sexta-feira, 6 de março de 2009

O Rio Sena e o Riacho Papacacinha - Complemento


Mais uma vez o conterrâneo Carlos Sena comenta nossos artigos (http://www.citltda.com/2009/03/o-rio-sena-e-o-riacho-papacacinha.html). Modestamente, ele diz no seu e-mail, que podemos publicar se quisermos. Perguntamos: como não publicar um comentário que é muito melhor do que o artigo? Inclusive corrigindo seus erros, como usar seu Lírio em vez do correto seu Liro e ampliando a real saga do nosso Papacacinha. Além de tudo, me envergonhando e ao mesmo tempo me curando do trauma juvenil, ao ter que confessar finalmente que: aprendi a nadar, depois de "boiar", mas nunca tive coragem de atravessar o açude de seu Liro, mesmo diante dos xingamentos, de molenga prá cima. Isto tudo, escrito dentro do padrão literário de qualidade que ele possui, como vocês podem ver abaixo. Obrigado, Carlos Sena.

Diretor Presidente

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Aceitei o convite. Passeei pelo rio Sena, lembrando os dias em que lá estive e percorri, naquele mesmo barco, aqueles mesmos caminhos. Remiti ao rio Papacacinha e adorei a proeza do "boiar". Comigo foi semelhante e no mesmo açude de seu Liro: a gente era cobrado em função de saber nadar ou não. Mas saber nadar, implicava em atravessar o açude de seu Liro e isto pra mim era um desafio que me consumia por dentro. Afinal, a vaidade humana está presente em nós em todas as idades. Pois bem: um belo dia fui atravessar o açude de seu Liro e quando cheguei mais ou menos mo meio, tive medo e quis retornar. Em tempo, com a inteligência de bom papacaceiro, raciocinei "SE EU TIVER QUE RETORNAR, MELHOR SEGUIR EM FRENTE, POSTO QUE A DISTÂNCIA É A MESMA". Fui e atravessei o rio e fui eleito, entre os amigos, como mais um que sabia nadar. Que felicidade, tal qual a que foi "boiar", para o Diretor Presidente da CIT. Igualmente me senti feliz e cheio de mim, pois parecia que eu tinha ganho um troféu. Coisas de um tempo que em nós não se apaga, mas que nos remete aos atuais, pois os jovens de hoje precisam de muitas outras coisas para serem felizes e, não raro, "viajam" na fumaça dos cigarros lícitos e ilícitos em busca de emoções e sentido pra vida. A minha vida, bem como dos meus amigos contemporâneos era feliz naturalmente, calcada no simples, na profundidade das mais ingênuas atitudes e atividades lúdicas.
Sem saudosismos, pois que cada idade tem seu encanto, mas nos sentimos privilegiados por ter vivido um tempo em que a gente se bastava no sobe-desce ladeiras, serras, ruas, becos, etc, da nossa terrrinha, bem como nadando no açude da nação, no de seu Liro, como que navegando sonhos que mais na frente nos serviriam de inspiração literária. Bendito tempo que em nós restou e deixou pegadas fortes na relação do tempo, das pessoas e dos acontecimentos.
A relação com os rios é, sem sombra de dúvidas, visceral. As grandes cidades como Paris e aquelas não tão grandes como Bom Conselho se nivelam na lógica antológica dos seus rios. Neste passeio que o vídeo proporciona por Paris, senti-me duplamente pleno: afinal, sou Sena; afinal, sou de Bom Conselho e do Papacacinha. Afinal, sou sonhos e sou realidade. Inteiro e metade, aceno e saudade, caro e caridade. Sou viola, jamais violência; do "quero", nunca da mal-querência; da vida e da vidência - pela capacidade real de me ver em ti, Sena, aos pés da torre Eifel, da ponte de Neuf (penso que se escreve assim), margeando a Notre Dame, mas na completude de ti, Papacacinha - sorrateiro, estilete de água a desfilar ingênua irrompendo a solidão da terra seca que a estiagem provoca.
Pelo prazer de um dia ter aprendido nadar no açude de seu Liro e pela frustração de não saber "boiar", como bem descreveu o articulista que me provocou esta prosa em final de noite.
Valeu.

Carlos Sena

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