quinta-feira, 9 de abril de 2009

O PÁRA-QUEDAS



Todo menino tem muita imaginação, e o nosso amigo Zenicio, tinha imaginação até demais, sempre foi muito estudioso e inteligente, embora um pouco tímido, mais de vez em quando colocava suas manguinha de fora.
Passou na cabeça de Zenicio construir um pára-quedas, estudou como ia fazer, o que era necessário, assim por diante.
Depois iniciou a escolha de quem iria ser o bom-conselhense que teria a honra de ser o primeiro papacaceiro a pular de pára-quedas, depois de muito matutar, achou a pessoa ideal, seria Luizinho, é isto mesmo Luizinho, Luizinho era um menino, calado, tímido sempre na dele, era a pessoa certa para a empeleitada, tinha tudo para dar certo, entrou em contato com ele, e ele pareceu de inicio sem muita pretensão de aceitar a tarefa, mais com muito jeito e argumento, principalmente o argumento de que, se ele consegui-se ter êxito na empeleitada, iria se tornar herói e seria olhado com outros olhos pelas meninas, este argumento foi decisivo para que Luizinho aceita-se a missão.
Zenicio agora iria preparar o pára-quedas, comprou na loja de seu Joaquim do vuco 3 metros de morin, na feira comprou cinco braça de corda, foi na casa de couro de Clovis Galvão e conseguiu lá duas tira de couro, em casa tirou o sapato novo da caixa e aproveitou a caixa de sapato, mandou sua tia costurar o morin juntando um metro e meio com o outro metro e meio, o pára-quedas ficou com o tamanho de 1.50 x 1.60, tamanho suficientemente certo para agüentar o tranco, já que Luizinho iria saltar de uma arvore de no maximo 6 metros, amarrou em cada ponta do pano uma braça de corda e as duas cordas de cada lado amarrada numa tira de couro, a outra braça da corda ficou para quando puxar abrir o pára-quedas, dobrou o pára-quedas bem direitinho colocando-o dentro da caixa, só ficou do lado de fora a corda que ia puxar para abrir o pára-quedas e as duas tiras de couro que iriam ficar no corpo dele, debaixo dos braços, assim como fica essa bolsa escolar que os meninos levam para a escola.
Luizinho já não dormia direito, ficou ansioso não vendo a hora do dia chegar, e torna-se um herói, sonhava a noite com as meninas mais bonitas do colégio, abraçando ele, querendo namorar ele, e ele já estava esnobando, era quando acordava, e ficava puto da vida por ter acordado.
Finalmente chega o dia, era dia de sábado, o local era na matinha do colégio que tinha um pé de manga bem alto, lá vai aquele monte de meninos e meninas, o interessante é que uma parte estava torcendo para dar tudo certo e outra parte torcendo para que Luizinho se lascasse no chão, Luizinho chega no local e Zenicio vai logo falar com ele dando as ultimas instruções é quando ele sobe na mangueira, a esta altura a algazarra da meninada era grande, então Luizinho toma posição no galho mais alto da mangueira, neste instante os meninos param de falar e um silencio sepulcral toma conta do ambiente, neste instante Luizinho tem medo, entra na realidade, mais ao olhar para baixo vê as meninas, então da um grito e pula, após 3 segundo ouve-se no chão um baque e o grito QUEBREI MEU PÉ, foi menino correr para todo lado, e o miserável a gritar de dor, aos poucos os meninos vem se chegando inclusive Zenicio, que foi o primeiro a correr.



Alexandre Tenório Vieira

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