sábado, 11 de julho de 2009

É necessário voltar - Complemento 2


Em muitas das vezes que eu entro num debate, dependendo do assunto em questão, em muito pouco tempo sou rotulado como um “estressado que só quer aceitar seu ponto de vista”. Isso se deve a forma como me posiciono e defendo meus argumentos, a forma que todos vocês aqui já conhecem. O fato é que, na última contribuição do nosso Diretor Presidente a esse blog, ele levantou uma questão pertinente, a qual vai de encontro aos meus argumentos. Faço questão de citá-la e concordar com o nobre Diretor. Precisamos também contar com o “E se...”. Não é fácil confiar em empresários, até porque do mesmo jeito que Jesus Cristo é sagrado para muitos, o lucro é venerado pelos empresários. Se digo isso, antes me baseio nos princípios do capitalismo, lá em suas origens, e a busca incessante pelo lucro desde seus primórdios. Não vou me alongar nestes comentários porque prefiro reservar este espaço para os que tem mais competência e conhecimento do que eu acerca do assunto.
O fato é que precisamos torcer (e muito) para que a nossa fábrica ainda seja necessária, mesmo com contenção de gastos para aumento dos lucros. Torço para que isso aconteça, e tenho plena convicção de que também pode não acontecer. Portanto, caros leitores dessas palavras vazias, aqui a gente vê que, como diriam os mais velh..., digo, experientes, o futuro a Deus pertence. Rezemos.
Após fazer essa observação necessária, volto aqui ao restante das minhas reflexões. Ainda sobre o texto do Diretor Presidente, agora tenho que discordar de um ponto fundamental, e que o José Fernandes abordou brilhantemente em sua segunda aparição, no que diz respeito a um nobre parlamentar já citado por aqui: “Mais outra: não vejo, nem de longe, por que a prefeita Judith Valéria teria de agradecer ao vereador Gilmar Aleixo - que também não o conheço. Não sou adivinho, mas a ninguém parece crível que os comentários de Aleixo tenham sido uma forma de humor. Como admitir que um vereador de oposição, vá a uma emissora de rádio fazer gracejos com a administração da prefeita, que, acredito, não lhe dá essa liberdade? Eu entendo oposição como coisa séria. Que tipo de humor é esse, respondendo a telefonemas de cobranças políticas, supostamente fictícios, falando do que teria feito ou não um adversário político e da possibilidade de votar o seu impedimento?” Perfeito! Algumas das passagens eu me identifico tanto que acredito que eu mesmo confundiria com minhas palavras. Um dos pré-requisitos básicos para ser um bom vereador, e assim cumprir sua função de legislar e fiscalizar, é ter seriedade, para assim ter o respeito dos seus pares e da população. Tratar assuntos do interesse coletivo em forma de piadinhas não é a conduta adequada, principalmente quando a piadinha é sem graça.
Passeando pelas palavras, pela ordem (como diriam os parlamentares), ressalto aqui a importância do texto do amigo Carlos Sena, que, por fazer parte de uma administração, compreende as dificuldades de um início de governo, principalmente os comandados por políticos que nunca tiveram esse tipo de experiência, atuando como prefeitos, a exemplo do competente João da Costa, que aliás vive um momento turbulento em seu governo pelo mesmo fato que atrapalha a nossa Judith aqui em Bom Conselho, também inexperiente: a pressa por resultados imediatos. É claro que nenhum dos dois é milagreiro, como bem disse o amigo Carlos Sena. Entretanto eu vejo nessas duas pessoas o esforço sempre em acertar, ainda que errem algumas vezes, como bons humanos.
Ainda sobre o texto do Carlos Sena, ressalto duas passagens: ”E, se como política, não for bem o que esperávamos, eleição tem de 4 em 4 anos e a gente DÁ O TROCO. É parte do jogo democrático”. Quando andávamos pelas casas, sítios, distritos de Bom Conselho durante a campanha política, tive a oportunidade de conversar com muita gente simples, e aprender um pouco com cada uma dessas pessoas (Eles pensam que o povo não pensa...). A maioria delas demonstrava uma grande expectativa em torno da candidatura de minha mãe, e essa expectativa também acompanhava o medo de que a tal da mudança não chegasse, a exemplo do que já aconteceu antes. E o que eu respondia a essas pessoas foi o que o amigo Carlos posicionou muito bem no seu texto. Eu ainda dizia mais a toda essa gente, e volto a repetir aqui, porque a palavra escrita sempre vale mais: Se as coisas estiverem no caminho errado, se ao final dos 4 anos o povo de Bom Conselho julgar que ela não fez um bom governo, eu sou o primeiro a dar meu voto ao representante da oposição que se colocar como candidato, se este se mostrar mais credenciado. Apesar de amar minha mãe, eu amo muito Bom Conselho, e quero sempre o melhor para minha cidade, porque foi aqui que eu nasci, cresci e tenho vontade de voltar no futuro, para constituir aqui a minha família e ter a possibilidade de oferecer aos meus filhos o prazer que tive de viver neste lugar.
O outro trecho ao qual me referi é o seguinte: “Transversalizar - esta é a palavra que nenhum político hoje deve esquecer. Transversalizar interna e externamente, saindo para captar recursos nos diversos níveis de governo e envolver a população nesse processo. Mas isto é bom de dizer, mas dá trabalho para fazer. Penso que Judite não tem medo de trabalhar.”. Para fornecer subsídio às reflexões de cada um de vocês, transcrevo aqui um trecho do Jornal A Gazeta, em seu exemplar nº 245, e desta forma eu também repasso um pequeno aperitivo àqueles que ainda não receberam o número. O amigo Luiz Clério fala em sua coluna: “Mesmo sendo bonconselhense tem o comportamento dito mineiro: Trabalha em silêncio. Estamos nos referindo à prefeita Judith Valéria Alapenha de Lira. Tão logo assumiu as rédeas da administração municipal procura manter contato com autoridades estaduais – secretários, diretores e chefes de autarquias – procurando meios e formas de encontrar os caminhos para solucionar os primeiros problemas detectados. Na Secretaria Estadual dos Municípios tratou da questão da Academia da Cidade cuja construção é bem abaixo da crítica; solicitou que técnicos, em engenharia de trânsito, viessem a Bom Conselho para implantar e dotar de um verdadeiro sistema de trânsito para de uma vez por todas acabar com a desordem ainda existente. Também, sem alarde, conseguiu incluir Bom Conselho no programa junino do Governo do Estado, como principal pólo do Agreste Meridional. E continua arrumando a casa, o que pode ser constatado através deste jornal, pela quantidade de Leis que estão sendo enviadas à Câmara de Vereadores, dando legalidade às ações que vinham sendo exercidas de forma ilegal perante a Lei Orgânica do Município, o Tribunal de Contas da União, do Estado e Lei de Responsabilidade Fiscal.”.
Em outro texto relacionado ao assunto, brilhantemente escrito pelo amigo Alexandre Tenório, abordou-se um assunto delicado para qualquer político: o nepotismo. Acredito que aconteceu um equívoco por parte do Alexandre. Boa parte do secretariado da minha mãe realmente é composta por alguém que tenha algum tipo de relação familiar com ela. Reparem que eu citei bem o SECRETARIADO, porque essas pessoas são integrantes daquilo que a gente chama de “cargos de confiança”. Como já se deve supor, são essas as pessoas nas quais a prefeita confia e que executam suas ordens, para o bom andamento do governo. E para que haja o feedback entre a prefeita e seus comandados, é realmente preciso que essas pessoas sejam de sua confiança. Em quem se pode confiar mais do que naqueles que já se conhece há muito tempo, como nossos familiares? Não somente eu concordo com essa visão, como também a lei diz isso, ao permitir a contratação de parentes para compor o secretariado de uma prefeitura. E é justamente por essas contratações estarem dentro da legalidade que a prefeita assim o fez.
A partir desse ponto é que eu afirmo que houve um equívoco. Nepotismo de verdade é quando a gente observa a prefeitura sitiada por familiares do prefeito, em todas as suas esferas, em todos os seus escalões. É quando a escolha dos cargos é feita por distribuição, como num sorteio, desconsiderando a competência de cada um para assumir a função que lhe foi conferida. Isso sim é preocupante! Assim acontecia antes, no passado, um passado nem tão distante assim. Aliás, falando em exemplo de nepotismo, quem tiver interesse pode solicitar junto ao departamento de recursos humanos da prefeitura o acesso aos nomes constantes na folha de pagamento de administrações anteriores. É de deixar qualquer Severino Cavalcante de cabelo em pé! Aproveite também e solicite a folha de pagamento da atual administração. Está feito o desafio. Garanto aqui ao amigo Alexandre e a quem mais interessar que isso não ocorre hoje. Os cargos ocupados por familiares que o amigo cita, como já expliquei, são perfeitamente justificáveis, não somente porque a lei permite, mas principalmente, e quero ressaltar isso aqui, porque a competência dos secretários escolhidos credencia cada um deles para assumir tal função. Vejamos:
- Secretária de Finanças Janeth Alapenha: Funcionária da prefeitura por várias administrações trabalhando na tesouraria (funcionária efetiva, por sinal), tem sido uma das peças fundamentais para o bom andamento das finanças em tempos de crise.
- Secretária de Educação Ignez Alapenha: escolhida não por ser tia da prefeita. Foi uma das escolhas mais naturais, por ser quase unanimidade entre os profissionais da educação. Foi professora do município por vários anos e conhece bem a deficiência de cada escola.
- Secretário de Obras Breno Miranda: Trabalha numa secretaria bem difícil de se comandar e tem obtido êxito em suas tarefas, mesmo com poucos recursos para trabalhar, pelo seu bom relacionamento com as pessoas e sua eficiência em cumprir sempre que possível as obras solicitadas. Também não precisa de prefeitura para sobreviver. É empresário bem sucedido e renunciou o tempo que dispunha para cuidar de seus negócios na empresa para colaborar com o governo.
- Secretário de Governo e Ação Social Murilo Curvelo: Bem relacionado para a função, pois conhece bem muita “gente grande” no governo do estado, chegando a trabalhar diretamente para o Vice-Governador antes de vir morar em Bom Conselho. É essa boa relação que está viabilizando muitos recursos para nossa cidade.
- Secretário de Desenvolvimento Paulo Lobo: Engenheiro químico, por mais de 25 anos trabalhou na antiga Sudene, e conhece os “caminhos” burocráticos para a celebração de convênios entre o município e os entes estaduais e federais, além de saber captar bem as deficiências encontradas na cidade e elaborar projetos para achar as soluções, justamente devido a sua experiência neste ramo. Renunciou o convívio com sua família, renunciou uma remuneração financeira mais vantajosa, e também veio trabalhar em Bom Conselho, com o intuito de colaborar com o governo. Aliás, é ele quem vem trabalhando junto à equipe jurídica para retirar as inadimplências encontradas quando a prefeita assumiu o município, referentes aos grandes projetos conseguidos e mal conduzidos pelos antigos gestores, os quais podemos encontrar no link:
https://consulta.tesouro.fazenda.gov.br/RegularidadeSiafi/regularidade_consdet_CAUC.asp?cnpj=11285954000104&nome=PREFEITURA%20MUNICIPAL%20DE%20BOM%20CONSELHO&lei=200&subgrupo=204&nm=BOM%20CONSELHO&cd=2341&exig=REGULARIDADE%20NA%20PRESTAÇÃO%20DE%20CONTAS%20DE%20CONVENIO%20(CONCONV/SIAFI) .

Os convênios são identificados por números, mas se alguém desejar saber a que obras eles se referem e qual o gestor responsável pela aplicação dos recursos, pode consultar esse link aqui, do portal da transparência:

http://www.transparencia.gov.br/convenios/convenioslista.asp?uf=pe&estado=pernambuco&codmunicipio=2341&municipio=bom+conselho&codorgao=&orgao=undefined&tipoconsulta=0&periodo=&Pagina=1 .

Não vou citar aqui nomes de ex-prefeitos, mas contra fatos e home-pages federais, não há argumentos.
O que se vê, então, não são parasitas mamando nas tetas gordas do novo governo, mas sim profissionais competentes que vêm exercendo bem a sua função. Vejam o exemplo do Ex-Secretário de Administração, Dr. Renato Curvelo. Foi admitido na sua função, mas não vinha conseguindo conciliar suas atividades particulares com as responsabilidades da secretaria, pedindo para se afastar. Veja que o que contou aqui não foi uma relação familiar, mas sim COMPETÊNCIA para assumir um cargo e trabalhar pela população. Da mesma forma, se o amigo Zé Arnaldo falhar, também será substituído, assim como qualquer outro secretário, porque o que importa para a prefeita é trabalho, e não se A ou B é o seu parente ou não.
Aproveitando o ensejo, peço licença para entrar numa outra alçada também muito comentada na cidade. O nosso “célebre” vereador Aleixo alegou também em sua entrevista que Bom Conselho hoje tinha um prefeito de fato e uma de direito, em referência ao meu pai e minha mãe, respectivamente. Sendo assim, me permitam uma correção. Bom Conselho hoje não possui 2 prefeitos, mas sim 5 prefeitos. Eu explico. Segundo o vereador, àquele que ajuda a minha mãe a dividir o fardo pesado que ela vem carregando também é prefeito. Portanto, inclua nesta lista o meu nome e o nome dos meus dois irmãos, porque todos nós estamos engajados na missão de ajudá-la em tudo que for possível, e não abrimos mão disso. No início de tudo, naquele 4 de maio de 2008, quando ela decidiu ser candidata a prefeita de Bom Conselho, antes de anunciar sua decisão, ela consultou a todos nós, e dali em diante ficou firmado um compromisso de que todos nós iríamos acompanha-la e ajuda-la até o fim de suas atividades como prefeita, em caso de vitória. E assim vamos seguir até o 31 de dezembro de 2012, ainda que escutando muita besteira daqui pra lá...
Sobre a República de Papacaça, peço licença ao meu amigo Alexandre para desconsiderar a fonte de onde foi retirada tal informação. O amigo com certeza conhece o tal jornalista que escreveu isso, e sabe muito bem, assim como eu sei, que tal jornalista, é bem “afinado” com um determinado deputado, muito conhecido por todos nós, freqüentador das terras de Papacaça, e que, obviamente, faz oposição a minha mãe. Sabe também que tal deputado tem um certo poder de decisão sobre a publicação de notícias que lhe sejam pertinentes, e sabe que interessa ao nobre deputado, assim como é natural a qualquer candidato de oposição, que as coisas por aqui não andem tão bem quanto deveriam, uma vez que ele perdeu seu palaque principal em nossa cidade. Acho que estou fazendo me entender, não é?
Discordo também do amigo Alexandre quando defende o veto a esse tipo de assunto aqui no blog. Embora ausente nas contribuições textuais para o blog por um certo tempo, devido às obrigações estudantis, sempre acompanhei seu desempenho aqui, e tenho convicção que você não é de fugir de nenhum debate, muito pelo contrário. Defende, e muito bem por sinal, seu ponto de vista, argumentando com clareza. Observe que em tão poucas postagens já pude visualizar muitas das impressões erradas que o povo tem acerca do governo, e como um entusiasta dessa administração tive a oportunidade aqui no blog de defender o meu ponto de vista. Portanto, senhores, não vejo neste debate um trabalho de desconstrução, mas sim um espaço para detectar insatisfações e justificá-las. Ao mesmo tempo, aproveito para pedir que travemos este debate político sempre que ele for pertinente, e não fazer disto a pauta principal do nosso blog, pois devido a essa longa discussão aqui quase que se passa despercebido o texto da amiga Ana Luna, premiado em um concurso internacional! Peço desculpas da minha parte e desejo sucesso e meus parabéns a essa nossa brilhante escritora.
Para finalizar, e assim causar a alegria geral da nação, que não suporta mais ler essas linhas mal traçadas, não vou citar nenhum escritor modernista. Procurei um exemplo mais próximo de nós, de carne e osso, o nosso amigo José Fernandes Costa:

“Porque é isso que interessa aos políticos em geral, a que me referi da vez passada. A eles interessa que esse povo nunca tenha escola de qualidade, para poder ser iludido facilmente.”

Essa sim é a verdadeira independência. Não aquela do mil oitocentos e vinte e dois, com dor de barriga e tudo mais. Somente quando a nossa gente tiver a capacidade de se livrar do analfabetismo funcional, além de ter o discernimento necessário para bater a porta na cara de um político desonesto, barrando essas pessoas do comando das nossas instituições, aí sim teremos um povo independente, e que sabe aonde quer chegar.

Felipe Alapenha - f_alira@hotmail.com

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