quarta-feira, 3 de junho de 2009

JOÃO DE GÉ



Quem nas décadas de 70 e 80 não conheceu João de Gé em nossa cidade? Digo sem medo de errar que praticamente toda a população o conheceu.
João era daquelas pessoas que se vivesse em qualquer cidade seria conhecido da mesma maneira como era em Bom Conselho, primeiro pelo o seu aspecto físico, um homem com uma boa estatura, gordo, uma cara grande, com lábios leporinos, defeito este que fazia com que sua fala fosse anasalada, uma característica engraçada em João de Gé é que ele era marchante e tinha como especialidade à venda de carne de porco, e por ele ser muito gordo (acho que o homem mais gordo que nossa cidade teve) ter a cara redonda e gorda e ter os lábios leporinos tinha as feições de porco.
João de Gé era um grande folião, talvez um dos maiores foliões que nossa cidade já teve, além de ser casa cheia e farta, não media despesa, as portas sempre abertas para todos os blocos e foliões que fossem a sua casa, sua esposa não deixava por menos, era animada do mesmo jeito, eram pessoas excelentes no trato diário e no trato carnavalesco.
Foi ai que se resolveu ter naquele carnaval um rei momo, a diretoria do clube dos 30 se reuniu é por unanimidade foi escolhido João de Gé como o rei momo, foram a casa dele convida-lo e ele euforicamente aceitou o convite, foi formada a comissão para organizar os apetrechos do rei momo, a comissão era formada por Zé Soares (delegado da cidade), Luiz Roldão, o próprio rei momo e este que vós escreve (representando o comercio), em toda casa comercial que chegávamos éramos muito bem recebidos, a nossa visita era uma alegria só, conseguimos arrecadar um bom dinheiro que foi utilizado na confecção da roupa do rei, rainha e do pajem que era Zé Soares, a roupa de Zé soares era um smoking com uma calda que chegava quase nos pés, uma cartola com a parte principal bem grande e todo uniforme era preto, ele ficou parecido com o boneco do homem da meia noite, pense na presepada que ficou a caravana do rei momo, pois por se só João de Gé já era uma figura ainda por cima com Zé Soares com aquele traje, a única coisa que melhorava o aspecto era o da rainha do carnaval (que confesso não mim lembro quem era), talvez foi a primeira vez na historia dos carnavais em que a rainha era mera coadjuvante, pois os personagens principais eram João de Gé e Zé Soares.
Como rei momo e principal personagem do carnaval daquele ano, a casa de João de Gé foi uma festa, começava-se o carnaval logo cedo lá e terminava-se o carnaval altas horas da noite lá, e ele com sua esposa muitos felizes, pense num carnaval extraordinário foi naquele ano.
Sempre mantive uma boa amizade com ele, e um fato que aconteceu entre mim e ele, que ficou marcado para o resto de minha vida. Um dia de domingo na parte da tarde dá um daquele pé d’agua repentino que em poucos minutos cai uma boa quantidade de água e que forma uma enxurrada no meio fio do calçamento, e que com pouco tempo para e o sol reassume seu posto, pois bem neste domingo aconteceu exatamente isto que lhes conto, logo ao termino da trovoada, eu troco de roupa para ir para a casa da namorada, e saio todo arrumadinho, é quando na altura da casa de dr José Barbosa na rua Manuel Borba, lá vem uma caminhonete eu conheci que era João de Gé, só que ainda corria no meio fio uma grande quantidade de água, João de Gé olha para mim e eu olho para ele suplicando para que ele desviasse o carro para o outro lado da rua, pois se ele não fizesse isto ele iria mim dar um banho daqueles, pois o safado colocou o carro bem no meio do aguaceiro, e mim deu um belo banho eu tive de voltar para casa tomar um novo banho e trocar de roupa, tempos depois eu mim encontro com ele na venda de Julinho que ficava na rua da cadeia, ele estava lá comendo uma rabada de porco, ai eu fui logo no assunto, e perguntei a ele porque ele tinha feito aquilo comigo, e ele com a sua voz analasada disse, doutor, não ta vendo que eu não ia perder uma oportunidade daquela de lhe dar um banho, pois quanto banho você não já mim deu nos carnavais, dito isto não tive mais argumento e fui comer com ele a rabada de porco e tomar cerveja.

Alexandre Tenório Vieira

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