domingo, 31 de maio de 2009

SABORES E SABERES



Todos nós temos lembranças, estamos sempre nos recordando de algo que nos aconteceu. Viver no passado é uma tendência natural da mente. Para isto, ela nos faz ruminar todos os eventos que vivenciamos, sejam eles bons ou maus. Se foram bons, ficamos presos àquela lembrança lamentando o que perdemos. Se maus, nos mantemos estagnados por medo de que aqueles eventos se repitam novamente. O passado não possui qualquer poder para nos impedir de vivenciar a plenitude de nosso ser agora, apenas o rancor em relação ao passado pode fazer isso. Viver é uma dádiva, éter algo de bom para recordar da vida vivida, ah, isso é uma glória! Quem de nós não tem, por vezes, a portinha do passado que se abre inesperadamente e sem planejamento? Quem nunca se viu diante de uma situação atual que automaticamente foi remetido para um lugar ou uma situação longínqua do seu passado?
Aconteceu comigo!
Em uma tarde deste Outono, onde tudo nos convida para momentos de relaxamento e descontração, fui convidado para um chá. No local me deparei com imensa mesa de frios, doces e bolos do tipo que só de olhar já engorda. Sentei-me com o meu grupo próxima a uma destas mesas e embalado por um som suave de um órgão cujo tecladista não media distância no tempo, passeava dos anos sessenta, aos anos setenta e aos oitenta, eram melodias que não só despertavam sentimentos, como recordações dos sentimentos. E nestas recordações eu consegui mergulhar em um tempo em minha infância e deixei solta a minha mente, e ela me levou a uma passagem que agora divido com você que me lê neste momento.
Lá pelos anos sessenta e a vida transcorria sem maiores mudanças, cidadezinha pequena, pacata em seu caminhar, tal qual o caminhar de uma tartaruga preguiçosa . E em meio a esta vidinha estava eu vivendo a minha infância por direito. A casa da minha avó paterna era colada a minha, o que me dava à liberdade de está mais na casa dela do que na minha. A minha avó já idosa, mãe de uma penca de filhos, todos já casados e donos de suas vidas. Mas uma das suas filhas, a mais nova, não quis casar, não sei se por opção ou por falta de pretendente mesmo. Assim, solteirona, resolveu assumir cuidar da minha avó. Esta minha tia de nome Dulcinéa, que curiosamente eu nunca a chamei de tia, não sei se pela liberdade, ou por achar que ela poderia ser a minha irmã mais velha, não sei, mas carinhosamente eu a chamava de Dulce. Pois bem, Dulce era uma quituteira de mão cheia, e não sei onde ela aprendeu, se foi alguma herança genética dos seus antepassados portugueses, sei que a Dulce era como denominamos hoje um verdadeiro “gourmet”.Como por necessidade ou por ocupação Dulce tinha aos sábados –dia da feira na minha cidade - um quiosque (na linguagem popular: uma tolda) onde servia os seus quitutes, acompanhados de um café forte, feito na hora. Todo o sábado estava ela, ao lado esquerdo da igreja matriz a servir assuas iguarias ao pessoal que vinha da zona rural para feira. Era um trabalho árduo, mas ao ganhar a aprovação as suas iguarias, um sorriso imenso vinha estampado no seu rosto. Neste universo estava eu inserido!
As Sexta feiras a Dulce começava os preparativos para o dia seguinte. Acordar cedo, cortar lenha, preparar a massa. Eram tarefas rotineiras neste dia. Um sinal que a quituteira estava em ação era notado pelas portas da frente da sua casa. Permaneciam fechadas. Não recebia ninguém quando estava nestas atividades. Nem mesmo eu, seu sobrinho favorito, tinha permissão de adentrar ao seu reino sem ser convidado. Todos respeitavam este código, que mesmo sem ser dito, era respeitado. Amanhã inteira da Sexta feira era essa a função da quituteira. Ao voltar da minha escola, e depois do almoço, aí era hora de verificar se o sinal estava livre para que eu pudesse ir para a casa da minha avó. Sim, existia um código para que eu me aproximasse da casa: A janela teria que está aberta. Vendo isso eu poderia invadir o território da quituteira. Assim era a nossa comunicação. Adentrando o território, a festa pra mim estava completa. Todos os docinhos e bolos que não passassem pelo controle de qualidade da Dulce eram guardados em uma vasilha e eram o meu presente. Interessante que cada docinho que ela me dava vinha sempre com um comentário do tipo: “Este eu fiz com a massa mais úmida,ou este não levou leite na receita”. Era uma sabedoria que ela me passava, mas eu, criança, não sabia o que fazer com aquela sabedoria, simplesmente ouvia e claro, comia as guloseimas. Foi assim por muitas Sextas feiras do meu tempo. Até que cresci, Dulce mudou de casa, eu mudei de cidade, mas as lembranças de todos aqueles quitutes permaneceram guardadas na minha memória.
Muito tempo depois tive oportunidade de começar a estudar o lado metafísico dos alimentos e só aí pude entender o que a Dulce queria que eu aprendesse com os seus comentários: Aprender a conhecer o verdadeiro sentido do comer. Acho que ela inconscientemente plantou uma semente que só foi germinar muito tempo depois. Pois eu pude entender que existe uma sabedoria intrínseca nos alimentos, um campo energético que os permeiam, desde a sua preparação até a sua degustação. Daí a importância de não só sabermos o que estamos comendo, mas sabermos também como foi a sua preparação. Se a pessoa que o preparou estava bem, não só fisicamente, mas emocionalmente, estas vibrações passam para os alimentos. Não precisa ser um “expert” nesta área para conhecer a vibração dos alimentos. Faça uma experiência na próxima vez que for degustar qualquer alimento (aqui é excluído os industrializados); olhe para o que você está comendo, aos poucos, experimente... Mastigue bem...Tenha cuidado com as misturas que você faz no seu prato... Os “self service” da vida estão cada vez mais abundantes, nada contra! Mas, este tipo de serviço faz com que comamos com os olhos e misturamos tanto que não sabemos distinguir o sabor de quê. Existem alimentos que quando misturados perdem o seu sabor original e conseqüentemente o seu valor nutritivo. A Medicina Tradicional Chinesa tem uma área dedicada a este estudo dos alimentos chamada ‘dietética dos alimentos”,onde os alimentos estão associados aos cinco grandes movimentos do Universo: Fogo, Terra, Água, Metal, Madeira. A primeira vista é complexo,mas depois que entendemos estes movimentos,o ato de comer não só torna-se mais prazeroso, como também torna-se um ato de sabedoria. Pois o ato de comer faz parte dos mecanismos instintivos do homem, podemos pensar. Contudo, depois de Freud, sabemos que nada é tão simples assim. O nosso desejo dá um jeito de aparecer e tocar cada uma das nossas mais corriqueiras atividades. Ao escolhermos um prato,ao pensarmos nos ingredientes,nos temperos,ao preparamos uma comida levamos ao outro o nosso amor,o nosso cuidado,o nosso desejo de agradá-lo. O ato de estar à mesa transforma-se num momento de encontro e trocas, de compartilhar desejos e de sonhar os sonhos que iremos realizar. Aquilo que aprendemos a comer e a apreciar,no âmbito familiar,quando éramos crianças,será carregado como bagagem para a nossa vida adulta e,de alguma forma ressurgirá na maneira como vamos alimentar nossos filhos futuramente, seja com o alimento físico,emocional ou espiritual. Porém, “aquele sabor de infância”não fica esquecido e vai ressurgir carregado de lembranças sempre que o adulto se deparar com um... determinado cheiro de canela, de limão,a visão de um bolo de chocolate “como os de antigamente”,qualquer coisa enfim, que tenha sido mais fixada na memória em função de outros estímulos. Independentemente de nossas preferências, sejamos crianças ou adultos, uma série de emoções estão atuando quando comemos, fazendo com que nossa digestão,nosso modo de assimilar os alimentos sejam influenciados por isso,mesmo quando não nos damos conta. Mas todos comemos. Com culpa, compulsivamente,com preguiça,com pressa, por depressão,por necessidade de nos nutrir, com prazer ou sem prazer, com alegria por estarmos juntos ou aborrecidos,por termos que Compartilhar, para enganar a tristeza ou preencher o tempo, prestando atenção aos sabores ou simplesmente engolindo, enfim se quisermos sobreviver, um dos requisitos é nos alimentarmos, seja qual for nosso estado de espírito. No entanto, o ato de comer tem um significado muito mais profundo, no sentido de “preencher vazios” emocionais, de dar colo a nós mesmos. Como vamos nos alimentar, o que vamos comer, nos insere num determinado contexto e explica um pouco a nossa história. Isto tudo tem um motivo para estes escritos que você agora lê. Pense nisso!!!

Gildo Póvoas

sábado, 30 de maio de 2009

O Monstro da Lagoa Negra



Em nossa vida passamos por momentos que são apenas enganos do nosso cérebro. Quem não já chegou a vivenciar um destes momentos nos quais dizemos: eu já passei por isto antes? Li em algum lugar que isto é um dos principais sintomas de esquizofrenia. Se é verdade, hoje estou esquizofrênico. Aqui na CIT a Internet pifou, ou como dizemos já com naturalidade de quem lida com a área, caiu, deu pau, etc. Uso esta estória de esquizofrenia para começar um texto e evitar os efeitos desta queda. Sei, o que eu e todos desta empresa estão sofrendo. Os sintomas são claros e evidentes. Irritação, mãos suadas, tristeza, sensação de sono e de noite mal dormida, vagueza de idéias, olhos voltados para o infinito, sem contar os mais perigosos e violentos, como, xingamentos, palavrões fora de hora e, no meu caso particular, o sintoma descrito acima: sensação de já ter passado por este momento. Perguntamo-nos o que seria isto. Veio a resposta: é a SAI, sigla para Síndrome de Abstinência de Internet. Mais uma doença moderna para a qual não existe ainda remédios que remetam à completa cura.
Dizem os otimistas que se alguém te der um limão, não reclames do azedume, faça uma limonada, ditado que chegou aqui à empresa, certamente pela Internet, numa forma mais jocosa ou, como diz Lucinha: machista. Se a vida te virar as costas, passe a mão na bunda dela. Penso que bunda não é palavrão, estou com a SAI mas ainda permaneço lúcido. O que quero dizer é que ao escrever este artigo estou fazendo uma limonada ou tentando bolinar a vida.
Tudo me remete a Bom Conselho, idos não sei de que ano, dias bonitos e noites de maior beleza pela sua escuridão. Se hoje sentimos falta da Internet naquela época sentíamos falta de Energia Elétrica. Para os mais jovens isto parecerá um filme de terror, Bom Conselho sem luz durante alguns meses. Os únicos sinais de energia elétrica, à noite, vinha do cinema: O Cine Rex. E era para lá que confluíam as pessoas de maiores posses. Os outros aproveitavam o escurinho das casas e ruas de uma melhor forma. Lembro da noite caindo, as casas comerciais fechando junto com a saudade da luz noturna produzida pelo motor da Empresa, quase de frente do cinema. Haviam-nos prometido energia elétrica, vinda de Paulo Afonso. Quando pensávamos que Garanhuns já tinha, isto nos enchia de esperança, talvez maior do que a esperança de sermos hoje uma cidade industrial, com a chegada da Brasil Foods. Da mesma forma que hoje, a cidade se preparava para a luz com uma ponta de incerteza e curiosidade. Meu pai pensava no rádio novo, a energia, aposentando aquela velha bateria de caminhão.
Minha mãe, pasmem, pensava numa geladeira, evitando assim ter que cozinhar feijão todo dia. Outros, mais ricos já pensavam numa radiola. Isto nas residências. Nas casas comerciais os sonhos eram mais altos ainda.
Para a molecada não existia tempo ruim. Quando tinha luz brincávamos, quando não tinha, brincávamos no escuro. Entretanto, o quente era sair à noite com uma possante laterna. Era um instrumento de primeira necessidade. Sua ausência significava uma brincadeira na frente de casa ou uma estória de “trancoso” na sala, junto de meninas que, pela minha idade na época, nem sempre eram apreciadas. Minha mãe contava, outras vezes era minha avó que contava as estórias. João e Maria já sabia de cor e salteado: água meu netinho azeite senhora vó. A lanterna era o passe para a liberdade da noite escura. Desde esta época descobri que a melhor lanterna é a do vizinho, aprendendo a me contentar com a minha de médio alcance. Dava conta do recado e não fazia feio quando saia garbosamente com ela para o cinema.
Óbvio que todos que viveram aquela época tem seus causos do escurinho da cidade para contar. Eu tenho os meus e, enquanto a internet não volta, contarei alguns.

O uso da lanterna me levava longe e, se não ia mais longe ainda era por falta de coragem. Meu lugar mais longe era o Cine Rex, pois a calçada da Igreja e Rua da Cadeia, onde ia nestas noites escuras eram bem pertinho de casa. Ao cinema ia todo sábado, isto era certo. Jamais perderia um capítulo de um série fosse ela de Zorro, Nyoka, Flash Gordon, Capitão Marvel ou Super-Homem. Uma vez passei uma semana discutindo com a molecada como o Capitão Marvel iria se salvar de uma lâmina de ferro que caia sobre ele no “perigo” da semana anterior. Fomos todos ao cinema, no próximo sábado com nossas teorias sobre o desfecho do episódio. Santa decepção, Batman, a lâmina quebrou porque o herói era o homem de aço. Neste dia a laterna de todos voltou mais baixa para casa, ninguém esperava tanta facilidade nem tanta burrice nossa por não descobrir.
O pior e mais angustiante episódio das noites escuras de Bom Conselho aconteceu no dia em que fui assistir a um filme chamado A Tarântula. Hoje eu diria, mal feito, preto e branco, roteiro chinfrim, efeitos especiais não especiais, etc. Era a narrativa de um cientista que produzia uma fórmula de crescimento e a aplicou numa aranha pequeninha. O efeito era o que se esperava. A aranha começou a crescer, crescer e crescer até se tornar um monstro que invadia cidades e casas matando adoidado. Não me lembro do fim do filme, me lembro do depois do filme, ao sair, com a minha lanterna guiando meus passos pela ladeira do corredor em direção ao centro. Aquele frenesi de lanternas, os passos das pessoas, o falatório dos comentários sobre o filme me levaram a ver tarântulas onde não devia. Parecia até que uma delas me perseguia e outra me olhava de cima da Princesa do Norte. Comecei a acelerar o passo até chegar, talvez, a uma tentativa de bater o recorde de 400 metros com barreira.
A barreira foi a porta de minha casa que ficava fechada mas, minha mãe deixava a chave debaixo de uma planta enquanto fechava com outra por dentro. Com o medo que estava, imaginem já umas trinta aranhas nos meus calcanhares, nem me lembrei do esquema da chave. Bati com força na porta, gritando e quase chorando, acordando todos em casa, e nesta noite fui dormir na cama dos meus pais, depois das explicações de praxe.
Vem a minha mente sequelada pela SAI um episódio ao sair do escurinho do cinema para o escurinho da cidade, onde um senhor de nossa sociedade estacionou seu jeep Willis (penso ser assim que se escrevia) perto do cinema. Ao sair, ele gritava, cadê o meu jeep que estava aqui, apontando para o local com sua possante lanterna e chamando a atenção de todos. Sua família o rodeava e aflita também procurava o automóvel a fim de voltar para casa naquela escuridão. Engraçado e estranho é que não pensei em momento algum que pudessem roubar um jeep. Velhos tempos belos dias. Depois de várias tentativas quanto a localizações diferentes, o jeep foi encontrado mais embaixo com um rapaz, um pouco chegado as águas ardentes, sentado no banco do motorista. O rapaz com a língua meio trôpega disse inocentemente: eu pensei que era o meu, e voltou a dormir calmamente. No outro dia, eu soube, as desculpas paternas vieram e não houve mortes por causa do escuro, ao contrário do filme que passava naquela noite, onde havia muitas mortes de inocentes: O Monstro da Lagoa Negra.

Diretor Presidente

quarta-feira, 27 de maio de 2009

O CHOPP (2ª PARTE - A LUTA)




Depois da pegadinha com dr Zenicio (http://www.citltda.com/2009/04/o-chopp-1-parte.html), vou lhes contar à luta que ouve para nós tomarmos esse bendito chopp.
Certo dia chega Ronaldo em minha loja altamente eufórico, com a possibilidade de ter em seu restaurante o chopp Brahma, então uma semana depois chega o supervisor de vendas da AMBEV para ver se o restaurante tem condições de ter uma maquina de chopp, constata que o restaurante tem sim condições de ter uma maquina de chopp, Ronaldo imediatamente telefona para mim para dizer a novidade.
Passado duas semanas recebe o nosso amigo a visita de um funcionário da AMBEV para protocolar o pedido da chopeira, Ronaldo telefona para mim eufórico, pois a coisa estava caminhando satisfatoriamente.
Passado mais duas semanas chega um técnico para ver o melhor local de instalar a maquina, e também pedindo a Ronaldo que compre um cilindro de gás para ser utilizado na chopeira, pois ela já esta pra chegar, Ronaldo da uma carreira para Garanhuns e vai a White Martins e compra um cilindro de Oxigênio do maior que existe, o carro vinha penso de um lado com o peso do bicho, telefona para mim dizendo que eu fosse ao restaurante ver o que ele tinha comprado para a chopeira, chego lá encontro um cilindro de hospital maior do mundo, e pergunto a ele, isto é um restaurante ou um hospital, ele da aquela gargalhada e explica que é necessário o oxigênio para melhor sair o chopp.
Duas semanas depois, Bom conselho amanhece com a propaganda de que nesta sexta-feira no restaurante stillus teremos chopp da Brahma (o melhor do mundo), o dia todo de propaganda no ar, e como os senhores já sabem o que aconteceu, pois contei no artigo chopp 1, veio o barril de chopp mais não veio a chopeira, a justificativa foi que ela vinha da Paraíba, e não tinha chegado a tempo, imaginem o restaurante lotado e nada, o jeito foi entrar na cerveja nossa de cada dia, para não perdemos a andada.
Passados mais duas semanas, e nada do chopp, é quando chega um funcionário da AMBEV com um contrato para Ronaldo assinar, devendo ser registrado em cartório, ele devia se responsabilizar pela chopeira e o valor era de R$ 5.650,00, prontamente Ronaldo vai ao cartório e efetua a transação, ele mim disse a noite quando eu cheguei lá que se fosse 100 mil reais ele assinava, pois à vontade de ter chopp no restaurante era naquela altura algo inexplicável.
Tudo indicava que agora ia, então 10 dias depois chega a bendita maquina e ele telefona imediatamente para mim, fui o mais depressa possível, chegando lá encontro uma maquina muito bonita novinha em folha, só faltava o técnico para colocar para funcionar, 10 dias depois é que aparece o técnico, Ronaldo telefona para mim com uma alegria só, quando chego encontro ele muito triste, pois o barril de chopp que estava com ele não prestava para usar, pois já tinha passado do prazo de validade.
Uma semana depois, chega quatro barris novos, só que o técnico não veio, 6 dias depois num dia de domingo ele mim telefona que chegou o técnico para instalar a maquina e nós finalmente iríamos tomarmos o primeiro chopp, vou imediatamente ao restaurante para ser o primeiro freguês a tomar o chopp, quando chego lá encontro Ronaldo totalmente desolado, pois o cilindro ao invés de vim de gás carbônico veio de oxigênio, pois foi pela primeira vez na historia moderna eu vi um ser humano desejar gás carbônico ao invés de oxigênio, com toda propaganda do efeito estufa, ele queria era gás carbônico, então eu disse que não tinha o que fazer era pegar o cilindro de oxigênio levar para Garanhuns e trocar por um de gás carbônico, embora sendo dia de domingo dava-se um jeito, ele não teve conversa pegou o carro e foi para Garanhuns, enquanto isto para não perder o tempo comecei a tomar uma cervejinha skol, e o tempo passando e nada, o técnico já ficando aperreado e nada de Ronaldo, quando ele chega, chega sem cilindro, POIS tinha deixado o cilindro para ser trocado, pois de gás carbônico só chegaria na quinta-feira, o técnico se despede e vai embora.
Quinta-feira, ele recebe o cilindro, mais falta o técnico para instalar, então ele telefona para o técnico que por telefone diz como ele deve fazer, e finalmente nós tomamos o bendito chopp, que por sinal estava uma merda, pois ele não soube instalar direito e o bicho não gelou certinho, só quando cinco dias depois que o técnico veio é que finalmente tomamos O MELHOR DO MUNDO, DO MUNDO, UFA.

Alexandre Tenório Vieira

terça-feira, 26 de maio de 2009

O Navio Negreiro



Não há um consenso sobre que país foi o primeiro a abolir a escravidão. A Inglaterra se orgulha disso, mas a Dinamarca e França também se dizem pioneiras !!!!
O Brasil foi o último !!! No papel sim.

"Quando os escravos são parados no cais,os braços são presos a um gancho num guindaste e colocá-se pesos de 25 kg sobre seus pés. O guindaste é erguido até os pés mal tocarem o chão. Então, eles são chicoteados com galhos de ébano para tirar o sangue coagulado." J. Newton.

John Newton era um comerciante de escravos que transportava em navios fétidos , milhares de homens, mulheres e crianças da África aos locais de leilão. Teve uma crise de consciência aos 45 anos . Então, o grito do seu coração ecoou com os gritos dos escravos.
O arrependimento o inspirou a compor a música mais conhecida no mundo: Amazing Grace !!
Essa música teve o poder de dar esperança aos desesperançados e de amolecer o coração dos insensíveis.
Ele está no filme que assisti ontem e que me deixou estarrecida. Não que eu não saiba do sofrimento dos escravos. Mas de alguma forma estamos esquecendo um pouco dessa página deplorável da história da humanidade.....
Será a flor de maio que me faz momentaneamente esquecer?
Foi preciso ver"Jornada para a Liberdade " para parar e pensar????
Conheça Wilberforce, por favor.
Exemplo de homem e político!!!
Poderia ser sim um dos abolicionistas brasileiros que lutaram contra a escravidão. Foi por acaso,um britânico que me alertou. Sabe-se hoje da coligação entre Joaquim Nabuco e o movimento Inglês,que era desconhecida pela história do Brasil.
Salve !Antonio Bento!
Salve !Castro Alves !
Salve ! Luiz Gama !
Salve !José do Patrocínio !
E tantos outros que lutaram e lutam até hoje para o fim dessa vergonha mundial...
Numa época e num país fértil de grandes homens, eles estavam entre aqueles que determinaram a diferença!!
Voltei em pensamento ao velho tema que tanto me atrai pela total incompreensão do - Por que ????
Escravidão é o Nazismo é Guerra é Sujeitar um homem ao outro de uma forma total. Pela força. Pelo poder.
Pela mediocridade !
A escravidão é bem antiga na humanidade.Na Mesopotâmia e no Egito , os homens eram propriedade de seus governantes!! Segundo Aristóteles, o filósofo grego, o escravo "por natureza" , não pertencia a si mesmo. Imagine existir um ser que por si só , é escravo!!!!
Não importava a causa histórica, os prisioneiros de guerras, os mais fracos, os índios por aqui , antes do negro, enfim....
Vamos repensar na escravidão no Brasil e no mundo!! E a escravidão hoje? Vezes repetidas vemos notícias nos meios de comunicação. As minorias continuam massacradas.... .........
Os senhores de engenho ainda vivem !!!
Reli o Navio Negreiro ,de Castro Alves.
O choro do negro arrancado da sua terra, para sempre ecoará entre nós.
Vamos repensar no navio negreiro, as lágrimas, os açoites, as torturas, a dor física e espiritual.
Nenhuma palavra consegue descrever.
Silêncio.
Pense. Faça uma oração.
O escravo nunca foi ex. Respeito sempre.
Maio, mês das noivas, de Nossa Senhora,
mês do dia das Mães e da Abolição.
Vamos criar a cada momento,
um mundo melhor !!!!!
bjusssssssss
boa semana !!!! Ana maria miranda Luna
São Paulo

--------------------------------------
"São mulheres desgraçadas,
Como Agar o foi também.
Que sedentas, alquebradas,
De longe... bem longe vêm...
Trazendo com tíbios passos,
Filhos e algemas nos braços,
N'alma — lágrimas e fel...
Como Agar sofrendo tanto,
Que nem o leite de pranto
Têm que dar para Ismael"...

sábado, 23 de maio de 2009

A Brasil Foods e os Desejos de Minha Terra



Todo dia leio as matérias que chegam ao Blog da CIT. Normalmente o faço duas vezes. Antes de publicar e depois. Certas horas, como apreciaria só ler depois. Este desejo é maior quando há notícias que não gostaríamos de ver divulgadas.
Certa vez, o Príncipe Charles, herdeiro do trono inglês - se algum dia a rainha morrer e, antes dele - reclamou da imprensa sobre sua mania de só divulgar notícias ruins: desastres, crises, quedas de aviões, guerras, doenças, fome, e por aí vai. Um editor de um determinado jornal resolveu então satisfazer o Príncipe tentando realizar o seu desejo. No dia seguinte, seu jornal, por ele orientado, procurou publicar apenas boas notícias. Manchete de primeira página: A Rainha morreu! Viva o Rei Charles! Toda a edição descrevia a morte da rainha em detalhes e a coroação de Charles com pompa e circunstância. Assim que leu o referido jornal, o que fazia todos os dias à mesma hora, imediatamente, ligou para o editor.
- Aqui é o Príncipe Charles. O que você fez, matando minha mãe, de mentira, é imperdoável. Vou processar este jornaleco de quinta categoria e vou lhe mandar para a cadeia. Isto foi um absurdo.
Disse o Príncipe com aquele inglês que é o único que entendemos quando vamos à Inglaterra, ficando confiante no nosso conhecimento da língua, até ouvir o encanador. Então, calmamente, respondeu o editor:
- Majestade, eu estava apenas tentando lhe agradar, publicando boas notícias.
- Caro senhor, V. Sa. pensou que eu iria ficar alegre com a notícia falsa da morte de minha mãe!?
- Majestade, pensei que meus jornalistas eram melhores e iriam convencer a todos que a rainha morreu mesmo, e inclusive o senhor também acreditaria. Se o senhor pensou que era só uma notícia falsa, nos desculpe, foi falha nossa. Quando ela morrer de verdade publicaremos a boa notícia para o senhor, agora não é possível.
E continuou a publicar suas notícias ruins, enquanto o Príncipe esperava pelas notícias boas.
Sinto-me como o editor. Doido para o Blog da CIT publicar somente notícias boas sobre Bom Conselho mas, isto nem sempre é possível. Gostaria que o título desta minha crônica fosse: A Brasil Foods é inaugurada em Bom Conselho. A matéria, enviada por nossos repórteres, e ilustrada com fotos de Niedja Camboim, se esmeraria em descrever a alegria daquele povo diante do palanque das autoridades, enquanto o Presidente Lula acionava uma alavanca para produzir a primeira salsicha industrializada do Agreste Meridional. Antes disso, o Presidente chamaria o Governador e a Prefeita para juntos fazerem este acionamento. Emocionado, como sempre fica nestas situações solenes ele dedicaria esta primeira salsicha a seu Júlio Porqueiro, o produtor das melhores lingüiças de Bom Conselho, antes da Brasil Foods. Em seu discurso, após a primeira salsicha pronta, não mencionaria o nome de sua candidata para 2010, e o nosso Governador ouviria isto com se não significasse outra coisa, negando ter conversado com o presidente sobre candidaturas. E por aí iria a matéria dos sonhos do povo de nossa cidade.
Infelizmente, fora o fato de que seu Júlio produzia a melhor linguiça da região, tudo era desejo. Quem sabe ele um dia se realiza? Promessas para inaugurar todo o projeto apresentado à cidade, anteriormente, há muitas, como demonstram os jornais. Entretanto, será que estes jornais não estarão querendo publicar só notícias boas, como nós? Nunca é demais duvidar um pouco.
Em nosso capitalismo, durante séculos, as empresas vivem esperando pelas benesses dos governos, tenham sido eles de direita, direita, direita ou direita. Não tivemos outro tipo. Os que se elegem pela direita continuam em sua mão, os que se elegem pela esquerda usam a mão inglesa e continuam indo da mesma forma e na mesma direção. E as empresas fazem as adaptações dos veículos e estradas. Todos ganham, menos quem não está nas empresas nem nos governos. Uma fábrica apenas levaria mais alguns de nossa cidade para as empresas ou para o governo. Mesmo assim, como nos habituamos a sonhar baixo, seria importante a inauguração de todos os projetos que foram prometidos desde a época da Perdigão. Como diz o Cleómenes Oliveira: será um desastre para Bom Conselho continuarmos a ser a Cidade do Leite, cedendo para Vitória de Sto. Antão o título de Cidade da Salsicha. Passamos quase um século para mudar de Cidade das Escolas para Cidade do Leite. Será que precisaremos o mesmo tempo para mudar de novo?
O que fazer? Apelar para quem? Falar com quem? Como agir? Resposta para isto não se deve encontrar dentro do município, somente. Começar uma campanha: A Salsicha é Nossa, não daria resultado, vejam o caso da Petrobrás, já querem privatizá-la outra vez. Não coma a pizza da Brasil Foods, também não, elas são muito boas, mesmo engordando. O lema: Bom Conselho unido jamais será vencido, talvez desse resultado, mas esta cidade não se une desde Frei Caetano, que teve de ameaçar com o fogo do inferno para conseguir construir o nosso Colégio N. S. do Bom Conselho. Mandar cartas e e-mails para os envolvidos e que tenham algum poder de decisão só iria gastar os nossos bytes e papéis. Fazer um bonecão, seguindo a onda da Rede Globo, e chamá-lo João Perdigão, sustentando um placa: Inauguração Já, dificilmente dará resultado, pois não teria divulgação na TV, devido a esta já está faturando com a Brasil Foods nas palavras da atriz Marieta Severo: ...o mundo com mais sabor, sem completar: ...e Bom Conselho na mesma. Apelar para Deus seria usar seu santo nome em vão. Não vislumbramos uma solução plausível até o momento.
Por isso o Blog da CIT, atendendo aos anseios de toda população de Bom Conselho e adjacências por boas notícias, me autorizou a escrever uma crônica cujo título será: Sequestrado o Presidente! Valor do Resgate: Inauguração do projeto completo da Perdigão. Só preciso de jornalistas convincentes. Acuda-me Luis Clério.

Diretor Presidente

(*) As fotos foram obtidas no site de Bom Conselho ilustrando um texto cujo começo era o sequinte:
A Perdigão assinou nesta segunda-feira (17/09/2007) protocolo de intenções com o governo de Pernambuco e a prefeitura de Bom Conselho para a implantação de um complexo agroindustrial naquele município, localizado a 287 quilômetros de Recife. Em uma área de 100 hectares, serão construídas duas fábricas — uma da Batávia para o processamento de laticínios e outra da Perdigão para a industrialização de embutidos de carnes —, além de um Centro de Distribuição (CD).”

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Flor - de - Maio : o ciclo



Escrevi ano passado sobre a maravilhosa flor- de - maio que admiro tanto e floresceu em pleno outubro em 2008.
Misteriosa mesmo essa planta ! !
Fui pesquisar o porque desse florescimento fora de época e descobri que existe uma irmã da flor-de-maio que é a flor-de-outubro......bem , isso fica para eu pesquisar e conhecer melhor as flores.
Dizia que novamente elas estão florindo, lindas, em várias cores....é o ciclo da vida!
Tecnicamente, o ser humano tem um ciclo:
nascimento,desenvolvimento,envelhecimento e morte. Olhando assim, parece tão formal, natural e prático. E é mesmo. É ??? Não,não sou cartesiana, nem olho o ser humano assim e nem vou me ater a esse ciclo de princípio, meio e fim. Quero mais. Muito mais.
Quero falar do humano ser..........porque o ter não importa muito.
Da gestação à morte, quero todo o sentimento que envolve o ciclo da vida!
São os verdadeiros sentimentos que nos diferenciam, nos tornam LUZ.
Sentimentos.....o que são?
Talvez informações que podemos sentir em diferentes situações...amor? Medo?
Imagine que a partir do sentimento,nosso corpo pode sentir os reflexos. Lembra quando falaram dos seus olhos brilhando? Você radiante de felicidade, seu corpo fala.
Você triste , seu corpo fala.
E você fica triste, alegre, feliz, infeliz, ri chora, canta e fica mudo no maravilhoso turbilhão do ciclo da vida! Se tudo fosse um só sentimento, seria no mínimo, monótono !!!
Emoções...emoções....quanta confusão entre emoção e sentimento!
É fácil justificar nossas ações por conta das emoções. Se acalmarmos nossas emoções, nos tornamos confiantes!
Sentimento é profundo. Forte.
No ciclo da vida,comer,beber não basta!
Precisamos de mais. Temos a capacidade de procurar sexo sem intenção de procriar. Pelo prazer, porque gostamos e nos faz bem. Podemos nos deliciar com um prato, só por prazer....sem fome. Satisfação.
Olhando da janela do meu apartamento para as flores de maio que desabrocham,
passeei pela minha vida e parei em muitas etapas de emoções e sentimentos e pensei no novelo de lã da vida, que vamos enrolando, enrolando , enrolando e de repente, num dia qualquer ,olhando pela janela do seu apê, você descobre que está desenrolando,desenrolando, desenrolando
mas , FELIZ !!!!!

boa semana
bjussssssss Ana maria miranda Luna
São Paulo

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Maio - Mês das Noivas



Maio é um mês de muitas emoções. Começa com o Dia do Trabalho, passa pelo Dia das Mães, continua com o Dia da Abolição da Escravatura, que é também o dia da Virgem de Fátima. Além disso, é considerado o mês das noivas. Dizem que a influência da Igreja Católica foi preponderante na escolha desta denominação para maio, por ser o mês da consagração da Virgem Maria, além da influência do dia dedicado às mães, e pelo fato, que não sabemos se é causa ou conseqüência, dos casamentos serem realizados em maior número neste mês. Alguns já dizem, que, por motivos mais “nobres”, férias e 13º salário, já se casa mais no mês de dezembro. Porém, o nome continua no mês de Maio.
Tempos atrás, quando eu era uma moça casadoira, noivar era quase uma obrigação. Casar sem noivar cheirava a pressa a que se submetiam os noivos quando praticavam o que não deviam. Aliás, praticar o que não se devia é uma questão moral e de costumes, e como tal, envolvida com todos nossos valores religiosos. O que não se devia fazer numa relação a dois sempre variou no tempo e no espaço. No caso do noivado eu fugi um pouco da regra geral, apenas comunicando a meus pais que tinha noivado. Não foram pedir minha mão e até hoje reclamo do meu marido por isto. Tenho que me explicar, antes que algum desafeto ou mesmo moralista de plantão me acuse de libertinagem.
Fiquei em Bom Conselho até a adolescência, talvez um pouco mais. Não namorei muito, talvez porque a música que eu mais cantava deve ter influenciado minha vida: “Quem eu quero não me quer, quem me quer mandei embora...”. Os rapazes da época, não sei se por culpa minha ou deles só queriam xumbregar. E xumbrego comigo não, gavião. Meu Deus, quando já se é uma mulher madura, eu disse madura e não podre, temos compulsão de explicar tudo, já que vivemos muito para que mal entendidos possam comprometer nossa reputação. Se minhas filhas me vissem falar em xumbrego morreriam de rir, e diriam:
- Mãe, hoje ninguém xumbrega, a gente “fica”.
É isso ai, hoje elas "ficam", tempos atrás as moças xumbregavam. Havia muitas moças xumbregueiras naqueles tempos, no entanto, meus preceitos religiosos me impediam de fazer isto e meu pai me mataria se algum amigo dele lhe contasse que me encontrou xumbregando com alguém. Se fosse mamãe que dissesse a ele talvez não chegasse ao homicídio doloso, mas ao culposo, com a surra que levaria, sim. E não pensem que meu pai era um monstro desnaturado ao ponto de matar a filha. Todos eram. Colocavam a honra em primeiro lugar, e o amigo saber que a filha estava xumbregando era a maior desonra, se só a mãe soubesse a desonra era menor. Costumes e moral de uma época?
Atualmente, antes de noivar, as moçoilas “ficam” à vontade, depois namoram, depois noivam e depois casam, às vezes, não necessariamente nesta mesma ordem. Depende muito da classe social, nível de renda, grau de instrução, formação religiosa e de outras variáveis. O que mudou muito dos tempos de outrora foi o período envolvido nisto e o significado das palavras usadas. Entre xumbregar e “ficar” não vejo muita diferença e o provaria se o nosso Blog só pudesse ser lido tarde da noite, entretanto, já sei que ele já é leitura quase obrigatória nas “lan houses” de Bom Conselho, então, acreditem. Namorar, Noivar e Casar é que mudaram totalmente de sentido. Como estamos tratando do mês das noivas, fiquemos neste termo.
Noivar antes era um sonho para nós mulheres talvez até maior do que o casamento que seria o acordar para realidade. Era o ponto futuro do casamento com mais certeza do que no namoro. Era a preocupação dos pais com o dote, em minha geração, já restrito ao chamado enxoval da noiva. Quanto ao dote, os machistas diziam que era uma forma de compensar o noivo por aceitar carregar a "carga", arrematando: o "burro" tem que comer alguma coisa para levar a "carga". Nossa vingança como mulher veio pelo nosso brio e não pela nossa praticidade. Hoje nós, como mães ainda tratamos do enxoval e trabalhamos para ajudar o "burro", mas dizemos a nossas filhas: se o "burro" der coices, não titubeie, dê um maior ainda naquele lugar onde lhe ensinei. Voltemos aos encantos do noivado. As noivas sonham ainda, e como sonham. Mas, um sonho diferente. De participação na vida a dois, na maternidade, mesmo quando já levam uma criança no bucho, no amor, mesmo que saibam que é chama e pode se apagar numa sala da justiça, no trabalho, mesmo que trocando o posto de chofer de fogão para dirigir outros veículos mais complicados. Sonhos enfim.
O que falta mesmo aos noivados atualmente, é o que falta a todos os atos humanos que eram possíveis no passado e não mais são possíveis hoje. Antes tudo parecia acontecer até que a morte separasse. Hoje não se espera a morte. Tudo acontece antes porque a morte ficou para depois. Pensamos que temos tempo para “ficar” muitas vezes, namorar mais ainda, noivar nem se fala já que o casamento se tornou quase o xumbrego do passado. Vivi o suficiente para dizer que nada disso é errado hoje e nem foi ontem, desde que as consciências de cada uma não doam. Eu mesma noivei, casei e xumbrego com o mesmo homem há quase 30 anos. Estou feliz neste maio: Mês das Noivas.

Lucinha Peixoto

segunda-feira, 18 de maio de 2009

União Futebol Clube



Quem se lembra do União Futebol Clube? Fora de Bom Conselho, quem lembrar não é o mesmo clube de que falo. Dentro de Bom Conselho, alguns poucos. Mas, com certeza mesmo, talvez só eu. Sempre fui muito ligado ao Futebol e isto não é novidade para alguns que lêem o que escrevo de minhas lembranças. Meu sonho juvenil foi ser um grande jogador de futebol e, a partir de 1958, ano em que o Brasil conquistou o primeiro campeonato mundial, o sonho aumentou, rumo à Seleção Brasileira.
Meu ídolo daquela seleção era o Garrincha. Começou sendo Gilmar, pois só me deixavam, inicialmente, jogar de goleiro e, por um bom tempo ainda era, até que Zezinho de Anália me convenceu a escolher outra posição, com o argumento que era ainda pequeno para jogar na barra do campo de verdade, lá onde hoje é o Centro Social Urbano, nosso sonho. Fui ser ponta direita e adotei Garrincha como patrono. Zé Praxedes era Mazzola. Zé Carlos era Zagalo, até saber que Zagalo era ponta esquerda e poderia ser canhoto, o que ele não era. Foi ser Vavá. Talvez se eu soubesse que Garrincha tinha as pernas tortas teria escolhido ser Didi. Carlinhos Mouco e Geraldo não me lembro quem escolheram. Pelé, naquela época ainda ninguém falava.
Neste bendito ano de 58, com 10 anos de idade, acordei para os sonhos esportivos. Na nossa Rua da Cadeia, não foi só eu, muitos acordaram para o futebol. Afinal, o Brasil todo era só festa. Haviam lançado o Fusca, Jorge Amado publicava Gabriela Cravo e Canela, a Bossa Nova engatinhava, além de sermos campeões do mundo de futebol. Não sabia de nada disso, hoje basta ir nos sites de busca. O que sabia era da influência de ganhar a Taça Jules Rimet (sim, aquela que roubaram algum tempo depois e derreteram), em minha rua e em minha vida.
É preciso dizer que não só foi na nossa rua. Da Rua do Caborge surgiu o Ateniense Futebol Clube, capitaneado por Saulo e Esdras e movidos pelos dois melhores jogadores daquela safra: Everaldo e Chico, filhos de Boanerges. Na Praça da Bandeira também surgiu um no qual jogava Obadias, mas não lembro do nome e nem de outros que possam ter surgido neste ano. Lembro bem que o Ateniense tinha o melhor padrão. Explico. Padrão era um jogo de camisas de um time do futebol. Este foi adquirido pela iniciativa de seus jogadores em ir pedi-lo a um candidato a Deputado Federal, num daqueles comitês de campanha que tanto influenciaram nossas vidas de criança e adolescentes. Quando nós, da Rua da Cadeia e adjacências nos movimentamos para adquirir o nosso, o comitê não tinha mais nenhuma. Se tivéssemos direita a voto, todos nós votaríamos no concorrente do tal Deputado.
Consequência disto foi ter que arranjar um terno de camisas as nossas custas. Óbvio que a qualidade das camisas não podia ser a mesma da do Ateniense. Cada um comprou uma camisa de meia branca e nos reunimos na casa de Carlinhos Mouco, de frente da Cadeia. Era um misto de alegria e tristeza. Alegria por termos as camisas e tristeza por elas seram tão feinhas. Branco era uma cor muito feia para o nosso time cheio de craques como Garrincha, Mazzola, Gilmar, Vavá e outros. Com esta tristeza começa uma solução. Dona Irene, mãe de Carlinhos, se sensibilizou com nossa situação de desolação esportiva e disse:
- Eu posso bordar o nome do time na camisa e ela vai ficar muito bonita. De que cor vocês querem?
Se fosse noite veríamos um clarão, partindo dos nossos olhos arregalados pelo nosso cérebro em ebulição, que iluminaria o terraço onde estávamos. Começamos a discutir a cor das letras e chegamos ao azul. Dona Irene com as mãos mágicas, levou pouco tempo para bordar as dez camisas dos titulares, em que eu me incluía. U.F.C. de União Futebol Clube. Diante de tal alegria, para que procurar outras drogas. Já estávamos drogados e com saúde.
O que lembro depois não é tão alegre: o jogo contra o Ateniense lá no campo de futebol, nosso estádio na época. Não tínhamos técnico, tínhamos alguns líderes no time. O problema é que era mais de um. Um dizia: marca o Everaldo, outro dizia: marca o Chico, outra ainda dizia: marca o Vilfredo, enquanto isto Saulo marcava os gols. Perdemos feio, porém não me lembro o placar. Sei apenas que não foi maior, a diferença de gols, porque eu sofri dois pênaltis e um jogador recém chegado bateu e converteu, era o Galego de Cabeça Branca, o Cicinho. Ele se tornou o batedor oficial do time. Não tinha paradinha mas chutava com o bico do pé, descalço, como estávamos todos nós. Isto mesmo, jogávamos descalços e por isso ainda não éramos a Pátria de Chuteiras, e sim: O União Futebol Clube.

Jameson Pinheiro

NÃO SERÁ DESTA VEZ




Nossa terrinha foi invadida com a noticia que uma grande industria iria se instalar aqui, a coisa foi tomando vulto até se tornar realidade, de uma hora para outra o bom-conselhense se viu no centro das atenções econômicas de Pernambuco, saiu do anonimato para se torna uma nova cidade industrial, as especulações dos mais exaltados diziam que dentro de 10 anos nós ultrapassaríamos Garanhuns, as firmas começaram a chegar para o inicio das obras e os alugueis estouraram de preço, casa que era alugada por R$ 200,00 passou a ser alugada a R$ 1500,00, endoidou tudo, casa que valia R$ 20.000,00 passou a valer R$ 80.000,00, a cidade ficou de pernas para o ar.
Só que as poucas pessoas com uma visão mais realista, viram que a coisa não era bem assim, que aquela quantidade de emprego que se dizia que iria haver, estava superfaturada.

O cronograma de inauguração passou a ser adiado, surgiram os primeiros boatos que devido à crise do projeto inicial só iria vingar o da Batavo, que era à parte de leite, os outros dois projetos seriam abortados, o centro de distribuição e da fabrica de embutidos, que seriam exatamente estes dois projetos que seriam o diferencial para nossa cidade, porque o projeto da Batavo que é o leite, não influencia em quase nada nossa cidade, porque o leite que ela vai pegar, se não for ela será outra empresa, a quantidade de emprego que ela vai gerar será de no Maximo 300 pessoas, o que na realidade, não altera em nada a economia do município.
O sonho de desenvolvimento de nossa cidade foi embora com a crise mundial, infelizmente esta é a grande verdade, logo que as firmas começarem a sair os preços dos alugueis voltaram ao seu valor normal, assim como o valor dos imóveis.
Esperamos que quando tudo isto passar, ainda esteja de pé os outros dois projeto, e ai nossa cidade possa realmente ingressar no rol das cidades de grande desenvolvimento.

Alexandre Tenório Vieira

domingo, 17 de maio de 2009

A SADIGÃO



Algum tempo atrás escrevi sobre o possível impacto da empresa Perdigão em Bom Conselho. Naquela oportunidade referia-me ao papel do poder público municipal na questão ( http://www.citltda.com/2008/11/mulher-e-serpente.html ). Não há o que retirar daquele artigo mas, há a acrescentar agora, com o anúncio da fusão de duas empresas, sendo uma delas a Perdigão e a outra, outrora sua concorrente, a empresa Sadia, formando a SADIGÃO, como está sendo chamada informalmente (formalmente falam em Brasil Foods).
Não é nossa missão aqui discutir aspectos técnicos nem econômicos financeiros desta fusão em detalhes. Nosso objetivo aqui é fazer uma reflexão sobre os impactos desta fusão como o fizemos a respeito dos impactos da implantação da Perdigão em Bom Conselho.
Vimos, pelas nossas idas a esta cidade, quanto esta empresa estava influenciando todos os seus setores de atividades, desde os mais ligadas à economia àquelas ligados à cultura, ecologia, esportes, turismo, etc. Chegamos até a propor um nome ou um epíteto para a cidade, substituindo o de Cidade das Escolas, para Cidade do Chester, ou da Salsicha.
No entanto, no meio do caminho tinha uma crise. Os americanos deixaram de pagar suas casas e o mundo caiu sobre a cabeça de todos, atingindo com uma “marolinha”, que virou onda de mar bravio, alguns setores da economia do Brasil.
Aquela alegria incontida do bom-conselhense ao falar da Perdigão sumiu atrás de um simples sorriso tímido ao explicar o atraso nas obras. Por dentro ele sentia o mesmo que qualquer um outro que não quisesse externar o desabafo: “logo agora?”, ao meditar sobre os efeitos desta crise na sua cidade e nos sonhos de muitos que viram Bom Conselho, até que enfim, mostrar para as outras cidades que existia, além de Pedro de Lara. Agora tão perto e tão longe. Será que é castigo por termos tratado mal a mãe de Dantas Barreto como nos conta nosso historiador Jordalino Neto? Talvez. Alguém já propôs até o seu nome como patrono de uma Academia, e ele tem nome em todos os cantos da cidade, talvez para nos perdoar. Parece que não teve jeito.
Apesar dos atrasos, a fábrica vinha sendo construída e os papacaceiros, de fora e de dentro, suspiravam pelos cantos dizendo: antes tarde do que nunca. Não sabiam eles que outra consequência da crise poderia afetar mais suas vidas. A Sadia, uma fábrica de alimentos, principal concorrente da Perdigão, abriu uma unidade em Vitória de Sto. Antão, mesmo depois de ter tido um brutal prejuízo com a crise, pelas burradas que fez no mercado financeiro. Esta fábrica foi inaugurada com pompa e circunstância com a presença de altas autoridades do Estado, inclusive a do Governador, fazendo o seu papel, pois Pernambuco só ganharia com isto. Entretanto, nós bom-conselhenses de nascimento ou de coração, esperávamos o mesmo para a Perdigão, o que é um rima, mas não foi a solução. Até hoje não vi nenhuma inauguração. E pior, talvez jamais vejamos, pelo menos da Perdigão. Não mais existirá a Perdigão e sim a SADIGÃO.
Os bom-conselhenses que viviam pisando nos astros, distraídos, já não verão as estrelas salpicarem o chão de sua cidade. Pelo menos com tanta facilidade e certeza que se tinha quando uma só, a Perdigão, reinava. Quais serão as consequências desta fusão para nossa cidade? Difícil dizer. Antes tínhamos duas empresas concorrentes onde hoje temos uma só (algumas menores nem contam em comparação com Sadia e Perdigão), com todos os malefícios do monopólio, tanto nos preços como no emprego. Explico ou tento explicar de forma simples. Uma empresa pode produzir com custos menores do que duas porque tem gastos que não se pode dividir adequadamente, quando separadas. Exemplo, para produzir uma salsicha usa-se uma máquina igual e comprada pelo mesmo preço. Se a máquina for usada a plena capacidade o custo da salsicha será menor do que se produzir só a 50% da capacidade da máquina. Isto não é como "beiço de bode", certinho, pois outras matérias primas estão envolvidas, entretando, geralmente se produz mais barato. Isto implicará menores preços para concorrer no mercado externo, mas não garante preços menores internamente e muito menos para nossa cidade cuja dieta não é só de salsicha. Do lado do emprego é que se torna um problema. Normalmente, por motivos assemelhados ao raciocínio acima, uma fábrica emprega menos, tudo mais ficando constante (os economistas dizem “ceteris paribus”, mas normalmente são uns encantadores de serpente), do que duas produzindo o mesmo produto.
Neste caso, talvez Bom Conselho sofra um pouco com a fusão. No entanto, sofrerá muito menos do que se a SADIGÃO nem inauguarada fôr. Batamos na madeira! Penso apenas que as autoridades, e aqui incluo Governador, Prefeitos, Vereadores, representantes da sociedade civil e pessoas influentes politicamente não devem deixar correr frouxo uma atitude como esta das duas empresas, caso vingue realmente esta fusão. Esta crise deu plenos poderes aos governos para mexerem na economia. Não se pode ficar de braços cruzados com saudades da “marolinha”. Hoje, todos os economistas são mais keynesianos do que Keynes. Vamos “cuidar” da SADIGÃO, afinal de contas, dizem que será a 3ª maior empresa do Brasil. Que Dantas Barreto nos perdoe e Pedro de Lara nos proteja no que estar por vir.

Cleómenes Oliveira

sábado, 16 de maio de 2009

Reflexões sobre bispos, padres, médicos e academias.



Ia escrever uma simples nota para o nosso mural comentando o artigo do José Fernandes. Minha verborragia não se conteve e a nota ficou muito grande e pedi permissão ao Diretor Presidente para publicar aqui. Ele leu e aprovou. Ai está o que seria a nota, sem fotos, não deu tempo:

Caro José Fernandes,
Mais uma vez você nos dar uma aula no campo do Direito e no conhecimento do caso da menina de 9 anos, que tanto debatemos. Quando li o artigo do Zetinho naquela época e vi o padre descer e subir pelos códigos, não tive argumentos técnicos suficientes para contraditá-lo e, mesmo que tivesse, tinha apenas 1000 toques. Era o Debate dos 1000 toques e, mesmo assim, tive censurado quase 2000, que perdi. Encontrei apenas o que reproduzo abaixo, com dia e hora. Nem se compara com sua resposta ao padre, mas era o que tinha no momento. Sua mais completa resposta veio a calhar.

12/04/2009 10:08
Lucinha Peixoto: Caro Zetinho, somos ambos católicos, ou pelo menos, dizemos que somos. Pelo teor da carta do padre, a minha opinião foi desagradável. A dele também é. Porque somos católicos, não podemos ficar de acordo com tudo que qualquer Arcebispo diz, quanto mais um padre que nunca viu a menina de 9 anos e quer saber mais do que os médicos que a operaram. Não entrarei neste mérito. Tenho uma consciência moral, todos temos. Uns acham uma coisa errada e o outro a acha certa. Ela foi muito influenciada pela minha consciência religiosa. Mas não foi apagada por ela como acontece com alguns católicos. Digo a meus filhos que usem camisinha sim. E se a menina de nove anos fosse minha filha autorizaria o aborto. Se fosse judia seria contra a crucificação de Jesus. Se fosse islamita seria contra os ataques suicidas. São opiniões desagradáveis para quem foi engolido totalmente pela consciência religiosa. Será que estes irão para o Céu mesmo? Penso que eu tenho mais chances. Academia à parte.

Terminei me referindo à Academia de Letras, Artes, Ciências e Tecnologia de Bom Conselho, assunto que estou ao lado de Zetinho na defesa de sua criação, inclusive oferecendo-o a cadeira nº 1, certa feita. E continuarei ao seu lado desde que ele não queira pendurar um Crucifixo acima da cadeira do presidente da Academia. Sou católica mas a Academia não deve ter religião. Se quiserem começar vinculando a academia a religiões, temos que comprar um Buda, uma Iemanjá, um Lord Ganesh, um Candelabro de 7 velas (Menorah), uma Estrela de David, a Lua Crescente do Islamismo e mesmo um retrato de Alan Kardeck, além de outros. Pensando bem, a idéia de uma Academia laica, pelo menos sai mais barata, basta só uma foto de Pedro de Lara, como patrono escolhido pelo povo alfabitizado de nossa terra.
Numa transcrição mais feliz, para mim, do que a carta do padre, hoje vi na coluna do Zetinho no site de Bom Conselho uma transcrição de um artigo de Florisbelo Vilanova, onde defende a criação de uma Academia de Letras em nossa cidade. Ele seria, sem dúvida, um dos acadêmicos, e foi candidato a patrono em nossa enquete. Só num erro ele incorre, Zetinho o segue, e talvez por isso a dificuldade em criar uma academia real e não virtual: a vinculação dela sómente ao beletrismo, deixando de lados outras formas de expressão do conhecimento humano, como outras artes, ciência e tecnologia, características do mundo moderno. Quem sabe não está ai o problema? Hoje, até o Zé Sarney usaria o computador para escrever Maribondos de Fogo, e talvez desse um melhor resultado. Temos excelentes músicos, escultores, pintores e cientistas. Se ficamos presos às letras, nos cobram logo: cadê o livro publicado? Atualmente, publicar um livro é mais fácil do que Lula, se quiser, pegar um terceiro mandato, o problema é ser lido, no caso do livro, e ser bom para o país no caso do Lula. Neste ponto Florisbelo talvez tivesse razão no seu tempo. O nosso tempo é outro. Chega de saudades.
Caro Zetinho, levando em conta tudo isto, você ainda continua com a cadeira nº 1, Zé Tenório na 2, e agora Zé Fernandes na 3. Se entrarem outras artes, colocaria Zé Póvoas na nº 4. Opinar, penso eu, não ofende. Vamos em frente! A casa paroquial é um bom começo.

Lucinha Peixoto

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Carta e Mensagem



De início, separo ciências de religiões. Em princípios de abril p. findo, o senhor José Antônio Taveira (Zé Antônio) distribuiu mensagem, via correio eletrônico. Com ela, veio uma carta atribuída ao padre Luiz Carlos Lodi da Cruz. Segundo se lê ali, a carta é de apoio ao bispo de Olinda e Recife, por ter fincado pé contra o aborto da menina de 9 anos, estuprada pelo padrasto, em Alagoinhas. E por ter proclamado, alto e bom som, a excomunhão dos médicos e demais pessoas que participaram do aborto.

Premido por ocupações durante o mês de abril, só agora encontrei tempo para este comentário. Assim, volto à polêmica que se instalou sobre médicos e bispo, por causa daquele aborto legal (CP - Art. 128, II). A dita carta é de um primarismo e de uma futilidade tais, que nos espanta pensar que foi escrita por um padre. Se assim é, faltou dizer que esse bispo já foi santificado em vida, pelo seu ato de coragem. Seria o bravo santo dom Dedé.

Já começam a carta falando em "mártir em defesa da vida". Será o inconfidente excomungador? E o Zé Antônio faz questão de grafar o nome do bispo todo em maiúsculas, repetidas vezes, para passar a idéia de que se trata de um grande líder. Mas isso é falso.

Mártir são as centenas de padres abnegados que, seguindo os ensinamentos de Cristo, se embrenham em lugarejos sem nenhum conforto e passam a defender os marginalizados. Esses sacerdotes sofrem constantes ameaças e muitos deles são executados pelos "donos" das províncias, que foram contrariados nos seus interesses mesquinhos. Eles, os padres, buscam os direitos mais elementares da pessoa humana. E por isso são mortos fria e covardemente.

Sabendo-se que o Vaticano é um Estado e que o papa é chefe de Estado, o que têm feito os papas, junto aos outros chefes de Estado, mundo afora, para proteger os padres que fizeram opção pelo direito à vida desses desafortunados, oprimidos e marginalizados? Muitos desses religiosos se dão por inteiro, em busca dos direitos dessas pessoas, nos grotões do mundo, por abnegação. Não por vontade do Vaticano. Temos um bom punhado desses padres, em todo o mundo. Vamos citar, como exemplo, dom Pedro Casaldáliga, bispo católico espanhol, nascido na Cataluña. Casaldáliga chegou ao Brasil em 1968. Começou pela Amazônia. Depois fixou-se em São Félix do Araguaia - Mato Grosso.

Mas esses abnegados são exceções dentro da Igreja Católica. Se eles não temerem as ameaças, já foi dito, podem ser assassinados, por contrariarem interesses dos endinheirados, que vivem de bem com a igreja. Porque esses poderosos de plantão costumam ir à missa aos domingos e comungam para que todos vejam como são religiosos.

O padre jesuíta, João Bosco Penido Burnier, foi cumprir uma missão de humanidade, lá mesmo no Mato Grosso, juntamente com dom Casaldáliga. Padre Penido Burnier morreu com um tiro na nuca. Tiro esse disparado por policiais bandidos que sempre ficam na defesa dos donos dessas longínquas províncias.

Prosseguindo, Zé Antônio sai julgando todos. Ele é a própria palmatória do mundo. Fala dos "que se dizem católicos". E diz que vai "reproduzir acontecimentos verdadeiros" (é o dono da verdade absoluta). E mais acrescenta: "atos perpetrados por médicos sem consciência (ainda se apodera das consciências alheias). Zé Antônio é defensor ad hoc do mártir da excomunhão.

E transcreve o artigo do padre Luiz Lodi, que seria o primeiro de apoio ao bispo. Mas esse apoio foi primeiro e único. Pergunto: sendo o jornal "A Mensagem Católica", de propriedade da arquidiocese, iria publicar algum artigo de repúdio ao bispo? - Elementar, não?

Levantar a hipótese de que aquela mãe teria sido coagida a assinar a autorização para o aborto em sua filha, revela muita ignorância. Onde estariam os ditos assessores jurídicos da arquidiocese? Onde estaria o Ministério Público e a Secretaria de Saúde do Estado, que tudo acompanharam? E, por acaso, os médicos não iriam desconfiar de algo estranho no comportamento daquela mãe, acaso tivesse havido coação? Onde fica a reputação dos médicos, que fizeram tudo às claras, com base na lei penal e na ética médica? Nenhum outro interesse moveu médicos e equipe, a não ser o de ajudar àquela menina.

Essa hipótese aventada, de que poderia ter havido fraude, revela má-fé, da parte de quem fez essa carta tão cheia de atos falhos. Na carta, diz mais o padre Lodi que, nos seus trabalhos pró-vida, "enquanto as feministas ofereciam o aborto, nós, os cristãos, oferecíamos acolhida, hospedagem, assistência espiritual e acompanhamento durante a gestação, parto e puerpério!"

Quanta benevolência! Mas aqui em Recife NÃO se viu nada disso. O arcebispo nunca foi ao Imip conversar com aquela mãe e passar a mão na face da criança grávida. Isso, sim, seria um ato de coragem, que ele NÃO teve e NEM terá, porque lhe falta humildade. E atitudes que tais NÃO fazem parte do ego NEM do currículo desse arcebispo (Aqui, permito-me julgar também.)

E se a Igreja já ofereceu a alguma mãe em condições semelhantes, qualquer acompanhamento até o puerpério, o que terá feito após o puerpério, quando inúmeras mães ficam loucas e morrem na miséria, com seus filhos, pelas ruas e em frente às milhares de igrejas católicas ou não? Elas morrem, juntamente com seus filhos que nunca pediram pra nascer. Morrem de fome e das doenças advindas dos maus-tratos dessa vida severina, dessa vida bandida, calcada na hipocrisia e no farisaísmo!

Cadê o direito à vida, tão defendido pela Igreja e tão invocado na carta sob comento. A Igreja Católica condena os contraceptivos. Por dever de justiça, deveria fazer alguma coisa para reduzir a fome que assola três quartos da humanidade no mundo inteiro. Mas fecha os olhos. Faz que não vê. Então, não misturem fé com saúde pública.

Também é dito na carta que "as crianças geradas de estupro costumam ser alvo de carinho especial de suas mães?" E que "o bebê, fruto do estupro, serve de um doce remédio à mãe estuprada, para remir o trauma do estupro." Onde está a prova, ao menos empírica, dessa afirmação? É um grande engodo que nos tentam passar.

Essa dita carta foi tão mal-engendrada, que nela se fala em possível cesariana. Quanto farisaísmo! Todos sabemos que foram administrados comprimidos abortivos à menina e que os fetos foram expelidos naturalmente. Só o padre e o bispo não sabem.

Também pudera. Ninguém da Igreja se interessou pela sorte daquela criança. Se houvesse interesse, algum representante da Igreja Católica teria ido ao Imip verificar as condições da menina grávida. É o mínimo a esperar, já que o tema dominava as manchetes da grande imprensa, mundo afora. E se tratava de gravidez de alto risco. Mas o que fizeram os que condenaram o aborto?

O que fizeram foi ordenar ao diretor-superintendente do Imip que não permitisse que fosse feito o abortamento. E, em seguida, quando o aborto foi feito pelos médicos do Cisam, o arcebispo encheu o peito para proclamar a excomunhão de todos que dele participaram.

E o padre Lodi ainda levanta a suspeita de que o hospital e os médicos depois da cesariana devem "ter jogado os fetos no lixo, esperando que morressem!" Quem escreveu essa carta, se padre ou não, deveria ter assinado. Para responder a processo por calúnia, injúria e difamação. Pois ainda diz a pretensa carta que os médicos "teriam de ter sangue frio para olharem nos olhos de suas duas vítimas abortadas?" O ator mambembe que engendrou essa carta desconhece os compromissos do bom médico.

Com essas insinuações cavilosas, teria de ser levado aos tribunais, para provar o teor das suas leviandades, assacadas contra médicos e seus auxiliares, assim como contra as mulheres da ONG Curumim.

Tudo isso, além de ser mais um tremendo desrespeito ao Cisam e aos médicos e equipe que salvaram a menina sem nome, é pura maldade. São afirmações desastrosas e cruéis.

Grande defeito dos humanos é a dupla moral: pregar uma coisa e fazer outra. É a moral do "faça o que eu mando, mas não faça o que eu faço".

Ainda é dito na carta que o aborto é monstruosidade maior do que o estupro! Quem é capaz de aferir isso? A Igreja, o bispo, um padre? Como é que eles avaliaram esses sentimentos? - Só a mulher que foi estuprada pode falar do trauma do estupro. Nem igrejas, nem bispos, nem padres! Afirmar isso, é chafurdar nas emoções alheias!

E foram feitas citações de um montão de artigos da nossa legislação, que nada têm a ver com esse episódio. Nada pertinentes. Para que esse desperdício? Bastaria haver citado o art. 1º do nosso Código Penal, que assim se expressa:

CP - art. 1º Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia cominação legal. Igual enunciado está no art. 5º, inciso XXXIX da nossa Constituição Federal de 1988.

E nenhuma lei cataloga como crime o aborto praticado por médico, no caso de gravidez resultante de estupro, desde que haja consentimento da gestante ou, se esta for incapaz (menor de idade, por exemplo), consentimento do seu representante legal (no caso em tela, a mãe da menina consentiu.)

Se o bispo e seus defensores têm provas de que houve fraude por parte das mulheres da ONG Curumim, abram um processo judicial e mostrem as provas. Mas não escrevam bobagens, tentando defender o indefensável.

Por fim, pergunto: se a mulher incorrer no crime de aborto (CP - Art. 124), ela tem direito a defesa ou deve ser condenada sumariamente, pelas leis da "santa" inquisição?

José Fernandes Costa - jfc1937@yahoo.com.br

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Sou do tempo do Lanterninha



Naquele tempo o cinema era tão escuro,
tão escuro que era a maior delícia ficar aos beijos..........mas cuidado com ele !!!
O Lanterninha !!!!!
Você é do tempo do Lanterninha? Não?
Perdeu. Figura indispensável aos cinemas de então.............caiu em desuso.
Hoje temos luzes rastreando nossas pisadas......era tão bom ser guiado por uma lanterna. Sim , porque em absoluto se olhava para o rosto dele....era uma mão e uma lanterna.
Naquele tempo, para se arrumar um emprego era imprescindível ser hábil em datilografia. As antigas máquinas de escrever eram vanguardistas ! Ter uma Olivetti era demais!!! Saber datilografar bem era quase sinônimo de estar empregado. Caiu em desuso....
Ai...ai...ai.......alguém lembra do mimeógrafo? Quem se recorda das provas e trabalhos com aquele cheirinho de álcool ? As letras azuladas...Por onde andam os operadores dos mimeógrafos?
Lembrei de quem revelava as fotos. Revelava o que mesmo?? Pois é.....o vilão foi a disseminação popular das câmeras digitais. A espera para as fotos ficarem prontas era quase um sofrimento e abrir aquele envelope e ver cada fotografia? Não tem preço !!!
Algumas profissões não resistem ao tempo. É o caso do calceteiro.Não, ele não era um exímio fazedor de calças e sim colocava os paralelepípedos que o asfalto de hoje toma o lugar.
O avanço tecnológico é bom,mas ameaça muitas profissões. No entanto , algumas profissões antigas resistem ao tempo: sapateiro,alfaiate, barbeiros, tem uma clientela fiel.Vão se ajustando aos novos tempos,se modernizando e ficando. Outras estão ameaçadas , por exemplo, ascensorista, cobrador de ônibus.....e olha só ! Na Alemanha há ônibus já controlados porcomputadores......eu vou é embora e aproveitar que ainda posso escrever e passar minha emoção a você.
Antes que caia em desuso,adoro quando você me dá o prazer de ler o que escrevo!!
Ah! Você é do tempo do Lanterninha???

boa semana!
bjussssssss

Ana maria miranda Luna

quarta-feira, 13 de maio de 2009

A Abolição da Escravatura



Hoje faz 121 anos da abolição da escravatura no Brasil. Li ou ouvi alguém dizer, algum tempo atrás, que para isto foi usada a menor Lei já produzida no nosso legislativo:

Art. 1°: É declarada extinta desde a data desta lei a escravidão no Brasil.
Art. 2°: Revogam-se as disposições em contrário.

Com apenas estes dois parágrafos, esta Lei, chamada Áurea, de nº 3.353 de 13 de maio de 1888, também foi a de maior alcance social, e como aquela do Bolsa Família, para o bem ou para o mal. Ela mexeu com, aproximadamente, dez por cento da população, do Brasil na época.
Da mesma fonte, soube que, se a lei fosse mais detalhada, tentando enfrentar a situação social dos escravos libertos, responsabilizando o Estado pela sua vida e bem estar, ainda hoje a estaríamos discutindo em nossas casas legislativas.
Eu não acredito que até hoje teríamos escravos formalmente. Alguma outra Lei iria surgir quando nossos patrícios não escravos fossem passear no mundo desenvolvido sendo hostilizados pelo povo de lá, chamando-os de escravocatas desalmados. Isto aconteceu com os brancos sul-africanos. No entanto, isto não tiraria dos negros a condição de "escravos". Eles seriam apenas formalmente livres, como se tornaram em 1888. As condições de miséria, preconceito, baixo status social, dificuldades na luta pela sobrevivência ainda estariam presentes como estão hoje para os seus descedentes. O que fez a nossa elite dirigente da época foi formalizar atos consumados. Da mesma forma que hoje esta mesma elite, seja de esquerda, centro, direita, de cima ou de baixo, tenta fazer com aqueles passam fome. Criam programas sociais que apenas mascaram a realidade, diante do fato consumado de que, sem a esperança, que existia na minha mocidade, de uma revolução social, ou pelo menos uma mudança profunda, os que passam fome estão tentando resolver seus problemas através de atos, chamados por nós, violentos.
Havia um ditado antigo que meu pai, senhor zeloso da ética social de sua época não queria que eu desse valor: “Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão”. Talvez, a classe menos favorecida, chamada hoje de excluída e eu não sei de que, tenha levado o ditame a sério. A explosão de violência urbana e rural em nosso país leva a crer nisto como uma hipótese bastante plausível. Uns culpam, por esta onda de violência, a falta de segurança pública mas, esta é consequência e não causa do fenômeno. Outros culpam a falta de educação religiosa, quando nunca se criou mais religiões hoje no Brasil e no mundo. Algumas chegam até a culpar a outra por não saber conduzir a massa. No caso da religião católica, que conheço melhor, esta tem um comportamente ciclotímico em relação a problemas sociais, que melhoraria muito se nós lêssemos mais os Evangelhos e menos o Código Canônico. Desde o Brasil colônia tentavam batizar índio à força, discutir se escravo tinha alma, passando pela Teologia da Libertação, chegando ao atual conservadorismo. Mesmo assim, se todos fôssemos cristãos praticantes, ainda existiriam pobres, como dizia Jesus. Outros culpam nossas leis que levam à impunidade pela sua condescendência. Mas punir a quem, quando se trata de problema social? Usar nossa estrutura jurídica que proclama que a lei é igual para todos, punindo igualmente o que rouba para comer e que rouba para levar a esposa para passear na Europa?
Talvez tudo isto e mais alguma coisa sejam a causa de nossas desigualdades sociais porém, uma coisa é certa: a escravidão tem a ver com tudo isto. Sua lembrança e reflexão sobre ela nos permitirá errar menos no futuro. Devemos refletir no dia de sua abolição.
Por falar em errar ou acertar, relacionado intimamente com a escravidão, abolição e suas consequências, há uma grande discussão no país sobre um tema importante: a discriminação positiva. Ela está relacionada com, entre outras medidas, ao conceito de cotas no preenchimento de vagas em universidades, serviço público, etc. por populações específicas, geralmente por tempo determinado, onde estas populações podem ser grupos étnicos ou "raciais", classes sociais, imigrantes, deficientes físicos, mulheres, idosos, dentre outros. A justificativa para o sistema de cotas é que certos grupos específicos, como os negros no presente texto, em razão de algum processo histórico depreciativo, teriam maior dificuldade para aproveitarem as oportunidades que surgem no mercado de trabalho ou no seu acesso ao ensino superior, bem como seriam vítimas de discriminações nas suas outras interações com a sociedade. No nosso caso, o que está se discutindo no Congresso Nacional é uma lei de cotas raciais (mais recentemente já se fala em cotas para deficientes), propondo a reserva de vagas em Universidades Públicas para negros.
É um assunto extremamente polêmico e longe de mim ter uma posição firmada para o assunto. O tema envolve uma questão que no Brasil sempre foi considerado um tabu, gerado, principalmente, pelos escritos de Gilberto Freyre falando sobre democracia racial: Existe racismo no Brasil? Seria nosso Rei do Futebol racista por só se casar com brancas? Ou seria ele racista se decidisse só se casar com negras? Será que o sistema de cotas traria o racismo ao Brasil ou seria uma forma de contorná-lo, porque já existe?
Estas, e outras questões, que envolvem o Dia da Abolição foram muito presentes em minha infância e adolescência em Bom Conselho. Antes de arribar para outras plagas sofri um pouco pela minha condição social de família pobre, como já disse de outras vezes em que escrevi sobre mim mesma, ou me forçaram a fazê-lo, mas o aspecto racial nunca foi tocado por mim. Será que fui ou sou racista? Eu penso assim: Só não serei racista se, pudesse mudar instantâneamente minhar cor, e pensar que a tive toda a minha vida, e, assim mesmo, ter a mesma opinião sobre tudo. Penso que, mudar de cor assim, só aconteceu com Michael Jackson. Por isso termino com uma interrogação sobre tudo isto, esperando que sirva para sua reflexão e, quem sabe, para um bom debate:
Você é a favor ou contra ao sistema de cotas raciais?

Lucinha Peixoto

P.S. – Meu Deus como pude me esquecer. Hoje é dia de N. S. de Fátima. Santa Mãe de Jesus rogai por nós e ilumine todos a seguir os passos de seu Filho. Lembro bem:

A treze de maio na cova da íria
No céu aparece a Virgem Maria
Ave, ave, ave Maria
Ave, ave, ave Maria

Há três pastorinhos cercada de luz
Visita a Maria, mãe de Jesus
Ave, ave, ave Maria
Ave, ave, ave Maria

A mãe vem pedir constante oração
Pois só de Jesus nos vem a salvação
Ave, ave, ave Maria
Ave, ave, ave Maria

Da agreste azinheira a Virgem falou
E aos três a senhora tranquilos deixou
Ave, ave, ave Maria
Ave, ave, ave Maria

Então da Senhora o nome indagaram
Do céu a mãe terna bem claro escutaram
Ave, ave, ave Maria
Ave, ave, ave Maria

Se o mundo quiserdes da guerra livrar
Fazei penitência de tanto pecar
Ave, ave, ave Maria
Ave, ave, ave Maria

A Virgem lhes manda o terço rezar
A fim de alcançarem da guerra o findar
Ave, ave, ave Maria
Ave, ave, ave Maria

Com estes cuidados a mãe amorosa
Do céu vem os filhos salvar carinhosa
Ave, ave, ave Maria
Ave, ave, ave Maria
Ave, ave, ave Maria
Ave, ave, ave Maria!

terça-feira, 12 de maio de 2009

Violência Urbana



São muitas as estórias da nossa infância. E muito variadas também, quando se tem a minha idade, dobrando o cabo da Boa Esperança a 60 milhas por hora. Aqueles que hoje são crianças, certamente, terão menos variedades, pelo menos no seu aspecto social, quando estiverem passando pelo cabo, com a mesma velocidade. No entanto, terão suas
estórias: um dia comprei um celular em que tinha um jogo em que havia uma briga e assumíamos o papel de um dos contendores e ganhávamos se déssemos mais socos no nosso adversário. Quanta violência. E no nosso tempo? A violência era menor? Em termos. Julguem por este “causo”.
Na rua da Cadeia, na ponta da rua, onde nasci, havia uma área grande, em frente à casa de minha avó, onde as crianças, e eu no meio, se reuniam à noite para todo tipo de brincadeiras. Não havia televisão, computador e seus jogos, celular e seus recursos, rádios (muito poucos), vídeo-games e associados, nem outras parafernálias da vida moderna. Nós crianças tínhamos de nos esforçar para brincar. Que estranho: brincar exigia esforço, imaginação, criatividade, conhecimento, sociabilidade e mesmo engenhosidade.
Certo dia, “cumpade” Geraldo (era compadre de São João, compadrio feito ali na fogueira, pulando e dizendo as palavras, das quais só me lembro assim: Santo Antônio dormiu, São Pedro acordou, vamos ser compadres que São João mandou. Mas isto já seria outro causo e outra brincadeira) chegou por lá. Entre a meninada estava Olívio que era pobre e orgulhoso. Penso que esta combinação se aplicava também a mim e a quase todas aquelas crianças mas, fiquemos no Olívio. Era brigão e quando falava os outros burrinhos murchavam as orelhinhas. Um pouco mais velho e forte. Não levava desaforo prá casa. “Cumpade” Geraldo me chamou num canto e disse:
- “Cumpade” Jameson (eu tinha um apelido que não gostava e até hoje não gosto e não digo se não vai pegar de novo, Jameson ele não saberia nem pronunciar) tu topas fazer uma brincadeira com o Rui (era filho e seu Miguel Gordo e irmão de Rubens)? O Olívio topa. O Rui tá muito chato hoje.
- Qual vai ser?
- A do pau de bosta.
- Não, “cumpade”, esta não. Vocês se divertem e eu que corro o risco de apanhar. Chama o Badida.
- Badida é que vai fazer o cocô, ele me disse que tá com vontade, foi aí que pensei na brincadeira.
- E o Tonho?
- Ele é forte e talvez Olívio não topasse a briga com ele, daria prá desconfiar.
- O que é que eu teria de fazer?
- Provocar a briga! Tu não conheces a brincadeira não?
- Tá bom, mas se ele se arretar depois, você me defende.
- Deixe comigo!
E, chamando Badida, entraram pelo beco da casa de seu Agripino em direção ao curral. Eu fiquei com as outras crianças brincando de garrafão. Será que hoje alguém lembra de como era a brincadeira de garrafão? Não resisto vou contar. Atenção crianças de hoje, de todas as idades: Desenhávamos um garrafão no chão, que era, na realidade, um retângulo com uma pequena passagem onde ficava a boca do garrafão. O objetivo era atravessar a linha e ficar dentro dele, porque se ficássemos fora teríamos que ficar pulando com um pé só. Um outro menino, que não me lembro inicialmente como era escolhido, não podia pular a linha, só podia entrar no garrafão pela boca e seu objetivo era tocar em alguma das outras crianças. Se isto acontecesse, esta criança assumiria seu lugar. Era uma correria danada. Hoje, talvez, pareça banal diante do avanço das escolinhas dirigidas para atividades físicas infantis mas, esta, além de servir para isto, era muito divertida.
Saiamos do garrafão e voltemos à outra brincadeira, já vendo o “cumpade” Geraldo chegar com Badida e um pau, em forma de vara/tabica, na mão.
- Olha o pau aí, agora é tua vez.
Fiz meu papel, provocando o Olívio, que também conhecia a brincadeira. Formou-se a roda. Briga era na roda e era diversão para todos. Quanta violência. Será? Um olhava para o outro com a cara de brabo e de mau. Quando a luta era à vera havia sempre um gaiato que fazia uma linha no chão e dizia: aqui é a mãe! Quando um dos contendores pisava na mãe, ou cuspia nela, a briga começava. Xingar mãe ainda era uma das grandes ofensas da humanidade e pisar ou cuspir nela era indesculpável. Neste caso não teve mãe, a briga era à brinca. Diz Olívio:
- Tu só tás com essa coragem toda porque tás com este pau na mão. Sem ele tu não és de nada.
Eu, fazendo cara de valente e brigão, o que não era:
- Se tu pensas assim então: Toma, segura aqui esta pau...Disse eu entregando o pau a Rui de Miguel Gordo. Quando ele pegou no pau eu o puxei em minha direção, fazendo-o deslizar por sua mão. Coitado do Rui. Vi a bosta sair entre seus dedos, sua cara de espanto e raiva, um mau cheiro insuportável da bosta de Badida na ponta do pau e o grito da meninada cruel, pela maldade perpetrada. O Rui não chorou como faziam algumas crianças. Partiu prá me pegar. Veio a turma do deixa disso, e não sei como hoje estou aqui contando esta estória. Será que hoje ainda brincam do pau de bosta?

Jameson Pinheiro - (jamesonpinheiro@citltda.com)

sábado, 9 de maio de 2009

Com teu tempo

Lucinha, o que tens feito?
Com esse tempo desmedido
tu que a tudo dás jeito
nesse tom desinibido
teu tempo é o nosso tempo
que de teimoso não pára
é tempo e não contratempo
este sim a gente encara.

Tanto que fico aturdido
muitas vezes que te leio
isso é fato e é sabido
pois não sei fazer rodeio
posso falar sem pensar
tangido pela emoção
e sempre que eu errar
é coisa do coração.

No momento, estou pensando
pra te mandar estes versos
sinceridade pulsando
sentimentos submersos
pensamentos escondidos
num coração que tem voz
na vida que tem sentidos
que fala a muitos de nós.

E meios termos não há
quando falo da amiga
quem sabe tem o que dá
quem não sabe faz intriga
já tivemos discordâncias
coisa muito salutar
no mundo das relevâncias
vive-se para avaliar.

Mas não devemos julgar
por um simples preconceito
para que se antecipar
só procurando defeito?
Discordar é contradita
e dela surgem as idéias
nessa procura infinita
não se usam panacéias.

Verdades são pra ser ditas
em dosagem equilibrada
mas há gentes esquisitas
que nos tiram da jogada
e aí alguém se esquenta
pega o fio da meada
com isso a polêmica aumenta
e agita a caminhada.

Quem não agüenta a parada
e não tem o fundamento
mantenha a boca calada
não diga coisas ao vento
mas não me vou desviar
para o debate pequeno
vim pra te homenagear
no teu jeito sempre ameno.

Brindemos nossa amizade
que ela é sempre bem-vinda
é sentimento que invade
no tempo que nunca finda
deixo aqui o meu abraço
saído do coração
é coisa que sempre faço
por dever de gratidão.

Com quem já mostrou o traço
da divina inspiração
tu já tens o teu espaço
e não queres louvação
não se pode ser fingido
no afã de agradar
só digo o que é sentido
não é falar por falar.

É pensar bem refletido
só procuro me inspirar
pra dizer o merecido
passei a te admirar
tens teu marco definido
e ninguém te vai mudar
teu pensamento é nutrido
e quem ousa contestar?

Louvo a tua coerência
Lucinha, devo dizer
se a vida não tem decência
não se precisa viver
dorme com a sabedoria
e acorda com a esperança
está vindo um belo dia
e um porvir de bonança.

Deita na noite profunda
radiante é o novo dia
um sentimento te inunda
o sonhar é poesia
a madrugada é o descanso
da mente que tudo cria
o clarear vem de manso
e a aurora principia.

No tempo que se anuncia
segue a tua temperança
na vida que te alumia
nessa busca que não cansa
brindemos o novo dia
com orgulho e confiança
donde tudo principia
e se enche de pujança.

José Fernandes Costa - jfc1937@yahoo.com.br