quarta-feira, 6 de maio de 2009

A Prisioneira do Espelho



Aos poucos as pessoas vão chegando.
Ela está sentada, impecavelmente vestida.
Os cabelos brilhantes e invariavelmente arrumados, os gestos tranquilos.
A doce voz.
A pequena grande mulher : Nilza Amaral.
Estamos no lançamento do seu mais recente livro: " A prisioneira do espelho".
Tudo no recinto tem cheiro: de livros , conhecimento, vinho, amêndoas, aconchego, cultura..........
Ser prisioneira de qualquer ou alguma forma, é angustiante. A própria fonética fecha o som.
Prisioneira. Os lábios se encontram num biquinho francês.
O que é ser prisioneira do espelho?
Olhar e não reconhecer?
Não querer reconhecer, perceber, ser?
Não poder ser? Ou não mais ser? Namastê !!!!!
Estaria ela prisioneira da vaidade?
Do egoísmo? Do medo de envelhecer?
Das lembranças? Da doença?
Ser e estar prisioneira: é diferente.
Nilza Amaral aprisiona os anos.........."O espelho me diz que se passou muito tempo......"
aprisiona as emoções vividas......." que o tom de voz de algum deles possa trazer de volta as lembranças terríveis armazenadas no cérebro da mãe....."
aprisiona sentimentos....."O que será felicidade para dona Giulia?" ou
" E a velhice, esse castigo infernal,para mostrar nossa fragilidade....."
e liberta o ser humano através da concepção : ....." a mulher é a contradição encarnada, pois como ser criador, tem em si o poder da vida! "
Os conflitos de família são citados com maestria, numa densa e ao mesmo tempo doce narrativa.
Na perda da identidade, o encontro da maravilhosa angústia de viver: morrer.
" Em que exato momento a casa desmorona????? "
Recomendo.

bjussssssssssss

boa semana Ana maria miranda Luna
São Paulo

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