sexta-feira, 19 de junho de 2009

Manuel Miranda - Um Complemento



MANO É MIRANDA:

A transfiguração de Manoel Miranda nos deixa tristes pelo que ele construiu de humano por onde passou. Constuir o HUMANO em sua forma transcendental não é qualquer um que se habilita - ele fez isto com maestria. Fui seu aluno e confesso que aprendi muito com as suas práticas. Digo práticas, porque a praxis da sociedade de consumo é dual: teoria distante da prática. É como se quisessemos entender o corpo sem a alma, pois certamente faltaria a intersecção do processo. Mas Manoel Miranda se foi. Soube disto através do texto de Lucinha e reconstituo este tear de letras, no afã de testemunhar que ele, o amigo, o professor, teve grande influencia na minha permanencia aqui no Recife. Ele me ajudou, literalmente, a encontrar um lugar pra morar quando vim pra cá sem nada no "matulão", exceto a cara e a coragem.

No ultima vez que o vi, estava com uma bengala se escorando pela calçada da rua Imperador. Não pude lhe cumprimentar pois passara de carro, mas mentalmente lhe saudei e saí pensando nas coisas que a vida ensina e o teatro encena. Mas sua cara de felicidade não estava diferente, como que a compreender com sabedoria todos os liames da vida e suas naturais acontecências.

Mando este recado pra ele, como alternativa de agradecimento póstumo, posto que o fiz pessoalmente em gestos. Ele foi meu professor de Sociologia no colégio São Geraldo. Não imaginava ele que no futuro um daqueles alunos seria Sociólogo influenciado pelas suas aulas e questionamentos libertadores. Pois é, Mané! A gente fica com saudades de você, mas sabe que pela tua fé em Deus, certamente estás com ELE.

Obrigado amigo, obrigado irmão.

Carlos Sena - csena51@hotmail.com

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