terça-feira, 28 de abril de 2009

O ETERNO CARTEIRO



Como fiquei comprometido com minha amiga Conceição de escrever sobre seu pai Adel Paiva aqui estou na frente do computador para escrever algumas coisas sobre ele.
Oriundo do Recife, torcedor do América futebol clube(caso raro em nossa cidade), casado com dona Josete de Sá, conheci seu Adel desde a minha mais tenra infância, pois as nossas famílias sempre foram muito ligadas, tendo inclusive meus avós e minha mãe serem padrinhos de Roberto o filho homem mais velho.
Naquele tempo não existia internet, nossa cidade só dispunha de 30 telefones, ou seja, toda comunicação nossa era através da empresa brasileira de correios e telégrafos, a comunicação mais urgente era sem duvida o telegrama, quando se recebia um telegrama já se ficava de orelha em pé, pois se estivesse comemorando alguma data se sabia que era de felicidade, agora se o neguinho não tivesse esperando o telegrama, ai o coração batia forte, pois era noticia de morte ou tragédia, assim era a comunicação que nós tínhamos, diante destes fatos o carteiro era uma das pessoas mais importante dentro da comunidade, era ele quem trazia a alegria, a tristeza, a comunicação com o mundo exterior, pois bem este homem na minha infância e adolescência era seu Adel.
Aficionado por esportes, principalmente futebol e vôlei, embora já tivesse uma certa idade para praticar, principalmente por ser um pouquinho barrigudo como disse o nosso amigo Jameson em seu artigo neste blog, mais isto não impedia de jogar com nós meninos e jovens, seu Adel era como se fosse o nosso paizão, todo mundo gostava quando ele chegava e todo mundo o queria no seu time, e quando ele não vinha ficávamos perguntando o porque dele não ter aparecido.
Hoje se reclama que os carteiros não dão conta do recado e que falta carteiros na cidade, realmente a cidade cresceu e precisa realmente mais carteiros, só que naquela época a quantidade de correspondência não era pequena não, pois como já comentei anteriormente o contato com mundo exterior era feito através dos correios. Seu Adel dava conta do recado e como dava, e ainda batia sua peladinha toda tarde.
A única quadra esportiva de nossa cidade naquela época era a do Ginásio São Geraldo, e era lá que todas as tardes a partir das 14 horas os meninos e jovens da nossa.
cidade iam bater sua peladinha de futebol de salão e vôlei, lá pelas 15:30 seu Adel chegava, colocava a mochila com o resto da correspondência que faltava entregar num canto da quadra e ia jogar com os meninos, quando dava uma 16:30 ele se despedia da turma e ia entregar o resto das correspondências, e assim era quase todo dia.
Seu Adel desenvolveu um habito inédito no Brasil e no mundo, e que não deixou herdeiros, era de fazer bolinha de cuscus, e jogar nas pessoas, os bolsos dele era cheio de cuscus, de tanto treinar ele passou a ter uma excelente pontaria, no cinema ele sentava mais atrás e dizia a nós vou acertar a orelha daquele ali, então fazia a bolinha, coloca nos dedos e arremessava, e a bolinha ia na orelha do individuo, nunca vi uma coisa daquela, algum casal namorando quando ia beijar jogava a bolinha no rosto de algum deles, e assim ficava o filme todo, isto se repetia tanto no cinema, como nos jogos de futebol, nos bailes etc.
Seu adel ficou viúvo e com 6 filhos, com a morte de dona Josete a renda familiar ficou restrita ao salário de carteiro, que, diga-se de passagem, era pouco, pois dona Josete uma das melhores costureira de nossa cidade, ganhava um bom dinheiro que fazia o padrão de vida deles serem bom, então como graça divina o Banco do Brasil chama Roberto para ser menor aprendiz, e esse meu grande amigo tornou-se um homem de responsabilidade, e assumiu o comando geral da situação, e juntamente com o salário de seu Adel a família de equilibrou. E hoje é um dos funcionários de carreira mais querido do nosso BB, sem duvida Roberto é´um grande homem, digno de toda nossa homenagem, e é um prazer Roberto, ter você como amigo e irmão.
Estas mal traçadas linhas que eu escrevi é dedicada a Conceição, Roberto, Janieide, Adriana, Feliz e Mônica.

Alexandre Tenório

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