domingo, 29 de novembro de 2009

Os Sobrinhos do Capitão e o Pré-Sal



Quando se chega à minha idade, certas horas, dar uma vontade imensa de olhar para o passado. Se perguntarmos a alguém inteligente sobre a causa desta vontade ou desejo, ele dirá: Nossa vida se compõem do passado, do presente e do futuro. O presente não tem tamanho, o tamanho do passado aumenta cada dia e o do futuro diminui. Ou seja, a cada dia temos mais passado e é muito natural que falemos dele.

Meu passado em Bom Conselho foi mais curto do que o passado noutros lugares mas, foi mais intenso, talvez, porque lá o futuro era muito maior, e só pensávamos nele. E neste passado lembro bem dos Sobrinhos do Capitão. Era uma dupla de crianças endiabradas que fazia parte de minhas coleções de gibis. O Hans e o Fritz bagunçavam o coreto da Mama e do Capitão. Toda a graça das histórias estavam centradas nas peças pregadas pela dupla sobre estes dois e, às vezes, com o Coronel. Diziam até que os sobrinhos não eram realmente sobrinhos mas, o fruto de um furtivo caso entre a Mama Chucrutz, como a chamavam, e o Capitão.

Não lembro de nenhuma de suas estórias de forma específica, apenas do sentido geral: eles aperreavam a Mama e o Capitão. Alguns falavam até que sua leitura não era muito adequada para as crianças, porque se elas os imitassem, seria um caos em cada família. Fiquei então imaginando porque o Hans e o Fritz surgiram em minha mente. Lembrei!!! Foi a posição do nosso Governador Eduardo Campo e do Governador do Ceará, Cid Gomes, em relação ao dinheiro do Pré-Sal.

Para aqueles que não sabem, tentarei, sucintamente explicar o que é o Pré-Sal. (Aqueles que quiserem uma explicação mais detalhada podem ver o link: http://diariodopresal.wordpress.com/o-que-e-o-pre-sal/, do qual foi tirada a maioria das informações abaixo).

O Pré-Sal é uma área de reservas petrolíferas encontrada sob uma profunda camada de rocha salina, que forma uma das várias camadas rochosas do subsolo marinho.


As reservas do pré-sal encontradas no litoral do Brasil são as mais profundas em que já foi encontrado petróleo em todo o mundo. Representam também o maior campo petrolífero já encontrado em uma profunda região abaixo das camadas deste monte de sal. É considerado uma grande bacia petrolífera e avalia-se que tenha entre 70 e 100 bilhões de barris equivalentes de petróleo e gás natural mineral. Os geólogos mais otimistas falam em até 200 ou 300 bilhões de barris. Para dar uma ideia de sua importância, se as reservas petrolíferas forem de 100 bilhões de barris, e o petróleo estiver cotado entre US$ 50,00 ou US$ 100,00, esta riqueza mineral permitirá ao país obter uma renda gigantesca, entre US$ 5 trilhões e US$ 10 trilhões (em 2008, o Brasil trabalhou o ano todo para produzir mais ou menos US$ 1 trilhão), apenas extraindo óleo cru. Se o petróleo for refinado, este valor pode ser multiplicado em várias vezes, afetando diretamente toda a economia nacional. Neste contexto, a descoberta do pré-sal levou a uma grande mobilização social e política em todo o Brasil, em defesa da revisão da legislação que ainda hoje regula o setor petrolífero e a extração de petróleo no Brasil. Embora, só se espere que estes recursos estejam disponíveis daqui a alguns anos, a garantia da Soberania e da Cidadania no futuro do Brasil, em grande medida, dependem dos rumos deste debate e da mobilização popular no Brasil do presente.



Uma das grandes questões envolvidas é a distribuição deste mundaréu de dinheiro entre os brasileiros. A guerra, anunciada há duas semanas pela imprensa, foi provocada pela insistência dos estados não produtores (entre os quais Pernambuco) em distribuir os royalties da área já licitada do pré-sal entre todas as unidades da Federação. Dois governadores dos Estado atualmente produtores de petróleo querem evitar que os demais estados avançem sobre os recursos da área do pré-sal já licitada, que são distribuídos hoje em sua maior parte aos estados e municípios produtores. Para fazer esta distribuição foi apresentada uma emenda ao Congresso que está sendo julgada por estes dias. O nosso Governador e o do Ceará (mais o nosso), neste caso estão bancando o Hans e o Fritz , sendo a favor da emenda e aperreando a Mama e o Capitão, que são a Dilma Roussef e o Lula, que pode, se titubear, ficar sem o pré-sal aprovado e sem os Governadores dos Estados produtores no palanque de sua candidata à Presidência, a Mama Chucrutz.



É um imbróglio que não tem tamanho para o Lula, ou pensando bem, uma possível solução para suas agruras na escolha de um candidato viável, para ficar no seu lugar. Estive lendo a Lucinha Peixoto e José Andando por estes dias, em suas coberturas e descoberturas das visitas a Bom Conselho, por parte de nossos governantes (http://www.citltda.com/2009/11/procurando-os-pes-de-galinha-no-sbc.html - http://www.citltda.com/2009/11/lula-em-bom-conselho.html - http://www.citltda.com/2009/10/o-encontro-com-lula.html ). Eles dois quase afirmam que o candidato ideal para Lula seria o Eduardo. Lucinha chega a dizer que ele (o Eduardo) é o “cara”. Eu penso que o nosso Zezinho andou conversando mais do que sobre Academia com o seu conterrâneo Lula, nosso presidente. Ele pode ter dito:

- Amigo Lula. Veja longe como você via em sua infância. A Dilma é um andor muito pesado prá carregar até 2010. Tem um passado difícil de conciliar com o seu, e nas lutas do passado, não usava suas armas. Já o nosso Eduardo tem tudo a ver com você. Neto de quem é. E lembre da frase que sua mãe dizia: “Filho de gato é gatinho, maracajá pintadinho”, hoje eu lhe digo a frase como Lucinha me falou: “Neto de gato é gatinho, angorá e bonitinho”. O Miguel Arraes ensinou tudo a ele. Pense nisso.

E Lula, um dos maiores políticos vivos, deve ter ouvido e calado, ou, quem sabe, pigarreado. Talvez ele não esteja se esforçando tanto em defender os Estados produtores assim, e a emenda passe. Para isto o nosso Governador Eduardo, tem que fazer como o Hans e o Fritz dos meus quadrinhos: Aperrear, aperrear e aperrear a Mama Chucrutz e o Capitão.

Tenho certeza que, com a vinda dos Royalties para Pernambuco, Bom Conselho terá o seu quinhão. Talvez seja a vinda da fábrica de embutidos da Brasil Foods, ou mesmo, a chegada da Petrobrás, para verificar se na caverna do Bulandi tem petróleo mesmo, ou era conversa de Tonho Fernandes. Mesmo que fosse só conversa, Pernambuco teria mais um presidente. Vamos aperrear o homem, Governador!

Diretor Presidentediretorpresidente@citltda.com
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(*) As fotos são do Blog Diário do Pré-Sal, mantido por Lucas K. Oliveira, que como nós tenta passar a informação, esperando que ela faça o bem, só em troca do bem: http://diariodopresal.wordpress.com/.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Ajudando salvar nossos olhos...



Caro Roberto, boa tarde, não sei de que dia, depois do seu, e já para prevenir, boa noite e bom dia, pois sei que não terminarei isto hoje.


Ao querer salvar o seu Olho de Horus, você tocou em muitos assuntos. Algumas coisas muito estranhas para mim, e como já encontrei o sentido da vida, que é o mesmo daquele do carro de boi (como outras pessoas nos lêem devo esclarecer que a poesia do carro de boi não é minha e sim do Alberto Caeeiro) eu não estou lendo tanto, como você, coisas que me levem a ele, por isso minha compreensão passa longe de termos, como autopoese, sistema de Gaia, e alguns outros citados por você. Só penso que, quando você perceber a essência da evolução da espécie pela seleção natural, através de genes, principalmente, e memes, não muito claramente, você chegará ao sentido da vida, ou quase lá. Para minha melhor compreensão tenho que ir por partes (lembrei do Beto Guerra: como o Jack, o Estripador), e estas partes serão os parágrafos. Concordâncias ou discordâncias, serão sempre sem automatismo.

Quanto à possibilidade de enfrentarmos nossos genes/memes, modificando-os. Fazemos isto todos os dias, mesmo que fiquemos sentados à beira do caminho em atitude de meditação transcendental, que não sei bem o que seja. Os genes estarão sempre se replicando dentro de nós e procurando sobreviver preservando nosso corpo, sua máquina de sobrevivência. Este é o princípio, e no princípio era o verbo. Sua atitude para se preservar ou se proteger de doenças genéticas nada mais é do que uma luta deles, ajudados pelos memes criados pelos seus ancestrais (dos genes), para sua preservação. Se não houvesse escassez de nutrientes para eles, eles seriam eternos. Segundo Dawkins isto ocorria na “sopa inicial” onde teve origem a vida. Eles nem precisavam de máquina de sobrevivência. Era o paraíso, onde todos viviam felizes, igualzinho a Adão no Éden, antes da serpente. Eles, nesta situação, começaram a se replicar em demasia até que o primeiro Caim teve que matar Abel, para tomar sua comida, já eram muitos para os nutrientes existentes neste nosso planeta. A família de Abel passou a tentar se proteger da de Caim, se replicando de uma forma diferente, para evitar ser morto. Como diz o Darwin, evoluiu naturalmente. E a luta começou. Cada um com suas estratégias de luta e criação de máquinas cada vez mais sofisticadas. Aos vencedores as batatas, que eram uma maior probabilidade de sobrevivência do que o das máquinas anteriores. Ia esquecendo, foi nesta fase que surgiram os primeiros genes economistas, para lidar com a escassez e de economia eu só entendo aquela que faço hoje para chegar ao fim do mês com o que ganho.

Se tornaram até dinossauros, que eram grandes e bonitos, mas tinham um cérebro do tamanho daquele do Papa Lucio III, que convocou o Concílio de Veroana. Não conseguiram se proteger contra os eventos naturais e deram lugar aos insetos, restando apenas alguns crocodilos da mesma espécie. Depois de alguns poucos anos (milhões deles), neste processo chegamos à nossa carcaça atual. Para chegar a isto tiveram que ter muitos memes (que você diz serem pensamentos, e eu prefiro pensar neles como seus feitos, como Dawkins cita o dique do castor) para competição cada dia mais eficiente. A experiência que o Dawkins conta de que há uma ave que usa o ninho de outra para sobreviver, e depois mata os filhotes do hospedeiro, é apenas uma exemplo, do que eles fazem para continuarem se replicando. Não adianta dizer que este pássaro é imoral, por que ele entenderia tanto quanto uma leoa defendendo sua cria ou uma mãe humana protegendo o seu filho, em uma situação de extremo perigo.

É neste ponto que alguns deístas (o Collins, que a Lucinha leu, é um) que apela para o aparecimento de uma lei moral que se confunde com Deus, pois só entre os homens ela existe. Ledo engano, esta lei moral passou a existir quando nossos cérebros se desenvolveram o suficiente para perceber que a “lei da selva” não protege nossas carcaças, ou máquinas de sobrevivência sempre. As ideias religiosas, ou memes religiosos surgem nesta fase. A mulher que virou uma estátua de sal ao querer voltar para Sodoma e Gomorra apenas é um meme criado pelos genes de Moisés para proteger as carcaças do seu povo. Isto é para se ver quão útil foi a religião na vida humana. Hoje temos memes mais modernos gerados pelos genes de outras mentes brilhantes e que nos protegem da “débâcle” final. Por falar nisso, fui assistir ao filme 2012, que tem por base um meme gerado por algum maia maluco, de que não passaremos do ano de 2012. É angustiante pelos efeitos especiais excelentes. Vi o Cristo Redentor caindo aos pedaços, e vários outros monumentos. Sem entender muito bem das explicações científicas envolvidas no fenômeno, o que entendi é que o nosso Antônio Conselheiro, caso se confirme as profecias maias, estará certo: O Sertão vai virar Mar, e não é pela transposição do Rio São Francisco, é porque a costa terrestre se moverá e, pelos meus cálculos, teremos praia em Bom Conselho em breve. Tudo isto, para levar a comprovação do darwinismo, pois sairemos vivos de mais este dilúvio, como o Noé saiu, usando arcas, que nada mais são do que máquinas de sobrevivência, além dos nossos corpos, mas feitas pela competição de genes. No final do filme, o autor dar uma derrapada em favor da lei moral e solidariedade humana, tentando levar a crer que podemos ser salvos, sendo solidários, e no fim do filme isto se torna verdade. Todos choram e aplaudem o grande final feliz. Não sabem eles que isto só ocorrem nos filmes.

Saindo do cinema, você diz que este processo de competição, que pode ser sujo mesmo, está nos memes e não nos genes. Até nisso, os seus genes conseguem lhe enganar, passando por bonzinhos. Se não fosse assim eles enfrentariam riscos maiores e não seriam “imortais”, que seria o nome correto para os nossos genes, e não “egoístas”, que tem uma carga valorativa e negativa muito alta. Já pensou, se acreditássemos que, dentro de nós, existem um bando de diabinhos a brigar, trapacear, mentir, tripudiar em cima dos outros, só para sobreviver? E que nos levam a agir de forma competitiva sempre que necessário para protegê-los e eles continuarem na sua saga replicadora e evolutiva? Eles são ardilosos e nos deixam pensar que podemos sermos bonzinhos e solidários, e muitas vezes somos, porque eles nos permitem. Eles são mais sabidos do que nós. Eles que formam os memes, e não o contrário. Eles inventaram até uma coisa chamada “livre arbítrio”, para justificar o patriotismo e o suicídio altruísta. Mas é só engodo. Nós somos como os pinguins que ficam na beira d’água esperando para entrar, mas sabem se entrar existe uma foca para pegar um deles. Como pode ser qualquer um todos ficam fora d’água até que algum caia. Quando algum escorrega e cai n’água, ninguém vai salvar, os outros escapam pelo outro lado. E assim sobrevivem até hoje, embora não por muito tempo pois o ser humano está derretendo as calotas polares para os americanos usarem seus carrões. E ainda dirão, mas nós não somos pinguim, temos a lei moral. Concordo que não somos pinguins, com automatismo e tudo. Por isso, para nossa sobrevivência, matamos a foca, eliminamos o perigo, agora todos podem nadar sem medo. Surgiu o Estado de Bem Estar Social na Europa, sob o império da lei moral. Isto só internamente. Hoje se sabe que, todos lá podiam nadar a vontade e usufruir de uma qualidade de vida nunca vista na História, mas também se descobriu, que os “pinguins” de lá não esperavam algum pinguim cair pelas forças naturais, eles o empurravam para as focas que podiam incomodar, eram o pinguins colônias, na Ásia, África e América do Sul. Morreu muito pinguim por aqui sob o manto da lei moral dos pinguins de lá. Mas vamos provar que os nossos genes não são bestas não, estamos reagindo.

Um último ponto, pois já estou achando isto grande demais, por agora, é que você fala que em sua primeira competição, correndo com bilhões de participantes (os espermatozóides), foi um vencedor. Ledo engano, amigo, quando aquele conjunto de genes começou esta competição, eram você só pela metade, você só ficou inteiro, quando sua outra metade, no óvulo de sua mãe o deixou entrar. Aí é que você começou a correr, na competição da vida, pois neste ato você virou um corredor único. Neste processo de desenvolvimento da vida, a cooperação passa longe. Eu não sou um esperto nestas questões mas dizem que o gene do olho azul sai de porrada com o do olho preto, chamam-se os alelos ou rivais. Quem bate mais sai ganhando (aqui, eu iria desenvolver o exemplo, com a analogia do corredor, mas fica para depois, só não me pergunte quando, pois tenho que ler minha bíblia). O que espero "em Deus" é que os alelos ou rivais de alguns genes de seus pais, que você diz que tiveram alguma doença genética, tenham vencido nesta briga. Se isto aconteceu, pare um pouco de jogar tênis e venha degustar uma loura suada comigo no Encontro de Papacaceiros. Eu ainda não posso afirmar que ateísmo é mal genético, mas, se for, não adianta falar nem discutir nada. Se não tivermos os genes do ateísmo (ou memes?), ainda chamaremos "por Deus". Que vençam os alelos!

Cleómenes Oliveiracleomenesoliveira@citltda.com

Pelé e o 1000º Gol



Eu ainda estava em Bom Conselho quando o Pelé fez o 1000º gol. Era 19.11.1969, há 40 anos atrás. Ouvia o jogo na Rádio Globo ou Rádio Tupi, não me lembro bem. Era, como se dizia naquela época, um rapazinho de 20 anos.

Trabalhava duro e só não era de sol a sol porque dentro da mercearia não entrava sol, entravam muitos bêbados e futuros bêbados, pois lá vendíamos bebidas alcoólicas, a retalhos. Aguardente Guará, Serra Grande (a mais cheirosa que vi), Genebra (que o povo dizia “zinebra”) Gatinho, Conhaque de Alcatrão de São João da Barra ou Castelo (este era mais caro), Vinho de Jurubeba e uma “misturada”, que meu patrão comprava de um fornecedor desconhecido, que ao tomar o indivíduo nunca mais voltava ao estabelecimento. Dizem as más línguas que não voltava porque morria, mas, sem dúvida, era um exagero.

Estava sozinho em casa diante daquele rádio de válvulas, que levava uma meia hora para esquentar. Meu interesse era no possível gol do Rei, que já estivera para ser marcado no Nordeste, se não me engano na Bahia (ou Paraíba?). Tenho certeza que se houvesse um pênalti num estádio nordestino, o Pelé, com 999 gols, chutaria para fora. Tinha que ser no Maracanã. Eu era torcedor do Santos, mas torci para que o Andrada pegasse o pênalti, depois que ele não fez o gol mil aqui.

Mas, de fato, para o futebol e para o Pelé foi melhor que tivesse sido feito no Maracanã. O evento consolidou e com justiça uma carreira brilhante no esporte e renovava as esperanças de rapazinhos como eu de ainda tentar um dia, marcar tantos quanto ele. E se contar, desde menino, as peladas na Rua da Cadeia, em Maneléu, no oitão da Igreja, acima do muro do Colégio, no campo de futebol, de manhã, de tarde e de madrugada, com a turma do Professor Joaldi, penso que cheguei muito perto dele. Sei que marquei mais do que Romário, se contar a fase de São Paulo, que já é outra história.

Ouvi e me emocionei, e emoção nesta idade é sempre sincera, quando ele falou das criancinhas pobres do Brasil. Mesmo naquela fase braba do AI-5, e isto eu só percebo hoje, eu era um perfeito alienado em termos de política. Pensava mesmo nas criancinhas e acreditava que um jogador de futebol tinha um poder medonho. Hoje, nos vídeos, aquelas declarações soam um pouco “brega”, mas naquela época, me deu esperança.

O Santos ganhou aquele jogo. Pelé era jogador do Santos. Respondam rápido se puderem: Qual é o time do Romário? Zico era jogador do Flamengo. Qual o time do Cafu? Bita era jogador do Náutico. Qual o time do Carlinhos Bala? Eu sabia a escalação do Santos de cor e salteado, qual a de hoje? Tudo mudou. O Futebol hoje é uma atividade profissional, e o jogador é igual a mim, trabalhando naquela mercearia, vende a cachaça que tem, a quem pagar. Mudou muito. Para pior ou para melhor? Para quase velhos como eu, para pior, para jovens como eu era, talvez para melhor. Hoje ao invés de querer marcar mil gols, os rapazinhos, que já vem da escolinha de futebol, querem mesmo é se profissionalizar e ficar rico no exterior. Se não chegarem a tanto, já estarão satisfeito em jogar em algum clube que o pague o suficiente para o aparelho de correção de dentes, o trancelim e o brinco de pedrinhas, de preferência do tamanho dos de Robinho ou Adriano. Os mais antenados, e afro-descendentes como eu, não raspam mais a cabeça, isto é um modelo arcaico lançado pelo ex-fenômeno e agora fofômeno Ronaldo, a moda agora é "rastafári" igual ao do Vagner Love, e a namorada escolhe a cor, para receber “coraçõeszinhos”, feitos com as mãos após os gols.

Enfim tudo tem seu tempo. Tudo agora é profissional. E alguns choram hoje porque Pernambuco, o Leão do Norte, vai ficar fora do Campeonato Brasileiro. Eu digo: Vendam o Leão e a Cobra e fiquem só com o Timbu. Ou, mudem a ordem, para não ser faccioso. Só podemos pagar a um time bom. Seremos agora o Timbu do Norte, e não seremos forçados a aguentar os “perebas” que estão ai.

Jameson Pinheirojamesonpinheiro@citltda.com

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

A Noviça Rebelde



Todos aqueles que são habitué de cinema já assistiram ao filme A Noviça Rebelde. Alguns viram uma vez, outros duas, e tem aquelas, como eu, que devem ter visto umas cinquenta vezes, embora só umas poucas iguais a mim, choraram todas as vezes. A beleza das paisagens alpinas e as músicas me levam ao êxtase em todas as ocasiões que estou diante da exuberante Maria e seu, não menos charmoso, o Barão Von Trapp.

Há uma cena, no final do filme, onde a família Trapp está ameaçada de se desfazer, por ordem do Terceiro Reich de levar o Barão para reforçar a Marinha alemã, na Segunda Grande Guerra. Num festival de música, o apresentador anuncia o Barão dizendo ser esta a última apresentação dele, pois foi convocado para a guerra, por um longo tempo. O Barão entre e canta Edelweiss. Atualmente, antes dele começar a cantar, eu já estou chorando.

Pedi para me deixarem escrever este texto, porque fui convocada, junto com meus companheiros Jameson, Cleómenes e Sandoval (Diretor Presidente vai em seguida) para reforçar o esforço de guerra da CIT, contra nossa ignorância em Computação Gráfica e Multimídia. O “front” desta guerra se travará na cidade de Belém, mais especificamente na Universidade Federal do Pará. Sinto-me como o Barão Von Trapp, não quero ir mas tenho que ir, e ao contrário da situação dele, aqui é por uma boa causa, pelo menos é o que promete a CIT para nós.

Estes cursos terão a duração mais ou menos de um mês, a partir do dia primeiro de dezembro. Portanto, poderia dizer como o Barão, este meu texto será o último por um longo tempo. Entretanto, isto só seria verdade se no Pará só tivesse Carimbó e não Internet. Não é o caso, escreverei de lá. De dentro da Floresta Amazônica, tentando salvá-la como fará Marina Silva na presidência se o Lula não lançar o Eduardo. Isto se aplica a todos. Cleómenes prometeu até maneirar um pouco no ateísmo, diante daque exuberância verde.

O que todos prometemos, e por isso aceitamos partir, é que este exílio, não poderá ultrapassar o mês de janeiro, porque eu já me comprometi com os organizadores da Papacagay no 10º Encontro de Papacaceiros, e não posso faltar, como simpatizante que sou. Aproveitando, quanto a este tema, soube que o grupo Amigões do Andarilho, não sairá mais. Só houve um inscrito e a comissão organizadora não aceitou.

Igual ao Barão Von Trapp tive a sorte de poder me despedir com música. Não eu cantando, porque uma gralha com gripe suína cantaria melhor do que eu. Para colocar música nesta despedida peço socorro ao Grupo Uva Passa. Explico. Ontem chegou a CIT um endereço de vídeo no YouTube, deste grupo, enviado por minha amiga Ana Luna. Ao vê-lo senti as mesmas emoções que tinha quando assistia à Noviça Rebelde, mas, com a ênfase de nossa modernidade. O Grupo todo está de parabéns.

A Neide Pipokinha, a Ana Luna e a Marcix estão divinas e cantam divinamente o belo som que nos remete e lembra nossa idade sem culpa nem remorsos. Como elas dizem com muita graça, e eu complemento: “o que não me falta é pressão alta”. Em mim o calor já passou.

Amigas Ana e Neide me perdoem, mas a Marcix é a minha preferida, porque demonstra na prática que eu, com meu físico, ainda posso cantar, obrigada Marcix.

Vejam o vídeo abaixo. Ao conterrâneos que só tem Banda Estreita em nossa cidade (que vergonha) vale a pena esperar um pouco, e vê-lo.



Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

P.S. Amiga Ana, vi agora no nosso Mural, as notas de Gildo e do Diretor Presidente sobre você. Continuo dizendo, se alguém não propuser a concessão do Título de Cidadã Honorária para você, eu o farei em 2013, porque serei candidata a vereadora em 2012, e sei, que não tem prá ninguém. Falarei com Zé Arnaldo para me assessorar sobre um bom partido político. Parece que ele agora está com um pé no PV.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

O DIA EM QUE BOM CONSELHO PAROU - FINAL



Surubim escolheu como tema principal a sua feira e sua vaquejada (a maior do nordeste), fizeram uma boa apresentação, porém não foi tão empolgante, como se esperava.




A nossa apresentação iniciou com a música “O GUARANI” de Carlos Gomes, esta música estava representando a zona da mata, pois é na mata que vivem os índios e houve um belíssimo balé com indígenas, ao termino da apresentação da zona da mata, iniciou a música “ASA BRANCA” de Luiz Gonzaga, representando a zona do agreste a curiosidade é que a interpretação da música ficou a cargo da recente versão do QUINTETO VIOLADO, que estava estourando em todo Brasil, diga-se de passagem, uma belíssima interpretação instrumental e vocal do Quinteto, o nosso pessoal teve a sensibilidade de escolher a música e versão correta para o balé, e foi de uma beleza sem palavras para descrever aquelas belíssimas moças todas de vestidos de voil branco transparente, que deixaram a platéia tanto de Surubim com de Bom Conselho doidas, as meninas tinham sido escolhidas a dedo, ali estava a nata da beleza juvenil de nossa cidade, ao término da apresentação a ovação foi total, então entra a última parte com a música “CARCARÁ” na belíssima voz de Maria Betânia, a música carcará estava representando a zona do sertão, o balé com Leda e mais quatro rapazes todos vestidos de gibão e roupa de couro representava o sofrimento e a seca desta região, Leda fez uma grande interpretação e foi ovacionada por todos.





Diante da fantástica recepção que teve o nosso tema livre, fez com que o nosso pessoal sonhasse com a vitória, pois demos um banho em Surubim e quando o apresentador pediu a nota do primeiro jurado tivemos a certeza que iríamos realmente ganhar, quando a soma de todos os pontos das duas cidades e o apresentador declararam Bom Conselho vencedor, a loucura toma conta dos que estavam no auditório e muito mais na cidade de Bom Conselho, o foguete comeu no centro os carros saíram nas ruas a buzinar e fizeram uma carreata, a igreja abriu suas portas e o sino tocou. Padre Carício sempre muito fechado, veio na porta da igreja receber os fiéis que foram rezar e render graça a nossa Santíssima Sagrada Família, a cidade praticamente não dormiu, e Manuel fogueteiro viu definitivamente os bolsos se encherem de dinheiro, foi talvez o mais feliz dos bom-conselhenses.





Nove horas da manhã estava toda população na entrada da cidade esperando os dois ônibus com a nossa delegação, a expectativa era muito grande para verem os nossos heróis, também era muito grande a ânsia destes heróis para chegarem em casa, e saber que tinham cumprido determinantemente sua missão, alguns bom-conselhenses mais apressados foram até a cidade de Terezinha para receber a caravana e dar as boas vindas, o povo de Terezinha foi também receber a caravana, nas estradas se viam varias pessoas acenando para eles, quando os primeiros carros chegaram na entrada da cidade a alegria foi total e haja foguete, a caravana entra na cidade para uma volta em todas as ruas, o povo nas portas e calçadas acenando, alguns correndo atrás dos ônibus, não ficou carros na cidade que não acompanhasse a carreata.
Durante muitos dias em nossa cidade só se falava do campeonato, porém o que me deixou triste foi que pouco se sabe hoje desta nossa epopéia, tive uma dificuldade enorme de recolher dados, até mesmo as pessoas que participaram estavam esquecidas do feito e muito pouco acrescentaram.





Quero agradecer a todos vocês amigos do Blog pela paciência que tiveram comigo, mas realmente esta epopéia tinha de ser contada aos poucos, quero dedicar a nossa narrativa a todos aqueles que participaram desta epopéia e que já se foram, vai aqui alguns nomes como: Peu de Zé Zuza, Manuel Miranda, Florisbelo Vila Nova, Vanda, Severino Feliciano, Zesabel, Geraldo Cordeiro (irmão de seu Vitinho) etc. Finalmente terminou UFA.





Alexandre Tenório - tenoriovieira@uol.com.br
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(*) Fotos do evento enviadas pelo autor.

domingo, 22 de novembro de 2009

Procurando os Pés-de-Galinha no SBC



Hoje, pela manhã, voltei ao SBC. Vocês todos perguntarão: De novo???? É verdade, estou me tornando habitué, como eu era antes quando escrevia para o Mural. Tempos animados aqueles. Hoje, a animação fica por conta das coberturas fotográficas e foi isto de melhor que lá encontrei.

Minha intenção era ver se realmente haviam publicado o artigo sobre os Pés-de-Galinha, escrito por minha amiga Ana Luna, pois não havia conseguido ver antes. Vi que encontraram os membros inferiores das penosas e eles estavam lá direitinho. Em compensação não encontrei em sua Coluna, um artigo dela, que aqui já publicamos, perguntando o que faz um homem ser homem. Deve ser um atraso simples de publicação, como ocorre aqui em nosso Blog. Nunca seria por esquecimento, tenho certeza.

Nesta procura, me deparei com o Governador Eduardo Campos, em carne e osso. A cobertura de sua estadia em Bom Conselho estava tão boa que o “carne e osso” acima quase não é uma figura de linguagem. A Niedja, o Saulo e o Zé Maria deram um show de cobertura. Uma dia quero conhecê-los pessoalmente para dar-lhes os parabéns por estas e por outras.

Sinto uma pena danada do Luis Clério ainda não ter criado a Gazeta Online, para fazer uma cobertura jornalística do evento, que pudesse ser seguido por todo Bom Conselho conectado. Dizem que uma imagem vale mais do que mil palavras, e às vezes isto é verdade. Entretanto, as imagens não dizem nada quando não sabemos quem são todos aqueles gordinhos (uns preferem "fortinhos"), saboreando os produtos da Perdigão. Nestes casos faltam palavras. De longe, tive vontade de usar um pouco as minhas para sanar, pelo menos parcialmente, esta falha do SBC.

Pelas fotos, o nosso Zezinho perdeu uma grande festa. É óbvio que ele irá dizer que se o Lula estivesse lá, eu poderia multiplicar o seu brilho por 10 e ainda estaria sendo modesta. E ainda dirá que não haverá mais crianças com os nomes de Eduardo ou Eduarda, não será um dia incomum, nem feriado municipal, pois o povo tem certeza de que ele, o Eduardo, voltará brevemente. Eu concordo plenamente. No entanto, se só derem nomes a crianças daqueles que só vão lá uma vez na vida, todos agora vão se chamar Inocêncio ou Humberto.

É óbvio que conheço uma porção de gente que está nas fotos, não pessoalmente mas de suas aparições públicas. Por exemplo, a prefeita Judith Alapenha, não a conheço por causa de nossas diferentes idades. Lembro de sua tia, Inês. Ambas estavam vestidas para competir com Marísia Letícia e seriam um páreo duro. Ganharam disparado da Ana Arraes. Aquele blusão listrado, sei não... Embora a Renata não tenha ido, pelos últimos eventos em que a vi, ela competiria bem com a vice-prefeita. Embora todas estivessem muito elegantes. Moda masculina não havia nenhuma, mas o Eduardo estava um "gato" (desculpe Renata, mas a verdade tem que ser dita) com aquele modelito “despojadérrimo” de Toritama.

Pelas fotos da Prefeitura, observei que havia bastante gente. Não o suficiente para transformar a efeméride numa festa popular. Nem era a intenção, penso eu, pois se fosse, aqueles discursos todos teriam sido feitos num palanque armado na Praça Pedro II. Faz algum tempo que não vou a Bom Conselho, e conheço pouco dos seus homens públicos atuais, tanto que dos que lá discursaram, da terra, só vi a prefeita. O que os outros estavam fazendo lá?

A visita à fábrica da Perdigão foi uma festa das elites. Elite política, social e gastronômica da cidade. A desconcentração era total. Pensei em colocar umas fotos nesta matéria mas tive medo. Poderiam dizer que estávamos fazendo “merchandasing” da Brasil Foods. Com o volume de produtos desta empresa e a maior concentração de homens “fortinhos” que já vi, isto seria inevitável. O Saulo, o Mábio, o Luiz Clério e o Valfrido, que são os que conheço de fotos, estão um pouquinho acima do peso. Isto deve ter sido agravado nesta calorífica reunião. Há uma foto em que o Governador sai com a Prefeita da fábrica, na qual caberia uma legenda (estou atentando o Jameson prá ver se ele coloca, ainda hoje).


Enfim, foi uma grande festa fotográfica e que me entreteve uma boa parte do domingo, me fazendo esquecer só um pouco dos meus pés-de-galinha. Seria melhor que fosse com o Lula, e se fosse, eu estaria escrevendo sobre o Jornal Nacional de sexta-feira. Mas, não percamos as esperanças nem deixemos de cobrar a visita do Presidente a nossa terra. E, além disso, quando ele vier, espero que já não traga a Dilma, tendo descoberto que Eduardo é o “cara” para 2010.

Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

(*) Foto do SBC, com trabalho artístico da CIT (obrigada, Jameson).

sábado, 21 de novembro de 2009

Tentando salvar o meu olho...



Caro dialogador Oliveira, bom dia!

Só agora, após cumprir a promessa, que fiz a mim mesmo, da releitura do livro “O Gene Egoísta” estou retomando o assunto do nosso último diálogo. O foco nessa releitura foi direcionado para entender a seleção natural como meio de compreender nossa própria identidade (isso é sugerido no prólogo do livro). A compreensão do assunto para mim, não é só complicado, é “o problema”, talvez, insolúvel. Penso que isso se deve às minhas dificuldades de entendimento que estão exatamente no contexto do condicionamento a que você se referiu: “Quando nos habituamos a determinados padrões conceituais é difícil sairmos deles antes da eternidade”.

Levando em conta o dizer do Dawkins que: “Temos o poder de desafiar os genes egoístas de nosso nascimento e, se necessário, os memes egoístas de nossa doutrinação...”, venho há anos desafiando o poder dos primeiros, ao me esforçar para minimizar a possível herança familiar para problemas cardiovasculares (meu pai morreu destes problemas aos 33 anos e mais uma meia dúzia de tios também). Meu esforço para salvar/manter/enfrentar os genes egoístas (prefiro a opção da denominação de genes imortais) tem se concentrado em experimentar os conhecimentos adquiridos sobre a manutenção/reparação dos mesmos (alimentação saudável, atividade física adequada, estabilidade emocional, desapego, etc.) Não sei quais são as minhas chances de salvar os benéficos e/ou controlar os maléficos, mas vou tentando mesmo sem contar com a ajuda de Deus.

Quanto aos memes egoístas? Aí o olho de Horus é mais em baixo. Sei que é necessário me capacitar para enfrentá-los e, mais ainda, para selecioná-los (quando for capaz, vou ficar só com os humanitários – os éticos, não os teológicos). Os memes além de egoístas são ardilosos; impostores, como os das crenças religiosas; ilusórios, como os das ideologias políticas; transitórios, como as das teorias científicas; utópicos, como os das nossas fantasias da realidade, desviando nossa observação do que é para o que deveria ser – estes, às vezes arrebentam nosso hardware. Para enfrentá-los e/ou selecioná-los, não tenho dúvidas, devemos principiar por conhecê-los. Você diz que: “a ideia de Dawkins de “memes” para designar a exteriorização e interação dos genes no plano social ainda me parece muito sugestiva”. Para a mim a ideia de memes não é apenas “sugestiva” (que atrai, seduz; atraente, insinuante), ela é uma realidade palpável com as mãos do entendimento e visível com os olhos da razão. Estou convicto que são os memes que constroem meu software, minha alma, minha memória, ou qualquer “coisa” desse tipo. Não importa se o chamamos de memes, de pensamentos ou qualquer outro nome, o nome não é a “coisa”.

Sobre a aversão do Augusto de Franco, autor do artigo O Olho de Horus, ao Darwinismo e Neodarwinismo e sua tentativa de, como você diz: “contraditar a idéia de competição do Dawkins por uma mais "civilizada" Teoria de Redes Sociais”, para mim o ponto de vista desse autor não é relevante. Sobre essa polêmica tenho a seguinte compreensão: 1) essas idéias representam, respectivamente, o modelo linear e o modelo sistêmico de pensamento; 2) a primeira, “do pensamento linear”, é filha da hegemônica cultura patriarcal européia, onde prevalece a “competitividade”, neste contexto ela é representada por Darwin, Dawkins entre outros; 3) a segunda, “do pensamento sistêmico”, originado na pré-histórica cultura matrística, onde a “competência” (entendida como a reunião de habilidades necessárias a uma vida com mais solidariedade e menos medo) prevalece sobre a “competitividade”, neste contexto ela é representada por Maturana e Lynn Margulis entre outros. Isso posto, e diferentemente de Augusto de Franco, o antídoto que proponho para essa controvérsia é o “pensamento complexo”, de Edgar Morin, que materializa a necessária união dos dois pensamentos, linear e sistêmico. Penso que o pensamento complexo possibilita um abraço desse conflito, a competição (que faz o homem evoluir) e a cooperação (como motor do progresso).

Observo que no meu dia a dia vivo esse abraço (competição abraçada à colaboração). Por exemplo: nos meus jogos de tênis, sinto as disputas da competição como uma verdadeira cooperação. Cada jogador esforça-se ao máximo para derrotar o outro, como dois búfalos batendo as cabeças ambos tornam-se mais fortes. Ambos os jogadores tiram proveito de seus esforços em superar os obstáculos colocados pelo outro. Se o seu adversário tiver um saque forte sua recepção de saque melhorará, ou seja, cada um propicia o desenvolvimento do outro, colocando obstáculos, dificuldades e ao final do jogo nos cumprimentamos e “saímos abraçados”.
A competição nas relações humanas pode não ser cooperativa e sim destrutiva, desleal ou desonesta? Pode sim. E penso que a raiz dessa forma de competir está nos memes e não nos genes. Estes últimos são competidores leais e honestos, mesmo que às vezes inconscientemente destrutivos, os primeiros não, muitas vezes são desleais, desonestos e destrutivos. Quando a competição, entre os seres humanos, é usada como meio de projetar uma imagem para os outros, geralmente, o pior do indivíduo aparece, conduzindo a relação à desarmonia, à inimizade, a ganância e, por isso, a ausência de honestidade, de lealdade, de fraternidade e de amor ao próximo. Penso que essa forma de competir não tem nada a ver com os genes imortais, mas sim com a competição entre os egos mortais, personagens construídos pelos memes.

A competição nas relações humanas se dá de forma subliminar e, na maioria das vezes, o comportamento subjacente não é suficientemente percebido para que o indivíduo tome consciência e, certamente, repetido atua na formação de seu caráter. O que raramente se distingue é que o interesse em trapacear, pisar na cabeça do outro, para se impor como melhor está alicerçado na falta de confiança em si mesmo.

Caro dialogador, mesmo com a releitura do “O Gene Egoísta”, ainda me falta compreensão para aprofundar a questão da competição na seleção natural como meio de compreender nossa própria identidade, cogitado no início do dialogo. Por isso, vou reflexionar sobre a competição na vida a partir de minhas observações pessoais. Em nossa primeira competição, (con)correndo com bilhões de participantes (os espermatozóides) fomos o vencedor. Após vencermos a mais importante competição da nossa vida, seguida de outras vitorias, onde houve cooperação, para desenvolvimento celular, o sucesso do nascimento não é o suficiente para satisfazer os valores da hegemônica cultura contemporânea. Assim, nossos pais dão início aos condicionamentos que nos cabe, para continuarmos competitivos e termos uma vida de “sucesso”. Já nos primeiros dias de vida nos inculcam a vaidade, dizendo: – Esse é o bebê mais lindo do mundo. Durante nossa formação, nos cobram que na escola obtenhamos às melhores notas e seguem nos influenciando/condicionando para escolher uma profissão que nos notabilize, pelo saber e/ou pelo dinheiro. Ou seja, começamos o “jogo da vida” estimulado para ser o mais bonito, o mais inteligente, o de maior sucesso, o mais rico. Essas são as competições genéticas e meméticas, que observo em nossas vidas.

Não são as exigências meméticas desses condicionamentos que estão a moldar nossa humanidade super egotista? Não sou muito dado a manifestar discordâncias, principalmente nos assuntos que não sou especialista, mas vou me permitir uma exceção e discordar (sem automatismo) da manifestação do Dawkins quando ele diz: “Os genes egoístas (e, se você permitir as especulações desse capítulo, os memes também) não têm capacidade de previsão. Eles são replicadores inconscientes e cegos”. Discordo em parte. Penso que os genes são inconscientes e cegos sim, mas os memes não. Como já manifestei, os memes são ardilosos, não são nada cegos nem inconscientes e por isso fico de olho neles. Com os meus olhos e não com o Olho de Horus.

Quanto as Ciências Sociais serem um verdadeiro saco de ideologias concordo com você (sem automatismo). O que não podemos esquecer é que tanto as Ciências Sociais, como as Biológicas, as Físicas e, principalmente, as Ocultas não são nada cegas, nem inconscientes ou imparciais como os genes. Com ou sem método científico elas são memes. Por isso, tô de olho nelas.....só observando. Como comprei a idéia de que o observador é a coisa observada, vou me metamorfoseando ao tom das teorias vigentes. Observando nas Ciências Biológicas, a explicação do “determinismo genético” e da “redundância genética”, ou seja, das teorias dos sistemas lineares e dos sistemas complexos não-lineares. Nas Ciências Sociais, ando observando os assuntos relacionados a “a auto-observação e o ego”, tentando identificar o lugar da razão, da emoção, dos apegos e das dependências. Nas Ciências Físicas, nessas só observo as estrelas. E por último, nas Ciências Ocultas.....essas eu deixo para os religiosos observarem.

Agora, tratando das “redes sociais” eu concordo com você (de novo, sem automatismo) quando você diz ser um devaneio. Penso que o problema começa quando alguns autores tentam transferir a idéia da natureza autopoiética, do sistema de Gaia, para o domínio social. Eles esbarram no problema que os sistemas sociais humanos existem não somente no domínio físico, mas também num domínio social simbólico. Nesse caso, o problema pessoal é que introduzi no meu software alguns memes do livro “Teia da Vida”, de Fritjof Capra, e eles teimam em permanecer lá, com algumas idéias especulativas. Como eu tenho dúvidas se os sistemas sociais humanos podem ou não ser descritos como autopoiéticos, vou continuar acompanhando essa polêmica (de olho nela).

Onde o padrão de competição (darwinista) foi iniciado? Não sei, não sei se quero saber, e talvez se me disserem não vai alterar muito a minha vidinha de “vagabundão”. O que sei é que na minha primeira competição (já descrita) eu venci, por isso estou aqui. Na continuidade, meu padrão de competição vive se metamorfoseando, talvez até a eternidade. Pelo menos enquanto eu não tome no Olho de Horus.

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Ia esquecendo comentar sobre sua manifestação sobre o doidão JK. Antes de qualquer coisa, mandei uma mensagem para ele me desculpando por não ter informado, aos leitores daquele diálogo, que sua manifestação sobre qual a verdadeira religião era uma resposta às indagações de crianças e pré-adolescentes, para quem ele palestrava. Ele retornou a mensagem com algumas considerações. Reiterou que era um equivoco vê-lo como guru ou místico, qualificações que certamente não traduzem a essência do seu pensamento. Que eu podia constatar, na vasta literatura publicada de suas palestras e diálogos, que o aporte dos seus pensamentos se encaixa mais no âmbito das ciências da complexidade, em especial na cibernética de segunda ordem. Lembrou, inclusive, que vários desses aportes foram adotados e complementados pelo físico David Bohm, que colaborou com ele por um bom tempo. Se referindo à resposta dada as crianças sobre qual era a verdadeira religião, justificou ter se eximido de uma resposta conclusiva, tendo em vista que jamais inculcaria seus pensamentos em jovens mentes, de crianças e adolescentes, como costumam fazer as crenças. E acrescentou me dizendo textualmente: “Inquirir e aprender é função da mente. Por aprender não me refiro simplesmente ao cultivo da memória ou ao acúmulo de conhecimento, mas sim a capacidade de pensar de forma clara e sã, sem ilusões, e a partir de fatos e não de crenças e idéias. Não há aprendizagem quando o pensamento se origina de conclusões.”

Ele aproveitou e em um P.S. da mensagem, sugeriu que enquanto eu não encontrasse um sentido para vida, em vez de pensar ser um carro de boi analisasse a possibilidade de ser uma bicicleta, onde já tive alguma experiência. Assim, não precisaria de bois para me puxar, eu seria um semovente com quadro, guidão e rodas. Quem sabe rodas “Mavic Cross Max SL”.
Fuuuuiii!!!! Rodando por aí!!!! – É pedalando Roberto!!!!
Um “abraço complexo”, do seu compartilhador e por que não salutar competidor,

Roberto Lira - rjtlira@yahoo.com.br

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Viver a Vida



Ainda com o estado emocional abalado pela não ida de Lula a Bom Conselho, venho outra vez incomodar-lhes com mais um escrito envolvendo novelas, e o que é pior, da Globo. Fico envergonhada diante da declaração da Ana Luna para as câmeras de TV de que éramos um Blog de intelectuais de Bom Conselho. Isto é verdade, se forem excluídos todos os nossos funcionários, deixando apenas os nossos colaboradores, entre os quais está a Ana. Senão vejamos: Cleómenes, a última vez em que usou o cérebro rezou um Pai Nosso. Depois se arrependeu. Eliúde, só o usa quando passa batom. Diretor Presidente quando troca os adjetivos em suas saudações. Jameson, quando começa a fazer embaixadas com a bola do meu neto. O Sandoval, o mais politizado embora não escreva, usa para dizer: Abaixo a Ditadura! O Zezinho, quando está em dúvida sobre quantas cadeiras terá sua Academia. Se isto é ser intelectual, eu sou Marie Curie ou Clarice Lispector.

Jocosidades a parte, estou possessa com o horário de verão. Causou uma verdadeira revolução nos lares nordestinos. Sei que vão aparecer pessoas, principalmente do sexo masculino, que dirão que é besteira, tudo continua como antes, nunca vi novela na vida, só vejo umas poucas vezes, e outras desculpas. Tudo isto agora tem maior sabor de mentira, e é culpa do horário de verão. Aqui, e em todo Nordeste, o Jornal Nacional agora começa as 7:15, pois no sul maravilha são 8:15. Sem problemas até aí. A Rede Globo, o que fez? Colocou a novela das 7:00, depois do Jornal Nacional. Os refratários a novelas, tinham a desculpa de ver o JN e depois ficavam dormindo (de mentirinha) na cadeira e viam a novela das 9:00. Agora, tem que dormir mais cedo. E eu, que não perdia a novela da 9:00, tenho que ver antes as das 7:00. Hoje ao invés de uma novela vejo duas. Abençoado horário de verão.

Eu digo abençoado como se não tivesse tão chateada com a novela Viver a Vida. Penso até que o Roberto concordará comigo, e o Beto Guerra, que só ver algumas vezes, também. A novela é um “saco”, desculpem a expressão. O noveleiro, ou seja, todos os brasileiros, pois de noveleiros e de loucos todos nós temos um pouco, quer realmente viver a vida, e não há nada melhor do que as novelas para fazê-lo, pelo menos com o preço que pagamos por isto. Depois de um dia de trabalho, ou de ociosidade cansativa, como a dos parlamentares, quando sentamos na frente da telinha, (que agora é telona digital maravilhosa em casas da classe média que era D e passou prá C, com o desconto do IPI, que fez o tsunami virar marolinha de verdade), comandamos a programação e partimos para felicidade com o inverossímil em toda sua pureza. Rimos, choramos, comentamos, brigamos, discordamos, falamos e usamos o mínimo o cérebro já cansado. Tudo é simples, tudo é leve, tudo é alegre ou triste sem nos deixar dúvidas existenciais profundas, tudo é bom ou tudo é mau e nossas escolhas são quase triviais.

Não sei se sou anormal por não ser uma intelectual do tipo que gosta da pobreza da vida real e por gostar deste luxo que são as fantasias das telenovelas. Só sei que sentia o mesmo com as novelas de rádio, quando ainda não era vergonha para os homens ouvi-las. Meu pais ouvia o Direito de Nascer e Jerônimo, o Herói do Sertão, sem nenhum sentimento de culpa. Também sentia o mesmo quando minha avó lia para nós um romance, todas os dias, a luz do “candieiro”, se não me engano: Guerra e Paz. A trama era mais complicada, mas quem disse que lembrávamos da do dia anterior. Da Escrava Isaura lembrava, ao ponto de querer ler por mim própria mas, ainda não sabia. Depois li o livro e confesso, gostei mais da telenovela com Lucélia Santos.

Voltando ao ponto de Viver a Vida. Tudo começou, como já sabíamos no Leblon. Quem conhece o Rio de Janeiro, como eu que fiz um curso por lá, quando era jovem, sabe que este bairro reflete a essência do chamado Rio Zona Sul. Todas as mazelas ditas cariocas estão por lá e adjacências. O autor parece nunca ter ido na zona norte, pois até os morros e favelas, quando há, são da Zona Sul. Então, com o poderio da Globo, isto vai para todo Brasil. É o poder das comunicações de massa. Cada um que se defenda como pode. O incentivo a manifestações culturais locais é um caminho mas, deixo isto para os intelectuais. Meu problema aqui é Viver a Vida. Em primeiro lugar ela poderia se chamar de Viver a Vida do Rubens Barrichello, porque nunca vi tão lenta. Os diálogos chegam a ser entediantes, parecem até baianos conversando. Além de intermináveis, parecendo debate de Eduardo Suplicy com Caetano Velloso.

Há coisas boas para quem tem uma TV com boa recepção. As cenas de paisagens do Rio, que continua lindo de morrer, e de algumas outras cidades e países como Paris e Jordânia. Entretanto, quando estou interessada em paisagens bonitas, vejo outros programas ou alugo um DVD. Eu quero é novela, e esta deixa muito a desejar. O autor, ou o diretor, não sei quem é pior, quer dar um tom de realismo que cabe mesmo é em seriado como Tropa de Elite, Plantão Médico, Globo Ecologia. Tudo isto pensando em educar o povo, mostrando assuntos sérios e responsáveis. E desde quando telenovela é um gênero sério e responsável? A gente, noveveleiros brabos, quer é diversão, emoção, choro e até vela, se a cena for de um enterro adequado, mas, passar cinco dias no São João Batista para enterrar um morto, é “dose”.

A moça que faz a Helena é uma atriz excelente, e não é por ser negra não, não curto preconceitos, mas, ser modelo com a altura dela, só alegrou minhas filhas, que tinham esperança de brilhar nas passarelas, e, graças a Deus, foram salvas pela altura. Mesmo gastando, no mínimo dois litros de “colírio chorador” , por capítulo, sempre há pensamento recorrente de que deveriam ter chamado a Naomi Campbel para o papel.

Para finalizar, era necessário mesmo que a moça ficasse tetraplégica? Não bastava só quebrar o tornozelo? É necessário mostrar cortando o pescoço dela? Quando estas cenas aparecem, não tem jeito, uso o equipamento mais engordativo que criaram nos últimos tempos, o controle remoto. Dou um clique, e vou Viver a Vida no SBT. Se o Sílvio Santos estiver lá, ainda tem a opção de Viver a Vida escrevendo estas besteiras, que espero, servirão para vocês também Viver a Vida, lendo-as. E não façam “caras e bocas”, seria a "treva".

Lucinha Peixoto - lucinhapeixoto@citltda.com

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O dia em que Bom Conselho iria parar



Começo pedindo desculpas ao ilustre bom-conselhense Alexandre Tenório, pela minha falta de imaginação ao parafrasear o título de sua excelente série sobre um dia importante para a sua cidade.

Mas, este é o título mais realista que pude encontrar. O dia 20 de novembro talvez até se tornasse feriado municipal, com a visita de Lula a Bom Conselho. Os meninos nascidos neste dia seriam batizados como Luiz Inácio ou Luiza Inácia dependendo do sexo. Em Caetés já temos tantos Luizes e Luizas que nossos cartórios não mais registram este nome, como evitaram, desde o início, registrar nomes como Lula Anderson, Lula Jackson, Lula Jollie ou mesmo Lula Lelé. A imaginação do nosso povo não tem limites. Um foi registrado, e achei interessante, o Lula Barraco, porque a mocinha do cartório se confundiu quando o pai deu o nome, o que ele estava dizendo era Lula Barack. Tudo isto e mais coisas poderiam ocorrer e seriam absolutamente naturais. Vamos e convenhamos, não é todo dia que um Presidente da República visita um município do porte de Bom Conselho. Penso que este dia seria mais agitado do que o do Enterro do Padre Alfredo, descrito pelo Diretor Presidente (http://www.citltda.com/2009/11/o-enterro-de-padre-alfredo.html). E seria um dia alegre, festivo, para toda sua gente.

Eu estava lá em Bom Conselho por outro motivo. Queria falar com ele sobre nossa Academia e reclamar por ele não ter vindo à inauguração do seu filme aqui em Caetés. E, tendo oportunidade iria dizer a ele, com a devida e educada ênfase:

- Meu amigo, pelo menos de infância, você pisou feio na bola. Decepcionou uma cidade que foi seu berço. Onde você abriu os olhos pela primeira vez e deve ter visto a aridez daquela caatinga braba, onde mais tarde caçaríamos calangos. Seu filme poderá até ser um sucesso de público e de voto, mas não superará a tristeza dos caeteenses de não ter sua companhia para vê-lo. No entanto, nós já estávamos avisados, e de certa forma, calejados com o seu procedimento. Agora, os bom-conselhenses, não!

Eu vi no olhar daquele povo o brilho farto de alegria, um sorriso permanente nos lábios, quando pronunciavam: Lula, Lula... Vi ainda hoje, passarem pessoas simples do povo, com faixas e cartazes para a solenidade de inauguração. Um dizia, ele vem de “holoscopo”, aquele avião que tem um ventilador em cima, outro dizia, que nada, ele vem de “oinbus”, junto com o governador, outro dizia que ele havia partido de pau-de-arara de Garanhuns, e adentraria o portal da cidade, dando uma volta pela Praça Pedro II, antes de dirigir-se à Perdigão. Todos ganhavam do Bolsa Família e queriam, de uma forma ou de outra, agradecer ao seu protetor. Seria ou não seria um dia histórico?

Eu agora já estou em Garanhuns, e se isto serve de consolo, economizei uma diária de hotel. Mas foi uma economia que não gostei de fazer.

Fica a pergunta: Será que um dia ele virá? Em minha opinião, isto vai depender muito daquelas pessoas lutadoras e capazes, a quem elogiei em artigo anterior (http://www.citltda.com/2009/11/lula-em-bom-conselho.html), que lutaram pela sua vinda e agora se sentem frustradas. Neste ponto, concordo com a Lucinha Peixoto, quando exorta o povo a cobrar de Lula, esta promessa, como, em Caetés, também deveremos cobrar. Para Bom Conselho, a dívida é maior, pois, nunca teve um presidente em seu solo. Teve apenas um Governador, que depois de sê-lo nunca mais apareceu na cidade. Talvez cobrar da Dilma no próximo ano, como a Lucinha quer, não seja suficiente, para que Lula venha à cidade. Talvez possamos pressioná-lo mais se convencermos o povo de que o auxílio do Bolsa Família é dado pelo Antônio Conselheiro, e que a volta dele está próxima. Quem sabe o Dantas Barreto, não se levantará do túmulo e voltará a Bom Conselho para combatê-lo outra vez? Sendo recebido pela população cantando um velho coco, de quando ele acabou o rosismo:?

O pau rolou, caiu.
Rosa murchou. Dantas subiu.

Que a Lucinha talvez parafraseasse assim:

O pau rolou, caiu.
Lula afogou. Dantas subiu.


Eu achei uma grande pena. Ainda espero que as fontes da Lucinha estejam erradas e amanhã, o Lula apareça, nem que seja num balão, que o povo acompanharia cantantando:

Cai, cai balão
Cai, cai balão
Aqui na minha mão.
Não cai não, não cai não
Não cai não, Vai cair na Perdigão.

Cai, cai balão
Cai, cai balão
Aqui na minha mão
Eu vou lá, eu vou lá, eu vou lá
Quero ver Lula falar

José Andando de Costasjad67@citltda.com

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O QUE FAZ UM HOMEM SER HOMEM?

Assisti ontem a um filme que me impressionou. Sempre gosto de passar adiante os bons filmes, livros, as dicas que vem a mim, coisinhas de Ana! Você pode ou não aceitar, mas que eu passo, isso lá eu faço.
Pois bem, o filme. Não me impressionou pela fotografia ou atores ou a música! Sendo sincera, nem prestei atenção no fundo musical. Fiquei ali, a sorver cada momento de suspense, coragem e admiração!! Não, de forma alguma pela atriz que por si só, é uma maravilha a parte: Angelina Jolie. Era a verdadeira, a mãe incansável que me atraiu: Christine Collins. Estória verídica.
Que mulher tenaz, audaciosa e persistente!!
Quanta gente sem escrúpulos que ela encontrou e através da enorme tragédia vivida, veio à tona a corrupção dentro da polícia de Los Angeles.
Todo o desenrolar da trama fez-me pensar nos valores humanos.... do filme fui para o cotidiano.
Integridade: significado de uma pessoa íntegra, honesta, incorruptível. Como ensinar integridade aos nossos filhos, num mundo tão carente de?? Quem sabe não tendo medo nem vergonha dos nossos princípios? Se antigamente o bom menino não fazia pipi na cama, hoje, para ser um bom menino é preciso muito, muito mais.
Respeito: Respeitar. Significado de respeitar do dicionário online
VT Ter respeito, deferência por alguém; ter em consideração: respeitar os velhos.
Não causar qualquer prejuízo a alguma coisa: respeitar o bem do próximo.
Tratar com atenção, poupar: certas crianças nada respeitam.
Ter cuidado com; não perturbar: respeitar o trabalho, o sono de alguém.
Cumprir, observar: respeitar a lei.
Dizer respeito a, concernir.
V.pr. Guardar o decoro que convém à sua situação, à sua dignidade.
Creio que todas essas palavras definiram com excelência o respeito. Meus pais me ensinaram, meus professores completaram e a vida arrematou.
Respeitar é diferente de temer.
Respeitar é diferente de concordar.
Respeitar é amar.
Respeito é bom e eu gosto!
Há tanto a se falar sobre valores.... eles são a tênue diferença.entre o ser e o não ser. Se essa é a questão, sou. Sou pela educação.
Sou pela responsabilidade. Limites.
Os valores humanos são fundamentos morais e espirituais da consciência humana.
Todos os seres humanos podem e devem tomar conhecimento dos valores. TODOS.
O oposto não é humano.
O que faz um homem ser homem?
Quem sabe são as escolhas que faz??
Não como começa, mas como termina as coisas.......

Boa semana
Bjussssssssss

Ana Maria Miranda Luna - anammluna@yahoo.com.br

terça-feira, 17 de novembro de 2009

A ESCOLA PAROQUIAL





A criança que fui permanece dentro de mim. Por vezes sinto saudades e carinho, mas muito carinho pela criança que já fui.
Tem dias que o pretérito se faz presente no meu presente. Não resisto! Tento colocar no papel as lembranças que a mente, por alguma razão, quer relembrar.
E volto ao passado. E a mente da criança acopla-se a mente do adulto que sou hoje, e as duas começam a funcionar em uníssono. Uma a ditar. A outra a encontrar as palavras certas para encaixar tanto sentimento polvilhado de tantas lembranças. E assim vou sendo teleguiado como uma terceira pessoa a observar este diálogo entre estas duas mentes. Sou um observador de minha própria mente. Sou um escrevinhador de mim mesmo. Reconfortante, por vezes; melancólico, sem ser piegas. E os sentimentos vão fluindo, encadeados por ações passadas e finalmente o texto já nasce pronto. É uma persistência. Árdua batalha.
E eis o que surge:
Idos dos anos sessenta, em uma cidadezinha do agreste, perdida entre serras, onde a vida começava para um ser de seis anos de idade. Vida simples, família humilde. Um sem quê de dificuldades; quem viveu sabe. E quem não viveu, nem pode imaginar, pois a dor do outro, só vê, não sente.
Estudava nesta época na Escola Paroquial. Para quem não lembra, a nossa cidade de Bom Conselho já possuiu uma escola paroquial. Funcionava atrás da igreja matriz. Consistia em três salas de aula que eram mantidas em parte pela prefeitura, mas sob a tutela do pároco, na época, o Padre Alfredo Pinto Damaso, de quem as sextas-feiras, recebíamos aulas de catecismo. As professoras eram Miriam Correntão (filha do comerciante Sr. José Correntão), Valdeline Tenório Guedes (filha do então prefeito, Sr. Waldemar T. Guedes), a outra professora, por mais que me esforce não consigo lembrar.
Era uma escola pobrezinha, sem cadeiras individuais como as escolas às possuem hoje. Eram bancos compridos que ficavam em volta de mesas também compridas. Em dias de chuvas, que eram constantes, tínhamos que procurar acomodar a todos bem distantes das insistentes goteiras.
A minha professora Senhora Valdeline era punho firme. Também com uma turma de trinta pestinhas para ensinar, qualquer bom profissional, por vezes entra em desespero. E olhe que naquela época existiam dois grandes métodos: o famoso Piaget e o famoso Pinochet (régua e palmatória).
Os intervalos – o famoso recreio- era a parte mais esperada do dia. Não tínhamos área para recreação, então tínhamos por diversão a exploração. Dois itens constavam do nosso turismo exploratório: a igreja matriz e a casa do Padre Alfredo.
Quando a porta dos fundos da igreja estava aberta íamos em grupo de três ou quatro percorrer os espaços pouco frequentados e não acessíveis aos fiéis comuns da igreja. Corria um boato entre a criançada que existia um “corpo seco” por trás do altar de Santo Antonio, e numa dessas explorações fomos tirar isso a limpo. Temerosos, medrosos, mas teimosos, resolvemos ir. Como em todo o grupo, sempre tem um que assume a liderança, um mais afoito tomou a liderança para si e foi na frente. Pé ante pé e fomos nós. Surpresa e decepção!
Surpresa por vermos que o tal “corpo seco” era na realidade uma armação de arame com uma cabeça sem rosto (acho que devia ser um molde de alguma coisa). Decepção por colocar por terra mais uma crença do imaginário infantil. E assim seguia o nosso recreio.
A minha exploração preferida era mesmo o pomar da casa paroquial. Que beleza! Além de bem cuidado tinha frutas à vontade. Nem sempre tínhamos permissão de adentrar para este jardim do Éden. Quando O Pe. Alfredo estava em casa, a permissão era dada, mas com uma recomendação de não quebrar os galhos das árvores. E eram tantas: carambola, Jamelão, sapoti, pitomba, jabuticaba. Interessante que devido ao ciclo da natureza, sempre tinha uma fruta de época que nos abastecia. O Pe. Alfredo por vezes acompanhava o pequeno grupo e nestas excursões deixava de ser aquela voz que bradava quase colérico com os seus paroquianos, nos sermões, como a querer trazer todos para o bom caminho, e passava a ser uma pessoa doce, de voz mansa. Talvez, no fundo sentisse que estava fazendo mais uma boa ação: dando merenda a um grupo de criança pobre que nem sempre tinha alguns trocados para as cocadas e balas da barraca do Senhor Belon.
O pomar tinha dois guardiões, o Paulo, sacristão, e a D. Julia. Então quando o padre não estava, nem pensar em fazer incursões no jardim do Éden. Éramos expulsos e sem explicações. Não podia. Só com autorização do Pe. Alfredo. A contra gosto concordávamos.
A semana da Páscoa trazia consigo a obrigação do confessionário. E a escola toda era colocada em fila para a confissão. Criança junta, bagunça na certa. Aí sim, entrava o método Pinochet (puxões de orelhas) para ficarmos calados e quietos. Nestes momentos o padre era rigoroso, bravo com todos nós. Já na fila eu ficava a rebuscar na minha mente o que iria falar. Que pecado eu cometi? O que Deus queria que eu fizesse e eu não fiz? Eram perguntas que até hoje eu me faço. Que pecado uma criança de seis anos podia ter cometido? Lembro da aflição: a fila andando e eu sem saber o que falar ao padre.
Bem, passou!
Acho que foi à última páscoa em que o Pe. Alfredo ainda estava vivo. Tempo depois o mesmo adoeceu, foi transferido para o Recife, aonde veio a falecer. A Escola Paroquial
ainda conseguiu ir adiante por um semestre. A professora Valdeline casou, foi substituída pela Graça Barreto (filha do Senhor Barretinho), eu tive que sair, voltei para o grupo Escolar, mas aí já é uma outra história.

Gildo Póvoas - gildopovoas@hotmail.com

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(*) Fotos do acervo da CIT.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Voltando ao Site de Bom Conselho (SBC)



Saí viva do Dia de Finados e neste fim de semana voltei ao SBC. Sempre é um prazer perambular por aquelas páginas, agora recheadas de notícias quentes e precisas. Tenho restrições à foto da página inicial, não só pela resolução que não faz jus ao grande site, mas porque tenho uma ordem de prioridade já definida, e as prioridades de gente na “boa idade”, só se modificam no Santa Marta. Sem querer fazer nenhuma sugestão ao Saulo, pois não quero ensinar Padre-Nosso a vigário, eu optaria pela foto aérea, depois pela do “bambi”, retirando o avô do Zé Fernandes, com aquela maldita espingarda. “Bambi” também é gente.
Voltemos à viagem, sempre prazerosa pelo nosso portal. Instintivamente enveredamos para o Mural mas nos refreiamos e antes passamos a vista nas notícias de primeira página.
No topo da lista noticia-se a ida do nosso presidente a Bom Conselho. Minhas fontes já me haviam dito isto, eu as publiquei, e o meu professor Zé Andando comentou no Blog de ontem. Em relação ao Zezinho, agradeço a ele e ao amigo Zé Fernandes, os “puxões de orelha”, no bom sentido, que me deram quanto aos plurais e outras coisas. Parafraseando meu pai, que dizia: “quem tem padrinho não morre pagão”, eu diria que, “que tem professores assim não escreve errado”. Obrigada, inclusive pelos leitores, aos dois.
Havia um link sobre Ana Luna na TV. Fui lá e vi as fotos. Minha amiga Ana, me conte, em segredo, qual a sua receita para esta forma maravilhosa. Gostaria de vê-la ao vivo, como o Pedro Ramos lhe viu, mesmo que você não me elogiasse, mas a nossa conexão aqui é igual a uma tartaruga com reumatismo. Nunca consegui vê-la. Por falar em você, amiga, o Jameson adorou, mais do que todos, o seu artigo: “Minha avó comia pés de galinha”, porque conheceu sua avó, D. Mariazinha, além de outras pessoas que habitavam aquela casa da Rua da Cadeia onde ele passava todo dia. Ele visitou o SBC e o artigo não estava em sua coluna, me perguntou o que aconteceu. Eu não sabia mas, fui ver com os meus próprios olhos, havia um link, mas não chegava ao artigo. Será que o Saulo comeu os pés de galinha? Eu, como mulher e chegada a uma iguaria de boa estirpe, clamo aqui: Saulo, devolva os pés de galinha! Amiga, desculpe minhas jocosidades. Este plantão me deixa com os meus pés de galinha enormes.
Soube ainda que foi descoberto mais um bom-conselhense ilustre: Frei Pacífico. Na matéria sobre ele, o autor diz que ele entrou na vida religiosa em 1955, dando a entender que ele era frade, pelo nome. Logo em seguida diz que ele é casado e tem quatro filhos. Nada contra, inclusive, eu sou católica mas não sou das mais tradicionais, no entanto não entendi bem, devido ao nosso Código canônico não permitir, ainda, o casamento de sacerdotes. Só recentemente, aceitou alguns padres da Igreja Anglicana, onde os padres são casados, e ser a mulher do padre ou filho do padre não é ofensa. Apesar do nosso Código, seja bem-vindo o novo ilustre bom-conselhense.
Quase todas as outras notícias são relativas à Colônia Papacaceira do Rio de Janeiro, que continua incansável. Se eu for um dia ao Rio de Janeiro, quero ser recebida na Igreja da Penha e exijo a presença do meu amigo Gildo.
Numa das fotos que abrilhantam a página inicial, vi uma que dizia: “Diácomo Poul Anderson”. Pensei logo, isto acontece tanto aqui no Blog da CIT, erros de digitação. Deve ser: “Diácono Paul Anderson”. Fui ver a matéria. Me deliciei com as belas fotos de Niedja Camboim e com a beleza da solenidade e a relembrança de nossa sempre bela Igreja Matriz. São coisas que nunca esqueceremos. Parabéns ao nosso novo diácono. Atualmente, com a caduquice das principais leis de nossa Igreja, um jovem seguir a carreira de sacerdote é motivo de encômios. Ainda bem Poul, porque os Maicons preferiram o futebol. Que Deus te proteja nesta nobre missão.
Não suportei mais e fui ao Mural. Mergulhei e fui até onde o Petrúcio Ferro agradece a acolhida no Rio e do que me lembro, há um belo soneto do José Fernandes, cinco elogios à afabilidade do Pedro Ramos (e os agradecimentos), um agradecimento de Valfrido Curvelo pela acolhido do seu filho no Rio e mais um agradecimento do Pedro. Não tem tido muito movimento o Mural, tá quase igual ao Mural do Blog da CIT.
Dirigi-me então para a Academia Pedro de Lara. Percorri de cima a baixo, como sempre faço, o que é uma forma ineficiente a meu ver, para quem está ansiosa para ver as coisas novas publicadas na Academia.
O que notei é que muitos dos nossos acadêmicos renunciaram à “imortalidade”. Morreram dentro da Academia. Jordalino Neto, Jobson Emanoel, Milton Cavalcanti, Augusto Gomes, João Nelson e Celina Ferro, desde que me entendo como frequentadora da Academia, não escrevem mais. O Jordalino parou no Obama, será que foi pego pela Alcaida? Volte Jordalino, você ainda é minha referência para Dantas Barreto. O Jobson parou em “Alguém”. Belo poema. Volte e nos explique o que é o amor, se já descobriu. O Milton Cavalcanti, o colega ateu do Cleómenes, que agora tem um colega na Academia, o Roberto Lira, ficou preso sob o Guardião da Fronteira há muito tempo. O Augusto Gomes exaltou Bom Conselho, se expôs à garoa e parou. O João Nelson parou com o nosso querido e pranteado conterrâneo Marlos Urquisa. A Celina Ferro nos brindou com uma narrativa geográfica, que lendo lembrei do meu professor de Geografia no Ginásio São Geraldo: Gilvan de Abreu. Sempre a leio na A Gazeta, onde agora, também escrevo, mas nem chego aos pés dela.
Não sei o que aconteceu, mas todos deveriam voltar a escrever. Aliás, para incentivo ao retorno, o Saulo deveria criar um prazo de validade para “imortalidade”. Passado este prazo, não escreveu mais, já não estaria mais imune à morte. Talvez um ano seja um bom tempo.
Quantos aos outros, começando do começo, Zetinho, que também já contribui com nosso Blog, teve a magistral ideia de reviver alguns momentos marcantes do nosso noticioso de papel: A Gazeta. Que bom ler Luiz Clério falando sobre coisas nossas que se foram e o Zé Milton, ainda o maior memorialista de nossa cidade. Caro Zé Milton “vem pro Blog você também”. Caro Zetinho, o Gabriel Vieira Belo, era o “Guiga”?
Ana Luna, nossa amiga e colaboradora do nosso Blog, sempre curtindo a imortalidade e sem pés de galinha.
Sebastião Fernandes, talvez seja o imortal mais produtivo no papel, e um excelente poeta, embora ultimamente tem escrito mais como um profeta. Talvez seja uma fase mística.
Carlos Sena mais imortal do que nunca, e se o amor tivesse lógica, ele seria, o mais amado.
José Fernandes meu amigo que, se algum dia for fundada a Colônia Papacaceira do Recife, será meu candidato a presidente. Se aceitar, tenho certeza, esta não será como a colônia bahiana, que surgiu e tomou “doril”.
O José Tenório é quem podemos chamar de Imortal por excelência. Seu conto, O Mentiroso, me fez lembrar de que, igual ao que fizeram com o velho Praxedes, precisamos dar um susto em alguns “pabuleiros” e mentirosos que de vez em quando aparecem no SBC.
Quanto ao novo imortal Roberto Lira. Concordo com o Beto Guerra quando disse, em nota em nosso Mural, que não concordava com as ideias dele e do Cleómenes, mas os achava inteligentes. O Roberto é mais. Pena que ambos sejam “toupeiras” e não vejam com tanta clareza a importância de Deus em nossas vidas. Mesmo assim, sem sectarismo tacanho, o SBC e a Academia Pedro de Lara se engrandeceram com sua presença.
Quanto ao O Andarilho, nem fui lá, pois o considero “exorcizado”, isto é, o que escreve fica no limbo, embora ainda tenha água benta estocada, para o caso de aparecimento de alguma poesia dele.
O Gildo, que também nos honra publicando no nosso Blog, apesar de não combinarmos muito quanto às vestimentas, sou seu assíduo leitor.
Quanto ao Diácono Edjasme Tavares, de quem já falei tanto e discordamos tão pouco, escreve sobre um tema que para mim é também chocante: A crueldade com os animais. Caro Di, concordo com você em tudo, inclusive com seu apelos aos nossos vereadores, o que serve também como um alerta para alguns deles, não todos e talvez não a maioria, cujo lugar seria na carrocinha junto com os pobres animais.
Quanto ao Etiene Miranda, não escreve muito, mas quando escreve temos sempre uma bela caminhada literária pela frente.
A Maria Caliel, que colabora conosco, e que perfuma, com o odor de pétalas de rosas, aquilo que escreve, é imortalíssima.
Feita esta incursão ou excursão pela Academia Pedro de Lara devo dizer que sou sua fã. Não só pelo seu nome, Pedro de Lara, que será um dia patrono de nossa Academia de tijolo e cal, com que Zetinho e eu tanto sonhamos, mas porque é um espaço para expressão e comunicação de nossa gente, com pendores literários. O nosso Blog da CIT também tem este como um dos seus propósitos. É pena que não possamos prometer a imortalidade, como numa Academia, mas, fora isto ele está à disposição de todos para lá se manifestarem.
Termina aqui mais um plantão que se tornou agradável pelo meu “tour” no SBC.

Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

O DIA EM QUE BOM CONSELHO PAROU - 11ª Parte - PROVAS (TEMA LIVRE)




A nossa narrativa esta chegando ao fim, chegam as duas cidades para a última prova praticamente empatadas, havendo apenas uma pequena vantagem para Surubim, a nossa cidade tinha exatamente 30 minutos para provar que éramos os melhores, o tema livre era uma prova onde a cidade iria desenvolver um tema ligado a sua origem, era uma prova de pura arte, ai era onde entrava a verdadeira cultura da cidade, e nossa cidade escalou um trio da pesada, Leda de Jordalino, Ismênia Tenório e Frei Dimas.



Estive no último domingo na casa de Leda, levei meu gravador e fiz com ela uma entrevista sobre exatamente a prova livre, este encontro foi muito importante porque fez avivar em minha memória alguns fatos que estavam obscuros, também falou sobre outras partes do campeonato, e ficou claro que a música que Vanda cantou não foi Carcará, Carcará foi realmente interpretada por Maria Betânia, no quadro carcará, a música que Vanda cantou foi Ronda de Paulo Vanzolini.

A cidade estava em alerta total, tínhamos chegado para a última prova em boas condições, muito melhor do que realmente nós tínhamos pensado que iríamos chegar, pois Surubim era uma cidade maior que a nossa, mais perto do Recife, muito mais importante economicamente, tudo isto fazia dela a favorita, só que nós tínhamos surpreendido a todos com uma boa participação, como os senhores viram na nossa narrativa até o último capitulo.

Como é sabido por todos os bom-conselhenses nossa cidade é a única cidade no mundo em que os três micro-climas estão inseridos dentro dela, nos nossos 1040 quilômetros quadrados nós temos a mata, agreste e o sertão, tudo isto visualizado dentro da própria cidade, não precisando se afastar muito para ter acesso a estes climas, pois bem foi esta nossa diversidade climática que foi escolhida para o tema livre, nós iríamos mostrar as três diferentes culturas que estas micro-regiões tinham, o tema era muito bom, iríamos ver se o desenvolvimento era feito com maestria.

Devemos contar aqui algumas curiosidades que aconteceram.

Quando estávamos nos preparativos para o tema livre, chegaram à nossa cidade algumas pessoas estranhas e logo surgiu o boato que havia pessoas de Surubim que vieram espionar nossos preparativos, isto gerou um reboliço total na cidade e toda pessoa que se via de fora se pensava logo que era espião, inclusive umas pessoas de Garanhuns que estavam aqui, foram colocadas para correr sobre a acusação de que eram espiões de Surubim.

Esta curiosidade foi contada por Dr. Zenício, ele que tinha participado da prova de conhecimento, quando saiu do palco e entrou nos estúdios, ele viu umas moças muito bonitas e toda elas estavam maquiadas, eram realmente lindas, então ele comentou com Peu filho de Zé Zuza, que nós estávamos lascados, pois aquelas meninas de Surubim eram muito bonitas e que nós iríamos perder a prova, foi quando Peu disse, estais doido Zenício estas meninas são de nossa cidade, e foi ai que ele começou a conhecer as meninas, e vibrou, pois ele passou a ter certeza que nós iríamos ganhar.

A pessoa que iria fazer o personagem Carcará na dança do mesmo nome era Vanda, só que por mais que ensaiasse a coisa não ficava boa, então foi sugerido que Leda de Jordalino fosse o carcará, pois ela já tinha experiência com teatro, só que existia um porém, tio Jordalino não queria nem ouvir falar em Leda representando, e Leda doidinha para fazer o Carcará, só teve uma coisa a fazer fizeram uma maquiagem que só se via os olhos de Leda, e ninguém saberia quem estava naqueles trajes.

Leda contou que quando foi ser erguida pelos os quatros rapazes o bafo de cana que emanou de suas bocas quase deixa ela tonta ah ah ah.

O tema livre de Surubim foi sobre...


Aguardem o ultimo capitulo para saber o desfecho desta epopéia.

Alexandre Tenório Vieira - tenoriovieira@uol.com.br


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(*) Fotos do evento enviadas pelo autor.

sábado, 14 de novembro de 2009

O Avestruz, o Jacaré e o Macaco. Viva A República!



Quase exatamente há 120 anos a República era proclamada no Brasil. Existia um Império e um Imperador, D. Pedro II, muitas vezes tido como o único estadista deste país, pois estava disposto a vender até as jóias da coroa para resolver os problemas do país. O que faria D. Pedro se fosse eleito Presidente da República? Continuaria um estadista? Pelas várias definições do termo, ao estadista sempre se associa a imagem de alguém que é versado nos princípios ou na arte de governar, ativamente envolvido em conduzir os negócios de um governo e em moldar a sua política, e que a exerce com liderança, sabedoria e sem limitações partidárias. Dizem, de uma forma um pouco cruel e, às vezes, justa, que o "estadista se preocupa com a próxima geração e o político com a própria eleição".
É muito difícil responder à pergunta. Mas, é fácil descobrir que não é fácil descobrir estadistas atualmente. Não sei se felizmente ou infelizmente, tivemos uma chance em 1993, e escolhemos a República com forma de governo e o Presidencialismo como o nosso sistema de governar. Ou seja, escolhemos não ter uma Monarquia e sim uma República. Conseguimos?
Mesmos com as dificuldades, pela sua imensa variedade, de dizer o que é uma Monarquia, pode-se dizer que sua principal característica é o império da vontade de uma pessoa sobre o destino das outras. A República, ao contrário pode-se ver como uma forma de governo que prioriza o povo e cujos governantes, de uma forma ou de outra, devem levá-lo sempre em conta. Até etimologicamente, pode-se dizer que existe “uma coisa pública”. Enquanto que, na Monarquia, as coisas são todas do monarca, na República elas são do povo, que é uma entidade tão difícil de lidar que podemos dizer que elas não são de ninguém. No meio termo, existe algo que é chamado de “patrimonialismo”, que se refere a uma situação onde não há uma visão clara de “a quem pertencem as coisas". Quem é o dono do que existe, se produz, se vende ou se compra, num país? O Direito de Propriedade é uma prática nebulosa e cabulosa dentro dele.
No Brasil, o patrimonialismo veio com Cabral, estava na carta de Pero Vaz de Caminha, passou pelo martírio do Bispo Sardinha (os índios pensavam que ele era merenda escolar), continuou com as capitanias hereditárias, pelos barões, no Império, e continuou com a República, com os senhores de terras, coronéis e continua com o clientelismo, nepotismo, empreguismo e outros “ismos”. A falta de definição clara de quem tem direito ao que, ainda é uma das maiores mazelas de nosso sistema político, apesar de todos os avanços legais e institucionais dos últimos tempos. Isto passa pela questão fundamental do que seja público e do que seja privado em nosso país. E não peçam para o povo ler a Constituição e as Leis, eles, em sua maioria, são analfabetos, iguais aos índios que comeram o bispo.
Quando vou a Bom Conselho, cada viagem rende-me dezenas de letras. E quando vou lá e visito Seu Salviano, o meu cérebro se preenche de luz. Seu Salviano está velho, como ele gosta de dizer, não é velho apenas está velho. Ainda espera reencarnar e voltar a ter um corpo jovem outra vez. A alma não envelhece. Atualmente ele mora no bairro de São Rafael. Eu o conheço ainda dos arredores da Rua da Cadeia. É um sábio com humor, o que para mim é apenas uma redundância. Não há sábios mal humorados. Casa modesta, sem muitas coisas modernas, exceto pela TV e geladeira, adquirida agora, com a redução do IPI, mas muitos livros velhos numa estante também velha. Ele brinca:

- Agora chupo picolé todo dia, prá compensar o feijão que só é cozinhado no sábado!

Começo com uma pergunta que faço sempre que o encontro, só variando o nome do governante de plantão:

- Como está o governo da prefeita Judith, Seu Salviano?

- Tenho acompanhado! Tenho acompanhado! Com mais atenção do que os outros, pois ela é mulher e, queiramos ou não, ainda somos machistas, embora as mulheres tenham ficado mais espertas ultimamente. Talvez tenha sido por causa de machismo que o prefeito anterior perdeu as eleições. Andou espalhando que mulher só servia para cozinhar e levar ponta. Tendo dito ou não, as mulheres deram o troco. É preciso cuidado para não usar nem o meu machismo “
incruado” em qualquer julgamento.

- Quer dizer que o senhor acha que ela vai bem?

- Não é tão simples assim! O prefeito que foi bem nos últimos 10 meses é porque está mamando no PAC, ou na mãe dele. Penso que nossa bela prefeita, e você sabe que pela minha idade, não preciso usar aquilo de “
com todo respeito”, pois não posso nem faltar com ele, exagerou um pouco nas expectativas. Depois que voltou à realidade quis compensar com eventos sociais. Mas, as festas se acabam e volta a penúria. Quando ela completar um ano de governo volte aqui e conversaremos. E você, o que achou da cidade?

- Nunca vi tantos boatos. Porque o senhor acha que vim aqui? O senhor sabe que considero os seus boatos mais verdadeiros do que os dos outros!?

Seu Salviano fez uma ar de riso e de descrédito na minha informação, e disse:

- Você sabe o que ainda atrapalha todos os prefeitos de Bom Conselho, desde que me entendo por gente?

- Sou todo ouvidos, Seu Salviano.

- Eles nunca souberam discernir entre o que é deles e o que não é, quando assumem o poder. Direitos e Deveres, nesta área deveriam ser exigidos na ponta da língua de qualquer governante. Deveria haver até prova prática, como para tirar carteira de motorista. Todos que sentam na cadeira mais alta se sentem dono de tudo que os rodeiam, inclusive de algumas pessoas. Quando os coronéis entregavam a cédula de votação já fechada para o eleitor, tinham-no como sua propriedade, da mesma forma que em épocas modernas obtém votos em troca de empregos que não lhes pertence ou de auxílios com verbas públicas.
Deixe-me lhe contar um caso recente. Soube por acaso, ao ver uma criança aqui da comunidade reclamar por não haver mais avestruzes no Parque José Feliciano. Eu fui lá olhar. Eu também gostava dos avestruzes. Pelo seu porte e robustez serviam de admiração e diversão para crianças e adultos. O que aconteceu? Contaram-me, e se me contaram errado me corrijam, que, antes das eleições o prefeito, visando o bem estar de sua comunidade, inclusive a minha, levou para o referido parque alguns animais. Uns disseram que era um macaco, um jacaré e dois avestruzes. Outros dizem, que o macaco já estava lá, mas isto não importa. Foi uma festa. Durante algum tempo os animais realmente aumentaram a alegria da molecada, inclusive a minha. Depois das eleições, nas quais o prefeito não foi eleito, os avestruzes foram levados de volta por ele.
Comecei a conversar com as pessoas sobre isto. Uns diziam: mas, não eram dele? Então tem o direito de levá-los de volta. Outros diziam, mas isto é um absurdo, meu filho se divertia tanto com eles. Deveriam mandar a polícia pegar de volta na fazenda dele, diziam outros. E assim por diante, ninguém fez críticas ao prefeito, por ter colocado seus animais dentro de um parque público. Todos acharam, antes, um magnânimo gesto, levar os animais para divertir as crianças, no entanto, ninguém se incomodou com o uso dado ao parque público, que é um espaço público, e que por trás disto há uma série de leis, normas e regulamentos para sua utilização, os quais nem o prefeito pode mexer neles ao seu bel prazer. Já pensou se outro prefeito resolve colocar os seus bois lá e depois tomá-los de volta mais gordos pelo uso do capim público? Não há muita diferença, em termos de confusão entre o que é público e o que é privado, daquele prefeito que se acorda uma dia e diz: aqui não precisamos de cinema, precisamos de mercado público, abaixo o Cine Rex. Ou, esta praça já deu o que tinha de dar, derrube-se e construa-se uma moderna. Não estou querendo dizer que nunca se doe um avestruz para um parque, ou se derrube um cinema ou uma praça, mas, que há normas envolvidas no processo, além da vontade das pessoas, mesmo que estejam imbuídos das melhores intenções. Até hoje eu não sei porque o referido prefeito não levou o macaco e o jacaré.

- O senhor concluiu alguma coisa sobre este caso?

- Não muita coisa. Talvez que macaco e jacaré só combinam com avestruz no Parque José Feliciano. Mas, posso dar um conselho a quem é administrador público ou pretende ser. Leiam, antes de assumir, o artigo 37 da Constituição Federal, e estudem bem o que significam os princípios: Legalidade, Impessoalidade, Moralidade, Publicidade e Eficiência. Se o entenderem e o praticarem, estaremos saindo do
patrimonialismo a passos largos e ficando longe de tantos prejuízos e injustiças causados por ele. Aí estarão pertos de serem úteis até a sétima geração.

- Até mais ver, Seu Salviano. Foi um bom papo, espero conseguir reproduzí-lo no Blog da CIT.

- Ainda não cheguei a esta de computador mas soube que vocês já tem até uma Biblioteca e lá tem uma Constituição para consultar. A minha tá tão velhinha que qualquer dia desses vou lá...


Voltei para onde estava hospedado, sem deixar de passar antes pelo Parque José Feliciano. É um espaço excelente para o bom-conselhense. Só encontrei o macaco e o jacaré, e, pelo visto, estão bem tratados.

Diretor Presidente – diretorpresidente@citltda.com


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(*) Fotos do Parque José Feliciano do acervo da CIT.