quarta-feira, 17 de junho de 2009

A GAZETA - 2



Terminei de ler a Gazeta 242. Portanto, estou há mais de dois meses atrasado com as notícias. Já é quase história de Bom Conselho. Pensei, pensei e perguntei: por que não me colocar na posição de historiador e ver esta edição como uma fonte de nossa História? Todos estão cansados de saber o que significa a História. Não seria exagero dizer que ela é aquilo que os historiadores fazem. Muitos ainda acreditam que ao dizermos: isto é História, estamos nos referindo a algo que passou e é imutável, pois o passado não pode ser mudado. Num tom bíblico mas sem querer ser profeta, em verdade, em verdade vos digo, o passado histórico é o que muda com mais presteza, atualmente. O ano de 1964, de início de uma revolução redentora em prol das liberdades democráticas, passou a ser o do início de uma ditadura militar que acabou com estas liberdades, por mais de vinte anos. Simonal passou de dedo duro a patriota no mesmo período. Galileu foi banido da Igreja por dizer que a terra girava em torno do sol e se movia para depois ser recuperado. O passado mudou. Será que no futuro o passado mudará de novo? Estes são só exemplos dos muitos que poderia citar.
Hoje serei um historiador implacável de Bom Conselho ao ler A Gazeta. Primeiro pergunto: Será a manchete de capa um fato histórico?: Zé Arnaldo fortalece a administração. Para mim, sim. É fato digno de contar, como história de nossa cidade, aos futuros estudantes e curiosos. Principalmente, para quem conheceu Arnaldo Amaral, pai de Zé Arnaldo, e acompanhou sua luta de homem público pela nossa cidade. Por algumas vezes tentou ser prefeito, não teve sucesso na empreitada, mais deixou a verve da política no seu filho. Sou um contemporâneo do Zé Arnaldo, penso que até da mesma idade, não fomos amigos íntimos mas nunca fomos inimigos, talvez, certas vezes discordantes silenciosos nas ideias. E posso dizer, se há um político em estado puro em nossa terra, este é ele. Por favor, sem interpretações maldosas, ele tem o faro do político, vive isto o tempo todo, respira e transpira política, e tem demonstrado isto pelos postos e cargos onde passou como tal. O momento brasileiro é que é ruim para os políticos por vocação. Depois de um período de trevas pelo qual passamos para os bons profissionais da política, esta profissão é pior do que a de gari, pois o lixo com que o gari lida ainda pode ser reciclado, e o lixo com que o político lida nem para isto serve. Este lixo cresceu tanto ultimamente, que a profissão virou exemplo de mau cheiro, coisa ruim, que se deve queimar para não contaminar outras “nobres” profissões. Este é um erro crasso. Sem bons políticos estaremos fritos, o que é uma rima, e cuja solução é acreditar que pela sua vocação política e formação moral ninguém tenha que mudar o passado outra vez no futuro, através de outra manchete da A Gazeta: Zé Arnaldo enfraquece a administração. Sucesso Zé.
Ainda fazendo História, mudando o passado, a Perdigão não mais patrocina A Gazeta nem o Corínthians. Quem faz isto agora é a BR – Brasil Foods. Olho neles.
Não podia deixar de mencionar a chamada de capa que diz ser o Mestre Laurindo Seabra agora uma escola de atores. Este é um fato histórico. A professora Sivaneide Alves de Lima já pertence à história de nossa cidade. Espero até que, outros historiadores, garimpando dados em outras escolas, encontrem outras professoras que repitam com ela, ao se referir a peça de teatro encenada por 39 estudantes daquele estabelecimento de ensino, mostrando a Morte e Ressurreição de Cristo: “Esta peça surge através da necessidade apresentada na realidade social..., na busca de uma vida melhor. Nosso objetivo é auxiliar na formação do cidadão, de maneira que as crianças vejam, na história de Cristo, o amor....” . Espero que o passado não mude com A Gazeta publicando: Este ano não teremos Morte e Ressurreição de Cristo no Mestre Laurindo, faltou verba.
Outra questão que envolve a História do município é o artigo de Francisco Alexandre (Piúta), sobre a passagem de Rainha Izabel a cidade. Foi pungente a defesa da unidade municipal feita pelo conterrâneo, e, ainda mais por ser filho de Rainha Izabel. Pelo que sei, a tentativa daquele distrito passar a município vem de longe. Somente de passagem, penso ser esta localidade maior do que Terezinha, que sumiu do nosso mapa (de Bom Conselho) faz tempo. O fato histórico relevante seria haver um plebiscito com o povo do distrito votando, depois de uma campanha de prós e contras de todos de Bom Conselho (não sei se já houve). Se aqueles de Rainha Izabel que defendem a emancipação ganharem, mesmo o Francisco Alexandre votando contra, Jacilda deve ir em frente, porque as razões para não dividir Bom Conselho citadas no artigo fariam tremer o Conselheiro Acácio: “...(o desmembramento), cujo resultado seria a diminuição de nosso tamanho geográfico, econômico, populacional e político, tornando-a menor em todos os aspectos.” O Conselheiro talvez não incluísse econômico e político, porque, na realidade, ambos poderiam se tornar mais fortes nestes aspectos com a cisão. Afinal de contas, o que o povo come nem sempre é aquilo que ele produz e vice-versa, e tamanho não é documento, também no campo político. Vamos ver se o passado não muda quando o Luiz Clério, ao invés de dar a notícia da possível candidatura do Francisco Alexandre a Deputado Federal ou a Governador de Alagoas, noticiar sua posse como prefeito de Rainha Izabel.
Até eu apareço nesta edição, e o histórico dentro das mal traçadas linhas é o Zé de Puluca, a quem os historiadores devem fazer justiça no futuro. Quanto a minha aparição, o passado deve mudar e muito, só não sei quando.
Há outro fato histórico a comentar. A participação de José Tenório de Medeiros na A Gazeta. Penso que jamais mudaremos o passado ao dizer que ele é um dos melhores de nossos escritores e isto vai muito além deste número para trás no tempo. Suas crônicas dariam um excelente livro e honraria a intelectualidade de Bom Conselho. Lucinha o colocou na Academia de onde ele jamais sairá.
Neste número, a página social é só história. História Antiga, História Moderna e História Contemporânea. Seria uma gafe histórica fazer qualquer tentativa de classificação aqui. Quase todos que nela aparecem entrariam para minha história da cidade. As mulheres, que cheguei a conhecer pessoalmente, ou pelo menos de vista, começando de cima da página: Alípia, Vera Lúcia, Juracy Torres, Salete, Joanita, Marluse, Peralúcia, e Ismênia, tenho certeza, o passado não voltará para dizer que elas eram feias, todas são uns amores, nem para tirar o reinado de Marluse como Miss Bom Conselho. Se, fazer história fosse só falar de mulheres, eu já teria deixado a CIT para me dedicar à profissão de historiador. No entando, a edição não acabou, ainda temos os homens como Emanoel Luna, Daniel, Géo, Valfrido, que antes de dizer que o passado não mudará para mostrá-los bonitos, entrego a análise às historiadoras.
Podem até haver outros fatos históricos nesta edição mas, não os descobri. Que outros o façam. Termino com o Jameson apontando na porta da minha sala e dizendo ofegante, e, num misto de alegria e ansiedade, disse:

- O Zé Carlos telefonou para dar duas notícias. Uma boa e uma ruim. A boa é que A Gazeta 243 já chegou à casa dele, com só um mês de atraso, e ele está terminando de ler para nos mandar.
- Meus Deus e a ruim? Não me diga que a outra edição vai atrasar mais ainda!
- Pior. O Luis Clério avisa que pela mudança de mensal para quizenal o valor da assinatura vai dobrar, passa de R$ 50,00 para R$ 100,00 para assinantes de fora e de R$ 50,00 para quem mora em Bom Conselho. O Zé Carlos está pensando seriamente em mudar para Bom Conselho. E nós da CIT, vamos juntos?
- Vocês eu não sei, mas eu estarei lá no FORRÓBOM. Quem sabe?

História é assim mesmo, o passado existe para ser mudado. Viva a História!

Diretor Presidentediretorpresidente@citltda.com
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(*) - Fotos do site de Bom Conselho e da Internet.

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