domingo, 19 de abril de 2009

E a Vida Continua...



Transcrevemos abaixo a gravação de uma reunião extraordinária da Diretoria da CIT, no dia 15.04.2009, na qual foram discutidas as questões relacionadas à censura de que foi vítima nossa colega Lucinha Peixoto no mural do Site de Bom de Bom Conselho (SBC). Estavam presentes: Diretor Presidente (DP), Cleómenes Oliveira(CO), Lucinha Peixoto(LP), Sandoval Britto(SB), Eliúde Villela(EV) e Jameson Pinheiro(JP). A reprodução é feita com pouca ou nenhuma edição, portanto, perdoe-nos os lingüistas mais exigentes.

DP – Caros senhores e senhoras. Esta é mais uma das nossas reuniões extraordinárias e espero que seja menos maçante do que outras que tivemos. Só temos um item na pauta: discutir o que fazer depois que a Lucinha, mais uma vez, foi censurada no Mural do site de Bom Conselho. Alguns já estão chamando este importante veículo de informação de Site do Andarilho. Eu discordo, logo de chofre, com o uso destes adjetivos descabidos. Vamos tratar o assunto de forma séria. Farei um pequeno relato dos acontecimentos, como chegaram até mim, e depois franquearei a palavra, a quem quiser usá-la. Peço, por favor que não me interrompam.

LP – Mesmo que seja para ajuda-lo na exposição?

DP – Mesmo assim, Lucinha, me ajude depois, se puder!
Já fomos censurados duas vezes no SBC. A primeira vez, se me recordo bem, foi ainda quando o Mural não era eletrônico, enviávamos as mensagens para o Saulo, eu tinha acabado de assumir a presidência. Coincidência ou não, o artigo censurado era de Lucinha Peixoto. Ela havia me mostrado o artigo e não era nada desabonador nem agressivo. Por causa disso, reunimos e decidimos criar um Blog. Óbvio, se ficássemos escrevendo só no nosso Blog, a presente reunião não estaria nem sendo feita. Alguns me procuraram, entre eles, Lucinha, Jameson, Cleómenes, achando que havia falta de um local para publicar textos curtos. Foi aí que o SBC inovou com um mural eletrônico automático, que diminuía o trabalho de Saulo, dava mais liberdade de participação, embora o tamanho dos textos fosse limitado. Já sabíamos que um Mural assim corria o risco de encontrar pela frente os João Pedro da vida. Por isto, quando da criação do Blog, discutimos e não abrimos os comentários automáticos a ele. Aí voltamos a escrever no Mural. Lucinha, como sempre, a mais empolgada e, consequentemente a mais censurada, foi outra vez a vítima. A participação no Mural era importante, e se a considerávamos importante, sabíamos que não podíamos extrapolar, se exceder. Num debate sobre ciência e religião, que foi excelente e movimentou nosso Blog e o SBC, alguns dos nossos deram opiniões, como muitos outros. Recebemos críticas e elogios. O motivo de ter convocado esta reunião é minha convicção que nossa colega Lucinha teve seus textos censurados de uma forma injusta, e isto ela explicará no momento correto. Pensando assim, temos que discutir alternativas de participação, através da escrita, sem mais usar o SBC, esta é a minha opinião. Bem, abro a palavra para aqueles que quiserem usa-la.

LP – Eu digo sempre que sou católica, mas não sou santa. E quando erro, peço perdão, talvez com medo de ir para inferno, mas consciência religiosa tem muito a ver com isto. Neste último caso de censura, não pedirei perdão, pois não pequei. Chego um dia no SBC e fui à coluna do Andarilho, (ele não escreve muito bem - eu, reconheço, também não- mas ele, em quantidade é imbatível) e lá estava uma nova doença que ele encontrou: Eclampsia Cerebral, e eu não sabia onde ele tinha visto aquilo. Procurei no Mural, na Academia, pensei em pessoas que o elogiavam, mas não vi nenhum quadro clínico similar àquele por ele descrito. Então eu pensei: só pode ter sido um auto exame. Escrevi uma nota no mural lastimando sua doença e admirando sua sinceridade em declará-la em público. O José Fernandes - se a Maria Caliel tem o estilo pétala de rosas, eu tenho o estilo mandacaru, o José Fernandes tem o estilo trator e, eu mesma já senti o peso do seu estilo em desavenças de outrora, mas é um cara íntegro, e ainda um excelente escritor, - botou pra quebrar, apenas concordando comigo, com um linguajar mais forte. O seu Antonio, que não conheço, entrou de mansinho, e louvando o Andarilho, dizendo que era leitura predileta de sua família na hora do ângelus, criticando os nossos modos com o Andarilho. Escrevi então mais 1000 toques perguntando educadamente ao seu Antônio se ele sabia quem o Andarilho examinara para escrever sobre aquele quadro clínico, sobre aquela doença. Em relação a mim, se peguei pesado foi porque o Andarilho encontrou uma nova doença e não disse quem a tinha. Já vínhamos de uma discussão pesada que envolvia umas 30 pessoas, muitos como ouvintes, poucos como falantes num e-mail que chegou as nossas mãos (saudade das cartas) iniciada por Socorro Godoy, onde enviava uma poesia do Miguezim de Princesa. A essência do debate era ainda o dilema entre o médico e o monstro, digo, bispo, sobre a excomunhão dos médicos, e aborto da menina, de que todos ficaram sabendo. Para resumir, tive uma discussão com um conterrâneo e com outro que diz que é conterrâneo, O Andarilho (o José Fernandes se envolveu me dando razão). Para nós, ambos estavam errados e ficaram se debatendo para provar o contrário. Logo após este debate, o Andarilho lançou seu artigo sobre a doença. Ele jura de pé junto que o artigo não era dirigido a mim nem a José Fernandes. Pelo amor de Deus, desfaçatez tem limites. A seguir, veio o que o DP já contou, fomos todos, inclusive o seu Antônio, coitado, censurados. Hoje me sinto como uma menina que chegou a uma recepção real, todos em traje de gala, mas o rei e o seu pajem estava nus. Aí eu disse: mãe o rei e o pajem estão nus. Minha mãe coitada, com medo da reação do rei disse: o que é que é isso minha filha, a roupa do rei é linda. Pouco tempo depois, eu, a criança, fui retirada do salão. O José Fernandes além de dizer que o rei estava nu, descreveu certas partes de sua anatomia, foi também apagado, e o seu Antonio, que queria apenas elogiar o rei e seu pajem também o foi. Voltando ao mural, digo, salão, o rei para mostrar que era justo, resolveu trocar de pajem, mas ele está lá e qualquer dia volta ao salão.
Decida-se o que se decidir hoje, não voltarei mais ao salão, digo, ao Mural do SBC. Chega de banimentos.


CO – Eu convivo com Lucinha já a algum tempo. Sei do seu temperamento, sua cultura e de seu amor pela cidade em que nasceu. Ela pode até estar errada mas pensa que está certa, até prova em contrário. De uma forma objetiva, eu que detesto censura (a não ser a auto-censura), ninguém deveria ter tido seus textos apagados, sem pelo menos um aviso do administrador do SBC. Supondo que seja Saulo, este administrador, ele deveria escrever um pouquinho no seu próprio mural, dizendo os motivos da censura ou explicando-a. Aqueles que pensam que apagar textos é uma tarefa corriqueira e normal para manter a participação e as coisas fluindo normalmente, são aqueles que não participam de nada, a não ser elogiar de vez em quando ou dar uma de apaziguador e superior. Se não escrevem não sentem a censura. Na época da ditadura, os censores usavam suas prerrogativas para diminuir seu trabalho futuro: quanto mais se censurava, mais metia-se medo e os comunistas escreviam menos. Descobriram que se ameaçassem os jornais desde a redação, os textos perigosos seriam cada vez mais escassos. Conseguiram parcialmente. Muitos faziam poesias e músicas tão inocentes, como Apesar de Você de Chico Buarque. Não vou ficar discutindo aqui o teor dos textos de Lucinha, Zé Fernandes, seu Antônio e mesmo do Andarilho (se ele se sentiu bem com a censura é porque não sente nada ao escrever), todos estavam certos, o errado foi quem censurou. Será que o Saulo agiu de forma livre? Isto é com a consciência dele, mas merecia uma explicação.
Voltando com a objetividade, por que não criamos nosso próprio mural? Será isto possível?

DP – Mas como fazer isto sem doações voluntárias, se o que recebemos são risos e emoções, pelo nosso trabalho? Manter um mural custa caro. Será que tem uma forma barata de ter um?

JP – Eu ainda não tenho certeza se isto pode ser feito a partir do próprio Blog, mas como acho excelente a ideia vou pensando enquanto vocês discutem.

SB – Todos sabem que eu nunca escrevi nem no site nem no Blog, mas também acho a ideia boa. Como nós já adquirimos um bom número de acessos ao Blog, poderíamos criar uma postagem que hospedasse somente um mural. Ninguém poderia acessá-lo diretamente, e sim através de e-mails. Este mural hospedaria textos curtos, ou que não se adequassem ao modelo de postagem tradicional. Claro que nosso trabalho iria aumentar, alguém teria que ficar responsável, por isto.

JP – Captei a ideia divino guru Sandoval. Isto pode dar certo. Quem gostaria de ficar responsável?

LP – Eu me candidato se a Eliúde me ajudar, e vocês todos, eu disse todos, cooperarem quando tivermos que fazer o papel de censora. Este trabalho deve ser bem chato. Eu tenho pena do Saulo. Se as informações que tenho dele são verdadeiras, as pressões foram muitas e devem ter lhe custada alguma noite sono.

EV – Eu topo com as mesmas condições, o conselho editorial seria todo mundo. Quem sabe, eu não me lanço a escrever, esta arte nobre. Se o Zé Andando não implicar...

DP – Por falar nele, onde está o Zé Andando?

EV – Está viajando. Foi visitar sua terra natal: Caetés, perto de Garanhuns. Lá é conhecido como Zezinho. O pai dele era comerciante quando se instalou lá vindo de Portugal. Agora inventou que quer criar a Academia Caeteense de Letras. Advinha quem vai ser o patrono...

LP – Não seria Zetinho?

EV – Tá doida Lucinha, Zetinho é de Bom Conselho e quer criar a Academia Bom-conselhense de Letras. O Zé Andando é Zezinho mesmo.

LP – É. Seria muita coincidência!

DP- Gente vamos voltar ao ponto. Quem aprovar a ideia de criar um Mural fique como está. Aprovado. Alguém tem mais alguma coisa a dizer? Não. Então esta reunião pariu um Mural do Blog da CIT. Espero que nem esta reunião seja uma montanha nem o mural um rato. Já estou convocando nova reunião para a semana que vem, para discutir o fechamento da nossa filial no exterior. Vamos trabalhar. Está terminada esta reunião.


Diretor Presidente
(*) O documento foi assinado por todos os presentes.

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