sábado, 11 de abril de 2009

SABER AMAR


A maioria das filosofias existentes sempre pregam sobre o amor. Há no mercado editorial manuais e mais manuais sobre o amor. Somos treinados desde cedo, a amar mais os outros do que a nós, pois aprendemos que ao doar nosso amor, recebemos de volta atenção do outro, e isto é tudo que precisamos para termos avalizados nossas qualidades e nosso valor. Infelizmente, a maioria dos pais não tem consciência do quão importante é o ato de estimular e fazer crescer nos filhos o amor-próprio e a auto-estima. Ao invés disso, cobram-lhes a perfeição ou comparam-nos com outras crianças e jovens que consideram mais talentosas que os próprios filhos. Criam, então, pessoas medrosas, inseguras e incapazes de ver em si qualidades suficientes para que sejam valorizadas pelos outros.
Como não se pode apagar o passado, de nada adianta culpar os pais ou ficar lamentando o que não aconteceu. O que nos resta é “desconstruir” esse eu e fazer nascer em seu lugar alguém que consiga perceber em si as qualidades com as quais veio ao mundo.
Ninguém, por mais descaminhado que esteja pela negatividade e o desamor, é desprovido de algum talento e de potencial para a realização. Esta é uma condição inerente ao ser humano, visto que o Divino nos dota a todos dos mesmos poderes, sem distinção. As condições de vida de cada um é que determinarão o grau de distanciamento desse estado natural.
A tarefa não é fácil, mas é possível, sim, reverter o sentimento de auto-rejeição que muitos ainda carregam. É necessário um esforço consciente para apagar os registros negativos que abalaram a fé em seu próprio poder.
O primeiro passo é parar de comparar-se com os outros, pois não importa que existam seres mais inteligentes, bonitos ou realizados que nós.
A tarefa primordial consiste em ouvir o nosso coração e descobrir o que ele tem a nos dizer sobre quem, de fato somos e do que precisamos para sermos felizes.
A resposta sempre virá, desde que estejamos empenhados verdadeiramente em ouvi-la. O passo seguinte é reunir a coragem necessária para correr atrás de nossos objetivos, com a consciência de que a vida algumas vezes colocará obstáculos em nosso caminho.
Mas, se estivermos plenamente imbuídos de compaixão e de amor incondicional por nós mesmos, nada será capaz de nos fazer desistir da felicidade que acreditamos merecer.
Quanto mais conseguirmos rir de nossos próprios tropeços e de nossa tendência a assumir o papel de maiores vítimas do mundo, mais próximos estaremos de aceitar amorosamente quem somos e enxergar com clareza nossas virtudes.

Gildo Póvoas

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