quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A Leitura




O ato de ler é como o ato de ser um descobridor, um desbravador de continentes longínquos e desconhecidos. Quem já está acostumado à leitura, talvez, nunca tenha dado ou pensado sobre a importância da leitura. A leitura flui como uma experiência única. É como um passaporte que dá condições de adentrar em países, culturas quase inimagináveis. A leitura funciona ainda como uma máquina do tempo, posso me projetar para um futuro distante, que nem sei se irei viver, ou posso retornar a uma época conhecida que já vivi.

Vivemos sensações, experimentamos novas emoções com a leitura. Ás vezes ela nos parece como uma maldição, porque nos obriga e arrasta como um vício penoso do qual é impossível se livrar, pois nada o substitui. E é também uma salvação. Salva a alma presa, salva a pessoa que se sente inútil, salva o dia que se vive e que nunca se entende a menos que se leia.

Ler é procurar entender, é procurar reproduzir o que os nossos pensamentos não ousam ou não sabem expressar. Quando lemos sentimos até o último fim o sentimento que nos permaneceria apenas vago e sufocador. Ler é também abençoar uma vida que não foi abençoada.

A leitura por vezes nos torna grandes, imensuráveis, dependendo do que se lê; nos torna também pequenos, restritos, sem visão. Há gente que lê e não sabe ler. A verdadeira leitura não está só no jogo das palavras colocadas lado a lado, sílaba após sílaba; a verdadeira leitura encontra-se oculta, por trás das palavras que se escreve, nas entrelinhas. Há sentimentos ocultos naquilo que se lê. Podemos ir ao céu com uma leitura, como podemos amargar o mais temeroso inferno. Ler é intuir. E não se brinca com a intuição, não se brinca com a leitura: a caça pode um dia vir a ferir o caçador.


Gildo Póvoas - gildopovoas@hotmail.com

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