terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Acordo ortográfico (1) - Complemento.




Recebi do Diretor Presidente um artigo enviado pelo José Fernandes Costa (http://www.citltda.com/2009/02/acordo-ortografico-1.html ). Antes de qualquer escaramuça devo esclarecer que Diretor Presidente é o pseudônimo do nosso dirigente maior, ou nosso diretor-presidente, por isso não tem o famigerado hífen. Confesso que tenho minhas dúvidas se o hífen continua e se o próprio hífen mantém o acento ou não. Dizem que é uma exceção das paroxítonas, mas no plural perde o acento. Já começo concordando com o articulista que existe uma certa confusão mas, temos quatro anos para saná-la.
No artigo sobre a reforma ortográfica o José Fernandes mostra ser um verdadeiro proeta. Se antes arrasou na poesia, agora arrasou na prosa. Muito bem escrito, o artigo. No entanto, como se dizia no interior, não há bom sem faias, mesmo que pequenas. Farei algumas lucubrações sobre tópicos específicos com a devida vênia dele.
Logo no início há uma constatação. O acordo só vigorará plenamente em 2013. Até lá, além de termos sido campeões de futebol novamente, já deveremos estar em campanha para que Lula volte ao poder e assine nova reforma. Esta, a atual, já terá sido ensinada normalmente, pelos professores que ensinaram, antes dela, por que idéia tinha acento, e estarão aptos a ensinar por que agora não tem mais. Os alunos que, por esta época, queiram melhorar de vida fazendo o teste do Itamarati, “podes crer”, já estarão com a nova língua portuguesa na ponta da língua (sem trocadilho). Os que hoje estão reclamando que a reforma foi sómente um acordo comercial, hoje devem estar pensando no custo de aprender coisas novas, no futuro próximo já terão verificado que estes não eram tão grandes assim.
Concordo com o articulista quando diz que tudo isto gera muita confusão. Discordo quando diz que isto não traz nenhum benefício. A simples ideia de unificação da língua já é um benefício imenso para o nosso país e para aqueles países que não querem ter a hegemonia dela como forma de manter privilégios ultrapassados, como é o caso de Portugal, com seus históricos ranços colonialistas. Os outros benefícios virão como consequência.
Por estas e outras dos portugueses é que radicalizamos e propomos que a próxima reforma seja feita para implantar o Brasileiro. Como dizia o Eça de Queirós, tão bem citado por José Fernandes, o Português com açúcar. De qualquer forma chegaremos lá. Mas com estudo, ousadia, e a verve dos nossos linguistas, chegaremos mais cedo. A reforma que está sendo implantada é muito modesta e restrita. Isto gera mais exceções do que regras compreensíveis e claras. Já está na hora de nos libertarmos do jugo português, novamente, agora na língua.
Talvez estejamos esperando (olha o nosso complexo de vira-lata aí, gente!) que os linguistas americanos criem o Americano a partir do Inglês Americano. Aí aparecerão os Juracis Magalhães da vida para justificar : ...o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil. Aparecerão centenas de jovens professores pedindo bolsas para lá estudarem e sorverem a experiência deles. E continuaremos na rabeira, tecnologicamente, a eles pagando royaltes (Este já é uma palavra do Brasileiro, pois agora temos o y. Em Inglês era royalties, economizamos uma letra). Partamos na frente.
Eliminamos o trema. Que Deus o tenha. Não mudamos nada na pronúncia, que é o guia para a escrita e não o contrário. Aquele que pronunciar frequente como fre-quente, é porque não fala nem ouve frequentemente. E este hífen, porque deve continuar? Realmente a reforma foi muito tímida. Mas chegaremos lá. Sem hífen e sem acento, e quem sabe com ideogramas como os chineses.
Se ainda não chegamos ao Brasileiro, o que nos resta é divulgar e ensinar a todos como se escreve, com a Reforma. Hoje vejo em tudo que é jornal, saites, televisões, comentários contra e a favor da reforma. Muitos incorrem no erro de criticá-la sem mencionar que ela já foi aprovada em 29 de setembro de 2008 em decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Deste erro o José Fernandes está isento de culpa, ele avisa que não se pode cobrá-la de ninguém, oficialmente, até dezembro de 2012. Mas a reforma foi tão pequena que os meios de comunicação escritos, pelo menos os mais lidos, já a adotaram. Até já nos mandaram imeios com o resumo desta reforma.
Agora me lembrei de como me ensinaram o catecismo. Nasci católico mas não posso me considerar um verdadeiro praticante, todavia dar para lembrar, quando meu pai perguntava: Quantos são os Mandamentos das Leis de Deus? Eu respondia na lata: Os Mandamentos das Leis de Deus são dez mas, se encerram em dois: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo. Agora pergunto, quantas coisas mudaram na Reforma Ortográfica? Resposta: Foram umas vinte mas estas quase vinte se encerram em três: O trema morreu, alguns acentos foram seqüestrados e o hífen nos fez reféns do novo Volp (Vocabulário Ortográfico da Língua Português) que deve sair em breve. Se isto não ocorrer logo alguns escritores mais conservadores invadirão a Academia Brasileira de Letras e sequestrarão o Evanildo Bechara. Enquanto se espera com calma use o saite desta instituição para tirar dúvidas: http://www.academia.org.br/, no linque, ABL Responde ou no próprio Volp (que ainda não foi atualizado).
Vamos caminhando para a grande reforma, o Brasileiro: o Português com açúcar. Eça ficará mais doce do que o Primo Basílio.

José Andando de Costas - Imeio: jad67@citltda.com
Revisor

----------

(*) Foto da internete. Uma barbearia em Portugal.

Nenhum comentário: