quarta-feira, 29 de julho de 2009

Sport Club de Bom Conselho - Um Sonho



Todos sabem eu sou um apaixonado por futebol. Meus maiores sonhos foram sonhados quando eu jogava futebol. Minto, porque ainda hoje jogo porém, não sonho mais. Pelo menos não em ser convocado para Seleção Brasileira ou jogar pelo Náutico. Isto agora virou pesadelo. Não convocam mais nem brasileiros, só estrangeiros para a Seleção e o alvirrubro dos Aflitos, só perde.
Então voltemos a Bom Conselho e aos sonhos. Não me lembro de datas corretas em que os fatos que narrarei aconteceram e a ordem deles pode estar embaralhada pela expulsão de alguns neurônios do meu campo cerebral, sem um “banco” a altura para fazer as substituições adequadas.
Eu era bom de bola, na época. Pelo menos era o que diziam e eu não tentava desmentir ninguém. Certo dia, por esta fama, fui procurado por Seu Zé Sá Barrreto. Ela era filho de Seu Barretinho que morava numa casa lá no oitão da Igreja Matriz. Era irmão de Gracinha Sá Barreto, que eu achava linda mas, não era paro o meu bico. Ficava só olhando aqueles cabelos loiros, olhos claros e sorriso inconfundível. Faleceu jovem e, tenho certeza, a beleza do mundo diminuiu.
Seu Zé Sá Barreto era inconfundível. Alto, magro, alvo, pequeno bigode e um andar de Jeca Tatu que era reconhecido de longe. (E aqui vale um parêntese de esclarecimento. O tempo de verbo utilizado refere-se à época dos fatos e não às pessoas, que podem ainda estar vivas. Se o Seu Zé Sá Barreto não morreu, e eu espero que não, pode comprovar esta história). Certo dia ele me encontrou, quando eu ia para o trabalho, lá na Rua da Cadeia em frente aos Correios, onde estava seu Benone, a quem nós cumprimentamos antes de entabular nossa conversa. Disse ele:
- Oi Jameson, tudo bom? Quero falar com você. Tás com tempo agora?
- Claro Seu Zé, ainda não tá na hora do comércio abrir.
- É porque eu tenho uma proposta prá te fazer!
Como sabia que ele era muito ligado ao futebol, o alarme dos sonhos disparou, já pensando besteira. Será que algum time de fora falou com ele prá me levar? Como se fosse hoje em dia, vi-me já com meu brinco do tamanho do do Robinho, um aparelho nos dentes igual ao de Ciro, uma corrente de ouro como a do Romário e comprando uma casa prá minha avó. A conversa prosseguiu.
- Pode dizer, Seu Zé.
- Eu e mais algumas pessoas queremos fundar um time de futebol na cidade. Será o Sport. Sei que você não torce pelo Sport de Recife, mas, este será o Sport de Bom Conselho. E como você é o nosso maior meia-armador, quero lhe convidar prá fazer parte dele. Seu Clívio, conhece Seu Clívio, o professor, também está por trás disto. Queremos começar do zero prá fazer um time bom.
- E como ficaria minha situação com o outro time, em que jogo?
- No início, vai ser só para ir se entrosando, já falei com Jorge Torres e ele concorda.
- Bem, se é assim eu topo. Tem chuteira?
- Tem algumas mas estamos montando nosso padrão aos poucos. Posso esperar você então? Estamos fazendo alguns “individuais” lá no Centro. Pode aparecer.
Nos despedimos, fui para o trabalho e ele entrou na casa de Seu Vitinho.
Devo explicar que “individual” era como se chamavam alguns exercícios feitos sobre a orientação de um preparador físico, penso que ainda hoje é. Fui a alguns lá no Centro. Não me lembro mais de quem participava dos exercícios, lembro do Zé Carlos, do Seu Clívio, do Luciano, do João, do Adalberto e da presença, sem deles participar de Basto de Eulália, que era Sport “doente”, como se diz no mundo do futebol.
Na primeira vez em que se fez o “individual”, havia um exercício, no qual colocávamos as mãos cruzadas na nuca e tentávamos ficar de cócoras e levantar bem devagar. Digo tentávamos, porque nem todos conseguiam ir até embaixo e muito menos se levantar. O riso ecoava forte com o barulho feito pelas articulações dos “atletas”, quando baixava e levantava. Alguém de fora diria que todos os ossos estariam sendo quebrados, enquanto seu Clívio, que tinha um melhor preparo físico incentivava naquilo que podia: Vamos, vamos, amanhã dói menos!
Fizemos alguns treinos, contudo, o Sport nunca jogou oficialmente, acho que não. Pelo menos comigo não. Foi mais um destes projetos que levam os adolescentes a sonhar e morrem pelo caminho. No entanto, pensemos bem, a vida não é assim?

Jameson Pinheirojamesonpinheiro@citltda.com
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P.S. – Os neurônios do Diretor Presidente também trabalharam (pouco) neste texto.

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