segunda-feira, 20 de julho de 2009

Seu Clívio



Hoje assim que cumpri minhas obrigações, quase intermináveis, na CIT fui fazer algo que gosto: Bordejar pelo site de Bom Conselho. Se o tempo não fosse tão escasso eu iria lá todo dia.
Não sei se havia notado antes ou só notei agora ou, ainda, é novo mesmo. A página inicial está ficando mais bonita, além de mais funcional, o que já era antes. As notícias estão se tornando mais ágeis e dinâmicas, embora menos do que desejamos, para ter notícias mais “frescas” de Bom Conselho. Talvez uma união maior com A Gazeta, formando, A Gazeta On line, seja a solução. A Rádio Papacaça, apesar de alguns esforços, não vem nem até Recife, cansa antes de chegar a Garanhuns. O Blog da CIT não tem este propósito noticioso. A Gazeta é apenas quinzenal. E nós aqui de fora, se não fosse o Paulo Dantas, que não conheço pessoalmente, não saberíamos nem que o Zé Arnaldo saiu do governo Judith.
Aproveito o ensejo para me comunicar com o nobre radialista, Paulo Dantas. A idéia de transmitir notícias pelo Mural é meio caminho andado para uma rádio on line. Não é barata, pois sei das dificuldades que Bom Conselho passa com a ausência de serviços velozes em relação à Internet. Garanto que se você der uma notícia nova por dia (por exemplo, o Zé Arnaldo foi substituido por fulano, etc.) eu faria um esforço e iria todo dia ao Mural. E por ai começaria, levando os políticos a sentirem como é grande a influência das comunicações, mudando um pouco as suas prioridades orçamentárias. Comunicação pode ser Educação. A CIT não tem estrutura para fazer isto, porque só tem notícias novas de Caldeirões dos Guedes e lá isto não acontece frequentemente. Pegar esquistossomose na barragem não é mais notícia. Caro Paulo, desculpe a ousadia de uma pessoa com alguns anos a mais do que você (não muitos). Se precisar de mais de 1000 toques, o nosso Diretor Presidente diz aqui, que está às suas ordens.
Depois de ver isto eu fui ao Mural do Site. Procurei, procurei, procurei mas não foi fácil encontrar outra coisa, a não ser um diálogo cordial e fraterno entre os amigões O Andarilho e Pedro Ramos. Fui descendo, descendo, descendo e, lá embaixo, encontrei uma postagem de Ana Luna, dizendo mais ou menos: Me acudam que não estou entendendo nada. Me deu vontade de ler para ver se entendia. Parece que estão querendo fundar uma Colônia Papacaceira na Bahia, ou já fundaram. O Andarilho, parece-me morar na Bahia ou coisa assim. Só poderia ser, com aquele roteiro de filme, que encontrei num seu artigo, protagonizado por nossa colega Eliúde Villela, só pode estar na terra de Glauber Rocha. Ainda vou contar prá ela, se a conheço ficará eufórica e já sonha com os aplausos.
No entanto, o que tinha pra dizer, sobre o resto que li, resume-se nisto: A idéia de formar Colônias Papacaceiras por todo o país, e porque não dizer pelo mundo, é muito boa e deve ser incentivada mas, existem coisas que deveriam ser tratadas através de seus e-mails privados. Por exemplo, para dizer ao Dr. José Tenório que veja um link no Site, não é preciso usar o Mural. Se o Dr. José Tenório, que foi meu contemporâneo de Ginásio, não tiver e-mail, o que duvido muito, pois ele é um dos caras mais “antenados”, como dizem meus filhos, de Bom Conselho, peça a alguém para dar o recado ou outra forma qualquer, menos o Mural.
Não conheço Pedro Ramos pessoalmente, mas a pessoa, que dele me falou, só tem elogios, e por isso me desculpe se estou sendo impertinente, mas o Mural é lugar público e, apesar de poder ser usado, algumas vezes, para mensagens particulares, o excesso deve ser evitado. Quanto ao O Andarilho, este não tem jeito mesmo. Se parar de escrever deve ter convulsões. Mas quando um não quer, dois não conversam. As mensagens que louvo no Mural são aquelas de interesse social, empregos, parentes desaparecidos, debates interessantes (de um dos quais participou, rápidamente a Dra. Ana Almeida, que parece será a primeira dama da Colônia de Salvador) e até parabenizações e pêsames em certos casos, mas sempre assuntos de interesse geral da comunidade, como poderiam ser as notícias do Paulo Dantas ou de qualquer outro que se qualifique para tal. Se as mensagens muito particulares continuarem vou pedir ao Jessier Quirino para, usando o mural, contar o filme que assistiu na capitá dizendo: “Num sei o que lá, num sei o que lá, num sei o que lá....” Ninguém entenderá nada mas, pelo menos, sorrimos.
Ainda sobre as colônias, o que se deve ter cuidado, é sobre suas inevitáveis interferências nas decisões que afetam a cidade, sem a devida proximidade dos fatos. Eu entendi, quando nosso Diretor Presidente, num artigo que pretendia discutir algumas opiniões políticas do meu amigo José Fernandes, e o intitulou (o artigo) de uma forma pouco criativa, penso eu, de “É necessário voltar”. Para mim, o que ele queria dizer era: Antes de propor, se informe e analise a situação (sem querer entrar naquele mérito). E muitas vezes para os que lá moram, a situação é muito diferente. Vem aí o Encontro de Papacaceiros.
Não era para escrever nada disto mas, já foi. O que me levou a sentar aqui foi ainda um bordejo geral pelo site de Bom Conselho, mas num link específico, onde encontrei sobre o que queria falar. Fui virtualmente numa festa do Rotary Club de Bom Conselho e vi as fotos. Belo trabalho. Revi pessoas que conheci mais jovens e ainda as reconheço, menos jovens mas, ainda jovens, e, não direi de espírito, porque se os quisesse chamar de velhos o faria diretamente. Numa eu parei: Seu Clívio.
Começo pedindo-lhe perdão, professor, por não me lembrar do seu nome completo. Tenho certeza se a situação fosse ao contrário, se fosse ele que estivesse me vendo com a inteligência prodigiosa que sempre teve, lembraria do meu nome completo. Mas, para mim será sempre Seu Clívio. Um dos homens mais bonitos que conheci. Alto, magro, impecável na vestimenta, porte atlético, um galã enfim. Minhas colegas suspiravam, e eu com elas, na sua entrada em sala de aula. Foi um dos professores melhores que tive, incluindo os de fora de Bom Conselho. Tive outro tão bom quanto, mas era padre (nada contra) e feio que doía, o frei Romeu Perea, meu professor de religião e estudos sociais. Mais bonito, só Leninho. O resto foi resto.
Ele, Seu Clívio, foi meu professor várias vezes no Ginásio São Geraldo. Inglês, Desenho, Matemática, das que me lembro. Em várias séries. Lembro de vários casos que o envolve e a mim, direta ou indiretamente.
Certa feita, na displina de desenho, parece-me no primeiro ano ginasial, para a qual usávamos dois livros textos um grande (em tamanho) e outro pequeno. Os meus já estavam muito usadinhos mais eram bonitos ainda. Devo antecipar que em matéria de desenho sou uma negação. Mesmo hoje a minha linha reta não é a menor medida entre dois pontos, coitado do Euclides se me tivesse como assistente. Logo devo dizer que isto não foi por causa do Seu Clívio. Minhas colegas aprenderam muito com ele. Desculpem-me, voltando ao ponto, nesta disciplina houve uma prova. Eu sempre fui estudiosa mas, esta matéria me cansava, a tendência para as artes plásticas era nula. Numa questão dela, tive que pedir ajuda de uma colega, não vou dizer o nome para não envolvê-la nesta história de baixo nível moral, mas, se ela lembrar, devo dizer aqui, ela não usava as “coxas” para colar, era uma das mais estudiosas da sala. Para encurtar a história, na passagem de papéis entre nós duas, fomos flagradas pelo Seu Clívio. Sua ação foi imediata, tomou a prova das duas. Até hoje me sinto mal em ter prejudicado a colega, no entanto a dor maior é não ter falado para o Seu Clívio que ela não tinha culpa de nada, e sim eu. Não sei o que vem primeiro, se a consciência ou a idade, no meu caso foi a idade, hoje me sinto pior ainda.
Outro fato, não é bem um caso e sim uma constatação, meu perdoe outra vez nobre professor, mas quase não conseguia assitir a suas aulas de Inglês. Sempre ria quando tinha que repetir, do livro, a palavra “pupil” que significa aluno. E no livro adotado tinha umas cem vezes esta palavra. Era o Seu Clívio falar “pupil” e me dava ataques de riso. Não sei se ele notou. Penso que não, pois se o fizesse eu teria ido para diretoria umas dez vezes.
O mais interessante caso, envolve matemática e desenho, eu penso que já lá pelo terceiro ano, pois o assunto era coordenadas cartesianas, maravilhosamente explicado pelo brilhante professor. Não sei se matemática era sua matéria preferida mas, para mim era em que ele era o melhor. Para pessoas não geniais como eu as matérias mais abstratas como a matemática, não entram muito depressa. Quando Seu Clívio desenhou aqueles dois eixos e mostrou que para direita e para cima se contavam os números positivos, e para esquerda e para baixo se contavam os negativos, eu não entendi nada. Tive a ousadia de perguntar para que servia aquilo na prática. Era ousadia sim, porque naquela época minha prática não era das mais complexas. Ele, depois de me olhar de cima abaixo com aquele ar de superior, o que era de fato, naquela ocasião, me deu uma explicação envolvendo a posição de um navio em alto mar. Não entendi muito o exemplo mas aprendi que muitas coisas, que pensamos estar longe de nossa prática cotidiana, podem servir-nos muito quando bem utilizadas.
Eu não sou uma rotaryana, no entanto, só ao ver tantas pessoas que conheci e outras de quem só ouvi falar, como o Saulo, o Luiz Clério (não sei porque não me lembro dele mais jovem, pelos cabelos, deve ser meu contemporâneo, mas os meus são um pouco mais pretos, ao natural é claro) e outros, já começo a apreciar o Rotary. Não sei também o que é o Conselho focalizado na comemoração mas, tendo uma mulher como Presidenta, mesmo não me lembrando dela, ninguém segura o Rotary de Bom Conselho. Parabéns, Marilene (não uso dona pois, pelo que mostram as fotos você deve ser mais nova do que eu).

Lucinha Peixoto – lucinhapeixoto@citltda.com
P.S. - As fotos são do Site de Bom Conselho. Não conhecemos a bela jovem da segunda foto, será que é neta do Seu Clívio?

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