terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

O 10º Encontro Revisitado


Estive em Bom Conselho no 9º Encontro de Papacaceiros. Menos no segundo dia, dia do “tour rural”, no qual fiquei esperando pela caravana em Caldeirões, na sede da CIT com o Diretor Presidente, Jameson e Jefferson – nosso funcionário lá no escritório. Quando eu era menino e adolescente, lembro que havia, em meu quarto um desses azulejos, que são brancos, com uma frase, “Saber esperar é uma grande virtude”. Vi isto durante muitos anos ao acordar e ao deitar. Não sei como me tornei alguém tão impaciente. Fui o primeiro a dizer, depois de algumas horas de espera, eles não veem mais.
O que fazer? – título de livro de Lênin, já elogiado e criticado mais do que o próprio Encontro a que me refiro. Para entender melhor o que fizemos devo relatar alguns acontecimentos desde o primeiro dia do Encontro.
Estava eu no Hotel Raízes, lotado, como fica nestas ocasiões, mostrando que os papacaceiros de dentro tem bons lucros com os papacaceiros de fora, quando um amigo disse: “Olha, vai haver uma entrevista na Rádio Papacaça com os papacaceiros.” Pensei, será que eu, por não ter nascido em Bom Conselho, não sou considerado um papacaceiro? Então, comprei uma camisa! Peguei meu carro e fui piorar ainda mais o tráfego da cidade, normalmente, já um pouco caótico. Imaginei uma multidão em frente à Radio Papapaça. Não havia. Os papacaceiros restringiam-se a algumas pessoas da Colônia do Rio de Janeiro, seu regional e o José Arnaldo, cumprindo com brio, sua profissão de político, dizem, um bom político. Outros, de outras plagas eram poucos, como o Luiz Clério, Saulo e alguns de quem, me desculpem, não sei os nomes.
Alguém me fala novamente: “Eles ainda serão recebidos pela prefeita Judith Alapenha na Prefeitura”. Foi aí que perguntei com aquele ar de ateu inocente: Mas só este grupo? Com uma resposta afirmativa parti de volta para o meu Hotel, em cujo trajeto liguei o rádio e o sintonizei na Rádio Papacaça onde José Povoas se sobressaia com seu Sax, o que aconteceu outras vezes onde vi o Regional se apresentar.
O problema dos hotéis, ou dos seus quartos, é esgotar rapidamente o que temos para fazer, e começarmos a pensar. E não achem que isto se aplica apenas a pequenos hotéis. O problema é que, quando os hotéis são pequenos os pensamentos se agigantam. Cadê o José Quirino? Será que ele já estará esperando lá na Prefeitura? Deve estar sim. Como alguém que organizou toda a festa, não está lá, na linha de frente? Quirino foi? Agora, muito tempo depois, não o encontro nas fotos do encontro da Prefeitura. Por que? Ah! O fotógrafo não o quis captar. E porque só aquele grupo? Agora sei. Foi a Colônia Papacaceira do Rio de Janeiro, cujos membros “resolveram conversar com ela (a prefeita) tendo em vista que há muito não se viam e para intervir e pedir junto ao governo solução para problemas que o município enfrenta de água nas torneiras. Após colocar a conversa em dia, em um rápido encontro. A Colônia Papacaceira do Rio de Janeiro convidou Judith para ir ao Rio de Janeiro e colocaram-se a disposição do governo municipal. O Trio sacou instrumentos e tocou música para a ilustre conterrânea, a música chamou a atenção dos funcionários da Prefeitura e a todos contagiou por sua beleza e alegria.”(Fonte: Saite de Bom Conselho). Ou seja, eu fui enganado desde o início por quem me disse que todas estas atividades envolveriam os papacaceiros em geral. Como fui burro em acreditar no primeiro papacaceiro que passa. Perdi o resto do primeiro dia. Bem feito!
Antes de viajar para Caldeirões, tenho um comentário a fazer. Não sei quem foi que deu a ideia de colocar naquela camisa do Encontro uma representação da Virgem Maria. Todos sabem sou um ateu convicto e praticante, mas sou um bom ateu e não critico a fé daqueles que a tem, seja de qualquer crença, religião, credo, seita ou outra. Mas quando olhava para a camisa que comprei, e que me dava a honra de me tornar um papacaceiro, parecia estar vestindo uma bandeira de uma festa religiosa em minha cidade, que ficava num mastro, no centro da praça. Compreendo que Bom Conselho é uma cidade de maioria católica. Mas, esta camisa, além de não beneficiar em nada os verdadeiros católicos, reforça a crença, esta errônea, de que na cidade não há outras religiões, algumas até provenientes da católica, que gostariam e deveriam participar da festa. Lucinha Peixoto já falou num artigo o que disse a ela sobre a missa na programação. Repito aqui, porque não uma cerimônia mais ecumênica? Evangélicos, Muçulmanos, Hindus, Budistas, Judeus, Espíritas, Umbandistas, Logosofistas (desculpe senhor Marlos Urquisa, de quem leio todos os artigos, em não estar certo se a Logosofia é uma religião ou não), outras, e até Ateus (porque não? Todos somos filhos de Deus, é o que dizem). Além disto, isto pode incentivar uma espécie de Fundamentalismo Católico, com o qual não concordo, mas que alguns poucos ainda teimam em divulgar. Vamos ampliar a festa.
Finalmente em Caldeirões. Na janela esperando o cortejo festivo. Deu nove. Deu dez. Deu onze. Deu três horas da tarde e nada. Retomo minha impaciência do início deste escrito. Eles não veem mais. Ou virá somente a Colônia Papacaceira do Rio de Janeiro? Fui enganado outra vez?
Enquanto remoia os pensamentos da véspera os outros preparavam as comidas e as bebidas que ofereceríamos à comitiva. Nada de comitiva. A resposta ao que fazer foi dada pelo Jameson, quando na porta do nosso escritório já estava se formando um pequena multidão, para os padrões populacionais da localidade. Vamos fazer nossa festa!!! Festa morta, festa posta. O Jefferson da Silva, jovem, farreiro e inteligente disse, será o 1º Encontro de Caldeireiros. Quem poderia ser contra. Ao anunciar ao povo a boa nova, naquele linguajar simples daquela boa gente, foi um alarido geral. Alguém avisou ao senhor Jornes em sua casa, que mesmo dando apoio à festa não pôde comparecer. Outras lideranças locais apareceram e, apesar do não planejado, a festa foi um sucesso.
Isto não indica, como deu a entender a Lucinha, em artigo anterior, que, festa, quanto menos planejada melhor. Já falei com ela sobre isto. Qualquer atividade humana sem planejamento é fadada ao fracasso e à volta do método da tentativa e erro que já era usado no tempo das cavernas ou nas paqueras das praças do interior. É óbvio que coincidências acontecem e desta vez, a falta de planejamento deu um gostinho especial à festa. Brincamos até à noite. Um cartão de Caldeirões by night, não venderia muito. Quem sabe num próximo encontro. Jefferson disse que vai ser seu organizador. No futuro poderá ser chamado o Quirino de Caldeirões.
No terceiro dia houve a feijoada. Nesta estavam todos, ou quase todos os papacaceiros. Devo dizer que não conheço muitos. Não sou da cidade. Conheço apenas os que nela habitam por força de meu emprego na CIT. Fui apresentado a alguns mas, apresentações de festa e no último dia não atam nem desatam. Bom mesmo foram as conversas anônimas e com os jovens ou não tão jovens.

- Está gostando da festa?
- Tá massa!!! As músicas é que deveriam ser mais para jovens, ou pelo menos mesclada... Só dar forrozão. Tou fora!!!
- Mas tem outros ritmos, não tem?
- Até agora não vi nada que preste.

- Está gostando da festa?
- Não muito, deveriam ter trazido a Super Ohara. Aquilo sim.
- Esta eu não conheço.
- Não conheces? Estás por fora, cara!!

E por aí vai. A festa tocando, o feijão passando pela garganta, conduzido pela cerveja não estupidamente gelada, os casais dançando, as pessoas se encontrando e fazendo aquele barulho que torna impossível qualquer conversa maior. E para mim terminando o 9º Encontro. Quando cheguei no Hotel o feijão resolveu sair de forma mais rápida e desorganizada, e com dor.
Terminada a festa vem a quarta-feira. Hora de avaliá-la e avaliar suas conseqüências. Houve falhas graves de organização e isto é dito por todos. Para o próximo encontro deve-se planejar mais. Profissionalizar mais a festa. Isto não quer dizer, como dão a entender alguns, que deva fatalmente ter o dedo do poder público. Muitas vezes isto desorganiza mais ainda. O poder público deve se ater àquilo que é sua obrigação, prover os bens públicos para realização da festa. Sua infra-estrutura básica. Para sua organização, deve-se formar um equipe de bons profissionais e que entendam do traçado. Isto pode muito bem ser feito sob a coordenação do José Quirino Filho, e aliás, deve ser. Esta estória de formar comissão de organização, depois da festa, cheira a luta pelo poder. Qualquer comissão de organização do 10º Encontro deve ser formada pelo José Quirino, ou com sua concordância. Bem ou mal, com interesse ou sem interesse (político, financeiro ou qualquer outro) ele vem organizando isto por muito tempo. Vamos passar isto para outros? Para quem? Apresentem-se os candidatos para o 11º Encontro, que tal uma eleição em janeiro de 2010? Todos votariam e seria uma forma de avaliar a gestão anterior, como acontece normalmente nas democracias ocidentais. Mas, uma comissão de organização agora, sem a concordância do José Quirino, para gerir o próximo encontro, é querer cuspir no prato em que comemos a ótima feijoada. Mesmo que ela tenha tido alguns efeitos adversos, estes não foram sentidos por todos.

Cleómenes Oliveira
Diretor de Operações

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