segunda-feira, 19 de outubro de 2009

FERIADÃO EM BOM CONSELHO



A propósito do articulista, também fui à terrinha. Não conversei com quem gostaria, pois fiquei limitado à afetividade de alguns parentes que ainda me restam. Mas foi ótimo e sempre será essa "bebida na fonte" original dos nossos pecados e das nossas santificações. Como sempre, fui à feira que adoro. Como já disse, em outros escritos, pra mim ela seria patrimônio imaterial. Lá eu sempre posso ver coisas persistentes que a globalização não conseguiu ainda acabar, como os tipos simples, os fazeres e os falares originais do nosso povo mais legítimo em sua singularidade cultural. Ouvi, por exemplo, que a corda que eu fui comprar teria um preço de "X" por braça. Quase fiquei tonto, pois nem me lembrava mais das "braças" como medida concorrente do metro. Outra fala, foi de uma prima que, ao fritar ovos, disse que teria que fritar mais porque a tacha era pequena. Fiquei zonzo, mas logo me lembrei que eu também falava tacha. Inclusive o nosso Zé Fernandes, me ajudou na compreensão, quando lhe relatei.
Mas ir à terrinha me deixa meio triste, com o sentimento de banzo. Todos os meus "filmes" são reprisados: os bons e os não muito bons. Resultado é que fico meio triste, administrando o misto de alegria e seu contraditório. Mesmo assim, sirvo-me de tudo na reconstrução dos momentos singulares que passamos subindo e descendo ladeira, vendo o comércio com ares de cidade grande, sem mais bodegas, com mercadinhos, com supermercados em fase de inauguração, com motos nas ruas, centenas de carros novos, carroças de burro, bicicletas aos borbotões, enfim, um lufa-lufa que, tudo indica, logo logo, vai nos remeter às cidades grandes em sua interpretação.

Mas enquanto o clima geral de cidade grande com todos os problemas não se instala, a gente vai curtindo o que resta de resistência cultural. O nosso matuto continua matuto, mas nunca foi besta, como se quer atribuir ao matuto. Matuto é quem mora no mato, mas quem mora no mato não é tolo e a grande maioria já está plugada na internet, com computador em casa, etc.

Vi poucos que queria ver. Mas o anonimato é bom porque a gente fica mais livre para pensar o que quiser sem informações paralelas. Não que elas não sejam boas, mas a gente, no nosso imaginário "viaja" mais livre, respira mais leve e, mais livre, faz versos, odes à terra que nos ensinou os primeiros pensares. Some-se a isto, o tempo que estou fora e que, certamente, leva a gente a perder um pouco o contato com os que ficaram, pois o tempo passa pra todos e, naturalmente, as fisionomias se transformam como a minha também se transformou.

Mamãe e minha irmã foram comigo e, do mesmo jeito ficaram super felizes com o reencontro simbólico de tudo que fomos e vivemos aí. O feriadão passou que nem sentimos, mas logo logo retornaremos.

Como não poderia deixar de ser, ouvi sérias críticas à nossa prefeita Judite. Como ouvir não é pecado, limitei-me a isto, pois opinar sobre política, mesmo sendo de uma cidade como a nossa, requer embasamento e um certo conhecimento de causa. A teoria política dos fatos existe, mas não é o suficiente para se esboçar posição, pois igualmente gosto de me posicionar. Portanto, limitei-me a ouvir e, neste momento, frasear. Espero que alguém me informe mais, para eu saber conceituar melhor o meu sentimento de ter uma mulher na nossa edilidade maior.

Portanto, caro Citeiro, provavelmente passamos um pelo outro e não nos sabendo, não nos cumprimentamos. Faz parte.

Carlos Sena - csena51@hotmail.com
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(*) Fotos da CIT na Feira de Bom Conselho.

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