quinta-feira, 9 de julho de 2009

É necessário voltar



Eu li, certo dia, não sei aonde, uma estória que, segundo o contador, se passou com o brilhante jornalista Carlos Lacerda, depois não tão brilhante político, numa editoria de um jornal onde ele trabalhava. O chefe de redação dirige-se a ele e diz:
- Carlos, temos aí umas comemorações religiosas e eu gostaria que você escrevesse algo sobre Jesus Cristo.
Ainda remexendo alguns papéis em sua mesa ele retrucou:
- Contra ou a favor?
Não sei da veracidade deste diálogo, no entanto ele me veio à mente quando pensei em escrever alguma coisa sobre a prefeita de Bom Conselho, Judith Alapenha. Perguntei a mim mesmo: Contra ou a favor?
Arriscar-me-ei, como dizia Jânio Quadros, a ser neutro, isto é: Não serei contra, nem a favor e muito menos pelo contrário. Todos sabem que “neutralidade” em política é uma posição tão perigosa, quanto ser fascista ou comunista em outras épocas. Portanto, me perdoem, quem me ler, se eu não conseguir ser tão neutro assim. O motivo ou a ideia para escrever me veio de um artigo do José Fernandes Costa (http://www.citltda.com/2009/07/e-necessario-sair.html) e de um comentário a ele por Felipe Alapenha (http://www.citltda.com/2009/07/e-necessario-sair-complemento.html). O centro da atenção de ambos é a prefeita de Bom Conselho, por isso digo que escrevo sobre ela.
Os artigos são excelentes, claros, concisos, objetivos e algumas vezes contundentes. Ambos autores já deram demonstração aqui mesmo, em nosso Blog, e alhures de manejarem a pena (que saudade) com eficácia e precisão. Entretanto, alguns pontos devem ser discutidos, sob outra ótica, em prol da neutralidade que prometemos manter.

O primeiro ponto é sobre o desejo de Bom Conselho de ver instalado todo o projeto da Perdigão em suas terras. O José Fernandes, criticando um “mente estreita”, crer que “nenhum dirigente da Perdigão tenha dito que os projetos da empresa haviam sido alterados.” Com o que Felipe Alapenha concorda e tenta explicar o “por que” deles não dizerem. Ambos culpam a crise, Felipe indo mais além argumentando, resumidamente, que, passando a crise, a fábrica de embutidos será finalmente instalada em nossa terrinha pelo aumento do consumo no Nordeste e no Exterior. Tudo isto pode acontecer mas, lembremos que, antes da crise tínhamos duas empresas que eram concorrentes, a Sadia e a Perdigão. Nem sempre o que era bom para uma era bom para as duas. Uma das possibilidades é que agora, com o fim da concorrência, a nova empresa tenha mais lucro, operando só a planta de embutidos em Vitória de Sto. Antão e mantendo outro tipo de atividade em nossa terrinha. E aí? Ficaremos sem os embutidos?
Senhores, o processo político não é apanágio dos políticos. As empresas tem suas políticas próprias e próprios políticos. Não se pode dizer que algo não vai acontecer somente porque um empresário não diz que vai acontecer. Ainda por cima, quando o que eles estavam pensando, e não disseram a ninguém até dias antes de concretizado o negócio, era em se fundir com outra empresa, que possívelmente mudará todos os planos.
Senhores me perdoem, mas o “mente estreita” pode estar com a razão. E neste caso, a prefeita é uma peça importante no jogo de poder para que tenhamos a fábrica de embutidos. Uma das coisas em que ela menos deve acreditar agora, é naquilo que empresário promete. Estamos em crise. Para uma análise mais profunda é necessário voltar.

Um outro ponto é a afirmação, por demais generalizante, de José Fernandes a qual diz que “os nossos políticos em geral, torcem para que os seus sucessores, sendo adversários, fracassem na administração do bem público, para que, no outro pleito, eles tomem conta da situação." E que o Felipe Alapenha particulariza para Bom Conselho nos últimos 100 anos, inclusive citando um amigo, que diz: "Em Bom Conselho só existem dois partidos políticos: o que está no poder, e o que quer tomar o poder!"
Sinto dizer que, para a situação generalizante, é uma afirmação injusta com os “nossos políticos”, pois não são só os nossos, são os políticos de todo mundo democrático, prevendo a alternância do poder, que agem desta forma, e são plenamente justificados quando se pode discordar sobre o que é fracasso e que é sucesso na administração do bem público. Na Alemanha nazista, por menor que fosse a oposição a Hitler, ainda havia a sensação, por parte desta oposição de que deveria torcer para que aquilo não desse certo, e era plenamente justificável. Ah, se naquela situação eles tivessem a esperança, que o amigo de Felipe tem, de tomar o poder! Em Bom Conselho, o que é difícil é mostrar com clareza o que é o bem comum. Isto é mais uma tarefa para Judith Valéria Alapenha, cujo bem comum para Bom Conselho deve ter sido diferente daquele das administrações anteriores, e não considero nada demais se ela algum dia rezou para que algumas das coisas que se pretendia nelas não dessem certo. Eu confesso que rezei para que a Praça Pedro II e a Praça de Santo Antônio não fossem tão desfiguradas certa época, nem derrubassem o Cine Rex, e eu nem político sou. Lembremos que o jogo político democrático também é um jogo de poder. O que é realmente horrível é confundir o bem público com o bem privado, estando num partido ou noutro. Com o que temos de partidos políticos no Brasil hoje, o bipartidarismo do amigo não é de todo mau. Para dizer mais é necessário voltar.

Quanto à exortação para a Prefeita Judith manter os olhos abertos, e bem abertos, gostei muito, inclusive reforço: cuidado com a Brasil Foods, não é mais a Perdigão. Também concordo completamente com os votos de esperança à prefeita, estendidos à representação parlamentar.
Falando em representação parlamentar volto-me agora ao ponto onde se acusa o povo de memória curta e apressadinho. Eu diria, o povo é o povo, e numa democracia ele pode até ter memória curta e se apressar, normalmente, numa ditadura, apressado é o ditador em explorá-lo. Mas como diz D. Hélder Câmara: Ele também pensa. E se pensa, decide, com memória curta ou não. E elegeu para seu representante o Sr. Gilmar Aleixo (que não conheço, não sou eleitor da cidade), a quem a prefeita Judith deveria agradecer o comentário na rádio, sobre as mudanças. Pelo que sei a empresa Granero é uma empresa de grande porte e suas mudanças são também grandes, portanto, as mudanças que passaram pela cidade foram grandes também. Imagine se ele dissesse que a única mudança que viu, foi na carroça de Raimundo Chato (penso nem a prefeita nem o vereador sabem quem foi Raimundo Chato, velha guarda ajude-me). O que ele está fazendo, caro Felipe, é oposição. Neste caso com bom humor. E é como humor que deve ser visto o telefonema que ele “recebeu” sobre o impeachment da prefeita. Será que foi porque não houve licitação na contratação na empresa de mudanças? Eu não estou acompanhando de perto todas as mudanças que a prefeita Judith já implantou em Bom Conselho (só tenho aparecido em épocas de festa ou passo direto prá Caldeirões) neste seu curto, posso dizer mesmo curtíssimo tempo, entretanto, penso que nenhum governo pode ser julgado nem cobrado em relação a mudanças em tão pouco tempo, e ela como boa política que é, e com sua equipe, espero ainda contando com a raposa (no bom sentido) Zé Arnaldo, embarcará brevemente este vereador num caminhão de mudanças, assim espero. Para melhor ser dito é necessário voltar.

"Portanto, amigos e amigas, tenhamos paciência e ajudemos no que pudermos aos que estão no comando dos destinos do município de Bom Conselho. Assim como, quem esteja administrando bem, qualquer outro município, estado e o país." Desculpe-me José Fernandes em usar suas palavras para terminar estas linhas cruzadas, igual ao que fez o Felipe Alapenha, e “pelos erros do meu português ruim”, no entanto, para dizer muitas coisas, é necessário voltar.

Diretor Presidente - diretorpresidente@citltda.com

P.S. - O Blog da CIT encontra-se aberto para publicar textos de pessoas que aqui foram citadas, estando elas no partido que está no poder ou no partido que quer tomar o poder.

DP.

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