quinta-feira, 24 de setembro de 2009

O GINÁSIO SÃO GERALDO, que nasceu cheio de glória...



Quando viu meus artigos sobre o 7 de setembro, o Diretor Presidente foi ao SBC também ver as fotos do desfile. Ele disse que não navega muito por lá. Eu penso que ele navega sim, e com mais frequência do que diz mas, deixa isto prá lá. O importante é que ele também queria escrever sobre o São Geraldo vendo as fotos. Falei grosso, e disse que estava na fila e a vez era minha. Meu Deus, até eu estou machista hoje. Devia usar: “Falei sério”, pois mulher não precisa ser grossa, precisa ser séria. É assim que vamos conquistando nosso lugar neste mundo de “machos”. Ele, o DP, apenas contribuiu com algumas poucas informações. E vamos lá.
Na primeira página das fotos de Niedja vi um título: “Chá Casa da Caridade”. Pensei estivesse enganada de desfile, mas vi a foto dela, em frente ao Ginásio e resolvi explorar, navegando pelas fotos, e descobri ser apenas um erro do SBC. Fui em frente.
Fixei-me na Quadra Poliesportiva Joaquim Cirilo.
A homenagem me fez lembrar do homenageado, aquele homem baixinho e culto, a quem nos dirigíamos para tirar dúvidas sobre o significado das palavras. Dr. Cirilo era um dicionário ambulante e tinha opinião formada sobre tudo. Ele era o nosso Rui Barbosa sem bigode. Ainda o vejo, em estado apoplético (este termo foi uma das dúvidas que ele me tirou), gritando com minhas colegas, mais salientes, nas brincadeiras durante suas aulas: “Parem! Bando de ‘cheval!”. Nem preciso dizer, que a aula era de francês, e não me lembro do plural.
Voltando à quadra, ali, naquele chão, com uma arquitetura muito diferente, tínhamos as aulas de Educação Física e as fofocas rolavam no recreio, neste caso, só para as mulheres. Os homens, ao tocar a campainha iam “servir” no Tiro de Guerra. Alguns alunos, não chegavam a sair pelo portão principal, ficavam sentados num batente, bem perto da Biblioteca Paulo Correia Ferro. Foi ali, que a maioria de nós aprendeu o prazer da boa leitura. Alguns não estavam interessados em livro nenhum, e sim ficar olhando para dentro suspirando com a passagem de alguma paixão amadurecendo, quando passava alguma fêmea pelo corredor das salas de aula. Tocava a campainha, fila no portão e de volta ao trabalho.
Continuando a navegar, algo me chamou a atenção. Há dois nomes agora para o estabelecimento de ensino. Um Ginásio e uma Escola. Não sei o motivo disto. Entretanto, posso assegurar que a frase que existe na placa da Escola: “Educando com Competência e Qualidade”, pode ser aplicada, historicamente, ao Ginásio, e com abundantes provas, pela legião de pessoas de bem que lá foram formadas, como, premonitoriamente, diz a letra do Hino do Ginásio, de autoria do Chefe João Batista. Quanto a este hino, meses atrás, a CIT fez uma homenagem ao educandário, quando completou 60 anos, e que ainda está lá no YouTube, podendo ser acessada pelo link abaixo (liguem o som e cliquem, para ouvir, e se for ex-aluno, para chorar):



A música deste hino é da Professora Iracema Braga. Talvez minha velhice me leve a discordar da mudança da letra, colocando Colégio no lugar de Ginásio, como aparece na homenagem, feita pelo “banner”, ao Prof. Waldemar Gomes de Santana, onde ele serve de fundo para a letra do hino. Se algum dia o nosso, hoje, Colégio São Geraldo passar a ser, como todos esperamos, Universidade São Geraldo, a letra do hino ficaria: A Universidade São Geraldo...?. Para mim não soaria bem, pela métrica, nem seria mais do Chefe. A CIT ainda aguarda, dos músicos de Bom Conselho, uma versão com orquestra e coral deste nobre hino, mas, esperamos que a letra original seja mantida, mesmo que já sejamos uma Universidade. Infelizmente, aqui nesta empresa, quem mais sabe música, só atira o pau no gato, mas, fizemos o possível, na homenagem, contratando uma cantora da terra, mais especificamente, de Caldeirões dos Guedes.
No conjunto foi um desfile militarizado. Desde as balizas, aos carros alegóricos, passando pela Banda Marcial e pela coreografia do cruzamento de espadas, tudo lembrava nossas Forças Armadas, que pelo menos neste desfile foram melhor tratadas do que aquelas que estão nos quartéis, sem dinheiro nem para a bóia. Não as quero ver, outra vez, nos lugares errados, mas elas tem ainda lugares certos em qualquer país “civilizado”. E não estou falando aqui dos aviões franceses.
Onde mais me detive foi no bloco dos ex-alunos, e foi lá onde me senti mal. Não pelo desfile, mas por eu não conhecer mais ninguém, ou quase. Vi o Alfredo Camboim outra vez e, como estamos no Ginásio, não resisto em contar uma estória, que o envolve. Numa das aulas de Canto Orfeônico, ministradas por D. Iracema, no Auditório Rui Barbosa, como num passe de mágica, pois não estava chovendo nem havia torneiras perto, apareceu uma poça d’água. Todos estranhamos, entretanto não houve maiores manifestações, até que Alfredo, muito curioso, tocou com o dedo na água, e disse: “Isto aqui é xixi”. O quem foi, quem não foi, deve ter ido parar na Diretoria com seu Waldemar. O desfecho completo, não me lembro, parece que desceu no xixi.
Vi também o Di Tavares, e dele e de suas qualidades de teclador e escritor já falei muito aqui no Blog. A novidade é o chapéu de origem anglo-ibérica. Muito elegante. E, além de Lourdinha de Dona Cecília Fausto, não reconheci mais ninguém. Por ali, pelo Ginásio, passaram ainda muitos jovens depois de nós.
Eu fico imaginando, se com os meios de comunicação tão desenvolvidos, as moças de Bom Conselho, como eu fui um dia, ainda ficam com muito entusiasmo quando aparecem por lá nossas forças armadas. Lembro que, num determinado ano, no qual havia eleições, e não me lembro para que cargo, houve um pedido de tropas federais para assegurar a moralidade durante a votação. Houve tanto assédio aos nossos briosos militares, por parte de minhas colegas, que até hoje eu fico duvidando se realmente, aquele pleito decorreu decentemente. Eles não fizeram mais nada a não ser dar atenção às entusiasmadas de plantão. Não sei hoje. Será a mesma coisa? Se for, o desfile do nosso Ginásio São Geraldo, tenho certeza, foi um sucesso de público feminino. Pelo menos, pelas fotos, foi.

Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com
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(*) Fotos de Niedja Camboim no SBC.

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