sábado, 16 de maio de 2009

Reflexões sobre bispos, padres, médicos e academias.



Ia escrever uma simples nota para o nosso mural comentando o artigo do José Fernandes. Minha verborragia não se conteve e a nota ficou muito grande e pedi permissão ao Diretor Presidente para publicar aqui. Ele leu e aprovou. Ai está o que seria a nota, sem fotos, não deu tempo:

Caro José Fernandes,
Mais uma vez você nos dar uma aula no campo do Direito e no conhecimento do caso da menina de 9 anos, que tanto debatemos. Quando li o artigo do Zetinho naquela época e vi o padre descer e subir pelos códigos, não tive argumentos técnicos suficientes para contraditá-lo e, mesmo que tivesse, tinha apenas 1000 toques. Era o Debate dos 1000 toques e, mesmo assim, tive censurado quase 2000, que perdi. Encontrei apenas o que reproduzo abaixo, com dia e hora. Nem se compara com sua resposta ao padre, mas era o que tinha no momento. Sua mais completa resposta veio a calhar.

12/04/2009 10:08
Lucinha Peixoto: Caro Zetinho, somos ambos católicos, ou pelo menos, dizemos que somos. Pelo teor da carta do padre, a minha opinião foi desagradável. A dele também é. Porque somos católicos, não podemos ficar de acordo com tudo que qualquer Arcebispo diz, quanto mais um padre que nunca viu a menina de 9 anos e quer saber mais do que os médicos que a operaram. Não entrarei neste mérito. Tenho uma consciência moral, todos temos. Uns acham uma coisa errada e o outro a acha certa. Ela foi muito influenciada pela minha consciência religiosa. Mas não foi apagada por ela como acontece com alguns católicos. Digo a meus filhos que usem camisinha sim. E se a menina de nove anos fosse minha filha autorizaria o aborto. Se fosse judia seria contra a crucificação de Jesus. Se fosse islamita seria contra os ataques suicidas. São opiniões desagradáveis para quem foi engolido totalmente pela consciência religiosa. Será que estes irão para o Céu mesmo? Penso que eu tenho mais chances. Academia à parte.

Terminei me referindo à Academia de Letras, Artes, Ciências e Tecnologia de Bom Conselho, assunto que estou ao lado de Zetinho na defesa de sua criação, inclusive oferecendo-o a cadeira nº 1, certa feita. E continuarei ao seu lado desde que ele não queira pendurar um Crucifixo acima da cadeira do presidente da Academia. Sou católica mas a Academia não deve ter religião. Se quiserem começar vinculando a academia a religiões, temos que comprar um Buda, uma Iemanjá, um Lord Ganesh, um Candelabro de 7 velas (Menorah), uma Estrela de David, a Lua Crescente do Islamismo e mesmo um retrato de Alan Kardeck, além de outros. Pensando bem, a idéia de uma Academia laica, pelo menos sai mais barata, basta só uma foto de Pedro de Lara, como patrono escolhido pelo povo alfabitizado de nossa terra.
Numa transcrição mais feliz, para mim, do que a carta do padre, hoje vi na coluna do Zetinho no site de Bom Conselho uma transcrição de um artigo de Florisbelo Vilanova, onde defende a criação de uma Academia de Letras em nossa cidade. Ele seria, sem dúvida, um dos acadêmicos, e foi candidato a patrono em nossa enquete. Só num erro ele incorre, Zetinho o segue, e talvez por isso a dificuldade em criar uma academia real e não virtual: a vinculação dela sómente ao beletrismo, deixando de lados outras formas de expressão do conhecimento humano, como outras artes, ciência e tecnologia, características do mundo moderno. Quem sabe não está ai o problema? Hoje, até o Zé Sarney usaria o computador para escrever Maribondos de Fogo, e talvez desse um melhor resultado. Temos excelentes músicos, escultores, pintores e cientistas. Se ficamos presos às letras, nos cobram logo: cadê o livro publicado? Atualmente, publicar um livro é mais fácil do que Lula, se quiser, pegar um terceiro mandato, o problema é ser lido, no caso do livro, e ser bom para o país no caso do Lula. Neste ponto Florisbelo talvez tivesse razão no seu tempo. O nosso tempo é outro. Chega de saudades.
Caro Zetinho, levando em conta tudo isto, você ainda continua com a cadeira nº 1, Zé Tenório na 2, e agora Zé Fernandes na 3. Se entrarem outras artes, colocaria Zé Póvoas na nº 4. Opinar, penso eu, não ofende. Vamos em frente! A casa paroquial é um bom começo.

Lucinha Peixoto

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