sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Respostas a alguns leitores



Hoje cheguei na CIT cedo e disposta a lançar mais dois vídeos que produzimos e dormem nos computadores dos nossos funcionários, que agora só pensam em escrever no nosso Blog. Daqui a pouco, alguns podem pensar ser esta a nossa principal finalidade, quando não é.
Embora, pensando bem, mesmo escrevendo estamos produzindo risos e emoções. Minhas andanças no site de Bom Conselho (SBC - obrigada, Roberto, pela sigla), as andanças da Eliúde por São Paulo, as andanças de Zé Andando por Caetés, parecem ser lidas por algumas pessoas e, se não produzimos risos, produzimos outros tipos de emoções, sempre esperando, que sejam boas emoções.
Os vídeos continuam a esperar um pouco, porque fui ver meus e-mails e ler o Blog da CIT. Lá chegando havia dois Complementos. - Um pequeno parêntese dirigido aqueles que não lidam com estes troços modernos de Blogs, e mídia eletrônica. Publicamos nossos textos, normalmente as 6:00 horas da manhã. Isto foi decidido porque, como todos sabem, O Andarilho é o primeiro a ler nossas publicações e ele acorda muito cedo. Descobrimos agora que o Dr. Alírio Cavalcanti, tem também o mesmo hábito. Quando chegou o aviso propagandístico do Diretor Presidente, ele já estava nos lendo. O nosso DP não tem os seus hábitos. Caro Dr. Alírio, continue com este hábito de acordar cedo e também o hábito de ler nosso Blog cedo. Eu os tenho também, e agradeço ao senhor por ler-nos. Aqui é quase tudo preguiçoso, só acordam tarde e quem está de plantão programa as postagens para sair de manhã cedo. Portanto, quando vocês estiverem lendo estas linhas, eu talvez já esteja em Caldeirões (quem me dera!). Mas, fim do parêntese. - Fui ao Blog e já temos mais duas postagens. Além disso fui ao nosso Mural e lá estavam alguns comentários ao meus textos.
Logo chegou o Diretor Presidente e foi ao computador dele, que ele não cansa de repetir, romanticamente, para ele: "...muitos computadores mas um só IP". Ele diz que é uma paráfrase da frase, "...muitas cabeças mas um só coração", em que eu não vejo romantismo algum. Um dos seus interesses é ver quantas pessoas leram o nosso Blog no dia anterior. Hoje eu tive interesse de ver isto também, no dia em saíram meus textos. Foram 122 acessos. Quase um recorde diário. Quis ficar alegre, mas a realidade se sobrepôs. Tenho certeza que foram 100 acessos ao brilhante artigo de minha amiga Ana Luna, e 22 ao meu. Como eu reli meu texto umas 5 vezes, meu marido uma (cobro dele uma discussão do artigo, senão eu não discuto com ele se o Shankar está certo ao tentar ser um Saniaze), e aqui na CIT alguns acessaram, e mais Roberto Lira, o Etiene Miranda, o Dr. Alírio, o Gildo, O Andarilho e alguns outros "firanghi - estrangeiros" que formaram os 22, como aqueles “22 do forte que tombaram”. Respondo a estes que tombaram. A ordem é o da chegada dos e-mails.

Caro Alírio Cavalcanti, tenho poucas coisas a lhe dizer. Quanto ao seu orgulho em ser comparado ao O Andarilho e o vice-versa, só nos comprova a tese da santíssima trindade (coloquei em minúscula porque O Andarilho, que depois do exorcismo já escreve para os mortos, não confunda com o nosso Santo Mistério, e comece a brigar para ser o Pai). Quanto à afluência de bom-conselhenses à festa, quis dizer apenas que não vi ninguém conhecido nas fotos. Não vi também o Rui Barbosa, será que o Cardeal Primaz do Brasil proibiu a sua entrada, por algumas ideias anti-clericais? Ainda bem que não era o Dom José, pois aí o ponto máximo da festa seria a distribuição de excomunhões. “Quem diz que todo bispo presta?” Quem pergunta não sou eu, é Dom Clemente Isnard, que, pela nosso conhecimento e prática do credo católico, todos conhecemos como um monge beneditino de 92 anos. A pergunta é feita no seu livro “A experiência ensina o bispo”, que todos nós católicos responsáveis e não fundamentalistas, deveríamos ler (o link para uma entrevista do monge ao Diário de Pernambuco de 25/08/2009 está no fim deste texto). A Colônia Papacaceira é que tem de julgar sobre o Cardeal. O que penso é, se O Andarilho preponderar na trindade, criticando autoridades de Bom Conselho por não fazer louvações à colônia (ver sua coluna no SBC), como se as autoridades não tivessem mais nada o que fazer, qualquer brilho de festa ficará empanado por suas ideias mirabolantes. Então, usem água benta baiana, dizem que é da melhor espécie, pois também é abençoada pelos Orixás. Saravá!

Caro Etiene Miranda, sempre li seus artigos e eles fazem falta à Academia. Você captou a mensagem que com duas palavras pode-se dizer muita coisa, e quase tudo para um escritor: “escrevem bem”. Uma certa época estive conversando com o Jameson Pinheiro, nosso colega, sobre o Zé Mole, que você descreve tão bem em uma de suas crônicas. É disso que Bom Conselho precisa, resgatar seus valores do passado para que eles sirvam aos valores do futuro (Desculpe se a frase soou como discurso de candidata a vereadora, quem sabe em 2012, se Ana Luna ainda não for cidadã de Bom Conselho, como diz o José Fernandes, promessa é dívida). Agora com os problemas “internetais” resolvidos, esperamos a sua volta.

Caro Roberto Lira, eu e o Oliveira (é assim que chamamos o nosso ateu Cleómenes aqui) temos conversado muito, e ultimamente, o assunto é você. Ele já era meio doido, mas agora só não atira pedra se não encontrar. Inventou um tal de diálogo com você, que li o que foi publicado, e agora só vejo ele com os livros do ateu mor, Dawkins, querendo acompanhar o seu pique. Eu digo a ele: "Oliveira tu não vás agüentar, o Roberto é um bicicleteiro, pense no fôlego e na saúde que ele tem. Tu, com este físico de tísico que parou o tratamento, não vás muito longe."
Este é o nível de conversa que as vezes tenho com o Cleómenes. Discordamos quase sempre em matéria de religião ou não religião, mas concordamos em um monte de coisas da vida. Pelo que li de você, pela sua sensatez de candidato a saniaze, faço uma ilação que me leva à pergunta: Será que todo cara que é não religioso tem o caráter e a bondade do Oliveira e do Roberto? Meu não fundamentalismo vem, em parte, daí. Quero ir para o céu, e estar sentada a mão direita do Pai, quando morrer, mas para isto não preciso levar ninguém comigo, à força. Não preciso batizar índio na porrada, nem dizer que escravo não tem alma, por que não é católico. Simplesmente acho que quem não é batizado não vai para céu quando morrer, mas tem muitos batizados que também não irão e não merecem ir, além de acreditar que podem existir outros céus que não o meu.
Escrevi alguma coisa para o Cleómenes quando ele me mostrou um seu e-mail, que queria participar do diálogo de vocês. O problema é tempo. E o dele também. Mas, no diálogo, é muito bom mesmo que estejamos em lados opostos ou, para ser mais realistas, em lados diferentes. Com você eu discutiria somente a não-religiosidade e com nosso ateu deveria ir mais além, e discutir a não existência de Deus, o que você diz e com razão, num dos seus artigos, que para isto deveríamos definir Deus, para saber do que estamos falando, e aí o papo já seria outro. Pois digo a ele, e o cabeça dura não compreende que, se não concordamos com o que estamos falando, ou quando um Deus de um é uma coisa e Deus de outro é outra coisa, entramos numa discussão estéril e inútil. Torna-se uma questão de preferência: Sou ateu graças a Deus, creio em Deus graças a Deus. Portando pulemos esta parte, para quando você, com quem converso agora, se tornar ateu, igual ao Cleómenes. Que Deus te livre! Deus existe e revogam-se as disposições em contrário.
Voltamos às religiões, da idade da pedra, primitivas e modernas. Todas falam em Deus e se não falam não são das religiões que estamos falando. São doutrinas filosóficas e doutrinárias que não serão levadas em conta aqui, sem nenhum desmerecimento. Qual o verdadeiro Deus? Para mim é o Deus de Abraão, Isaac e Jacob. Aquele mesmo do Velho Testamento, que você diz ter deixado de acreditar desde muito tempo, que ditou para os seus profetas e santos as Sagradas Escrituras, e nos enviou o seu Filho, para dar-nos a salvação, se quisemos sermos salvos, e que através dele nos deixou as palavras certas para construirmos um mundo de fraternidade e amor aqui na terra, e para quem nele crer não pereça mas tenha a vida eterna.
O bom destes diálogos é que devemos voltar a ler, nem que seja à força. Fui reler meus gurus, estou longe de terminar, nem sei se vou, mas aqui cito um deles a quem depois voltarei se decidir entrar nesta conversa de vocês (Será que estou ficando maluca? “Hare baba!”). É o Francis S. Collins. É um cara que começou físico, foi ser biólogo e parece que agora é médico e matemático, e seu principal cacife nesta matéria é ter sido o Diretor do Projeto Genoma e é um crente. Em seu livro A Linguagem de Deus, penso que você conhece, e eu estou procurando um .pdf na rêde para indicá-lo à nossa biblioteca, ele tem uma pergunta central:

“... nesta era moderna de cosmologia, evolução e genoma humano, será que ainda existe a possibilidade de uma harmonia satisfatória entre as visões de mundo científica e espiritual? Eu respondo com um sonoro sim! Em minha opinião, não há conflitos entre ser um cientista que age com severidade e uma pessoa que crê num Deus que tem interesse pessoal em cada um de nós. O domínio da ciência está em explorar a natureza. O domínio de Deus encontra-se no mundo espiritual, um campo que não é possível esquadrinhar com os instrumentos e a linguagem da ciência; deve ser examinado com o coração, com a mente e com a alma - e a mente deve encontrar uma forma de abarcar ambos os campos.”

É com este espírito que talvez entre na conversa, tentando mostrar que as religiões organizadas tem um relevante papel na busca de respostas que são imanentes ao ser humano e, que o Deus de Einstein, que criou tudo e depois foi descansar e, talvez, viver com o auxílio do Bolsa Família, não é a explicação cabal para a Lei Moral que existe dentro de cada um de nós, e que a fé no Deus completo, com que elas lidam desde o primeiro humano, parece mais racional do que parece. Por acaso, coincidência ou mesmo pela vontade de Deus nasci católica, e penso mostrar, quanto esta religião pode ser importante, assim como todas as outras, na resposta de nossas indagações. Entretanto, temos que discutir com a religião católica que acreditamos esteja dentro de nós. Fatalmente não é mesma de certos bispos e mesmo papas, que pensam que a Lei Moral se aplica de fora para dentro e não o contrário. Será que terei tempo de me explicar antes de antes de morrer? Aviso: Não quero ser bispa em Rainha Isabel, prefiro Caldeirões.

Caro Gildo Póvoas, agradeço demais sua leitura de minhas tortuosas linhas. Sou também sua leitora assídua, quando você publica aqui em nosso Blog principalmente. Mas, mesmo quando só publica no site, quando vou lá não deixo de ler os seus textos. Aproveitando o ensejo devo dizer que me lembro de sua irmã Mercês, lá no Vuco-Vuco de seu Joaquim. Arrastei muito o meu sári lá comprando colchetes prá minha mãe. Obrigada.

Estes foram meus leitores. Enquanto convencia o nosso Conselho Editorial a publicar estas respostas no Blog, porque ficou muito grande para o nosso Mural, vi mais um artigo que comenta algumas notas minhas lá. Era o meu amigo José Fernandes (http://www.citltda.com/2009/08/proposito-de-propositos.html) pagando uma dívida que eu nem lembrava mais, de fazer uma comentário sobre elas. E sei, gente como ele não vai para SPC nem para SERASA. Seu texto é maravilhoso, como se diz, vai aos pontos e ainda os coloca nos “i”s. Além disto, a parte relativa aos homossexuais é a seriedade com humor. Você diz que pode discordar de mim a qualquer tempo, e isto é salutar, mas não vá ficar zangado com o que vou confessar aqui.
Não gostei quando mudaram a imagem do SBC em sua página inicial, trocando aquela vista aérea lindíssima por aquela do caçador. A partir do seu artigo já a estou vendo com outros olhos, pois agora sei que aquele cara atirando no “bambi” só pode ser você, ou um seu ancestral. Será que sobrou algum "bambi" em Papacaça? Se sobrou, amigo, se cuide no próximo encontro de papacaceiros, algum pode querer vingar aquela morte cruel. Obrigada, amigo e desculpe as minhas jocosidades (de onde fui tirar esta palavra? Cruzes!).

Lucinha Peixoto – lucinhapeixoto@citltda.com
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Links para matéria do Diário de Pernambuco

http://www.diariodepernambuco.com.br/2009/08/25/viver1_0.asp
http://www.diariodepernambuco.com.br/2009/08/25/viver1_1.asp
http://www.diariodepernambuco.com.br/2009/08/25/viver1_2.asp

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