sexta-feira, 19 de junho de 2009

Manuel Miranda



Estou de férias, mas continuo viva e procurando saber das coisas que acontecem em nossa terra ou com pessoas de lá, pelo menos com aqueles de quem vale a pena lembrar. Soube da morte de Manuel Miranda e por este homem e sua morte vale a pena deixar as típicas atividades das férias e escrever, sobre ele, algumas palavras simples e sinceras.
Conheci Manuel Miranda. Em Bom Conselho, quem não o conheceu. A maior vocação de padre católico que encontrei. Casou, mas continuou sendo padre. Diferente de Zé Basílio que sempre foi padre e nunca casou. Na minha mocidade, e católica, conversei com ele algumas vezes. Era uma doce criatura, até vislumbrar qualquer tentativa de quebrarem a sua fé, e ofenderem o que ele achava ser a moral e os bons costumes, levando ao pecado.
Durante o debate e discussões com O Andarilho, certa feita, suspeitei que este fosse o Manuel Miranda. Talvez como católicos tivessem os mesmos princípios e conceitos a respeito de Deus e dos homens. Hoje está provado que não era, pois O Andarilho, mesmo depois de sua enfermidade, continuou comandando sua coluna, e celebrando suas missas.
Encontrei com ele algumas vezes em Recife. Lembro uma vez, no supermercado. Olá, como vai pecadora! Assim me chamava desde mocinha por conversar na igreja e ele dizer, aqui é casa de oração e não de conversa. Isto é pecado. Falou-me de coisas e de pessoas de Bom Conselho, mostrando seu vivo interesse por nossa terra. Eu não podia considerá-lo um amigo íntimo, era apenas um conhecido. No entanto, falou horrores de certas pessoas da cidade, como se estivesse falando com uma amiga de longa data. Esta era a forma dele ser, quando se tratava de seus valores morais e religiosos.
Não sei que posição ele tomaria no debate que travamos sobre o Bispo e o Médico, do qual eu fui uma vítima da censura. Penso que torceria e elogiaria o Bispo. E se tivesse entrado no debate, seria um peso pesado, pela sua cultura, inteligência e rigidez nos seus valores religiosos. Eu que fui contra o Bispo, ou melhor, contra suas opiniões, e até posso compreender o Bispo do Paraguai, só posso dizer que Manézinho hoje estará no céu, sentado à mão direita de Deus Pai, todo poderoso, criador do céu e da terra, mas não do Código Canônico.
Sempre é triste ver alguém que conhecemos morrer. Mas o que seria a vida sem a morte? Nem haveria vida e nem haveria morte. E isto é o que significa a vida eterna que Deus nos prometeu quando disse através do evangelho de São João: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” Esteja em paz Manézinho e não espere por mim, pois não sei se “a pecadora”, que ainda sou, merece ir para onde você está.

Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

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