segunda-feira, 13 de julho de 2009

TRANSVERSALIZANDO 2




Felipe Alapenha, José Fernandes, Alexandre Tenório, Luiz Clério - pelo que pude perceber, todos envolvidos nesse tema tão outroramente reservado às castas oligárquicas da nossa terra. Uns moram lá, outros cá, mas todos com o sentimento de amor à terra em que nasceu. Quão isto é bom. Principalmente porque confirma o sinal dos nossos tempos em que não basta a intenção, mas os fatos; não basta a teoria, mas a prática, como não bastam nem só o riso, nem só a dor. Bastará a todos o SENTIR. A consciência do "não calar", em plena era da comunicação, em plena era do conhecimento em que este se transforma em forte poder para o bem e para o mal.
Com sabemos, a discussão é boa e salutar. A política no seu sentido maior é tudo de bom e nos envolve acometendo-nos, nalguns momentos, de verdadeira paixão pelos seus conceitos. Diante disto, lembro quando estudante no São Geraldo, que a gente não podia nem dar um "piu" que era comunista, terrorista e outros "istas". Hoje sabemos que fazia parte daquele momento negérrimo da nossa sociedade e que tão bem soubemos dar o troco. Por isto, fico feliz com esses embates positivos envolvendo tantos conterrâneos ativos, inteligentes e bons escritores, o que é melhor. Porque, guardadas as devidas excessões, a geração "self service", Hamburger, Fashion, escreve muito ruim e, pelo andar da carruagem, deve pensar igualmente. Afinal, nossa terra tem o diferencial do conhecimento, da escrita, do bem falar e escrever e disto muito me orgulho. E quando o viés é o da polítcia, tudo ganha um trato melhor, pois não basta falar e escrever, mas conceituar e isto requer leitura, reflexão, sentimento do mundo e consciência cidadã.
Daqui, neste domingo xoxo (chove, mas não chove), prefiro me enfronhar nesse "debate" como prova de que "longe é um lugar que não existe", pois a gente sai da nossa terra e jamais se desliga dela. É qualquer coisa meio visceral, meio mãe mesmo, que nos faz ficar plugados nos acontecimentos e neles interferindo quando a possibilidade existir.
Nessa hora, provavelmente, a missa da matriz já tenha começado. É uma das minhas lembranças mais bonitas dos meus tempos. Outra é "Caldeirões dos Guedes", que ouvia chamarem de "Carderão dos Guede", mas em qualquer uma me identifica o sentimento de longe ou perto. Sempre que a gente queria dizer de um lugar longe dizia é como daqui em "Carderão dos Guede". Isto mostra a questão dos conceitos, pois os nossos referenciais eram aqueles que estavam perto, alí, ao alcance da mão. Podem dizer: mas estavas falando de política. E continuo, posto que o sentimento de amor a terra é político, antes de ser geográfico. É como o "Buraco do Bulandin" que percorreu meus medos de criança e minhas fantasias de adolescente. Esses dois exemplos mostram no meu espelho os meus ontens, ou seja, são reais, posto que permanecem lúcida e ludicamente.
E como hoje é domingo, podemos nos permitir ao "vale a pena viver de novo". Por isto, Judite, Felipe, José, Luiz, Alexandre, todos, continuemos em ciranda, de mãos dadas. Prova que saimos do imobilismo das filas indianas em que um fica atrás do outro e o mundo fica sendo visto apenas pelo primeiro. A lógica é a da ciranda mesmo; é da roda de conversa mesmo; é a da verbalização mesmo. Mas é a da concretude também, posto que "nada mais prático do que uma boa teoria". Pela crença de que no final tudo dá certo e que, quando não dá certo é porque não chegou ao final, finalizo. Pode ser que volte... Ou não. Pode ser que re-volte, ou não. Pode ser que... E que venha logo um novo bispo. Porque faz tempo que eu não desejo mal a niguém, mandando "reclamar ao bispo".
Um bom domingo.

Carlos Sena - csena51@hotmail.com

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