segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Dialogando Francamente - 3


Amigo Cleómenes, boa noite!!!

Por favor, leia esse e-mail sem nenhuma pressa. Sem nenhuma pressão para me responder, esse ou outro qualquer que eu te envie, beleza? Este e-mail é só um adendo/parêntese na nossa comunicação. Estou me dando a esse luxo por ser “vagabundão” (não foi assim que FHC se referiu a indivíduos aposentados como eu?). Por isso, não se afobe, entendo perfeitamente a vida atarefada que os outros possam ter. Nossos diálogos seguirão como você diz: “... no tempo da evolução Universal...”
O adendo é para sugerir uma estratégia nas nossas trocas de figurinhas. Penso que elas podem/devem ser com os seguintes objetivos: primeiro, ser útil para consolidar nossas compreensões e que essas possam ser incorporadas ao nosso viver diário; segundo, tendo em vista a possibilidade de outros lerem nossos diálogos, escrevê-los com uma exegese quando acharmos necessário.
Por falar nisso, ou em função disso, vou abrir um parêntese dentro do parêntese. Analogamente aos sete marcos da classificação de Dawkins sobre agnosticismo, eu diria que a capacidade humana de apreender a vida pode, também, ser classificada em sete níveis, como os abaixo propostos, com respectivos exemplos (aqui o menos é mais):

Nível 1: nesse nível, estão seres como Gregory Bateson e Humberto Maturana que, de forma independente, desenvolveram na década de 60 uma nova concepção de mente (livro “A Teia da Vida”, capitulo 7), Stephen Hawking e J. Krishnamurti – esses, ao meu juízo, tiveram “insights” que podem redirecionar o caminhar humano em busca da Verdade;

Nível 2: estão estudiosos como Fritjof Capra, Richard Dawkins e outros – que ao meu juízo conseguem fazer uma síntese do conhecimento transcendente e transferi-los para leigos como eu;

Nível 3: neste nível estão os grandes cientistas, em suas áreas específicas – compreendem muito da sua especialidade, mas estão enclausurados no seu saber ou nos seus dogmas. Obs.: Muitos desses grandes cientistas, aqui classificados como nível 3, talvez, tendo em vista o seu viver, pertençam de fato ao nível 4. Desse modo, haveria uma inversão na classificação dos indivíduos desses dois grupos;

Nível 4: estão os indivíduos não especialistas que estudam, sem preconceitos, o conhecimento transcendente e se esforçam para aplicá-lo à sua vida – minhas pretensões pessoais é pertencer a esse grupo;

Nível 5: estão os indivíduos que vivem na superfície, buscam apenas o conhecimento comum. Condicionados pelas crenças e/ou ideologias, dependem sistematicamente de terceiros – seus cérebros estão congelados para as grandes verdades;

Nível 6: estão aqueles (coitados) que lutam apenas pela sobrevivência física;

Nível 7: estão os indivíduos aéticos (ética entendida como um conjunto sistemático de conhecimentos racionais e objetivos, a respeito do comportamento humano e da moral) – as lamparinas do seus juízos estão apagadas, só se acendem com gás “sarin” (substância tóxica que atua essencialmente sobre o sistema nervoso. Utilizada em guerra química) ou gás “tabun” (idem, gás sarin).

UFA!!! Isso não é mais um parênte(se) dentro de um parêntese, isso é uma família inteira. Voltando ao parêntese inicial, quando da possibilidade de outros lerem nossos diálogos e se interessarem pelo assunto, eu tenho dúvida quanto a isso. Mas como diz o ditado: “Quando um não quer... o outro insiste", vamos então insistindo.
Desculpe o massacre verborrágico de hoje, mas você sabe: com meu “gene egoísta”, de guru indiano, vou enrolando, enrolando, até vencer o “cabra” pelo cansaço.
Chega Roberto! Dá um sossego pro Cleómenes. Fuuuii!!!
Um abração,

Roberto José T. Lira
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Caro Roberto,

Vi que você é um bom entendedor, pois como diz o ditado, para eles, meia palavra basta. Não tenho tido muito tempo para o nosso diálogo. Ainda não sou um “vagabundão”, mas, este dia chegará. Minha formação religiosa sempre me levava a concluir frases destes tipos com: "se Deus quiser". Hoje vejo que para Deus vir aqui, e mexer nos meus processos de aposentadoria, no INSS, seria uma crença que só poderia vir dos meus condicionamentos sociais, culturais e religiosos. São os “memes”. Um dia chegaremos lá no diálogo.
E ainda mais, o Diretor Presidente agora, encampando as boas ideias, resolveu prometer uma Biblioteca do Blog. Adivinhe em quem ele jogou a tarefa de operacionalizá-la. Exato, em cima de minha “máquina gênica”. Estamos tentando um formato adequado e que seja o mais útil para o objetivo do nosso Blog, que é sua terra de nascença.
Disse a você num dos e-mail, penso que no último, que iria dialogar no ritmo da evolução do Universo. Depois pensei, mas já estamos dialogando, embora saiba que, fazendo analogia, sendo você Platão, eu sou o discípulo disperso temporariamente, com sono durante os diálogos. Quando, de quando em vez, acordo, digo umas besteiras e durmo outra vez. Sabendo Platão que o discípulo dorme por uma boa causa, jamais deixará de expor suas ideias, que certamente servirão a outros discípulos. Hoje entre um cochilo e outro e ouvir o mestre, fiquei esperto para admirar sua sabedoria ao mencionar os 7 pontos do sua fala.
Você começa dizendo que na sua classificação dos 7 pontos, o menos é mais. Conto-lhe uma história da minha infância. Minha cidade lá pelos meados dos anos 60 recebeu um bispo que era o chefe da diocese. Você sabe que a visita de um bispo a uma cidade sempre é uma festa. Um bispo é um bispo como um Presidente é um Presidente, apoiando o Zé Sarney ou não. Meu pai, muito católico e eu coroinha, fomos a uma missa solene celebrada pelo o referido prelado. Eu, pela minha idade não notei, mas meu pai chegou em casa dizendo para um irmão meu, mais velho e menos católico, você devia ter ido à missa, sabe o que o bispo falou? “Se é para abandonar o catolicismo e as verdades de Deus então bem aventurada seja a ignorância”. Aquilo ficou martelando na minha cabeça e quem sabe se me tornei ateu porque acredito que nunca e nunca mesmo a ignorância será bem aventurada? Sei que a história é mais complicada mas vale o exemplo. Hoje eu colocaria este bispo no nível 7 e meu pai no nível 5. Nesta classificação penso estamos empatados, pelo menos em desejo pois estou estudando pouco, gostaria de pertencer ao nível 4.
Mostrei seu e-mail a nossa colega Lucinha Peixoto, que agora só fala Indi. Ela disse:

“O Roberto está mexendo num vespeiro. Ele deve saber que em Bom Conselho, só conheço abaixo do nível 6 poucas pessoas (Ela os nominou, mas não vou repeti-la aqui para não causar constrangimento, se isto for publicado), e, conheço algumas que iriam para o nível 8 facilmente. Será que ele não poderia criar este nível? São aqueles que não tem mais lamparinas no cérebro, não adianta estes gases que ele falou. Jamais acenderão. O Antônio Conselheiro, O Andarilho, Nero e similares são exemplos históricos. Eu me considero no nível 4 e meio. Pois não considero meu cérebro congelado para grandes verdades. Mas, que venham as grandes verdades, pois a do Cleómenes e agora a do Roberto, são muito mixurucas. Tenho vontade de entrar neste diálogo, mas com “vagabundões” ninguém aguenta.”

Roberto, desculpe a Lucinha, em off ela me disse que você era um cara muito inteligente, ao contrário de mim que era uma topeira. Como diz um homem de TV aqui no Recife: Durma-se com uma bronca dessa!!!
Por hoje é só. A Biblioteca me chama. Estou doido para colocar o Fritjof lá.
Abraços

Cleómenes Oliveira

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