segunda-feira, 29 de junho de 2009

Divagando pelo FORRÓBOM



Eu estive no FORRÓBOM. Aguentei metade dele, no bom sentido. Dez dias de festas, pelo que me lembro, eu só suportava entre Natal e Ano Novo, assim mesmo quando era jovem e ficava vagando entre a barraca de Neco e de Seu Belon, passando, às vezes, pela sorveteria de Juarez para chupar um picolé de côco quadrado, além de rodar pela Praça Pedro II.
Hoje a festa é longe, fui de carro e valeu a pena. Até dia 24 tive o prazer de ver e ouvir muitos forrós e forrozeiros. Hoje o forró tem que ser ouvido e também visto, como quase todos os rítmos, e devemos isto ao Michael Jackson, que Deus o tenha. Depois dele o corpo realmente faz parte das músicas. Não sei se ele teve alguma influência nos jovens de Bom Conselho mas, tenho certeza, deve ter algum “Maicon Jequison” nascido por lá.
Revi alguns amigos, entre outros, Luiz Clério, Álvaro Gomes, Dra. Tarcísia, Valfrido e fiz alguns de apresentação. No entanto, para dançar mesmo e rebolar como hoje se faz no forró, não posso dizer com quem, este é o lado negativo de ser Diretor Presidente, o homem sem nome. O tempo vai passando e custa conhecer as pessoas, mesmo as que beiram nossa idade. Os mais jovens nem sei de quem são filhos, com raríssimas exceções como o Felipe Alapenha que só reconheci porque havia fuçado antes no seu Orkut. Pena que ele torça pelo Náutico.
O que fiz mesmo de verdade e com prazer e as vezes com tristeza foi conversar com pessoas anônimas, do povo, simples e alegres. Em sua maioria, eles estavam alí usufruindo sua Bolsa Forró e gastando uma parte de seu Bolsa Família numa “misturada”, para esquecerem o dia que passou e não lembrarem que chegará o próximo. Sua alegria é contagiante e passageira para justificar o ditado popular de que “alegria de pobre dura pouco”.
Lembrei então do “pão e circo” romano, história muito conhecida por todos que tiveram o privilégio de fazer, pelo menos o ensino médio, que remete ao passado da Roma Imperial na qual os governantes ofereciam às massas excluídas diversões e alimentos para conter qualquer tentativa de revolta delas contra às elites. Da mesma forma que não é simples a análise e conclusão sobre se eles conseguiram o seu intento, também não é claro se podemos chamar a Bolsa Forró e o Bolsa Família, do “pão e circo” do FORRÓBOM.
Por muitos anos não tivemos em Bom Conselho um governo municipal que falasse em povo, mais do que fala o atual. Como também nunca na história deste país tivemos um governo que falasse nos excluídos e menos favorecidos do que o governo Federal atual. A observação ambém se aplica ao governo do Estado. Será que isto não passa de um “pão e circo” generalizado? Só a História dirá. Mas, que tal metermos o bedelho para influenciar a História? Vejamos um dos diálogos que tive durante a festa e que guardei de memória e, devo salientar, não convém confiar na memória de alguém cujas pernas não aguentaram o FORRÓBOM até o fim.

- Está se divertindo muito, amigo?
- Tá boa a festa. Esse Basto Peroba é dos bons.
- Veio sozinho?
- Não, vim com a mulher, ela tá dançando com meu filho.
- Quantos filhos o senhor tem?
- Tenho cinco. Duas mulheres e três homens. Já tenho dois netos que também moram comigo. Um marido de minha filha está em Caruaru, tentando a vida por lá e deixa os netos aqui. Vem assim, nas festas, desta vez não poude, está desempregado e não arranjou o dinheiro da passagem. Eu sou pedreiro, mas também tou parado, uma dor na mão e também parece que estou com hemodiálise ou com pedra nos rins, o doutor não tem certeza. Tou tentando o benefício.
- E seus filhos fazem o que?
- Um é ajudante de pedreiro, trabalhava comigo mas... o outro faz entrega no comércio, quando tem. Tava tentando um emprego nesta fábrica que vai abrir agora, mas parece que deu prá trás. As filhas, uma fica em casa cuidando dos filhos, e a outra solteira, trabalha na casa de Dona Socorro. Ganha quase nada, se não fosse esta ajuda que o governo tá dando, sei não... É pouca, mas como o senhor sabe “o pouco com Deus é muito” e a gente vai levando.
- Me desculpe, mas, quanto o senhor ganha?
- Lá em casa eu ganho o que o governo me dá, parece que é 170,00. Meus filhos ganham algum, mas não posso nem dizer, se não cortam da ajuda. Só dar prá passar porque eu não pago aluguel, consegui um terreninho aqui perto e fiz uma casinha. Quando melhorar um pouco vou ver se faço um puxadinho pra minha filha casada.
- O que o senhor recebe é do Bolsa Família?
- Eu já ouvi falar este nome lá na Prefeitura, parece que é isto mesmo. Eles disseram que é o Presidente Lula que dar pra gente. Oh homem bom! Votei nele junto com todos de minha família. Outros dizem que foi a Dona Judith e pode ter sido mesmo. Trabalhei pra o pai dela, é uma família de bem. Não tenho certeza se é ela que dar, só não voto em quem quer tirar nossa ajuda, esta tal de Bolsa “Famía”. Agora ela que pagou toda esta festa prá nós, só me lembro de coisa assim na época de “Seu Gerváz”.

Depois deste diálogo, ao invés de concordar com a aplicação da ideia de “pão e circo”, eu me lembrei de outra: a do “direito divino”. O “direito divino” dos reis foi uma doutrina política e religiosa surgida na Europa que pregava ser o rei escolhido pela vontade de Deus. Esta doutrina dizia que qualquer tentativa de depo-lo ou restringir seus poderes seria contrária à vontade de Deus. Para o rei, a sua autoridade régia era de "direito divino", pretendendo ter sido eleito pessoalmente por Deus para governar o seu povo. A sua realeza era absoluta, independente de qualquer poder ou autoridade da terra. O rei era assim uma espécie de capataz de Deus no seu reino, e só perante Deus teria que prestar contas do modo como exercera o seu poder. Esta doutrina teve muitos defensores e contrários, durante um bom período de tempo, e ainda hoje temos alguns monarcas escolhidos por Deus (Inglaterra e Espanha são os melhores exemplos).
O que deduzimos do diálogo acima é que o Bolsa Família poderá se tornar o substituto de Deus em nossa moderna democracia. Senão vejamos: Igual a Deus, o Bolsa Família, não tem opositores ou são muito poucos, como os recalcitrantes ateus. Igual a Deus, o Bolsa Família ajuda os pobres e excluídos. Igual a Deus, o Bolsa Família exerce uma influência enorme naqueles por ela beneficiados. Igual a Deus, o pouco com ela é muito. Igual a Deus, o Bolsa Família, muitas vezes tem seu nome usada em vão por alguns. E por ai vai...
Portanto, o Bolsa Família, com tantas semelhanças com Deus, aos olhos dos que a recebem, que pode ser vista como “direito divino” de permanecerem nos cargos, aqueles que eles acreditam que seja seu doador, que assim, através do seu uso como Bolsa Voto, pode alterar os resultados do sacrossanto direito e dever democrático, que o povo tem para eleger seus governantes. Chegamos a uma situação na qual esta ajuda às pessoas pobres não pode ser mais suspensa. Pensamos mesmo que não deve. Ninguém pode ser contrário a tirar as pessoas da miséria em que vivem. No entanto, ninguém pode ser a favor do uso desta ajuda para fins eleitorais ou eleitoreiros. Bolsa Família sim, Bolsa Voto não. Eu ainda prefiro o Bolsa Escola.
E o Forróbom!? Foi muito bom. Eu dancei e o povo dançou! Igual na época de “Seu Gerváz”. Viva Santo Antônio, São João e São Pedro!

Diretor Presidente – diretorpresidente@citltda.com
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(*) Fotos de Niedja Camboim no site de Bom Conselho e da Internet.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

O AVIÃO




O nosso amigo Duênio Amaral, é um rapaz muito querido na nossa sociedade, fez votos de não se casar e viver a sua vida como um ermitão, é convidado para todas as festas, faz parte de todas as rodas sociais, só não quer ver ninguém falar em casamento, pois ele diz que não troca sua liberdade por nada neste mundo, então com esta filosofia de vida ele investe na sua satisfação pessoal, viajando e curtindo a vida como tem de ser vivido por aqueles que não têm mulher nem filhos para regular sua vida.
Há uns dois anos atrás ele resolve fazer uma viagem para São Paulo, juntou as tralhas e foi visitar a terra da garoa, depois de alguns dias conhecendo São Paulo ele, resolve voltar para a sua terrinha. Comprou passagem na TAM, chegado o dia do embarque lá vai o nosso amigo para o aeroporto de Cumbica, chegando lá se dirige ao balcão da companhia e é informado da hora do vôo e onde deve se dirigir, lá vai o nosso amigo, mostrando o bilhete às pessoas responsáveis pelo o desenrolar da carruagem, até chegar à boca da passarela que serve de entrada para o avião, a aeromoça indica a poltrona aonde ele deve sentar, ele entrou sentou e achou estranho, aquele avião, pois o que ele tinha vindo era muito menor do que este, o espaço interno era outro, mais tudo bem, é quando uma voz diz senhores passageiros com destino a Lisboa, bem vindo a TAP, é quando ele olha de lado e na cadeira estava estampado TAP e não TAM, neste instante ele dá um pulo da cadeira e diz EPA, TOU NO AVIÃO ERRADO, EU VOU É PRA RECIFE TERRA DE MEU PADRINHO FREI DAMIÃO, meus amigos leitores pensem na zona que se formou no avião, e ele, EU VOU É PRA RECIFE, EU QUERO SAIR, e se alvoroçou, a esteira já tinha sido recolhida, e ele doido querendo sair a todo custo, nisto a algazarra já tinha tomado conta, dos passageiros e tripulação, os portugueses a dizerem que falavam que eles eram burros, mais burros era os brasileiros, eu só sei que quando abriram a porta para ele sair, ninguém sabe como, ele recebe um sabogada no pé do toutiço, alguém jogou o bagaço de uma laranja, do mesmo jeito que as torcidas fazem no campo de futebol, ele doido azoado, nem olhou para trás, imediatamente descamba dentro do túnel e sai do outro lado atordoado, foi preciso uns 10 minutos para ele se situar, depois de passado o susto, se dirigiu ao balcão da TAM e relatado os fatos, foi acomodado no próximo avião para o Recife, chegando são e salvo, ah ah ah ah.

Alexandre Tenório Vieira - tenoriovieira@uol.com.br

quarta-feira, 24 de junho de 2009

GRANDE HOMEM



Quais os ingredientes para ser um grande homem? Não apenas no sexo masculino , mas uma grande pessoa? Um grande ser ?
Ser bom, ser ponderado, ter caráter,
ser atencioso, amoroso, ter e ser muito!!
Tecer a cada momento!!!!
No momento que ouvi do presidente do Brasil que o Sarney não poderia ser tratado como uma pessoa comum, algo em mim, não aceitou, rejeitou, definitivamente, não gostei.......
Eu e....todos os brasileiros comuns!!
O que é ser um grande homem e o que é ser um homem comum?
Tudo se funde nesse emaranhado de interesses que se tornou a política. Ou se aperfeiçoou??
Todo mundo com algo preso, para não citar o quê, falcatruas vergonhosas, golpes, posturas antiéticas, uso indevido do dinheiro público, paraísos fiscais, a lei de levar vantagem em tudo!!!
Esses são os grandes homens?
Ou homens incomuns???? De fato, olhando por esse ângulo, esses homens não podem ser tratados como pessoas comuns.
Ponto para o presidente.
Algo chamou a minha atenção também, nessa semana , ao enviar um arquivo com o título em questão, "O grande homem" e recebi várias resposta dizendo que gostaram muito do texto mas.................ONDE ESTÁ O GRANDE HOMEM ???? Essa descrença deve-se ao que vemos TODOS os dias nos jornais e noticiários e mais perto de nós, a descrença no amigo, parceiro de trabalho, vizinhos, conhecidos.........
parece que o mundo está de cabeça para baixo, ansioso, nervoso e sem fé.
Mesmo assim, vamos pensar em outro tipo de notícia que nos surpreende e muitas vezes nos faz chorar: "gari encontra mala cheia de dinheiro e devolve" . "Homem desempregado se joga no rio para salvar uma criança". "Mulher cega alfabetiza por conta própria ...." "Homem salva mulher vítima de sequestro..." e milhares mais de feitos que dignificam o ser humano.
E bem pertinho de você, tem um alguém, dois, três... muitos!!!! Que acaricia com um olhar, faz um cafezinho, oferece um sorriso, faz a cama, lava a louça, deixa um bilhetinho ou ........
simplesmente existem!!!!
E possuem uma grandiosidade que nenhum homem incomum apaga, tira ou deleta. A luz de certas pessoas comuns faria o presidente e a maioria dos seus políticos, ficarem
irremediavelmente pequenos. Tolos.
O grande homem é grande e basta!
Pessoas especiais são aquelas que se doam aos outros.
Elas não tem vergonha de serem comuns.
Naturalmente são grandes.

boa semana

ANA LUNA - anammluna@yahoo.com.br
bjussssssss

terça-feira, 23 de junho de 2009

A Beleza Cruel das Fogueiras Juninas



A origem das fogueiras de São João remete à tradição cristã de haver Isabel, mãe de João Batista, ter prometido a Maria, mãe de Jesus Cristo, acender uma fogueira no cume de um monte, para avisar quando João nascesse. Ela também prometeu que ergueria um mastro próximo à fogueira, colocando nela uma boneca, dando origem a outra tradição, a da bandeira do santo.
Minha infância e adolescência foram cercadas de fogueiras no mês de junho. E até hoje a tradição se mantém. Durante a infância eu as curti. Onde morava, não havia calçamento. Era rua de barro, própria para as brincadeiras que eram o terror de quem lavava nossas roupas e muito apropriadas para a existência de fogueiras, neste mês. Lembro minha tia partindo para roça e voltando com uns feixes de lenhas próprias para cozinhar o feijão e queimar nas fogueiras. Nesta época as idas e vindas eram mais acentuadas.
Eu nunca tive recursos para a compra de fogos sofisticados, como vulcões e chuvinhas coloridas, que via de passagem pelas casas do centro ou perto dele. Mas, uns “traques de massa”, um “beijo de moça” ou um “estalo de bebê”, minha avó me dava. O que ela não me dava era uma “roqueira” mas, nunca deixei de ter uma. Era muito fácil de fazer. Explicarei para os ignorantes de hoje. O material era um prego, um arame, uma peça de torneira velha (aquele que fica dentro da torneira e que tem um buraquinho onde entra a carrapeta) e muita engenhosidade. Não minha, porque a tecnologia para sua produção era conhecida de qualquer menino, naquela época. Havia inclusive outras “roqueiras”, feitas de ferro, dizem, por Pai Tomás, mas destas eu não usava. Ligava-se o arame ao prego e a peça de uma forma que podíamos pegar no arame e ao colocar o prego no buraco da peça podíamos balançá-los e bater numa pedra ou no meio fio, quando na rua havia. Dentro do buraquinho colocávamos pólvora e o atrigo entre o prego e a peça da torneira gerava um som de explosão que variava, principalmente com a quantidade de pólvora utilizada. Espero tenham entendido, se não, vejam o que aconteceu num dia destes de junho.
Encontrei com o Oswaldo (penso era este o seu nome) enquanto ele preparava sua “roqueira” para a ação. Estava na fase de tirar a pólvora de um “beijo de moça” para colocar na "roqueira". Cheguei perto e perguntei: Oswaldo, tu não achas que esta pólvora está demais, não? Ao que ele respondeu em silêncio, com um não, continuando o que vinha fazendo. Colocou toda o pó preto dentro da “roqueira” e não se conteve, começando a calcar a pólvora com o prego, dizendo que era para o estrondo ser maior. A sensação que tive na época foi aquilo que hoje sinto quando o Irã ameaça o mundo construindo bombas atômicas, ou quando, naqueles filmes da TV alguém começa a fazer algo muito perigoso, e eu digo mentalmente: Isto não vai dar certo. O que vi minutos depois, ainda hoje, não gosto de lembrar. No entanto, nem só de coisas bonitas vive o São João. Simplesmente, depois de um estrondo, vi o dedo polegar do meu amigo pela metade e o sangue cair no chão como uma torneira pigando. A partir deste dia botei minha “roqueira” no saco e nunca mais a vi.
Outra vez, vi o Joaquim. Era marido de uma tia minha, e morava em Recife ou em Paulista, não lembro bem, só sei que era prás bandas do litoral. Neste São João ele estava em Bom Conselho. Uma pessoa alegre e brincalhona, contador de lorotas e bravatas além de uma exímio jogador de dominó. Pelo menos, penso que foi ele que me introduziu no vocabulário do “lai-lou”, que é a situação onde se ganha no dominó combinando as duas cabeças. A partir de Joaquim, bater “lai-lou” era uma glória. Numa noite, já tarde, quando a fogueira já estava em brasas, ele inventou que poderia andar sobre estas brasas sem se queimar. A fogueira dos santos tinha algo mágico, ele dizia, que a concentração e mais umas rezas que ele sabia, fazia com que a dor sumisse quando do contacto com o fogo. Óbvio que todos o incentivaram a fazer a proeza, tirando as espigas de milho das brasas, já com um tom de dourado, quase prontas para comilança.
O Joaquim chegou perto da fogueira, baixou a cabeça, fechou os olhos, balbuciou alguns palavras enquanto mexia de leve nas brasas, ora com um pé ora com o outro. Alguns minutos depois começava ele a caminhada pela fogueira. Primeiro passo, segundo passo, terceiro passo e cada um maior e mais rápido do que o outro. Aqui quebro a narrativa para dizer que me lembrei do nosso conterrâneo Carlos Sena atravessando o açude de seu Liro, quando ele diz que ao chegar ao meio do açude deu um certo medo mas pensou, para voltar vai levar o mesmo tempo que continuar em frente, foi em frente e teve a glória da travessia. O mesmo deve ter ocorrido com o Joaquim naquele dia, os pés estavam queimando mas, ao chegar ao meio ele, a la Carlos Sena, decidiu ir até o fim da fogueira. Ganhou assim os gritos e aplausos que abafaram o seu grito de dor e talvez compensaram as bolhas que vi no dia seguinte nos seus pés.
E as belezas das festas juninas continuam com outra cena por mim presenciada, ainda quando criança, e se deu quase de frente da casa de seu Abelardo, marido de dona Gilda, ou, parece até que foi defronte da Alfaitaria de Antonio da Tupi. Um menino, mais ou menos da minha idade, nunca soube o seu nome, soltava “cobrinhas”, aquele troço pequeninho que encosta no fogo, você sacode e ele sai correndo com um rabo de fogo. Já adulto, vi que em algumas cidades fazem umas “cobrinhas” bem grandes e as chamam de “espadas”. A brincadeira é não correr daquelas coisas perigosas. No entanto, como não existe fogos de São João sem risco, naquele dia o menino ao jogar uma “cobrinha”, propositalmente ou não, ela foi direto no tornozelo de uma garota que também brincava com fogos. Sei que a menina, que não morava por ali, se contorcia em dor, enquanto o menino sumia. Chegou uma senhora, não sei se sua mãe, pediu água na casa de seu Leopoldo, que consertava relógio, e que, por muito tempo depois passei defronte a sua casa, quando ia trabalhar. Uma de suas filhas trouxe algo e aliviou a dor da garota. Enquanto isto, Dona Iramir, esposa de seu Leopoldo, aparecia na porta e perguntava: Cadê o menino? Será que foi o Teofinho de seu Marçal? Não sei se o menino era o Teofinho ou se foi punido. Não deveria, São João sim.
Termino dizendo que enveredei pelas coisas cruéis que podem acontecer neste período de fogueiras e fogos. Isto não quer dizer que não haja coisas boas como aquelas que descreveu o Gildo, no seu casamento matuto (http://www.citltda.com/2009/06/memorias-de-um-casamento-matutuo.html) aqui mesmo neste blog e no site de Bom Conselho, apesar do castigo que ele ganhou por comprar fiado. O nosso colega Cleómenes ainda pediu para falar da influência das fogueiras no aquecimento global, comparando-as com as queimadas da Amazônia. Assim também já era crueldade demais com o São João. Que ele mesmo escreva sobre isto. No entanto, seria prudente pensar mais na tradição dos mastros e das bandeiras.

Jameson Pinheirojamesonpinheiro@citltda.com

domingo, 21 de junho de 2009

CARTAS DE AMOR



A arte de viver hoje consiste em conseguir espremer nas horas do dia o maior número possível de coisas muito excitantes e oportunidades que não podemos perder de jeito nenhum. Um fenômeno ocasionado pela tecnologia de comunicação. No mundo de hoje há 1,57 bilhão de pessoas que usam a Internet e 3,3 bilhão de pessoas com celulares. São disparados todos os meses uma média de 2,4 trilhões de mensagens de texto. A informação circula de forma rápida, curta e precisa, desprovida de questionamentos. Num planeta assim, tão rapidinho, como se faz para parar e ficar pensando na vida?
A vida passa mais depressa em uma cidade como São Paulo e Rio ou em um mosteiro no Tibet?
O tempo jorra em todos os lugares e nós envelhecemos seja no Tibet ou em São Paulo e Rio. O que muda é a experiência da passagem deste tempo, é a organização, pois um vive o tempo cíclico que se repete dia após dia, ano após ano, e o outro vive o tempo linear, que marcha, move em direção ao que chamamos de futuro, dominante nas grandes cidades, e que expressa essa idéia de modernidade, progresso. Às vezes dá aflição viver esta modernidade e por vezes busca-se um refúgio naquele tempo já vivido - o passado. Daí a vantagem de já ter vivido um determinado tempo (sem se rotular de velho). Podemos comparar o que já foi vivido e vivenciado com o que estamos vivendo, ou a viver.
Ser jovem, hoje, tem as suas vantagens, mas ter sido jovem nas décadas de sessenta ou setenta, me desculpe os jovens de hoje, era bem melhor. As pessoas que vivenciaram estas décadas são mais cheias (não fisicamente)!, Mais pessoais, se relacionam melhor sem a impessoalidade que se vê hoje. Escreviam mais, tinham uma linguagem mais elaborada. Mas os tempos avançaram e com ele muita coisa foi abolida. Criou-se o advento da Internet, nada contra, mas muita coisa boa se perdeu. Entre a leva de coisas que ficou obsoleta, estão as cartas. Estão virando uma raridade. Não se encontra mais nas papelarias da vida, aquele envelope branco com as bordas de listinhas amarelas e verdes que caracterizavam as cartas. Quem ainda os tiver guarde, pois é raridade. Até os correios tiveram que acompanhar a modernidade. Antes, ir aos correios postar uma carta, um telegrama, era como um ritual: começava pelos selos que eram comprados, pela cola que ficava em um balcão para que o cliente colasse seus próprios selos. Hoje, os correios fazem quase tudo: uma hora é banco, outra hora é agente da Fazenda emitindo CPF, enfim, modernizou e vai perdendo a característica para o qual foi criado. Nem lembro do tempo que fui a uma agência dos correios, e você?.
Como era bom receber uma carta!
Dia desses me dei conta que ultimamente só venho recebendo dos correios:propagandas,contas de telefone, da Light, A Gazeta, esporadicamente, mas cartas, não mais.
Agora tudo é via e-mail. É rápido, prático, mas que dá saudade da velha carta, ah,isso dá!
E as cartas de amor?!
Ah, essas eram o máximo!
Melosas, lugar comum, frases batidas, mas escritas pela pessoa amada era melhor que um “best-sellers”. Quem nunca se deliciou com frases como: “ Você é o Sol da minha vida,ou você é a estrela do meu céu solitário...” Eram trocas apaixonadas, e a ansiedade preenchia os dias de espera pela resposta da amada. Tinham algumas cartas que eram perfumadas, quando abríamos, aquele perfume acionava o nosso sistema límbico e trazia a nossa mente a imagem da pessoa amada. Quantas saudades das cartas de amor!!!
Todas estas cartas eram escritas com canetas-tinteiro, pena fina, não existia caneta esferográfica. Tudo era refinado e de uma sutileza sem par. Hoje, na era do e-mail, achamos carta de amor ridícula, mas quem nunca escreveu uma carta de amor???
E como diz o poeta: “Só as pessoas ridículas é quem nunca escreveram cartas de amor.
Aproveito o espaço para transcrever um poema de Fernando Pessoa com o Heterônimo de Álvaro de Campos:

TODAS AS CARTAS DE AMOR

Todas as cartas de amor são ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor se há amor,
Têm de ser Ridículas.
Mas, afinal
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são ridículas.

Mas que saudades, das cartas, das de amor então.....

Gildo Póvoasgildopovoas@hotmail.com

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Manuel Miranda - Um Complemento



MANO É MIRANDA:

A transfiguração de Manoel Miranda nos deixa tristes pelo que ele construiu de humano por onde passou. Constuir o HUMANO em sua forma transcendental não é qualquer um que se habilita - ele fez isto com maestria. Fui seu aluno e confesso que aprendi muito com as suas práticas. Digo práticas, porque a praxis da sociedade de consumo é dual: teoria distante da prática. É como se quisessemos entender o corpo sem a alma, pois certamente faltaria a intersecção do processo. Mas Manoel Miranda se foi. Soube disto através do texto de Lucinha e reconstituo este tear de letras, no afã de testemunhar que ele, o amigo, o professor, teve grande influencia na minha permanencia aqui no Recife. Ele me ajudou, literalmente, a encontrar um lugar pra morar quando vim pra cá sem nada no "matulão", exceto a cara e a coragem.

No ultima vez que o vi, estava com uma bengala se escorando pela calçada da rua Imperador. Não pude lhe cumprimentar pois passara de carro, mas mentalmente lhe saudei e saí pensando nas coisas que a vida ensina e o teatro encena. Mas sua cara de felicidade não estava diferente, como que a compreender com sabedoria todos os liames da vida e suas naturais acontecências.

Mando este recado pra ele, como alternativa de agradecimento póstumo, posto que o fiz pessoalmente em gestos. Ele foi meu professor de Sociologia no colégio São Geraldo. Não imaginava ele que no futuro um daqueles alunos seria Sociólogo influenciado pelas suas aulas e questionamentos libertadores. Pois é, Mané! A gente fica com saudades de você, mas sabe que pela tua fé em Deus, certamente estás com ELE.

Obrigado amigo, obrigado irmão.

Carlos Sena - csena51@hotmail.com

Manuel Miranda



Estou de férias, mas continuo viva e procurando saber das coisas que acontecem em nossa terra ou com pessoas de lá, pelo menos com aqueles de quem vale a pena lembrar. Soube da morte de Manuel Miranda e por este homem e sua morte vale a pena deixar as típicas atividades das férias e escrever, sobre ele, algumas palavras simples e sinceras.
Conheci Manuel Miranda. Em Bom Conselho, quem não o conheceu. A maior vocação de padre católico que encontrei. Casou, mas continuou sendo padre. Diferente de Zé Basílio que sempre foi padre e nunca casou. Na minha mocidade, e católica, conversei com ele algumas vezes. Era uma doce criatura, até vislumbrar qualquer tentativa de quebrarem a sua fé, e ofenderem o que ele achava ser a moral e os bons costumes, levando ao pecado.
Durante o debate e discussões com O Andarilho, certa feita, suspeitei que este fosse o Manuel Miranda. Talvez como católicos tivessem os mesmos princípios e conceitos a respeito de Deus e dos homens. Hoje está provado que não era, pois O Andarilho, mesmo depois de sua enfermidade, continuou comandando sua coluna, e celebrando suas missas.
Encontrei com ele algumas vezes em Recife. Lembro uma vez, no supermercado. Olá, como vai pecadora! Assim me chamava desde mocinha por conversar na igreja e ele dizer, aqui é casa de oração e não de conversa. Isto é pecado. Falou-me de coisas e de pessoas de Bom Conselho, mostrando seu vivo interesse por nossa terra. Eu não podia considerá-lo um amigo íntimo, era apenas um conhecido. No entanto, falou horrores de certas pessoas da cidade, como se estivesse falando com uma amiga de longa data. Esta era a forma dele ser, quando se tratava de seus valores morais e religiosos.
Não sei que posição ele tomaria no debate que travamos sobre o Bispo e o Médico, do qual eu fui uma vítima da censura. Penso que torceria e elogiaria o Bispo. E se tivesse entrado no debate, seria um peso pesado, pela sua cultura, inteligência e rigidez nos seus valores religiosos. Eu que fui contra o Bispo, ou melhor, contra suas opiniões, e até posso compreender o Bispo do Paraguai, só posso dizer que Manézinho hoje estará no céu, sentado à mão direita de Deus Pai, todo poderoso, criador do céu e da terra, mas não do Código Canônico.
Sempre é triste ver alguém que conhecemos morrer. Mas o que seria a vida sem a morte? Nem haveria vida e nem haveria morte. E isto é o que significa a vida eterna que Deus nos prometeu quando disse através do evangelho de São João: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” Esteja em paz Manézinho e não espere por mim, pois não sei se “a pecadora”, que ainda sou, merece ir para onde você está.

Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

quarta-feira, 17 de junho de 2009

A GAZETA - 2



Terminei de ler a Gazeta 242. Portanto, estou há mais de dois meses atrasado com as notícias. Já é quase história de Bom Conselho. Pensei, pensei e perguntei: por que não me colocar na posição de historiador e ver esta edição como uma fonte de nossa História? Todos estão cansados de saber o que significa a História. Não seria exagero dizer que ela é aquilo que os historiadores fazem. Muitos ainda acreditam que ao dizermos: isto é História, estamos nos referindo a algo que passou e é imutável, pois o passado não pode ser mudado. Num tom bíblico mas sem querer ser profeta, em verdade, em verdade vos digo, o passado histórico é o que muda com mais presteza, atualmente. O ano de 1964, de início de uma revolução redentora em prol das liberdades democráticas, passou a ser o do início de uma ditadura militar que acabou com estas liberdades, por mais de vinte anos. Simonal passou de dedo duro a patriota no mesmo período. Galileu foi banido da Igreja por dizer que a terra girava em torno do sol e se movia para depois ser recuperado. O passado mudou. Será que no futuro o passado mudará de novo? Estes são só exemplos dos muitos que poderia citar.
Hoje serei um historiador implacável de Bom Conselho ao ler A Gazeta. Primeiro pergunto: Será a manchete de capa um fato histórico?: Zé Arnaldo fortalece a administração. Para mim, sim. É fato digno de contar, como história de nossa cidade, aos futuros estudantes e curiosos. Principalmente, para quem conheceu Arnaldo Amaral, pai de Zé Arnaldo, e acompanhou sua luta de homem público pela nossa cidade. Por algumas vezes tentou ser prefeito, não teve sucesso na empreitada, mais deixou a verve da política no seu filho. Sou um contemporâneo do Zé Arnaldo, penso que até da mesma idade, não fomos amigos íntimos mas nunca fomos inimigos, talvez, certas vezes discordantes silenciosos nas ideias. E posso dizer, se há um político em estado puro em nossa terra, este é ele. Por favor, sem interpretações maldosas, ele tem o faro do político, vive isto o tempo todo, respira e transpira política, e tem demonstrado isto pelos postos e cargos onde passou como tal. O momento brasileiro é que é ruim para os políticos por vocação. Depois de um período de trevas pelo qual passamos para os bons profissionais da política, esta profissão é pior do que a de gari, pois o lixo com que o gari lida ainda pode ser reciclado, e o lixo com que o político lida nem para isto serve. Este lixo cresceu tanto ultimamente, que a profissão virou exemplo de mau cheiro, coisa ruim, que se deve queimar para não contaminar outras “nobres” profissões. Este é um erro crasso. Sem bons políticos estaremos fritos, o que é uma rima, e cuja solução é acreditar que pela sua vocação política e formação moral ninguém tenha que mudar o passado outra vez no futuro, através de outra manchete da A Gazeta: Zé Arnaldo enfraquece a administração. Sucesso Zé.
Ainda fazendo História, mudando o passado, a Perdigão não mais patrocina A Gazeta nem o Corínthians. Quem faz isto agora é a BR – Brasil Foods. Olho neles.
Não podia deixar de mencionar a chamada de capa que diz ser o Mestre Laurindo Seabra agora uma escola de atores. Este é um fato histórico. A professora Sivaneide Alves de Lima já pertence à história de nossa cidade. Espero até que, outros historiadores, garimpando dados em outras escolas, encontrem outras professoras que repitam com ela, ao se referir a peça de teatro encenada por 39 estudantes daquele estabelecimento de ensino, mostrando a Morte e Ressurreição de Cristo: “Esta peça surge através da necessidade apresentada na realidade social..., na busca de uma vida melhor. Nosso objetivo é auxiliar na formação do cidadão, de maneira que as crianças vejam, na história de Cristo, o amor....” . Espero que o passado não mude com A Gazeta publicando: Este ano não teremos Morte e Ressurreição de Cristo no Mestre Laurindo, faltou verba.
Outra questão que envolve a História do município é o artigo de Francisco Alexandre (Piúta), sobre a passagem de Rainha Izabel a cidade. Foi pungente a defesa da unidade municipal feita pelo conterrâneo, e, ainda mais por ser filho de Rainha Izabel. Pelo que sei, a tentativa daquele distrito passar a município vem de longe. Somente de passagem, penso ser esta localidade maior do que Terezinha, que sumiu do nosso mapa (de Bom Conselho) faz tempo. O fato histórico relevante seria haver um plebiscito com o povo do distrito votando, depois de uma campanha de prós e contras de todos de Bom Conselho (não sei se já houve). Se aqueles de Rainha Izabel que defendem a emancipação ganharem, mesmo o Francisco Alexandre votando contra, Jacilda deve ir em frente, porque as razões para não dividir Bom Conselho citadas no artigo fariam tremer o Conselheiro Acácio: “...(o desmembramento), cujo resultado seria a diminuição de nosso tamanho geográfico, econômico, populacional e político, tornando-a menor em todos os aspectos.” O Conselheiro talvez não incluísse econômico e político, porque, na realidade, ambos poderiam se tornar mais fortes nestes aspectos com a cisão. Afinal de contas, o que o povo come nem sempre é aquilo que ele produz e vice-versa, e tamanho não é documento, também no campo político. Vamos ver se o passado não muda quando o Luiz Clério, ao invés de dar a notícia da possível candidatura do Francisco Alexandre a Deputado Federal ou a Governador de Alagoas, noticiar sua posse como prefeito de Rainha Izabel.
Até eu apareço nesta edição, e o histórico dentro das mal traçadas linhas é o Zé de Puluca, a quem os historiadores devem fazer justiça no futuro. Quanto a minha aparição, o passado deve mudar e muito, só não sei quando.
Há outro fato histórico a comentar. A participação de José Tenório de Medeiros na A Gazeta. Penso que jamais mudaremos o passado ao dizer que ele é um dos melhores de nossos escritores e isto vai muito além deste número para trás no tempo. Suas crônicas dariam um excelente livro e honraria a intelectualidade de Bom Conselho. Lucinha o colocou na Academia de onde ele jamais sairá.
Neste número, a página social é só história. História Antiga, História Moderna e História Contemporânea. Seria uma gafe histórica fazer qualquer tentativa de classificação aqui. Quase todos que nela aparecem entrariam para minha história da cidade. As mulheres, que cheguei a conhecer pessoalmente, ou pelo menos de vista, começando de cima da página: Alípia, Vera Lúcia, Juracy Torres, Salete, Joanita, Marluse, Peralúcia, e Ismênia, tenho certeza, o passado não voltará para dizer que elas eram feias, todas são uns amores, nem para tirar o reinado de Marluse como Miss Bom Conselho. Se, fazer história fosse só falar de mulheres, eu já teria deixado a CIT para me dedicar à profissão de historiador. No entando, a edição não acabou, ainda temos os homens como Emanoel Luna, Daniel, Géo, Valfrido, que antes de dizer que o passado não mudará para mostrá-los bonitos, entrego a análise às historiadoras.
Podem até haver outros fatos históricos nesta edição mas, não os descobri. Que outros o façam. Termino com o Jameson apontando na porta da minha sala e dizendo ofegante, e, num misto de alegria e ansiedade, disse:

- O Zé Carlos telefonou para dar duas notícias. Uma boa e uma ruim. A boa é que A Gazeta 243 já chegou à casa dele, com só um mês de atraso, e ele está terminando de ler para nos mandar.
- Meus Deus e a ruim? Não me diga que a outra edição vai atrasar mais ainda!
- Pior. O Luis Clério avisa que pela mudança de mensal para quizenal o valor da assinatura vai dobrar, passa de R$ 50,00 para R$ 100,00 para assinantes de fora e de R$ 50,00 para quem mora em Bom Conselho. O Zé Carlos está pensando seriamente em mudar para Bom Conselho. E nós da CIT, vamos juntos?
- Vocês eu não sei, mas eu estarei lá no FORRÓBOM. Quem sabe?

História é assim mesmo, o passado existe para ser mudado. Viva a História!

Diretor Presidentediretorpresidente@citltda.com
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(*) - Fotos do site de Bom Conselho e da Internet.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

MEMÓRIAS DE UM CASAMENTO MATUTO


Morar em cidade grande tem as suas vantagens e desvantagens. Nesta época do ano, Junho, então, tem muita desvantagem, principalmente para quem viveu muita festa junina em uma terra chamada Bom Conselho.
Dá um “banzo” danado quando vejo reportagens sobre estas festas. Assim para driblar as emoções de saudades, andei procurando nos meus escritos algo alusivo a esta época, e encontrei este texto que agora divido com você que me lê.

As festas juninas na minha cidade sempre foram animadas e rodeadas de crendices e superstições. Era a moça solteira que queria saber se iria casar, era outro que queria saber se ainda estaria vivo no próximo ano. Enfim, eram inúmeras simpatias que se fazia neste período e tudo dentro de uma ingenuidade que não se tem mais hoje. Ainda lembro de uma das minhas irmãs, indo à casa da vizinha fincar uma faca na bananeira, que segundo a crendice, para que no dia seguinte quando retirasse a faca vinha escrito a inicial do nome da pessoa com quem possivelmente iria se casar. Interessante é que nunca perguntei se isso realmente aconteceu, pois todas casaram!
Os moradores da rua em que eu morava, a Barão do Rio Branco, eram muitos animados e tinha uma moradora, D. Tiliú, devota de Santo Antonio, que era quem dava início aos festejos. Logo no início do mês de Junho, começava, em sua casa a novena para o santo que tinha o seu ápice no dia 13 de Junho. Lembro que em uma ocasião desta festa armaram barracas de quitutes, bingo, e até uma banda de pífanos que era comandada por um senhor -não lembro o nome - que fazia limpeza de fossas sanitárias. Daí pra frente vinham os outros santos festeiros: São João e São Pedro que eram festejados com muito forró, fogueiras,, fogos e muita,mas muita comida,desde a canjica, passando pela pamonha, pé de moleque e quentão para os mais afoitos. Foi em um intervalo pré-festas que nós, crianças, da Barão do Rio Branco, resolvemos fazer um casamento matuto, e os personagens eram: eu, no papel do padre, Joza (filha do sr. Pingué), Gesseraldo no papel do noivo, e os outros: Fátima Ribeiro, Luci Rocha, Aparecida, Luizinho e mais outros que não recordo, faziam o cortejo.
A nossa primeira providência era achar um lugar para realizarmos a cerimônia e este lugar foi uma garagem que pertencia ao Sr. Francisco (Chico) Correntão, nesta garagem funcionava uma escola, cuja professora era sua neta, Selma. Pois bem, o “seu Chico” , como nós o chamávamos, deu a permissão e assim começamos a ornamentação com bandeirinhas e laços, e isso tudo improvisado, pois não tínhamos um centavo para nada, só à vontade de realizar. E mais uma etapa estava pronta. Aí, surgiu um impasse; e a música? Como fazer? Ninguém da turma tinha nenhuma espécie de som em casa (coisa rara, na época, já era ter um rádio, imagine um som)?!. Mas não desanimamos!. Foi quando eu soube que tinha uma família de sanfoneiros que moravam na Rua 6 de Abril, e aí fui eu a busca da música para a nossa festa. Mas, me deparei com um grande problema: o sanfoneiro cobrava. Só na cabeça de uma criança podia passar a idéia de que eles iriam de graça. Fiquei estarrecido diante do preço que pediram, não lembro quanto, mas devo ter ficado lívido, branco e ao mesmo tempo triste, pois a nossa festa não iria ter música. Mas, mesmo com a possibilidade de não poder contratá-los, pois já não era só o sanfoneiro, tinha o da “zabumba”, e o do pandeiro, eram três irmãos, eu fiquei olhando para o sanfoneiro com os olhos cheios de lágrimas e ele, com uma sensibilidade que só os músicos tem, perguntou- me o que estava acontecendo,e em poucas palavras, eu com a franqueza de uma criança de 12anos, expliquei o propósito da nossa brincadeira: Um casamento matuto!. O sanfoneiro me olhou, coçou o queixo, colocou a mão na cabeça, e não preciso dizer aqui da minha apreensão diante destes gestos. Mas, eis que o milagre aconteceu! O sanfoneiro colocou a mão no meu ombro e falou: Nós vamos tocar na sua festa, de graça, mas você tem que providenciar uma “pinga” (cachaça), pra nós. Prontamente dei o meu sim e combinamos o local e hora. Saí aos pulos para contar a novidade aos amigos, quando no meio do caminho a ficha da realidade caiu: Nós não temos dinheiro para a “pinga”!. Saí bolando um plano para conseguir o tal dinheiro. Fizemos uma “listinha” com os participantes e o que foi arrecadado dava para uma garrafa de “pinga”.
Chegou o grande dia. Como estávamos de férias escolares, o dia todo foi de preparativos. O quartel general era na casa da minha prima Dora, e prontamente no horário acordado, os músicos chegaram, e a estas alturas, já há muito estávamos prontos. O padre já incorporado, o noivo, a noiva e os convidados a postos. O cortejo formou-se: o padre à frente, depois os noivos, os acompanhantes e atrás os músicos. Saindo da casa da Dora, descemos a rua até a altura da casa do Senhor “Né dos cocos”, subimos pelo lado esquerdo da rua e a esta altura a comitiva atrás do cortejo tinha duplicado de curiosos, crianças, adultos e cachorros nos acompanhando para o local da festa (uma garagem na antiga Travessa dos Guararapes). No local foi oficializado o casamento, e eu lembro de uma figura ilustre que estava entre os adultos: o tenente Boanerges, que ria a valer com o discurso do padre. Depois do casamento foi o arrasta pés. Aí teve um problema: a garrafa de “pinga” só deu para a entrada da festa, pois o trio bebia bem. Quando fui chamado pelo sanfoneiro que disse: queremos mais “pinga”. Minhas orelhas arderam. Mais que rapidamente me veio à idéia de comprar “fiado” na bodega que funcionava vizinha a minha casa, e assim efetuei a compra. Por ser filho do sr .Pedro, o crédito foi fácil e assim realizamos a nossa festa junina para júbilo de todos nós.
As conseqüências vieram depois: Fiquei três semanas de castigo e sem o dinheiro que todo o sábado o meu pai me dava para comprar guloseimas na feira. Esta foi à punição encontrada por meu pai por ter feito a tal compra “fiado” e sem ter erário para o ônus. Essa punição ficou tão marcada em minha vida que até hoje não ouso comprar nada a crédito. Mas que a brincadeira valeu, ah, isso valeu!!!.

Gildo Póvoas – gildopovoas@hotmail.com

CASTIGO DE QUEM?

CASTIGO DE QUEM? Existem umas expressões muito usadas pela falta de conhecimento e também pela lei da lógica, aproveitada por aqueles que vivem de enganar não só os pobres de saber, mas também aos de saber mediano e de grande saber que foram atingidos pelo bloqueio mental promovido pelas crenças de todos os tipos: é Deus quem quer!... Se Deus quiser!... Quando Deus quiser!... E muitas outras frases que se diz sem pensar, sem refletir, sem discernir o que cada uma dessas afirmações está na realidade querendo dizer, ou melhor, significar para a inteligência bloqueada de mais de dois mil anos atrás.
Quando assisto um filme como o que pode ser visto abaixo (*), e vejo o que a Natureza está nos querendo alertar e muitos dos entrevistados usando aquelas mesmas frases, já citadas, que foram inculcadas, faz muitos e muitos milênios, para que o homem e mulher se conformassem com todo tipo de desgraça e sempre colocassem a culpa em quem não a tem: o Criador do Universo, que o Chamamos de Deus. Que culpa têm esses trabalhadores analfabetos, criados nas regiões desprovidas de qualquer modernidade, como as regiões pobres das matas amazônicas, paraenses, mato-grossenses, pernambucanas e tantas outras mais? Será que são esses os culpados do desequilíbrio da natureza, ou melhor, da luta da natureza para se reequilibrar? Deus criou as Leis Universais responsáveis por tudo que existe nesse Universo, um pouco conhecido por nós. Os homens criaram as suas Leis para poderem equilibrar, promover uma harmonia entre os povos e os paises; mas infelizmente as nossas leis são muito diferentes das Leis Universais, porque as nossas leis geralmente são voltadas para interesses pessoais, de países... As Leis Universais não mudam e não podem deixar de agir e elas agem para equilibrar. As leis universais são responsáveis por bilhões de astros estrelas, seres animados e inanimados, por todo o equilíbrio e evolução do Universo, jamais poderiam ou podem errar e porque não erram? Porque foram criados por Deus que não precisa errar para aprender, que não tem o egoísmo em Sua sabedoria e Tem uma paciência e uma tolerância infinita com aquele a quem deu uma inteligência para desenvolver e fazer o bem: o homem.
Será que Um Criador de um UNIVERSO e de tudo que existe dentro dele, precisa de favores, de rezas e de orações para manter a Sua Criação?
Por que tantas catástrofes? Por que tanta fome? Por que tanta brutalidade entre os homens e mulheres? Por que trocaram à delicadeza, o amor, a gentileza, o afeto, o carinho, a afabilidade, a generosidade, a doçura de um sorriso de felicidade, o sorriso dos próprios filhos, a gratidão por está vivo e de poder fazer o bem? Por algo que foi criado para facilitar e incentivar o comércio e todos os tipos de negócios que possam existir, a fim de movimentar de um modo construtivo, benéfico pelo incentivo à criação de novos materiais, de substâncias, etc., etc... O chamado DINHEIRO, tão importante, como já disse: - foi ao longo dos tempos, como foram também às crenças – substituindo os valores humanos, as virtudes que Deus deixou para que o homem desenvolvesse através da sua inteligência. O dinheiro substituiu algo DIVINO que existe amordaçada, sufocada dentro desse ser que quer ser considerado REI DA CRIAÇÃO: A SENSIBILIDADE. Ela equilibra a frieza da razão, dando ao saber a oportunidade de se transformar em sentimento para ser usado quando necessário, com equilíbrio.
Abraços nordestinos...
Marlos Urquizamarlosurquiza@yahoo.com.br

video
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(*) O filme é um resumo do power point que nos foi enviado pelo autor e que tem formatação de Bete Maciel. A música é Súplica Cearense de autoria de Gordorinha.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

ZÉ BEBINHO - Um Complemento



Caro Alexandre, o seu artigo sobre Zé Bebinho me comoveu. Eu sou mais velho do que você. Talvez fosse melhor dizer, você é mais jovem do que eu. Antes de sair de Bom Conselho o Zé ainda estava na sua fase de alcoolismo. Num texto que escrevi muito antes eu já falei nele (http://www.citltda.com/2008/11/reminiscncias-em-torno-do-entregador-de.html ), mostrando ou tentando mostrar quanto as pessoas podem ser cruéis ao tirar proveito da desgraça alheia, para o bem ou para o mal. Lembro, de alguns, ao o verem numa mercearia, com as mãos trêmulas e o organismo pedindo álcool, dizerem: “só dou se for um copo cheio”. Sem alternativa naquela vida miserável eu o vi tomar um copo inteiro de cachaça. Ao invés de cair, passava o tremor de suas mãos e ele partia para apanhar mais uma maleta de alguém para levar no ônibus de 5 horas. Outros talvez menos cruéis não queriam lhe dar bebida nenhuma. Naquela situação ficava em dúvida sobre quem era e quem não era cruel.
Fui embora da nossa terrinha, aprendi a beber, não tanto quanto o Zé, mas o suficiente para aguentar a vida na cidade grande e fria. Aonde chegamos com uma esperança grande como o mundo e a realidade vai tornando-a pequena, pequena e pequenina do tamanho de um limão. No caminho inverso, a droga de nosso tempo, o álcool, vai substituindo a esperança, com seus efeitos ficando grande, grande e enorme, como se aquele limão de esperança que nos restou servisse apenas para as inúmeras caipirinhas que tomamos.
Após sair, não tive mais notícias dele. Por isso, o seu artigo me surpreendeu e a todos com quem falei aqui na CIT, que vivem há muito em outras plagas. Primeiro, o nome: José Feijó Sampaio. Quem diria, para quem ouviu na década de 50, por muitas e muitas vezes o nome de Cid Feijó Sampaio, a quem eu vi, num comício entre as barracas de Neco e a de seu Belon, e ouvi falar por mais de 1 hora na sua campanha para governador, que ele era, se não um amigo, mas um camarada das madrugadas frias quando eu ia para o trabalho, seu primo, o Zé Bebinho?
A história do caixão da casa da caridade eu conhecia para todos que de lá saíam para se enterrar, mas o caso do Zé, me foi sonegado pelos historiadores de Bom Conselho, ou por minha ignorância de fontes adequadas. Alexandre, você está construindo nossa história, a história da nossa cidade. Ela é feita de pessoas simples como o Zé, o Adel, o Basto de Eulália, o Zé Bias, o Tonho de Dinda, o Pedro de Lara e outros. Os políticos, doutores, professores também a fazem mas, não nos fazem rir nem chorar, grande partes das vezes nos fazem raiva.
Na fase de doença do Zé, graças a Deus, quem estava bebendo era eu. Não gostaria de vê-lo como você o viu. E aqui fico me perguntando, e penso não só eu, sobre o antes e o depois do Zé em Bom Conselho. Como seria ele antes de chegar a nossa cidade? Que motivos o levaram para lá? Está fora do meu alcance fazer lucubrações sobre isto. Posso fazê-lo sobre o depois. Eu nunca ouvi, durante minha época de contacto com ele alguma queixa a respeito de sua honestidade e capacidade de trabalho, mesmo quando bebia. Nunca ouvi ninguém reclamar de ter perdido a hora do ônibus por sua causa, pois ele muitas vezes funcionava também como despertador, aproveitando para levar as malas para o ônibus. Será que nossa cidade ficou melhor ou pior depois do Zé? Em minha modesta opinião, ficou melhor. Pois, nem eu nem você estaríamos tendo o prazer de escrever estas crônicas se ele não tivesse passado por lá, e penso que o Padre Carício deve ter aplicado muito bem a fortuna que ele deixou em prol dos mais carentes. Além disto, hoje estou mais alegre ao ter certeza de que esta grande aventura que é o Blog da CIT, também contribui para a história da nossa terra.

Jameson Pinheiro - jamesonpinheiro@citltda.com

quarta-feira, 10 de junho de 2009

ZÉ BEBINHO



Quem morou em nossa cidade pelos idos dos anos 60,70 até meado dos anos 80, conheceu Zé bebinho, do mais rico ao mais pobre, do padre ao juiz, todos os bom-conselhenses que viveram nesta época conheceram Zé bebinho (José Feijó Sampaio), esta história revela um final surpreendente.
Era baixo e troncudo, o seu aspecto era de um barril de vinho, era como se tivéssemos colocado uma roupa num barril de vinho e dito andas e falas, e barril sai-se falando e andando, quando o conheci ele já tinha este aspecto, devido o derrame sofrido logo após deixar de beber, ele tinha uma saliva permanentemente escorrendo no canto da boca, sua voz era embolada e tremia uma pouco as mãos, tudo isto em conseqüência do derrame, durante toda minha vida que vi Zé bebinho ele estava vestido com a mesma roupa de caqui Floriano, a cor já tinha saído do caqui para o cor de burro quando foge, andava descalço, a blusa era manga curta e tinha quatro bolsos, era careca e era o recadista oficial dos bom-conselhenses.
Zé bebinho apareceu em nossa cidade jovem, tinha vindo ninguém sabe de onde, foi fazendo recado de um e outro, sempre muito honesto. Aos pouco foi se dedicando à bebida, todo dinheiro que ganhava era para tomar cachaça, em pouco tempo tornou-se o bêbado oficial de nossa cidade, nesta época foi tirado dele a função de dar recado, pois devido à cachaça pesada que vinha tomando passou a dar os recados errados, então seu credito passou a ser zero.
O tempo passava e Zé bebinho bebia cada vez mais, até que um dia chegou a noticia, Zé bebinho morreu, foi um alvoroço na cidade, e realmente Zé bebinho estava morto, constatado pelo medico e tudo, como ele não tinha dinheiro, foi ser enterrado no caixão da casa da caridade, para quem não sabe, a nossa casa da caridade fundada por padre Alfredo, tinha um caixão que servia para todas as pessoas que morriam e não tinham condições de comprar um caixão, só tinha um detalhe, quando o defunto chegava no cemitério, abria-se o caixão e se despejava o defunto na cova, e o caixão voltava de novo para a casa da caridade, para servir a outro indigente.
Lá vai o enterro de Zé bebinho, meia dúzia de cachaceiro como ele, umas mulheres da vida e um ou outro amigo, pois a grande amizade que ele tinha com o povo da sociedade tinha se acabado devido à cachaça que vinha tomando, e lá vai o enterro, chegando no cemitério coloca-se o caixão no chão e abre-se a tampa, é quando de dentro do caixa se levanta Zé bebinho perguntando o que esta acontecendo, meus amigos foi uma carreira que até hoje deve ter neguinho correndo, agora o que não teve de gente no enterro dele, teve de gente para ver Zé bebinho, era uma romaria de gente para ver Zé bebinho, o fato mexeu com ele que a partir daquele dia nunca mais bebeu, e por infelicidade logo depois ele teve um começo de derrame que o deixou com as seqüelas que escrevi no inicio do artigo.
Em pouco tempo Zé bebinho adquiriu de novo a confiança da população e passou a ser o recadista oficial de nossa cidade, porem o destino reservava a ele a mais surpreendente historia de um morador de nossa cidade, não sei como, confesso aos senhores leitores, mas chegou a noticia que Zé bebinho era herdeiro de uma fortuna, era de família rica, e que era um Feijó Sampaio, sua mãe era irmã da mãe do dr Cid Sampaio, ele era primo legitimo do Dr Cid Sampaio, ex-governador, ex-senador e um dos mais influente político e empresário de nosso estado.
Ficamos sabendo que ele tinha saído de casa e nunca mais tinha sido visto, naquela época a comunicação não era como hoje, era muito precária, e ele terminou em nossa cidade na qual foi bem acolhido, e foi ficando até o final de sua vida, a herança dele ficou com padre Carício, pois nesta altura do campeonato ele já estava na casa da caridade, muito velho e doente, e pouco tempo depois ele morria, assim termina a espetacular história de JOSÉ FEIJÓ SAMPAIO.

Alexandre Tenório Vieiratenoriovieira@uol.com.br

Dia dos Namorados e os Namoradinhos do Dunga



Digo, e acreditem, eu não estava lembrado do Dia dos Namorados. Gildo me lembrou através do seu belo artigo (http://www.citltda.com/2009/06/sobre-o-dia-dos-namorados.html). Sempre me esqueço. Talvez me falte o romantismo comercial, do qual ele fala. Mas, as mulheres não esquecem e agradeço a ele por nos lembrar, evitando a bronca da esposa, igual ao ano passado.
Fora o trabalho e a bola de futebol, em minha juventude lá em Bom Conselho, não vou dizer a prioridade mas, minha outra diversão era namorar. Naquela época, para quem não era chegado aos sabores e odores etílicos e seus efeitos, e eu não era, só comecei depois, já longe da terra, estas eram as principais diversões, para o sexo masculino. Alguns meninos iam ser escoteiros no entanto, para chegar lá, tinha que ser “lobinho”, e eu desisti. Outros, tentavam aprender a ajudar missa, eu nunca tive instrução para isto. Namorei, muito.
Namoro sério, namorico, flerte, olhadela, pegar na mão, beijo no rosto, beijo na boca, calçada da Igreja, escurinho do cinema, Praça D. Pedro II, festas de Natal, Ano Nova, São Sebastião, N. S. do Bom Conselho, São João, São Pedro e pulando Santo Antônio que diziam ser o santo casamenteiro. Tudo isto fazia parte do meu vocabulário porém, quando ouvia falar em casamento corria mais do que o diabo da cruz.
E com a experiência se avolumando, descobri que quanto mais namorava mais namoros apareciam. Hoje diriam de mim: aquilo é um “galinha”, naquela época diziam: aquilo é um “enrolão”. Normalmente, a namorada “séria”, isto é, aquela com quem havia risco de um dia subirmos ao altar, era aquela que não sabia das outras. Esta, quando havia, eu a deixava em casa cedo, saía para a grande diversão com as outras. Moça namoradeira dorme tarde mas, para evitar qualquer quizumba, nem sempre o inverso é verdadeiro.
Com a fama de namorador já feita, aquelas moças que também gostavam de namorar nem perguntavam de onde eu vinha. Pra que perder tempo? Era impressionante, entretanto, quando as outras sabiam disto, eu pensava que iriam me odiar. Ledo engano. Odiavam era a colega. Seria inveja? Sei lá. E assim ficava mais fácil namorar.
Para ser absolutamente justo, nem todas as moças eram assim. E no final das contas sempre pensávamos que nossa namorada séria seria incapaz de pelo menos pecar por pensamento, imaginando namorar com outro. Isto é o que penso ainda daquela que me fisgou até hoje.
Era uma vida “maneira”. Aí casei devido a um acidente de percurso. Nunca mais namorei, a não ser com minha esposa, e ela sabe que só tive uma namorada depois que casei: uma menina que morou na Rua da Cadeia, com quem nunca namorei. Minha esposa nem se importa com estas lembranças, e sabe que serei fiel até a morte, e lerá este texto, certamente.
Tanto namoro para dizer que, em Bom Conselho, antigamente, nunca ouvi falar em Dia dos Namorados. Ainda não éramos explorados comercialmente. Aliás, nunca vi o comércio de nossa terra explorar dia de nada, a não ser dia de santo. Nem mesmo Dia da Mães. Alguém se lembra de alguma promoção na loja de seu Zé Correntão? E da Princesa do Norte? E do Vuco-Vuco de seu Joaquim? Eu não me lembro. Nem tampouco, em seu Gabriel, Farmácia Crespo (onde passei muitas vezes para chamar Ives para ir jogar futebol), e muito menos em seu Gaudêncio e seu Expedito, com seu indefectível lenço sobre o rosto. Propaganda mesmo eu só via, indiretamente, quando João Prezideu, ligava seu alto falante, nas festas, e podíamos oferecer um Aldemar Dutra, ou Orlando Silva, para a amada de plantão ou dela para mim com grande amor e carinho e a voz estridente de Ângela Maria atacando de Garota Solitária:

Esta noite eu chorei tanto
Sozinha sem um bem!

Por amor todo mundo chora
Um amor todo mundo tem.

Eu, porém, vivo sozinha
Muito triste sem ninguém.

Será que eu sou feia?
Não é, não senhor!
Então eu sou linda?
Você é um amor!

Respondam, então, por que razão
Eu vivo só, sem ter um bem?

Você tem o destino da lua
Que a todos encanta
E não é de ninguém.

Ai, eu tenho o destino da lua,
A todos encanto
E não sou de ninguém.


No entanto, Dia dos Namorados não havia não.
Mas, se o Dia dos Namorados tem tão pouco significado para mim que sempre me esqueço, porque gastei tantas palavras num texto sobre ele? Ora, porque o Gildo me lembrou e minha esposa, minha eterna namorada, aprendeu com os filhos sobre sua existência. É a evolução social dentro do capitalismo. Quanto mais datas comemorarmos mais ele resistirá. Só um dia não aparecerá neste nosso país: o Dia do Pobre, pois, apesar deles serem muitos, seu poder de compra não se adéqua ao sistema. Eles comemoram seu dia pelo Natal, com alguns lembrando outro pobre que nasceu na Galiléia e anda tão esquecido hoje pelo ricos, estes preferem o Papai Noel.
Para não perder o tão apreciado costume devo falar da nossa Pátria de Chuteiras, que joga hoje aqui em Recife. Ingresso na mão, relógio guardado para não ficar sem ele, camisa amarela, ainda com o número de Romário no último jogo que vi da seleção brasileira em 1993, rumarei hoje para o estádio do Arruda e esperando sair de lá tão alegre quanto saí naquela época. Eu só espero que os jogadores não inventem entrarem no campo de mãos dadas como fizeram então. Além do ridículo daquele bando de homens imitando os namorados de Bom Conselho, agora estamos ganhando, e em time que está ganhando não se mexe. Deus me livre mas, se fizerem isto e perderem, vão ser sempre os Namoradinhos do Dunga. Prá frente Brasil!!!
Em tempo. Minha esposa vai comigo, será que ela aceitará o ingresso como presente do Dia dos Namorados?

Jameson Pinheiro - jamesonpinheiro@citltda.com

terça-feira, 9 de junho de 2009

PONTO FINAL




Amigos leitores deste blog, nos últimos dias tem-se debatido no nosso blog, a questão de escrever correto o português, sem sombra de duvida o correto seria que todos os brasileiros conhecessem a nossa gramática e a praticassem corretamente, infelizmente isto ficou para muitos poucos estudiosos do assunto, ou seja, aquelas pessoas que se dedicam e vivem do português, ultimamente vi um debate entre dois professores de português e houve divergência entre eles em alguns pontos da nossa gramática, cada um deles tendo um ponto de vista sobre o assunto.

A nossa língua hoje conta com quase um milhão de verbetes, e esse numero não para de aumentar, pois todos os dias novas palavras são incorporadas ao nosso vocabulário, seja elas criados por nós brasileiros, ou vindo de outro idioma.

Para os senhores terem uma idéia de quanto escrever correto o português é difícil, todo grande escritor, quando terminam um livro tem de mandar este livro para a revisão, porque por mais que ele saiba o português, vai sempre ter algumas palavras, pontuação ou concordância que não estão corretas.

A língua é o maior bem de um povo, não tem dinheiro, não tem florestas, não tem rios, não tem nada que seja comparada a nossa língua, a integridade de uma nação está na sua língua, as florestas se acabam, o dinheiro se acaba, os rios secam, mais a nossa língua ela representa a integração de um país, mesmo que neste país se falem mais de uma língua, mais os povos é reconhecido por sua língua, é ela que passa a cultura, o folclore e as tradições para as futuras gerações.

Por mais que uma pessoa seja inteligente ela tem suas limitações, um grande professor de português, é grande em português, se colocar na sua frente uma questão de física pura, ele não sabe para onde vai. Temos neste blog pessoas com um grande saber no que diz respeito a nossa gramática, mais estes mesmos companheiros se forem colocadas umas questões referentes à medicina veterinária, eles não saberiam responder, e nós não podemos exigir deles por não saberem resolver este problema, pois não é a sua área, portanto vamos baixar a bola, de querer julgar as pessoas, por alguns erros que cometem, pois quantos erros nós já cometemos em nossa vida e iremos cometer, peço aos senhores donos da gramática perfeita, que deixem que nós simples humanos, que nos aventuramos a escrever algumas coisas, estando elas com o português correto ou não. Se o nosso blog fosse feito só por aqueles que querem o português correto, seria uma chatice só, porque escrever correto não significa que se escrevam bem.

Para terminar quero dizer que faço parte daqueles que se atrevem a escrever sem que o português seja correto, porem desde quando escrevia para A GAZETA, JORNAL ECOS, INFORMATIVO DO COMERCIO, JORNAL MANDACARU, SITE BOMCONSELHOPAPACACA E AGORA NO BLOG DA CIT, escrevo com paixão, tento dar vida aos personagens, e tenho plena convicção que aqueles que lêem meus escritos gostam do que escrevo estando com o português correto ou não, e ponto final.

Próximos artigos:
Zé bebinho
Wilson carteiro
O avião

E se Deus nos der saúde, teremos muitos, e muitos artigos.
O nosso livro A TENDA DE ZÉ BIAS, contendo 84 crônicas e contos, já foi revisado e se encontra em fase de preparação para o lançamento, já estamos com o segundo livro quase pronto, faltando ainda o titulo, todos eles contando a vida e momentos interessantes da terra de papacaça.

Aqui quero de publico agradecer a você Caliel, por ter tirado uma duvida antiga sobre o ME e o MIM, já trocamos e-mails e você hoje faz parte das minhas amizades, o mesmo não posso dizer de outra pessoa que me mandou um e-mail que chocou muito a minha pessoa, mais deixa pra lá.

Alexandre Tenório Vieira( Correntão) - (tenoriovieira@uol.com.br)

SOBRE O DIA DOS NAMORADOS




Cada vez mais se cria e é instituído um dia para comemorar-se algo. Temos dia do amigo, dia da amizade, dia do trabalhador, dia da sogra e como não podia ficar de fora temos também o dia dos namorados. Esse dia, a cada ano. Faz com que o comércio invista em campanhas promocionais e pelo visto só perde em termos de faturamento para o dia das mães.
Mas qual a origem deste curioso dia que faz com que as pessoas fiquem mais dóceis, apaixonadas e cheias de amor pra dar?
Não se tem ao certo a origem desse dia, mas tudo leva a crer que a comemoração desse dia seja uma lembrança dos antigos festivais de fertilidade das religiões pagãs,chamados Lupercália, festejados na Roma antiga,em honra ao Deus Lupercus, protetor dos rebanhos e pastores, juntamente com a deusa Juno. E veja que coincidência: surgiu na cidade de Roma, que se escrevermos invertido dá AMOR, bonito, não?.
Na Grécia antiga festejava-se a deusa Selene; no Egito existiam dois festivais em homenagem à deusa Ísis; e em todos os dias estabelecidos para esses festejos as pessoas enamoradas também festejavam. No ano 494D.C., a igreja católica proíbe a realização desses festivais, e institui o dia de São Valentim, padre romano morto em 270D.C.. A partir daí esse santo passou a ser considerado o protetor dos namorados e da fertilidade – da fertilidade, não sei porque, se era padre...!!!.
Na Grécia e Roma antigas, bem como em outras civilizações, os casamentos eram arranjados pelos pais dos noivos, visando à manutenção dos bens. O amor romântico e consciente só começou a se manifestar no início do Renascimento, quando as pessoas começaram a pontuar o significado maior de uma vida a dois. Uma das primeiras expressões de histórias românticas que contrariaram o desejo dos pais foi a de Romeu e Julieta.
Outra história verídica foi o amor de Abelardo e Heloisa. Conta à história que Pierre Abelard, nascido em 1079, filósofo e teólogo, ensinava na Catedral Escola de Santa Genoveva, quando conheceu Heloise, sobrinha do bispo Fulbert. Pois bem Abelard e Heloise vivenciaram um grande amor e tiveram um filho. Abelard foi castrado, tornando-se monge e Heloise foi enclausurada em um mosteiro. Mantiveram correspondência por muitos anos e suas cartas de amor foram consideradas umas das grandes obras da literatura universal.
No Brasil, o dia dos namorados surgiu, conta-se, com uma campanha publicitária de João Dória, da agência Standard Propaganda para a antiga Loja Clipper, a fim de melhorar as vendas de Junho que estavam fracas, criando o slogan: “Não é só com beijos que se prova o amor” A moda pegou!.
Desde então o dia dos namorados ficou sendo comemorado no dia 12 de Junho, véspera do dia de Santo Antonio, tradicional santo casamenteiro.
Pra este dia e todos os outros dias aqui vai uma reflexão que achei interessante:


A Constante Aventura do Amor


Essa é a alegria do amor: a exploração da consciência. Se você se relaciona, e não reduz isso a um relacionamento, então, o outro tornar-se-á um espelho para você. Descobrindo o outro, você estará descobrindo a si mesmo também. Aprofundando-se no outro, conhecendo seus sentimentos, seus pensamentos, seus mais profundos movimentos, você estará conhecendo suas mais profundas agitações também.
...Relacionem-se... Prossigam procurando um ao outro, encontrando novas maneiras de amar um ao outro, encontrando novas maneiras de estar um com o outro. E cada pessoa é um mistério tão infinito, tão inexaurível, insondável, que jamais será possível que você possa dizer, "eu a conheci”, ou , “eu o conheci”. No máximo você pode dizer, “eu tentei o melhor que pude, mas o mistério permanece um mistério”.
Na verdade, quanto mais você conhece, mais o outro se torna misterioso. Desse modo, o amor é uma aventura constante
”.
Osho: The Book of Wisdom


Vamos pensar nisso. Feliz Dia dos Namorados para todos!!

Gildo Póvoas
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(*) Fotos da Internet.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Resposta a um Comentário



Estou em Garanhuns lendo meus imeios. Em Caetés, onde nasci e agora resido, provisoriamente, tenho uma conexão discada, que é tão lenta que só consigo baixar fotos se for 3 x 4. Um imeio do Diretor Presidente da CIT informa: “citei um seu artigo na divulgação de outro do seu colega José Fernandes, e só neste dia o nosso Blog teve mais de 100 acessos. Óbvio, que as honras tem que ser divididas entre os dois, mas principalmente ao povo de Bom Conselho que já está culturalmente maduro para ler reflexões sobre a nossa língua portuguesa. Parabéns.” Eu li, fui então ao nosso recém criado Mural. Constatei que o Mural está dando certo, assim como o Blog. Bom Conselho merece. Estou pensando num para Caetés.
Entretanto, a vaidade me pegou quando vi um comentário dirigido a mim, escrito por um conterrâneo de quem eu acabei de ler um artigo sobre o Amor. Como diz a Ana Luna: Amei. O que vem a seguir é uma resposta (e para ela não me matar, cito Lucinha) "feita nas coxas", isto é, na lan rause.
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Caro Gildo,

Difícil deixar sem resposta um comentário de alguém que cita Clarice Lispector e que escreve tão bem sobre o Amor. Na verdade o meu artigo não é muito recente, é de 29/12/2008. O Diretor Presidente lembrou dele porque minha contratação tem muito a ver com meu colega José Fernandes Costa. Ele dizia que errávamos muito no emprego da língua portuguesa, o que era e continua sendo verdade, e a CIT resolveu contratar um revisor, eu. A coincidência de meu nome ser parecido em sonoridade, ao ponto dele achar que era um apelido, quando não era, não nos leva a pensar igualmente sobre questões da nossa língua portuguesa. Por isso, não tenho muito a acrescentar aos meus artigos a partir do que o José Fernandes escreveu agora. O Reforma Ortográfica(2) é uma repetição com ênfase, do primeiro. Ele continua sendo um proeta, que como já expliquei, é alguém que é bom de prosa e de poesia. O fato de eu preferir suas poesias não invalida suas prosas. Continuo achando boa a reforma ortográfica e os motivos já estão nos meus artigos (http://www.citltda.com/2009/02/acordo-ortografico-1-complemento.html). Reescrevê-los com ênfase, não vou.
Quanto a questão de escrever certo ou errado apenas cito um trecho de um dos artigos para mostrar resumidamente meu modo de trabalhar como revisor. Dizem que é por isto que estou em Caetés, sem fazer nada e indo às lan rauses de Garanhuns pra pegar meus imeios. Mesmo assim estou feliz porque parece que influenciei pelo menos um “pouquinho” o modo de pensar dos maus (alguns péssimos) escritores da CIT, que fazem parte do seu Conselho Editorial. Eis o trecho:

Portanto, nossa filosofia de trabalho resume-se em deixar as pessoas se expressarem com o potencial que têm. Ajudemos àquelas que querem usar o português de uma forma mais tradicional. Mas, não ajamos feito cães raivosos contra aqueles que cometem erros gramaticais, prosódicos, fonéticos, ortoépicos e outros triviais, e, no entanto, se comunicam bem, e mantém nossa língua viva. Ao invés de nos preocuparmos em pesquisar se o indivíduo é doutor ou não, mestre ou não, analfabeto ou não, para corrigi-lo, antes disto, tentemos entender o que ele diz. Se entendermos não o sacrifiquemos com cultura inútil.” (http://www.citltda.com/2008/12/vamos-aprender-brasileiro.html)

Abaixo reproduzo um poema de Manuel Bandeira, no qual fiz deliberadamente algumas modificações. Para mim, o poema continuou lindo, entendi e senti seu resultado.


“Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada


Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que eu nunca tive


E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra mim contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha mim contar
Vou-me embora pra Pasárgada


Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar


E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite mim der
Vontade de mim matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada”


Se a CIT me pedisse para fazer revisão eu não mudaria nada. Sei lá, se ao usar meus conhecimentos gramaticais eu iria desestimular o Manuel Bandeira. Deus me livre. Poderíamos perder poemas como este:


“Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.


Mandou chamar o médico:
— Diga trinta e três.
— Trinta e três . . . trinta e três . . . trinta e três . . .
— Respire.

...............................................................................................................

— O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
— Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
— Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.”


Já que não posso ir embora pra Pasárgada, pois lá não sou amigo do rei, vou embora pra Caetés pois lá sou conterrâneo de um Presidente que quer se tornar rei, então terei o emprego que quero no órgão que escolherei e lá, o colega José Fernandes esperarei, em nossa futura Academia Caeteense de Letras.
Neste ponto termina a resposta ao Gildo, com meus sinceros agradecimentos por ler-me.
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Aproveito a ocasião de internete rápida para falar de minha colega, professora de português, Maria Caliel, a quem peço vênia. Grande e sensível escritora a quem já acompanhava no saite de Bom Conselho. Entendi perfeitamente seu comentário sobre o modo de escrever do Alexandre Tenório mas, me perdoe, foi feito no lugar errado. No entanto, a culpa não é toda sua. A CIT deveria publicar os imeios de todos os participantes do Mural, podendo serem eles usados para conversas privadas. Sei que o Diretor Presidente, vai dizer que é complicado, dar trabalho, etc. mas, é um pouco de preguiça mesmo. Para mim este é um caso onde todos choram e todos tem razão. Que Deus no livre de vocês terem suas vidas de bons escritores alteradas por este mal entendido gerado por uma empresa relapsa, ao não publicar os imeios, como devia. Penso, com o imeio do Alexandre tudo se esclarecerá, se já não tiver se esclarecido.


José Andando de Costas

sábado, 6 de junho de 2009

Acordo ortográfico (2)

"Ser cronista é viver em voz alta."
Manoel Bandeira, poeta.




O eminente jornalista Juracy Andrade chamou essa reforminha de reforma cacográfica. Eu prefiro chamá-la de reforma comercial, por envolver questões econômico-financeiras. Por ser mais acordão do que reforma. Acordinho ou acordão, ele é cheio de exceções e pendências. Tem de tudo pra desunir. E nada para unir. Pode-se dizer: vai do nada a lugar nenhum.

Dizem os sábios brasileiros que o produziram, que o novo Volp (Vocabulário ortográfico da língua portuguesa) vai tirar todas as dúvidas. O novo Volp saiu, mas as dúvidas vão continuar do mesmo jeitinho. Porque poucos têm acesso ao Volp. E os que a ele têm acesso, vão continuar com as mesmas dúvidas, que são muitas. Tantas quantas eram antes da minirreforma. E um desses sábios, o professor Evanildo Bechara, já disse que é provável haver necessidade de nova edição do Volp no fim de 2012. Assim sendo, nesses quatro anos, haverá a reforma da reforma.

Se saiu uma edição agora para tentar esclarecer o que está muito turvo nesse acordo comercial, e tem de fazer outra tiragem ao término do tempo em que o infeliz acordo está sendo testado, então será a reforma do acordo político e financeiro. Pergunta-se: ao fim dos quatro anos o acordinho já não deveria passar a valer de vera? Se vai fazer-se revisão nisso tudo, implica reeditar todo o acervo das bibliotecas escolares: dicionários, manuais, gramáticas etc. Também nós, consumidores outros, seremos chamados a comprar. Porque temos de estar atualizados. E haja ganho para os editores e demais comerciantes livreiros.

No dia 25.2.2009, assisti a uma entrevista da profª Rosa Maria da Silva Pinto, na Rádio CBN, em defesa dessa reforma. Segundo o radialista Aldo Vilela, Rosa Maria é professora de Lingüística, na Fafire. Mas ela foi muito simplista na sua análise e pecou pelo otimismo intempestivo, afora alguns tropeços.

Rosa demonstrou pouco conhecimento da matéria, o que é estranho. E se é professora de Lingüística, em cursos de graduação, motiva mais estranheza. Porque são os lingüistas quem mais condenam os gramáticos. E esse acordinho foi feito pelos gramáticos.

Eis algumas das contradições da professora Rosa: disse que minissaia não precisa mais de hífen e terá o S dobrado. Ora, minissaia, minissérie, minifralda, miniinstituição, miniespaço etc., nunca precisaram de hífen. Agora, pelo acordo que aí está, esses comparativos mini- e maxi- vão ter hífen, nas palavras iniciadas pela vogal i: mini-instituição, maxi-inflação por exemplo. Antes era miniinstituição e maxiinflação, assim como antiibérico, antiinflacionário, antiinflamatório, que a partir de agora vão ganhar direito ao hífen: anti-ibérico, anti-inflacionário, anti-inflamatório. Aí a prova de que esse acordo veio só pra confundir o que já era confuso (pra falar só do emprego do hífen!)

Se Rosa houvesse usado os antepositivos ANTE- ou ANTI-, como exemplo, poderia ter sido menos incoerente.

E mais disse Rosa Maria: que o trema quase já não era usado! Esse bordão vem sendo repetido pelos defensores da minirreforma. Mas eu desconheço essa prática alegada, quer na imprensa, quer na literatura em geral. Em livros, jornais, relatórios, teses, revistas, dissertações e em outros documentos da espécie, nunca vi o trema ser omitido quando necessário. Se alguém não o usasse, seria por ignorância e desconhecimento. Notem, por outro lado (aqui peço licença ao finado Carlos Lacerda!), que outra professora, referida abaixo, disse que não havia regras para o emprego do hífen.

Aos fatos: há cerca de três semanas, ouvi parte de uma entrevista com uma professora do Departamento de Letras da UFPE. Não houve tempo pra saber o nome dela. Mas ela falou bobagem também. Disse que antes não havia regras para o uso do hífen. E que agora há. Que história é essa de que não havia regras para o emprego do hífen? As pessoas é que não sabiam usar o hífen. E vão continuar sem saber. Porque, com esse acordo, a hifenização tornou-se infernização. Embaralhou tudo. O que era deixou de ser. O que não era passou a ser. Trocaram seis por meia dúzia e mais alguns complicadores.

Ante tamanha complicação, está explicado por que Rosa Maria saiu-se mal com o exemplo da minissaia. Aqui, lembro-me da canção popular, cantada por Elba Ramalho. A minissaia de Rosa é como a minissaia de Bastiana: "Tua saia Bastiana, termina muito cedo / tua blusa Bastiana, começa muito tarde." O que não deixa de ser alvissareiro. Pois "facilita, pra correr na capoeira / e facilita, pra dançar na gafieira / e facilita, pra mandar pra lavadeira / pra passar no ribeirão / e pra subir no caminhão. - Assim é a minissaia de Rosa Maria.

E é o Volp quem vai resolver tudo? Como? Já falei da grande maioria do povo que nunca ouviu falar no Volp. Muitos e muitos dos que escrevem, também não conhecem o Volp, ou mesmo, dele nunca ouviram falar. Pra começo de conversa, ele custa em torno de R$120,00. E quantos professores, com esses abundantes salários vão querer desembolsar essa quantia para adquiri-lo? E os outros livros mais necessários?

Sugiro que Rosa Maria, juntamente com a professora da UFPE, façam uma enquete no meio acadêmico. Incluam professores e alunos de graduação em Letras, Pedagogia e outros cursos afins. E constatem quantos dos pesquisados conhecem o Volp e quem o tem em casa! E quantos se dispõem a comprá-lo.

Esse bla-bla-blá de unificação é história fiada. Sabemos que o castellano, que é o idioma oficial da Espanha, passou por uma única reforma durante toda a sua existência. Não obstante, dentro da Espanha haver mais três idiomas co-oficiais: o gallego, falado na Região da Galicia. O catalán, empregado em toda a Cataluña, cuja capital é Barcelona, segunda mais importante cidade da Espanha. O catalán também é falado nas Ilhas Baleares. E por fim, o bascuense ou euskera, falado na Região basca, incluindo Navarra.

Nem por isso um livro editado em Barcelona, na Galícia ou em Valladolid deixa de ser lido em Madrid, Lisboa ou São Paulo. Além da Espanha, fala-se espanhol em toda a América do Sul, com exceção do Brasil. Ainda, na América Central, Caribe e no México (América do Norte.)

Mas nós somos campeões em reformas gramaticais. Lembram-se de quando escrevíamos amàvelmente, com esse acento grave, só porque o adjetivo amável tem acento? O acento grave era só pra lembrar que amável tem acento agudo. Não é engraçada essa brincadeira dos gramáticos. Depois fizeram uma reforma para tirar o acento de amàvelmente, amigàvelmente e outras quinquilharias.

Livros de autores de língua espanhola, traduzidos ou não, são lidos no Brasil, em Portugal e em outros países de diferentes idiomas. Sejam de autores latino-americanos, como Gabriel García Márquez, sejam de espanhóis, como Federico García Lorca, Miguel de Cervantes, ou do argentino Jorge Luís Borges e muitos outros.

Na minúscula Bélgica, o idioma oficial é o francês. Mas, no Norte da Bélgica o idioma é neerlandês, com as variações do flamengo. E, na Universidade de Louvain, quase todos, se não todos os cursos de mestrado e doutorado são ministrados em inglês. Conquanto exista na Bélgica, correntes separatistas, para preservar suas culturas.

No Canadá, o inglês e o francês são línguas oficiais admitidas em todas as esferas de governo, a partir de 1969. Ambas são usadas no parlamento livremente. Esse processo tornou o Canadá, nação bilíngüe e multicultural. As províncias canadenses são livres para escolher seu idioma.

Se tantos países mundo afora, convivem com mais de um idioma em seus pequenos territórios, por que essa ilusão de que se vai unificar a escrita em oito países de língua portuguesa? Só o Brasil tem 8.500.000Km2, com diferentes falas e sotaques! E os demais países? Ainda mais quando se trata de briga de esconde-esconde: Portugal quer uma coisa, Brasil quer outra. E os países africanos que falam o português, ficam no meio do tiroteio. É muita pretensão!

Vale ressaltar que na América latina e Caribe, existem algumas variações no falar, com relação ao castellano da Espanha. Mas são mínimas. Em Madrid se diz: Me voy a coger un táxi. Em Buenos Ayres, coger un táxi é chulo. Vira galhofa para o estrangeiro que o disser. Em Buenos Aires, se toma un táxi, un autobus, un microbus etc. Coger, na Argentina, equivale ao nosso chulo comer. Para os argentinos, é difícil comer um ônibus. Pra nós, também.

Rosa Maria disse, também, que só algumas palavras vão manter o hífen. Então, segue esta amostra, para que se julgue se são algumas: má-fé, boa-fé, bom-dia, boa-tarde, boa-noite, xeque-mate, tira-teima, bate-boca, amor-perfeito, beija-flor, decreto-lei, médico-cirurgião, guarda-noturno, alto-falante, segunda-feira, sexta-feira, finca-pé, conta-gotas, sul-coreano, norte-riograndense, pão-duro, marrom-glacê, econômico-financeiro, verde-oliva, azul-marinho, ex-reitor; vice-diretor, ibero-americano, ex-detento, médico-hospitalar, anglo-americano, austro-húngaro, pró-juventude, luso-brasileiro, euro-asiático, sino-japonês, bla-bla-blá, diretor-presidente, toque-toque, tique-taque, lenga-lenga, bem-vindo, pré-nupcial, pré-menstrual, pró-reitor, pós-operatório, tenente-coronel, recém-chegado, recém-nascido, sem-vergonha, sem-terra, latino-americano, milho-verde, batata-doce etc. etc. É uma amostra bem pequenina. E vêm alguns outros, logo adiante.

Aqui, uma perguntinha para os meus quatro ou cinco leitores: por que paraquedas perdeu o hífen, e para-choque, para-raios, para-lamas o mantiveram? Estes, só perderam o direito ao acento diferencial. Nesse tópico, o texto do acordo é por demais confuso e fala em perder a noção de composição. - Quem foi que perdeu a noção de composição? Fui eu, foi o pára-quedas ou foram os velhinhos da ABL. Pois esses sábios da ABL também enrolaram e nada responderam. Falaram em subjetividade e outras loas. E nisso ficou. E o que é que é subjetivo nessa história? Porque, se pára-quedas é subjetivo, pára-lama também o é. (Ainda tenho quase quatro anos para acentuar pára-quedas.)

Esse acordo é cria dos acadêmicos da ABL e dos seus assemelhados de Portugal. No texto do acordo, afirma-se que o prefixo co não se liga por hífen a palavra nenhuma. Nem mesmo às palavras iniciadas pela vogal o e h (uma das regras do acordo). Exemplo: cooficial, coerdeiro. Mas a página da ABL na internet, passados cinco meses do início da vigência dessa reforma atrapalhada, ainda está desatualizada. Lá está escrito: Co-edições ABL. E há este outro emprego esdrúxulo: 17h30min (!) Para que esse min? Daqui a pouco estão escrevendo horas com os intragáveis dois pontinhos: hora de videocassete, dos gringos. - O bom exemplo deve partir de casa. Mas, casa de ferreiro, espeto de pau.

Outro acadêmico da ABL, o senhor Arnaldo Niskier, diz, em artigo, que "o acordo simplifica". Simplifica o quê? Não disse. E critica o escritor português, Vasco Graça Moura, que é inteiramente contra o acordo. Niskier fala com desdém, quando se refere ao pensamento de Graça Moura, por este se mostrar preocupado com o destino dos professores. E por dizer, entre outras coisas, "que o gasto com livros e manuais escolares, pode provocar uma crise negra, que deitaria ao lixo muitos milhões de euros."

Por que desdenhar, se isso é pura verdade? O fato é que o mestre Niskier, em seu artigo, prefere falar nos sucessos do mercado editorial e nos lucros de empresas livreiras. Assim, Niskier está confirmando a minha tese de que o acordo é tipicamente comercial. Se fosse para simplificar, teria abolido o hífen, como fez com o trema. Ao contrário, fez o samba do hífen doido, para endoidar os pobres mortais.

A ilustríssima professora de língua portuguesa, Dad Squarisi, costuma dizer que o hífen é castigo de Deus. E que se perguntarmos ao Criador, sobre as manhas do hífen, talvez nem ele saiba responder. E o professor Napoleão Mendes de Almeida sustenta que há abuso no excessivo emprego desse minúsculo traço: o hífen.

Outra: pé de moleque, expressão ligada por preposição, não tem hífen. Mas cana-de-açúcar, porco-da-índia, canário-da-terra, ipê-do-cerrado, João-de-barro, e tantos outros termos ligados por preposições e conjunções mantêm o hífen. Isso está nas exceções. O Volp é só vocabulário ortográfico. E não vai explicar toda essa salada à base de óleo de rícino, que descambou nesse acordo. Portanto, não é o Volp que vai resolver. Temos de queimar as pestanas nos novos manuais e nas novas gramáticas.

E como saber quem é e quem não é? Aí é que a vaca tosse e a porca torce o rabo. Vai ao Volp, você também. Toda vez que for escrever uma palavra que crie dúvida, procure o Volp. Vai fazer um concurso, seja lá qual for, leve o Volp debaixo do braço. Porque, para todos os casos, há uma regra. Não é só encher uma bisaca de hífen, e sair distribuindo adoidadamente, não. É regra demais e TPM demais pra esse povão todo.//.

José Fernandes Costa - Recife - jfc1937@yahoo.com.br