sábado, 25 de julho de 2009

Rio, açude e lama

Lucinha: você escolheu um tema relacionado à água. Eu também sigo na mesma linha. Mas antes, você escolheu um verme inocente. Um verme ou um parasito fazem mal à saúde das pessoas, involuntariamente. Porque foi a natureza quem os trouxe para os rios, lagos e açudes. Assim, eu também escolhi como tema Rio, açude e lama, para não fugir dessa trilha comum de dois. A lama se forma sob as águas. Ás vezes, ela abriga vermes e parasitos. Mas a lama pode ser inofensiva. Algumas vezes, ela se presta para as crianças brincarem, embaladas na sua inocência. Pior do que a lama são muitas pessoas que costumam procurar lama onde não há lama.

Você disse muita coisa, quando trouxe o tema Schistosoma na barragem. Mas, se tempo e espaço lhe permitissem, você diria muito mais. Pois faltou dizer muitas outras verdades, quais sejam:

a) que nós não formamos dupla para o mal, nem para quaisquer outros fins; b) que não estamos em trincheiras, porque não há guerra, graças a Deus, nem em Bom Conselho, nem em nenhuma outra parte do Brasil, a não ser a guerra da violência e da ladroagem de muitos por este imenso país; c) que não buscamos notoriedade, escrevendo gracejos e ironias, além de outras coisas inúteis; d) que não precisamos bajular ninguém para ter algum espaço em algum lugar; e) que temos ocupações e não queremos, nem podemos passar o tempo todo escrevendo bobagens; f) que ficar rolando barras num Mural de recados, entupido de coisas bobas, para encontrar o horário de uma missa, ou outras notícias de interesse geral, consome o nosso tempo e causa perdas; g) que não temos preguiça de ler, apenas preferimos ser objetivos; h) que, quando um assunto comporta debates, nós o debatemos sem medo de censores trapalhões; i) que debate não é fofoca: é troca de idéias; j) que uma idéia que se troca, sempre dá lugar a várias idéias; k) que, quem tem medo de discutir um assunto, é porque sabe que algo de podre se esconde em torno desse assunto; l) que não cultivamos o hábito de mandar alguém seguir regras de bom comportamento; m) que discordar, quando se tem argumento, é traço de boa personalidade; n) que sempre dizer "sim, senhor!" é próprio dos covardes e bajuladores; o) que não sabemos fazer-nos de vítimas, para ganhar adeptos; p) que fé é sentimento, e, como tal, é um valor subjetivo e não se sujeita aos julgadores ocasionais; q) que megalomania é doença grave; r) que a ira e a raiva são péssimas companheiras; s) que, se não temos inveja de ninguém, por que iríamos ter de quem nada de bom tem para oferecer? t) que nunca pedimos, nem precisamos de conselhos de quem é vazio de mente e de espírito. - Aceitamos conselhos, sim, mas de quem os tenha para nos dar, de boa fé.

Não é necessário usar o alfabeto inteiro para enumerar esses trejeitos próprios do sujeito (*) de quem falamos, o qual deveria ser bem conhecido dos bom-conselhenses. Quem escreve pelo simples prazer de escrever e de levar adiante alguma contribuição, por mínima que seja, não precisa ser exibido (a) nas suas afirmações, tentando ser reluzente, sem ser. Pode-se usar um estilo próprio, até contundente, sem a preocupação de agradar ou desagradar. Desde que seja sua opinião verdadeiramente honesta.

Como todos temos mais de 18 anos de idade, somos responsáveis por atos, palavras e obras, que saiam da nossa boca ou do nosso teclado. Se um dia eu (agora falo por mim, e sei que você faria o mesmo) injuriar, caluniar ou difamar alguém, que esse alguém me processe e peça a reparação dos danos causados. Mas não me venha com indiretas, mentiras, artimanhas, deboches e achincalhes. Porque esses procedimentos são típicos de moleques.

Ficar insistindo que é educado, pai de família e outras loas, é querer passar a imagem de bonzinho, para enganar os tolos. E os outros, por acaso não são pais e mães de famílias? E quem de nós pode julgar quem é melhor ou pior ao nosso redor? JESUS perdoou Maria Madalena, e disse para a multidão: "Quem não tiver pecado, que atire a primeira pedra!" E todos os pretensos julgadores ali presentes, ficaram quietinhos.

Como é que eu, ante a minha insignificância humana, poderia querer dar lições de moral e de bons costumes? Quem somos nós, para alimentarmos essa pretensão cavilosa? Que direitos temos de retirar a lama do Açude da Nação ou do Rio Capibaribe, para jogar em cima de quem não gostamos?

Posto isso, digo: Lucinha, você não tem culpa de nada. Ninguém pode ser tido como culpado por dizer verdades. Ainda que essas verdades façam aflorar o ódio de algumas mentes doentias. Mais: O Mural da CIT e todos que o conceberam estão de parabéns por essa brilhante idéia. E pela feliz iniciativa. É isso./.

(*) Para os que são sabem, sujeito não é termo chulo, nem depreciativo.

José Fernandes Costa - jfc1937@yahoo.com.br

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