quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O dia em que Bom Conselho iria parar



Começo pedindo desculpas ao ilustre bom-conselhense Alexandre Tenório, pela minha falta de imaginação ao parafrasear o título de sua excelente série sobre um dia importante para a sua cidade.

Mas, este é o título mais realista que pude encontrar. O dia 20 de novembro talvez até se tornasse feriado municipal, com a visita de Lula a Bom Conselho. Os meninos nascidos neste dia seriam batizados como Luiz Inácio ou Luiza Inácia dependendo do sexo. Em Caetés já temos tantos Luizes e Luizas que nossos cartórios não mais registram este nome, como evitaram, desde o início, registrar nomes como Lula Anderson, Lula Jackson, Lula Jollie ou mesmo Lula Lelé. A imaginação do nosso povo não tem limites. Um foi registrado, e achei interessante, o Lula Barraco, porque a mocinha do cartório se confundiu quando o pai deu o nome, o que ele estava dizendo era Lula Barack. Tudo isto e mais coisas poderiam ocorrer e seriam absolutamente naturais. Vamos e convenhamos, não é todo dia que um Presidente da República visita um município do porte de Bom Conselho. Penso que este dia seria mais agitado do que o do Enterro do Padre Alfredo, descrito pelo Diretor Presidente (http://www.citltda.com/2009/11/o-enterro-de-padre-alfredo.html). E seria um dia alegre, festivo, para toda sua gente.

Eu estava lá em Bom Conselho por outro motivo. Queria falar com ele sobre nossa Academia e reclamar por ele não ter vindo à inauguração do seu filme aqui em Caetés. E, tendo oportunidade iria dizer a ele, com a devida e educada ênfase:

- Meu amigo, pelo menos de infância, você pisou feio na bola. Decepcionou uma cidade que foi seu berço. Onde você abriu os olhos pela primeira vez e deve ter visto a aridez daquela caatinga braba, onde mais tarde caçaríamos calangos. Seu filme poderá até ser um sucesso de público e de voto, mas não superará a tristeza dos caeteenses de não ter sua companhia para vê-lo. No entanto, nós já estávamos avisados, e de certa forma, calejados com o seu procedimento. Agora, os bom-conselhenses, não!

Eu vi no olhar daquele povo o brilho farto de alegria, um sorriso permanente nos lábios, quando pronunciavam: Lula, Lula... Vi ainda hoje, passarem pessoas simples do povo, com faixas e cartazes para a solenidade de inauguração. Um dizia, ele vem de “holoscopo”, aquele avião que tem um ventilador em cima, outro dizia, que nada, ele vem de “oinbus”, junto com o governador, outro dizia que ele havia partido de pau-de-arara de Garanhuns, e adentraria o portal da cidade, dando uma volta pela Praça Pedro II, antes de dirigir-se à Perdigão. Todos ganhavam do Bolsa Família e queriam, de uma forma ou de outra, agradecer ao seu protetor. Seria ou não seria um dia histórico?

Eu agora já estou em Garanhuns, e se isto serve de consolo, economizei uma diária de hotel. Mas foi uma economia que não gostei de fazer.

Fica a pergunta: Será que um dia ele virá? Em minha opinião, isto vai depender muito daquelas pessoas lutadoras e capazes, a quem elogiei em artigo anterior (http://www.citltda.com/2009/11/lula-em-bom-conselho.html), que lutaram pela sua vinda e agora se sentem frustradas. Neste ponto, concordo com a Lucinha Peixoto, quando exorta o povo a cobrar de Lula, esta promessa, como, em Caetés, também deveremos cobrar. Para Bom Conselho, a dívida é maior, pois, nunca teve um presidente em seu solo. Teve apenas um Governador, que depois de sê-lo nunca mais apareceu na cidade. Talvez cobrar da Dilma no próximo ano, como a Lucinha quer, não seja suficiente, para que Lula venha à cidade. Talvez possamos pressioná-lo mais se convencermos o povo de que o auxílio do Bolsa Família é dado pelo Antônio Conselheiro, e que a volta dele está próxima. Quem sabe o Dantas Barreto, não se levantará do túmulo e voltará a Bom Conselho para combatê-lo outra vez? Sendo recebido pela população cantando um velho coco, de quando ele acabou o rosismo:?

O pau rolou, caiu.
Rosa murchou. Dantas subiu.

Que a Lucinha talvez parafraseasse assim:

O pau rolou, caiu.
Lula afogou. Dantas subiu.


Eu achei uma grande pena. Ainda espero que as fontes da Lucinha estejam erradas e amanhã, o Lula apareça, nem que seja num balão, que o povo acompanharia cantantando:

Cai, cai balão
Cai, cai balão
Aqui na minha mão.
Não cai não, não cai não
Não cai não, Vai cair na Perdigão.

Cai, cai balão
Cai, cai balão
Aqui na minha mão
Eu vou lá, eu vou lá, eu vou lá
Quero ver Lula falar

José Andando de Costasjad67@citltda.com

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