quarta-feira, 10 de junho de 2009

ZÉ BEBINHO



Quem morou em nossa cidade pelos idos dos anos 60,70 até meado dos anos 80, conheceu Zé bebinho, do mais rico ao mais pobre, do padre ao juiz, todos os bom-conselhenses que viveram nesta época conheceram Zé bebinho (José Feijó Sampaio), esta história revela um final surpreendente.
Era baixo e troncudo, o seu aspecto era de um barril de vinho, era como se tivéssemos colocado uma roupa num barril de vinho e dito andas e falas, e barril sai-se falando e andando, quando o conheci ele já tinha este aspecto, devido o derrame sofrido logo após deixar de beber, ele tinha uma saliva permanentemente escorrendo no canto da boca, sua voz era embolada e tremia uma pouco as mãos, tudo isto em conseqüência do derrame, durante toda minha vida que vi Zé bebinho ele estava vestido com a mesma roupa de caqui Floriano, a cor já tinha saído do caqui para o cor de burro quando foge, andava descalço, a blusa era manga curta e tinha quatro bolsos, era careca e era o recadista oficial dos bom-conselhenses.
Zé bebinho apareceu em nossa cidade jovem, tinha vindo ninguém sabe de onde, foi fazendo recado de um e outro, sempre muito honesto. Aos pouco foi se dedicando à bebida, todo dinheiro que ganhava era para tomar cachaça, em pouco tempo tornou-se o bêbado oficial de nossa cidade, nesta época foi tirado dele a função de dar recado, pois devido à cachaça pesada que vinha tomando passou a dar os recados errados, então seu credito passou a ser zero.
O tempo passava e Zé bebinho bebia cada vez mais, até que um dia chegou a noticia, Zé bebinho morreu, foi um alvoroço na cidade, e realmente Zé bebinho estava morto, constatado pelo medico e tudo, como ele não tinha dinheiro, foi ser enterrado no caixão da casa da caridade, para quem não sabe, a nossa casa da caridade fundada por padre Alfredo, tinha um caixão que servia para todas as pessoas que morriam e não tinham condições de comprar um caixão, só tinha um detalhe, quando o defunto chegava no cemitério, abria-se o caixão e se despejava o defunto na cova, e o caixão voltava de novo para a casa da caridade, para servir a outro indigente.
Lá vai o enterro de Zé bebinho, meia dúzia de cachaceiro como ele, umas mulheres da vida e um ou outro amigo, pois a grande amizade que ele tinha com o povo da sociedade tinha se acabado devido à cachaça que vinha tomando, e lá vai o enterro, chegando no cemitério coloca-se o caixão no chão e abre-se a tampa, é quando de dentro do caixa se levanta Zé bebinho perguntando o que esta acontecendo, meus amigos foi uma carreira que até hoje deve ter neguinho correndo, agora o que não teve de gente no enterro dele, teve de gente para ver Zé bebinho, era uma romaria de gente para ver Zé bebinho, o fato mexeu com ele que a partir daquele dia nunca mais bebeu, e por infelicidade logo depois ele teve um começo de derrame que o deixou com as seqüelas que escrevi no inicio do artigo.
Em pouco tempo Zé bebinho adquiriu de novo a confiança da população e passou a ser o recadista oficial de nossa cidade, porem o destino reservava a ele a mais surpreendente historia de um morador de nossa cidade, não sei como, confesso aos senhores leitores, mas chegou a noticia que Zé bebinho era herdeiro de uma fortuna, era de família rica, e que era um Feijó Sampaio, sua mãe era irmã da mãe do dr Cid Sampaio, ele era primo legitimo do Dr Cid Sampaio, ex-governador, ex-senador e um dos mais influente político e empresário de nosso estado.
Ficamos sabendo que ele tinha saído de casa e nunca mais tinha sido visto, naquela época a comunicação não era como hoje, era muito precária, e ele terminou em nossa cidade na qual foi bem acolhido, e foi ficando até o final de sua vida, a herança dele ficou com padre Carício, pois nesta altura do campeonato ele já estava na casa da caridade, muito velho e doente, e pouco tempo depois ele morria, assim termina a espetacular história de JOSÉ FEIJÓ SAMPAIO.

Alexandre Tenório Vieiratenoriovieira@uol.com.br

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