sábado, 8 de agosto de 2009

Um tributo a Marlos - Complemento



Cleómenes, boa tarde.

Recebi do Diretor Presidente da CIT Ltda um e-mail, convidando para uma apreciação do texto que você escreveu “Um tributo a Marlos - Sinais da Inexistência de Deus”. Achei oportuno enviar para você uma ligeira consideração sobre o texto.

Antes da breve consideração sobre o texto gostaria de salientar alguns pontos sobre minha convivência com o Marlos. Tenho o Marlos como o mais importante amigo-irmão das minhas convivências nessa trajetória de vida. Fui responsável pela difusão que o levou a Fundação Logosófica. Compartilhamos muitas inquietudes nesses últimos trinta anos, sobre vários aspectos da vida e de nossas vidas, embora, muitas vezes tivéssemos compreensões diferentes sobre vários conceitos. Nunca, nunca mesmo, entravamos em conflito, sempre, manifestávamos nosso ponto de vista e deixávamos que o outro o acolhesse se quisesse ou se não, “beleza”, bola prá frente.

Um tributo a Marlos - Sinais da Inexistência de Deus”. Entendo que a sua manifestação no texto a respeito da Logosofia corresponde, sintéticamente, a alguns dos conceitos logosóficos. Vou me abster de comentar sobre esses conceitos por não ser mais um difusor dessa ciência. Fui estudante de Logosofia por alguns anos, mas, em determinado momento, resolvi assumir sozinho o “Processo de Evolução Consciente” que a Fundação Logosófica propõe seja realizado, através do método logosófico. Asssim, solicitei formalmente meu afastamento da escola logosófica, por isso penso ser justificável minha abstenção a essa parte do texto. Quanto ao restante do texto vou fazer algumas breves considerações.

O seu diálogo construído para o “professor e o aluno” complementa, muito bem, o diálogo do Marlos. Entendo que devemos ser sensíveis não apenas para o belo, mas também para o feio, para a alegria e para tristeza, para o prazer e para o sofrimento, enfim sermos sensíveis para tudo.

Agora, quanto a controvérsia da “Existência de Deus X Inexistência de Deus”, o bicho pega, isso pelo menos para mim. É lógico que não estou me referindo à existência de um Deus na forma que a maioria das religiões ocidentais promulgam. Vamos tentar analisar essa questão mais aprofundadamente. Já fui católico, espírita, teósofo, logósofo e hoje, me considero, um homem livre. Para mim a liberdade da alma, do espírito, do pensador ou do quer que seja o “Eu”, é a coisa mais “Sagrada” que pode existir. Se é que existe algo “Sagrado”. Com certeza, como diz Krishinamurti: “Deus não é a palavra; a palavra não é a coisa. Para conhecer Aquilo que é imensurável, independente do tempo, a mente deve estar livre do tempo, o que significa que deve estar livre de todo pensamento, de todas as idéias relativas a Deus.”

Às vezes quero me dar um rótulo, mas estou sempre questionando se o rótulo que me dou está coerente com o que sou. Com certeza crente eu não sou. Não tenho nenhuma fé ou crença religiosa. Penso que poderia ser chamado de Agnóstico, como definido por Thomas Henry Huxley: “... alguém que acredita que a questão da existência ou não de um poder Superior (Deus) não foi nem nunca será resolvida.”. Lembrando que, dentro do Agnosticismo há uma divisão interna entre o Agnósticismo Teísta e o Agnósticismo Ateísta. Entendo também que antes da existência de Deus ser discutida ser necessário rever o pressuposto Ignóstico, que baseia-se na condição de que primeiramente é preciso definir Deus, para posteriormente discutir sua existência. Para cada definição de Deus, pode haver uma discussão diferente e diferentes grupos de ateus, teístas e agnósticos. Ver melhor esses conceitos em http://pt.wikipedia.org/wiki/Agnosticismo.

Caro Cleómenes, as energias para pensar estão se esgotando, por isso vou finalizar nosso intercâmbio por hoje, não sem antes manifestar minha compreensão sobre a existência de Deus. Por certo, se Ele existe não é produto da mente, não é resultado de auto-projeção; é algo que se manifesta de momento a momento, e só pode ser compreendido num estado de liberdade, e não quando a mente foi disciplinada, de acordo com algum padrão, religioso ou não.

Roberto José Tenório Lira - rjtlira@yahoo.com.br

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