quinta-feira, 5 de março de 2009

O Rio Sena e o Riacho Papacacinha



Quase toda grande cidade tem um grande rio. Sempre este acidente geográfico tem uma influência muito grande no seu crescimento e na vida do seu povo. Londres tem o Tâmisa, que já morreu e ressuscitou pelo milagre do conhecimento humano e seu uso como um auxiliar na conservação da Natureza. Bonn tem o Reno. Quem já não apreciou a beleza de suas margens, com seus castelos majestosos e suas barcaças belas e funcionais como tudo que é alemão? Em Lisboa vemos o Tejo que, para os brasileiros, tem um significado especial, por ser o ponto de partida para o início da história do seu país. Em Roma, o Tibre e sua importância validam ainda mais esta afirmação.
Muitas vezes os rios revelam mais das cidades do que todos os outros aspectos juntos. Por exemplo, em São São Paulo temos o Tietê, em Recife o Capibaribe e o Beberibe, e em Bom Conselho, o Riacho Papacacinha, onde aprendi a nadar sem aprender a pescar.
Quando somos crianças todas as cidades são grandes, e os riachos tornam-se rios caudalosos. Lembro muito bem das viagens secretas (para os pais) ao Papacacinha. O trajeto, o mesmo, Rua XV de Novembro, passagem pela casa do Major Zé Pedro, Maneléu, e em frente para o açude de Seu Lírio. Sebastião Preto cobrava “deztões” de cada um, mas, chorando um pouquinho, saia por “quinhentos réis”, e, às vezes, até de graça, se fosse muito conhecido.
Ainda recordo muito bem do dia em que consegui “boiar”. Não sei se isto representa alguma coisa na vida de outras pessoas: “boiar”. Para aqueles que não sabem, porque nunca “boiaram” e para aqueles que não se lembram, “boiar” é o ato de se manter dentro d’água sem afundar. Para eles este ato nada representa. Para mim, o dia em que “boiei” pela primeira vez, foi um dos mais felizes da minha vida. A sensação de dominar a água, de impor nossas regras a ela, dizendo, agora você não vai ter que me engolir. Meu corpo reagia a qualquer ação dela, até a véspera deste dia, minha inimiga, que poderia ser até mortal, assim dizia minha mãe. Era a vitória do meu corpo e mente sobre um notório adversário, que parecia me discriminar, pois, até então só engolia a mim. Todos os meus amigos já “boiavam”, impávidos, majestosos e, pasmem, dando-se ao luxo de mexer braços e pernas sem serem levados pela goela abaixo deste pantagruélico inimigo.
Além disto, neste dia específico, não tive que pagar entrada no açude de seu Lírio. Entramos escondidos no trecho do Papacacinha que ficava na fazendo de seu Artur Gordo, bem pertinho de Chico de Antunino. Vejam bem o que é o ápice da felicidade humana, aprender a “boiar”, e de graça, livre de qualquer tarifa ou taxa. Até hoje penso e repenso minha vida, e tento encontrar um dia mais feliz. Fico sempre com a mesma convicção da importância dos rios em nossas vidas. Será que uma criança, atualmente, com o nível de poluição e descaso por eles, conseguiria “boiar”, pela primeira vez, onde eu “boiei”?
Abaixo, a CIT apresenta um filme produzido pelo seu escritório na Europa onde mostra um passeio pelo Rio Sena. Não estaríamos exagerando se disséssemos que há uma confusão entre Paris e o Rio Sena. Eles estão ligados de uma forma que não se pode imaginar um sem o outro.
O Sena é um rio francês que tem 776 Km de extensão e, um dos seus principais méritos, corta Paris. É também conhecido como o Rio dos Namorados. O transporte turístico de passageiros, pelo Rio Sena, é uma atividade tradicional em Paris, com seus famosos Bateaux Mouches, barcos moscas. O número de turistas na França supera os 80 milhões, e a grande maioria visita Paris.
O romantismo que cerca este rio levou a equipe de produção a optar por uma música francesa que é um resumo perfeito deste sentimento. Não resisto, e cito aqui o belo poema que é a sua letra. E, tenho que confessar, ao ouví-la, cheguei quase a esquecer que, algum dia, eu “boei” no Papacacinha.

E se você não existisse,
Diga-me porque eu existiria.
Para andar por esse mundo sem você,
Sem esperança e sem saudades.

E se você não existisse,
Eu tentaria inventar o amor,
Como um pintor que vê de seus dedos
Nascer as cores do dia.
E que não voltam.

E se você não existisse,
Diga-me porque eu existiria.
Pessoas adormecidas em meus braços,
Que eu jamais amaria.

E se você não existisse,
Eu não seria mais que um ponto a mais,
Nesse mundo que vem e que vai,
Eu me sentiria perdido,
Teria necessidade de você.

E se você não existisse,
Diga-me como eu existiria.
Poderia fingir que seria eu,
Mas nunca seria verdadeiro.

E se você não existisse,
Eu acredito que eu teria encontrado,
O segredo da vida, o por quê,
Simplesmente para te criar,
E para te olhar
.”



John Black e Diretor Presidente
(*) A tradução das informações enviadas por John Black foi feita por Lucinha Peixoto.

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