terça-feira, 8 de setembro de 2009

A PALAVRA



Palavra é objeto. Palavra é semente. Escrever é o modo de quem tem a palavra como isca: a palavra pescando o que não é palavra. Palavras - movo-me com cuidado entre elas que podem se tornar ameaçadoras. A densa selva de palavras envolve espessamente tudo o que penso em escrever e transforma tudo aquilo que penso em alguma coisa minha que fica fora de mim.
Usar a palavra é como estender uma corda sobre um abismo, tensa, fina e lindamente. Palavra é como o fio de uma teia, e esta teia chamada linguagem, e cujo tecelão é o Homem. A palavra é um jogo, cujo time é a linguagem, unificando, reforçando, sem asserção à cultura de um povo e a identidade de um país.
Palavra, palavra, palavras, misto de imagens e criação sem paralelos... O sol nasce com raios tímidos tecendo a manhã que desponta. O sol iluminando o campo de trigo,fazia com que as espigas começassem a ficar coloridas de um amarelo ouro inconfundível....Viu e sentiu o poder da palavra? Uma a uma, se junta e consegue-se criar uma imagem que com certeza o seu cérebro registrou e criou de acordo com a sua percepção, o quadro do nascer do sol. Isto é a palavra!.
Nada existe de mais difícil do que se entregar a palavra. Esta dificuldade é dor humana. É nossa! E nos entregamos às palavras quando escrevemos.
A palavra é o dom imaturo do crescimento, é o tom da medida certa do amadurecimento, é o esquadro perfeito da sintonia dos sons.
Falo, falas, falamos e a palavra soa como um fio tênue entre mim, você, nós. É a palavra que nos une. Mesmo no silêncio do seu som, ela continua existindo. Muda a forma, a norma, mas a palavra consegue transpor, transgredir, mesmo que calada, mesmo sendo dita através do olhar, que capta a linguagem da alma. Ela está lá: inerte. Esperando ser movimentada.
A força da palavra do olhar. Flecha ligeira que não precisa de arco para ser arremessada. Direção certeira, que passa pelo coração, despertando o movimento que organiza o sensível pelo inteligível e chega-se ao pensamento. E o pensamento pensa o mundo sensível e o seu movimento espelha-se na razão do homem que dispõe da palavra. E é o ato do poder da palavra que edifica o mundo. Nesse meio subtil que é a língua, o pensamento pensa-se a si próprio, e é por isso que os primeiros princípios são as letras-elementos da palavra humana, ecos remotos, mas significativos do Verbo Supremo. E neste nível aprendemos a falar a palavra que nos conecta com o nosso divino, com a nossa bússola interior, que nos mostra o nosso Norte, que nos mostra o Ser. E aprendemos tanto com esta palavra que não nos perdemos mais na vida, ou no fundo do sofrimento, ou do monstro que nos aprisiona, da doença que nos asfixia. A lucidez se faz permanente. É uma palavra pequena, apenas quatro letras, mas nos traz o fruto de uma emoção maior que nos faz ser causa e efeito. Uma palavra pequenina, mas que tem o efeito de uma bomba de hidrogênio, e esta palavra chama-se: AMOR.

Gildo Póvoas - gildopovoas@hotmail.com

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