quarta-feira, 29 de abril de 2009

O ETERNO CARTEIRO - Complemento

SOBRE ADEL:

Alexandre me faz, com sua crônica, viajar no túnel do tempo. Adel, na sua singularidade, representou um dos personagens mais bonitos dos meus tempos aí, em Bom Conselho. Adel, o carteiro. Adel, a referência. Adel, a marca forte dos personagens próprios da cidades interioranas que se destacam pela serenidade, pelo carisma e pelas relações sociais que desenvolvem com as pessoas.

Sempre que ouvia a música "MENSAGEM", que enfoca a carta e o carteiro, lembrei dele. O diferencial é que naquela época eu não dispunha de elementos líricos que pudessem aureolar meu pensamento, tipo: hoje eu poderia ver Adel na lógica do carregador de sonhos e de pesadelos. Preferiria o Sonho, porque os pesadelos são mais constantes na vida e não precisam do ato de dormir para acontecerem em sua natureza. Os sonhos que Adel conduzia, reflito: "que gostaria de tê-los". Os casamentos que as cartas certamante proporcionaram, as declarações de amor que, por certo foram escritas e por ele conduzidas. Enfim, um punhado de ilusões ternas e e-ternas que os tempos de hoje ignoram e que pra nós foram definidores de um sentimento de época que hoje mora nos nossos recônditos interiores.


Portanto, caro Alexandre, Adel foi, dentre outros ilustres personagens imortalizados pelas relações afetivas contruídas, um dos meus preferidos. Bom Conselho tem essa preza a mais: a gente resgata todos os atores que direta ou indiretamente comungaram da ceia afetiva em que ricos e pobres, pretos e brancos, putas e pudicas, crentes e ateus, sempre comungaram sem que os apartaides sociais funcionassem em sua plenitude.
Daqui, nesta viagem, resgato um pouco do meu sentir. Desço e subo as ladeiras que um dia a imaginação nem sonhou sonhar, mas que, certamente, sonhou sentir.
Abraços papacaceiros do

Carlos Sena

(*) Foto enviada por Conceição Sá.

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