terça-feira, 29 de setembro de 2009

O DIA QUE BOM CONSELHO PAROU - 1ª parte - INTRODUÇÃO

A TV Jornal do Comércio iniciou um programa intitulado CAMPEONATO DAS CIDADES era apresentado por Ademar Paiva, e visava confrontar uma cidade contra a outra, e no final a vencedora ganhava uma ambulância zero quilômetro, o prefeito do nosso município era WALMIR SOARES, que prontamente inscreveu nossa cidade, a cidade sorteada para confrontar a nossa foi Surubim, isto causou o maior reboliço nas duas cidades, pois CHACRINHA E PEDRO DE LARA eram os personagens destas duas cidades conhecidos nacionalmente, e naquela época Pedro de Lara era jurado no programa de Chacrinha, diante deste fato a disputa saiu do âmbito estadual e ganhou o âmbito nacional, pois os dois artistas comentavam constantemente a disputa que iriam travar as suas cidades.

A disputa movimentou todos os bom-conselhenses tantos os que moravam aqui como os que moravam fora da nossa cidade, a disputa era feita em vários quadros como, quebra de braço, bola na cesta, chute a gol, o homem mais bonito, a mulher mais bonita, uma cantora, um cantor, uma banda marcial, um musico, uma curiosidade, um personagem importante, uma relíquia e o quadro que valia mais ponto que era 30 MINUTOS DE TEMPO LIVRE, em que a cidade apresentava vários quadro que representavam a arte e cultura da cidade.

Poderei errar ou esquecer alguns fatos, mas na essência o que vou narrar é o que se aproxima mais próximo do ocorrido, isto que narrarei está dentro da minha cabeça, pois para um jovem de 12 para 13 anos aquilo que estava acontecendo era algo maravilhoso, inesquecível, foi sem duvida o maior momento da historia recente de nossa cidade, aquela disputa como já falei mobilizou todos. Pela primeira vez se deixou de lado as cores políticas e foi vestida a camisa de Bom Conselho, ganhar de Surubim era uma questão de honra, nosso Pedro de Lara tinha de ganhar do Chacrinha.


Uma coisa devemos salientar, o nosso comandante supremo foi Walmir Soares ( prefeito do nosso município) deu total apoio as ações que deveriam ser feita, ele não mediu esforços para fazer nossa cidade brilhar no cenário pernambucano, embora fosse uma pessoa de poucas letras, porém era uma pessoa muito vaidosa, e como era o seu primeiro mandato ele queria deixar marcado para a posteridade este feito do seu governo, a coisa alcançou uma dimensão que nunca foi pensado que iria alcançar, a sociedade inteira participou a maçonaria, lions clube, os colégios, a associação comercial, bancos enfim toda Bom conselho estava unida pela vitória.

No dia do confronto entre as duas cidades, Pernambuco parou, pois era o encontro mais importante que iria ter, nenhum confronto foi tão aguardado quanto o nosso, mesmo outras cidades mais importantes que disputavam não tinham tido a atenção que BOM CONSELHO CONTRA SURUBIM teve.

Alexandre Tenório - tenoriovieira@uol.com.br

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(continua neste mesmo Blog, aguardem) (*) Fotos do evento enviadas pelo autor.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

CIDADES X CIDADE


Cidades! Aglomerados urbanos de identidades que se cruzam e entrecruzam. Aglomerados de existências que se submetem a um rígido padrão de exigências para o convívio diário.
Cidades, viver, sobreviver ante e dentro de um caos organizado. Viver cidades, quantas, tantas! Diversidade de cidades.
Gama de informações que somos obrigados a ingerir para viver cidades.
Células que no seu funcionamento não pode nunca fugir do objetivo que foram criadas.
Cidades! Impessoal coletivo; quanto maior, mais distante e mais fácil de cairmos no anonimato. Somos engolidos a cada dia, um pouquinho. Somos sugados a cada minuto pelo movimento incessante do viver em cidades.
Cidades escadas cujos degraus são inversamente proporcionais a nossa idade. Quanto mais avançamos no tempo, menos tempo nos resta.
Mas, existe uma cidade dentro de cada um de nós!
Por mais que vivamos cidades, existe uma só que é a eleita do nosso coração. E dentro de você, de mim, de nós mora uma cidade. Não uma cidade fictícia, mas uma cidade que é real, palpável. Uma cidade onde só você tem a chave.
Como é essa cidade que mora dentro de você, que me lê, agora?
A cidade que mora dentro de mim, é uma cidade do tamanho dos meus sentimentos. Uma cidade que não mudou com o tempo. Não têm administradores, é controlada pelo meu coração.
Dentro de mim tem uma cidade que me impulsiona a crescer, a criar, a entender.
Dentro de mim tem uma cidade que é energia, meu refugio, onde nos momentos mais difícies serve-me de alento e encorajamento.
Dentro de mim mora uma cidade que é o meu sonho sonhado e vivido.
Dentro de mim mora uma cidade que está onde estou.
Uma cidade que me guarda, me acalenta, me impulsiona a ir adiante.
Dentro de mim mora uma cidade que é mais que uma cidade no sentido físico. É uma cidade que me viu nascer, me acompanhou na minha primeira infância e que me arremeteu para bem longe. Foi necessário!.
Dentro de mim mora uma cidade que é o meu porto seguro. Lugar onde as minhas lembranças mais pueris da infância estão armazenadas.
Dentro de mim mora uma cidade que me renova a cada dia, e me faz feliz.
Esta cidade é um conselho; não um conselho a ser seguido, mas um conselho a ser vivido:
Um BOM CONSELHO!!!!

Gildo Póvoas - gildopovoas@hotmail.com

sábado, 26 de setembro de 2009

Lula e a Academia



Faz algum tempo que não venho por estas bandas do Blog. Leio-o quase todos os dias, quando minha conexão em Caetés não cai. Vídeos do YouTube, nem pensar. Quando quero ver algum, tenho que rodar muito pela cidade, enquanto o meu computador o downlouda.
Hoje estou aqui por um motivo especial. Li, no nosso Blog, mais específicamente em seu Mural, uma postagem de Zetinho para Lucinha, onde ele elogia seu artigo sobre o Ginásio, e aqui eu também o faço (ela fez um bom curso comigo, quando criamos o Manual de Redação da CIT), parabéns Lucinha. Porém, o que mais me chamou a atenção foi a lembrança dele da Academia lá de Bom Conselho. De vez em quando, eu e Lucinha trocamos idéias sobre um empreendimento deste porte. Além da falta do que fazer na CIT, pois ninguém aceitava mais meus conselhos editoriais, um tanto radicais, reconheço, o que me levou a fixar-me mais ao meu torrão natal, Caetés, foi a esperança de que pudesse aqui também fundar uma Academia: Academia Caeteense de Letras.
Ainda hoje não desisti totalmente da ideia. Mas, está difícil. E os problemas que temos ao tentar fazer isto, são muito parecidos com aqueles que presenciei e sei de Bom Conselho, que apesar de se chamar Cidades das Escolas, nos últimos tempos, os enlatados e embutidos parece que venceram. Por isso, tenho o dever, pela a acolhida que sempre tive naquela cidade, de relatar minha experiência aqui em Caetés, com o intuito de ajudá-los.
Em primeiro lugar, a cidade não tinha epítetos, ao contrário de Bom Conselho. Hoje tem: É a Cidade do Lula. Isto foi bom e, ao mesmo tempo, não foi, para o nosso empreendimento da Academia. Foi bom porque, de repente, nos vimos no noticiário nacional e até internacional, como terra do presidente, embora, muitos vezes, nos confundam com Garanhuns, do qual fomos emancipados, já faz um tempo. E foi muito ruim, porque Lula ainda não morreu, e não podemos fazer a a ele a homenagem, muito justa por sinal, que Bom Conselho fez ao Pedro de Lara, colocando-o como patrono da Academia de lá. Já tive vontade até, que o Lula morresse para não termos este problema, e o colocarmos como o patrono da nossa, pois patrono só morto. Mas estou só pensando alto. Deus me livre de sua morte, porque temos uma solução mais adequada, embora muito mais difícil: O Lula escrever um livro e ser um dos membros da Academia. Obviamente sua cadeira seria a de número 13, por motivos óbvios. Seria uma solução “a la Getúlio Vargas”. Getúlio entrou na Academia Brasileira de Letras com o único livro: “A Nova Política do Brasil (discursos reunidos)”. Ainda hoje procuro alguém que o leu mas, isto não tem importância, temos a CLT. O livro do Lula poderia ter até o mesmo nome, pois teríamos o Bolsa Família e o Pré-sal, para garantir sua eleição. Uma solução igual foi aplicada em Alagoas. O ex-presidente Collor foi convidado para ser um membro da Academia Alagoana de Letras, por um livro que ainda vai ser publicado. Parece que o título do livro será: “Não me deixem só”. Como agora o Lula e o Collor são amigos íntimos, esta solução poderia ser adotada para Lula. Basta apenas ele prometer que vai escrever um livro, e pronto. Minha sugestão para o título seria: “Minha Infância com o Zezinho em Caetés”. Sei que Bom Conselho não tem este tipo de problema, pois lá há muitos mortos para serem patronos das cadeiras, e vivos, não há nenhum com a importância do nosso futuro imortal, Lula, no entanto, quem sabe um dia?
Em segundo lugar, temos pessoas que escrevem e tem interesse na fundação de uma academia, mas quase todos moram fora da cidade e, os que cá moram não tem muito interesse. Quando me vêem passar na rua, dizem logo:

- Lá vem o Zezinho com aquela ideia maluca de Academia!

Talvez isto não ocorra com Zetinho, lá em Bom Conselho, mas vai terminar ocorrendo, se ele insistir, como eu, na ideia. Entretanto, “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”. E eu também continuo insistindo no assunto. Se me chamam de doido, nem ligo e passo ao largo.
Alguns dias atrás, sabendo que o Presidente Lula estava em Ipojuca para batizar um navio, pois com o seu prestígio, ele agora “casa e batiza” até navios, fui lá. Eu o conheci no tempo de criança, o Lulinha, filho de D. Lindu. Brincamos muito, juntos, mesmo sendo minha família de mais posses do que a dele naquela época. Como o mundo gira! Hoje eu daria tudo para falar com ele, ou quase tudo. Mas em Ipojuca não pude chegar nem perto dele. Quando ele vier a Bom Conselho inaugurar a fábrica de salsicha eu serei mais agressivo. Será que ele ficará no Hotel Raízes? Hospedei-me lá várias vezes, mas não foi na suíte presidencial. De qualquer forma ficarei escondido, ali pela Igreja de Santo Antônio e pularei pelo o muro do Cuscuz assim que ele aparecer.
Não quero nada para mim, só penso em Caetés e no possível apoio que ele, apesar de não gostar muito da vida literária, pode dar à nossa Academia. E além daquele abraço de amigo de infância, no qual ambos pensamos que o que fizemos é coisa do passado e não se deve falar tudo, diria a ele dos meus planos de torná-lo imortal.
Quanto a Academia Bom-conselhense de Letras, só posso dizer a Lucinha e ao Zetinho, não desistam da ideia, continuem firme. Mesmo não tendo um Presidente da Republica entre os seus filhos, vocês tem um Diretor Presidente. Ele, de vez em quando, escreve alguma coisa, já merece uma cadeira lá. Soube que o Livro do Blog da CIT – Volume 2, está sendo editado, então, quem não tem Presidente caça com o Diretor Presidente.

José Andando de Costas – jad67@citltda.com

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

O GINÁSIO SÃO GERALDO, que nasceu cheio de glória...



Quando viu meus artigos sobre o 7 de setembro, o Diretor Presidente foi ao SBC também ver as fotos do desfile. Ele disse que não navega muito por lá. Eu penso que ele navega sim, e com mais frequência do que diz mas, deixa isto prá lá. O importante é que ele também queria escrever sobre o São Geraldo vendo as fotos. Falei grosso, e disse que estava na fila e a vez era minha. Meu Deus, até eu estou machista hoje. Devia usar: “Falei sério”, pois mulher não precisa ser grossa, precisa ser séria. É assim que vamos conquistando nosso lugar neste mundo de “machos”. Ele, o DP, apenas contribuiu com algumas poucas informações. E vamos lá.
Na primeira página das fotos de Niedja vi um título: “Chá Casa da Caridade”. Pensei estivesse enganada de desfile, mas vi a foto dela, em frente ao Ginásio e resolvi explorar, navegando pelas fotos, e descobri ser apenas um erro do SBC. Fui em frente.
Fixei-me na Quadra Poliesportiva Joaquim Cirilo.
A homenagem me fez lembrar do homenageado, aquele homem baixinho e culto, a quem nos dirigíamos para tirar dúvidas sobre o significado das palavras. Dr. Cirilo era um dicionário ambulante e tinha opinião formada sobre tudo. Ele era o nosso Rui Barbosa sem bigode. Ainda o vejo, em estado apoplético (este termo foi uma das dúvidas que ele me tirou), gritando com minhas colegas, mais salientes, nas brincadeiras durante suas aulas: “Parem! Bando de ‘cheval!”. Nem preciso dizer, que a aula era de francês, e não me lembro do plural.
Voltando à quadra, ali, naquele chão, com uma arquitetura muito diferente, tínhamos as aulas de Educação Física e as fofocas rolavam no recreio, neste caso, só para as mulheres. Os homens, ao tocar a campainha iam “servir” no Tiro de Guerra. Alguns alunos, não chegavam a sair pelo portão principal, ficavam sentados num batente, bem perto da Biblioteca Paulo Correia Ferro. Foi ali, que a maioria de nós aprendeu o prazer da boa leitura. Alguns não estavam interessados em livro nenhum, e sim ficar olhando para dentro suspirando com a passagem de alguma paixão amadurecendo, quando passava alguma fêmea pelo corredor das salas de aula. Tocava a campainha, fila no portão e de volta ao trabalho.
Continuando a navegar, algo me chamou a atenção. Há dois nomes agora para o estabelecimento de ensino. Um Ginásio e uma Escola. Não sei o motivo disto. Entretanto, posso assegurar que a frase que existe na placa da Escola: “Educando com Competência e Qualidade”, pode ser aplicada, historicamente, ao Ginásio, e com abundantes provas, pela legião de pessoas de bem que lá foram formadas, como, premonitoriamente, diz a letra do Hino do Ginásio, de autoria do Chefe João Batista. Quanto a este hino, meses atrás, a CIT fez uma homenagem ao educandário, quando completou 60 anos, e que ainda está lá no YouTube, podendo ser acessada pelo link abaixo (liguem o som e cliquem, para ouvir, e se for ex-aluno, para chorar):



A música deste hino é da Professora Iracema Braga. Talvez minha velhice me leve a discordar da mudança da letra, colocando Colégio no lugar de Ginásio, como aparece na homenagem, feita pelo “banner”, ao Prof. Waldemar Gomes de Santana, onde ele serve de fundo para a letra do hino. Se algum dia o nosso, hoje, Colégio São Geraldo passar a ser, como todos esperamos, Universidade São Geraldo, a letra do hino ficaria: A Universidade São Geraldo...?. Para mim não soaria bem, pela métrica, nem seria mais do Chefe. A CIT ainda aguarda, dos músicos de Bom Conselho, uma versão com orquestra e coral deste nobre hino, mas, esperamos que a letra original seja mantida, mesmo que já sejamos uma Universidade. Infelizmente, aqui nesta empresa, quem mais sabe música, só atira o pau no gato, mas, fizemos o possível, na homenagem, contratando uma cantora da terra, mais especificamente, de Caldeirões dos Guedes.
No conjunto foi um desfile militarizado. Desde as balizas, aos carros alegóricos, passando pela Banda Marcial e pela coreografia do cruzamento de espadas, tudo lembrava nossas Forças Armadas, que pelo menos neste desfile foram melhor tratadas do que aquelas que estão nos quartéis, sem dinheiro nem para a bóia. Não as quero ver, outra vez, nos lugares errados, mas elas tem ainda lugares certos em qualquer país “civilizado”. E não estou falando aqui dos aviões franceses.
Onde mais me detive foi no bloco dos ex-alunos, e foi lá onde me senti mal. Não pelo desfile, mas por eu não conhecer mais ninguém, ou quase. Vi o Alfredo Camboim outra vez e, como estamos no Ginásio, não resisto em contar uma estória, que o envolve. Numa das aulas de Canto Orfeônico, ministradas por D. Iracema, no Auditório Rui Barbosa, como num passe de mágica, pois não estava chovendo nem havia torneiras perto, apareceu uma poça d’água. Todos estranhamos, entretanto não houve maiores manifestações, até que Alfredo, muito curioso, tocou com o dedo na água, e disse: “Isto aqui é xixi”. O quem foi, quem não foi, deve ter ido parar na Diretoria com seu Waldemar. O desfecho completo, não me lembro, parece que desceu no xixi.
Vi também o Di Tavares, e dele e de suas qualidades de teclador e escritor já falei muito aqui no Blog. A novidade é o chapéu de origem anglo-ibérica. Muito elegante. E, além de Lourdinha de Dona Cecília Fausto, não reconheci mais ninguém. Por ali, pelo Ginásio, passaram ainda muitos jovens depois de nós.
Eu fico imaginando, se com os meios de comunicação tão desenvolvidos, as moças de Bom Conselho, como eu fui um dia, ainda ficam com muito entusiasmo quando aparecem por lá nossas forças armadas. Lembro que, num determinado ano, no qual havia eleições, e não me lembro para que cargo, houve um pedido de tropas federais para assegurar a moralidade durante a votação. Houve tanto assédio aos nossos briosos militares, por parte de minhas colegas, que até hoje eu fico duvidando se realmente, aquele pleito decorreu decentemente. Eles não fizeram mais nada a não ser dar atenção às entusiasmadas de plantão. Não sei hoje. Será a mesma coisa? Se for, o desfile do nosso Ginásio São Geraldo, tenho certeza, foi um sucesso de público feminino. Pelo menos, pelas fotos, foi.

Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com
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(*) Fotos de Niedja Camboim no SBC.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

CASAMENTO



No antigo Egito surgiu o costume de usar aliança nos casamentos. Por ser redonda, é impossível encontrar seu fim e dessa forma representaria uma união que deveria ser para sempre. Usavam a aliança na mão esquerda, pois acreditavam que no dedo anular esquerdo havia uma veia ligada direta ao coração.......
Todos brincam muito com a instituição do matrimônio. Palavras pejorativas ou não, a maioria quer provar a doce prisão, enlaçar ou
prender, atar, unir. A cerimônia de casamento
existe praticamente em todas as religiões e crenças. A intenção é oficializar uma união perante a família, amigos e a Igreja a que se pertence. Seja católico, judaico, budista, ou islâmico, tudo o que se quer ver é a felicidade dos dois. Em nossos dias muita coisa mudou, ouvimos aqui e acolá colocações sobre "não se fazem mais casamentos como outrora.." ou "antigamente era para sempre".... o que mudou?
Recebi essa mensagem por e-mail:

"A desordem em um banheiro desperta no marido a vontade de ir tomar
banho fora de casa”. (Jornal das Moças, 1965)

“A mulher deve fazer o marido descansar nas horas vagas, servindo-lhe
uma cerveja bem gelada. Nada de incomodá-lo com serviços ou notícias
domésticas”. (Jornal das Moças, 1959)

“Se o seu marido fuma, não arrume briga pelo simples fato de cair
cinzas no tapete. Tenha cinzeiros espalhados por toda casa”. (Jornal das
Moças, 1957)

“O noivado longo é um perigo, mas nunca sugira o matrimônio. ELE é quem
decide - sempre”. (Revista Querida, 1953)

Essas frases parecem tiradas de um museu. Não...não...não.....nem tão céu nem tão terra.
assim também é demais. Creio que poucos homens hoje aceitariam algo assim.
Mudamos sim....mas há perdas e ganhos nessas mudanças.
Sou do tempo de muita coisa diferente!
Sou até do tempo que casar era para sempre!!!
Hoje sei que o sempre não existe.
Hoje sei que se houvesse volta, não faria muita coisa que fiz. Se eu pudesse voltar no tempo, não faria as tolices que fiz.....mas que me fizeram crescer. Quem não erra?
Admito hoje que não cometeria os mesmos erros, por conta do meu amadurecimento......
Sempre disse que não me casaria outra vez.
Algumas amigas dizem " que a besteira é feita uma vez só na vida....." não é verdade !!
Quero errar mil vezes!! Aprender outras mil!!!
Quero amar, rir, brincar, sonhar.......
O ser humano não nasceu para viver isolado.
A solidão é mais do que o sentimento de querer uma companhia ou querer realizar alguma atividade com outra pessoa. Ela é alma. Interior.
Dói.
Você pode estar sozinho em meio a milhares...
Ou querer. Ser. Estar.
Casamento é coisa boa. Precisa encontrar a pessoa certa. Amor e cumplicidade.
Carinho, atenção, olhar e saber tudo.
Tudo isso que falei, argumentei, expus, foi para comunicar a vocês que hoje,
21 de Setembro de 2009, me casei, nos casamos, é claro! Com direito a fazer direito : no cartório.
Peço a Deus que nos abençoe, nos dê saúde e tranquilidade.
Peço a vocês as orações e o carinho.
O bolo???
Bem, na hora certa brindaremos.

boa semana!!!
bjussssssss

ANA LUNA - anammluna@yahoo.com.br

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Dialogando Francamente - 3


Amigo Cleómenes, boa noite!!!

Por favor, leia esse e-mail sem nenhuma pressa. Sem nenhuma pressão para me responder, esse ou outro qualquer que eu te envie, beleza? Este e-mail é só um adendo/parêntese na nossa comunicação. Estou me dando a esse luxo por ser “vagabundão” (não foi assim que FHC se referiu a indivíduos aposentados como eu?). Por isso, não se afobe, entendo perfeitamente a vida atarefada que os outros possam ter. Nossos diálogos seguirão como você diz: “... no tempo da evolução Universal...”
O adendo é para sugerir uma estratégia nas nossas trocas de figurinhas. Penso que elas podem/devem ser com os seguintes objetivos: primeiro, ser útil para consolidar nossas compreensões e que essas possam ser incorporadas ao nosso viver diário; segundo, tendo em vista a possibilidade de outros lerem nossos diálogos, escrevê-los com uma exegese quando acharmos necessário.
Por falar nisso, ou em função disso, vou abrir um parêntese dentro do parêntese. Analogamente aos sete marcos da classificação de Dawkins sobre agnosticismo, eu diria que a capacidade humana de apreender a vida pode, também, ser classificada em sete níveis, como os abaixo propostos, com respectivos exemplos (aqui o menos é mais):

Nível 1: nesse nível, estão seres como Gregory Bateson e Humberto Maturana que, de forma independente, desenvolveram na década de 60 uma nova concepção de mente (livro “A Teia da Vida”, capitulo 7), Stephen Hawking e J. Krishnamurti – esses, ao meu juízo, tiveram “insights” que podem redirecionar o caminhar humano em busca da Verdade;

Nível 2: estão estudiosos como Fritjof Capra, Richard Dawkins e outros – que ao meu juízo conseguem fazer uma síntese do conhecimento transcendente e transferi-los para leigos como eu;

Nível 3: neste nível estão os grandes cientistas, em suas áreas específicas – compreendem muito da sua especialidade, mas estão enclausurados no seu saber ou nos seus dogmas. Obs.: Muitos desses grandes cientistas, aqui classificados como nível 3, talvez, tendo em vista o seu viver, pertençam de fato ao nível 4. Desse modo, haveria uma inversão na classificação dos indivíduos desses dois grupos;

Nível 4: estão os indivíduos não especialistas que estudam, sem preconceitos, o conhecimento transcendente e se esforçam para aplicá-lo à sua vida – minhas pretensões pessoais é pertencer a esse grupo;

Nível 5: estão os indivíduos que vivem na superfície, buscam apenas o conhecimento comum. Condicionados pelas crenças e/ou ideologias, dependem sistematicamente de terceiros – seus cérebros estão congelados para as grandes verdades;

Nível 6: estão aqueles (coitados) que lutam apenas pela sobrevivência física;

Nível 7: estão os indivíduos aéticos (ética entendida como um conjunto sistemático de conhecimentos racionais e objetivos, a respeito do comportamento humano e da moral) – as lamparinas do seus juízos estão apagadas, só se acendem com gás “sarin” (substância tóxica que atua essencialmente sobre o sistema nervoso. Utilizada em guerra química) ou gás “tabun” (idem, gás sarin).

UFA!!! Isso não é mais um parênte(se) dentro de um parêntese, isso é uma família inteira. Voltando ao parêntese inicial, quando da possibilidade de outros lerem nossos diálogos e se interessarem pelo assunto, eu tenho dúvida quanto a isso. Mas como diz o ditado: “Quando um não quer... o outro insiste", vamos então insistindo.
Desculpe o massacre verborrágico de hoje, mas você sabe: com meu “gene egoísta”, de guru indiano, vou enrolando, enrolando, até vencer o “cabra” pelo cansaço.
Chega Roberto! Dá um sossego pro Cleómenes. Fuuuii!!!
Um abração,

Roberto José T. Lira
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Caro Roberto,

Vi que você é um bom entendedor, pois como diz o ditado, para eles, meia palavra basta. Não tenho tido muito tempo para o nosso diálogo. Ainda não sou um “vagabundão”, mas, este dia chegará. Minha formação religiosa sempre me levava a concluir frases destes tipos com: "se Deus quiser". Hoje vejo que para Deus vir aqui, e mexer nos meus processos de aposentadoria, no INSS, seria uma crença que só poderia vir dos meus condicionamentos sociais, culturais e religiosos. São os “memes”. Um dia chegaremos lá no diálogo.
E ainda mais, o Diretor Presidente agora, encampando as boas ideias, resolveu prometer uma Biblioteca do Blog. Adivinhe em quem ele jogou a tarefa de operacionalizá-la. Exato, em cima de minha “máquina gênica”. Estamos tentando um formato adequado e que seja o mais útil para o objetivo do nosso Blog, que é sua terra de nascença.
Disse a você num dos e-mail, penso que no último, que iria dialogar no ritmo da evolução do Universo. Depois pensei, mas já estamos dialogando, embora saiba que, fazendo analogia, sendo você Platão, eu sou o discípulo disperso temporariamente, com sono durante os diálogos. Quando, de quando em vez, acordo, digo umas besteiras e durmo outra vez. Sabendo Platão que o discípulo dorme por uma boa causa, jamais deixará de expor suas ideias, que certamente servirão a outros discípulos. Hoje entre um cochilo e outro e ouvir o mestre, fiquei esperto para admirar sua sabedoria ao mencionar os 7 pontos do sua fala.
Você começa dizendo que na sua classificação dos 7 pontos, o menos é mais. Conto-lhe uma história da minha infância. Minha cidade lá pelos meados dos anos 60 recebeu um bispo que era o chefe da diocese. Você sabe que a visita de um bispo a uma cidade sempre é uma festa. Um bispo é um bispo como um Presidente é um Presidente, apoiando o Zé Sarney ou não. Meu pai, muito católico e eu coroinha, fomos a uma missa solene celebrada pelo o referido prelado. Eu, pela minha idade não notei, mas meu pai chegou em casa dizendo para um irmão meu, mais velho e menos católico, você devia ter ido à missa, sabe o que o bispo falou? “Se é para abandonar o catolicismo e as verdades de Deus então bem aventurada seja a ignorância”. Aquilo ficou martelando na minha cabeça e quem sabe se me tornei ateu porque acredito que nunca e nunca mesmo a ignorância será bem aventurada? Sei que a história é mais complicada mas vale o exemplo. Hoje eu colocaria este bispo no nível 7 e meu pai no nível 5. Nesta classificação penso estamos empatados, pelo menos em desejo pois estou estudando pouco, gostaria de pertencer ao nível 4.
Mostrei seu e-mail a nossa colega Lucinha Peixoto, que agora só fala Indi. Ela disse:

“O Roberto está mexendo num vespeiro. Ele deve saber que em Bom Conselho, só conheço abaixo do nível 6 poucas pessoas (Ela os nominou, mas não vou repeti-la aqui para não causar constrangimento, se isto for publicado), e, conheço algumas que iriam para o nível 8 facilmente. Será que ele não poderia criar este nível? São aqueles que não tem mais lamparinas no cérebro, não adianta estes gases que ele falou. Jamais acenderão. O Antônio Conselheiro, O Andarilho, Nero e similares são exemplos históricos. Eu me considero no nível 4 e meio. Pois não considero meu cérebro congelado para grandes verdades. Mas, que venham as grandes verdades, pois a do Cleómenes e agora a do Roberto, são muito mixurucas. Tenho vontade de entrar neste diálogo, mas com “vagabundões” ninguém aguenta.”

Roberto, desculpe a Lucinha, em off ela me disse que você era um cara muito inteligente, ao contrário de mim que era uma topeira. Como diz um homem de TV aqui no Recife: Durma-se com uma bronca dessa!!!
Por hoje é só. A Biblioteca me chama. Estou doido para colocar o Fritjof lá.
Abraços

Cleómenes Oliveira

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Xeretando o 7 de setembro



Neste final de semana, quando já havia mandado um texto para a CIT, que complementava um do Diretor Presidente, fui assaltada por um impulso irresistível de voltar ao SBC. Como havia, no local das fotos, referentes aos desfiles do dia da pátria, alguma coisa que falava “em construção”, pensei encontrar mais fotos sobre a efeméride, posteriormente. Ao lá chegar, depois do “clica aqui, clica ali, clica acolá” fui tomada por um sentimento de decepção e de alegria, ao mesmo tempo. Decepção comigo mesma, por não ter esperado um pouquinho para comentar as fotos de nossa grande fotógrafa Niedja Camboim, e alegria por tê-las lá encontrado.
Deu mais vontade ainda de comentá-las uma a uma. Como já disse, isto só é possível ao olhar, mas não ao escrever. Entretanto, novos ângulos surgem, as belezas parecem se multiplicar, a emoção cresce e os olhos marejam uma vez mais.
Desde a Maçonaria onde vi Zé de Chico Félix em pose imponente, empunhando um lábaro não estrelado, Zé Tenório com o avental simbólico da instituição, de uma forma mais destacada do que nas fotografias anteriores, passando pelas fotos do Centro Municipal de Educação Infantil as quais mostravam que “poesia é a arte de escrever, participar e brincar com as palavras”, tudo isto me deixou muito feliz, nesta viagem.
Continuei, entrando pela Escola José Pedro da Silva, também para mim desconhecida, e que, no entanto, dizia: “Educação gera Conhecimento, Conhecimento gera Sabedoria, e só um povo sábio pode mudar o seu destino”. Fiquei pensando em minha juventude, quando nossa cidade ainda era conhecida por Cidade das Escolas, pela influência do Frei Caetano de Messina e do seu Colégio. Será que ainda somos? Será que adquirimos Sabedoria? Não tenho uma resposta, e continuo a percorrer outras escolas, e agora uma da qual me lembro, tanto pela sua proximidade do Ginásio quanto pelo que ela representava na desigualdade social que sempre existiu em nossa terra: Grupo Escolar Mestre Laurindo Seabra. Quem não tinha pais com grandes rendas, como eu, e que não conseguia uma bolsa de estudos, esta escola era o destino. Eu consegui uma bolsa, mas tive ótimos colegas de lá. Hoje não sei dizer qual a situação, neste sentido, apenas notei sua difusão de valores através das histórias infantis. Numa delas clama pela necessidade de honestidade, quando lembram de Pinóquio, o que me leva a refletir sobre a quantidade enorme de Pinóquios que nos governam.
Enfim, não tenho espaço para comentar todas as fotos, mas as vi quase todas. Niedja parabéns e obrigada pelo seu trabalho. Voltarei para o “gran finale” com o desfile do Ginásio São Geraldo. Espero que breve.
Para navegar na Internet, todos sabem, não é necessário voltar pelos mesmos caminhos que percorremos na ida. Podemos mudar de rumo, e fugir de qualquer tentação de clicar em links não recomendados, que vimos logo atrás, em um porto que passou. Entretanto, quando já estamos com outras intenções, de xeretar por exemplo, voltamos pelo o mesmo caminho, pelos mesmos portos, e começamos novas aventuras.
Fui outra vez à Academia Pedro de Lara e a percorri de cima abaixo. Novidades? Cheguei a Carlos Sena e senti a força da Lei do Retorno. Fui me meter a dialogar com Roberto Lira e agora, quando encontro qualquer texto que cheire um pouco a Deus, Religião, Espiritualidade, Alma, eu tenho que parar e meditar. Depois de ler o Sena descobri de imediato que estava sobre a influência da referida lei. Quem mandou xeretar? Mas, eu reajo e digo, me perdoe Sena, mas seu artigo é “muita areia para o meu caminhãozinho”. Eu só conhecia esta lei quando foi ditada por Jesus no Monte da Oliveiras, que, vendo alguém cortar a orelha de um romano, uns dizem que foi São Pedro, outros não: "Então, Jesus lhe disse: Mete a tua espada no seu lugar, Porque todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão." (Mateus, 26:52)”. Ou noutra versão: “Então Jesus disse-lhe: Embainha a tua espada; porque todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão”. Muitas versões das Escrituras trazem isto como sendo: “quem com ferro fere com ferro será ferido”. Ainda tem aquela que diz: "Toda ação promove uma reação, de mesma intensidade, mesma direção, mas de sentido contrário", na qual Newton seguiu Jesus, na física clássica, e os espíritas também, com a produção da Lei do Retorno. Não cheguei a captar o que significa a lei no sentido holístico. Deixo isto para o meu amigo Roberto Lira. Fora da Lei ou dentro da Lei, o Sena continua escrevendo feito um anjo.
Fiquei eufórica ao encontrar um novo artigo do Etiene Miranda: “A Caminhada”. Infelizmente, o link estava com defeito no SBC. Voltarei.
Desta vez não pulei o O Andarilho. Fiz bem. Penso que, nos últimos tempos só quem ia lá era eu mesma. Parei de ir, então ele passou um tempo sem aparecer. Espero que não baixe mais neste mundo, pelo menos, não com tanta freqüência. Entretanto ao ler um dos seus escritos, escolhido porque o título envolvia a CIT, descobri porque ele anda sumido: não quer mais polemizar. Diz que isto não contribui para nada. Ainda bem, que descanse em paz. Quando acabei de escrever a frase acima, não me contive, cliquei num outro artigo: “7 de setembro. Viva! Viva?” Aí cheguei a uma triste conclusão: se o O Andarilho é um bom poeta, o Brasil está “lascado”. Isto é um mote para repentista nenhuma botar defeito. Já rezando para que o próximo artigo fosse em prosa, cliquei em: “Pedro Nosso – São Pedro e Pedro de Lara”. Fiquei toda arrepiada, era mais uma tentativa de poesia. Desculpem, mas ia dizer que era mais uma tentativa de homicídio das nossas artes beletristas, no entanto, tenho que respeitar seu desejo de não entrar em polêmica. No caso a poesia era para justificar sua volta, instado que foi, cobrado que foi, pela seguinte mensagem:

"Já pensou que coincidência. Homenageou no momento mais do que oportuno. Eu também coloquei uma notinha no MURAL reforçando a lembrança do nosso grande radialista PAULO DANTAS. Faltam ANINHA LUNA, O ANDARILHO, JOSÉ PÓVOAS e o presidente da "COLÔNIA PAPACACEIRA-SALVADOR-BA" - ALÍRIO CAVALCANTI FERREIRA, se pronunciarem no MURAL também, dizendo algo sobre o saudoso PEDRO NOSSO(PEDRO DE LARA)...fraternais abraços, Pedro Ramos"

Este apelo do nosso conterrâneo Pedro Ramos, o levou a fazer uma homenagem ao Pedro Nosso, Pedro de Lara. Eu disse, em artigo anterior, que o Pedro de Lara merece todas as homenagens, mas, esta, é dose prá leão. Melhor seria, ele mesmo ter ido ao Mural e escrever algumas palavras sobre a data de aniversário da morte de Pedro de Lara, como o Pedro Ramos orientou, mas esta nova “tentativa” de poesia, santo Deus!
Corri para o meu mouse, saí da Academia e entrei no mural. Não há muita coisa a comentar. Atraso no desfile, que nem senti, porque vi pelas brilhantes fotos dos nossos fotógrafos profissionais e pelo trabalho de publicação do SBC. No próximo ano espero que melhore do atraso. Vinham em seguida, parabenizações normais pelo desfile. O Zetinho, atrasadíssimo, cumprimentando Saulo e Di pelos aniversários. Será que ele esqueceu a Academia?
Uma mensagem do Pedro Ramos comunicando que o presidente da Colônia do Rio de Janeiro falou em nome de todos os papacaceiros no velório do Pedro de Lara, que penso, ele quis dizer dos papacaceiros presentes, porque me considero uma velha papacaceira e não dei autorização a ninguém para falar em meu nome. E as mensagens de lembranças pela passagem de aniversário da morte do Pedro Nosso: Pedro de Lara, que muito me alegraram, pois tanto a idéia do nosso Jameson de considerá-lo um dos Pedros Nossos, junto com a amiga Ana Luna, quanto a minha idéia de fazê-lo patrono de nosso Academia, foram finalmente aceitas por todos, inclusive pelo presidente da Colônia Papacaceira do Rio de Janeiro. Quem cala, consente!
Finalmente, uma nota do Felipe Alapenha comunicando o recebimento do prêmio: Excelência em Administração, pelo destacado serviço à frente da Prefeitura Municipal de Bom Conselho, pela sua mãe, Prefeita do Município: Judith Alapenha. Fora dos parabéns à nossa colega, mulher, só posso ficar observando e dizendo: como o amor é lindo, e o amor filial, é encantador.

Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

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(*) Fotos de Niedja Camboim, no SBC.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Dialogando Francamente - 2

Caro dialogador Cleómenes Oliveira, bom dia!!!

A esperança de continuidade dos nossos diálogos esta confirmada. VAMOS DIALOGAR!!!. Posso escapar de ir direto para o inferno, sem direito a “sursis”, mas dessa troca de figurinhas vai ser impossível me escafeder.
Terminei ontem à noite uma leitura, superficial, do livro “O Gene Egoísta” de Richard Dawkins, UFA!!! É preciso ser papacaceiro, macho, para agüentar ler esse livro até o fim. Brincadeirinha. Valeu à pena suportar a leitura dos capítulos iniciais (pra quem não é biólogo, nem pretende estudar biologia, esses capítulos são um pé no s...) e chegar ao décimo primeiro e último capítulo: “Memes: Os Novos Replicadores”. MARAVILHA!!! Maravilha o conteúdo desse capítulo.
Outro dia, manifestei no site de BC a dificuldade de compreensão quando não se tem domínio de uma linguagem técnica ou mesmo particular empregada numa comunicação. Por isso, o sacrifício da leitura dos primeiros capítulos, para uma familiarização com a linguagem utilizada pelo autor (um biólogo), julgo ser necessário. Com certeza, essa familiarização nos leva a uma melhor compreensão dos conceitos apresentados nesse último e importante capítulo.
No último e-mail que te enviei, mencionei que ia reler, mais refletidamente, “O Gene Egoísta” paralelamente com a releitura do livro “A Teia da Vida” de Fritjof Capra, para começarmos a trocar figurinhas. A idéia inicial era essa, mas após a leitura do capítulo sobre os “Memes” mudei de idéia. Vamos começar a trocar nossas figurinhas JÁ. Se tivesse jogando tênis diria: vamos trocar umas bolas JÁ.
Antes de apresentar minhas primeiras figurinhas, quero te lembrar que você manifestou outro dia, quando falávamos sobre a existência de Deus, que sentia que estávamos próximos. Agora sou eu que digo: o conceito de “Memes” é quem vai nos aproximar nesse momento.
Vamos à brincadeira do BAFO (bater figurinhas)!!! Vamos lá, agora é na “vera”. Vou colocar minhas “figurinhas”.
Ontem, fui dormir refletindo sobre o quanto o conceito de “Memes” (replicadores), de Richard Dawkins, é semelhante ao conceito de “Pensamentos” (entidades autônomas), da concepção logosófica de González Pecotche. Veja alguns trechos que retratam os conceitos desses dois pensadores:

“... Precisamos de um nome para o novo replicador, um substantivo que transmita a idéia de uma unidade de transmissão cultural, ou uma unidade de imitação. "Mimeme" provém de uma raiz grega adequada, mas quero um monossílabo que soe um pouco como "gene". Espero que meus amigos helenistas me perdoem se eu abreviar mimeme para meme. Se servir como consolo, pode-se, alternativamente, pensar que a palavra está relacionada à "memória", ou à palavra francesa ‘meme’.”
“Exemplos de memes são melodias, idéias, "slogans", modas do vestuário, maneiras de fazer potes ou de construir arcos. Da mesma forma como os genes se propagam no "fundo" pulando de corpo para corpo através dos espermatozóides ou dos óvulos, da mesma maneira os memes propagam-se no "fundo" de memes pulando de cérebro para cérebro por meio de um processo que pode ser chamado, no sentido amplo, de imitação. Se um cientista ouve ou lê uma idéia boa ele a transmite a seus colegas e alunos. Ele a menciona em seus artigos e conferências. Se a idéia pegar, pode-se dizer que ela se propaga a si própria, espalhando-se de cérebro a cérebro. Como meu colega N. K. Humphrey claramente resumiu uma versão inicial deste capítulo:”. . . Os memes devem ser considerados como estruturas vivas não apenas metafórica, mas tecnicamente. Quando você planta um meme fértil em minha mente, você literalmente parasita meu cérebro, transformando-o num veículo para a propagação do meme, exatamente como um vírus pode parasitar o mecanismo genético de uma célula hospedeira. “E isto não é apenas uma maneira de falar – o meme, por exemplo, para “crença numa vida após a morte” é, de fato, realizado fisicamente, milhões de vezes, como uma estrutura nos sistemas nervosos dos homens, individualmente, por todo o mundo.”
(O Gene Egoísta, pg. 112 Richard Dawkins)

Em nossa concepção, os pensamentos são entidades autônomas que se procriam e adquirem vida ativa na mente humana, de onde podem passar depois a outras mentes sem a menor dificulda­de. Daí que muitas pessoas, sem se incomodar em pensar, aparecem emitindo não poucas opiniões. Trata-se de um fato curioso. Não exercitam a faculdade de pensar, porém favorecidas por certa facilidade memórica, recolhem do ambiente todo pensamento que as impressiona e o fazem seu, mostrando-se posteriormente como se dominassem tal ou qual questão. Esta apropriação do alheio ainda se admite quando se faz uso de pensamentos que provém de mentes nas quais foram incubados sem ordem e sem depender de nenhuma subordinação ética, isto é, pensamentos sem transcendência alguma. ...” (Mecanismos da Vida Consciente, Pg.82 Carlos Bernardo González Pecotche).

Apesar de filósofos e sábios haverem exercido, tanto na antiguidade como nas idades moderna e contemporânea, a faculdade de pensar, nenhum deles atribuiu jamais vida própria aos pensamentos, nem declarou que pudessem reproduzir-se nem ter atividades dependentes e independentes da vontade do homem”.
“Afirma serem entidades psicológicas que se geram na mente humana, onde se desenvolvem e ainda alcançam vida própria. ...”.
“Os pensamentos, apesar de sua imaterialidade, são tão visíveis e tangíveis como se fossem de nature­za corpórea, porque, se é possível ver com os olhos e palpar com as mãos físicas um ser ou objeto desta última manifestação, os pensamentos podem ser vis­tos com os olhos da inteligência e palpados com as mãos do entendimento, capazes de comprovar plenamente sua realidade subjetiva
”. (Logosofia Ciência e Método, Pg.51/2 Carlos Bernardo González Pecotche).


O Trecho do Dawkins e os trechos da Obra Logosófica, na minha compreensão, revelam claramente, que os dois pensadores estão falando da mesma “coisa”: MEME É PENSAMENTO (é como diz o Krishnamurti: a palavra não é a “coisa"), eu não tenho dúvida dessa semelhança.
Ao selecionar trechos de ensinamentos logosóficos para relacionar “memes” com “pensamentos”, em nossa troca de figurinhas, o fiz por entender que os conceitos apresentados por González Pecotche são mais compreensíveis, para os nossos propósitos, do que os de outras fontes. Além disso, retratam adequadamente o meu conceito sobre essas “entidades autônomas/replicadores”. Também, foi nessa fonte onde mais me detive para estudá-las.
Agora, como lidar com os “memes/pensamentos” alojados no meu cérebro, que constituem o meu “Eu”, atualmente, recorro aos ensinamentos do Krishnamurti. Reconheço que esses ensinamentos, muitas vezes, não são fáceis de compreender. E mais difícil, ainda, é aplicá-los à própria vida, mesmo assim, vou aprendendo a tirar o sumo dessa “fruta”. E faço isso por entender que, na atualidade, é a melhor árvore frutífera que podemos dispor para esse fim. Penso que os ensinamentos abaixo, não são tão difíceis de compreendermos:

Nos seres humanos fomos ‘programados’ biologicamente, intelectualmente, emocionalmente, psicologicamente, durante milhares de anos e repetimos reiteradamente o padrão desse programa...”.
“... o homem? Ele foi programado para ser católico, protestante, para ser italiano ou inglês, e assim por diante. Durante séculos ele foi programado – para acreditar, para ter fé, para seguir certos rituais, certos dogmas; programado para ser nacionalista e ir à guerra. Desse modo, o seu cérebro tornou-se tal como um computador,...”
“... Paramos de aprender e devemos indagar se o cérebro humano, que foi programado durante tantos séculos, será capaz de aprender ainda e de se transformar de imediato numa dimensão totalmente diferente...”
(A Rede do Pensamento – J. Krishnamurti, Palestras em Saanen, 1981)

Krishnamurti quando indagado se um cérebro que permanece na ignorância auto-gerada, desgastado com o conflito resultante dessa ignorância, pode ser revitalizado ele sugere que: através do discernimento, o cérebro pode sofrer mudanças e atuar de modo organizado, provocando assim a cura do dano que lhe foi infligido durante muitos anos de mau funcionamento e que esse discernimento tem origem numa energia que transcende o pensamento, o tempo e a matéria. Desse modo, o que atua é a organização do Universo como um todo, do ser como um todo, tanto no seu aspecto físico como no seu aspecto mental. E que tampouco isso diz respeito apenas à raça humana.
Bem, mas as figurinhas da coleção do Krishnamurti ficam para outro “bafo”, vamos voltar a brincar com as figurinhas dos “Memes/Pensamentos”.
VIXE!!! Meu “gene jogador”, ou é “meme jogador”? está me seqüestrando para ir brincar com bolinhas amarelas com uns parceiros lá no Praia Clube.
Fui!!! Agora é a sua vez de jogar. BAFO!!! Um abração.

Roberto José T. de Lira - rjtlira@yahoo.com.br

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Caro Roberto,

Não pude responder a alguns dos seus e-mails. Estava vendo agora na lista. Não há coisa pior do que e-mail acumulado e que merece resposta. Peguei esta aqui para responder um pouco a todos. Quanto ao texto que você mandou corrigido foi usado para a publicação final. Nosso diálogo já está no ar. Pelo menos a Lucinha me disse que tinha programado pare ele sair as 6:00, espero que ela não tenha colocado da noite. Ela também respondeu no mural ao seu comentário, li ontem. Lucinha é a "carola" mais legal que conheço. É uma prova de que pode-se ser religioso e ainda ser um ser humano que causaria inveja a qualquer "máquina de sobrevivência". Infelizmente nem todos são assim.
Você começou "pesado" o segundo diálogo. Eu não reli nem o terceiro capítulo do Gene Egoísta ainda. Ainda não posso fazer considerações mais profundas sobre o que você escreveu, isto supondo que eu aguente águas profundas como você. Mas, lembro do conceito de "Memes". Eu também não sou biólogo, já estive mais para astrólogo, e por isso também tive dificuldades no início. Mas vale a pena até chegar a este conceito. Já vi alguns críticos do Dawkins dizerem que é a única coisa que se salva do livro. É um exagero, penso eu.
Você já deve ter percebido que escrevi isto tudo porque ainda não tive o tempo necessário para digerir o seu e-mail unindo Pecotche, Krishnamurti e Dawkins. Mas a idéia é interessante. Se der certo, tenho certeza três pessoas rirão muito: eu, você e Marlos. Mas vamos no tempo da evolução Universal no segundo diálogo. Um abraço.

Cleómenes Oliveira - cleomenesoliveira@citltda.com
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Veja: Dialogando Francamente - 1

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

O 7 de setembro - Complemento



Li o artigo do Diretor Presidente sobre nossa data magna. Também pensei em escrever sobre, mas, como acontece aqui na empresa, a hierarquia foi mantida. No entanto, vale um complemento. Como ele diz, quem não lembra do Tiro de Guerra, não estudou no Ginásio, ou era mulher. Eu estava do outro lado do muro, sendo mulher. Não frequentava, a não ser com os olhos, a calçada do Tiro de Guerra. No Ginásio São Geraldo, as classes eram mistas, mas, no recreio, reinava a segregação sexual. Sou um pouco mais velha do que o DP, só um pouco, mas deu para acompanharmos muitas coisas juntos, e de quando em vez, falamos a respeito.
Também fiz parte daquele dia 7 de setembro, que ele descreve em seu texto. Marchei, também garbosamente até à Prefeitura, e muito mais perto do cavalo de D. Pedro do que ele, pois eu formava num pelotão que ia bem perto da banda marcial, levando uma bandeira. Embora não fosse a “bandeireira” oficial, a seguia bem de perto. Eu marchava com o passo certo, pois não me lembro de Leninho ou Dona Eunice me dando calços. Não sei o destino de Leninho, mas seja ele qual for, esteja ele onde estiver, penso não irá se zangar se eu disser que ele tinha aquela beleza máscula do Raj, da novela, que acabou de acabar, e eu e o Roberto Lira, já estamos com saudades. Nossa atividade maior, agora, é viver a vida e não ter medo de ser feliz. Mas devo voltar à nossa data maior.
O assunto baliza também dominou o nosso lado do muro. Não havia opinião unânime sobre se a Marluse Urquiza deveria ou não sair balizando à frente do Ginásio. Se lembro bem de Marluse, penso que ela não estava nem se importando muito com o que diziam. Eu, não sairia. Hoje, olhando de longe e sem muitas pretensões estéticas, devo ser sincera: Poucas colegas sairiam. Pelas mesmas causas que eu, que naquela época, eu não admitiria, nem com choque elétrico: Qualidades físicas. E fiquemos aqui para não nos rebaixarmos muito nem o fazê-lo com as colegas. Os boatos de roupas indecentes, de quebra da moral e dos bons costumes, eram coisas dos meninos que habitavam a calçada do outro lado do muro, ou mesmo de algumas de nossas colegas mais tradicionais. No final das contas, foi lindo, e até hoje guardo na memória as evoluções simples da nossa baliza e a minha inveja de adolescente pouco dotada, fisicamente, é claro.
Lembro que evoluímos lentamente, passando pela Ponte do Colégio, Rua Siqueira Campos... e ai deu um branco. Será que foi pela Marechal Deodoro? São lapsos normais, só sei que chegamos á frente da Prefeitura. Ao chegar lá, perdi o cavalo de D. Pedro de vista. A posição do nosso pelotão não privilegiava a visão do nobre e patriótico animal. E assim perdi a cena, julgada pelo DP a principal daquele dia. Não vi o cavalo de D. Pedro fazendo cocô, nem vi as bolas verdes consequenciais. Triste sina a minha. Não vi a principal homenagem ao nosso Imperador, que realmente se adequaria à cena de nossa proclamação de independência, às margens do riacho Ipiranga. Nosso nobre e patriótico animal queria apenas, reproduzir às margens do riacho Papacinha, o que D. Pedro estava fazendo, antes de dar aquele grito oficial. E eu perdi a cena por estar zelando pelo nosso auriverde pendão da esperança. Pior, nem vi as bolas verdes.
Mas, o que me levou, principalmente, a escrever este Complemento foi minha visita ao SBC (lembrem, Site de Bom Conselho)alguns dias atrás. Desta vez controlei ao máximo a xeretagem e fui direto às fotos dos desfiles, e só fiz isto. Os fotógrafos da nossa terra estão cada dia melhores. O Alfredo Camboim, e quando falo nele, aparecem centenas de assuntos para escrever, pois fomos colegas, está cada dia se superando, e pela foto que vi dele na janela da eterna casa de Dr. Raul, senti saudades dos velhos tempos. Desta vez apareceram também Tayse, Taline e César a quem não conheço, porém, parabenizo a todos pelo trabalho. Senti falta da Niedja. Juro que se tivesse espaço comentaria todas as fotos. Não posso, e recomendo ir ao SBC. O site oficial da Prefeitura também traz algumas fotos, mas até o dia em que escrevo ainda estava no início da semana da pátria. Sinto que este site está melhorando, alvíssaras!
Vi Carmem Miranda, que era portuguesa, como D. Pedro, e se abrasileirou mais do que o Imperador, que disse o Fico para “ficar” com a Marquesa de Santos. Seu Waldemar implicou, à boca pequena, com uma alegoria do Colégio que colacava alguém como esta marquesa, chamando a atenção para sua condição social em relação ao Imperador. Mas isto é coisa do passado, qualquer senador hoje pode ter a sua.
Vi a Maçonaria hasteando a Bandeira bem perto de onde nasci. D. Pedro era um maçom e esta instituição atuou muito no processo de independência do Brasil, dizem nossos historiadores. Tempos atrás a Igreja Católica tinha suas implicâncias com ela, não sei como está isto agora. No entanto, desde o início, penso ser muito secreta para o meu gosto. Da mesma forma que gostaria de ter a nossa igreja aceitando sacerdotes mulheres, acharia ótimo se tivéssemos mulheres maçons, ou seriam "maçonisas'?
A Escola Presbiteriana não foi do meu tempo. Conheci várias pessoas desta Igreja, todas pessoa de bem, probos e tementes a Deus. Manifesto que fiquei emocionada com a representação da criação bíblica do mundo. Um tema hoje tão deturpado por mentes sem fé. E que “haja luzeiros no céu” e no cérebro desses homens.
Por toda parte e em todas as escolas vi multidões de balizas. Seriam muitas Marluses com menos roupa e com mais evoluções, ao som de bandas marciais que não lembram, nem de longe, aqueles nossas, tão pequeninas, do passado. Borboletas cor-de-rosa borboleteavam pelas ruas. Um globo terrestre, como uma vela gigante, mostrava o fenômeno do aquecimento global, e várias outras alegorias e faixas mostravam a preocupação de nossa juventude com o desastre que podemos viver, se colocarmos nossa fé apenas em coisas do petróleo, como o pré-sal. Espero que, no próximo ano, ainda possamos cantar lembrando Dorival Caymmi: "Marina, morena Marina você se pintou...", e com esperança maior de salvarmos nossas florestas e nosso planeta. Eu prefiro a Marina, mesmo pintada, à Mãe do PAC. E, nuvens de fumaça colorida davam um ar apoteótico ao desfile.
Enquanto o DP termina seu artigo perguntando se haverá cavalos no desfile da Escola São Geraldo, eu já contei 5 deles no desfile do Colégio N. S. do Bom Conselho. E o que é melhor, sem D. Pedro montando neles. E haja bolas verdes. Graciosas bailarinas faziam evoluções com leques, parecendo querer, com sua beleza, esconder a feiúra dos letreiros das casas comerciais de nossa terra. Que saudade tenho dos letreiros de Zé Bias.
A homenagem ao Rei do Baião não seria completa sem a homenagem ao nosso presidente Lula e à nossa colega Eliúde Villela, todos “retirantes” deste país de retirantes.
Sem a mínima semelhança com a Madre Tereza de Calcutá, eu repito suas palavras, trazidas numa faixa de uma das escolas do desfile:

O que eu faço é uma gota no meio de uma oceano. Mas sem ela o oceano será menor

Se alguém duvida da existência de Deus, e quer sinais de sua existência eu orientaria: Olhe a vida da Madre Tereza. Porque ela ainda não e santa? Os adoradores do nosso Código Canônico que me perdoem, mas um pouco de agilidade é fundamental.
Enfim, um belo desfile e um belo momento para reflexão sobre o nosso destino. Mesmo que, o que fizermos, seja apenas meia gota, ou uma fração de gota, devemos lembrar que ela conta, e, do que o oceano ficará cheio, depende de nós. Que não seja de bolas verdes!

Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com


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(*) Fotos obtidas no Site de Bom Conselho (SBC), dos fotógrafos citados acima.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

A Lei Moral


No aprendizado para ensaísta informal, redigi um texto sobre o tema “O Mestre e o Aprendiz”. Nele, manifestei que no caminho para o autoconhecimento e a busca da Verdade é necessário ser simples, e nessa caminhada munir-se de um mínimo de apetrechos, entre estes “A Lei Moral de que fala Collins”. Após reler o referido texto, senti a necessidade de explicitar alguns pontos sobre a Lei Moral. Francis Collins é autor do livro “A Linguagem de Deus”, e nessa obra vem à baila a questão da Lei Moral. A argumentação que Collins apresenta sobre essa lei reflete o pensamento do apologista cristão C. S. Lewis. Mais recentemente, em uma palestra sobre ciência e crença, Collins apresentou sinteticamente a seguinte argumentação sobre essa lei:

Depois da evolução ter preparado uma “casa” suficientemente avançada (o cérebro humano), Deus atribuiu à humanidade o conhecimento do que é bom e mau (a lei moral), o livre arbítrio, e uma alma imortal”.

Nós, os humanos, usamos o nosso livre arbítrio para quebrar a lei moral, o que causa o nosso distanciamento para com Deus. Para os Cristãos, Jesus é a solução para esse distanciamento”.

Richard Dawkins autor do livro “Deus, um Delírio” e, talvez, o principal polemista de Collins, ataca a fé filosoficamente, historicamente bem como cientificamente. Dawkins se contrapõe aos conceitos de Collins sobre essa lei com a seguinte argumentação:

“... a ‘Lei Moral’ não estaria baseada numa doutrina religiosa, ela seria uma conseqüência das pressões evolucionárias do impulso de perpetuação da espécie humana, isto é, dos genes egoístas do indivíduo.”
Apesar de Collins e Dawkins estarem na atualidade sob os holofotes da mídia polemizando sobre ciência e religião, e nessa discussão se inclui a Lei Moral, não são eles os precursores das teorias sobre a mesma. Desde a antiguidade teólogos e filósofos especulam sobre essa lei. Para os teólogos, a Lei Moral nasce da revelação que Deus entrega aos fundadores de religiões, em diferentes épocas e lugares. Enquanto que, para os filósofos a Lei Moral envolve a ética ou filosofia moral. No Ocidente, essa especulação filosófica inicia-se com Sócrates e tem seu ápice nas teorias apresentadas por Immanuel Kant, no início da era moderna.

Para Kant a Lei Moral é a expressão do conteúdo incondicionado do Dever Moral e um Imperativo que não depende de condições (se..., acaso..., desde que...). Ela é baseada na idéia de que os seres humanos são racionais e independentes, e toda ação deve ser tomada com um senso de responsabilidade ditado pela razão. Segundo Kant, a Lei Moral não está submetida ao determinismo natural nem aos interesses egoístas ou desejos arbitrários. Para ele, o ser humano só se realiza plenamente se for autônomo, ou seja, submetendo suas decisões à sua Razão.

Posto isso, qual é o meu entendimento sobre a Lei Moral de que trata Collins, Dawkins, Kant e tantos outros?

Penso ser a Lei Moral imanente ao ser humano. Ela é uma manifestação da Verdade, de Deus, ou do que quer chamemos essa Realidade, na vontade humana. Entendo que essa manifestação só é possível numa mente não condicionada por “memes/pensamentos” das religiões e/ou das ideologias. Na mente humana, o espaço incondicionado disponível para que essa lei se manifeste é inversamente proporcional a quantidade desses “memes/pensamentos” abrigados nela.

Entendo que a Lei Moral tem sua maior expressão quando à razão não está submetida ao egoísmo humano. Quando agimos por dever e não por interesse. Agir por dever é reverenciar a autoridade moral da virtude. A ação virtuosa não espera nenhuma recompensa aqui na terra, nem nenhum lugar privilegiado em algum céu, ela é um bem em si e por si. Quando a ação é fruto do pensar correto e não do pensamento, a Lei Moral se manifesta.

Kant fundamenta sua moral recomendando ao ser humano: “Age sempre de maneira a que a máxima da tua ação se possa tornar numa lei universal, válida para todos os seres racionais.” Essa sentença de Kant consubstancia minhas reflexões sobre Lei Moral. Ou seja, penso que nos nossos relacionamentos devemos ter uma conduta tal que seja admitida por todos os seres humanos. Nada caracteriza melhor essa conduta do que a conhecida máxima popular: “Não fazer aos outros aquilo que não queremos que os outros nos faça”. Esse é para mim, o preceito norteador da razão em relação à Lei Moral.

Roberto Lira – rjtlira@yahoo.com.br

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

A Escola



Desde que recebi um documento, meu registro civil, me tornei gente. Abriram-se as portas da esperança. Não me lembro o ano exato mas o Silvio Santos, nossa diversão domingueira, tinha um programa com nome parecido onde ele dizia: “Vamos abrir as portas da esperança!!!”. Mas isso foi depois. Com os documentos na mão, não só eu mas também meus pais e meus irmãos tinham a esperança renovada. Descobri, sem muito custo, que esperança só enche barriga no futuro. Meu pai demorou um pouco a arranjar emprego e na casa do cumpadre Caetano a coisa “tava preta”. Não era má vontade mas seis bocas a mais abalaria qualquer finança e a do Caetano não era das maiores.
A filha de dele, a Lidinha estudava num escola bem perto de casa. Ela já lia alguma coisa, me mostrava umas revistas velhas e dizia com um ar de “sabidona”, Eliúde esta letra é um “A” tu não sabes nem o “A”? Sendo sincera eu respondia: não, não sei. E confesso àquela altura não sabia a diferença entre saber de um “A” ou não. Ainda estava em cima de uma mangueira qualquer no Pau Grande e nunca precisei de “A” e nem mesmo de “B”. Como hoje dizem: “A ficha ainda não tinha caído”. Mas não demorou muito ela caiu e na minha cabeça e parecia de chumbo porque doía muito. Meu pai sofria mais, tinha que trabalhar e prá onde se virava a pergunta era a mesma: Sabes o “A”? Ele respondia o mesmo que eu, mas com uma terrível responsabilidade de dar de comer aos filhos. Precisava tanto do “A”, mas nunca teve tempo de consegui-lo tendo que enfrentar a vida sem ele.
Enfim, meu pai se arranjou, não sei bem como e nos tirou da casa do “cumpadre”. Ficamos perto e ele disse: “filho meu tem que aprender a ler e escrever, chega de sofrimento e você Eliúde já tá na idade de ir prá escola”. Nem fechou a boca e minha mãe já estava na Escola de Lidinha para eu estudar. Não era um prédio grande e tinha várias salas e um terreiro quase igual ao secador de café lá no sítio onde um bando de meninos brincava. Mais velhos e mais novos do que eu. Ouvi um som de sino ou campainha e aquele monte de meninos correu para dentro das salas, e eu ali segurando na mão de minha mãe. Entramos numa sala e o seguinte diálogo se passou, com o desconto das condições de minha memória:
- Bom dia Dona Berenice, seu Caetano falou da senhora. E esta menina linda vai ser nossa aluna?
Eu já estava curada dos olhos e, sem modéstia, era uma menina bonita. O “era” é modéstia mesmo. Mas quando nos acham linda, mesmo criança, a gente fica alegre. Hoje eu corro logo atrás de quem disser isto, se for homem é claro...
- Pois é professora Clara, trouxe a Eliúde, os outros ainda são pequenos ou grandes, os pequenos não podem vir e os grandes também não, precisam trabalhar para ajudar. Por enquanto só esta.
Eu ali sentada na frente da Dona Clara, era a diretora. Falaria com ela um montão de vezes depois disto.
- Bem eu preciso do registro dela e de saber se ela já sabe alguma coisa.
- Não sabe nem do “A”. Lá em casa é tudo “burro xucro”.
- Então ela vai para a classe de Dona Aurinha, todos começam lá. Só não deixe ela faltar à escola, e breve ela estará sabendo até o “Z.
Sem saber muito o que estava se passando fomos embora e assim começa minha vida escolar que continua até hoje, na grande escola da vida mas, fiquemos no passado.
No primeiro dia de aula foi um horror. Não conhecia ninguém e nem encontrava a Lidinha. Uma moça veio até mim e disse: Qual é sua série? Não sabia. Como é seu nome? Eliúde, respondi. De que? Villela, respondi de novo. Ela olhou num papel e disse vá para aquela sala e espere a professora. Fui. Sentei numa cadeira com uma mesa grande em frente, onde já estavam alguns meninos e meninas. Todos mais jovens do que eu, com exceção de um menino que parecia ter a minha idade. Entrou uma senhora gorda e o que notei de diferente é que ela não tinha feito a barba, estava quase igual a de meu pai no Pau Grande, exagerando um pouco. Fiquei pensando que as mulheres de São Paulo tivessem barba e hoje sei que só tem aquelas provenientes de algumas regiões da Europa, e não explico aqui porque senão este texto fica muito cultural.
Para resumir, depois de apresentações e outras conversas me vi cobrindo umas letras que dona Aurinha disse serem as vogais e me dito seus nomes. Cobri o “a”, cobri o “e”, cobri o “i” e cobri tudo enfim. Cheguei em casa alegre e disse a minha mãe: “agora já sei o “a” e outras letras também”. Nem pensava que ao cobri o “a”, todos nós podemos um dia descobrir o mundo. Depois de cobrir as letras de Dona Aurinha, passei a imitá-las, copiando-as freneticamente e depois passei a ouvi-las e escrevê-las. Em pouco tempo eu já lia o nome no caderno daquele menino da minha idade, o Sérgio Lacombe, chamavam ele de Serginho. Li primeiro o caderno dele do que ele o meu, diferença de dedicação ou inteligência, nunca sabemos ao certo mas isto não importa, gostava dele mesmo assim. Ele de vez em quando olhava prá mim como o Eraldo olhava para aquela menina no pau-de-arara, naquela época não sabia nem o que era, hoje sei, é tudo safado. Cantarolo com Lucinha: “Você não vale nada mas eu gosto de você...”. Foi um grande amigo durante muito tempo e algumas coisas mais, só que estou na escola agora, vamos por parte.
Aprendi a ler a escrever, passei de turma e já me sentia gente, isto é, gente de lá, porque no fundo sempre fui mais gente no sítio, onde me sentia muito feliz sem “mas” nem meio “mas”. Não sei em que série me mandaram decorar e recitar uma poesia num festa de fim de ano, ainda hoje sei de cor. Foi tão importante e para mim hoje ainda é tão bela que a transcrevo prá vocês abaixo:

Minha terra tem mangueiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinha, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem mangueiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar - sozinha, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem mangueiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as mangueiras,
Onde canta o Sabiá.

Fui na internet e vi, esta poesia chama-se Canção do Exílio e seu autor é Gonçalves Dias. Na versão em que recitei não havia mangueiras, só palmeiras, e óbvio o “sozinha” era no masculino, hoje posso colocar uma versão mais pessoal. No Pau Grande também não havia Sabiá, pelo menos nunca vi, mas não encontrei um passarinho com rima decente, e preiá não canta e não é uma boa rima. Esta poesia me soa atual até hoje para mim. Muitas vezes sinto-me num exílio e mesmo se houvesse uma Lei de Anistia para os expulsos do Pau Grande, seria difícil voltar. Lá não temos mais mangueiras como nunca tivemos Sabiá. Nem sei mesmo se tem escola para as novas Eliúdes, Antônios e Eraldos que hoje lá habitam. Prefiro hoje o Exílio, e sonhar escrevendo sobre minha vida por aqui mas sempre me vendo sentada no banco lisinho no alpendre e vendo as abelhas fazer mel. A Escola ainda me deu esta chance.

Eliúde Villelaeliude.villela@citltda.com

terça-feira, 8 de setembro de 2009

A PALAVRA



Palavra é objeto. Palavra é semente. Escrever é o modo de quem tem a palavra como isca: a palavra pescando o que não é palavra. Palavras - movo-me com cuidado entre elas que podem se tornar ameaçadoras. A densa selva de palavras envolve espessamente tudo o que penso em escrever e transforma tudo aquilo que penso em alguma coisa minha que fica fora de mim.
Usar a palavra é como estender uma corda sobre um abismo, tensa, fina e lindamente. Palavra é como o fio de uma teia, e esta teia chamada linguagem, e cujo tecelão é o Homem. A palavra é um jogo, cujo time é a linguagem, unificando, reforçando, sem asserção à cultura de um povo e a identidade de um país.
Palavra, palavra, palavras, misto de imagens e criação sem paralelos... O sol nasce com raios tímidos tecendo a manhã que desponta. O sol iluminando o campo de trigo,fazia com que as espigas começassem a ficar coloridas de um amarelo ouro inconfundível....Viu e sentiu o poder da palavra? Uma a uma, se junta e consegue-se criar uma imagem que com certeza o seu cérebro registrou e criou de acordo com a sua percepção, o quadro do nascer do sol. Isto é a palavra!.
Nada existe de mais difícil do que se entregar a palavra. Esta dificuldade é dor humana. É nossa! E nos entregamos às palavras quando escrevemos.
A palavra é o dom imaturo do crescimento, é o tom da medida certa do amadurecimento, é o esquadro perfeito da sintonia dos sons.
Falo, falas, falamos e a palavra soa como um fio tênue entre mim, você, nós. É a palavra que nos une. Mesmo no silêncio do seu som, ela continua existindo. Muda a forma, a norma, mas a palavra consegue transpor, transgredir, mesmo que calada, mesmo sendo dita através do olhar, que capta a linguagem da alma. Ela está lá: inerte. Esperando ser movimentada.
A força da palavra do olhar. Flecha ligeira que não precisa de arco para ser arremessada. Direção certeira, que passa pelo coração, despertando o movimento que organiza o sensível pelo inteligível e chega-se ao pensamento. E o pensamento pensa o mundo sensível e o seu movimento espelha-se na razão do homem que dispõe da palavra. E é o ato do poder da palavra que edifica o mundo. Nesse meio subtil que é a língua, o pensamento pensa-se a si próprio, e é por isso que os primeiros princípios são as letras-elementos da palavra humana, ecos remotos, mas significativos do Verbo Supremo. E neste nível aprendemos a falar a palavra que nos conecta com o nosso divino, com a nossa bússola interior, que nos mostra o nosso Norte, que nos mostra o Ser. E aprendemos tanto com esta palavra que não nos perdemos mais na vida, ou no fundo do sofrimento, ou do monstro que nos aprisiona, da doença que nos asfixia. A lucidez se faz permanente. É uma palavra pequena, apenas quatro letras, mas nos traz o fruto de uma emoção maior que nos faz ser causa e efeito. Uma palavra pequenina, mas que tem o efeito de uma bomba de hidrogênio, e esta palavra chama-se: AMOR.

Gildo Póvoas - gildopovoas@hotmail.com

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

O 7 de setembro



Estamos nos arredores de um novo 7 de setembro. Data nacional ou data máxima de nossa nacionalidade. A História desta data assim nos é contada: Em 7 de Setembro de 1822, ao voltar de Santos, parado às margens do riacho Ipiranga, D. Pedro recebeu uma carta com ordens de seu pai para que voltasse para Portugal, se submetendo ao rei e às Cortes. Vieram juntas outras duas cartas, uma de José Bonifácio, que aconselhava D. Pedro a romper com Portugal, e a outra da esposa, Maria Leopoldina de Áustria, apoiando a decisão do ministro e advertindo: "O pomo está maduro, colhe-o já, senão apodrece". Impelido pelas circunstâncias, D. Pedro pronunciou a famosa frase "Independência ou Morte!", rompendo os laços de união política com Portugal. Simples assim. E, hoje, não quero contestar História nenhuma. Sei que outras versões existem e podem até serem verdadeiras, no entanto, esta é a que serve ao nosso propósito para a estória que vou contar.
Passei muitos “7 de setembros” em Bom Conselho e uns tantos desfilando garbosamente pelo Ginásio São Geraldo. Era, quase sempre, da última fila do meu pelotão, pela minha pequena estatura. E por isso mesmo, o mais visado por Leninho, quando nos ensaios para o grande desfile, me dava calços numa das pernas e dizia, como ar de raiva:
- Acerta o passo!!!
Eu ficava fulo da vida com isto, não pelo calço que era bem de leve, mas por saber que não estava com o passo errado, quem estava era o Marcos Presideu, que era meu vizinho de fila, e, às vezes o Elion, aqueles sim, não acertavam o passo. E Leninho continuava:
- Pé direito na batida do bombo!!! Não quero erros no dia!
Hoje penso. Será que eu estaria mesmo com o passo errado? Vêem-me pensamentos estranhos e divago sobre o que acontece quando achamos que estamos certos quando todos dizem que estamos errados. Uma coisa posso responder com certeza, quando pensamos assim, nunca seremos eleitos para nada onde as outras pessoas votem. Numa Democracia é assim. A maioria decide e está certa por definição. Mas, nos ensaios era só Leninho que dizia que eu estava com o passo errado. Quando eu o seguia e mudava o passo, aí sim, eu sabia que estava errado. Seguir o Leninho ou continuar com minhas convicções? Eis a questão. Continuei marchando errado e por isso nunca fui promovido a divisor de pelotão, nem toquei na banda. Como alguém, que não acertava nem o passo, podia tocar na banda? Passemos adiante antes que alguém me pergunte se eu sou contra ou a favor do programa Bolsa Família.
Num determinado ano, não sei precisar bem porque, houve um surto de nacionalismo e brasilidade relacionado ao desfile de 7 de setembro. Eu, que não sabia nem marchar direito, só ouvia os bochichos. O Colégio N. S. do Bom Conselho e o Ginásio São Geraldo entraram numa verdadeira guerra para mostrar quem era o melhor no desfile. Estes dois estabelecimentos de ensino, tradicionais de nossa terra, queriam realmente mostrar o que era nossa independência, sua importância para todos nós. Do lado das freiras e do Colégio não sei bem o que falavam. No lado do Ginásio era o assunto que dominava a hora do recreio, além do arroz doce vendido por seu Abdon e do quebra-queixo de seu Sebastião.
Havia ensaios secretos da Banda Marcial, que não eram tão secretos assim, pois eu a acompanhava até perto da fazenda de seu Zé Eudócio. Formas de batidas diferentes, as famosas variações que hoje me lembram as “paradinhas” das Escolas de Samba do Rio de Janeiro. Não que esteja comparando a nossa banda com as baterias de samba, a nossa era muito melhor. Na calçada do Tiro de Guerra não se falava de outra coisa, além dos acertos de brigas, quem brigou, quem não brigou, quem correu e quem não correu. Uns diziam, eu acho que foi Ponta Baixa e outros diziam eu acho que foi Balinho. Quem não lembra do Tiro de Guerra não estudou no Ginásio, ou era mulher.
Lembro, um dia antes do desfile, um dos assuntos era o boato, que depois se tornou verdade de que, haveria uma baliza à frente da banda e que seria Marluse Urquiza. O que não se tornou verdade foi a coscuvilhice de que ela ia fazer suas evoluções somente de “roupas íntimas”, hoje seria de biquine, naquela época nunca ouvi esta palavra. Imaginem o tamanho da nossa ansiedade e especulações pueris. Sonhos, só sonhos iguais ao que tivemos quando me avisaram, e isto não tem nada a ver com o 7 de setembro, que havia algumas moças tomando banho de maiô no Açude da Nação. Nunca corri tanto, mas cheguei já no fim do banho.
Havia até as notícias plantadas por uns para despistar os outros. Ocultação de Alegorias. Despistamento sobre os ensaios e muitos, muitos ensaios. Ensaios do Colégio eu não perdia um. Embora meu interesse era muito mais olhar as meninas do que olhar como estavam desfilando. Assim apareciam as paixões abençoadas pelo anjinho que balançava a cabeça na entrada do Colégio ou logo mais abaixo por São Benedito. Onde estará São Benedito?
Finalmente, chegou o grande dia. Antes de vestir a farda minha mãe me fez ir buscar um sapato novo que encomendara a seu Firmino, na ladeira do corredor. Fui, peguei o sapato e minha mãe me produziu todo. Mesmo sendo último do pelotão, ela queria me ver garboso no desfile. Desci para o Ginásio, lembro só seu Gabriel que estava na loja, e somente uma porta estava aberta. Uni-me ao cortejo, na frente do Ginásio, tocou a banda e marchamos em direção ao quadro, em frente da Prefeitura. Não sei se marchei certo ou errado, Leninho neste dia, tinha mais o que fazer. Cheguei lá, apesar do sofrimento com o sapato novo e apertado.
Neste ano houve mais uma novidade que não me esqueço. Colocaram o Pedro Ivo, filho do professor Gilvan num cavalo, vestido como D. Pedro I. Era o máximo de realismo na encenação que, além das bandeiras e outras alegorias mostravam o tamanho de nosso amor à pátria. Em frente da prefeitura, depois dos toques de clarim e todos perfilados, chegara a hora do Hino Nacional e hasteamento da Bandeira. Foi aí que se viu uma cena inusitada, e provocada por aqueles que “não” treinaram bem o cavalo de D. Pedro. O animal, ciente de sua beleza e importância naquele momento, simplesmente levantou a cauda, houve um distendimento de alguns músculos em sua traseira e bolas verdes-oliva desceram mansamente sobre o calçamento, se empilhando, devido à sua consistência pastosa, em frente da Prefeitura, quase aos pés de algumas autoridades. Alguns culparam o cavalo. Eu apenas sorri. Hoje, culpo D. Pedro I. Quem mandou declarar a Independência do Brasil do lombo de um cavalo? Tenho certeza que naquela época o cavalo dele fez o mesmo gesto. O nosso estava apenas, realisticamente, representando bem o seu papel.
Faz algum tempo que não vou a Bom Conselho num 7 de setembro. Em alguns que fui, não vi mais, nem cavalos nem bolas verdes. Hoje, muitos não estarão mais lá. Porque estão longe, noutros lugares, ou muito longe, do outro lado da vida. Resta a saudade e a lembrança dos calços de Leninho. E eu, ainda continuo com o passo errado. Embora procurando acertá-lo. Tentando fazer isto, fui ver a programação do 7 de setembro para este ano, divulgada pela nossa Prefeitura, em seu site.
Realmente, mudou tudo. Os desfiles duram uma semana. Todos os distritos desfilam. Muitas escolas e muitas escolas. O Colégio N. S. do Bom Conselho ainda está lá no desfile do 7 de setembro. Mas, não encontrei o Ginásio São Geraldo. O que posso concluir? Não há mais guerras cívicas, ensaios escondidos, surpresas que a multidão aplaudia e formava torcidas organizadas, nem variações e “paradinhas”. O Colégio venceu, mas todos nós, saudosistas empedernidos, perdemos todos. Vi que a Escola São Geraldo vai desfilar no dia 13, junto com as Forças Armadas. Será que ainda existe o cavalo de D. Pedro? Pelo menos teremos quem limpe as bolas verdes-oliva. Independência ou Morte!

Diretor Presidentediretorpresidente@citltda.com

sábado, 5 de setembro de 2009

SILÊNCIO......



A vida é um aprendizado para quem quer aprender. Ou tem condições de.
Muito cedo aprendi a ver o silêncio de minha mãe. Ver o silêncio. Respeitar.
Passei quase a admirá-lo !!
Por que era tão interessante ? O que ela via alí que a deixava tão quieta? Absorta.........longe.
Devia ser muito bom. Aquilo me intrigava.
Era como algo só permitido aos mais velhos.
Havia o lugar certo, a hora certa do silêncio.
Muitas vezes risos, rosto satisfeito.
Outras, séria, compenetrada.....a vagar......
Devo ter atrapalhado tanto a leitura que minha mãe fazia!! Nunca, eu disse nunca a vi sem um livro entre as mãos nos anos que passamos juntas!!!
Minha mãe me ensinou o prazer da leitura!!!!!
A leitura tem importância fundamental na vida das pessoas. Propicia informações e também conhecimento. Para muitos, inesgotável fonte de entretenimento.....
A palavra "ler" significa recolher, captar.
A leitura abre horizontes, enriquece nosso vocabulário, facilita a comunicação.
ABRE a MENTE. Abra a Mente. Bravamente.
Coragem !!! Você pode ir conquistando aos poucos os deleites de uma boa leitura .
É preciso criar um tipo de prazer para isso.
Ler e reter o que se lê. Aprender. Armazenar.
Sou grata a minha mãe. O ciclo se repete e hoje, SEMPRE tenho um livro entre as mãos e
cada um com sua "doidera" , muitas vezes dois livros que devoro simultaneamente...........coisas da Ana...... isso não importa!!
Um ou mais , convido você a ler sempre !
Existem livros fininhos .... escolha assuntos que lhe interessam, motivam.....dêem prazer.
Tenha prazer no dia a dia.
Alguns pareceres sobre como ler :

1º - Ler com objetivo determinado, isto é ter uma finalidade. Saber por que se está lendo;
2° - Ler unidades de pensamento e não palavras por palavras. Relacionar idéias;
3º - Ajustar a velocidade (ritmo) da leitura ao assunto, tema e/ou texto que está lendo:
4º - Avaliar o que se está lendo, perguntando pelo sentido, identificando a idéia central e seus fundamentos;
5º - Aprimorar o vocabulário esclarecendo termos e palavras “novas”.
O dicionário é um recurso significativo. No entanto, palavras-chave, analisadas no contexto do próprio assunto em que são usadas, facilita a compreensão;
6º - Adotar habilidades para conhecer o livro, isto é, indagar pelo que trata determinada obra;
7º - Saber quando é conveniente ou não interromper uma leitura, bem como quando retomá-la;
8º - Discutir com colegas o que lê, centrando-se no valor objetivo do texto, visto que “o diálogo é a condição necessária para a indagação, para a intercomunicação, para a troca de saberes [...]” (ECCO, 2004, p. 80).
9º - Adquirir livros que são fundamentais (clássicos), zelando por uma biblioteca particular, assim como, freqüentar espaços e ambientes que contenham acervo literário, por exemplo, bibliotecas;
10º - Ler assuntos vários. Não estar condicionado a ler sempre a mesma espécie de assunto;
11º - Ler muito e sempre que possível;
12º - Considerar a leitura como uma atividade de vida, não desenvolvendo resistências ao hábito de ler. (pesquisa)

Obrigada por ler esse artigo até o fim.
Bom começo. Continue !!! Passe adiante !!


boa semana
bjussssssssss

Ana Luna - anammluna@yahoo.com.br

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

JORGE TORRES



Toda uma geração de bom-conselhenses que gostavam de futebol, conheceu Jorge Torres, pois ele foi quem encarnou toda uma geração de boleiros de nossa cidade, inicialmente como jogador e depois como técnico das principais equipes de nossa cidade.

Jorge Torres tinha uma compleição franzina porem com músculos bem definidos, tinha uma altura em torno de 1,68, de cor morena escura, um sorriso cativante, um físico invejável, com um percentual de gordura quase zero, era assim na juventude e foi assim na terceira idade.

Quando jovem foi um temível zagueiro, pois do pescoço para baixo tudo era perna, só entrava seguro, não tinha moleza com ele, e formava com compadre Nato, uma dupla de zaga, que eram o terror dos atacantes.

Não tive o prazer de o ver jogar, quando fui entender de futebol, ele já era técnico da ABA ( Associação Bom-conselhense de Atletismo), como técnico era altamente disciplinador, assim como quando foi atleta, tinha moral total com os atletas, e ai daquele que desobedecesse suas ordens, pois ouvia poucas e boas, com ele nem dirigente vinha com conversa fiada para o seu lado.

Certa feita um jogo da ABA contra um time de Garanhuns, Paulo Índio faz uma jogada totalmente fora do comum, aquilo deixou ele totalmente irritado, então ele grita para Paulo índio, ISTO É TRUQUE INDIO PAULO, todo mundo caiu na gargalhada, pois para aqueles que tiveram o privilegio de assistir filmes de faroeste que tinha índio, sempre aparecia um índio fazendo um truque para enganar o homem branco, estão todos nós que assistíamos ao filme dizíamos que aquilo era truque índio.

Quando ele estava à beira do gramado como torcedor ou técnico, tinha de dar uma distancia de no mínimo um metro e meio longe dele, pois todo movimento que os jogadores faziam ele fazia, ele chutava, cabeceava, agarrava etc. Tudo na imaginação, era como se ele estivesse ali jogando também, era um divertimento assistir jogo com Jorge Torres.

Em uma justa homenagem feita pelo prefeito Walmir Soares, foi colocado o seu nome no estádio municipal, pois foi Jorge Torres o bom-conselhense que mais se identificou com o nosso futebol.

Alexandre Tenório - tenoriovieira@uol.com.br