terça-feira, 1 de setembro de 2009

Xeretando no SBC



Neste fim de semana não estava de plantão na CIT, parece que era o Jameson. Aqui em casa tenho uma conexão com a Internet, é pior do que a da empresa, o que quer dizer, se eu quiser ver aquele veadinho lindo do SBC (lembrem esta sigla, Site de Bom Conselho), eu clico no link, vou tomar um café e volto, quando chego, o João Fernandes da Costa ainda não atirou, o “bambi” está lá, lindo e saltitante.
Mesmo assim fui outra vez ao SBC. A causa era nobilíssima. Ana Luna me mandou um texto do Dr. Bactéria, sobre higiene. Li, achei interessante para estes tempos de “gripe do porco”. Minha amiga Ana, indicava sua coluna como contendo um artigo sobre tratamento de carne. Todos sabem que, apesar de manter meu marido nos eixos, exigindo que de quando em vez ele “passe e cozinhe’, sou também do lar. Gosto destas coisas de casa. Procurei o artigo e não o encontrei. Passei uma mensagem sobre como encontrá-lo e ela, gentilmente, respondeu que era uma artigo antigo no SBC. Neste fim de semana fui lá, com o objetivo exclusivo de lê-lo. Pergunto: Não foi por uma boa causa? Foi, e recompensadora, pois o texto de Ana (“Lavar a Carne”) é um primor. E não estou só falando do problema de higiene envolvido no texto do Dr. Bactéria. É quase um tratado de auto-ajuda, e que merece ser lido e relido por quem leu quando logo publicado. Infelizmente, ela diz uma coisa que se aplica a mim como uma luva: “Hábitos antigos são difíceis de se perder....dizer " a vida inteira fui assim " é muito simplista. ... Os hábitos são repetições de nossos pensamentos e geram, claro, atitude. Podemos mudar nossos pensamentos, logo........”. Eu tenho um hábito horroroso, que é xeretar. Para vender o meu peixe digo que sou curiosa, inquiridora, etc. No entanto, sou é xereta mesmo. Mesmo que o faça com as melhores das intenções, xeretar é um hábito difícil de mudar, minha amiga Ana! E me comportei como simplista, indo clicar noutros lugares, quando deveria ter desligado o computador e ir tratar da minha carne, sem lavar, é claro. Hoje é Strogonoff, coisa de velho. Meu marido gosta, tem mais hábitos antigos do que eu. Vou pedir para ele ler o artigo.
Passei outra vez pela Academia Pedro de Lara toda. Alguma novidade? Não muitas, se não considerarmos aqueles imortais, que estendem sua imortalidade até o nosso Blog, dando-nos a honra de sua colaboração, sendo por mim já lidos. Entre os outros, vimos um artigo de Edjasme Tavares, lendo os jornais da região e escrevendo sobre o que viu. Sinto-me aqui sua imitadora neste mister, de quando em vez vagueio pelos jornais e revistas e os comento. Fiquei um pouco chateada, pois ele comentou o artigo de Eliúde na A Gazeta 247, mas não comentou o meu na A Gazeta 246. O que ela tem que não tenho? Ela nem estudou na Escala Pratt, e eu estudei. Teclo melhor do que ela. Tenho pedigree datilográfico. Fui orientada por Marinete. Estou desolada. As lágrimas correm pelo meu rosto e eu o viro de lado, pois se caírem no teclado dizem que dar curto circuito no sistema. Meu Deus, tenho que me recompor, o que é isso? Pirei? Amanhã tenho que avisar a Eliúde, com aquele ar de satisfação, e ela vai, certamente, me esnobar pela citação, mesmo antes de dizer que a gaivota está no ar. Toma Lucinha, quem manda ser xereta?
Mesmo assim, quase descomposta, encontrei um novo texto do Zé Tenório de Medeiros: “A Fazenda Clarão?” Me recompus ao terminar a leitura. Como já disse, literatura da melhor espécie, esta do nosso conterrâneo, dentro de um estilo inconfundível, que eu chamo: “estilo dois dedos de prosa”, deixa a gente sempre querendo mais...Parabéns, Zé Tenório. Quando cheguei no O Andarilho, pulei, seria mais do que xeretar, seria mexer com sua paz, que ele tanto pediu, e merece, e todos respeitam, tanto que ninguém o lê mais.
Eu já ia embora, quando o mau hábito, mais uma vez me levou a clicar num link onde havia uma cópia de ata de reunião da Colônia Papacaceira do Rio de Janeiro. Além de algumas fotos. Não conheci, pessoalmente, nenhum dos presentes nelas. Me fixei no Waldemir Presideu, e não precisava nem a legenda, identifiquei-o, pois é a caro do seu irmão, o Zé Domingos, a quem conheci pessoalmente. Mas, não foram as fotos que me chamaram a atenção e sim a ata.
Além de mostrar a grande organização da Colônia, a ata me surpreendeu, reproduzindo uma de suas decisões, tomada por unanimidade. Aproveitando uma ideia de Saul Camboim (eu o conheci, e naquela época minhas colegas diziam que ele era, o que hoje meus filhos chamam de “bad boy”, e isto só nos fazia suspirar ainda mais quando o encontrávamos, com aquele bigodinho fino) de colocar o retrato de Pedro de Lara nas camisas a serem usadas no 10º Encontro de Papacaceiros. Exultei inicialmente, entretanto, comecei a pensar no passado, e comecei a sofrer mais de duas vezes.
Lembro, como se fosse hoje, quando propus o nome de Pedro de Lara para patrono de nossa Academia. O presidente da Colônia do Rio de Janeiro, senhor Paulo Tavares foi veementemente contra a ideia, e inclusive escreveu uma nota contra no SBC, com o apoio posterior de sua filha Teresa Tavares (ver meu artigo neste Blog: http://www.citltda.com/2008/11/por-que-no-pedro-de-lara.html defendendo minha posicão), por achar que aquele não era o posto adequado para uma homenagem ao nosso artista maior, havendo outras coisas com as quais ele poderia ser homenageado, achavam eles. Nunca soube a posição oficial da Colônia Papacaceira do Rio de Janeiro sobre isto, pelo menos, como soube depois, sua posição oficial de colocar O Andarilho no Mural Pedro de Lara e aprovar a Colônia Papacaceira de Salvador. No entanto, sobre a sugestão ao organizador da festa José Quirino, para colocar o Pedro de Lara na camisa do encontro, segundo a ata, a decisão foi por unanimidade. Aí eu fiquei pensando, será que toda Colônia comunga com as ideias de seu presidente e estão colocando este Pedro Nosso, no lugar que ele acha que o Pedro merece: frente de camiseta de encontro? Se foi esta a intenção, perdoem-me nobres conterrâneos, se eu fosse o Pedro de Lara, não aceitaria, e quem tiver respeito por esta figura, que foi um homem de bem e divulgador de nossa terra, também não aceitará. Eu espero que o senhor Paulo Tavares tenha repensado, e mudado sua opinião a respeito de qual lugar seja uma homenagem para Pedro, aceitando-o como patrono de nossa academia, e que esta nova propostas seja uma homenagem a mais.
Eu concordo com todas as homenagens que possam ser feitas ao Pedro de Lara, mas não com aquelas que passem a ideia de que ele, onde estiver, ou aqueles que o admiram devem se satisfazer com as menores porque era o que ele merecia. Sei que não era essa a intenção do Saul quando fez a sugestão (afinal de contas, tenho certeza, ele não é mais um “bad boy”) mas, a aprovação por unanimidade, o que inclui o presidente, me deixou com uma pulga atrás da orelha, pelas opiniões emitidas por ele anteriormente.
Caro José Quirino, espero que você trate esta sugestão e outras que possam surgir, como sugestões mesmo, e não como uma ordem da Colônia do Rio de Janeiro, igual aquela aceita pelo SBC, sem nenhuma discussão, para a entrada do O Andarilho na Academia. Ouça as outras colônias, organizadas ou não, e decida com seu comitê, o que deve ser feito, e a quem homenagear.
Caro Alírio Cavalcanti, nobre presidente da Colônia Papacaceira de Salvador, reúna seu povo, de preferência ao pé do Elevador Lacerda ou do Farol, e o ausculte, sobre o tema, quem sabe se vocês não queiram colocar o Senhor do Bonfim, em vez do Pedro de Lara. No entanto, mesmo que como eu, vocês concordem com ideia do Rio de Janeiro, com estas reuniões mostrarão que a Colônia de vocês e todas as outras são independentes, e não filiais da Colônia do Rio.
E, assim feito, informemos a José Quirino, como sugestão, garantindo-lhe a última palavra. Eu, como membro da Colônia Papacaceira de Recife (totalmente desorganizada, mas atuante), sugiro que o retrato de Pedro seja usado sobre a foto do Ginásio São Geraldo, e com os dizeres bordados: “Pedro de Lara Patrono da Academia de Bom Conselho”. Ficarei muito agradecida se for concretizada esta sugestão. No entanto, não ficarei nenhum pouco zangada se o José Quirino, e sua comissão de festa, levar em conta outras sugestões. A não ser que, depois de recebidas as opções, ele queira ouvir o povo “conectado” de Bom Conselho, então podemos falar com o nosso Conselho para fazer uma enquete.
Ainda sobre a ata, um dos grandes assuntos tratados foi sobre a situação do Santa Cruz. Descobri mais uma sofredor: O Ronaldo Dias. Pedro Ramos eu já sabia que gostava de sofrer. Será que vocês também torcem pelo Vasco? Espero que não, pois masoquismo tem limite.
Chega de xeretar. Pelo menos, por hoje!

Lucinha Peixoto – lucinhapeixoto@citltda.com

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