quarta-feira, 29 de abril de 2009

MINHA VIAGEM À ILHA DE PAQUETÁ



Muito difícil fazer turismo na cidade em que moramos, mesmo sendo esta cidade ”a cidade maravilhosa”. Sempre fiquei reticente em fazer determinados programas aqui no Rio, não sei se por acomodação, falta de companhia ou até mesmo um pouco de preconceito, tal qual: “Isso é coisa de gringo!”. Foi o que me ocorreu neste fim de semana, último. Um grupo de paulistano amigo, em passagem pela cidade maravilhosa me convidou para passar um dia em Paquetá. A minha primeira reação foi: Paquetá?!!!. Mas, que programa de índio! (me perdoem os índios), mas foi assim a minha reação.
Fiquei no impasse: Vou ou não vou?. Fui vencido pela insistência do grupo e assim resolvi transformar a minha viagem, numa viagem-reporter. Bem, eu vou, mas irei retratar o passeio como uma reportagem e colocá-la na Home-Page de minha cidade, disse eu. Home Page de onde? Perguntou alguém do grupo, e assim aproveitei para expandir mais um pouco o nome da minha cidade.
Bem, resolvido o impasse, lá fui eu na “excursão” à Ilha de Paquetá. O primeiro contato para quem vai à Paquetá é a estação das barcas(Praça XV), no centro do Rio de Janeiro. Olhos abertos, pois o edifício é do começo do séc. XVII e logo de cara nos encanta pelo seu estilo(neo-clássico-art-noveau com rococó), é uma grande mistura, mas belo de se apreciar.
A barca que irá fazer a travessia de passageiros é imensa, sua capacidade e de mais ou menos oitocentos a mil pessoas. Segura, ampla, a não ser pela quantidade de camelôs que em altos brandos, apregoam as suas mercadorias. Aí temos que ter literalmente “ouvidos de mercadores”. Na hora determinada à barca começam as suas manobras; uma brisa suave e um sol ameno de Outono parece antecipar o que seria o restante do dia. Ao ver o Rio de Janeiro sob outro ângulo (do mar), o meu preconceito com o passeio foi literalmente por água abaixo.
Comecei a curtir o passeio, as águas tranqüilas da Baia da Guanabara, sujas, mas calmas, o que dava para já começar a visualizar os contornos das montanhas, o corte sinuoso que o mar faz com o litoral, como a querer avançar e ao mesmo tempo, só beijar as areias de suas praias. Aí se começa a entender o porque do título “cidade maravilhosa”.
A barca lentamente avança mar adentro e as paisagens começam a se descortinar na nossa frente, nos lados e acima de nós, sim acima de nós, pois todo o percurso foi escoltado por um bando de “Biguás” -ave marinha que segue as embarcações em busca de comida. E em vez em quando, estas aves davam mergulhos fantásticos n’água e apareciam com peixe nos bicos. Um espetáculo!.
Descortinam-se os pilares da ponte Rio-Niterói – obra prima de tecnologia humana - um desafio às próprias leis da natureza. Mais a frente o cemitério dos navios (embarcações que não são mais usadas e são deixadas fundeadas nas águas da baia). O percurso segue suave com ilhas, a vista deslumbrante do Cristo Redentor, Pão de Açúcar, e lá ao fundo a Ilha do Governador (morada do amigo Pedro Ramos, José Povoas, entre outros conterrâneos), ela se mostra com toda a sua pujança e movimento, de longe tudo parece tão calmo....
Para trás foi ficando a agitação, a agressividade da cidade grande, e a frente a tranqüila Baia de Guanabara e seus atrativos culturais e naturais: a Ilha Fiscal (local do último baile do Império), os botos, as Jurubaíbas, a ilha do Sol de Luz Del Fuego, os manguezais de Guapimirim, o visual da Serra dos Órgãos. Essa verdadeira travessia no tempo é coroada com a chegada à vila de Paquetá: passarinhos, cigarras e silêncios, árvores centenárias, cheiro de terra, de mar e de mato, ruas de saibro sem carros, e povoadas de casas de época. Uma comunidade feliz e receptiva. Uma viagem nos tempos dos bons tempos. Assim é Paquetá. Sabe aquele lugar onde o tempo parou no tempo? É assim que se sente Paquetá.
Um tapa na minha cara com luva de pelica!.
Não fazer nada neste lugar parece ser uma ordem. Respirar ar puro, caminhar, andar de charretes, trenzinho, bicicletas, pedalinhos ou até mesmo caiaque (para os mais radicais).
Conhecer a casa do Patriarca da Independência, José Bonifácio, visitar o Solar D’El Rei – chácara onde D.João VI ficava hospedado em suas visitas a Paquetá. Visitar os lugares citados no romance de Joaquim Manoel de Macedo (1843): A Moreninha, que eternizou Paquetá, moldando a identidade bucólica e apaixonante que a todos encanta até os dias atuais. Muitas chácaras e o casario em diversos estilos permanecem preservados testemunhando a ocupação da ilha desde o período colonial.
A vegetação nativa ainda é farta e o paisagismo é delicado e em perfeita sintonia com o meio ambiente, e no meio das ruas esbarra-se em árvores centenárias, tradicionalmente poupadas na aberturas de novos caminhos. Paquetá é um lugar para se esquecer quem você é, para onde vai, e deixar o corre corre de lado. Isto tudo é Paquetá, mas é muito mais. È um pedaço de todos os Rios de Janeiros, Fevereiros e Marços. Apreciem as fotos e vivam Paquetá!

Gildo Póvoas

(*) Fotos do Autor.

Um comentário:

Newton Almeida disse...

Hoje, ao realizar minha rotineira leitura do site do INEA (Instituto Estadual do Ambiente - RJ) me deparei com uma situação que meu senso crítico filtrou : citaram algumas praias da Ilha de Paquetá que encontram-se próprias para o banho, ou em padrão de balneabilidade.
Eu sinceramente não acredito que isso possa ser possível. Tenho muita vontade de ver a Baía de Guanabara limpa novamente, como quando eu era criança (até 10 anos) e tomava banho de mar na Praia do Flamengo com muito prazer. Eu não acredito mais em Papai Noel. http://limpezariomeriti.blogspot.com Newton Almeida
MEIO AMBIENTE RIO DE JANEIRO