quinta-feira, 3 de setembro de 2009

100 anos sem Euclides da Cunha



Há no universo lítero-cultural, obras e textos que merecem “o selo de perpetuidade”, e por isso mesmo, apesar de escritos há tantos anos, guardam perfeita e viva identificação com o momento atual.
Assim, Euclides da Cunha e sua criação literária deixaram um legado que é uma das referências para os que se dedicam ao estudo da paisagem e da literatura brasileira.
Os Sertões”, obra produzida pelo escritor que conta a história da guerra de Canudos, é um dos grandes clássicos brasileiros e a mais marcante na sua produção literária. O livro é o mais completo ensaio sobre sociologia, geografia, economia, raça, política e religião, já produzido nos trópicos. Foi essa obra que pesou decisivamente para sua consagração como membro da Academia Brasileira de Letras.
Dividido em três compartimentos: o Homem, a Terra e a Luta, o autor retrata com muito engenho e arte, sensibilidade e espírito público, visão poética e coragem, um Brasil novo e desconhecido.
O estilo euclidiano é complexo, áspero, seco como um xiquexique do sertão, mas, recheado de acentuado vigor telúrico na exaltação dos valores do sertanejo: coragem, fortaleza de espírito e consciência para o enfrentamento do desafio. “O sertanejo é antes de tudo, um forte. Não tem o raquitismo exaustivo dos mestiços neurastênicos do litoral.
A morte do militar, bacharel, engenheiro, republicano, jornalista e escritor completou 100 anos no último dia 15 de agosto. Dentre todas as suas facetas as de jornalista e escritor são as que mais se destacaram.
Pois bem, além de “Os Sertões”, edificou um acervo cultural escrevendo ensaios e livros sublimes, como “Contrastes e Confrontos”, “Peru versus Bolívia”, “Castro Alves e seu tempo”. Colaborou com o jornal Estado de São Paulo sob o pseudônimo de Proudhon, sendo convidado para cobrir a guerra como correspondente.
Mesmo assim, deixou de lado todo glamour e conforto da vida de um escritor, para embrenhar-se no meio da Floresta Amazônica. Vários são os títulos que compõem sua bibliografia, muitos deles, compilações de textos que publicou nos mais importantes periódicos brasileiros de sua época, como: ”A margem da história” e “Diário de uma expedição”, publicados muito depois de sua morte.
Dono de uma extensa obra literária, o escritor é também dono de uma morte trágica. Não conseguiu, todavia, apascentar o demônio da paixão, foi morto quando tentou matar o jovem tenente Dilermano de Assis, amante de sua esposa Ana Solon Cunha, alvejado pelas balas do revolver do amante de sua amada.
Dilermano foi absolvido do crime, por ter agido, segundo o júri, em legítima defesa.
Um século depois, Euclides da Cunha permanece imortal na História e na Literatura.

Maria Caliel de Siqueira - mcaliel@hotmail.com

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