Marinho mas não o abordei. Como também não o fiz com Beto Guerra com sua indefectível camisa vermelha e sua bela esposa. Tinha prometido falar com ele, devido uma troca de e-mails no passado, sobre o futebol em nossa terra. Como se dizia em nossa época, fiquei com vergonha, ainda sou muito matuto. Conversei com Solinge.
De longe avistei Terezinha Miranda. Moramos na mesma rua. A casa de Dona Mariazinha, sua mãe, era minha passagem obrigatória para o trabalho. Avistei outra pessoa, que também morava nesta casa. Será que só o animal homem lembra do passado? Será que um burro lembra o tempo em que ainda não levava carga? Acho que não. Esta dádiva divina Deus deu só ao homem.
Houve uma época em que a casa de Dona Mariazinha virou mais do que um ponto de passagem para mim. Se alguém me visse olhando para lá, pensaria que eu estava olhando o paraíso. E estava. Principalmente, quando no pequeno terraço, uma jovem ficava sentada numa cadeira de balanço. Nunca me notou, nem mesmo as batidas do meu coração que eram tão altas quanto o som do Paga-Nada em dia de carnaval. Não importava. Falei com Zé Carlos, que morava numa casa quase de frente, para me deixar ficar ali no terraço esperando alguma coisa, só como pretexto para olhar a jovem. Neste 9º encontro a vi várias vezes, de longe. Mesma beleza, mesmo sorriso mas com os cabelos grisalhos, lindos. Morri de vergonha por ter aplicado um acaju básico no meu. Mas, até hoje, quando ouço: “Índia teus cabelos nos ombros caindo. Negros como a noite que não tem luar...”, relembro aqueles momentos.
Encontrei Bastinho, nunca havíamos nos falado, mas eu o via em Bom Conselho. Hoje qualquer pessoa menos avisada pensará que é um sósia do Roberto Carlos, se não o próprio. Pela aparência, estava com os irmãos mais jovens, que não cheguei a conhecer. Conheci Zé Oião, desculpe, Dr. José Tenório, o responsável por eu ainda ter alguns dos dentes meus. Vi Daniel Brasileiro, que conheci menino, é mais novo do que eu. Nem tentei falar com ele. Desde pequeno tinha pinta de doutor. Só poderia ser médico ou prefeito. Foi os dois. Uma ótima pessoa.
Também vi Lourdinha Amaral. Apesar de morarmos na mesma rua, nunca nos falamos, mas a vi várias vezes saindo de casa para o ginásio. O tempo só passou para seu esposo, Zé Milton, do qual me lembro, além de suas crônicas sobre nossa cidade nos jornais, dos nossos encontros no futebol, como jogador (talvez não chegasse a uma Seleção Brasileira se continuasse no ramo) e como juiz, enérgico, raciocínio rápido, entendedor das regras e muito mais (nesta carreira, se continuasse, certamente hoje estaria nos quadros da FIFA). Vi Lourdinha e me lembrei de João Antônio, seu irmão, que não vi no encontro. Conto um causo, desculpem, não resisto.
Certo dia, lá pelos anos 60, vinha do trabalho, e como sempre tinha que passar pela Rua José do Amaral. Ao chegar na frente da casa de seu Júlio Porqueiro (assim chamado por comercializar, em todas as etapas de produção, a carne de porco, e que carne, uma verdadeira tentação para vegetarianos e adeptos de algumas religiões), estava formada uma pequena roda de pessoas, e no meio delas dois cachorros brigavam feio. Pareciam uma bola de pelo cor de cachorro. Um mordia o outro e outro mordia, o um, e rolavam no calçamento pra lá e pra cá. Logo mais um pouco para dentro da roda de pessoas encontrava-se João Antônio que dizia gritando: “Para com isso Tupã. Para com isso...” Do outro lado, Zé Cocó (funcionário de seu Júlio), com um cinto na mão batia nos dois cachorros e gritava: “Para... fi da peste”, aos berros. Me explicaram depois: a rixa entre Tupã (cachorro de João Antônio) e Darru (cachorro de seu Júlio) era antiga. Não se sabe o motivo. Uns dizem que era mulher, digo, cadela. Outros dizem que era devido a diferença de raças. Tupã era um cachorro grande raciado com Pastor Alemão, enquanto Darru era um quase vira lata, raciado com Pitt Bull. Outros ainda dizem que era um problema de classe social, Darru era mais pobre do que Tupã, e resolveu distribuir renda na tapa, digo, na mordida. Penso que não foi nada disto. É porque cachorro gosta mesmo de brigar, estar no sangue. Não existem as guerras? Finalizando, os cachorro se separaram. Tupã saiu um pouco ferido e Darru saiu na dele. João Antônio culpou o cinto de Zé Cocó pelos ferimentos de Tupã. No entanto, conta-se que não registrou queixa.
Falei em Zé Carlos, acima, também não o vi no encontro. Trabalhamos juntos recentemente na CIT. Agora diz que não quer mais nada com a vida. Está aposentado, curtindo o neto. Segundo ele, dizer que ser avô é ser pai com açúcar, é só uma meia verdade. Para a verdade ser completa tem que acrescentar a cachaça e o limão. Avô é pai com caipirinha.
Foram tantos encontros e desencontros que peço desculpas por não ter citado todos com quem falei. Quem sabem num número 2 da série eu fale desses outros amigos, ou não. Por hoje já foi muito grande o prazer destas lembranças.


Jameson Pinheiro - E-mail: jamesonpinheiro@citltda.com
Analista de Sistemas

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(*) Fotos do saite de Bom Conselho e da internet.

Acordo ortográfico (1) - Complemento.




Recebi do Diretor Presidente um artigo enviado pelo José Fernandes Costa (http://www.citltda.com/2009/02/acordo-ortografico-1.html ). Antes de qualquer escaramuça devo esclarecer que Diretor Presidente é o pseudônimo do nosso dirigente maior, ou nosso diretor-presidente, por isso não tem o famigerado hífen. Confesso que tenho minhas dúvidas se o hífen continua e se o próprio hífen mantém o acento ou não. Dizem que é uma exceção das paroxítonas, mas no plural perde o acento. Já começo concordando com o articulista que existe uma certa confusão mas, temos quatro anos para saná-la.
No artigo sobre a reforma ortográfica o José Fernandes mostra ser um verdadeiro proeta. Se antes arrasou na poesia, agora arrasou na prosa. Muito bem escrito, o artigo. No entanto, como se dizia no interior, não há bom sem faias, mesmo que pequenas. Farei algumas lucubrações sobre tópicos específicos com a devida vênia dele.
Logo no início há uma constatação. O acordo só vigorará plenamente em 2013. Até lá, além de termos sido campeões de futebol novamente, já deveremos estar em campanha para que Lula volte ao poder e assine nova reforma. Esta, a atual, já terá sido ensinada normalmente, pelos professores que ensinaram, antes dela, por que idéia tinha acento, e estarão aptos a ensinar por que agora não tem mais. Os alunos que, por esta época, queiram melhorar de vida fazendo o teste do Itamarati, “podes crer”, já estarão com a nova língua portuguesa na ponta da língua (sem trocadilho). Os que hoje estão reclamando que a reforma foi sómente um acordo comercial, hoje devem estar pensando no custo de aprender coisas novas, no futuro próximo já terão verificado que estes não eram tão grandes assim.
Concordo com o articulista quando diz que tudo isto gera muita confusão. Discordo quando diz que isto não traz nenhum benefício. A simples ideia de unificação da língua já é um benefício imenso para o nosso país e para aqueles países que não querem ter a hegemonia dela como forma de manter privilégios ultrapassados, como é o caso de Portugal, com seus históricos ranços colonialistas. Os outros benefícios virão como consequência.
Por estas e outras dos portugueses é que radicalizamos e propomos que a próxima reforma seja feita para implantar o Brasileiro. Como dizia o Eça de Queirós, tão bem citado por José Fernandes, o Português com açúcar. De qualquer forma chegaremos lá. Mas com estudo, ousadia, e a verve dos nossos linguistas, chegaremos mais cedo. A reforma que está sendo implantada é muito modesta e restrita. Isto gera mais exceções do que regras compreensíveis e claras. Já está na hora de nos libertarmos do jugo português, novamente, agora na língua.
Talvez estejamos esperando (olha o nosso complexo de vira-lata aí, gente!) que os linguistas americanos criem o Americano a partir do Inglês Americano. Aí aparecerão os Juracis Magalhães da vida para justificar : ...o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil. Aparecerão centenas de jovens professores pedindo bolsas para lá estudarem e sorverem a experiência deles. E continuaremos na rabeira, tecnologicamente, a eles pagando royaltes (Este já é uma palavra do Brasileiro, pois agora temos o y. Em Inglês era royalties, economizamos uma letra). Partamos na frente.
Eliminamos o trema. Que Deus o tenha. Não mudamos nada na pronúncia, que é o guia para a escrita e não o contrário. Aquele que pronunciar frequente como fre-quente, é porque não fala nem ouve frequentemente. E este hífen, porque deve continuar? Realmente a reforma foi muito tímida. Mas chegaremos lá. Sem hífen e sem acento, e quem sabe com ideogramas como os chineses.
Se ainda não chegamos ao Brasileiro, o que nos resta é divulgar e ensinar a todos como se escreve, com a Reforma. Hoje vejo em tudo que é jornal, saites, televisões, comentários contra e a favor da reforma. Muitos incorrem no erro de criticá-la sem mencionar que ela já foi aprovada em 29 de setembro de 2008 em decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Deste erro o José Fernandes está isento de culpa, ele avisa que não se pode cobrá-la de ninguém, oficialmente, até dezembro de 2012. Mas a reforma foi tão pequena que os meios de comunicação escritos, pelo menos os mais lidos, já a adotaram. Até já nos mandaram imeios com o resumo desta reforma.
Agora me lembrei de como me ensinaram o catecismo. Nasci católico mas não posso me considerar um verdadeiro praticante, todavia dar para lembrar, quando meu pai perguntava: Quantos são os Mandamentos das Leis de Deus? Eu respondia na lata: Os Mandamentos das Leis de Deus são dez mas, se encerram em dois: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo. Agora pergunto, quantas coisas mudaram na Reforma Ortográfica? Resposta: Foram umas vinte mas estas quase vinte se encerram em três: O trema morreu, alguns acentos foram seqüestrados e o hífen nos fez reféns do novo Volp (Vocabulário Ortográfico da Língua Português) que deve sair em breve. Se isto não ocorrer logo alguns escritores mais conservadores invadirão a Academia Brasileira de Letras e sequestrarão o Evanildo Bechara. Enquanto se espera com calma use o saite desta instituição para tirar dúvidas: http://www.academia.org.br/, no linque, ABL Responde ou no próprio Volp (que ainda não foi atualizado).
Vamos caminhando para a grande reforma, o Brasileiro: o Português com açúcar. Eça ficará mais doce do que o Primo Basílio.

José Andando de Costas - Imeio: jad67@citltda.com
Revisor

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(*) Foto da internete. Uma barbearia em Portugal.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

NOSSA MÃE


Adoro tomar vinho.Tinto. Seco. Uma taça ao dia, apenas.....Para o coração, para o prazer, seja qual desculpa eu queira dar.......Hoje tomei na taça da minha mãe. Presente de meu irmão, fiquei como lembrança.Como se disso precisasse....Ele trouxe para ela , se recordo bem,de Minas Gerais. É de estanho , retém o frio e é dos frades...
Ele sempre trazia algo para ela.TODOS nós,sempre trazíamos um mimo, algo para ela. NOSSA MÃE. Como o título do livro da Senhora Leandro Dupré, " Éramos Seis".Um se desgarrou e voou em outubro de 2006 e ela, valente pernambucana, foi cuidar dele 04 meses depois. Seria muito ficar sem o seu caçula,nosso pequeno.
Fiquei com ela por 08 meses em Bom Conselho. Morei nas terras entre as serras , por 02 vezes: em 1965 por um ano, ano esse que me deu tudo o que amo hoje nesse lugar, amigos , parentes , chão. E em 2007 por 08 meses. Camaleoa, a readapdação foi fácil. Venham Calderões, Bom Conselho, Cingapura,China, Estados Unidos....tudo igual !!! Mas o que conta é a essência. O ser. Humanamente possível.
Dediquei a ela, minha mãe, cada momento desse período.Fiz comidinhas especiais, levei, trouxe, pintei cabelo, joguei "RUMIKUB" e a fiz , sutilmente, ganhar.....Conhecem esse jogo? Recomendo. Ela amava. Dancei para ela com a bengala que se recusava usar....ou timidamente usava com meus incentivos....das terras de papacaça como a caçadora tornou-se caça? Em que momento crescemos?
Ao menor desejo, uma ordem.O céu era perto.Peça , mãe , como mágica realizamos.Ela mereceu.Contei com o apoio sincero, profundo , amigo , de meus irmãos.Sem eles, não poderia ser fada. Contei com toda nossa família : São Paulo, Brasilia, Recife, Atibaia , Surubim, Caruarú...Com afeto , presença. Lembrança.
Contei com a gente amiga de Bom Conselho: na praça, no hospital,nas visitas...lá estavam eles, sinceros, solícitos , carinhosos......Precisava aferir a pressão? Era só telefonar. Rapidamente chegava a providência. Remédio? Fisioterapia? Milho verde?Pamonha? Manga? Tudo se provia. Bolos deliciosos chegavam .....presenças , doces palavras. Confie! Creia, em Deus!!!!
Tenho muito a agradecer. Tudo isso para dizer que hoje faz 02 anos que a dona Josefa de Miranda Luna se foi... encontrou nosso pai , nosso irmão e hoje vivem felizes para sempre! Assim os sinto. O sentimento é um só: GRATIDÃO. A mãe das virtudes.

"Obrigado, minha mãe, por tudo que sou. Obrigado , mãe, que se sacrificou.
Muito obrigado por me amar assim.
Obrigado pelos beijos e conselhos que me deu e a vida que você me ofereceu." beijos dos seus filhos.
boa semana bjussssssss


Ana maria miranda Luna - São Paulo

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

MEU CARUARU, CORRA, A VEZ É SUA!


De alguns anos para cá, vimos alimentando uma convicção absolutamente viável. Não sabemos quanto aos demais leitores ou observadores essa convicção já chegou em si, tão forte. Nosso Pernambuco, líder na região, famoso pelos seus filhos, forte pelo seu patriotismo, não pode mais, de maneira alguma ter sua Capital (sede do Governo) onde está. O progresso, as lideranças interioranas e o poder de comunicação social e implantação industrial, já reclamam isso. Estamos na fase das mudanças. A civilização e o comércio, já não suporta mais a absorção da nossa Capital onde se encontra. Estruturalmente falando, está insuportável.
Será, ilustrados amigos e conterrâneos, que a lição de Brasília não satisfez? Até nisso, precisamos mudar, tendo em vista, sua posição estratégica para quaisquer fins, que nos leva a tal providência.
Sabe quem está positivamente pronto para receber essa inevitavel mudança? É o MEU CARUARU. Podem acreditar, todos aqueles tradicionalistas, acomodados, insensíveis ou coisa que o valha, mais cedo ou mais tarde, irão ver isso acontecer.
Esse sonho, desta oportunidade, abrindo os olhos das autoridades, já vem de muitos anos como já dissemos no início. Hoje uma realidade que muita gente não quer aceitar, mas vai acontecer. Por isso, começamos a tecer os fios da esperança com essas palavras simples, sem tanta tecnologia, sem tanta ciência política, pois, nossos olhos enxergam uma verdade nua e crua.
Estamos espantados com o progresso do MEU CARUARU. No comércio, na indústria, na tecnologia, no ensino é uma coisa fantástica. MEU CARUARU, está forçando o Governo Federal, o Governo Estadual e o Poder Judiciário a andar com ele, sinão o povo e o seu crescimento vão embora e eles ficam.
Observemos bem, se não é verdade: no Poder Judiciário (Justiça comum) veio o aumento de Varas, prédio novo, bonito e confortável. Veio a Justiça do Trabalho, aumentando suas Varas. Veio a Policia Federal, instalou-se aqui e não vai durar muito tempo, terá seu efetivo aumentado com suas instalações modernamente implantadas na nossa cidade e maior número de Delegacias para atender todo interior do Estado. MEU CARUARU é geográficamente o coração de Pernambuco. As duplicações das estradas, Recife/Caruaru por Jarbas Vasconcelos. Agora vem o jovem Eduardo Campos, Governador atual "taca" a estrada do jeans, Caruaru/Toritama/Santa Cruz do Capibaribe, e apostamos "todas as fichas", no próximo Governo sai Caruaru/Garanhuns. É isso ai, queridos amigos leitores.
Em turismo, nem se fala, MEU CARUARU, é raça, já está conhecido no mundo todo. É grande fonte de atração até para empresários estrangeiros conhecer a verdadeira "Boa Terra" que os nossos colonizadores já afirmavam.
No mundo dos remédios, já temos bons e famosos fabricantes, queremos dizer, indústria ou laboratório. Os nomes ficam para os seus profissionais, o importante saber é que já temos. Será que pecaríamos em dizer: raramente são levados pacientes para os hospitais recifense; mas, que temos bons hospitais e casas de saúde, temos.
Agora, não é mais só a bonita e adequada letra/música de Onildo Almeida (nosso bom e querido amigo), não. Além do que ele disse da feira, hoje é muito mais forte, é tudo aquilo que dissemos acima, é somente para provar que MEU CARUARU tem condições físicas, estratégicas e econômicas para absorver a Capital do Estado.
Vamos esperar qual o Governador e seus Deputados, "topam essa parada". Precisamos de líderes para dá o ponta pé inicial, o povo pernambucano aceita o desafio.
Falamos em desafio, porque é de nossa índole, lutar pela independência, pela liberdade, pelo progresso e pela segurança. Com fortes e contundentes campanhas de convencimento e hábeis esclarecimentos, o agrestino, o sertanejo,também,os irmãozinhos da zona da mata, estariam a postos, por uma só razão: ser mais fácil e mais perto, mais cômodo e mais econômico para eles no atendimento pelas autoridades que oferecem seus serviços bem mais fácil àqueles menos providos de condições de locomoção, de finanças e de oportunidade ao acesso as mesmas. Esperamos ser estimulados nessa ideia, nesse projeto, nessa oportunidade, a fim de podermos voltar ao assunto, insistentemente, até que o Poder Legislativo abrace a causa, junto com o Poder Executivo. Precisamos de alguém que assanhe (no bom sentido) a causa.

Com a graça de Deus
Diác. Edjasme Tavares Lima
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(*) A CIT publica este artigo porque concorda com o que ele pleiteia e, caso se realize, Bom Conselho será um dos grandes beneficiados.

CHIADO do CARRO DE BOI


Assim, sem mais delongas, aqui entre carros de última geração, lembrei que não ouvi dessa vez o som triste do chiado do carro de boi......será que mataram todos os bois em nome do progresso? Será que todos eles se modernizaram e são agora carros silenciosos ? Que coisa mais sem graça! Lembro das idas ao sítio de tia Osana , nossa, que nome mais moderno hoje, lembra Obama....Osama....Osana.....bem, íamos eu, meus pais, minha irmã e meu irmão mais novo. Lembro de olhar pela janela dos fundos da casa, isso mesmo, aquelas casas típicas dos sítios de Pernambuco e admirar a imensa quantidade de pés de manga do "quintal".Quintal? Era muita manga, lembro também que minha mãe e minha irmã quase se perdiam de tanto chupar as doces mangas.......voltavam com mãos e bocas amarelas...então me pareciam sujas, hoje, de um colorido incrível, difícil de esquecer e que nenhum pintor imitaria tal nuance......seria a cor da saudade?
Lembro da tarde caindo......uma mansidão que não tem explicação e....
lá longe, uma mancha e um gemido tão sofrido, tão agudo , que nem sei porque lembrei dele agora. Ficava olhando aquele quadro como a saber que muitos anos depois ele renasceria em minha mente! O carro se aproximava e na frente um homem com uma vara? Um pedaço de madeira? Um bambú? Vinha confiante, como a comandar uma tropa! E o carro gemia e aquele chiado entrava em meus ouvidos a marcar para sempre aquele momento. Houve outros carros, muitos! E dessa vez não os ouvi.........
Soube que os bois se acostumam tanto com o condutor, que com um simples chamado dele, já se alinham para serem encangados...a eterna parceria.....pesquisei um pouco:

"O carro é composto por duas rodas, uma mesa de madeira e um eixo. As rodas são feitas de madeira de boa qualidade, com um anel de ferro de forma circular nas extremidades, para garantir maior resistência. Primitivamente, o carro não era ferrado e as pessoas diziam que “o carro andava na madeira”. A grade possui cerca de três metros de comprimento por um e meio de largura, com duas peças mais resistentes de cada lado e uma terceira no meio, mais comprida, destinada a atrelar o carro à canga, uma peça, também de madeira, com mais ou menos um metro de comprimento, contendo um corte anatômico para assentar bem no pescoço do boi, sendo segura por uma correia de couro chamada de brocha. A grade é apoiada sobre um eixo. O ponto de apoio da grade sobre o eixo são duas peças de madeira chamadas cocão. O chiado ou cantiga característica do carro de boi é produzido pelo atrito do cocão sobre o eixo."


É isso mesmo....a cantiga..... esse é o nome certo ...a cantiga do carro de boi. Tenho uma foto em algum lugar , em pé, feliz no carro de boi, em Calderões. Naquele tempo , o chiado não era melancólico....nem triste. Era lindo! O chiado do carro de boi se mistura a saudade e a beleza de tudo que vivi. Deus, me livre de no próximo encontro não procurar um carro de boi.....e cantar êeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee boi!!!

Clique na seta e ouça o chiado do carro de boi.

boa semana
bjussssss Ana Luna - São Paulo

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(*) Fotos da CIT e uma de Gildo enviada por Ana Luna. Todos dos arredores de Bom Conselho.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Acordo ortográfico (1)

"No Brasil, escreve-se português com açúcar."
Eça de Queiroz.




Reportando-se ao acordo ortográfico que sentou praça em nossas praças, o Millôr Fernandes diz que teme perder o chapéu, ops!, o circunflexo no Millôr. Eu lhe disse que sossegue, porque o circunflexo é nosso. Depois me lembrei de que o circunflexo também é de muitas outras línguas.

Vêem, antevêem, revêem, dêem, crêem, descrêem devem perder o circunflexo. Mas vêm, intervêm, provêm, têm, mantêm, detêm não vão perdê-lo. Vão mantê-lo.

Porém, sempre há um porém. O Millôr tem outras indagações: se houve plebiscito nessa história de acordo; se alguém ouviu um grande escritor ou algum dedicado professor de português, dos tantos quanto existem por aí. Segundo o Millôr, só os velhinhos da ABL daqui e de lá (Portugal) foram auscultados.

Mas eu ouvi alguns professores. E senti a preocupação deles com as dificuldades que advirão para os seus alunos. Até porque a muitos professores, que não sejam tão dedicados, faltam conhecimentos e sensibilidade para lidar com essa problemática. E ninguém pensou como será a capacitação desses professores já meio capengas.

Pois precisam preparar-se para dizerem aos seus alunos que eles podem escrever das duas maneiras - a de antes e a pós-acordo. E dizerem que nenhum professor, nem banca nenhuma pode tirar ponto de aluno ou candidato que escreveu paranóia, antiinflacionário, idéia, heróico, freqüente, argüir, vêem, crêem, auto-escola numa prova ou concurso público. Que eles, os alunos e nós todos, temos quatro anos para nos adaptar a essa barafunda.

E a confusão se vai instalar na cabeça de muitos: ao dizer que idéia, heróicos, Coréia, paranóico não têm mais acento agudo, o professor tem que dizer por quê. Ao explicar que papéis, heróis, anéis, carretéis, anzóis, caracóis vão manter seus acentinhos, também precisa ele dizer por qual razão. Deixar claro que o acento só morreu para os ditongos abertos das palavras paroxítonas. E está vivinho da silva para os das oxítonas.

Haja dúvidas por cima de dúvidas. Porque nós vamos continuar escrevendo em língua portuguesa. E os alunos têm que escrever muito vida afora.

Agora mesmo o Instituto Rio Branco está abrindo inscrições para concurso de admissão à carreira de diplomata. O concurso abrange quatro fases de provas. Quem lograr êxito na primeira fase, que consta de várias matérias, vai para a segunda fase, somente de língua portuguesa escrita, com caráter eliminatório e classificatório. Se passar, submete-se às outras duas fases.

Pergunto: quem não quer melhorar de vida? Todos queremos, novos e velhotes. Mas, para isso, é preciso saber escrever na língua-padrão. Do contrário, o Itamaraty dá-lhe um pé-na-bunda.

Quem já tinha dificuldades com a língua, vai ficar pior. Então, dentro do Brasil, nenhum ganho para nós. Só há ganhos para os comerciantes de livros didáticos, dicionários, manuais de redação etc.

Assim, chamamos isso de grande acordo comercial. Se houver um pequeno ganho nas relações internacionais, isso não justifica os gastos, que serão lançados na coluna de prejuízos. Prejuízos para nós, pagantes de impostos. Não tenham dúvidas: sobrou pra nós, os macaquinhos que votam e pagam impostos!

E se é certo que outros medalhões não foram consultados, também é certo que foram muitas as viagens para seminários, congressos, conferências etc., para tratar dessa minirreforma. As conversações começaram em 1986. Portanto, foram 22 anos de proveitosas (para quem?) viagens e convescotes. E os países africanos, que falam o português, quase nem foram ouvidos.

Pra que ouvir africanos? - Devem ter pensado os grandes reformadores. Ocorre que há bons escritores nos países africanos de língua portuguesa.

Gastaram-se alguns milhões nessas idas e vindas. Mas os milhões já gastos com os convescotes, não são nada, se comparados com os milhões e milhões que se vai começar a gastar para reeditar tudo. O Ministério da Educação pode falar sobre o material escolar que se deve importar, satisfazendo os editores, que são pouquíssimos, mas vão ganhar muitíssimo, à custa desse acordo. Muito dinheiro nosso vai rolar por baixo e por cima desse miniacordinho.

Portanto, os velhinhos de lá e de cá, obraram muito bem quando puseram o nome acordo. Porque se trata de um acordo financeiro. Acordo comercial. E em acordo comercial, ninguém se une. Apenas existem os ganhos financeiros. Cada qual defende os seus. Ou seja, ninguém deixa o seu na reta. Depois, havendo civilidade (se é que há civilidade entre comerciantes) - havendo civilidade, comemora-se o resultado com o perdedor. E sai-se pra outra. Esse é o jogo das finanças!

O que se contém nesse esboço de acordo, que teve uma gestação de 22 anos, é um fiasco. Veio mais para confundir do que para explicar. Isso não é teimosia, nem apego a velhos costumes, nem radicalismo, nem saudosismo, nem conservadorismo. É constatação!

Tenho encontrado esse texto em vários veículos de comunicação. Do "Estadão" ao portal de internet "Corto cabelo e pinto". Muitos o reproduzem. No Corto cabelo e pinto, há comentários de leitores. Alguns deles se viram contra o presidente Lula que assinou o acordo. Dizem que o presidente da República é semi-analfabeto e, por isso, tal aberração haveria de ter a sua chancela.

Apesar de dicionários registrarem semi-analfabeto, eu nem concordo com esse termo. Porque ou você é alfabetizado, ou semi-alfabetizado ou é analfabeto. Mas, deixa pra lá. O danado é que os que dão essas opiniões usam o português sinuoso e subnutrido.

Por essas e outras, resolvi dar os meus palpites sobre o acordo que se diz ortográfico e que está aí na praça. Nunca vislumbrei nele mudanças para melhor. Também não acredito que ele vá unir coisa nenhuma. Então, julguei-me no direito de me intrometer. Antes, porém, quero citar alguns pontos de vista de quem entende do assunto.

Leiam o que escreveu a respeito, Marcelino Freire, escritor e ganhador do Prêmio Jabuti, pelo seu livro "Contos negreiros":

Essa coisa é, repito, mais financeira. Não acredito que seja para melhorar. Nunca acredito nisso. Em projeto para unificar. Eu quero desunificar a língua. Como escritor, deixem que eu mesmo mexa nela. Requebre e rebole. Bote ou não bote trema. Deixem que eu trema. Que eu junte ou não junte. Minha pátria é minha língua. Logo, única. Viciada. Por que, ora, em vez disso, atenção e aviso: o pessoal não se preocupa em banir o estrangeirismo excessivo pelas ruas e 'shoppings'? Pelos edifícios. Xô, MacFish. Quero o peixe, o tubarão. Certo? Chega de 'all right', meu irmão."

E o escritor angolano, Ondjaki, autor de "Os da minha rua", pensa do mesmo jeito de Marcelino.

O escritor e jornalista português, João Pereira Coutinho, que tem excelente coluna no jornal Folha de São Paulo, considera o acordo "um brutalíssimo erro". E notem que Coutinho, nos seus artigos assinados, procura usar os vocábulos empregados na nossa escrita e não os de uso em Portugal.

O professor e estudioso da nossa língua portuguesa, Pasquale Cipro Neto, disse: "Estamos fazendo a reforma no susto." Pasquale ainda acredita nesse ensaio de reforma. Mas nem deveria acreditar.

Os retoques finais desse acordo, saíram da luneta do renomado professor e acadêmico da ABL, Evanildo Bechara. Na redação do miniacordo, há impropriedades de colocação pronominal e redundâncias. Mas isso é de somenos. Não é a redação que está em debate. É a essência do projeto; é o que ele poderia representar de avanço. Mas, não houve avanço. Trocamos seis por meia dúzia.

Basta que o leitor atento veja a quantidade de observações e pendências que estão no texto. São exceções que não vieram para confirmar a regra. Essas exceções vieram para mostrar os desacertos.

Se ao menos houvessem escrito Chico em vez de Francisco, haveria um ganho: menos letras no texto. Mas, do jeito que está posto, quem não sabia usar hífen, vai continuar sem saber. Porque o hífen continua existindo. Apenas mudou de lugar. Ele não sumirá das nossas penas, nem dos nossos teclados. Até o trema permanece nos nomes próprios, de língua estrangeira, e seus derivados: Müller,mülleriano,Jünger,Bündchen.

Mas o trema praticamente nos abandonou. O hífen, teimoso que é, não nos vai abandonar. E como ficam as mentes de quem mal acabou de se alfabetizar, ao deparar-se com quente e frequente; com aquilo e arguir; com banquete e consequente? Como pronunciar?

Os defensores do miniacordo dizem que o espanhol é falado por 400 milhões de pessoas e tem escrita única. Matreiramente, esses defensores não dizem que dentro da Espanha existem quatro idiomas: o castellano (oficial); o gallego; o catalán e o bascuense. São idiomas com escritas diferentes. Não são dialetos.

Deixemos o espanhol, para nos ater às incongruências do pretenso acordo. Basta-nos observar o emprego do hífen. Na forma anterior, pouca gente sabia usá-lo. Na forma hoje pretendida, tornou-se o samba do crioulo doido: muitas palavras mantêm o hífen; muitas outras das que o tinham, deixaram de tê-lo; e outras que não o tinham, adotaram-no.

Ora, quem corta o trema / que diz onde está o fonema / e que dá o tom da pronúncia do que é conseqüente / e mostra tudo quanto é quente. Por que manter o hífen em vice-presidente?

É muita desordem num só pacote!

Exemplos de palavras que mantêm o hífen: ano-novo (o ano entrante: feliz ano-novo); bom-dia, boa-tarde, bem-vindos, guarda-chuva, recém-nascido, recém-iniciado, pré-histórico, pré-natal, pós-graduação, pós-acadêmico, pró-reitor, conta-gotas, azul-claro, pró-empresários, cor-de-rosa, segunda-feira, sexta-feira, erva-doce, vice-rei, mal-me-quer, sem-vergonha, sem-terras, além-fronteira etc.

Agora, cantem comigo:

Eu estava em Pernambuco / e um velho maluco me apareceu. Vinha com um acordo enrolado, emaranhado e dizia: "Toma, que ele é teu."


Voltarei ao assunto. - José Fernandes Costa - jfc1937@yahoo.com.br

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

O 10º Encontro Revisitado


Estive em Bom Conselho no 9º Encontro de Papacaceiros. Menos no segundo dia, dia do “tour rural”, no qual fiquei esperando pela caravana em Caldeirões, na sede da CIT com o Diretor Presidente, Jameson e Jefferson – nosso funcionário lá no escritório. Quando eu era menino e adolescente, lembro que havia, em meu quarto um desses azulejos, que são brancos, com uma frase, “Saber esperar é uma grande virtude”. Vi isto durante muitos anos ao acordar e ao deitar. Não sei como me tornei alguém tão impaciente. Fui o primeiro a dizer, depois de algumas horas de espera, eles não veem mais.
O que fazer? – título de livro de Lênin, já elogiado e criticado mais do que o próprio Encontro a que me refiro. Para entender melhor o que fizemos devo relatar alguns acontecimentos desde o primeiro dia do Encontro.
Estava eu no Hotel Raízes, lotado, como fica nestas ocasiões, mostrando que os papacaceiros de dentro tem bons lucros com os papacaceiros de fora, quando um amigo disse: “Olha, vai haver uma entrevista na Rádio Papacaça com os papacaceiros.” Pensei, será que eu, por não ter nascido em Bom Conselho, não sou considerado um papacaceiro? Então, comprei uma camisa! Peguei meu carro e fui piorar ainda mais o tráfego da cidade, normalmente, já um pouco caótico. Imaginei uma multidão em frente à Radio Papapaça. Não havia. Os papacaceiros restringiam-se a algumas pessoas da Colônia do Rio de Janeiro, seu regional e o José Arnaldo, cumprindo com brio, sua profissão de político, dizem, um bom político. Outros, de outras plagas eram poucos, como o Luiz Clério, Saulo e alguns de quem, me desculpem, não sei os nomes.
Alguém me fala novamente: “Eles ainda serão recebidos pela prefeita Judith Alapenha na Prefeitura”. Foi aí que perguntei com aquele ar de ateu inocente: Mas só este grupo? Com uma resposta afirmativa parti de volta para o meu Hotel, em cujo trajeto liguei o rádio e o sintonizei na Rádio Papacaça onde José Povoas se sobressaia com seu Sax, o que aconteceu outras vezes onde vi o Regional se apresentar.
O problema dos hotéis, ou dos seus quartos, é esgotar rapidamente o que temos para fazer, e começarmos a pensar. E não achem que isto se aplica apenas a pequenos hotéis. O problema é que, quando os hotéis são pequenos os pensamentos se agigantam. Cadê o José Quirino? Será que ele já estará esperando lá na Prefeitura? Deve estar sim. Como alguém que organizou toda a festa, não está lá, na linha de frente? Quirino foi? Agora, muito tempo depois, não o encontro nas fotos do encontro da Prefeitura. Por que? Ah! O fotógrafo não o quis captar. E porque só aquele grupo? Agora sei. Foi a Colônia Papacaceira do Rio de Janeiro, cujos membros “resolveram conversar com ela (a prefeita) tendo em vista que há muito não se viam e para intervir e pedir junto ao governo solução para problemas que o município enfrenta de água nas torneiras. Após colocar a conversa em dia, em um rápido encontro. A Colônia Papacaceira do Rio de Janeiro convidou Judith para ir ao Rio de Janeiro e colocaram-se a disposição do governo municipal. O Trio sacou instrumentos e tocou música para a ilustre conterrânea, a música chamou a atenção dos funcionários da Prefeitura e a todos contagiou por sua beleza e alegria.”(Fonte: Saite de Bom Conselho). Ou seja, eu fui enganado desde o início por quem me disse que todas estas atividades envolveriam os papacaceiros em geral. Como fui burro em acreditar no primeiro papacaceiro que passa. Perdi o resto do primeiro dia. Bem feito!
Antes de viajar para Caldeirões, tenho um comentário a fazer. Não sei quem foi que deu a ideia de colocar naquela camisa do Encontro uma representação da Virgem Maria. Todos sabem sou um ateu convicto e praticante, mas sou um bom ateu e não critico a fé daqueles que a tem, seja de qualquer crença, religião, credo, seita ou outra. Mas quando olhava para a camisa que comprei, e que me dava a honra de me tornar um papacaceiro, parecia estar vestindo uma bandeira de uma festa religiosa em minha cidade, que ficava num mastro, no centro da praça. Compreendo que Bom Conselho é uma cidade de maioria católica. Mas, esta camisa, além de não beneficiar em nada os verdadeiros católicos, reforça a crença, esta errônea, de que na cidade não há outras religiões, algumas até provenientes da católica, que gostariam e deveriam participar da festa. Lucinha Peixoto já falou num artigo o que disse a ela sobre a missa na programação. Repito aqui, porque não uma cerimônia mais ecumênica? Evangélicos, Muçulmanos, Hindus, Budistas, Judeus, Espíritas, Umbandistas, Logosofistas (desculpe senhor Marlos Urquisa, de quem leio todos os artigos, em não estar certo se a Logosofia é uma religião ou não), outras, e até Ateus (porque não? Todos somos filhos de Deus, é o que dizem). Além disto, isto pode incentivar uma espécie de Fundamentalismo Católico, com o qual não concordo, mas que alguns poucos ainda teimam em divulgar. Vamos ampliar a festa.
Finalmente em Caldeirões. Na janela esperando o cortejo festivo. Deu nove. Deu dez. Deu onze. Deu três horas da tarde e nada. Retomo minha impaciência do início deste escrito. Eles não veem mais. Ou virá somente a Colônia Papacaceira do Rio de Janeiro? Fui enganado outra vez?
Enquanto remoia os pensamentos da véspera os outros preparavam as comidas e as bebidas que ofereceríamos à comitiva. Nada de comitiva. A resposta ao que fazer foi dada pelo Jameson, quando na porta do nosso escritório já estava se formando um pequena multidão, para os padrões populacionais da localidade. Vamos fazer nossa festa!!! Festa morta, festa posta. O Jefferson da Silva, jovem, farreiro e inteligente disse, será o 1º Encontro de Caldeireiros. Quem poderia ser contra. Ao anunciar ao povo a boa nova, naquele linguajar simples daquela boa gente, foi um alarido geral. Alguém avisou ao senhor Jornes em sua casa, que mesmo dando apoio à festa não pôde comparecer. Outras lideranças locais apareceram e, apesar do não planejado, a festa foi um sucesso.
Isto não indica, como deu a entender a Lucinha, em artigo anterior, que, festa, quanto menos planejada melhor. Já falei com ela sobre isto. Qualquer atividade humana sem planejamento é fadada ao fracasso e à volta do método da tentativa e erro que já era usado no tempo das cavernas ou nas paqueras das praças do interior. É óbvio que coincidências acontecem e desta vez, a falta de planejamento deu um gostinho especial à festa. Brincamos até à noite. Um cartão de Caldeirões by night, não venderia muito. Quem sabe num próximo encontro. Jefferson disse que vai ser seu organizador. No futuro poderá ser chamado o Quirino de Caldeirões.
No terceiro dia houve a feijoada. Nesta estavam todos, ou quase todos os papacaceiros. Devo dizer que não conheço muitos. Não sou da cidade. Conheço apenas os que nela habitam por força de meu emprego na CIT. Fui apresentado a alguns mas, apresentações de festa e no último dia não atam nem desatam. Bom mesmo foram as conversas anônimas e com os jovens ou não tão jovens.

- Está gostando da festa?
- Tá massa!!! As músicas é que deveriam ser mais para jovens, ou pelo menos mesclada... Só dar forrozão. Tou fora!!!
- Mas tem outros ritmos, não tem?
- Até agora não vi nada que preste.

- Está gostando da festa?
- Não muito, deveriam ter trazido a Super Ohara. Aquilo sim.
- Esta eu não conheço.
- Não conheces? Estás por fora, cara!!

E por aí vai. A festa tocando, o feijão passando pela garganta, conduzido pela cerveja não estupidamente gelada, os casais dançando, as pessoas se encontrando e fazendo aquele barulho que torna impossível qualquer conversa maior. E para mim terminando o 9º Encontro. Quando cheguei no Hotel o feijão resolveu sair de forma mais rápida e desorganizada, e com dor.
Terminada a festa vem a quarta-feira. Hora de avaliá-la e avaliar suas conseqüências. Houve falhas graves de organização e isto é dito por todos. Para o próximo encontro deve-se planejar mais. Profissionalizar mais a festa. Isto não quer dizer, como dão a entender alguns, que deva fatalmente ter o dedo do poder público. Muitas vezes isto desorganiza mais ainda. O poder público deve se ater àquilo que é sua obrigação, prover os bens públicos para realização da festa. Sua infra-estrutura básica. Para sua organização, deve-se formar um equipe de bons profissionais e que entendam do traçado. Isto pode muito bem ser feito sob a coordenação do José Quirino Filho, e aliás, deve ser. Esta estória de formar comissão de organização, depois da festa, cheira a luta pelo poder. Qualquer comissão de organização do 10º Encontro deve ser formada pelo José Quirino, ou com sua concordância. Bem ou mal, com interesse ou sem interesse (político, financeiro ou qualquer outro) ele vem organizando isto por muito tempo. Vamos passar isto para outros? Para quem? Apresentem-se os candidatos para o 11º Encontro, que tal uma eleição em janeiro de 2010? Todos votariam e seria uma forma de avaliar a gestão anterior, como acontece normalmente nas democracias ocidentais. Mas, uma comissão de organização agora, sem a concordância do José Quirino, para gerir o próximo encontro, é querer cuspir no prato em que comemos a ótima feijoada. Mesmo que ela tenha tido alguns efeitos adversos, estes não foram sentidos por todos.

Cleómenes Oliveira
Diretor de Operações