segunda-feira, 8 de junho de 2009

Resposta a um Comentário



Estou em Garanhuns lendo meus imeios. Em Caetés, onde nasci e agora resido, provisoriamente, tenho uma conexão discada, que é tão lenta que só consigo baixar fotos se for 3 x 4. Um imeio do Diretor Presidente da CIT informa: “citei um seu artigo na divulgação de outro do seu colega José Fernandes, e só neste dia o nosso Blog teve mais de 100 acessos. Óbvio, que as honras tem que ser divididas entre os dois, mas principalmente ao povo de Bom Conselho que já está culturalmente maduro para ler reflexões sobre a nossa língua portuguesa. Parabéns.” Eu li, fui então ao nosso recém criado Mural. Constatei que o Mural está dando certo, assim como o Blog. Bom Conselho merece. Estou pensando num para Caetés.
Entretanto, a vaidade me pegou quando vi um comentário dirigido a mim, escrito por um conterrâneo de quem eu acabei de ler um artigo sobre o Amor. Como diz a Ana Luna: Amei. O que vem a seguir é uma resposta (e para ela não me matar, cito Lucinha) "feita nas coxas", isto é, na lan rause.
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Caro Gildo,

Difícil deixar sem resposta um comentário de alguém que cita Clarice Lispector e que escreve tão bem sobre o Amor. Na verdade o meu artigo não é muito recente, é de 29/12/2008. O Diretor Presidente lembrou dele porque minha contratação tem muito a ver com meu colega José Fernandes Costa. Ele dizia que errávamos muito no emprego da língua portuguesa, o que era e continua sendo verdade, e a CIT resolveu contratar um revisor, eu. A coincidência de meu nome ser parecido em sonoridade, ao ponto dele achar que era um apelido, quando não era, não nos leva a pensar igualmente sobre questões da nossa língua portuguesa. Por isso, não tenho muito a acrescentar aos meus artigos a partir do que o José Fernandes escreveu agora. O Reforma Ortográfica(2) é uma repetição com ênfase, do primeiro. Ele continua sendo um proeta, que como já expliquei, é alguém que é bom de prosa e de poesia. O fato de eu preferir suas poesias não invalida suas prosas. Continuo achando boa a reforma ortográfica e os motivos já estão nos meus artigos (http://www.citltda.com/2009/02/acordo-ortografico-1-complemento.html). Reescrevê-los com ênfase, não vou.
Quanto a questão de escrever certo ou errado apenas cito um trecho de um dos artigos para mostrar resumidamente meu modo de trabalhar como revisor. Dizem que é por isto que estou em Caetés, sem fazer nada e indo às lan rauses de Garanhuns pra pegar meus imeios. Mesmo assim estou feliz porque parece que influenciei pelo menos um “pouquinho” o modo de pensar dos maus (alguns péssimos) escritores da CIT, que fazem parte do seu Conselho Editorial. Eis o trecho:

Portanto, nossa filosofia de trabalho resume-se em deixar as pessoas se expressarem com o potencial que têm. Ajudemos àquelas que querem usar o português de uma forma mais tradicional. Mas, não ajamos feito cães raivosos contra aqueles que cometem erros gramaticais, prosódicos, fonéticos, ortoépicos e outros triviais, e, no entanto, se comunicam bem, e mantém nossa língua viva. Ao invés de nos preocuparmos em pesquisar se o indivíduo é doutor ou não, mestre ou não, analfabeto ou não, para corrigi-lo, antes disto, tentemos entender o que ele diz. Se entendermos não o sacrifiquemos com cultura inútil.” (http://www.citltda.com/2008/12/vamos-aprender-brasileiro.html)

Abaixo reproduzo um poema de Manuel Bandeira, no qual fiz deliberadamente algumas modificações. Para mim, o poema continuou lindo, entendi e senti seu resultado.


“Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada


Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que eu nunca tive


E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra mim contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha mim contar
Vou-me embora pra Pasárgada


Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar


E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite mim der
Vontade de mim matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada”


Se a CIT me pedisse para fazer revisão eu não mudaria nada. Sei lá, se ao usar meus conhecimentos gramaticais eu iria desestimular o Manuel Bandeira. Deus me livre. Poderíamos perder poemas como este:


“Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.


Mandou chamar o médico:
— Diga trinta e três.
— Trinta e três . . . trinta e três . . . trinta e três . . .
— Respire.

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— O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
— Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
— Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.”


Já que não posso ir embora pra Pasárgada, pois lá não sou amigo do rei, vou embora pra Caetés pois lá sou conterrâneo de um Presidente que quer se tornar rei, então terei o emprego que quero no órgão que escolherei e lá, o colega José Fernandes esperarei, em nossa futura Academia Caeteense de Letras.
Neste ponto termina a resposta ao Gildo, com meus sinceros agradecimentos por ler-me.
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Aproveito a ocasião de internete rápida para falar de minha colega, professora de português, Maria Caliel, a quem peço vênia. Grande e sensível escritora a quem já acompanhava no saite de Bom Conselho. Entendi perfeitamente seu comentário sobre o modo de escrever do Alexandre Tenório mas, me perdoe, foi feito no lugar errado. No entanto, a culpa não é toda sua. A CIT deveria publicar os imeios de todos os participantes do Mural, podendo serem eles usados para conversas privadas. Sei que o Diretor Presidente, vai dizer que é complicado, dar trabalho, etc. mas, é um pouco de preguiça mesmo. Para mim este é um caso onde todos choram e todos tem razão. Que Deus no livre de vocês terem suas vidas de bons escritores alteradas por este mal entendido gerado por uma empresa relapsa, ao não publicar os imeios, como devia. Penso, com o imeio do Alexandre tudo se esclarecerá, se já não tiver se esclarecido.


José Andando de Costas

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