sábado, 23 de maio de 2009

A Brasil Foods e os Desejos de Minha Terra



Todo dia leio as matérias que chegam ao Blog da CIT. Normalmente o faço duas vezes. Antes de publicar e depois. Certas horas, como apreciaria só ler depois. Este desejo é maior quando há notícias que não gostaríamos de ver divulgadas.
Certa vez, o Príncipe Charles, herdeiro do trono inglês - se algum dia a rainha morrer e, antes dele - reclamou da imprensa sobre sua mania de só divulgar notícias ruins: desastres, crises, quedas de aviões, guerras, doenças, fome, e por aí vai. Um editor de um determinado jornal resolveu então satisfazer o Príncipe tentando realizar o seu desejo. No dia seguinte, seu jornal, por ele orientado, procurou publicar apenas boas notícias. Manchete de primeira página: A Rainha morreu! Viva o Rei Charles! Toda a edição descrevia a morte da rainha em detalhes e a coroação de Charles com pompa e circunstância. Assim que leu o referido jornal, o que fazia todos os dias à mesma hora, imediatamente, ligou para o editor.
- Aqui é o Príncipe Charles. O que você fez, matando minha mãe, de mentira, é imperdoável. Vou processar este jornaleco de quinta categoria e vou lhe mandar para a cadeia. Isto foi um absurdo.
Disse o Príncipe com aquele inglês que é o único que entendemos quando vamos à Inglaterra, ficando confiante no nosso conhecimento da língua, até ouvir o encanador. Então, calmamente, respondeu o editor:
- Majestade, eu estava apenas tentando lhe agradar, publicando boas notícias.
- Caro senhor, V. Sa. pensou que eu iria ficar alegre com a notícia falsa da morte de minha mãe!?
- Majestade, pensei que meus jornalistas eram melhores e iriam convencer a todos que a rainha morreu mesmo, e inclusive o senhor também acreditaria. Se o senhor pensou que era só uma notícia falsa, nos desculpe, foi falha nossa. Quando ela morrer de verdade publicaremos a boa notícia para o senhor, agora não é possível.
E continuou a publicar suas notícias ruins, enquanto o Príncipe esperava pelas notícias boas.
Sinto-me como o editor. Doido para o Blog da CIT publicar somente notícias boas sobre Bom Conselho mas, isto nem sempre é possível. Gostaria que o título desta minha crônica fosse: A Brasil Foods é inaugurada em Bom Conselho. A matéria, enviada por nossos repórteres, e ilustrada com fotos de Niedja Camboim, se esmeraria em descrever a alegria daquele povo diante do palanque das autoridades, enquanto o Presidente Lula acionava uma alavanca para produzir a primeira salsicha industrializada do Agreste Meridional. Antes disso, o Presidente chamaria o Governador e a Prefeita para juntos fazerem este acionamento. Emocionado, como sempre fica nestas situações solenes ele dedicaria esta primeira salsicha a seu Júlio Porqueiro, o produtor das melhores lingüiças de Bom Conselho, antes da Brasil Foods. Em seu discurso, após a primeira salsicha pronta, não mencionaria o nome de sua candidata para 2010, e o nosso Governador ouviria isto com se não significasse outra coisa, negando ter conversado com o presidente sobre candidaturas. E por aí iria a matéria dos sonhos do povo de nossa cidade.
Infelizmente, fora o fato de que seu Júlio produzia a melhor linguiça da região, tudo era desejo. Quem sabe ele um dia se realiza? Promessas para inaugurar todo o projeto apresentado à cidade, anteriormente, há muitas, como demonstram os jornais. Entretanto, será que estes jornais não estarão querendo publicar só notícias boas, como nós? Nunca é demais duvidar um pouco.
Em nosso capitalismo, durante séculos, as empresas vivem esperando pelas benesses dos governos, tenham sido eles de direita, direita, direita ou direita. Não tivemos outro tipo. Os que se elegem pela direita continuam em sua mão, os que se elegem pela esquerda usam a mão inglesa e continuam indo da mesma forma e na mesma direção. E as empresas fazem as adaptações dos veículos e estradas. Todos ganham, menos quem não está nas empresas nem nos governos. Uma fábrica apenas levaria mais alguns de nossa cidade para as empresas ou para o governo. Mesmo assim, como nos habituamos a sonhar baixo, seria importante a inauguração de todos os projetos que foram prometidos desde a época da Perdigão. Como diz o Cleómenes Oliveira: será um desastre para Bom Conselho continuarmos a ser a Cidade do Leite, cedendo para Vitória de Sto. Antão o título de Cidade da Salsicha. Passamos quase um século para mudar de Cidade das Escolas para Cidade do Leite. Será que precisaremos o mesmo tempo para mudar de novo?
O que fazer? Apelar para quem? Falar com quem? Como agir? Resposta para isto não se deve encontrar dentro do município, somente. Começar uma campanha: A Salsicha é Nossa, não daria resultado, vejam o caso da Petrobrás, já querem privatizá-la outra vez. Não coma a pizza da Brasil Foods, também não, elas são muito boas, mesmo engordando. O lema: Bom Conselho unido jamais será vencido, talvez desse resultado, mas esta cidade não se une desde Frei Caetano, que teve de ameaçar com o fogo do inferno para conseguir construir o nosso Colégio N. S. do Bom Conselho. Mandar cartas e e-mails para os envolvidos e que tenham algum poder de decisão só iria gastar os nossos bytes e papéis. Fazer um bonecão, seguindo a onda da Rede Globo, e chamá-lo João Perdigão, sustentando um placa: Inauguração Já, dificilmente dará resultado, pois não teria divulgação na TV, devido a esta já está faturando com a Brasil Foods nas palavras da atriz Marieta Severo: ...o mundo com mais sabor, sem completar: ...e Bom Conselho na mesma. Apelar para Deus seria usar seu santo nome em vão. Não vislumbramos uma solução plausível até o momento.
Por isso o Blog da CIT, atendendo aos anseios de toda população de Bom Conselho e adjacências por boas notícias, me autorizou a escrever uma crônica cujo título será: Sequestrado o Presidente! Valor do Resgate: Inauguração do projeto completo da Perdigão. Só preciso de jornalistas convincentes. Acuda-me Luis Clério.

Diretor Presidente

(*) As fotos foram obtidas no site de Bom Conselho ilustrando um texto cujo começo era o sequinte:
A Perdigão assinou nesta segunda-feira (17/09/2007) protocolo de intenções com o governo de Pernambuco e a prefeitura de Bom Conselho para a implantação de um complexo agroindustrial naquele município, localizado a 287 quilômetros de Recife. Em uma área de 100 hectares, serão construídas duas fábricas — uma da Batávia para o processamento de laticínios e outra da Perdigão para a industrialização de embutidos de carnes —, além de um Centro de Distribuição (CD).”

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