segunda-feira, 4 de maio de 2009

A SOMBRA DA FRUSTAÇÃO


Este tema povoa a minha cabeça há algum tempo, mas entre uma linha e outra, sempre pulo para a página seguinte e o tema foi ficando para trás. Por achar que ainda não estava suficientemente maduro, ou por achar que... Ou por achar que... Termino deixando o “achar” preencher a vontade. A realidade é que por vezes achamos muito!. E achamos que sabemos quais são as melhores escolhas para a nossa vida, e é verdade que alguma intuição temos mesmo, mas certeza, nenhuma. Achamos que sabemos como será envelhecer, como será ter consciência de que se está vivendo os últimos anos que nos restam, como será perder a rigidez e a saúde do corpo, achamos que sabemos como se deve enfrentar tudo isso, mas que susto levaremos quando chegar à hora. Parei de achar agora!!!.
Vou direto ao tema da minha crônica, senão a divagação toma conta da minha mente e ao invés de escrever o que me propus, saí uma outra coisa diferente da minha primeira proposta. Mas não é assim a nossa vida? A gente sai de um Alfa para um Ômega e se destrói e trabalha e diverte e...Para que? Caminhamos para um vórtice. –
Irremediavelmente.
Mas já estou eu saindo do tema novamente! Vamos ao tema:
Ultimamente venho escutando muito, não sei se com a crise que se instalou (a marolinha), ou se sinais dos tempos, mas a realidade é que muitas, mas muitas pessoas estão se confrontando consigo mesmas e não estão gostando do que está no espelho. Não só uma imagem refletida fisicamente, mas tudo aquilo que o espelho não mostra: o seu interior.
E isso tem levado a muitos a questão peculiar: Que fiz ou estou fazendo da minha vida?
E uma grande maioria começa a colocar pra fora um sentimento de frustração. Depois de assistir a um Dvd: O sol de cada manhã, o homem do tempo (The Wheather Man, no original) com Nicolas Cage, eu pude então concluir a matéria que agora escrevo.
Penso que uma das grandes fontes de sofrimento humano é o sentimento de frustração. Sempre que sentem uma dificuldade de alcançar o que julgam essenciais para a sua felicidade, a maioria dos seres humanos começa a cultivar a frustração e com ela a amargura, o rancor, a ansiedade. E, na sequência, acabam por desenvolver compulsões por comida, bebida, jogo, drogas e outros paliativos nos quais buscam desesperadamente preencher o seu vazio interior. A frustração acontece principalmente porque fomos ensinados a buscar nas coisas materiais e no sucesso mundano a fonte de nossa realização interior. Quanto mais colocarmos no sucesso material a única possibilidade de encontrar paz, e equilíbrio, mais riscos correremos de ver ruir o frágil alicerce em que apoiamos nosso ego. Obvio que necessitamos de recursos para a nossa sobrevivência no mundo material, mas existe uma grande diferença entre buscar o necessário e desejar a acumulação, por acreditar que nela reside a prova de que temos algum valor. A vida se encarregará, mais cedo ou mais tarde, de fazer com que esta crença se mostre uma grande ilusão. Temos assistido diariamente, no cenário nacional, demonstrações de onde a ambição desmedida pode levar aqueles que buscam no acúmulo de bens o único caminho para construir sua auto-estima. Para muitos o sucesso já chegou e, no entanto, não trouxe com ele nenhum sentimento de êxtase, paz, harmonia interior. A frustração pode surgir naquele que já chegou lá e, no entanto continua a sentir o mesmo vazio e falta de sentido para a vida. E é somente nesses momentos, quando este sentimento se torna maior do que tudo é que surge a necessidade premente de se voltar para o próprio interior. O encontro com a sua essência é a única forma de libertação possível para o ser humano.
Como diz OSHO em um dos seus livros: “Quando você ficou totalmente frustrado com o mundo exterior e todas as jornadas externas, quando toda a extroversão parece não ter mais sentido, somente então surge o desejo, o anseio por uma peregrinação mais interna. Isso tem sido sempre assim. É apenas nos extremos quando a vida se defronta com uma crise que a transformação acontece. A água evapora aos cem graus; essa temperatura elevada é necessária. O Ocidente criou essa temperatura elevada de frustração. Umas poucas pessoas se tornarão violentas, umas poucas pessoas se tornarão assassinas, outras se tornarão suicidas, drogados, mas a maior parte da humanidade começará a se voltar para dentro”.
Vamos então depois de tudo isso repensar e trabalhar verdadeiramente os nossos valores para não cairmos nesta curva sinistra que existe na vida. Pensemos nisso!!!.

Gildo Póvoas

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