quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Dialogando para salvar O Olho de Horus



Estimado DOC (Dialogador, Ouvidor, Compartilhador) Cleómenes, boa noite!!!!!!

Sem prolegômenos, sei que você não separa o bio do psico, e outros adereços mais. Mas, vou continuar fazendo essa divisão, não por querer insistir nela, e sim porque dessa forma talvez consiga me expressar melhor, beleza?
Como você já deve estar de s... cheio de perceber, gosto de usar o meu bio (a velha carcaça e seus acessórios) para me exprimir/viver como esportista. Também, já gostei de dançar, hoje só retomo essa atividade com minha “japa” quando tomo uns “gorós” e o instinto incorpora um forró “arretado”. (Lembrei agora do meu amigo-irmão Marlos, ele retornou essa atividade alguns meses atrás, antes da sua memória ser “deletada”. Mas ele gostava mesmo era de um bolerão). Minhas preocupações com o bio foram sempre relacionadas ao funcionamento da totalidade dessa máquina gênica. Nunca dei muita atenção à natureza dessa máquina, ou seja, a sua genética. Você lembra que manifestei ao ler o livro do Dawkins, “O Gene Egoísta”, que o único capítulo que me chamou a atenção foi o dos Memes, os outros eu li “passando reto”, só para tentar me familiarizar com a linguagem. Pois bem, ao ler o livro do Fritjof Capra, “Conexões Ocultas”, o capítulo 6: A biotecnologia em seu ponto de mutação, trata de tópicos que recapitulam as origens da genética, apresenta os recentes progressos das pesquisas na área e assuntos correlatos. Da mesma forma que quando eu li o livro O Gene Egoísta, a parte referente a genética, no de Capra, eu também “passei reto”. Só agora com a continuidade das nossas conversações fico um pouco mais atento ao assunto. No texto de Augusto Franco “O Olho de Horus...” (http://escoladeredes.ning.com/profiles/blogs/o-olho-de-horus), ele indica para leitura, numa abordagem simplificada, sobre evolução genética, entre outros, o referido capítulo 6 do livro de Capra. Reli agora esse capítulo, então, o olhar, o interesse e a compreensão, já foi outro (a). Penso que fruto dos nossos diálogos, das novas leituras, e do meu esforço para abrir a mente ao até então rejeitado assunto. É lógico que com minha inépcia para a genética, o suco que extraio dessa fruta é minguado. Minha esperança é que alguém (?) me puxe, mesmo que seja pelos cabelos, para que possa reformar “meu pé” e “meu sapato” com uma(s) dialogada(s) SÓ(IS). Certamente, muitos e muitos SÓIS surgirão.
Agora veja, (“veja” bem, kkkkkk!!!) quando o assunto é psico: “memes”/pensamentos, autopoiese, complexidade, auto-observação, aí pego o escrito “arregalo o “oião”, “grudo” nele, e enquanto ele num entra na “cachola” pelo “zoio”, pelo “zuvido” ou por qualquer “zorifício” eu não largo........nem o “osso”. Com certeza, é por isso que minhas principais lidas/leituras tenham girado em torno de Maturana & Varela, Krishnamurti, Edgar Morin e alguns dos “pareceiros” destes (Capra, Mariotti, etc.,). Num “guento” ficar sem lê os “cara”, fico sem oxigênio. Eu sei que tem gente que em vez de oxigênio prefere gás sarin ou tabun. Tem gente que nem sabe onde está o seu próprio respiradouro. Fazer o quê?
Estimado DOC, estou propondo uma nova “teoria da evolução”: “engatinhar-andar-voar” (a teoria não é uma primeira, nem segunda, nem mesmo uma terceira – arremedando o amigo Zezinho quando ele se refere aos versos do “Pavio Apagado”). Ela é baseada nas seguintes premissas: 1) Para se andar não é preciso deixar de saber engatinhar; 2) Para voar não é preciso deixar de saber andar; 3) Uma forma de se “deslocar” ou “descolar” é abandonada quando não é mais significante. Essa teoria não é para destronar a “Teoria da Evolução” de Darwin, nem a “Teoria da Cognição de Santiago” de Maturana. Muito menos para entronar o papacaceiro RL, meio inepto. A teoria se destina a oportunizar que o pendrive do referido papacaceiro (você quer apensar sua alma num prendive, em também quero, por isso, já estou tomando minhas providências) possa rodar o seu software na rede social que aceite engatinhadores, andadores e voadores. Mesmo que me atirem pedras. “Prefiro os que me atiram pedras, porque estas me acordam, do que os que me atiram flores, pois estas me adormecem
Como estou acordado até agora de madrugada, nem mesmo dormindo, esqueço que o estimado DOC vai me ajudar a aprender voar.
Um abração, Fuuuuuiiiiiii, ainda sem voar,

Roberto Lira - rjtlira@yahoo.com.br

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Caro Roberto, bom dia de outro dia, já distante de sua noite!!!!

Sei que já tem um e-mail seu antes deste, e neste já estou atrasado. É o tempo, amigo. Também o controle do assunto. É vasto e complicado, talvez como a vida. Só tive tempo de ler o Olho de Horus e o troço é dureza. Quando nos habituamos a determinados padrões conceituais é difícil sairmos deles antes da eternidade. No entanto, a ideia de Dawkins de “memes” para designar a exteriorização e interação dos genes no plano social ainda me parece muito sugestiva, mesmo que o autor queira sugerir o contrário pela sua aversão ao Neodarwinismo, como o Darwinismo também.
Pelo que entendi, o autor tenta contraditar a idéia de competição do Dawkins por uma mais "civilizada" Teoria de Redes Sociais. Lembrou a ideia ou meme antigo sobre a harmonia ou conflito na natureza e sociedade, quando uns diziam que o homem nascia bom e era corrompido pela sociedade e outros que ele já nascia ruim. Ou ainda que a cooperação é o motor do progresso (Ordem e Progresso) e os outros que o conflito é que fazia o homem evoluir (A Violência era a Parteira da História). Nestes "ismos" todos fico com Darwin e seus seguidores por não acreditar muito na ideologia do pacifismo natural. O que ele mostrou foi que nós não passamos de um monte de transformações químicas que nos levam ao convivio social por puro egoísmo, no sentido da sobrevivência. A Biologia moderna mostra isso, como Ciência. O único ramo científico que procura descobrir a verdade é o das Ciências Ocultas. Isto é uma tarefa de nossa vã Filosofia. A Ciência é uma forma de conhecimento recente na história do homem. Religião e Filosofia vieram muito antes, e continuam tendo o seu papel individual e social. Profetas, filósofos e santos continuam com seus "memes", tentando descobrir o que o mundo "deveria" ser, enquanto o cientista tenta explicar o que ele realmente "é".
No caso dos "memes", como passamos para a Ciência Social, que é um verdadeiro saco de ideologias, o Neodarwinismo nada mais é do que uma forma de levar para a Ciência Social, nesta área de comportamento humano, um pouco do método científico reinante na Biologia, por exemplo. A divergência entre o que "é" o mundo e o que "deveria" ser, tenta ser contornada de uma forma prática e eficiente: Se alguma ideia, que muitos chamam "teoria", explica como a sociedade ou natureza funciona, ela é verdadeira no sentido de ser útil ao homem, para sua sobrevivência em bases aceitas como melhor ou pior. O Geocentrismo era tão verdadeiro para os antigos Maias quanto o Heliocentrismo o é para nós hoje. Para fazer uma calendário eficiente não necessitamos saber que a Terra gira em torno do Sol e não o inverso. A verdade mudou ou mudamos nós. Ambos mudamos, por que um não existe sem o outro.
A importância das Religiões e da Filosofia é vista como uma fonte geradora de hipóteses científicas. Por exemplo, o Apocalipse deve ter influenciado extremamente os cientistas que tentam explicar a origem e fim do Universo. A crença em um primeiro homem, o nosso Adão, influenciou Darwin e outros cientistas naturais em expor suas hipóteses. Fora sua influência no comportamento social de civilizações inteiras. O que fez a Ciência moderna pelo homem, foi tirar a ênfase de ter que se acreditar em Deus e em alguns ritos religiosos para que o homem seja senhor do seu destino.
Dizer que: "Mas se comprar a idéia de meme (ou o meme de ‘meme’) implica ter que assumir também a visão neodarwinista, então nada feito. Para mim, o problema com o neodarwinismo é... o próprio darwinismo: diga-se o que se quiser dizer, um meme terrivelmente competitivo, quem sabe por ter olhado para a natureza com os óculos fabricados pela competição “selvagem” do capitalismo inglês do século 19 (a “selva” em questão era mais a “praça do mercado” do que as estepes e as florestas, enfim, o habitát natural das espécies vivas). Esse padrão de competição parece ter saído da sociedade para a natureza e não o contrário." é apenas uma frase de efeito e que leva a mente ao devaneio das "redes sociais", enquanto os capitalistas, iguais aos nossos genes, cumprem o seu cruel papel de explorar para sobreviver. Onde este padrão de competição foi iniciado, não é uma pergunta a que a ciência deva responder necessariamente. Ela apenas constata que, onde o padrão de competição foi maior, aquilo que o homem julga ser progresso social foi melhor atingido do que outros comportamentos. Talvez não quiséssemos que isto acontecesse, mas, infelizmente, acontece. Podemos julgar que os indianos, chineses, japoneses e mesmo índios brasileiros, tenham vivido num padrão de qualidade de vida infinitamente superior ao que eles vivem hoje, entretanto, todos adoram um celular, uma televisão ou um automóvel. E que se tenha pena da raça humana! Não haverá Deus para salvá-lo. Quem sabe se o dia em que ela (a raça humana) descobrir isto, use as redes sociais para sua sobrevivência. Talvez dê certo, mas não teremos automóveis.
Eu acredito que os "memes" egoístas ainda evoluirão para a cooperação, ou pelo menos para negociação como na Teoria dos Jogos. Se não o fizermos terminaremos tomando no Olho de Horus.

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Quando já havia terminado e como sempre você sai na frente, vi o seu diálogo com o JK sobre religião, no qual a Lucinha chamou o JK de "doidão" (nem ligue, o neto é que está deixando ela “doidona”). Nele o que vi, foi o JK fugir da pergunta: Qual a verdadeira religião?, como o diabo foge da cruz. Seria melhor dizer que não existe logo de uma vez. A Religião verdadeira são "memes" que levam à perpetuação da espécie em certas fases de desenvolvimento das civilizações. O problema com os "gurus" indianos (desculpe), é que eles se sentem como se fossem independentes do tempo e do espaço de suas existências, igual a qualquer sábio, filósofo, poeta, profeta ou santo. Quando perguntaram a Jesus o que era a verdade, ele não respondeu diretamente, mas disse que ele era a verdade o caminho e a vida, pelo relato dos evangelistas. Se tivesse invertido as coisas, isto é, respondido o que era a verdade, ao invés de se identificar com esta, o cristianismo como o conhecemos não existiria. Penso que Lucinha diz que ele (o JK) é doidão, porque a religião verdadeira, para ela é o catolicismo. Mas, talvez seja isto que o JK queira dizer.
No diálogo, você declara que ainda não encontrou um sentido para vida, pois continua buscando-o. Sem querer ser finalizador de diálogo, eu pergunto: Será que a vida tem algum sentido, que possa ser procurado? Talvez sim. Ele está em nosso Menino Jesus. E Alberto Caieiro (http://www.citltda.com/2009/10/conversando-ao-redor-de-fernando-pessoa.html) , diz do dele o seguinte:

“Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam?”

Ao que eu acrescentaria, para dar mais sentido ainda:

“Quem me dera que a minha vida fosse um carro de bois
Que vem a chiar, manhãzinha cedo, pela estrada,
E que para de onde veio volta depois
Quase à noitinha pela mesma estrada.
Eu não tinha que ter esperanças — tinha só que ter rodas
...
A minha velhice não tinha rugas nem cabelo branco...
Quando eu já não servia, tiravam-me as rodas
E eu ficava virado e partido no fundo de um barranco.”

Tenho certeza, se este diálogo for publicado, Lucinha dirá: "são três "doidões", pois já estão jogando pedras um no outro." Talvez tenha razão.


Cleómenes Oliveiracleomenesoliveira@citltda.com

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